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Quinta-feira, 16 DE Março DE 2017

Presença Alienígena em Marte

[Confirmada]

 

Seres que ainda não vimos mas que já deixaram rasto

 

Já que ainda não se conseguiu comprovar que seres alienígenas tenham alguma vez pisado o nosso planeta Terra (logo não existem) para nos contrair sobre o nosso dilema existencial envolvendo outras Entidades que não o ser Humano, eis que a NASA nos vem agora presentear com uma imagem oriunda do planeta Marte mostrando-nos claras evidências da presença alienígena à sua superfície (logo existem).

 

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Marte – Rover Opportunity – SOL 4571

(rastos recentes impossíveis de atribuir a marcianos)

 

Um planeta por todos nós conhecido como sendo seco e desértico (por vezes aparentando ser um monte de pedras calcinadas e em decomposição), sem água ou atmosfera para se sobreviver e sujeito a radiações extremamente tóxicas e mortais que nos fariam sucumbir em poucos segundos: sem nenhum sinal visível de vida ou da existência de qualquer outro tipo de Entidade à nossa semelhança e como tal (e com o adicional do registo ser Artificial) provando a indesmentível existência de seres Alienígenas.

 

(imagem: nasa.gov)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 22:47
Quarta-feira, 01 DE Junho DE 2016

Sujeito e Objeto

[Projetor/Projetado e Projetado/Projetor partilhando um mesmo Cenário]

 

“Se acreditamos em DEUS é mais que logico que acreditamos no HOMEM – com este último a ser o único e verdadeiro CRIADOR. E é apenas o medo – ao longo de milhares de gerações persistentemente em nós inculcado – que mesmo à nossa frente e como que se usássemos umas palas ainda nos impede de ver, de sentir e ter prazer (as tais palas categorizadas/aplicadas como de segurança e de proteção).”

 

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Pretensa imagem fornecida pela NASA e posteriormente apagada dos arquivos

(com uma depressão bem visível no Polo Norte terrestre)

 

Enquanto na Terra nada se passa de extraordinário o mundo lá vai rodando muito tranquilamente em torno do seu eixo imaginário: intersectando os seus polos mas sendo na realidade coordenado pelos Estados Unidos da América: os tais que foram à Lua (alimentando o nosso imaginário) para nunca mais lá voltarem (impondo-nos uma realidade com o fim do Programa Apollo).

 

Como se houvesse outro mundo mas que não fosse para nós – e deixando-nos em mãos de potenciais especuladores: desde os aventureiros revivendo Jules Verne (com a sua Viagem ao Centro da Terra) até aos conspiradores com as extintas missões Apollo (não se tendo regressado à Lua por imposição alienígena). No entanto colocando questões (prementes por objetivas e factuais) como os dos grandes buracos existentes nos polos.

 

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Tal e qual como numa ilustração das previsões de Nostradamus

(com os cientistas da NASA a afirmarem a descoberta de vida alienígena até o ano de 2025)

 

Na realidade com o nosso mundo interior em permanente convulsão e com o mundo exterior (mais virtual que real) ainda distante de nós: na Terra com a morte à porta sem sequer a querermos ver (doenças/guerras), lá fora com a vida à espera sem que saibamos que existe (quantas vezes olhamos para o Céu?). Optando por não usar os órgãos que nos proporcionam os sentidos e acabando por distorcer a nossa perceção do mundo.

 

Colocando obviamente os Humanos entre duas alternativas possíveis (e inconciliáveis por incompatíveis – sendo uma sedentária/estática e a outra nómada/dinâmica): ou nos dirigimos para nós próprios e conseguimos interiorizar este mundo limitado e fisicamente regressivo (sujeitando-nos para sempre às suas regras localmente impostas) ou partimos como novos conquistadores atravessando o Espaço à procura de novos mundos e de Outras Terras.

 

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Com 7 biliões vivendo sobre a superfície da Terra a balancearem-se entre deixarem-se morrer ou partirem à aventura

 (num Mundo Original a todos prometido e entregue para seu pleno usufruto e prazer, mas por interesse de alguns nunca cumprido)

 

Esperando no entanto que algo de inesperado e maravilhoso aconteça (um Evento talvez Divino) de modo a podermos impor (ao Tempo) a única verdade aceitável – e há muito declarada por Antoine Lavoisier: “Na Natureza nada se perde nada se cria tudo se transforma”. Descartando-nos do nascimento e da morte (limitativos e opressores como os ponteiros de um relógio, medindo algo de abstrato), aceitando a nossa evolução (já que tudo se move, matéria e energia incluídas) e como objeto ou sujeito, cumprindo a próxima transformação (e porque não para um outro nível psíquico ou não teremos nós Alma?).

 

Para já sem mais notícias e nada de novo no horizonte. Dividindo o nosso Mundo (consciente, subconsciente e inconsciente) em três subconjuntos distintos, mas completamente integrados, diluídos e para a esmagadora maioria dos aplicados, totalmente impercetível: associados ao nosso quotidiano de vida presente (à superfície da Terra), a outros níveis de existência (vida aérea/superficial/subterrânea para nós desconhecida/esquecida e passada/presente) e mesmo a outros planos exteriores aos do Nosso Mundo (talvez deliberadamente) Fechado – e cronologicamente (estrategicamente) colocado no Futuro. Como um Osso inalcançável (Miragem) colocado à frente de um cão esfomeado (de modo ao mesmo sem o entender persistir no caminho da falsa Esperança).

 

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Um Mundo onde o ser Humano questiona a sua própria existência

Tantos são os factos contraditórios com que se depara no seu monótono quotidiano (com as suas consequências funestas pondo em causa a sua sobrevivência) – levando-nos até a um mundo de simples projeções holográficas, controlando um vasto rebanho

 

E se algum ser vivo e inteligente tivesse um dia qualquer no decurso de uma das suas incursões no interior do Espaço, por casualidade ou talvez não, atingido o nosso Sistema (Solar) e vislumbrado por instinto ou curiosidade o nosso planeta (Terra), já pensaram no que o mesmo pensaria (e certamente refletindo mais profundamente do que nós por ser um observador exterior) ao deparar-se com o que se passava no seu interior (meio ambiente) e sobretudo entre a espécie indígena e dominante (civilização)? Certamente que ficaria perturbado fosse apenas um turista (1ª visita) ou anterior residente (visitante habitual): sentindo-se desde logo de outro nível (superior), absolutamente desprezando o que via e sentindo-se tentado a ignorar. Apesar de mesmo entre nós alguns gostarem de domesticar, descarregando curiosamente nos outros (racionais e irracionais) a nossa selvajaria doméstica. O que se pensarem bem nos poderá diferenciar, colocando-nos no lugar de presas de predadores privilegiados.

 

Uma espécie que parece ter abandonado o seu principal princípio vital importantíssimo para a sua sobrevivência – o desenvolvimento do conhecimento e a nossa integração progressiva na sua transformação e aplicação (tendo todo o Homem como usufrutuário coletivo) – substituindo-o pelo princípio do objeto e do lucro (mais-valia dele extraída) e da recompensa imediata (apesar de temporária e como num toxicodependente) – que nos içará aos Céus até ao colapso final. Destruindo o seu Lar (a Terra) e sem uma única alternativa (conhecida no Espaço). Cumprindo mais uma profecia credível (face aos indícios que em torno de nós já se vêm e amontoam) proferida pelo conceituado físico Stephen Hawking, elegendo os três maiores perigos para a sobrevivência do Homem e da sua Civilização: o desenvolvimento incontrolado da Inteligência Artificial, a constante Agressão observada entre Humanos e a grande probabilidade da existência de vida extraterrestre (perigosa por ser certamente imensamente superior à nossa).

 

(imagens: Secure Team – NASA – front-lines.com – sadistic.pl)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 19:04
Sábado, 30 DE Abril DE 2016

Crossota Alienígena

No local mais profundo da Terra

A MEDUSA ALIENÍGENA

 

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Numa visita de estudo organizada por um grupo de cientistas (da NOAA) ao oceano PACÍFICO, o objetivo da sua viagem centrou-se num ponto particular desse extenso volume de água (salgada), localizado numa região para muita gente associada ao Círculo de Fogo do Pacífico: uma área extremamente ativa da Terra a nível vulcânico e sismológico. O seu destino era as Fossas das Marianas: “A Fossa das Marianas é o local mais profundo dos oceanos, atingindo uma profundidade de 11 034 metros. Localiza-se no oceano Pacífico, a leste das ilhas Marianas, na fronteira convergente entre as placas tectónicas do Pacífico e das Filipinas. Geologicamente, a fossa das Marianas é resultado geomorfológico de uma zona de subducção.” (wikipedia.org)

 

 

 

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O objetivo desta visita às Fossas das Marianas seria o de estudar a evolução dos habitats marinhos existentes a grandes profundidades, num local conhecido como a montanha submarina ENIGMA (apresentando declives mais acentuados): com o seu navio de pesquisa OKEANOS EXPLORER (equipado com um pequeno submergível de exploração oceânica) a atingir com o seu ROV (veículo de operação remota) uma profundidade de 3700 metros (no dia 24 de Abril) e aí fazendo descobertas para lá do nosso mundo (conhecido). Observando pela primeira vez uma espécie até hoje desconhecida, sugerindo pela situação extrema e misteriosa algum tipo de intrusão alienígena, com luzes amarelas e vermelhas a brilharem no seu interior aparentemente esférico e com uns tentáculos tipo pernas para se movimentar e impor.

 

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Uma Medusa Alienígena. Que no entanto só o era por até esse momento ser totalmente desconhecida e por habitar numa zona exterior à generalidade das outras esmagadoramente ocupadas, por todas as espécies conhecidas e há muito integradas. Tratando-se apenas de um ramo familiar (da família das medusas) do género CROSSOTA. Vivendo num meio ambiente um pouco hostil (pela sua profundidade e diminuta luminosidade), onde a presença de animais será escassa e bastante suscetível às transformações provocadas na crosta terrestre, pelas movimentações das placas tectónicas e pelos fenómenos de subducção. Que no entanto se poderá tornar definitivamente numa armadilha mortal, se assim o permitirem aos loucos deste mundo. Como? Assim: “Tal como outras fossas oceânicas, a fossa das Marianas foi proposta para local de armazenamento de resíduos nucleares na esperança de que a subducção de placas tectónicas que se verifica no local possa eventualmente fazer entrar o lixo nuclear no manto da Terra.” (wikipedia.org)

 

Pelos vistos já desistiram de transformar o Espaço numa Lixeira. Continua ainda a ser a vez da Terra.

 

(imagens: noaa.gov e freeworldmaps.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:42
Sexta-feira, 05 DE Junho DE 2015

Sexo do Diabo

E o Diabo era apenas mais outro ser alienígena. Abandonara o seu chefe ideológico e colocara-se à margem dos seus companheiros. Com o início da campanha de anti-propaganda e contra-ataque persistente e sistemático revoltara-se, iniciando aí a sua adesão ao poderoso Eixo do Mal. Agora era Vermelho (uma cor quente associada à cor típica do Inferno), de preferência peludo e de aspecto medonho (macho dominante e de perfil impiedoso, emanando luxúria e pecado) e acima de tudo cornudo (um claro aviso para as fêmeas).

