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Quarta-feira, 11 DE Janeiro DE 2017

Mário Soares

“Nascido na extinta freguesia do Coração de Jesus na cidade de Lisboa, foi o segundo filho do antigo sacerdote, professor e pedagogo, que foi Ministro das Colónias na Primeira República, João Lopes Soares, natural de Leiria; e de Elisa Nobre Baptista, professora da instrução primária, natural de Santarém.” (wikipedia.org)

 

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Mário Soares à chegada a Lisboa a 28 de Abril de 1974

(aí nascido em 7 de Dezembro de 1924)

À janela rodeado por Maria Barroso e por Tito de Morais

 

Com a morte de Mário Soares (e de muitos outros até a ele superiores) o maior perigo que Portugal e todos os portugueses correm, será o de esquecerem rapidamente o passado (perda cirúrgica de Memória), colocarem de lado toda a experiência dos seus pais (decréscimo da importância da cultura) e desse modo esquecerem datas e mudanças verdadeiramente históricas – por serem manifestações coletivas e irreversíveis de exercício e de mudança (como as de 25).

 

Recuando uns 42 anos e reportando-nos ao início do regime Democrático em Portugal (assinalado todos os anos no dia 25 de Abril por acaso e por necessidade o nosso Dia da Liberdade) são algumas as figuras que inevitavelmente ficarão nos registos (mais duradouros) da História de Portugal (oficial) – mas muito menos serão aqueles que ficarão na Memória e na Cultura do seu Povo por muitas e muitas gerações (transformando-se por vezes em heróis ou até em personagens lendárias).

 

Um fenómeno natural entre a nossa espécie (nas condições ambientais e económicas atuais lutando já contra a sua possível extinção), por um lado oscilando constantemente entre uma obediência cega aos seus Mestres do momento (que lhe permitem sobreviver mesmo em condições mínimas e miseráveis), mas por outro lado explodindo em momentos espontâneos mas temporários de rebeldia e de pura revolta (e também de prazer – pela aventura proposta através de cenários desconhecidos ali colocados, há muito e inexplicavelmente ainda por abrir).

 

E desses são poucos os políticos que o Povo recorda (ficando-nos pelo período iniciado em 25 de Abril de 1974) – escolhendo apenas 5 (dos mais conhecidos) de um baralho muito mais vasto (e infelizmente esquecido): Mário Soares/PS, Álvaro Cunhal/PCP, Sá Carneiro/PPD, Amaro da Costa/CDS (por antes, durante e/ou depois serem seus cofundadores e de diferentes quadrantes) e talvez Ramalho Eanes (pela sua honestidade). Mas nunca esquecendo individualidades consideradas menores (talvez mesmo por serem as maiores) espalhadas por todas as áreas da sociedade portuguesa (desde os nomes oficiais aos mais marginalizados) e que apesar de todas as dificuldades e sacrifícios passados, sem quererem ser conhecidos ou sequer reconhecidos, tanto contribuíram (mesmo com a sua morte na Guerra Colonial) para o que Portugal ainda é (existimos), um dia foi (descobrimos) e ainda será (sonhamos).

 

E Mário Soares poderá ter sido um deles – e tal como Álvaro Cunhal um dos maiores: sem dúvida as 2 maiores figuras da política portuguesa, antes e depois do 25 de Abril. E felizmente ainda existindo elementos ativos e bem vivos que por todo o seu percurso político (não apenas partidário) merecem o nosso respeito mesmo vindos da ditadura: sendo esse o caso de Adriano Moreira (inegavelmente um Democrata pela sua idade mais valoroso).

 

(imagem: casacomum.org)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:28
Quarta-feira, 20 DE Abril DE 2016

Assassinados por Omissão no Mar Mediterrâneo

E agora encaminhados para a Turquia para verdadeiros campos de concentração

 

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O caminho seguido por milhares

(e que no conjunto representam milhões)

Fugindo da morte e do nada

(do centro de África e da Líbia, da Síria ou da Turquia e agora até do Iémen)

 

Se a EUROPA da POLÍTICA com todas as suas virtudes e defeitos fosse hoje julgada pelos VELHOS que ainda ontem JOVENS religiosamente acreditaram neles, certamente que a esmagadora maioria desses indivíduos chegaria rapidamente à barra dos Tribunais (Criminais e Morais), sendo pela profusão impressionante de indícios com desprezo deixados atrás de si, evidentemente condenados.

