ALBUFEIRA
Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)
Currículos
“O homem que de tanto pensar transformou um cavalo num burro”
Zeinal Bava
Competente, inteligente, metódico, organizado, mas também maquiavélico e dono de uma enorme ambição, é um dos administradores mais acessíveis e afáveis no trato dentro da PT, onde ocupa, desde 2006, o cargo de vice-presidente. Pratica a cultura do mérito e segue uma lógica anglo-saxónica, que lhe ficou dos tempos em que estudou na University College of London, onde se formou em Engenharia Electrónica. Mas tem fama de ser implacável com quem falha ou com quem não fez o trabalho de casa antes de uma reunião importante. Diz-se que é muito duro no trato - mesmo intratável.
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Protege os seus mas coloca-lhes a fasquia cada vez mais alta. Resta conhecer o estilo com que vai afirmar-se na PT, se pelo terror ou se pela simpatia duas qualidades que parece saber utilizar como poucos.
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Zeinal Bava chegou à PT em 1999, pela mão de Eduardo Martins, um dos históricos que, em 2001, saiu da empresa de candeias às avessas com o antigo protegido.
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Zeinal Abedin Mohamed Bava nasceu em Lourenço Marques, actual Maputo, Moçambique, onde viveu no seio de uma família de comerciantes até ao início da adolescência. Após o 25 de Abril, faz uma curta passagem por Lisboa mas, cedo, aos 14 anos, foi estudar para Inglaterra. Hesitou entre Medicina e Engenharia, mas acabou por seguir a segunda vocação, completando, posteriormente, a sua formação com um curso de Gestão na Universidade Nova de Lisboa.
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Sem ter nascido em berço de oiro, soube penetrar, com relativa facilidade, no círculo restrito de apelidos de onde sai parte dos gestores da PT. Os históricos apontam-lhe o defeito de só confiar nos novos, sem procurar equilíbrios. Rodeia-se de quadros muito jovens e muito fiéis, especialmente na área financeira. Trata-se de uma espécie de guarda pretoriana formada por "jovens turcos", como são conhecidos na empresa
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Mas o ódio de estimação estava reservado para Carlos Vasconcellos Cruz, ex-presidente da PT Comunicações com ambições de liderança que se revelaram fatais. Também não lhe souberam resistir Iriarte Esteves (ex-presidente da TMN), Graça Bau (ex-presidente da TV Cabo) e António Soares (ex-vice-presidente da TMN), gestores que ficaram conhecidos como o "grupo da Adega da Tia Matilde", onde se juntavam, frequentemente, para almoçar. Sem apoio dos accionistas, este grupo de gestores acabou por sair, aproveitando o último ano do decreto que lhes permitiu levar para casa uma reforma dourada e deixando o caminho livre a Zeinal Bava, nas três maiores participadas do grupo em Portugal.
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Zeinal Bava chegou à PT sem ligações políticas, mas também neste ponto soube construir uma teia que lhe granjeou apoios no Governo e na oposição. Deu emprego aos filhos de António Guterres, Teixeira dos Santos, Marcelo Rebelo de Sousa e Esteves de Carvalho. O filho de Jorge Sampaio também esteve no grupo, na área internacional.
Revista Visão
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Dois
Dois aspectos de um mundo que está á nossa frente e que nós não queremos ver
Aspecto Um
Beleza simples e ao natural
Namíbia – Foto N.G.
Existem acontecimentos que nos envolvem constantemente e que não reconhecemos utilizando apenas os nossos órgãos dos sentidos.
Mesmo a beleza que nos surpreende pela sua imediata penetração – sem sequer nos deixar tempo para catalogá-la e esmagá-la debaixo de toneladas de adjectivos – consegue pôr-nos noutro nível mais interessante de consciência: para isso servimo-nos dos substantivos.
A abstracção pode ser interessante. No entanto o tempo e o verbo, levados a um nível elevado de interesse e abstracção, acabam sempre por corromper o espaço, a única realidade existente e através do qual toda a nossa vida evolui.
A vida no fundo é muito mais simples, ao contrário do que nos têm contado. Porque será?
Aspecto Dois
Jardim à beira-mar plantado agora submerso
Granada/Índias Ocidentais – Foto N.G.
Vivemos num país de mortos, que se levantam de dia e lá partem adormecidos, cabisbaixos e compenetrados, para o seu emprego remunerado. Trabalho, é coisa que já não há. Para isso teriam que existir mestres e aprendizes e o amor pelo seu ofício, teria que ser o seu único sonho. É claro que teríamos que viver e comer. Mas a arte reside na forma como vivemos e nos exprimimos e o trabalho é apenas uma consequência da alegria do nosso corpo em movimento, que forçosamente se cruzará com outros espaços de trabalho, efectuando todas as trocas necessárias à continuação da nossa vida, no interior do espaço que nos rodeia. O emprego é uma prostituição do sujeito ao objecto, em troca duma miserável e insultuosa, escala de remunerações.
Vivemos submersos num mundo estranho e sem retorno, como figurantes de um teatro sem movimento, sem comunicação e sem espaço ou condições para evoluirmos. Estamos mortos.