Mundos Paralelos

Ficheiros Secretos – Albufeira

Territórios Esquecidos por Trilhos Não Mais Percorridos

 

Albufeira – O Castelo do Oceano, como a denominaram os árabes – foi construída sobre um intrincado conjunto de túneis subterrâneos que faziam as ligações entre o litoral e o interior, terminando alguns deles sobre cúpulas aí edificadas para protecção dos locais

 

A história da cidade de Albufeira – ocupada pelo Homem há mais de 4.000 anos – está intrinsecamente ligada ao início da ocupação alienígena da Península Ibérica, num período já muito remoto da sua Primeira Fundação e muitos e muitos anos antes dos acontecimentos que levaram mais tarde ao nascimento de Portugal. No entanto os vestígios da sua presença neste território – ao longo destes milhares de anos – ainda chegam espaçadamente até aos nossos dias, desde o conhecimento que já temos das suas movimentações actuais, até um passado recente de contactos irrefutáveis com entidades alienígenas – como foi o caso das aparições de Fátima no ano de 1917 – nunca esquecendo o verdadeiro motivo que levou as tribos do norte de África a invadir o sul da Europa, atravessando o mar Mediterrâneo – a partir de 711: o sonho de aí encontrar o paraíso proporcionado pelos Deuses criadores do Homem e com eles poder partilhar o seu poder e sabedoria. Alhambra é ainda um símbolo vivo dessa saudável loucura árabe que um dia no passado invadiu o sul da península, acabando por contribuir decisivamente para o ressurgimento do mito do Ente Superior, zelando cuidadosamente pela evolução saudável da sua criação e pela manutenção técnica do Paraíso. Por seu lado se recuarmos mais de cem anos na nossa história, Albufeira representa um dos marcos importantes da intervenção mais recente dos alienígenas nesta zona – por coincidência já ocupada pelos povos árabes no período em que ocorreram as invasões – com uma refundação das premissas fundamentais que justificaram a sua intervenção inicial (veja-se o caso dos incidentes de 1833 em Albufeira, com a resistência de toda a sua população contra os impiedosos e brutais guerrilheiros do Remexido e que levou à morte de quase duzentos membros da sua população, entre novos e velhos, ricos e pobres e até em camadas apoiantes de residentes estrangeiros). Daí a interacção dos alienígenas no desenvolvimento desta terra de pobres, de alguns agricultores e de uns tantos pescadores, que apesar de esquecida por muitos nas malhas confusas do tempo, contribuiu decisivamente para a saída progressiva e acelerada deste povo de uma noite interminável de sofrimento.

 

Os propalados vestígios da existência noutros tempos de um vulcão activo na zona da serra de Monchique – há mais de 70 milhões de anos – fazem parte integrante da mitologia popular algarvia transmitida através de sucessivas gerações pelos nossos antepassados (alguns deles já apresentando características híbridas e pejorativamente denominados de mouros)

 

Numa viagem realizada há cerca de trinta anos à remota zona do Algarve com o objectivo de melhorar o seu conhecimento e integração na sociedade indígena aí residente – no sentido de potenciar uma mais vasta partilha e encontro de soluções mutuamente interessantes e profícuas – o cientista e líder do Movimento Ideologicamente Anormal (MIA) dirigiu-se em primeiro lugar para a zona envolvendo a serra de Monchique, de modo a observar o local mágico de implantação do extinto vulcão do sul de Portugal nesta zona tão cheia de mistérios e de misticismos do barrocal algarvio. Os documentos e mapas antigos que o acompanhavam falavam claramente de um vulcão activo nesta região, com diversas chaminés vulcânicas de escoamento de material, uma delas situada na conhecida Praia da Luz em Lagos. O vulcão principal situar-se-ia nas proximidades da vila de Monchique – na Fóia (902m de altitude) – com ligação subterrânea a um possível vulcão gémeo, mas de menores dimensões, situado num local de menor altitude a Picota (774 metros de altitude). Após longas caminhadas a pé e de um exaustivo estudo de todas as características geológicas da região, o cientista constatou que na origem de todo este processo de transformação à superfície – com o aparecimento do vulcão, a sua extinção e seu possível retorno à actividade – teria estado um fenómeno conhecido como de subducção, que no caso específico da costa sul de Portugal se reflectiria no mergulho da placa oceânica sob a placa continental. No passado já muito remoto esse vulcão teria na realidade existido, mas apenas os contos populares e a nossa necessidade de contar histórias e de reinventar os nossos sonhos, o tinham empurrado até ao presente. E aí até ajudava à criação deste mundo hipnótico de encantamento a beleza dos desfiladeiros existentes entre os picos da serra, a descida quase que em escada ondulante até ao mar aqui tão perto e essas águas quentes, interiores e misteriosas vindos da profundidade da terra, nas famosas termas milagrosas e curativas das Caldas de Monchique: de Albufeira até Monchique era como se nos teleportassemos instantaneamente de um deserto calcinante de areia para um oásis ainda virgem e com calçada a sienito.

