Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

29
Jan 13

“Um objecto só é surpreendente se o não quisermos reconhecer”

 

Lua Cheia de Janeiro – América do Norte

 

Tinha anoitecido há já algum tempo quando ao aproximar-me da janela me vi perante uma estranha luz que iluminava os céus: nunca antes tinha reparado naquele círculo luminoso suspenso sobre as montanhas e a visão daquele fenómeno misterioso deixou-me um pouco espantado. Encostei a minha face ao vidro frio da janela e concentrei-me no que os meus olhos me diziam: para lá das árvores que se erguiam à minha frente, a cidade cintilava tranquila na noite que a envolvia, enquanto que as montanhas geladas que se erguiam lá ao fundo sobre a planície a protegiam, apontando ao mesmo tempo a presença do misterioso objecto nas suas proximidades. O objecto emitia uma luz fixa – sempre com a mesma intensidade – e a sua forma circular parecia movimentar-se muito lentamente sobre as montanhas. Iluminava todo o céu e a terra em seu redor, como se alguém tivesse aí colocado uma candeia para iluminar o caminho de regresso a casa, às pessoas que se tivessem perdido na sua jornada diária. Fiquei um pouco preocupado com o que estava a acontecer, até porque não tinha comigo nenhuma maneira de comunicar com o exterior – não tinha trazido telemóvel e a casa não dispunha de rede fixa – e assim perceber o que aquilo era e saber o que dali poderia sair. Resolvi então sair para o exterior e tentar perceber mais claramente o que aquilo seria: mas estava tudo gelado e silencioso, com um vento frio – penetrante e doloroso – que me fez vergar o corpo e sair dali como um louco a correr, à procura do primeiro aquecedor. Tomei um café bem quente, recolhi-me um pouco à lareira e com um cobertor colocado sobre as costas, fui-me pôr de novo à janela: e foi depois de me sentar e instalar comodamente no sofá que, ao olhar o horizonte que se abria para lá do vidro que dele me separava, verifiquei que o misterioso objecto já lá não estava, nem se avistava nas redondezas. Fiquei estupefacto. Mas que objecto não identificado seria aquele?

 

Ainda fiquei uns minutos à espreita mas o objecto não aparecia. Só reparei que a noite parecia ter escurecido um pouco mais e que um grupo de nuvens que andava há umas horas por aí se tinha aproximado da zona das montanhas, colorindo agora o céu com um azul-escuro por vezes alterado e clareado. Resolvi então ir até ao meu quarto para ver se encontrava os meus binóculos: talvez a luz voltasse a surgir no céu e com eles poderia ver tudo muito mais próximo e com muito mais detalhe. Subi as escadas, acendi a luz do quarto e enquanto ia procurando o instrumento acendi a TV: estava a dar um filme de terror que já tinha dado milhentas vezes, pelo que mudei para o canal de notícias, que também não estava a dar nada de interessante. Encontrei os binóculos e desci de novo até à sala. E lá estava de novo brilhante e suspensa sobre a plácida cadeia montanhosa, a estranha luz fixa que eu visionara anteriormente, tal e qual como da primeira vez que surgira nos céus, mas agora um bom bocado mais deslocada para a direita. Fiquei por momentos paralisado a observar o misterioso objecto e a congeminar o que fazer agora que ele voltara. Decidi subir até ao terraço e levar os binóculos. Tive que me proteger bem do frio e bebi uns quantos copos de aguardente para aquecer o corpo por dentro, enquanto que a alma ficava suspensa sob os vapores do álcool e pelas revelações que o artefacto visual me viesse a proporcionar. Coloquei os binóculos e dirigi-o imediatamente para o objecto luminoso. De início a imagem estava desfocada pelo que tive que regular o instrumento óptico para a distância a que se encontrava o objecto. Então a imagem começou a aparecer cada vez mais nítida diante dos meus olhos e apercebi-me logo que este objecto bizarro e não identificado apresentava umas manchas acinzentadas na sua superfície, que me levavam a que o meu cérebro vibrasse e entrasse em modo de alerta, por algo que ele conhecia mas não se revelava. Era isso era a Lua!

 

“A asneira é o primeiro passo para a sabedoria”

 

(imagem – earthsky.org)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:34

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