 

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Um Mundo onde a tão falada consciência democrática ocidental já aceita com indiferença a morte de milhares de pessoas à mão de bons ou maus mercenários – sejam as suas vítimas, velhos, mulheres ou crianças. Todos desprezados como se fossem meros objetos (afinal de contas a mera consagração da pratica esclavagista atual)

 

Só que devido aos seus métodos invencíveis de persuasão e coação e para o efeito utilizando exemplarmente e na perfeição todos os órgãos de comunicação social na realidade à sua total disposição (não sendo por acaso que nos dias que hoje correm todos os média nacionais e internacionais dependem e são controlados nas suas ideias e objetivos em 99.9% pelo poder económico e financeiro privado), esta mesma EUROPA da POLÍTICA optou por nos castrar mais uma vez e por ser o caminho mais fácil no pensamento (desvalorizando mais um dos nossos órgãos dos sentidos – neste caso a Visão – implantando-nos umas palas), fixando desde logo como uma das suas prioridades seguintes o controlo e possível paralisação de movimentos: para já dos refugiados (como assim no interior deste contingente de fugitivos poderão estar incluídos os seus perseguidores – sendo como tal necessário instalar urgentemente todos estes indivíduos em campos fechados e o mais distante possível dos cidadãos europeus, proporcionando-lhes uma certa noção de segurança) e mais tarde da sua própria população (como assim no interior das comunidades europeias poderão existir fanáticos infiltrados, sendo por vezes necessário relembrar e repor algumas leis mais antigas e restritivas, proporcionando assim aos seus cidadãos uma certa sensação de proteção).

 

E dando protagonismo à nossa pretensa SEGURANÇA e PROTEÇÃO todos nós sabemos o que irá acontecer de seguida e para quem esse serviço será na realidade prestado: o que acontecerá de seguida é que a LIBERDADE de todos os cidadãos será imediatamente limitada, impondo-lhes em nome da preservação desse DIREITO FUNDAMENTAL todo o tipo de restrições, coações e prepotências, podendo chegar mesmo até à própria declaração de Estado de Sítio ou de Emergência. E aí seremos para eles (a Europa dos Políticos na sua função básica de Predadores) todos iguais – sejamos meras presas ou pequenos subcontratados pelos mesmos predadores. Nem sequer nos preocupando com as ações levadas a cabo por estes políticos da Europa, quando estarrecidos com as imagens violentas e sanguinárias das guerras que proliferam um pouco por todo o mundo, vemos tão perto de nós uma Guerra, as consequências brutais da mesma, os contingentes de fugitivos fugindo por mar e por terra e morrendo aos milhares (à procura na Europa da sua salvação, pela mesma sempre prometida como fez a MAMÃ MERKEL) e mesmo assim consentimos que um outro DITADOR (desejando-se equiparar mas sem petróleo ao Rei da Arábia Saudita) como o é o presidente turco ERDOGAN (que assassina uma parte da população turca apenas por ter sangue curdo – como se decidíssemos matar alentejanos justificando a ação por serem preguiçosos e dormirem debaixo dos chaparros ou então matar algarvios por só pensarem em diversão, praia, bronze, bebidas e engates) negoceie com a EUROPA as condições da troca comercial bilateral envolvendo PESSOAS e DINHEIRO (até parece estarmos a falar de um negócio entre Mercenários), impondo-lhe ainda-por-cima regras não democratas e externas (veja-se o caso do comediante, da exigência de Erdogan e do sim imediato de Merkel – socorrendo-se de uma lei no mínimo com século e meio).

 

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Por terra, por mar e talvez mesmo pelo ar, o que estas pessoas desejavam era a TERRA onde NASCERAM e a VIDA que esta lhes DAVA – e que um dia lhes roubaram com promessas ou miragens (como as ruas douradas de Londres ou a imagem da acolhedora Mamã Merkel)

 

Pelo que não é de admirar que estas situações se eternizem, por uma simples replicação de processos. E que as vítimas (a parte ignorada) não parem de crescer. Oriundas de todos os lados (e com uns dos próximos a sermos nós).