 

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Uma das coisas de que gostava de fazer nas suas longas horas de espera (e de decisão) era a pratica de sexo, consensualmente pecaminoso e sem intenções reprodutivas. O que até não era difícil dada a predisposição clara das fêmeas: enquanto eles iam comprar tabaco elas passeavam o cão. E então proporcionou-se a ocasião e o Diabo apenas cumpriu (o ditado) e fez-se aí de ladrão. Passeava-se sorrateiramente pelo Paraíso (interdito mas não fechado) e sem que nada o fizesse prever visualizou uma bela mulher: estava ajoelhada de frente e com os cotovelos no chão.

 

(imagem – Daniella Chavez/Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:05
Segunda-feira, 25 DE Maio DE 2015

No Interior De Um Sistema Reprodutivo (2/2)

Somos o resultado do envolvimento sexual entre forças eléctricas e forças magnéticas, as quais ao consumarem o seu acto sexual e após terem atingido o orgasmo (o super estado energético), instantaneamente conceberam matéria e dando-lhe vida a puseram em movimento.

 

O dia de Natal comemora a data do nascimento do menino Jesus ocorrida há dois mil e catorze anos durante a passagem de mais um Solstício de Inverno. Por mero acaso uma data coincidente com a festa romana e pagã comemorada por essa altura e dirigida ao ”Nascimento do Sol Inconquistado”. Para os líderes da Igreja escolhendo essa altura marcante para a região (com a luz/dia a começar a sobrepor-se à escuridão/noite) talvez fosse mais fácil converter os pagãos. E aí surge Jesus e o início da conversão ao Cristianismo.

 

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A experiência tinha sido finalmente autorizada após centenas e centenas de tempos perdidos esperando que as cobaias terrestres se organizassem, evoluíssem e finalmente se expandissem. Mas nada disso acontecera. Essa a razão pela qual apresentara aos responsáveis pela manutenção do Sistema Solar (o nosso sistema de origem num outro ciclo anterior) a minha proposta alternativa, invocando para os novos habitantes da Terra a capacidade de se manifestarem e expressarem de uma forma eficaz e evolutiva, desde que dirigidos e orientados por uma Entidade Superior, à qual se pudessem entregar, obedecer, seguir, idolatrar e até sacrificar. Perdido entre autorizações e burocracias internas e sistemáticas invocando a liberdade plena das cobaias e o perigo de intrusão e manipulação nos seus desejos e ambições, só após a última assinatura do Instrutor do Processo de Criação é que finalmente nos fora dada luz verde. Então e a partir daí iniciamos definitivamente o Projecto Jesus Cristo, que mais adiante se auto transformaria por disseminação no terreno no amplo, tentacular e extraordinário projecto Igreja, abrangendo não só toda a estrutura religiosa mas também a política e económica e com todas elas se fundindo, confundindo e formando as Nobres Corporações.

 

O plano estabelecido dividia-se em duas fases: numa primeira fase o agente provocador seria introduzido no cenário proposto de modo às suas ideias serem constatadas e confirmadas pelos presentes, tendo o agente como única função mostrar-se, ser o exemplo indiferenciado e popular deste quotidiano de vida e contando com algumas artes de prestidigitação e magia que lhe seriam associadas iludir progressivamente os terrestres, mas neste caso de uma forma convincente e recorrendo a outras realidades alternativas agora simuladas. Neste caso a ideologia que transportava consigo no sentido de todos terem aceso à felicidade seria apenas transitória, tal e qual a vida de um comum terrestre mortal. Ou seja ele viveria com os humanos, serviria os humanos e seria morto pelos mesmos e até com a cumplicidade de amigos: tal e qual eu ou tu, mas neste caso extraordinário aqui introduzido pela mão de Deus não para ser Ele porque já o era, mas numa ultima tentativa de nos tornar (mais uma vez) à sua imagem. Numa segunda fase do plano já com o agente provocador ausente e com o seu desempenho a ser convincentemente rectificado pelos excelentes resultados obtidos (exclusivamente da sua responsabilidade e suprema competência), as suas ideias seriam divulgadas e sequencialmente estratificadas em todas as áreas da organização do novo edifício social. Mas por divergências (algumas delas anteriores ao nascimento) entre todo o elenco presente no Presépio, nem tudo funcionara na perfeição e no desejo do Senhor.

 

No interior da torre de controlo do aeroporto internacional da cidade de Faro, há muito que os seus técnicos de radar vinham acompanhando o trajecto seguido pela nave espacial da companhia portuguesa Virgem Galáctica – mais precisamente desde o instante em que a mesma entrara em espaço aéreo português. Comandada pelo experiente piloto algarvio Ricardo Brandão, conhecido bilionário e detentor da maior companhia comercial aeroespacial, a nave já fora detectada na sua aproximação aos radares instalados na Fóia, prevendo-se a sua aterragem na pista principal do referido aeroporto num limite máximo temporal de cinco minutos. Transportava consigo uma comitiva composta por cerca de vinte e um elementos, que aproveitando a habitual baixa de preços nos voos realizados nesta época do ano para destinos turísticos como o do Algarve, tinham obtido uma apreciável redução no seu tarifário, até por constituírem um grupo extenso e exclusivo e serem possuidores de um cartão dourado com elevada quilometragem. Tendo partido em mais uma viagem interplanetária utilizando tecnologia de salto intermédia, os muitos milhões de quilómetros que separavam os dois planetas tinham sido rapidamente percorridos: enquanto usufruíam de uma pequena refeição e desfrutavam das imagens extremamente condensadas mas deslumbrantes oriundas do espaço exterior, o percurso entre o planeta Marte e a Terra era percorrido e finalmente, ainda em aproximação acelerada ao local sinalizado para a aterragem, as formas da costa começavam a definir-se, com o belo azul de um mar tranquilo e horizontal a contrastar através de uma linha de costa cada vez mais bem delineada, com o castanho bem vivo da terra, aqui e ali com pontos de cor e apresentando ao fundo a serra do interior algarvio. Era um espectáculo de uma rara beleza, confirmando que apesar do preço total pago pelo grupo (cento e cinquenta biliões de escudos) cenários destes em contextos exclusivos, ainda eram revigorantes.

 

Stargates, Portals, Doorways, Ancient Discoveries,

 

As autoridades oficiais aguardavam numa sala VIP do aeroporto a chegada da comitiva viajando a bordo da Virgem Galáctica: estavam presentes algumas das mais importantes individualidades algarvias e era bem visível a forte presença de elementos de segurança destacados para sua protecção e dos seus convidados. Extremamente nervoso o presidente da Rede de Telecomunicações Alienígenas (RTA) circulava de um lado para o outro da sala, enquanto ia constantemente perguntando quanto tempo faltava para aterrarem e se tudo estava a postos: como assim e depois da sua tomada de posse era a primeira vez que uma nave espacial oriunda de outro planeta que não a Terra, aterrava na região agora sob seu controlo. Muito mais tranquilo estava o Bispo do Algarve, muito falador e sorridente para com todos os elementos presentes e com atitudes e comportamentos tão expressivos e expansivos, que nos fariam pensar se não estaria à espera de algum familiar seu, que já não via há muito tempo. À medida que o momento se aproximava outros personagens VIP iam entretanto chegando: muitos não sabiam ainda muito bem ao que vinham, mas a obrigação, o dever ou a curiosidade de poder, ali os tinham transportado. Para algum ser primitivo e sem necessidade de reflexão (dirigido apenas para a execução) que assistisse a toda esta estranha movimentação em torno do aeroporto de Faro e que ao mesmo tempo tivesse assistido (sem grandes pretensões ou aplicação de neurónios) ao antigo filme Encontros Imediatos do 3.ºGrau, seria talvez possível por associação por defeito de espaços e tempos diferenciados (ou seja confusão resultante da sua alienação), ainda poder pensar que alguma Entidade do mesmo calibre do filme estaria aí a chegar.

 

A Virgem Galáctica aterrou precisamente às oito horas e trinta minutos locais. Às nove horas e já depois de ter descido na totalidade a escada de acesso ao avião, uma jovem e bela mulher que encabeçava o numeroso grupo que ia saindo da nave, ajoelhou-se, beijou o solo e dirigindo-se para o céu claro e radioso onde os efeitos aconchegantes do Sol já se faziam sentir, pareceu orar. Por breves momentos toda a fila parou. Então – e enquanto a jovem se lhes dirigia comunicando com eles através de um estranho código gestual – todos desceram em profundo e sentido silêncio a dita escadaria, acabando por se concentrar à sua volta como se tivessem caído em intensa meditação. Ao fundo a porta do corredor que dava acesso à sala VIP abriu-se, surgindo à frente da comitiva de recepção aos dignos viajantes o presidente da RTA, o bispo de Faro e um outro individuo completamente desconhecido e nada enquadrado no cenário mais previsível. No cimo da escadaria que ligava a porta da nave ao solo da região surgiu então Ricardo Brandão, muito satisfeito senão mesmo deliciado com o sucesso de mais um dos seus inovadores e revolucionários empreendimentos, enquanto ia acenando ininterruptamente às forças vivas da terra: reparou aí na presença do seu conhecido amigo e companheiro de muitas noites desregradas passadas na noite algarvia (parecia impossível, não se lembrava do nome), concluindo desde logo que a presença da televisão estaria certamente garantida. Minutos depois toda a comitiva se juntava à entrada do edifício, onde os seus anfitriões locais já os esperavam impacientemente. O primeiro a avançar veio do lado dos que recebiam, decisão tomada por iniciativa própria do indivíduo completamente desconhecido, o qual se interpôs entre o seu grupo de origem e a jovem que comandava o grupo de viajantes. Apresentou-se como interlocutor privilegiado por mútuo consentimento, informou todos os presentes de alguns detalhes desta sua primeira intervenção e sem mais detalhes passou à identificação de cada um dos viajantes. O primeiro nome surpreendeu imediatamente os anfitriões – Espírito Santo – deixando-os incrédulos e por momentos paralisados e sem qualquer tipo de reacção minimamente perceptível: parecia que tinham sido atingidos por um raio e morrido logo ali. Era acompanhado por uma mulher ainda virgem, a jovem e bela moça que se apresentava diante deles: não seria ela a ser impregnada mas seria ela como mulher a ter a responsabilidade da escolha final, ou não fosse o objecto resultante a imagem invertida de si própria.

 

O objectivo do grupo seria o da recriação de uma simulação já anteriormente levada a cabo há mais de dois milénios, a qual, devido a muitos motivos aleatórios aliados a alguns casos mesmo que pontuais de falta de experiência, tinham inicialmente levado o projecto a um desvio inesperado, corrompendo-o logo de imediato e deixando-o completamente nas mãos dos actores locais, que como esperado o deturparam completamente, esquecendo a interiorização dos ensinamentos oferecidos e em sua vez emitindo de uma forma prepotente ordens obrigatórias (e punidas por lei) para o exterior. O erro residira no não reconhecimento por parte da equipas proposta para esta simulação, do fraco nível de desenvolvimento social e tecnológico desta sociedade ainda jovem, violenta e incipiente: perdera-se na aventura meramente material, desprezando as consequências espirituais que tal opção teria no seu desenvolvimento e racionalidade. Mas agora a situação do mundo era diferente e se por um lado o nível tecnológico atingido pela mesma já era extremamente significativo (o que poderia ser um factor determinante para o sucesso desta nova missão, por facilitar a aceitação de novas ideias), por outro lado o tempo urgia face à escalada crescente de conflitos e à monopolização crescente do pensamento humano pelo poder brutal da mercadoria, destruindo ideias e pensamentos e concentrando-os num só monólito do saber: único e por definição destinado à extinção. Tinham escolhido Portugal por uma questão de segurança. E o Algarve por ser uma região relativamente isolada, tranquila e com um clima bastante agradável. O aparecimento de Ricardo Brandão fora apenas uma feliz coincidência.

