Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

25
Dez 10

Fome

 

A barriga está cheia de peru, recheio, batatas, arroz, farofa, bolo rainha, chocolate, torta e comida, tudo bem regado por tinto, champanhe, Vinho do Porto e bebida. Ainda estou à espera que me chamem, para uma douta opinião, sobre a crise e a pobreza em Portugal. Não escolho caminhos e sou modesto no trajecto – RTP, SIC, TVI, TV Cabo, tudo serve para angariar fundos, para a minha Passagem de Ano; e antes que faça a digestão e o respectivo comprovativo, inspiração é o que não me falta. Como patriota e português que sou, recuso o Whisky, aceito o bagaço ou então, o medronho. E dou uma esmola a quem me apoiar!

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:29
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Paisagem - António Mongiello

 

A Maria Mosca era prima da Isabel Abelha.

Tinham ido comer as duas a casa da Joaninha dos Campos e regressavam tagarelando sobre a vida de cada uma delas.

Nada podia ser melhor que um dia de Sol, sem sombra, sem vento e com bichinhos por todo o lado.

A relva estava verde de cor, as flores faiscavam de felicidade e o caminho serpenteava feliz, ao lado do rio.

Maria Mosca era a mais velha, esvoaçando apressada ao lado da prima, rechonchuda e gordinha de tanta doçura.

Nesse dia de ocasional reencontro, o destino juntara-as no mesmo percurso, no mesmo espaço, à mesma hora, no mesmo instante.

O trabalho de uma era o prazer da outra, mas se uma virava à direita, a outra logo rodava à esquerda, evitando pequenos e inadvertidos deslizes, contrapondo em contraponto, toda a beleza irradiante do seu corpo.

A terra castanha estendia-se por todo o lado, a água escorria por sulcos abertos pela força da natureza, as folhas caíam debaixo da força da luz intensa da estrela, o céu gritava no seu mais profundo e original azul e lá iam elas, sussurrando ao tempo e contando-nos histórias de encantar.

Isabel Abelha ficara de estar na Casa da Colmeia pouco depois, do nascer do dia.

A tia preparara-lhe um saboroso bolo de mel e toda a noite tivera o pesadelo de se deixar esquecer: a vida era doce demais para se deixar escapar qualquer momento de felicidade e seria uma pena atrasar-se e deixar escapar esta oportunidade.

Na época das grandes cidades, tudo se revolveu sobre a terra, os corpos foram crescendo, os trilhos derivando, os animais esquecendo, os corpos desaparecendo e no contexto completo da vida, andando sempre em frente e tropeçando, sem ver obstáculos.

No fim do caminho trocaram carinhos e despedidas, juras e risadinhas: o espelho de água reflectia as suas imagens e o Sol aquecia todo o mundo.

Que bom que era viver!

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 16:35
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Bicharoco

 

Hoje fui ao campo, dar de comer aos bichinhos. Passei pelo Solar para almoçar, mas já não havia pezinhos – lá nos contentamos com uma vitela estufada e cozido à portuguesa. De seguida passei pelo super e trouxe mais umas coisinhas, umas para mim, outras para a bicharada. O dia estava frio mas não chovia, o campo estava verde e molhado e o caminho lá estava, entre buracos de água, que por aqui e ali, serpenteava entre casas, muradas e paradas. O tempo cinzento rodeia este mundo com a chuva sempre à espreita. No início do asfalto virei à esquerda e ao fundo, lá apareceu o Noddy a correr: abri o portão com o cão sempre à perna, tentando-me dar as boas tardes com as patas no ar, chafurdadas de lama, prestes a saltar. Parei a Ford e lá fui na minha rotina inicial de chegada – sacos, casa do cão, chaves, abrir a porta, entrar, liga o aquecedor na sala, ligar a TV, ir à cozinha preparar de tudo um pouco e pôr a comida a fazer, isto tudo sempre a andar e com pouco tempo a perder. É que o cão pequeno ao sentir a chegada, nunca mais para de berrar e é vê-lo a atirar-se à vedação, abanando-a freneticamente, com todas as unhas e dentes. Ao abrir a porta sai tudo em debandada e num abrir e fechar de olhos, deixa-se de se avistar os cães. Os ratos tiveram sorte e lá resolvemos limpar as gaiolas – todas arrumadinhas, que até ao voltarem, até estranharam. Enquanto a comida se faz a menina vai fazendo companhia aos bichinhos, tropelias seguidas umas às outras, saídas e entradas a correr, brincadeiras de dar cabo de tudo, rosnadelas barulhentas e até, por vezes, para educar o mais novo, umas mordidelas, mas só de raspão, passando muitas vezes ao lado. Esperamos todos pela papa, cheira bem, mas não me deixam comer. À vez, cada um come a sua parte da panela, enquanto se renova a água e os biscoitos de cão. O dia cai depressa, a escuridão espalha-se pelo campo, a humidade e o frio começam a instalar-se e a luz agora é a dos candeeiros exteriores. Por vezes a Lua Cheia dispensa a iluminação e o campo torna-se diferente e irreal, exteriorizando a sua beleza naquela escuridão iluminada. O Inverno começara há poucos dias, o Natal era amanhã e era preciso ir fazer o bacalhau. Fechei tudo, desliguei a água e parti do Algoz para Albufeira. No caminho não choveu e à chegada, lá estava a festa no acampamento cigano de Natal. Depois veio o frio e começou a chover mas a festa continuou.

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 02:00
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