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O Outro Lado do Espelho

Domingo, 20.01.13

Eu não quero ir parar no meio de gente maluca.

Não adianta tu quereres ou não. Nós aqui somos todos loucos. Eu sou louco. Tu és louca.

E como é que tu sabes que eu sou louca?

Bem, tu deves ser ou então não terias vindo para aqui.

 

Ficheiros Secretos – Albufeira

Comunidades

 

 

A comunidade vivia numa zona entre o litoral e o barrocal algarvio ocupando uma pequena área de terrenos superficiais secos e arenosos no meio do qual existia uma pequena barragem utilizada para aproveitamento das águas da chuva – fornecendo água para consumo e calor e energia eléctrica por utilização de energia solar – tornando deste modo o grupo autónomo em relação a fornecimentos exteriores.

 

Tinham-se fixado no Algarve por meados dos anos setenta aproveitando o curto período de liberdade e revolução que o país vivia por essa altura, uns bons dez anos antes da entrada do país na CEE e do início da destruição sistemática de toda a sua estrutura económica – industria, agricultura, pescas, etc – em troca de uns largos milhões de euros apropriados por uma minoria de políticos ligados à criminalidade legal.

 

O que tinham construído era fruto do amor profundo pelo trabalho e uma indicação inequívoca de que tudo se pode construir – até um sonho – desde que haja ligação com a terra que nos acolhe e correspondência com os desejos de viver entre os outros e não com os outros ou para os outros.

 

O aspecto geral do terreno e da construção nele implantada era muito agradável, fazendo lembrar uma mistura entre um parque temático de diversão e de divulgação cultural – como o festival da areia realizado anualmente na vila de Pêra – e os aglomerados provisórios de edificações construídas para darem apoio às centenas e centenas de prospectores de minérios, aquando do período mais alto da desenfreada caça ao ouro.

 

 

Mas um dia outro acontecimento passou a ocupar o pensamento de todas as pessoas que compunham a comunidade. Num dos extremos da propriedade – com pouco mais de 4 hectares – e num local com um declive acentuado e rodeado por largas pedras provavelmente aí guardadas e acumuladas, um elemento do grupo com a responsabilidade de detectar e registar tudo o que achasse de interessante ou até de estranho, reparou numa pequena fenda que parecia querer alargar-se na parte traseira de um desses amontoados de pedras.

 

Servindo-se do equipamento de apoio que transportavam consigo e de uma máquina que se encontrava nas proximidades a trabalhar a terra, o grupo conseguiu limpar esta zona profusamente coberta de arbustos e afastar definitivamente as pedras que bloqueavam a entrada desse buraco.

 

A fenda ocultava uma pequena entrada que parecia ter sido construída entre pedras sobrepostas e que dava acesso a um buraco comunicando na vertical com uma ampla cavidade subterrânea – parecia uma sala enorme e de outro mundo, iluminada no cimo por uma tímida mas decidida luz, que se infiltrava como um líquido pelas fendas – que depois se dividia por espaços e caminhos daí derivando em todas as direcções.

 

Parecia impossível como a gruta não tinha sido detectada até agora – passados quase quarenta anos sobre a chegada dos primeiros pioneiros ao Algarve – com tantos adultos e crianças a passarem por lá regularmente, por vezes ficando mesmo por ali e a apreciar à distância, os repteis que se esticavam todos ao Sol aproveitando os seus raios quentinhos e retemperadores.

 

 

O regresso foi efectuado com os elementos do grupo entusiasmados com o sucedido e ansiosos por divulgarem à restante comunidade a sua espectacular e inusitada descoberta. Muitos deles pareciam mesmo umas crianças, falando sem parar da sua recente aventura e de como tudo isto ainda poderia proporcionar-lhes muitas horas de mistério e divertimento.

 

A reunião para dar conhecimento às entidades responsáveis do sucedido no dia anterior e fazer um balanço e um ponto de situação deste caso original – que já estava a despertar a curiosidade de toda a comunidade – realizou-se na antiga construção edificada perto da barragem, que era um símbolo da força e do querer dos primeiros pioneiros que tinham fundado esta comunidade, abrindo-a a toda a gente, a todos os povos e a todas as raças fossem elas locais ou até alienígenas.

 

Os líderes administrativos estiveram todos presentes neste grande acontecimento, assim como todos os eruditos e autodidactas, pessoas boas da terra e outras personalidades de referência.