Entretanto e como o Mundo nunca para e nós nunca o interrompemos (pois tempo é dinheiro):

 

More than 400 refugees 'drown in Mediterranean'

(nation.com.pk)

 

More than 400 refugees are thought to have drowned, the Somali ambassador to Egypt told BBC Arabic.

 

Reports say the refugees were fleeing to Italy from Somalia, Ethiopia and Eritrea in four boats which were ill-equipped for the journey.

 

"2016, the Mediterranean is a mass grave," Médecins Sans Frontières (MSF) tweeted in response to the news.

 

Num momento deveras importante da evolução da Humanidade, onde mais uma vez se prova que a Guerra não é (nem nunca) será A Solução – e onde nos vemos de novo na necessidade urgente de nos socorremos da sabedoria dos nossos antepassados para não desesperarmos, nos recuperarmos e não cometermos ainda mais loucuras – torna-se reconfortante e porventura ainda despertador de vontades recordar homens como Bertrand Russell: “War does not determine who is right – only who is left”. Isso se ainda desejarmos ser a espécie predominante e em princípio mais inteligente vivendo neste planeta (com um maior nível de organização e garantias de sobrevivência pelo menos segundo os nossos padrões) e como tal com todos os seus integrantes desempenhando um papel fundamental na composição de todo este cenário e assim montando esse grande puzzle coletivo que é a nossa Vida.

 

(imagens: washingtonpost.com/egyptianstreets.com/wordpress.com/cbc.ca)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:58
Quarta-feira, 04 DE Fevereiro DE 2015

E o Juiz...que se Cuide...

Liberdade?
A Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação!
(Liberdade – Sérgio Godinho)

 

É no respeito do exercício e do funcionamento das instituições que "está o limite entre o Estado de Direito e o totalitarismo"

 

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Aleluia!

 

Só é pena que apesar de todas estas lamentáveis declarações (e o juiz...que se cuide...), não se faça um esforço (por mínimo que seja), no sentido de se verificar se na realidade aqueles que neste momento e temporariamente detêm o poder governativo (sobre essas mesmas instituições), o servem e respeitam (o cidadão/o estado: integralmente e sem sombra de dúvidas) no exercício das suas funções.

 

Pela generalidade das respostas dos cidadãos deste estado, aparentemente a resposta é...não acreditam! (o que não quer dizer que não seja verdade).

 

E também é mais fácil, arranjar um bode expiatório.

 

(Se um cidadão já foi detido por 12 vezes e mesmo assim continua em liberdade, talvez à 13.ª seja de vez. E depois de um final espectacular como o de 2014, só mesmo com uma repetição reciclada para o ano de 2015. O actor principal é que já não é o mesmo. Estratégias.)


(imagem – fmsoares.pt)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:58
Terça-feira, 27 DE Janeiro DE 2015

E no Fim ficou a Corporação

Trilogia Evolucionária do Poder
Estado→ Privado→ Corporação
(ou de como sobrepor a segurança de alguns à liberdade de todos)

 

Se recuarmos quase um século na nossa História atingimos o ano de 1917 e o início da Revolução Russa: nesse ano o seu regime monárquico seria forçado a renunciar ao poder, com o czar Nicolau II e toda a sua família a serem posteriormente executados. Entre muitos outros factores em jogo neste complexo cenário, o início da deposição do regime (nesse preciso momento da história da Rússia) tinha como causa principal e imediata a revolta popular de São Petersburgo, assumida pela sua população como resposta solidária contra a violência imposta nas ruas pelo seu czar e os mais de 1.500 mortos e muitos mais feridos provocados: aí a bolha rebentou.

 

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Três bilionários – Bill Gates, Carlos Slim e Amancio Ortega

 

Por essa altura já o Estado assumia um papel fundamental no desenvolvimento económico das sociedades modernas, chamando a si as rédeas do poder e legislando sempre que possível de modo a salvaguardar a sua soberania e o bem-estar geral dos seus cidadãos. A única diferença que iria distinguir a organização das duas sociedades que iriam servir de referência para o resto do mundo (dividindo-o em duas fortes esferas de influência a soviética e a norte-americana) e dar origem à infindável e quase familiar Guerra-Fria, residia no facto de no caso da União Soviética estarmos (já) perante um caso típico de monopólio (de uma única entidade neste caso o Estado (e que impedia o acesso de outros ao poder), enquanto que no caso dos Estados Unidos (talvez provocado pela profusão de estados com interesses diferenciados e por vezes contraditórios) os centros de poder eram múltiplos – apesar de (e como hoje se pode facilmente constatar) também caminharem para o mesmo destino dos chamados capitalistas de estado: o mesmo exercício mas aqui aplicado em nome do capitalismo privado.

