Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

02
Mar 11

Capa do livro

 

«Desta vez fiz asneira e da grossa. Mas como podia eu saber que aquele pedaço de papel que rasguei e comi era tão especial para o meu dono? Todos os dias lhe como e destruo metade dos papéis oficiais e dos despachos que ele tem em cima da secretária e ele não se importa com isso. Aliás, as coisas que já lhe comi, davam para fazer um livro só sobre isso: um DVD intitulado “Espanhol para falar com Chefes de Estado”, um telemóvel que fazia ruídos estranhos quando se atendia (este por acaso até foi o meu dono que me deu para roer), um livro de poemas autografado pelo Manuel Alegre (ainda por abrir!), uma fotografia do presidente da República que estava a marcar as Páginas Amarelas, três ou quatro orçamentos de Estado (são sempre os mais difíceis de roer). Sempre que tenho estes impulsos de rafeiro, o meu dono faz-me aquela falsa cara de mau e diz-me “Não, pá, isso não pá, larga pá!” mas depois ou toca o telemóvel e ele distrai-se com a conversa ou acaba por esboçar um sorriso e perdoar-me. Desta vez não. Foi tudo muito diferente. Enfim, a culpa é minha. Tinha de acabar em desgraça esta minha mania de me atirar a tudo o que é papel oficial. E o que mais me causa estranheza é que desta vez só roí um papel, um miserável papel. (…) Este era fininho, uma folha apenas, estava cheio de números e letras e tinha um emblema no cimo da página. Uma coisa aparentemente rasca, sem valor mas afinal era valiosíssima! Como é que eu ia saber que aquilo era o certificado de habilitações do meu dono, do seu curso de engenheiro?» Um rafeiro retirado de um canil para viver uma vida de glória, fama e proveito em São Bento. Pela trela ou ao colo, nos momentos difíceis ou nas horas de triunfo, o cão foi uma testemunha ocular e privilegiada do dia-a-dia do chefe do Governo ao longo dos últimos anos. Do Tratado de Lisboa à Cimeira da NATO, das frias relações institucionais com o presidente da República aos calorosos apertos de mão das grandes figuras da política internacional, da crise do Orçamento de Estado para 2011 aos prós e contras da entrada do FMI em Portugal, o cão dá a sua opinião sobre tudo o que aconteceu nos últimos anos num relato detalhado, inédito e original sobre os bastidores da mais alta política portuguesa

PS: o cão encontra-se à procura de novo dono. Aceitam-se inscrições. Obrigado!

 

António Ribeiro - Esfera dos Livros

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 16:42
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Discurso em directo na televisão estatal líbia

 

Khadafi diz que "milhares vão morrer" se a NATO entrar na Líbia

 

O contestado líder líbio Muammar Khadafi desafiou “quem quiser” a provar que é ele “quem exerce o poder na Líbia”, e jurou que "milhares de pessoas vão morrer" se forças norte-americanas ou da NATO entrarem no país, que, diz, está a ser "vítima" de uma conspiração instigada pela Al-Qaeda.

 

Público

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 16:01
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Vila Nova de Gaia - Rio Douro - Porto

 

Nasci no Porto por volta da hora do almoço. Vivi com os meus avós maternos no Bonfim, muito perto do antigo Estádio das Antas e por vezes, à segunda-feira, lá íamos até à Feira de Espinho – era grande e tinha de tudo, desde ourivesaria, até à venda de animais – dando na hora do descanso, um pulinho até à outra casa. Nas férias passávamos lá o Verão.

Isto tudo a propósito do Porto, cidade de altos e baixos, difícil para qualquer ciclista. Veja-se o caso da Igreja do Bonfim, bem lá no alto, com Campanhã lá para baixo e o Rio Douro bem lá para o fundo. A casa tinha umas águas-furtadas onde ficavam os quartos das crianças e da empregada. De lá, de uma janela bem lançada no espaço, via-se um bom recorte da cidade, com o campo ainda a rodeá-la ou mesmo ainda nela presente, com os seus jardins, com o seu lago e uns tantos patos e cisnes dispersos. Nas traseiras da casa existia uma serração, onde entravam grandes camiões carregados de enormes troncos de árvores para aí serem cortados e transformados.

Frequentei a primária do Campo 24 de Agosto e ainda andei pelo Liceu Alexandre Herculano – acabando o liceu, já em Espinho, terra por essa altura ainda simpática, com os seus pescadores ainda na labuta do mar, com a sua industria ainda florescente e arrancando com firmeza na implantação de serviços para usufruto da sua população, ainda que de uma forma um pouco ingénua e sem projecto bem definido. Hoje já tudo isso se perdeu e a queda definitiva do carisma que esta cidade poderia mais tarde alcançar, está bem reflectida no acto criminoso de aos poucos se ter destruído a Feira de Espinho sob pretextos impensáveis e ainda do nojo arquitectónico em que se tornou a passagem do caminho-de-ferro pelo centro da cidade: será que tal coisa atrai turistas? Eles acham que sim, até porque já instalaram as suas tendas e barracas de comes e bebes. Depois, é só ir jogar no casino, bem lá à sua frente! Espinho tornou-se mesmo em mais uma daquelas terrinhas do litoral de Portugal, neste caso caracterizado pelos seus cruzamentos e ruas paralelas ou perpendiculares ao mar, enfiando-se por ele dentro e apanhando por vezes umas ventanias e humidades de arrasar.

Prefiro o Porto, e o Rio Douro correndo nas suas margens, com Gaia do lado de lá e o mar salgado do Atlântico, aguardando a chegada da água deste país, limpo e doce.

 

Foto "Natinal Geographic"

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 15:37
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Polónia

 

Nascer do dia 1 de Março de 2011.

Olhando o céu.

Observando a Lua em quarto crescente.

À sua direita, o planeta Vénus.

 

A partir de SpaceWeather.com

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:03
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