 

Todos assistiam maravilhados e expectantes ao desenrolar deste episódio, enquanto se aguardava a chegada e a presença da Entidade Bicéfala – constituída por um terrestre e por um extraterrestre – que iria aconselhar e partilhar com os presentes o evento e contribuir com um artefacto que possuíam e que poderia ser útil para melhor compreender o sucedido: uma gravura antiquíssima em madeira representando a árvore da vida e associada à cultura Maia, que poderia estar associada à história de uma civilização antiga, ao seu perdido mundo subterrâneo e a associações com outros seres vindos de outros mundos – paralelos ou sequenciais.

 

 

A comunidade manteve sempre uma ligação privilegiada com diversas forças em actividade na região do barrocal e da serra algarvia, estabelecendo com elas contactos regulares e profundos de modo a contribuir eficazmente para o seu desenvolvimento sustentado e eficaz, contribuindo para diminuir o sofrimento das suas populações abandonadas que o agravar da crise inevitavelmente provocava.

 

Se a opção pelo método saudável e artesanal proporcionada pela vida no campo contribuía para uma estabilização das relações interpessoais no interior do grupo, este não excluía a prossecução dos contactos e relações institucionais com outros grupos exclusivamente concentrados no desenvolvimento científico e tecnológico, como contributo precioso à manutenção da evolução de todo o conjunto humano de uma forma consentânea com o meio ambiente envolvente e ainda como forma de ter acesso de uma forma acompanhada a novos instrumentos e aparelhos de transporte e comunicação.

 

A proposta apresentada pela organização técnico-científica sediada no Algarve e agrupando um conjunto de entidades terrestres e extraterrestres já há muitos anos trabalhando em conjunto, foi feita após estes terem tomado conhecimento da descoberta efectuada no interior da zona exclusiva onde vivia a comunidade em causa e para o caso de ser necessária a realização de perfurações profundas, em zonas do subsolo com características de resistência à penetração muito elevada.

 

Mas nada fazia pensar que a utilização de tal máquina seria para já necessária. Tudo não passava ainda da simples descoberta de uma gruta no subsolo e o resto não passava de rumores ou de meros boatos especulativos. De uma forma ou de outra tudo se iria esclarecer e até a organização de uma visita de estudo ao local onde a gruta tinha sido descoberta, estava desde já a ser equacionada.

 

         

 

A comunidade sabia antecipadamente que todos as movimentações consideradas fora do contexto oficial e realizadas na região por grupos de indivíduos excedendo um determinado rácio Unidade/M², estariam sempre sob forte vigilância da Rede de Telecomunicações Aeroespaciais (RTA), ainda mais agora que esta organização era controlada pelo anterior presidente autárquico Dióspiro Silva, um conhecido aliado das mais poderosas corporações mundiais de composição mista, criadas conjuntamente por humanos e alienígenas com o objectivo da implementação e concretização de um modelo de desenvolvimento sustentado para a região.

 

Nesse contexto foi natural a aceitação da situação criada pelo desenvolvimento do processo de inspecção, controlo e certificação de eventos em territórios periféricos não catalogados – exercida pelas autoridades regionais responsáveis pela manutenção do status quo temporal – o que levou à concretização de um acordo tácito de cooperação bilateral e à criação de uma comissão online de verificação e confirmação, do programa previamente pensado e estabelecido. É que nem sempre quem autoriza, tem o poder para o fazer e quanto às peças do mecanismo, muito poucas são previsíveis.

 

A deliberação foi transmitida através da rede de antenas de áudio e de imagem pertencentes à RTA, através de um canal codificado de segurança aberto a todas as organizações colaborantes com a intervenção alienígena, de modo a evitar possíveis introduções não desejadas na rede e o surgimento inesperado de incidentes aleatórios. Na transmissão ficou bem patente o poder exercido pelos apoiantes do presidente da RTA em toda a sociedade algarvia, com o envio à comunidade de uma mensagem emitida por um representante seu nos mundos exteriores – acompanhado por duas tradutoras – exigindo a emissão constante de relatórios actualizados e das suas perspectivas activas de afirmação futura.

  

A consciência da comunidade tinha uma impressão digital colectiva, que só poderia ser detida através de uma intervenção violenta e irracional, que levasse à amputação da sua alma. E a comunidade sabia que a força das ideias e dos actos, era mais forte do que a força da palavra e do seu tempo.