 

Mas o que mais me aflige e que cada vez mais se apresenta como uma certeza, é a evolução que a nossa sociedade parece estar a tomar, relativamente à estrutura futura de poder. Depois de nos termos entretido durante anos e anos a analisar a estrutura da Pirâmide Social tentando compreender melhor a nossa organização, como ela ali chegou e como é que dali se poderia evoluir (em vez de tentarmos definitivamente sair desses enredos de lobotomia mental), parece que face à nossa indiferença factual e à aceitação tácita da nossa insignificância, o trajecto já está definido e como tal, a transformação será inevitável:
- Primeiro veio o Estado;
- Depois veio o Privado;
- E no fim restará a Corporação.

 

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Actualmente 80 bilionários possuem o mesmo que 3,5 triliões de pessoas

 

Uma consequência esperada e natural de todo este processo (já confirmada em etapas anteriores), será mais uma vez o reforço da Segurança e a secundarização da Liberdade – e a prevalência da exigência de qualidade face à ultrapassada obsessão moral pela quantidade. E a partir daí é só tirar conclusões.

 

(imagens – georgianewsday.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 15:20
Quarta-feira, 14 DE Janeiro DE 2015

O Ilusionismo contra o Fanatismo

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque é deles o Reino dos Céus”
(Mateus 5:3)

 

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A esmagadora maioria dos mais de sete biliões de pessoas que povoam este mundo (o POVO), nunca aceitará por vontade própria e renegando os seus direitos de viver em PAZ e LIBERDADE, a alternativa final a eles desde sempre proposta (pelo PODER) como a melhor via para a resolução de todos os seus problemas: a GUERRA.

 

O problema é que em casos extremos (como o ocorrido recentemente em França) os ELEITOS se misturam estrategicamente com a MULTIDÃO, deixando-a confusa e pronta a ser de novo manipulada e instrumentalizada.

 

Como o fez descaradamente uma publicação extremista israelita (tentando de qualquer forma e sobre qualquer pretexto separar as pessoas, agora que estão temporariamente unidas em torno de uma causa) ao eliminar da manifestação todas as MULHERES – uma tradição pelos vistos a manter no oriente, entre todas as tribos árabes existentes (incluindo os judeus).

 

Por outro lado lá foi o povo francês a correr logo de manhãzinha, esgotar a última edição do jornal CHARLIE HEBDO: inconscientemente eles sabem que o que restará de mais este crime e selvajaria, será apenas uma recordação virtual e sob a forma de um mero objecto (que até se valorizará ao longo dos anos).

 

(imagem – sott.net)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:37
Segunda-feira, 21 DE Abril DE 2014

País em Liquidação Total

“A menos de quatro dias da data em que os portugueses há quarenta anos tiveram talvez o último vislumbre de respeito e de esperança: hoje os mesmos que venderam em 1580 Portugal a Espanha repetem a sua traição mas agora com a Alemanha. Será que ainda existem portugueses”?

 

Loja Portugal

 

Com um PM sem um pingo de cultura e vergonha e um PR inexistente por puro oportunismo pessoal, reconheçamos finalmente que o nosso país já não existe encontrando-se à venda em Berlim.

 

Se ainda tinham dúvidas do afirmado anteriormente vejam os títulos do último relatório do FMI, estrategicamente conhecido na semana da Comemoração em Portugal do 25 de Abril “ O Dia da Liberdade”.

 

Será mesmo necessário ler o relatório? E conhecer a Verdade?

 

(imagem – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 16:43
Segunda-feira, 24 DE Março DE 2014

Normalidade

“Mesmo que o caminho seja único, existe sempre alternativa – e a morte não é impedimento ou desculpa, apenas uma porta de entrada”

 

Normalmente estariam numa situação anormal

 

O João despertou do seu coma profundo quando se encontrava no último andar dum arranha-céus em construção situado bem no centro da capital. Ao seu lado encontrava-se um cão que na altura ele não reconheceu, suportado como se fosse um humano em dois dos seus membros, enquanto atentamente observava o cenário que se abria diante de si. Usavam ambos óculos – o João e o cão – e ambos olhavam espantados: debaixo do céu avermelhado ninguém se mexia.