 

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Estava tão absorvido por esta leitura que nem vi o tempo passar. Só a interrompi quando a porta se abriu e as três mulheres irromperam rapidamente e sem aviso prévio pelo compartimento onde antes me instalara: estavam irrequietas e olhavam-me ao detalhe. Se o tema do texto que tinha começado a ler me estava a despertar cada vez mais a atenção aguçando simultaneamente o meu interesse (os mundos que agora distinguia à minha frente começavam a correr livremente sem que nada no seu caminho os impedisse – sem que uma escala de valores o comprimisse e deformasse), por outro lado a chegada destas três mulheres era para mim (e neste contexto da minha transferência) totalmente inesperado. Naquela projecção onde agora me situava e da qual a partir de hoje era parte integrante, a realização da produção e o seu respectivo elenco principal, tinha sido atribuída exclusiva e deliberadamente a elementos jovens e do sexo feminino. Até agora não vira um único elemento do sexo oposto. Certamente que a colonização do Universo estaria nas mãos das mais diversas formas de civilizações, umas mais avançadas e outras talvez não, umas mais materialistas e outras mais idealistas, umas com participantes idênticos a nós ou nossos semelhantes ou nem por isso e ainda outras consideradas disformes, irracionais e sem vida, mas participando activamente na transformação profunda do Universo. E estas mulheres eram apenas mais uma dessas civilizações à qual agora me acrescentava: jovens amazonas responsáveis pelo lançamento, enquadramento e implementação no espaço (para elas disponibilizado) de um projecto bem definido e previamente dirigido, tendo como seu único dever a experimentação no terreno de processos criativos, persistentes e evolutivos e tendo como consequência (objectiva pela sua eficácia) a capacidade de dele poderem extrair (durante todo o processo) algo ou a sua totalidade. O seu único e exclusivo direito seria o de usufruírem integralmente e em primeira-mão (um privilégio superior) de toda esta experiência: e fazendo eu parte dela estaria sempre à disposição (delas). Em vez de converter seria convertido como Um Jesus Invertido.

 

Uma delas chegou-se perto de mim, pegou na minha mão e levou-me para junto das outras. Primeiro despiram-se. Depois juntaram-se num canto e enquanto iam sorrindo e gesticulando, contorciam-se de soberba e prazer, construindo um novo cenário. Eram extremamente belas e a qualquer um provocariam tesão. Estiveram assim durante quase meia hora e quando parecia que tudo não passaria dali (algo no interior do meu corpo tomara conta de mim, tornando-o nervoso e expectante), dirigiram-se na minha direcção, começaram a despir-me tranquilamente e de imediato (imaginando o futuro) iniciaram a análise da minha anatomia: ainda me despiam e já o meu membro as excitava, manipulando-o alternadamente entre as suas mãos bem sedosas e escaldantes e fixando os seus olhares electrizantes na sua cada vez mais forte pulsão e extrema rigidez. Deitaram-me no chão. A primeira ajoelhou-se sobre mim, colocando os seus órgãos genitais bem abertos e quase que tocando o meu rosto; ao mesmo tempo apossava-se da extremidade do meu membro e como se estivesse saboreando um gelado, sofregamente começava a lambê-lo e mais docilmente a chupá-lo; e ao inclinar-se via a sua vagina já húmida e palpitante, em toda a sua profundidade e desejo; não me contive e enfiei-lhe um dedo no ânus, vendo-a surpreendida (pela nova e extraordinária sensação) e fazendo-a emitir um grito brutal de puro prazer inventado. A segunda deitou-se de lado, colocando a sua cabeça entre as minhas pernas e apoderando-se dos testículos; enquanto me erguia o membro observando a glande vermelha e dilatada desaparecendo e aparecendo entre os lábios carnudos e agora inchados dos maxilares da primeira companheira, sentia as minhas bolas a serem sugadas pela sua boca e comprimidas num ambiente molhado, quente e extremamente guloso; e enquanto me enfiava pelos genitais da primeira mulher e apreciava a manipulação absoluta e divina das minhas bolas pela segunda, a terceira encostou do outro lado o seu corpo ao meu e enquanto me sufocava com o seu calor fremente e quase incontido de desejo, surpreendeu-me enfiando-me um dos seus dedos no meu traseiro. Saltei de imediato mas a reacção delas foi apenas de riso e de divertimento. Então juntaram-se todas ao mesmo tempo em meu redor e aí eu desapareci.

 

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Se a nossa Vida tem alguma finalidade, uma delas será certamente tirar o melhor proveito daquilo que a Vida nos oferece e uma delas será certamente ter Sexo com Alienígenas: até mesmo Deus quis confirmar no local a importância deste facto, incumbindo um seu delegado (Espírito Santo) da missão de impregnar artificialmente uma indígena local (servindo-se de um agente indígena chamado José para desempenhar virtualmente o papel de pai) e já com o seu filho concebido e presente (Jesus) e servindo-se do seu corpo como presença física compartilhada (afinal de contas seria temporariamente um híbrido até ao momento de ser colocado a seu lado – quando ressuscitasse), colocá-lo no terreno e usufruir da experiência (incluindo a sexual).

 

Quanto à Terra o desenvolvimento do programa de implementação da sua matriz tinha sido temporariamente interrompido. O que significava que a cada segundo que passava e como a aplicação não evoluía os erros de projecção iam-se acumulando, podendo mesmo levar os seres acondicionados a começarem a suspeitar da sua verdadeira origem e situação na hierarquia do espaço: o que seria sempre inaceitável por viciação das regras obrigatórias de distanciamento (em processos de transformação potencialmente criativos como este) entre operadores e operados. E assim o que era inevitável foi apenas confirmado. Uma das pedras vindas do espaço tinha atingido a zona central do oceano Atlântico. Nas zonas litorais o mar recuara centenas de quilómetros deixando tudo a seco e despido. Ao mesmo tempo uma outra onda de choque varrera toda a superfície que encontrara no caminho, deixando muitas das áreas já bastante destruídas ou mesmo devastadas. A esmagadora maioria dos humanos desaparecera logo ali. E então veio a Super-Onda que tudo cobriu e nos fez mais uma vez e de vez desaparecer. A morte também faz parte do processo reprodutivo.

 

Fim da 2.ª parte de 2

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:42
Domingo, 24 DE Maio DE 2015

No Interior De Um Sistema Reprodutivo (1/2)

Talvez pertençamos todos à mesma raça de alienígenas que um dia apareceu, viu e replicou: ele próprio, em diversos níveis, em estados diferenciados, mas referenciando-se sempre à mesma matriz. Baseada na Matéria, na Energia e no Movimento, as grandezas símbolos da Vida Inteligente (sendo o Homem o exemplo) e da Evolução do Universo (como um Organismo Vivo e de Desejo).

 

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A última noite tinha sido fantástica: estávamos no início do Verão, a noite estava verdadeiramente espectacular, a rapariga que me acompanhava no mínimo igualava-a em beleza e as drogas como o álcool começavam finalmente a surtir o efeito pretendido. Andamos pela zona da marina até cerca das duas da manhã, aí deixando para trás (chateados connosco mas já bastante tocados) os nossos companheiros de diversão nocturna: uns já se tinham dirigido para uma das discotecas da cidade, outros ainda se encontravam na zona adjacente onde se situava o porto de abrigo, enquanto três casais no qual me incluía decidiram regressar aos seus respectivos apartamentos. Com o calor da noite e com os vapores corporais que ambos exalávamos, o desejo tornara-se exponencial e insuportável, com os nossos corpos a tornarem-se fisicamente incontroláveis e quase que se unindo no percurso para casa. Os primeiros momentos (apesar de já um pouco esvanecidos) ainda ficaram na minha memória, mas à medida que os primeiros momentos decorriam, tudo foi desaparecendo até cairmos de vez na cama como que inanimados. Devemos ter adormecido. Na retina ficara no entanto um momento de prazer inesquecível, que em instantes de sobressalto sonhador por vezes me invadiam a mente como se estivesse de novo em penetração e muito perto do orgasmo: com os corpos completamente suados e febris colara-me a ela pelas costas e com o meu membro rigidamente erecto e pulsando cada vez mais freneticamente de desejo, penetrara-a abundantemente por trás – vindo-me com uma forte explosão de esperma, que rebentando no interior da sua húmida e sedosa vagina ainda mais forçou a penetração e o seu orgasmo final. Com o meu esperma a escorrer pelas suas belas coxas suadas e brilhantes e ainda com os nossos corpos a tremer de sensações.

 

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Por volta das sete horas da manhã tive o primeiro vislumbre da nova realidade. Primeiro encontrava-me (ao contrário do que imaginava) sozinho no meu apartamento (a minha companheira desaparecera, apesar de ainda serem visíveis sinais evidentes da sua passagem); depois uma janela estava totalmente aberta quando tal nunca deveria ter acontecido (os roubos eram sempre um grande risco naquela zona razão pela qual mantinha as janelas sempre fechadas); e finalmente o dia além de já ter começado a aquecer parecia muito mais seco do que no dia anterior (o que até era estranho dado a meteorologia prever um dia mais fresco). Fui até à janela para a fechar, mas inevitavelmente observei o espaço que se abria diante de mim, do lado de lá e até ao fim do meu horizonte visual: um espaço despido e desolado, sem as construções que aí existiam e que como tal aí deveriam continuar e com o local onde antes se situava a marina completamente seco, abandonado e sem uma pinga de água ou de Vida minimamente observável. Parecia um cenário resultante de uma terraplanagem, ao mesmo tempo que toda a água aí existente tinha desaparecido na sua totalidade e de um modo inexplicável. O ar que vinha do exterior estava extremamente seco e pesado e quando pus a cabeça do lado de fora da janela, ainda pude ver de um dos lados da mesma uma ou outra silhueta do que anteriormente fora um edifício, enquanto ao olhar para o outro lado me apercebi da razão porque ali ainda me encontrava: era como se uma explosão horizontal tivesse destruído tudo à passagem, deixando de pé um número reduzidíssimo de edifícios protegidos por um cerro salvador um pouco mais elevado. Mas o meu espanto disparou atingindo o estado de incredibilidade máximo, quando observando melhor a zona do canal que ligava a marina ao porto de abrigo, não vi água aí nem sequer mais à frente: onde estaria o mar?