 

Uma porta representa sempre a entrada para uma nova realidade – o problema é que nem sempre as vemos como devíamos, esmagados pela sobreposição de portas que não levam a lado nenhum e que apenas aí são colocadas para nos confundirem e nos levarem a optar pelo suicídio oficial não assistido como opção de vida válida e alternativa

 

A nossa jornada iniciou-se por volta das seis horas da manhã de um dia frio de Dezembro do ano passado, com uma concentração marcada para o Mercado dos Caliços em Albufeira, rigorosamente equipados da respectiva bicicleta e de uma mochila de apoio. O plano era aproveitar as primeiras horas do dia para se iniciar tranquilamente a viagem de bicicleta em direcção à cidade de Silves, onde se deveria chegar por volta do meio da manhã, depois de uma pequena paragem intermédia na Quinta dos Avós situada nos arredores do Algoz, para degustar um delicioso D. Rodrigo e engolir de rompante um bom copo de medronho. Chegados a Silves dirigimo-nos imediatamente ao museu arqueológico situado junto à Câmara Municipal da cidade, onde nos iríamos encontrar com um elemento pertencente a um grupo ligado à espeleologia algarvia, que nos iria fornecer um mapa considerado apócrifo – mas com muitíssimas excepções contraditórias – abrangendo em profundidade todo o subsolo de uma vasta área geográfica, englobando os concelhos de Silves, de Portimão e de Lagos. Foi um indivíduo de cara meio oval e olhos grandes de felino com o seu corpo magro e longilínio oculto sob uma capa escura e pesada, que apressadamente nos entregou um pequeno envelope azul perdendo-se de seguida nas ruelas que subiam vertiginosamente em direcção ao castelo. Descemos então em direcção á margens do rio que atravessava a cidade, reflectindo sobre o estranho episódio connosco há poucos minutos ocorrido e com as informações que o envelope poderia conter e revelar. O documento comportava um mapa geológico detalhado e tridimensional da região, referindo-se pormenorizadamente à constituição do seu subsolo a diferentes níveis de profundidades e identificando rigorosamente uma intrincada rede de túneis subterrâneos intercomunicando-se em determinados pontos de referência e espalhados por todo o subsolo da região. E ainda um texto traduzido com informações suplementares sobre o mapa que acompanhava em anexo, onde era fácil de perceber a localização de certos pontos aí bem assinalados e que pareciam representar portas de acesso para essa fantástica e impensável rede subterrânea de túneis. Montados nas nossas bicicletas partimos em direcção a uma das portas assinaladas no mapa, atravessando grandes e coloridas extensões de laranjais com uma casa ali e outra acolá, até começarmos finalmente a divisar lá ao fundo Portimão – e uns vislumbres do rio Arade – o que significava que a zona das grutas de Ibne-Ammar estava próxima. O conjunto das duas grutas aí existentes faria parte de um outro conjunto mais vasto de saídas de emergência, enquanto o que o mapa assinalava era um ponto referenciado como uma entrada: descoberta concretizada ao fim de algum tempo de árduo trabalho, já que a mesma se encontrava encoberta por um denso aglomerado de arbustos e desperdícios. O símbolo ainda lá estava, negro e circular e parecendo querer engolir-nos.