 

      

 

A visita foi muito bem preparada. A comitiva era constituída por três grupos de outros tantos elementos – um grupo de batedores, um grupo de especialistas e um outro grupo responsável pela montagem das bases intermédias – acompanhados na retaguarda por mais dois grupos de apoio, destinados a actuar em operações de manutenção e na ocorrência de possíveis situações de emergência. Existiria ainda no exterior da entrada da gruta um conjunto de voluntários, prontos a executar todas as tarefas que lhes fossem requisitadas.

 

Os batedores desceram até à gruta e aí optaram por seguir pelo caminho que se abria à sua esquerda. À primeira vista parecia ser a escolha mais acertada já que o espaço parecia mais aberto e desimpedido e com um menor número de desníveis abruptos de terreno, o que poderia dificultar futuramente a sua marcha e prolongar sem necessidade a sua viagem no tempo. E a opção parecia ter sido acertada, já que o caminho seguia em linha recta para um novo túnel – bem visível ao fundo da cavidade – surgindo a sua entrada sob uma pequena abobada natural, de onde parecia provir uma pequena aragem e um pequeno e ondulante sussurro. Entrados no túnel a caminhada foi de curta duração: após alguns minutos de caminhada o túnel virou à direita, iniciando aí uma descida acentuada em forma de escada que levou os batedores até uma plataforma rochosa, diante da qual encontraram surpreendentemente o leito de um rio subterrâneo de águas frias e cristalinas, seguindo tranquilamente entre as margens do subsolo rochoso deste real mundo paralelo.

 

Os batedores deixaram-se ficar maravilhados a observar este belo rio escondido do mundo dos vivos, enquanto aguardavam a chegada dos elementos dos outros dois grupos. Aí foi montada a primeira base de apoio e daí partiram de novo os batedores num pequeno insuflável, logo seguidos pelo grupo de especialistas, entusiasmados com o que já tinham visto diante de si neste tão curto espaço de tempo.

 

Os especialistas presentes nesta exploração eram profundos conhecedores dos fenómenos associados à vulcanologia e à espeleologia. Vivendo há muito tempo nesta região sul de Portugal, tinham já uma profunda experiência na investigação e exploração do mundo subterrâneo português, principalmente da zona de Lisboa – Complexo Vulcânico de Lisboa – até à zona do Algarve – especialmente da zona de Monchique até à zona de Lagos. E o que viam parecia querer indicar que isto era apenas o início da confirmação das suas teorias sobre a existência em épocas anteriores de vulcões na região, que teriam criado nas suas épocas de maior actividade, intrincadas redes de túneis subterrâneos que se interligariam de Monchique até Lagos. Então a visão da gruta de estalagmites e estalactites surgindo repentinamente sob a forte luz do projector, foi de um assombro simplesmente fabuloso. Aí foi montada a segunda base de apoio.

 

 

Após alguma troca de dados e impressões registadas nesta exploração – e de um retemperador intervalo para se saciarem e comerem alguns alimentos – acabaram por chegar a uma área bem profunda no subsolo, acedendo a esta por um estranho trilho que se introduzia obliquamente na rocha, terminando numa saída que ia dar a uma enorme caverna suportada por fortes e poderosas colunas, rodeadas por uma verdadeira floresta de cogumelos gigantes: pareciam mesmo os protagonistas da obra de Julio Verne na sua famosa Viagem ao Centro da Terra!

 

O registo de altitudes até ao momento era bem claro, indicando-lhes uma profundidade situada um pouco acima dos cem metros, conforme constava nos dados já assimilados:

 

 

Localização

Altitude (nível da água do mar)

Fenda de acesso à gruta aí descoberta

+ 039m

Gruta descoberta pela comunidade

+ 010m

Rio subterrâneo

- 035m

Gruta de estalagmites e de estalactites

- 061m

Caverna da floresta de cogumelos

- 111m

 

Na sede da Rede Telecomunicações Aeroespaciais (RTA) o movimento na secção responsável pelo Controlo de Situações Internas (CSI) era mais intensa do que era usual, com o coordenador operacional de comunicações movendo-se rapidamente entre os operadores sob o seu comando, de modo a manter-se continuamente ao corrente do evoluir da situação na zona fronteiriça do sector Silves/Monchique. A iniciativa da comunidade tinha preocupado desde o início as chefias da RTA – não por não entenderem a prioridade que este grupo tinha atribuído a este projecto extravagante, nem sequer pela possibilidade do que pudessem descobrir na sua exploração, mas pelos danos colaterais que poderia provocar no equilíbrio passivo e estratégico mantido durante estes últimos anos no território – e mobilizado a atenção das diversas secções técnicas de análise de dados e da sua simulação em tempo real, já que a área onde iriam actuar se encontrava nas proximidades de uma área reservada e protegida, assinalada a vermelho e com um número de contenção de segurança atribuído de nível máximo. A alternativa escolhida para encontrar uma medida preventiva e segura que evitasse a violação da zona assinalada a vermelho, foi o da utilização do último modelo de simulador de realidade virtual fornecido pela Aliança Alienígena, o Projector Interactivo de Realidade Virtual 3D – com alta resolução e profundidade. Na zona tampão a realidade seria simulada, sem que os seus utilizadores tivessem consciência desse facto e sem qualquer tipo de possibilidades de a poderem contornar e voltar a trilhar a realidade inicial.