 

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No interior do apartamento nada funcionava. Nem o telemóvel tinha rede. Decidi então sair: ali isolado não iria a lado nenhum (nem sequer se ouviam vozes de outras pessoas ou qualquer outro tipo de som nas proximidades) e face à situação desconhecida e provavelmente perigosa com que me deparava, tinha mesmo que sair dali e procurar auxílio com urgência (face ao cenário varrido e obliterado que me rodeava, só tinha mesmo que fugir dali). E foi ao abrir a porta para o exterior que me deparei com o estranho ser esverdeado. Os seus olhos intrusivos perscrutavam-me minuciosamente o mesmo acontecendo a tudo o que se encontrava em meu redor. Depois fixou-se apenas em mim. Aí senti que a sua mente me invadia, percorrendo todas as memórias acumuladas no meu cérebro e aprofundando algumas das minhas acções (para ele talvez mais importantes) daí decorrentes. E a última intimidade a ser violada foi a praticada na noite anterior. Notei logo que a expressão da sua face se alterou e mesmo sendo um estranho para mim, pareceu-me ver nele um sorriso de satisfação, expresso pelo movimento dos seus olhos (penetrantes) e pelo movimento dos seus lábios (brilhando como metal). Como que para confirmar a sua descoberta o estranho ser pôs-se a cheirar, atingindo um ponto em que parou e como que se metamorfoseou: na realidade tinha diante de mim um ser certamente alienígena, aparentemente do sexo feminino e que bem vistas as coisas poderia passar facilmente por uma das belezas presentes numa qualquer série de ficção científica. Não percebi muito bem o que me acontecera, mas estava perante uma mulher. E por telepatia entre ambos, as suas intenções foram claramente entendidas: teria que reproduzir integralmente (cara ela), toda a intimidade visionada. Em troca sobreviveria e seria um escolhido.

 

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A alienígena fazia parte de um grupo restrito de batedoras, responsáveis pela verificação no local do produto aí simulado. Com a experiência natural de uma organização evolucionista, com um trabalho referenciado e elogiado num percurso de vários milhares de anos (como o foram as intervenções lideradas por Pentesileia na Guerra de Tróia e da sua irmã Hipólita num dos trabalhos de Hércules), as Amazonas assumiam agora e em exclusivo, o controlo da sua própria grelha. Na sua retaguarda e num outro nível de intervenção, um outro grupo comandava à distância a execução da aplicação, socorrendo-se de tecnologias de projecção avançada, orientada por programas sobrepostos (que levavam à criação de réplicas reais ou virtuais) e dirigida por um aparelho de altíssima velocidade de processamento, capaz de atingir estados apreciáveis de equilíbrio entre energia e matéria. O que se criava neste espaço, fosse ou não um holograma (o DNA, a galáxia), seria sempre visível: a única questão (dúvida) só poderia ser aqui colocada se vindo do ser (inteligente) aí simulado. E era simples: partilhariam eles a rede (real) ou seria a deles a outra (virtual)? Seriam pioneiros, futuros Deuses ou nada?

 

As Amazonas eram oriundas das mais distantes regiões da zona fronteira do nosso sistema planetário. Tinham vindo de um corpo celeste localizado na misteriosa região da Nuvem de Oort (onde estava instalado e em actividade contínua o poderoso super-computador), também conhecido na Terra como um planetóide de nome Sedna (situado a um ano-luz de distância). Sendo destacadas para um agregado constituído em torno de uma estrela de pequeno porte e ainda relativamente jovem (pertencente a uma conjunto adjacente à galáxia de ANDROMEDA), o objectivo desta nova e importante etapa de introdução de vida e de colonização de novos territórios, apontava como destino científico e de experimentação os planetas interiores de um dos seus Sistemas mais interessantes, situado numa zona apresentando boas condições de habitabilidade e onde a vida era susceptível de surgir (por inserção prévia) e se reproduzir (com evolução controlada). Actualmente era um subgrupo de nível três na sua fase intermédia de avaliação: o Sistema Solar tinha agora o seu último campo de ensaio localizado no seu terceiro planeta, depois da anterior opção ter sido infelizmente abandonada (por erros de programação na manipulação experimental do ADN nesse caso introduzido) e simultaneamente transferida para uma nova e mais adaptada grelha de simulação, com todo o conjunto projectado migrando em direcção ao centro e recomeçando de novo o processo (fazendo de novo RESET mas aproveitando em back-up todo o trabalho até aí concretizado e assimilado). Só que nesta nova etapa os resultados continuavam a não ser os mais desejados. E restavam apenas duas opções verdadeiramente viáveis, não envolvendo grandes acréscimos de meios de intervenção: os quais a confirmarem-se poderiam levantar grandes dúvidas sobre a continuação do processo e levar até ao encerramento desta grelha (fosse definitivo por implosão ou temporário por suspensão). Deste modo ou se optava abdicando da simulação ou então formatando o disco e reiniciando-se o processo: com outro hardware e noutro contexto. Se nos tempos mais recentes (considerando o espaço-tempo como infinito) Marte acolhera a Vida (um planeta que poderá muito bem ser a imagem do nosso futuro – um espelho); se por um acaso qualquer a Terra posteriormente a preservara e transformara (um cataclismo devastara Marte migrando a vida para cá – replicando-a); porque não ser agora a vez, de outro mundo a receber o benefício (por exemplo Vénus)? Como se uma estrutura fosse evoluindo em direcção ao seu centro de gravidade e atingido o mesmo (o olho da sobreposição de planos) fosse penetrada e fecundada, explodindo por reacção (interacção de parâmetros paralelos e independentes – apesar de em princípio coexistirem em conjunto mas separadamente) e do nada criando vida.

 

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Antes do fim da manhã dirigi-me até ao sítio anteriormente combinado com a mulher e fiquei a aguardar a sua chegada. Nem me acreditava no que me estava a acontecer. Diante de mim toda a costa da cidade estava seca, pejada de pedras e de múltiplos desperdícios: parecia mesmo que estava a olhar para uma das muitas imagens de Marte, mas com algumas estruturas artificiais ainda há vista e simbolizando a presença (momentos antes) de vida. Se alguém sobrevivera estaria escondido ou então diminuído. A alienígena compareceu e aí deixei-me finalmente subjugar e partimos. Certamente que um dia acordaria deste sonho e um novo mundo se abriria perante mim.

 

A algumas centenas de quilómetros da superfície da Terra fomos então introduzidos numa nave espacial de grandes dimensões que já nos esperava logo à saída dos anéis protectores de Van Allen; e que após a nossa chegada arrancou de imediato em direcção à região dos planetas exteriores. Já no novo habitáculo fui conduzido pela alienígena até um compartimento privado, onde esta me pediu delicadamente que aguardasse um pouco pelo seu regresso e que ali me instalasse e usufruísse de tudo o que visse à disposição. A sorrir colocou-me nas mãos dois pequenos livros e deixou a escolha ao meu critério. E enquanto com uma das suas mãos me apertava fortemente o membro, com a outra pegava-me numa das mãos e fazia-me sentir os seus seios firmes, quentes e erectos. De desejo. Saiu. E deixando a escolha ao acaso e à necessidade do momento, peguei naquele que parecia mais pequeno e de mais fácil leitura: chamava-se Projecto Jesus Cristo e passava-se num mundo como que gémeo da Terra. E que começava assim...

 

Fim da 1.ª parte de 2

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:13
Terça-feira, 12 DE Maio DE 2015

O Nosso Clone

(FA /120.515)
Numa máquina colocada bem lá longe e controlada pelo seu dedicado operador, a projecção tridimensional continua a decorrer sem grandes perturbações. Para já não foram registadas queixas oriundas da parte dos espectadores, o ambiente da sala de projecção continua bastante agradável e convidativo e o hardware e o software utilizado na implementação do programa, tem-se mostrado até agora extremamente eficaz. Por vezes uma ou outra cabeça poder-se-á ter-se atravessado entre o projector e a tela (uma forma de descrever a incorrecção), mas para já não sendo nada de significativo.

 

A Presença Alienígena na Fundação e Desenvolvimento de Portugal

 

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Pode-se dizer que Portugal teve o seu Rei D. Afonso Henriques reconhecido como tal, aquando da assinatura do tratado de Zamora em 5 de Outubro de 1143. Comemorando-se este ano o seu 872.º Aniversário. Nesse momento da nossa Fundação um alienígena (Alien1) apoderou-se ilegitimamente do poder. Afastado o legítimo herdeiro da coroa portuguesa e substituído este por um impostor, a mãe do legítimo foi o seu segundo objectivo e a derrota desta na batalha de São Mamede a sua confirmação como Rei. Com a mãe em fuga pela vida, morrendo pouco tempo depois (o alienígena seria filho de um tal Egas Moniz, homem de confiança do pai do legítimo e traidor na sua morte). Como se vê um alienígena aterrou na região de Guimarães, usurpou o poder aos líderes indígenas e declarou-se o Senhor do Território. Talvez um dos primeiros passos executados nesta parte do mundo em direcção à definição de clone (e sua evolução).

 

612 Anos depois – mais precisamente em 1 de Novembro de 1755 (Dia de Todos os Santos) – e sob o reinado de D. José I outro grande desastre assolou Portugal. O território nacional foi submetido a um violento terramoto de magnitude muito próxima do nível 9 na escala de Richter, o qual afectou sobretudo Lisboa e toda a zona situada a sul do Tejo, provocando de seguida o aparecimento de um grande tsunami que devastou a capital e (em menor grau) muitas outras zonas litorais. Aí um outro alienígena (Alien2) tomou o controlo da situação, colocando de imediato todo o exército sob sua responsabilidade e metodicamente, enterrando mortos, cuidando de vivos e reconstruindo a capital. Tudo originado num fenómeno aparentemente natural com epicentro em pleno oceano Atlântico (Banco de Gorringe), como resultado da colisão de duas falhas tectónicas: a Euro-Asiática e a Africana (duas placas dois alienígenas).

 

E a confirmação da intervenção alienígena acabou por ser definitivamente confirmada a 13 de Outubro de 1917 (774 anos após Alien1 e 162 anos após Alien2). Na região da Cova da Iria localizada na vizinhança de Fátima e presenciado por mais de 70.000 pessoas deu-se o Milagre do Sol: vinda do horizonte uma brilhante nave alienígena acabou por parar e ficar suspensa sobre a população que apesar de espantada já a esperava (a sessão tinha sido previamente preparada em 13 de Maio), tendo do seu interior surgido três entidades de contornos humanóides de nomes José, Maria e Jesus. Segundo os contornos religiosos adaptados a mais esta intervenção considerada Divina, Superior e Exterior, estiveram presentes três das mais categorizadas individualidades desta religião adaptada, referenciadas neste caso como sendo a Mãe, o Filho e o seu Mestre Educador. Não existem qualquer tipo de referências à presença do fundador e líder deste grupo religioso (o Pai) nem do seu principal Ministro (o Espírito Santo). No entanto este fenómeno ímpar do fenómeno OVNI teve grande repercussão mundial, não sendo pois de admirar que a Igreja se tenha apropriado dele e construído à sua volta esse grande memorial à existência e presença de alienígenas no nosso planeta: o Santuário de Fátima.