 

Estavam no centésimo andar. Enquanto o cão perscrutava por simples instinto e por necessidade de perda de tempo o horizonte, o João deixara-se ficar estrategicamente paralisado, não mexendo nem piando. À volta deles não viam ninguém. Enquanto isso o silêncio era asfixiante, aqui e ali apenas perturbado por uma mais intensa e ruidosa rabanada de vento ou por um súbito mas curto som indefinido e não localizável.

 

O João ainda deu uma dezena de passos em frente, mas a força do vento e a falta de barreiras de protecção na elevada construção, levou-o rapidamente até ao mundo das vertigens e à sensação de queda eminente no abismo. Interessado o cão continuava a analisar a situação em que se encontrava, olhando para todos os lados, espreitando sem desequilíbrio para baixo e até cheirando a união duma das vigas laterais: pelo seu odor a novo – típico de todo o material produzido recentemente – e pela perfeição de todos os seus acabamentos o edifício não representava qualquer tipo de perigo.

 

O piso não tinha qualquer tipo de acesso: nem escadas, nem elevador nem outro tipo qualquer de transporte vertical. Não se percebia como era possível ter-lhe acesso, nem sequer como é que os dois lá tinham ido parar. O cão parecia rir-se de contente, olhando por vezes de soslaio para o João e parecendo estar a divertir-se com a situação: talvez num momento de aflição o João ainda o viu a levantar uma das suas patas traseiras, urinando com um esgar de prazer e de satisfação em direcção ao abismo. Alguém gritou lá em baixo mas certamente não seria por estar a chover e se sentir molhado.

 

Passada uma hora ainda se encontravam sensivelmente no mesmo sítio, cem andares acima do solo. Ninguém dera pela sua falta nem gritara fosse pelo que fosse. E o frio apertava à medida que ia anoitecendo, com a fome e a sede a serem cada vez mais difíceis de suportar. Para piorar o cenário e abatê-los aos dois um pouco mais, lá em baixo e bem iluminada no interior da praceta anexa ao centro comercial, a casa de hambúrgueres explodia de gente com o próprio drive-in esgotado e um cheiro profundo e brutal a elevar-se nos ares.

 

Em conjunto e após um curto período de reflexão chegaram finalmente à conclusão de que aquela situação era verdadeiramente insuportável e que teria que ter uma resolução imediata. Era inaceitável estarem limitados aquele espaço, não tendo sequer aceso às áreas adjacentes que o suportavam: a liberdade era um direito alienável e nada nem ninguém os poderia impedir de a usufruir à sua vontade. Olharam para baixo, deram as mãos e atiraram-se de cabeça: sabiam andar, sabiam nadar e certamente que se arranjariam a voar. A carne picada chamava por eles.

 

(um dia o João – um jovem tranquilo, simpático e conversador, vivendo num ambiente familiar comum e sem sinais visíveis de anormalidade – perdera definitivamente a cabeça ao ver pela enésima vez os miúdos da sua rua a atirarem pedras ao pequeno cão, que o seu pai lhe dera quando concluíra com empenho e distinção o seu percurso na escola primária; levado por um impulso repentino e actuando duma forma inconsciente pegara então na espingarda do seu progenitor e pusera-se a disparar indiscriminadamente sobre quem lhe aparecia pela frente; só foi interrompido na sua saga ininterrupta e assassina quando foi atingido à queima-roupa em cheio e em pleno crânio pela bala da pistola disparada por um vizinho; em coma foi então enviado de urgência para o hospital da cidade onde viria a falecer pouco tempo depois; atingido no tiroteio por uma bala perdida também o seu cão acabaria por ter destino idêntico sensivelmente pela mesma hora)

 

(imagem – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:23
Quinta-feira, 06 DE Março DE 2014

Portugal

Violência Juvenil

 

Miúdos com raiva de gente grande

 

O retrato oficial é de um país com escolas tranquilas mas, aqui e ali, contam-se histórias de agressões entre jovens com graus de violência que impressionam.