 

Antes mesmo de iniciarem a caminhada na enorme caverna que se estendia diante deles, todos sentiram que algo de errado se passava. O ambiente que a caverna oferecia parecia desprovido de acções que motivassem os seus órgãos dos sentidos, a luz que se infiltrava pelas fendas abertas parecia artificial e até a vida parecia ter dali fugido definitivamente. Só se avistava um terreno sem fim pejado de terra e de pedras, numa atmosfera seca e carregada de poeiras mas sem correntes de ares que justificassem a suspensão dessas partículas e onde até os cogumelos gigantes aparentemente para nada serviam, rígidos e frios como seres vivos mortos e petrificadas. Parecia um labirinto aberto mas sem fim, fora do contexto e da realidade das personagens, transformando-nos calculadamente em seres irracionais inconscientes rodopiando freneticamente em círculos perdidos, à procura de uma passagem inexistente.

 

      

 

A situação em que o grupo se encontrava era surreal e todos os seus elementos se sentiam como objectos animados colocados numa sala, com o solo em movimento e rodeada de espelhos. Por mais que se movimentassem na imensa caverna, voltavam sempre a cenários idênticos e aparentemente sem saídas alternativas. E todo o objecto que os envolvia era árido e seco como um deserto, sem pontos de referência que os obrigasse a repensar a sua estratégia escolhida de acção e acima de tudo, sem que nada nem ninguém mesmo que involuntariamente se intromete-se.

 

A comitiva estava agora reduzida a quatro indivíduos – um batedor, dois especialistas e um organizador – tendo os restantes elementos retornado à segunda base de apoio para a realização de tarefas de manutenção das estruturas provisórias aí instaladas e para a elaboração do relatório actualizado da visita organizada pela comunidade, previamente exigido pelas autoridades máximas da RTA. Após mais uma caminhada inglória pela floresta de falsos cogumelos tinham acabado por parar de novo, neste caso devido a um pequeno ferimento no batedor – no seu joelho direito – após uma queda provocado por uma pequena pedra escondida num monte de terra e poeira, onde ele acabara inesperadamente por tropeçar.

 

Foi então aí que algo de estranho se passou, mas de que ninguém se apercebeu inicialmente. Ao encostar-se na parede para efectuar o seu curativo no joelho, o batedor raspou inadvertidamente com os seus instrumentos – utilizados em perfurações e escavações – numa parte menos deformada da parede da caverna, fazendo cair uma placa inteira constituída por materiais sedimentares agregados e que ali se tinham fixado com o passar do tempo. Por trás dela apercebia-se agora uma pequena reentrância de forma ovalada, com zonas mais claras ou mais escuras, demonstrando a existência de relevo com diferentes profundidades. Ao aproximarem-se do local e depois de passado algum tempo de análise e reflexão sobre a forma e o conteúdo desta descoberta, os especialistas chegaram à conclusão de que se tratava da imagem de uma máscara – cravada na pedra – como se esta fosse vista pela parte de trás. A descrição dos seus contornos e relevos coincidiam com as das máscaras dos ídolos em marfim descobertos no complexo Arqueológico dos Perdigões, situado próximo de Reguengos de Monsaraz – e curiosamente associado ao Complexo Vulcânico de Lisboa – complexo esse utilizado na Pré-História para a prática de cerimónias rituais relacionados com culto dos mortos e dos antepassados, propondo nessa época com estas realizações, novas visões para o Mundo e para o futuro do próprio Homem.