 

No dia 25 de Abril de 1974 o território português sofreu uma nova e marcante convulsão. O aviso tinha sido dado uns anos antes, aquando do tremor de terra de 1969. 831 Anos após a coroação do Impostor alienígena como Rei de Portugal o povo revoltava-se contra uma brutal ditadura de quase meio século, agora que devido a queda inopinada o Agente morrera (Alien3) e os seus súbditos se demonstravam simplesmente vazios (de ideias) e incapazes (de movimento). O problema foi o dia seguinte. Enquanto durante uma semana o povo ingénuo e feliz festejou sem parar e sem pensar numa turbulência e comunhão jamais imaginada (de 25 de Abril a 1 de Maio), por outro lado este povo mal sabia que o processo já se encontrava desde há muito viciado e que outros híbridos já estariam prestes a tomar o poder (de novo em seu nome): mutantes até aí não devidamente catalogados e há muito entalados entre o poder intrusivo exercido pelos alienígenas e a desgraçada de vida existencial dos seus rebanhos (vivendo o Inferno na Terra e sendo-lhes prometido o Paraíso no Céu), num momento de indefinição e oportunismo tomaram em mãos as rédeas da estrutura e pensando ser capazes autopromoveram-se e tornaram-se Entidades. Estas criaturas teriam sido o resultado do descontrolo dos contactos estabelecidos indevidamente entre terrestres e seres estrangeiros, que se inicialmente se tinham diluído normalmente e sem grande visibilidade no corpo que era o nosso território, repentinamente emergiram e como consequência de um passado traumático e evidenciando logo sinais de prepotência, violaram sem piedade e remorsos os seus. Estes antigos capachos, desaparecida a grande maioria dos seus chefes mataram os restantes, escravizaram os outros colegas e transformaram-se nos novos senhores de todo o saber os Mutantes Especialistas. Mais do que nunca a verdade da afirmação de que desde há muitos e muitos anos que “eles andam por aí”!

 

E estamos agora a 5 de Maio de 2015. 872 Anos depois do nosso filho pródigo ter batido na mãe (libertando-se na realidade do jugo da madrasta terrestre) e dessa forma ter fundado Portugal (o futuro viveiro alienígena Made in PT). Neste interregno de tempo o único caso de assinalar (sobre presença alienígena) ocorreu perto de Tomar sobre a barragem de Castelo de Bode. Com o golpe de estado de 25 de Abril de 1974 já a uma longa distância (de uns alucinantes três anos de combate por vezes duro mas sempre contínuo) um furriel das Força Aérea Portuguesa tem um encontro inesperado com um objecto voador desconhecido. Esse acontecimento que quase que lhe provocou a morte (após o encontro com o objecto o seu avião ficou completamente descontrolado) ocorreu a 7 de Junho de 1977 e terá sido apenas mais um Evento ocasional intermédio. Como este muitos outros se terão registado. E também nesta data presente tomamos conhecimento de Algo Mais (Alien4).

 

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Recuemos mais de 2.200 anos. Na sequência da II Guerra Púnica Roma derrota Cartago e aí começa a grande expansão do Império Romano. O novo império domina agora o mar Mediterrâneo (a Republica de Cartago foi derrotada) enquanto por terra as suas legiões invadem a Gália e como consequência a Ibéria. Na Gália surge então Astérix (em sonhos) enquanto por cá (realidade) Viriato já lidera há muito o grupo dos Lusitanos. Esse é o momento zero da nossa tomada de consciência: tendo como enviado designado para a cerimónia oficial do nosso despertar um homem forte, corajoso e honrado, amado como nunca mais ninguém fora antes e pertencente à suprema elite celtibérica – Viriato. Alguém de cuja vida muito pouco se conhece talvez devido à sua mais que provável origem alienígena (Alien Zero).

 

Durante todo este tempo metade dele passamos entre espaços: de pobreza sobretudo, tentando organizar-nos e lutando pela sobrevivência. Estabelecendo alianças, protegendo recursos e estabelecendo contactos. E com o desenvolvimento das rotas e das trocas comerciais sobreveio a estrutura e a tentativa de a consolidar: estabelecendo fronteiras claras e impondo um poder legítimo. Um Sistema só sobreviveria se todos os seus elementos se conjugassem nos esforços comuns e colaborassem num mesmo e único objectivo. Chegamos então a mais de meio do nosso friso cronológico (com origem em Viriato) por volta do ano de 1143.

 

O Universo existe. Infinito (sem referências – destino e remetente), em constante transformação (alternando entre o caótico e o organizado) e ainda por cima misterioso (daí a nossa ideologia religiosa). Para ser aplicado a um mundo invariavelmente parametrizado, com uma origem de início de actividade, um percurso (mesmo que aparentemente) pré-determinado e um fim previsto, calculado e inevitável (e para nós inexplicavelmente cruel, por fisicamente mortos e apenas suspensos pela alma). Um Mundo incorporado num Outro Mundo? Ou a confusão criada pela sobreposição de muitos mundos (concorrentes ou paralelos)? E se fossemos mesmo o centro do nosso Mundo (a Terra), com tudo a girar à volta (em abstracto até o Sol), tendo o Homem como o Elemento (fundamental)? Até que seria uma excelente hipótese (para finalmente nos compreendermos) e com o Criador a retomar o seu lugar (a melhor seria mesmo, sermos o próprio Criador – digamos que na sua infância). Mas continuemos a velha versão (oficial e ideologicamente religiosa).

 

Na sede da New Solar Lottery Agency a execução do programa informático SS-T-33 continuava a cumprir perfeitamente o seu objectivo inicial (e final) de aplicação: apesar de alguns contratempos naturais existentes em qualquer processo criativo e extremamente elaborado como este (criação de vida original ou replicada num ambiente sustentado e possível de ser auto-gerido), todas as fases do projecto estavam a ser integralmente cumpridas, aproximando-se agora um novo momento de avaliação do conjunto de todo este processo de construção e implementação. A NSLA era responsável pelo estabelecimento regulado de ambientes habilitados a sustentar Vida (sendo a mesma capaz de se reproduzir de uma forma controlada e independente) e com a sua intervenção puramente experimental (mas dirigida) contribuindo de uma forma eficaz para a densificação particularizada dos vazios do Espaço (para esse fim disponibilizados): a diversificação de centros de ensaio reprodutivo poderia com a sua continuidade e expansão contribuir para a II Colonização do Universo, potenciando as capacidades destas novas espécies nas suas expectativas de sobrevivência e de desenvolvimento tecnológico (a componente de conhecimento científica seria previamente inserida tornando-se inapta) e levando-as na sua necessidade de movimento e evolução à Conquista de Mundos exteriores. As Entidades originadas pela I Colonização do Universo seriam agora os seus próprios Criadores, replicando-se experimentalmente noutros e perpetuando-se aleatoriamente neles. Então retirar-se-iam desta plataforma e como consequência subiriam de nível (de processamento): e um dia utilizada a ferramenta, ensaiado o mecanismo e compreendido todo o conjunto, estando logo disponíveis e como Deuses reais a oferecer-nos Outros Mundos, Outras Estrelas, Outros Universos. Que mesmo não controlados por eles, seriam de sua co-autoria.

 

A projecção do ficheiro SS-T-33 estava nas mãos do agente Alexandrino. Um operador relativamente jovem e oriundo desse mesmo mundo em contínua transformação criativa e induzida, destacando-se na actividade para o qual tinha sido escolhido pela sua ascensão meteórica na área da investigação experimental na criação de cenários controlados de vida e seu acondicionamento a parâmetros estreitos e bem definidos, evitando desse modo desvios indesejados de trajectos ou outros erros de simulação. Com a sua solúvel inexperiência racial (como terrestre) e com a sua colocação num posto de tamanho nível de responsabilidade, os seus superiores hierárquicos contavam não só com a sua ampla e leal participação na concretização deste projecto (agora também tornado pessoal), como esperavam também (e ansiosamente) que dele viesse algo de fora de comum que o confirmasse como mais um experiente simulador: a sua criação tanto poderia ser descontinuada, suspensa ou activada e lançada noutro nível. No entanto já há muito tempo que Alexandrino se desligara de memórias que pudessem de algum modo afectar a sua capacidade de processamento (e com a sua presença completamente desnecessária prejudicando a independência da sua intervenção) pelo que sem impedimento retomou o seu posto e iniciou o aplicativo. Nunca a sua origem num ponto minúsculo e perdido de uma serra do Algarve o induziria a recordar, muito menos a errar. O que não o impedira de tomar conhecimento de alguns factos ocorridos no seu mundo de origem e de alguns dos momentos do percurso evolutivo dessa raça (a sua) nessa estreita e diminuta extensão de terra denominada Portugal: tomando conta de intervenções de outros agentes em períodos anteriores ao seu, no friso cronológico terrestre, nesses casos contando com a colocação de um Elemento intrusivo no interior do ambiente sujeito a condicionamento e a partir do seu interior tentando redireccioná-lo e corrigi-lo). Como o foi o grande Viriato (Alien Zero), seguido pelo grande Impostor (Alien1), continuado pelo homem do grande Terramoto (Alien2), ainda pelo outro das Aparições (Alien3) e culminando no dia de hoje onde ainda não se vê no Céu qualquer sinal de mudança. Quem será (Alien4)?

 

(imagens – boingboing.net enatureworldnews.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 15:22
Sábado, 08 DE Novembro DE 2014

Banco de Esperma Natural

SKY surgiu na Noite vinda dos Céus
(e não foi só pelo sexo)

 

Apresentou-se em minha casa afirmando ser uma alienígena vinda do distante planeta Plutão (entretanto despromovido pelos terrestres), cuja nave tivera um acidente fatal com o seu motor de inversão, o qual teria acabado por explodir quando já se encontrava no interior da nossa atmosfera, levando desse modo ao seu inevitável despenhamento. Uma ocorrência inesperada.

 

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Tinha caído em pleno oceano a cerca de 3km da costa de Albufeira. Segundo ela ninguém se tinha apercebido do acontecimento e a sua nave acabara por se afundar, encontrando-se neste momento bem no fundo do mar. Com a ajuda de umas luzes (barcos, faróis) que conseguia ver ao longe, pôs-se a caminho delas, atingindo a costa horas depois.

 

De seguida atravessou todo o areal, deslocando-se de imediato para a primeira zona habitacional que encontrou: à esquerda encontrou um grande bloco (de apartamentos) alto, extenso e monolítico, fazendo parecer uma muralha; à sua direita terrenos vedados e plantados (relvado, árvores), com habitações no seu interior e parecendo muito mais acolhedores. Logicamente escolheu a sua direita.

 

Deparou-se com seis espaços muito semelhantes e numerados de 1 a 6. Sem hesitar escolheu o último desses espaços (para dispor de algum tempo para pensar) e enquanto se aproximava dele viu um vulto enorme a sair do número três: era um indivíduo do sexo masculino, louro, forte, musculado e de olhos azuis, que quase a fez mudar de ideias. Olhou-a, apreciou-a de cima a baixo, assobiou e lá seguiu o seu caminho.

 

Chegada à porta tocou à campainha. E ao abrir a porta vi-me perante uma mulher jovem e esbelta, apresentando sobre o seu corpo uma simples camisa de noite e com os seus poderosos seios tentando expor-se sofregamente ao mundo. Mas simultaneamente parecendo perdida neste espaço para ela (talvez) desconhecido e transmitindo ainda para o exterior alguma ingenuidade.

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Nada disse enquanto transpunha a porta e se ia sentar no sofá. Sem saber o que fazer fechei a porta, dirigi-me para ela e apresentei-me. Não percebi o que disse, que língua utilizava ou se a mesma existiria. E aí ela fixou o seu olhar sobre o meu e nunca mais o largou. Enquanto me olhava ia esfregando lenta e suavemente a sua perna esquerda, subindo ligeiramente a camisa suportada pelo seu corpo e que progressiva e deliberadamente ia escorregando pelos seus ombros.