 

(visão.sapo.pt/retirado de artigo: Teresa Campos/Luísa Oliveira)

 

A Nova Geração (também importada para Portugal):

 

Os Nem-Nem – Nem estudam Nem trabalham

 

Liberdade

 

Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

 

(letras.mus.br/letra da música: Liberdade/Sérgio Godinho)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 19:05
Sexta-feira, 31 DE Janeiro DE 2014

Feriados Roubados

A propósito do roubo dos feriados – e que para muitos governantes (já agora) se poderia referir a tudo:

- “Certas pessoas à procura de protagonismo deviam mas é estar caladas: não é falando com a voz do dono que as pessoas se deixam novamente enganar. Ainda por cima quando as mesmas foram mesmo roubadas”!

 

Miséria de Política

 

Roubados não!

Para além do entendimento ser excessivo, a linguagem utilizada é completamente inaceitável!

 

As cinco mulheres que tinham misteriosamente desaparecido do bloco 333 da Rua do Silva – pretensamente no fim do dia anterior – acabaram finalmente por ser devolvidas no final do dia seguinte aos seus respectivos lares, situados todos nesse mesmo bloco. Os seus cinco companheiros tinham anteriormente reportado à polícia o desaparecimento das mesmas, tendo na altura mencionado que começaram a estranhar essa ausência prolongada, quando elas nunca mais apareciam ou davam sinais de vida, passadas já tantas horas sobre a hora do jantar. Morando num prédio de três andares dispondo de apartamentos à esquerda e à direita, ainda perguntaram ao vizinho que morava no 2.ºEsq. se as tinha visto, ao que este respondeu de imediato “só agora estar de regresso a casa após mais um dia de trabalho e que estava com pressa para ir tratar das suas florinhas”.

 

Chamada a investigar a polícia desenvolveu desde manhã cedo todas as actividades que pudessem levar à resolução rápida deste caso no mínimo estranho, envolvendo cinco mulheres adultas, jovens, casadas e vivendo no mesmo prédio. Os primeiros a ser interrogados foram os seus cinco companheiros queixosos – os maridos oficiais e legais são sempre os primeiros suspeitos – mas daí a polícia não conseguiu obter nada, pois todos tinham como álibi a sua presença testemunhada no respectivo emprego e para além do mais a consequência da ausência das suas mulheres era bem visível: perdida a mulher sabe-se lá como, nas mãos de sabe-se lá de quem, eram bem visíveis as gotas de suor frio que lhes escorriam pelo rosto.

 

O passo seguinte foi o de contactar pessoas residentes nas proximidades do prédio: nesse sentido deslocaram-se à padaria, ao supermercado, ao café e até ao pequeno quiosque situado no jardim, que decorava a praceta adjacente ao prédio. Ninguém as tinha visto desde a hora do almoço do dia anterior e nem mesmo a senhora que trabalhava diariamente no quiosque das oito horas da manhã até ás oito da noite, as tinha visto passar. Os polícias encarregados da investigação regressaram então ao prédio e aí repensaram os novos procedimentos a adoptar. Foi nessa altura que viram alguém a sair do elevador do prédio e que um dos polícias se dirigiu ao seu encontro, apresentando-se como tal e solicitando a sua colaboração – logicamente após terem elucidado a pessoa do sucedido e das investigações que decorriam. A pessoa identificou-se como o vizinho do 2.ºEsq. e afirmou tranquilamente desconhecer qualquer tipo informação sobre o desaparecimento das cinco mulheres e que envolvesse qualquer tipo de indício duvidoso e susceptível de ser crime.

 

As cinco mulheres estavam todas a prepararem-se nas suas casas para iniciarem a feitura do seu jantar, quando foram convocadas individualmente para uma reunião de urgência do condomínio, a realizar pelo seu responsável actual, o Sr. Silva do 2.ºEsq. A única coisa que sabiam é que se tratava dum assunto de interesse para todos os condóminos e que segundo o Sr. Silva lhes poderia trazer vantagens futuras – para elas e até para os seus maridos. Como ainda não era muito tarde e a reunião deveria ser breve, resolveram marcar o encontro para as sete da tarde na casa do Sr. Silva: ainda daria tempo para fazerem o jantar. Ás sete horas em ponto saíram de casa e dirigiram-se para o encontro: o Sr. Silva já as esperava em sua casa e até lhes tinha preparado uns pequenos aperitivos. Viúvo e bem instalado na vida, o Sr. Silva seria certamente um bom partido para qualquer mulher à procura de companheiro, fosse como companhia, como fonte de rendimento ou até como objecto sexual: nenhuma mulher poderia considerar aquele homem de meia-idade mas bem conservado e musculado, como algo de deitar fora. E isso sabia-o ele com toda a certeza.