 

Há milhões de anos atrás a zona costeira a que hoje chamamos Algarve poderia estar situada numa zona de transição geológica entre o mar – terrenos cobertos de água – e a terra – terrenos sem água à sua superfície, zona essa que poderá ter sido completamente alterada – com afundamentos e elevações de terrenos – devido a movimentações e choques violentos ocorridos entre placas tectónicas

 

A superfície do nosso planeta está há milhões e milhões de anos em constante transformação geológica e evolução ambiental, desde os momentos iniciais da sua formação como corpo estruturado, até ao momento em que o homem um dia apareceu, se adaptou e nele se desenvolveu. No caso da Península Ibérica e mais especificamente tratando-se de toda a sua zona sul, a contiguidade com toda a zona do mar Mediterrâneo e a presença de falhas geológicas activas e muito próximas, poderá ter originado no passado distante a ocorrência de catástrofes naturais de uma grande dimensão e violência, proporcionando grandes migrações populacionais e alterações dramáticas na constituição e topografia terrestre e marinha. Vastas zonas afundando-se sobre as placas tectónicas e outras erguendo-se repentinamente pela existência de fortes pressões exercidas entre elas e actuando em sentidos contrários. Os colaboradores alienígenas já tinham conhecimento destas modificações geológicas ocorridas ao longo da História da Terra, porque já por cá andavam há muito tempo, chegando mesmo a contribuir indirectamente para o recomeço de muitas civilizações antigas colocadas por vezes muito perto da sua extinção, pelo surgimento de acontecimentos imprevisíveis, incontroláveis e de consequências devastadoras para todas as espécies existentes à sua superfície. Foi assim com muito espanto e admiração que os seus aliados terrestres do Algarve receberam a informação de que toda a zona do Mediterrâneo teria sido no passado uma grande planície muito rica e fértil, habitada e com paisagens magníficas, que se terá afundado progressivamente ao ser devastada pela erupção de vulcões e terramotos devastadores e que terá desaparecido definitivamente debaixo do mar quando a barreira natural que separava a zona do oceano Atlântico se desmoronou, provocando a inundação das zonas restantes que ainda se encontravam à superfície. As enormes minas de sal-gema de Loulé seriam uma prova de que anteriormente estas terras teriam estado cobertas pelo mar, enquanto os túneis subterrâneos espalhados por todo o Algarve concentrar-se-iam mais em antigas zonas onde teriam existido anteriormente vulcões activos, como o que terá existido na região de Monchique actualmente adormecido. Mais tarde o Homem terá aproveitado estas grutas, cavernas e túneis como local de refúgio, armazenamento e caminho seguro, para aceder a outras zonas próximas e privilegiadas, contando muitas das vezes com a colaboração de tecnologia alienígena de trabalho em profundidade, para a criação e aproveitamento desta rede social e desta nova realidade. Agora esquecida.

 

O que é a realidade? Mais um sonho em que nós somos intervenientes mas que pode terminar de um momento para o outro e até voltar a recomeçar? Ou não será a realidade apenas mais uma abstracção cronometrada entre o momento do nosso nascimento e o momento da nossa morte, apenas para não nos apercebermos que existem outros mundos? As portas existem nós é que não as vemos!

 

Vivemos um momento de embrutecimento degenerativo e colectivo, em que aqueles que ainda e sempre tiveram dinheiro e poder, não se podem dar ao luxo de ajudar quem não o tem, dado estes últimos e por definição não terem capacidade para dar nada em troca ou seja negociar.

 

Deste modo não poderemos esperar nada do estado, senão a nossa crescente degradação e obliteração e a concentração progressiva das elites em campos de concentração de luxo, antes da partida para o seu prometido Paraíso do Extermínio no dia do Juízo Final.

 

Apenas nos restam os estrangeiros, venham eles de onde vierem, sejam de leste, africanos ou asiáticos, ou mesmo outros alienígenas vindos de outras paragens desconhecidas: pensar é ainda uma responsabilidade inerente à nossa sobrevivência, como animais racionais e conscientes que ainda julgamos ser!

 

Encontrei o velho alienígena por mero acaso quando regressava já de noite ao meu veículo que deixara estacionado num parque público de Quarteira junto à zona do Mercado e ao lado de uma já velha auto-caravana de matrícula estrangeira. Ao dirigir-me para o meu veículo o alienígena abriu subitamente a porta da sua auto-caravana e surpreendido com a minha inesperada presença, primeiro assustou-se e encolheu-se mas de imediato me reconheceu e tranquilamente me convidou a entrar. Com ele bebi um retemperador chá de ervas colhidas no barrocal algarvio, enquanto o ouvia dizer com a profundidade de todo o seu conhecimento bebido a partir de fontes populares da região que “no nosso mundo existem muitos outros mundos que se completam, abandonados por nós em territórios esquecidos, devido à não utilização dos antigos caminhos do conhecimento ”.

 

(imagens: espeleomalaga.com – O Mundo Subterrâneo/Athanasius Kircher)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 02:46