 

O seu corpo transpirava de evidente desejo e expondo-se ao exterior convidava à intrusão. Ela sabia muito bem o que me estava a provocar e assim, enquanto o seu corpo parecia vibrar ininterruptamente enviando ondas de timbre profundamente sexual ao meu encontro, o meu membro começava irreversivelmente a manifestar-se. E ela apercebia-se disso, estática, provocativa.

 

É fácil de adivinhar o que aconteceu: agarrei-a, despi-a e logo à primeira penetrei-a. Ficamos assim tempos indeterminados, com a sua vagina a chupar-me sofregamente o meu pénis até o mesmo atingir a sua maior erecção e explodir num orgasmo absoluto, a alta pressão, quente e quase me fazendo cair de prazer. Adormecemos e voltamos a repetir vezes sem conta (talvez sempre a mesma mas diluída no espaço).

 

Ainda de madrugada a mulher levantou-se, vestiu-se, ainda agradeceu e sem mais explicação saiu e desapareceu na noite. Deixei-me ficar deitado na cama a olhar, sem compreender muito bem o que se tinha na realidade passado naquelas últimas horas. E ao virar a minha cabeça em direcção ao lado da mesinha de cabeceira vi o bilhete. Dizia apenas: “teste de impregnação positivo”.

 

(imagens – boytoydolls.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 23:41
Quinta-feira, 21 DE Agosto DE 2014

Dois Contos Imperfeitos e Inacabados

A Mente também tem Buracos

 

“Virtualmente – mas com consequências muito reais – o Espaço perde-se muitas vezes (inacreditavelmente) no Tempo: e com este último a oferecer-nos apenas como prémio (ainda por cima sem exclusividade) a pena de Morte.”

 

I

 

Euclides – O Alienígena Perfeito

 

O Alienígena Euclides e o Número Perfeito

 

Estava uma noite perfeita de Primavera na cidade, com o mar calmo e sem ondas a ser percorrido por uma aragem fresca e macia que aliviava os nossos corpos de mais um dia de calor e de trabalho, enquanto alguns turistas já iam enchendo partes da avenida mesmo junto ao mar, usufruindo da delícia e do mais puro prazer duma cerveja fresquinha e dum prato de camarões ou de deliciosos caracóis. Sobre a praia ainda circulavam algumas pessoas, aproveitando um último momento de delícia visual e marítima, antes de finalmente terminarem o passeio e regressarem bem retemperados a casa. E por volta das duas da manhã o contraste já era bem evidente: ainda no início de Maio e com as noites a arrefecerem um pouco face às maiores temperaturas diurnas, toda a esplanada da praia ficara deserta, a restauração fechara e só uma ou outra pessoa se avistava no pontão – talvez na pesca, na conversa ou apenas olhando o mar para com ele adormecer.

 

Pelas duas da madrugada quem estivesse a olhar do alto do Pau da Bandeira não veria lá em baixo nada a mexer, fosse em terra fosse no mar: só mesmo as lanternas dos pescadores balouçando ao som das ondas do mar e a iluminação publica que iluminava a zona da praia. Nada mais. Assim quando chegamos às escadas para descer até à praia não se via ninguém: os quatro descemos até à zona da Praia dos Pescadores, dirigimo-nos até ao pontão e preparamos os nossos fatos de mergulhadores. Minutos depois chegaram outros dois elementos do grupo que ficariam cá fora a controlar o restante equipamento, enquanto os outros quatro mergulhavam. Esperavam que o que o Tiago tinha afirmado repetidamente fosse verdade, não pensasse ele que não tinham mais nada que fazer senão serem enganados e gozados. O Tiago – que também vinha connosco – afirmava ter visto há duas noites atrás numa ida com os pescadores ao mar, uma luz que vinha do fundo das águas e que – o que era mais estranho – parecia deslocar-se rapidamente sob a mesma tendo a determinado altura como que explodido em luz e desaparecido logo de imediato. Os pescadores ainda tinham reparado por instantes no repentino fenómeno luminoso, mas face à presença de outros barcos iluminados, tinham acabado por ignorar o acontecimento. Mas o Tiago achava tudo muito estranho e não descansou enquanto não nos enfiou todos dentro de água. Entraram na água era já três horas da madrugada – com a temperatura da água bastante amena e acolhedora – mergulhando no imenso mundo líquido exactamente às 03h 05mn.

 

Às 03h 10 sentiram um pequeno incómodo no corpo – como se este estivessem com um ligeiro formigueiro – constatando o aparecimento dum pequeno ponto de luz movimentando-se debaixo de água e aproximando-se deles rapidamente. Já a poucos metros de distância o ponto luminoso pulsou subitamente, expandindo-se instantaneamente e engolindo-nos a todos duma só vez: como que apanhados por um redemoinho fomos todos atraídos para o centro do buraco que se formara diante de nós, acabando os quatro elementos por desaparecer no seu interior e fechando a porta atrás de si. Ao mesmo tempo e para trás o cenário fora reposto. E pela mesma altura eles chegavam à Praia dos Pescadores: eram 03h 00mn. Algo de estranho se estava a passar: afinal de contas regressavam de novo ao local de partida, emergindo no sentido contrário ao do seu objectivo, ainda por cima quando tinham precisamente acabado de mergulhar dirigindo-se em direcção ao interior do oceano Atlântico. Lembravam-se da presença crescente duma luz, de como esta subitamente se expandira e os rodeara, e duma estranha e profunda sensação de absorção e partilha, seguido dum forte desprendimento (em contraponto, aglutinador de matéria) que os acabara por libertar e ali os fizera emergir. Mas não viram os seus outros dois companheiros, que tinham ficado na praia.

 

A imensa paixão pela geometria dos números levara o nosso Alienígena ao conhecimento de um dos maiores matemáticos terrestres da antiguidade, o grego Euclides. Talvez um dos maiores matemáticos de sempre e um dos mestres que mais contribui na época (o seu nascimento reporta-se a III A.C.) para elevar Alexandria ao estatuto máximo de capital mundial da cultura e do saber. Nunca esquecendo a sua obra magistral “Os Elementos”. Mas uma das coisas que na altura mais lhe chamara a atenção fora a compreensão que Euclides parecia ter sobre o conceito de geometria – do plano e por sequência do espaço – relacionando-a com diversas dimensões construtivas e estruturais que não se limitariam apenas aos parâmetros reais conhecidos – como também ainda a outros já presentes mas ainda por descobrir – o que transportaria futuramente o estudo da matemática à noção de infinidade (concorrencial ou paralela) e à edificação da teoria dos multiversos: “Não existem estradas reais para se chegar à geometria” (Euclides). A outra curiosidade que lhe despertara a atenção e que o levara de novo ao aprofundamento do seu estudo sobre o imperdível mundo dos números (e respectivos algarismos constituintes e por constituir), fora a particularidade da direcção assumida desde o início pelo seu estudo tentando em vez de realizar operações entre eles, integrá-los e entendê-los – sobretudo analisando, compreendendo e executando, as relações existentes entre eles. O que mais o tocara pela sua força e pela sua simplicidade fora desde logo a noção de Número Perfeito. E por homenagem sentida atribuíra-se o nome de Euclides.

...

 

II

 

Cansaço sob a forma de Epidemia

 

 

 

Desempregado e sem nada que fazer resolvi ir até à baixa da cidade e ver como estava o estado do mar. Já na entrada da praia do Túnel e como muita gente se acumulava no seu trajecto, resolvi subir as escadas laterais e ir dar uma espreitadela até à praia do Peneco. Desci pelo elevador e como estava um tempo quente e asfixiante, decidi que estava na hora certa para ir ao banho: sentia-me húmido e colado, com a sensação a não ser mesmo nada agradável. A água estava inicialmente fria mas quase que como por magia logo ficou a uma temperatura verdadeiramente fantástica. Meia hora depois saí finalmente da água e lentamente limpei-me, vesti-me e dirigi-me de novo para o elevador. Enquanto esperava a sua chegada ainda pude presenciar algumas pessoas a saírem do interior da água a correr, um pouco alarmadas e amedrontadas com os gritos de dor e aflição que alguns dos veraneantes lançavam de locais diferenciados mais à frente e junto às rochas, sem se entender bem porquê. Pelos vistos uma quantidade apreciável e anormal de peixes-aranha no local, poderia estar na origem do que estava a suceder. Isolada a zona e com as pessoas mais calmas, lá subi no elevador até ao hotel Rocamar. Acabei de limpar melhor os pés e ainda me pus uns minutos a observar a praia lá em baixo e o mar calmo até ao horizonte. E foi aí que uma imagem extraordinária – e que atraiu o olhar de todos os presentes na praia – começou a atravessar o horizonte dirigindo-se de oeste para este: como se estivessem numa jangada um grupo de pinguins atravessava a baía de Albufeira, colocados sobre o que restava de um antigo icebergue.

 

 

Quando cheguei a casa liguei logo a televisão para ver se as notícias já se referiam ao caso. Pelos vistos ainda não tinham conhecimento de nada, motivo pelo qual me pus a fazer zapping a ver se surgia alguma novidade noutro canal de informação. Mas nada feito. Apenas um dos canais me despertou mais tarde a atenção, referindo-se este às últimas teorias lançadas pelos geólogos e outros cientistas, que afirmavam existir um mar subterrâneo no interior do nosso planeta na zona de transição entre o manto inferior e o manto superior. Apesar de tudo tal facto não me afastou do episódio ocorrido na praia e até me pus a pensar se os peixes-aranha não teriam algo a ver com os desenquadrados pinguins, acomodados no seu insólito icebergue: talvez algo de inabitual se estivesse a passar a nível da água contida no oceano, que provocasse o aparecimento de situações estranhas na sua composição e temperatura. Esse facto poderia influenciar o comportamento dos animais marinhos – devido a alterações significativas provocadas no seu ecossistema natural – levando-os a ultrapassar mesmo que involuntariamente o seu habitat tradicional. Na verdade toda a gente tinha conhecimento do degelo registado nas calotes polares, originado não só pelo por muitas vezes já falado aquecimento global, como também pelas erupções que se iam registando em vulcões submarinos, situados debaixo das espessas camadas geladas. Enquanto isso a televisão continuava a debitar informações sem qualquer tipo de interesse, pelo que resolvi ir buscar o meu tablet. Nos Estados Unidos da América os sismógrafos tinham detectado uma sucessão de sismos de média dimensão na zona do parque de Yellowstone, os quais fugindo um pouco aos parâmetros normais do seu ciclo geológico tinham começado a preocupar os sismólogos e a alarmar os residentes na região envolvente. No meio de notícias relacionadas e emaranhadas entre si ainda apareciam os apoiantes da existência de um oceano interior, afirmando que a sua localização estaria nas profundezas geológicas do seu próprio país: um super-vulcão como o de Yellowstone, associado a um oceano desconhecido aparentemente localizado bem nas profundezas rochosas da região, poderia transformar-se em determinadas circunstâncias num evento de proporções apocalípticas. Parecia que estavam a falar do fim do mundo, mas fora as cenas estranhas que tinha presenciado, tudo o resto estava normal.