 

Miséria de Quotidiano

 

Depois de bem medicamentadas com bolinhos e licores, as três mulheres estavam agora preparadas e prontas a ser testadas. O Sr. Silva era um grande defensor da reprodução selectiva, como garantia de estabilização biológica das sociedades futuras: ele não compreendia que numa civilização que se queria perfeita e avançada, ainda se permitisse que os objectos e os sujeitos não fossem testados antes de serem consumidos, agora que até a grande dos produtos existentes no mercado tinham prazo de validade. Era moralmente obrigatório para qualquer cidadão consciente e responsável que ainda desejasse preservar o seu bom nome e o do seu país, assumir o seu papel na defesa de certas tradições ancestrais mesmo que parecendo conservadoras ou reaccionárias, nem que para tal este se tivesse que sacrificar pessoalmente, envenenando o seu corpo e podendo mesmo morrer (o máximo sacrifício). A sua exaltação patriótica tinha sido alimentada, apoiada e subscrita abstractamente, a partir da leitura dum folheto histórico que lera ainda há pouco tempo e que mencionava duas medidas extraordinárias: o abandono dos idosos à beira da morte no meio do monte longínquo e o papel desempenhado pelos provadores, heróicos no caso das prévias provas alimentares executadas antes do seu chefe comer (defendendo-os até à morte e morrendo muitas vezes envenenados em seu nome – que honra!). Mas muito mais importante do que isso até pelo sacrifício Real envolvido – demonstrativo da sua grandeza e do seu amor pelo povo – a assunção pelo Rei (em favor dos nobres e dos seus Vassalos) dos perigos transportados pelas suas donzelas e futuras esposas, ao ser a primeira pessoa a testar o certificado de garantia sexual dessas mulheres: se o desejo sexual era unicamente uma ferramenta reprodutiva, a luta contra as doenças sexuais passíveis de transmissão era um objectivo de vida.

 

Violadas uma a uma e registados os efeitos provocados no corpo do Sr. Silva, foi com grande alegria e satisfação que este as informou da sua aprovação e da passagem do respectivo certificado de garantia: poderiam agora recolher aos seus lares para junto dos seus maridos, com a certeza absoluta de que nenhuma delas se encontrava contaminada. Os seus maridos só poderiam estar agradecidos. Um pouco confusas com o que se estava a passar com elas, vestiram-se, olharam para o vizinho e abandonaram o apartamento. O Sr. Silva despediu-se muito educadamente, fechou a porta à saída destas e foi tomar banho.

 

Passadas vinte e quatro horas sobre o seu desaparecimento e ainda com os maridos em casa nervosos e preocupados sem saber o paradeiro delas, cada um deles ouviu a chave a entrar e a rodar lentamente na fechadura, a porta a abrir-se e a respectiva mulher a entrar na habitação visivelmente alterada e com as roupas completamente desalinhadas (ou trocadas) e até com algumas peças de roupa interiores transportadas em mão. Drogadas e violadas foram as duas conclusões imediatas tiradas por cada um dos seus companheiros, conclusão imediatamente comunicada às autoridades. Comparecendo de imediato a polícia tomou conta deste novo episódio, agregando-o aos dados já recolhidos e relacionados com a ocorrência. Durante o interrogatório constataram que as mulheres teriam sido drogadas e posteriormente violadas, faltando esclarecer se por livre vontade ou se tinham sido forçadas a tal. Depois de muito insistirem e dada a forma alterada como as cinco mulheres reagiam às questões e ao ambiente carregado que as rodeava, elas lá conseguiram dizer que apenas tinham deixado um dos apartamentos do prédio e entrado noutro. O mistério ainda se adensou mais até que se lembraram do simpático e bem-educado Sr. Silva.