 

Terminada a limpeza da máscara e da zona da parede que a envolvia, o que ressaltava logo à primeira vista de qualquer observador – mesmo que distraído – eram os dois orifícios escuros e da largura de um dedo que esta apresentava. Até poderiam ter algum significado importante do qual ainda não se tinham apercebido. Isto pesar de alguns textos associarem estas máscaras e respectivas estatuetas, à representação de Divindades, de Entidades Superiores ou mesmo de Entidades Alienígenas, entre o fim do Neolítico e o início da Idade do Bronze. Mas o que fazer com a máscara? Um dos especialistas presentes resolveu então introduzir um dedo num dos orifícios, mas nada sucedeu. Introduziu-o no outro orifício mantendo-se a situação anterior. Ao introduzir simultaneamente os dedos nos dois orifícios da máscara sentiu momentaneamente uma pequena picadela que o fez instintivamente afastar a mão do local, mas de resto nada mais acontecendo, que pudesse mudar a monotonia do momento em que todos tinham mergulhado. E que tal enfiar a cabeça no buraco e ao contrário da avestruz que o faz para não ver o que se passa à sua volta, abrir a nossa cabeça a um novo mundo do qual nem suspeitávamos da sua existência? Foi tiro e queda: ao colocar a sua cara naquela máscara cravada na terra fazendo coincidir os seus olhos bem abertos com os orifícios que a mesma apresentava, o batedor sentiu por uns instantes umas levíssimas picadas na vista, ao que se seguiu um movimento imprevisto que pelas consequências que daí resultaram – e a que todos puderam assistir e acreditar – deixou os elementos presentes nesta fase avançada da sua aventura, completamente estupefactos e paralisados: a parede desapareceu como se esta se tivesse diluído numa pequena película transparente e dando acesso para o outro lado, visionando-se para lá dela um pequeno e estreito corredor, que terminava num compartimento no qual estava inserido o que parecia ser um elevador.

 

“Entramos, carregamos aleatoriamente num dos botões que se aparentavam por semelhança com os por nós utilizados – nos elevadores das nossas habitações – e fomos dar a um local situado bem nas profundezas da terra (bem para lá dos 500 metros) deparando-nos com uma formidável estrutura subterrânea e em excelente estado de preservação, que só poderia estar associada a uma civilização muito antiga e tecnologicamente muito superior à nossa e que entretanto provavelmente e por causas desconhecidas, a teria definitivamente abandonado” – afirmaram os elementos da comunidade. Ou não seria assim?

 

      

 

A estrutura que fazia lembrar um estado-cidade equipado com todas as polivalências necessárias ao seu pleno funcionamento e transformação, era de grandes dimensões e estendia-se equilibradamente por muitos quilómetros do subsolo da região algarvia. Face a estas brutais dimensões do evento em presença, o grupo sentiu-se um pouco assustado e sem saber como proceder perante o que lhes tinha acontecido, procurando ansiosamente e ainda durante um largo período de tempo, uma solução que tornasse viável a conclusão da sua visita e o início do caminho de regresso.

 

Tudo se alterou com a chegada repentina de um animal voador de grande porte, que apanhando de surpresa esta pequena comitiva em movimento, pôs todos os seus elementos em pânico e numa fuga descontrolada, terminando todos estendidos no solo e sem sentidos, sob a acção de um produto desconhecido lançado do ar e que mais tarde souberam ter fortes efeitos anestesiantes. Entretanto o alarme tinha soado fortemente aos ouvidos dos dirigentes máximos da RTA e as medidas correctoras tinham sido aplicadas de imediato, tentando deste modo não provocar sobressaltos que pudessem pôr em causa o motivo da presença pretensamente desinteressada dos alienígenas no planeta Terra (e na nossa região).

 

A viagem decorreu tranquilamente enquanto todo o grupo ainda se encontrava num estado de profunda inconsciência. Acordaram simultaneamente numa encosta situada num terreno montanhoso localizado nas proximidades da cidade de Lisboa, sem saberem de que forma lá tinham ido parar, nem a razão pela qual se tinham para lá dirigido. As últimas recordações que persistiam incessantemente nas suas memórias, consistiam nas imagens fugazes do voo picado da grande ave subterrânea sobre eles e do cheiro sufocante e nauseabundo que subitamente os engolira, atirando-os sem qualquer tipo de protecção ou de dúvida para um mundo artificialmente inconsciente e sem direcções.

 

Foram localizados na periferia do Complexo Vulcânico de Lisboa por um grupo de simpatizantes associados ao grupo dos Alienígenas Anónimos – trabalhando em colaboração com forças populares de terrestres e alienígenas vindos propositadamente em sua busca da não muito distante região do Algarve – sendo seguidamente observados e sujeitos a testes de concordância, antes de retornarem por via aérea e sob controlo da RTA à sua comunidade de origem, via aeroporto de Faro.