 

 

Já o Sol se tinha posto quando tocaram à campainha da porta. Ao abri-la o meu espanto não podia ser maior: perante o que via senti logo um grande calafrio percorrer a minha coluna vertebral, suores frios e de medo a porem-me a pele eriçada e molhada de suor – quase como se alguém me tivesse posto na posição de pausa – o que me deixou temporariamente paralisado e sem saber como reagir. Sem que eu reagisse o visitante aproveitou a ocasião para entrar em casa, acabando por se dirigir à sala de estar situada mesmo em frente do hall de entrada, sentando-se de seguida e tranquilamente no grande e confortável sofá ali instalado. Ainda ficou um pouco a olhar para mim mas, talvez de modo a que eu fizesse reset e recuperasse psicologicamente, virou-se para a TV e aproveitou o intervalo de inacção para beber um líquido brilhante e escuro, para mim desconhecido e que trazia dentro duma pequena garrafa. E duma forma normal e reflexiva, mas parecendo um pouco automática – compreensível, mas denotando previsibilidade – ainda teve tempo para dizer: “os líquidos são sempre necessários, até para a minha manutenção”. Quando me sentei em frente dele – ainda tentando recuperar da surpresa inicial – ele abriu a sua camisa e aí a minha suspeita confirmou-se: estava perante uma biomáquina ou de algo de parecido. Afirmou mais tarde ser originário de um pequeno planeta muito semelhante ao nosso, pertencente ao sistema rodeando a estrela binária Epsilon Boötis (localizada a mais de 200 anos-luz de distância da Terra), tendo na sua viagem de vinda permanecido momentaneamente (para um upgrade de conhecimentos) numa estação que orbitaria a Terra há já vários milénios (nem sempre visível por questões de segurança) e que ele denominou misteriosamente como o Cavaleiro Negro (já ouvira esse nome noutro lado qualquer). Imóvel e silencioso, ouvi então o que ele tinha a dizer. Resumidamente e para não perder mais tempo com os meus receios, interpretações e negações da realidade, o que ele afirmou e ao qual deu mais importância – justificando assim a sua presença – foi que “o planeta Terra estaria a atravessar uma fase da sua evolução bastante preocupante tanto a nível geológico como a nível social, situação essa que poderia ser agravada por outras contribuições externas suplementares e até por uma possível e inesperada intrusão estrangeira, mas com colaboração interior”. Ele estava ali para ajudar e colaborar na procura e proposta de soluções, pois os sintomas do problema (que já aí estava) eram cada vez mais intensos, consecutivos e alarmantemente visíveis: seguindo as preocupações válidas e responsáveis demonstradoras dum conhecimento colectivo e superior – elaboradas e divulgadas pelo seu grande amigo Al Gore – a biomáquina chamava-me a atenção de que “eram os pequenos detalhes que faziam a grande obra e que a ignorância do mais pequeno pormenor poderia representar o fim de qualquer espécie – mesmo uns pinguins surfando um bloco de gelo, perto do Verão e a caminho do mar Mediterrâneo”.

 

 

Quando recuperei a consciência já não me encontrava em minha casa. Pela janela do quarto observei a paisagem que me rodeava e de início parecia ser um ambiente muito semelhante aquele que habitava. Só que o colorido era mais intenso, a calma absoluta e sem intrusos e o quadro geral que apresentava demasiado limpo e organizado – talvez puro e parecendo até agora intocado.

...

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 19:59
Quinta-feira, 10 DE Abril DE 2014

Salto – Body Jumping (2)

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Universalidade Alienígena e Rituais Terrestres – O Direito da Criança à Aventura)

 

De acordo com um estudo secreto levado a cabo por uma organização de pais e educadores não governamentais e posteriormente divulgado por uma Associação de Pais não alinhada e em ruptura total com os poderes oficiais instituídos, um em cada três estudantes inseridos no sistema educativo acredita que o seu professor é um alienígena ou então está controlado por eles”.

 

Os vizinhos

 

Como já era hábito por aqueles lados desde há alguns anos atrás, a família de agricultores que vivia perto deles e que conheciam desde novos, aproveitava todos os sábados de todos os fim-de-semana para dar um salto a casa deles e aí comerem em conjunto uns deliciosos petiscos, enquanto iam falando das novidades da terra e recordando alguns factos passados. O casal vinha sempre acompanhado por toda a família constituída no total por nem menos nem mais do que 14 elementos: o casal, os seus seis filhos, os dois avôs viúvos e ainda quatro amigos que se lhes tinham juntado neste convívio alguns anos mais tarde. De tal forma que vinham sempre na carrinha de caixa aberta, confraternizando desde logo alegremente e como se estivessem numa excursão através do campo e da bicharada. Nesse dia e como sempre chegaram à hora certa. Mas bem lá cima no espaço sideral, confortavelmente instalados nos seus sofás relaxadores e indutores das fortes sensações vindas do exterior – para sua melhor compreensão e catalogação detalhada, de modo a possibilitar um possível e melhorado usufruto educacional futuro – e bebendo a última bebida alucinógenica lançada no mercado antes da sua partida, os dois seres estranhos não poderiam ignorar a presença de novos figurantes agora colocados inadvertidamente em cena sem os integrar também no guião, aumentando assim as suas opções de desenvolvimento activas e criando uma situação ainda mais confusa e sem conclusão determinada, que adicionada a todas as regras e leis absurdas e castradoras pelos quais os terrestres se regiam, iria tornar tudo muito mais incerto e sobretudo divertido. E enquanto no interior da casa a confusão era ainda tremenda não só pela transformação recente sofrida pelos seus ocupantes como pelo receio e pânico que sentiam ao verem os seus amigos a chegar (o que fariam, o que diriam, como reagiriam?), no exterior o que sucedeu não só apanhou os vizinhos de surpresa como deixou mais uma vez perplexos e paralisados todos os que se encontravam no interior: um pequeno artefacto aparecera na retaguarda dos seus vizinhos sem que estes se apercebessem da sua aproximação e presença, parecendo aparentemente rodeado de três pontos minúsculos que se deslocavam em conjunto formando um trilátero perfeito. O que aconteceu foi instantâneo e se o mesmo ou algo de semelhante não tivesse acontecido com eles provavelmente estariam a esta hora todos a rir-se: num segundo o grupo constituído pelos seus catorze vizinhos foi como que cercado e engolido por uma nuvem densa e brilhante que iluminou momentaneamente todo o campo em seu redor deixando-os no interior da casa como que cegos e sem compreenderem o que se estava realmente a passar. E ao abrirem os olhos e para espanto de todos no interior da casa, o cenário que agora lhes era apresentado e proposto como sendo real era praticamente idêntico ao que poderiam estar a assistir numa projecção efectuada numa sala de cinema, como se estivessem a ver um filme de banda desenhada a três ou mais dimensões, contando com a participação dalguns dos seus mais conhecidos e famosos cartoons. Talvez fosse fantástico talvez fosse terrível! Lá fora os vizinhos agora transformados em cartoons olhavam uns para os outros e não acreditavam no que viam: segundo os critérios limites de credibilidade e socialização que tinham eficazmente digerido ao longo dos seus períodos educativos e formativos de aprendizagem e integração social, tal era impossível (e inaceitável) de estar a acontecer – deviam ter sido inadvertidamente drogados ou então sujeitos a uma pura ilusão projectada por impostores que apenas pretendiam destruir o seu mundo e sociedade.

 

O interlocutor privilegiado

 

No entanto todo o Universo está interligado entre si – nem que seja por mera proximidade ou contacto – e nenhuma acção por mais pequena e pretensamente não influente que seja é independente do resto do conjunto ao qual pertence. Não existindo propriamente uma cadeia de comando hierarquicamente instituída e aplicada ao sistema, que este naturalmente rejeitaria como vazia e sem sentido, dada a sua infinidade replicada por diversos outros sistemas estes também sem origem nem destino, apenas suscitando como operadores da vida e com o seu movimento casual e necessário – para a sua transformação, evolução e expansão – a reorganização do seu sentido incorporando-a na matéria através da alteração do seu nível energético: se por qualquer motivo um electrão saltasse da sua órbita e procura-se um outro nível de existência dentro do sistema, isso verificar-se-ia por alteração do seu estado de neutralidade conjuntural e não apenas por “vontade” sua. Integrado num sistema congregando elementos que associados se completavam formando um corpo vivo, esse electrão dependeria no seu movimento do conjunto de matéria a que estivesse associado e às trocas de energia que com ele efectuasse. Poderia assim procurar um outro mundo ou conjunto exterior mas nunca independentemente do primeiro nem do subsequente, mas pelo contrário levando e incorporando consigo sempre o seu sinal genético particular e compartilhando-o com o conjunto adjacente, influenciando e sendo influenciado e assim se sujeitando não a uma limitação agora exercida por dois conjuntos mas na sua individualidade transformando-o num novo sistema dual, modificando ambos por comunicação e manutenção do equilíbrio geral. Desse modo tudo era potencialmente susceptível de transformação mas num sentido evolutivo do nosso estado de vida e não de subordinação à matéria: toda a acção era filosoficamente susceptível de reacção, mas num Universo a vida não era susceptível era o motor do Universo. Logo seria natural que os dois seres estranhos não tivessem as mãos completamente livres – também pertenciam a um todo. Não foi pois de espantar que no meio da sua brincadeira infantil, desregrada e inconsciente alguém viesse ter com eles e lhes pedisse ou sugerisse uma explicação. E assim sucedeu. Ainda os terrestres se olhavam entre si emaranhados e sem reacção visível na sua nova e nunca imaginada transformação – talvez só concretizada em instantes ilusórios, reconstruídos como realidades nos sonhos de criança – e já os dois seres estranhos saltavam dos seus sofás com algum nervosismo e inquietude, face à chegada inesperada mas no fundo talvez previsível do novo interlocutor, agora ali postado diante deles como um mero observador, mas simultaneamente exigindo gestualmente silêncio e prudência, ao mesmo tempo que com a sua postura e atitude impositiva claramente revelava para o que ali estava. Dentro do caos organizativo que rodeava muitas das acções levadas a cabo pelos seres vivos, convinha sempre relembrar-lhes que se nada nunca se criava ou perdia, as transformações teriam que ter sempre em conta o máximo respeito por todo o processo evolutivo e por todos os seus componentes materiais e energéticos, em conjunto devendo ser sempre compreendidos e aceites – se dele quisermos usufruir de algo nunca totalmente parametrizado – como um Universo Vivo. Como um tutor chegado para pôr de novo tudo em ordem o observador estava ali para lhes puxar as orelhas e chamá-los à responsabilidade: uma intrusão indevida poderia provocar ondas de choque, acabando até por poder afectar os seus inconscientes operadores pelos danos ao ambiente pelos próprios provocados. Teriam que acabar de imediato e da melhor maneira possível com a sua brincadeira: o aviso estava dado e retirando-se, o observador deixava nas mãos destes dois seres a correcção do cenário por eles criado e ao mesmo tempo do seu próprio destino. Nem um palhaço faria melhor. E já agora que o problema criado teria que ter solução porque não agitar tudo um pouco mais e tornar a resolução deste um pouco mais complicado? Talvez servisse de lição e acelera-se todo o processo de aprendizagem: e então um clarão sobrepôs-se à iluminação natural atingindo a localidade mais próxima.