 

A reacção do Sr. Silva ao abrir a porta do seu apartamento e ao ver-se perante três polícias com um mandato de captura passado em seu nome, deixou-o incrédulo e paralisado: nunca na vida tinha roubado algo a quem quer que fosse, quanto mais o corpo de outra pessoa. Indignado ainda reagira de início àquela inacreditável detenção, ele que apenas lutava pela salvação dos outros com o seu próprio sacrifício. E quando as autoridades ali presentes o acusaram de novo de violação, ele contrapôs com uma frase que de certeza os elucidaria e assim evitaria o arrastar deste deplorável episódio, para ele sem existência e sem possibilidade de existência de qualquer tipo de processo-crime:

- Como se poderia criminalizar uma praxe tão clara e ancestral, replicada por ele a partir de exemplos vindos de elites eruditas e poderosas – oriundas do clero, da nobreza ou de outras entidades de nível superior – quando o único objectivo dele era salvaguardar a saúde de alguns cidadãos e nunca usufruir do prazer associado a essa acção desinteressada. Jamais fora o prazer o seu objectivo prioritário de acção, mas no entanto toda a gente sabia que na guerra muitas das vezes era impossível evitar danos secundários colaterais: e se os homens não compreendiam a sua benfeitoria, então era mesmo cornudos. A Justiça no final dar-lhe-ia razão: a sua posição, a sua formação e toda a sua contribuição para o bem-estar geral da comunidade, certamente que contribuiria decisivamente para a declaração da sua inocência e para afastar de vez a voz daqueles marginais da sociedade que só o sabiam caluniar.

 

O Sr. Silva acabou por ser mandado em liberdade devido a um pretenso erro processual, enquanto as suas vítimas não declaradas continuaram incógnitas e cabisbaixas com a sua pobre vidinha.

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:25
Quinta-feira, 16 DE Agosto DE 2012

Fotografias de Viagem

Helicópteros militares pertencentes à Força Internacional de Intervenção Antiterrorista, vigiam atentamente os céus situados sobre a Casa Branca onde ainda se encontra o Presidente norte-americano Barack Obama, devido à intransigência das Novas Forças Democráticas Mundiais em desbloquearem do aeroporto da capital o AIR FORCE ONE, por atrasos sucessivos no pagamento do combustível, até hoje utilizado pelo avião presidencial. Toda a máquina de guerra norte-americana está unida em volta do seu Presidente e até a Comunicação Social Livre foi convidada a assistir a esta demonstração de força e preservação da Liberdade, tão querida para todos os cidadãos americanos “ainda vivos”.

 

A minha última visita a Washington DC, na companhia da minha família

 

Andamos nós na Europa muito preocupados a ver se temos dinheiro para sobreviver no dia de amanhã – o dinheiro de hoje já acabou – e nos EUA o povo encara com uma surpreendente normalidade, a brutal falência do seu país e a tentativa de ocupação da Casa Branca por forças invasoras estrangeiras. Exigindo o seu dinheiro até agora depositado nos Bancos Americanos, os países emergentes liderados pela China, tentaram ocupar militarmente zonas estratégicas da administração norte-americana, utilizando para o efeito e para já, apenas armas convencionais. Isto para evitar a proliferação de danos colaterais nas estruturas de sustentação do sistema, que poderiam levar a população à revolta e à sua organização armada, contribuindo com as suas ações militares dispersas e sem objetivos e critérios credíveis, para a degradação final dos bens móveis e imóveis ainda recuperáveis pelos defraudados investidores. A China, o Brasil e Angola, foram irredutíveis na sua posição de não apoio à política suicida da Europa, relembrando mais uma vez aos europeus as causas que deram origem à última Grande Guerra Mundial, qual o país que assumiu o genocídio e as consequências nefastas para todo o mundo que daí resultaram. Mesmo a Rússia começa a preocupar-se mais com a evolução política registada nos últimos tempos nos países árabes, agora que a Primavera Árabe se aproxima rapidamente dos países seus aliados, estando cada vez mais próxima das suas fronteiras. Quanto a nós portugueses adoramos todos a visita à maior potência militar do mundo e as próprias crianças que nos acompanhavam, até acreditaram estar a participar num filme de guerra, rodado nos célebres estúdios de Hollywood.

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:17

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