 

Seres imaginários criados no interior da realidade

 

Enquanto tudo isto se desenrolava lá em cima, no terreno a situação mantinha-se num impasse completo: os vizinhos tinham-se deixado ficar no mesmo local diante da casa, como se o tempo para eles tivesse deixado de existir. Quanto aos elementos que ainda se encontravam no interior da sua habitação, se a sua situação já era confusa antes da ocorrência deste novo episódio – a vertigem provocada pelo salto ainda era tremenda e compreensivelmente de muito difícil aceitação – não ajudou mesmo nada a desanuviar um pouco que fosse este denso nevoeiro cognitivo, o que viram de novo acontecer diante dos seus olhos emprestados: se a situação deles já era profundamente anormal e de consequências imprevisíveis – as causas eram para eles incompreensíveis – a quem é que poderiam eles agora recorrer em busca de auxílio imediato se verificavam que mesmo ali o fenómeno se repetia num processo em tudo idêntico mas num espaço-tempo diferenciado? É que analisando muito racionalmente todos os factos e vendo o que os rodeava no exterior da habitação, a normalidade nas áreas envolventes também poderia ser esta. O mais estranho ainda fora o facto de todos aqueles que se encontravam no exterior se terem transformado em seres imaginários da banda desenhada, com muitos deles representando animais familiares e com um único indivíduo à vista: tudo seria mais difícil. Mesmo assim resolveram abrir a porta e sair e foi aí que viram as pequenas luzes atravessando o céu, parecendo dirigir-se rapidamente na sua direcção. O grupo formado pelos vizinhos virou-se então subitamente para oeste respondendo como que por instinto a um rumor desconhecido que crescia vindo daqueles lados, podendo todos a partir da posição onde se encontravam observar a aproximação dum largo número de indivíduos provavelmente vindos da vila mais próxima. Alguém os comandava na sua caminhada e à medida que se iam aproximando mais eles confirmavam o que já tinham imaginado: como um grupo desordenado e desenquadrado de diversos tipos de seres imaginários mas já anteriormente concretizados na nossa mente (a imagem faz parte do objecto) e como tal reais, estes elementos nunca teriam uma contribuição directa para a resolução do problema com que todos se debatiam, aumentando com a sua presença a dificuldade de encontrar uma rápida e eficaz solução pelo forte impacto do seu volume. Reuniram-se todos num enorme grupo muito ruidoso mas sem objectivo definido. Olharam para o céu e viram as luzes agora muito próximas a desacelerar, acabando poucos segundos depois por parar até ficarem suspensas sobre eles. Juntaram-se e formaram um único ponto. Talvez tivessem sofrido um erro colectivo de paralaxe e o objecto tivesse sido sempre só um, distorcido como no deserto por deslocações de massa de ar entre diferentes camadas da atmosfera e provocando alucinações e originando miragens. À superfície e vindo do fundo do terreno vizinho surgiu então um artefacto por eles nunca visto e completamente desconhecido, do interior do qual surgiu uma plataforma brilhante nos seus vértices e apresentando a forma dum trilátero. Todos olhavam para o ponto luminoso que pairava cintilando sobre eles, enquanto calmamente pareciam aguardar que algo de extraordinário se passasse – que alguém surgisse da luz e com toda a sua sabedoria e poder entrevisse sobre os seus crentes, os absolvesse e os salvasse deste inferno, repondo de novo a sua modesta e pura vida anterior:

- “Por volta do meio-dia, depois de rezarem o terço, as crianças teriam visto uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo depois, outro clarão teria iluminado o espaço. Nessa altura, teriam visto, em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma "Senhora mais brilhante que o sol".

- “O sol, assemelhando-se a um disco de prata fosca, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra”. (Wikipedia)

 

Bruxas, Diabos e Companhia

 

Naquele fim-de-semana festejava-se na vila O Dia das Bruxas e do Diabo, uma tradição ainda muito recente na memória cultural desta terra algarvia mas apoiada sem reticências desde a sua primeira realização pelo padre da freguesia, apesar das fortes características pagãs do evento e de algumas criticas veladas das entidades oficiais religiosas e até políticas: mas era o povo que exigia a concretização anual deste bizarro acontecimento, aproveitando a data para a realização dum convívio sem limites e aberto incondicionalmente a todas as gerações aí nascidas ou que a tinham escolhido para viver (morando na própria terra ou obrigados a emigrar), para aí porem em dia as suas vidas e as dos outros e em complemento e como prova de amizade e solidariedade geral, se ajudarem uns aos outros e fortalecerem assim a sua identidade e os seus laços sem preço – por inesgotáveis e impossíveis de troca – com a maravilhosa e profunda tradição local. E o auge era atingido com o tradicional e imperdível Dia dos Saltos, onde a lenda era mais uma vez transformada em realidade e a troca de corpos era o seu mote: dizia-se que há alguns anos atrás uns seres estranhos tinham chegado às vizinhanças da vila e transformado todos os seus habitantes num outro que não ele, colocando a terra em polvorosa e fazendo toda aquela massa popular dirigir-se num grande e denso grupo à procura dos seus causadores. Como o povo dizia “os estranhos tinham-se assustado com os seus gritos e força exterior e face a este povo que não se calava, tinham dado o passo necessário e obrigatório em frente, retomando a normalidade e recolocando os corpos nas suas referências originais”. Ainda hoje a tenda da Bruxa Ermelinda era a mais solicitada pelas crianças, dada a capacidade da mesma em cativar os jovens com as suas histórias de sonhar e de encantar, em que uma das situações recorrentes do seu guião era a da introdução do troco de corpos entre pessoas e até de animais, construindo cenários de mundos puros e infantis onde tudo era possível de visualizar e acontecer. Como a prova final deste Festival onde uma corrida de sacos era o símbolo desse salto físico mas também e sobretudo mental: uma contribuição segura e eficaz para a abertura da nossa mente a todas as possibilidades propostas pelo mundo, mesmo tratando-se daquelas consideradas até aí impossíveis (os melhores casos para resolver, não só pela fome como pelo apetite).

 

Com os mais velhos a lembrarem-se de muitas situações ocorridas com eles ou então com outros seus vizinhos e conhecidos da terra – como eram belas as histórias então contadas pelos avós – e que ao relatarem entusiasmados e duma forma pedagógica e cativante estes fragmentos fantásticos de muitas das nossas vidas (para o usufruto, entretenimento e aprendizagem de toda esta comunidade unida e colectiva) faziam a delícia de todas as crianças aí presentes dos 7 aos 77. Como o eram as história para crianças contadas na barraquinha da catequista – com o nome curioso de Porquinhos Que eram Três – aqui e agora transformada numa Bruxa Má querida e especial, que no interior iluminado da sua tenda central e com um único candeeiro de petróleo como ponto luminoso, ia desfiando sem fim aventuras contadas e recontadas entre sucessivas gerações, terminando sempre as mesmas com a sua frase emblemática e consequência da sua função social e religiosa, “A conta que Deus fez” enquanto se benzia em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E com todas as crianças aí presentes – agarradas como um viciado a todo este enredo e cenário criado em torno dos seus mais belos e profundos Sonhos e dos seus tempos ainda disponíveis para a Imaginação – a acompanharem-na talvez inconscientemente mas como verdadeiros fieis e seguidores no seu caminho previamente idealizado, não fosse perderem-se e o Diabo tecê-las. Nunca esquecendo as tradicionais e concorridas barracas de comida muito bem guarnecidas de febras, sardinhas assadas, caldo verde e vinho tinto, os diversos carrosséis e carrinhos de choque que sempre acompanhavam os mais novos nestas festas populares, um lugar especial e este ano inovador para um pequeno bungee jumping e ainda como complemento e de forma a melhor decorar de mistério e suspense a paisagem aqui posta à disposição de todos, o ponto talvez mais relevante e estranho do evento – um grande atrelado que fora ali instalado antes do início da festa e que só abriria as suas portas na tarde do último dia. Era grande, muito colorido, com algumas antenas na sua parte superior, sem janelas visíveis e de noite emanando à sua volta uma luminosidade forte mas estranha, parecendo não ter uma origem específica mas sendo no entanto envolvente e cativante, como se estivesse a acompanhar e a proteger as pessoas ali presentes. Lateralmente um símbolo em forma de triângulo decorava o atrelado, apresentando no seu centro um ser estranho que parecia olhá-los e fixá-los – parecia mesmo os olhos da Mona Lisa – como se nos quisesse transmitir algo: mas só mesmo no fim saberiam o que era. Tinha sido ali colocado este ano – e sem informações adicionais prestadas pela comissão organizadora do festival – a pedido da entidade anónima que desde o início o patrocinara e financiara. Entretanto as bruxas continuavam por lá, os Diabos faziam o seu papel e a restante companhia gozava ao máximo deste momento: a vertigem lúdica era tal que até alguns indivíduos já viam extraterrestres a saírem do atrelado, que por acaso não dispunha nem de portas nem de janelas.

 

Presentes na sala de comando e de análise como simples e modestos operadores

 

Num ponto perdido do espaço e no entanto situado num local tão próximo da Terra – a nave alienígena circulava livremente numa órbita bem chegada ao planeta e à vista desarmada dos ocupantes da ISS – os dois estranhos seres extraterrestres esperavam ansiosos e um pouco preocupados pela chegada dos responsáveis pelo acompanhamento do seu processo: estavam à espera não só do Instrutor como também contavam com a presença obrigatória do Avaliador. Conjuntamente com um terceiro elemento representativo do seu grupo biológico, o qual iria analisar todos os factos e medidas tomadas no decorrer de todo o processo de investigação e de resolução (e não de punição moral e substitutiva, sem consequências úteis e correlacionadas com a ocorrência) de modo a expressar aos elementos da sua espécie aqui postos em causam, a independência da mesma e a pedagogia colectiva e partilhada que tal procedimento implicava. Jamais seria um julgamento de um pelo outro mas o aproveitamento dos responsáveis pelo acontecimento em causa para conjuntamente com os estranhos seres e aceitando as suas novas participações, sugestões e até mesmo algumas concretizações voluntárias e assumidas (a que não tinham sido obrigados ou mesmo dado conhecimento prévio) resolverem o cenário imprevisto com que se tinham deparado nessa altura, transformando-o de novo e reintroduzindo-o no seu normal ciclo evolutivo e desse modo tão simples e eficaz, equilibrando-o na globalidade do conjunto onde sempre tinham estado (como tudo e como todos) inseridos.

 

Na sala de comando e de análise o procedimento adoptado era o habitual para casos isolados e de nível de intrusão mínima como este. Feita a constatação de que o evento passado não tinha acarretado qualquer tipo de consequências negativas que pudessem afectar a normal evolução do sistema, externa e artificialmente afectado, o assunto fora definitivamente encerrado. E apesar de tudo a estratégia escolhida pelos dois seres extraterrestres para repararem o que de mal poderiam ter feito, tinha sido positiva, eficiente e até mesmo divertida: desde o estabelecimento do Dia das Bruxas e do Diabo até à ideia do atrelado – uma pequena prenda deixada por eles em nome de todos os desconhecidos reais, imaginários ou nem isso, como prova e confirmação que para além de tudo o que vemos, pensamos ou imaginamos, outros mundos nos esperam aguardando apenas a nossa chegada, para assim se completarem e explodirem de novo (em chamas), replicando-se por atracção, repulsão e simples contacto. É que o Universo só existe enquanto a Vida existir e o municiar com movimento, energia e matéria: o caldo vem do caos organizado em torno da nossa Alma e com vista para a Eternidade.

 

A Projecção parou e esta História acabou. A Ilusão seguinte seria melhorada.

 

Fim da 2.ª parte de 2

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 20:59

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