 

 

Na lenta viagem de regresso a casa, alguém falou no outro lado do espelho e no misticismo que as lendas e tradições populares portuguesas têm aportado à maravilhosa história do nosso eterno imaginário. Como a história do ser maléfico conhecido como O Homem de Chapéu de Ferro e da mítica alma penada A Velha da Égua Branca, armada de um toucado infernal e de faca pronta na mão. Contos para todos os gostos e para todo o tipo de interpretações, sejam eles seres interiores ou sejam eles seres exteriores.

 

O Homem de Chapéu de Ferro

 

"Aparece logo que dá meia-noite e o galo canta, à beira das estradas, por baixo das oliveiras, das figueiras ou junto às fontes. Vagueia até à terça noite umas vezes acompanhado de um porco preto que grunhe de momento a momento, outras de um grande veado cuja armadura toca o zimbório das torres ou ainda de um galo negro como a noite de trovões. Todos estes animais que acompanham o homem do chapéu de ferro, cada um na noite que lhe foi destinada, são o Diabo que toma diversas figuras. Esta entidade mítica tem o poder de afrontar a tempestade, de fazer parar o raio e de arrasar o mundo, caso o galo, o porco ou o veado o inquietem. Também, para se vingar dos homens que odeia, assalta-os, rouba-os e mata-os. Depois tudo é fumo e labaredas que saem da terra como vulcões. Traz um enorme chapéu de ferro enterrado na cabeça. E' uma figura colossal, tem a boca rasgada como a de um monstro, deitando chamas quando se enche de raiva, e a sua cor é a do bronze. Todavia foge quando avista a velha da égua branca."

 

A Velha da Égua Branca

 

«Aparece nas noites de luar montada numa égua branca, fazendo um barulho infernal pelos campos, e soltando os bois que ruminam debaixo das alpenduradas. Todo o barulho é feito com tachos e panelas de arame. — É a velha da égua branca o terror da meia-noite em pino.»

 

(texto: introdução/ final – Lewis Carroll/Wikipédia; imagens: google.com)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:19

Asteroid 2012 DA14 to sweep close on February 15, 2013

Sábado, 19.01.13

Asteroid 2012 DA14 will pass much closer than the orbit of the moon – closer even that orbiting geosynchronous satellites (22,000 miles)

 

A near-Earth asteroid – called 2012 DA14 by astronomers – will pass very close to Earth on February 15, 2013. Astronomers estimate that, when it’s closest to us, the asteroid will be about 21,000 miles (35,000 kilometers) away – much closer than Earth’s moon (about 240,000 miles away) – and closer even than some of our own orbiting satellites. Astronomers’ calculations of asteroid orbits can be trusted. After all, even decades ago, they knew enough about calculating orbits to send people to the moon and bring them safely back, and today we are able place our space vehicles in orbit around objects as small as asteroids. So, no, 2012 DA14 won’t strike us in 2013. There was a remote possibility it might strike us in 2020, but that possibility has been ruled out also.

 

(earthsky.org)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:38

Viagem ao Mundo da Gema do Ovo – e do seu irmão gémeo

Sexta-feira, 18.01.13

Vivemos no interior de um ovo com a gema como centro e a clara a acompanhar

 

O que estará para além da casca da nossa consciência?

E o que é que aconteceria se a partíssemos?

 

Gema e Clara são mais dois irmãos gémeos criados pelos nossos tutores alienígenas, nas suas simulações e experimentações realizadas desde há milhares de anos no nosso planeta, com o objectivo da criação de uma cadeia viável de seres vivos, evolutiva e autosustentada.

 

Os seus dois primeiros irmãos de classe e pioneiros na utilização para reprodução desta nova cadeia de montagem de derivados biológicos, foram expelidos num laboratório situado numa órbita geoestacionária à volta do nosso planeta, numa altura de elevada actividade solar e de fortes emissões de CME.

 

Como medida de protecção pré-natal contra os efeitos negativos provocados pelos raios cósmicos e pela radiação solar, num último download efectuado antes da execução da simulação e experimentação informática, o ADN dos dois irmãos gémeos foi reprogramado de modo a criar uma camada protectora exterior temporária.

 

Esta simulação teve no entanto um efeito secundário deveras inesperado: a composição química, a consistência orgânica e até a cor dos dois irmãos gémeos alterou-se significativamente, ficando Gema no interior do invólucro com uma característica tonalidade amarela e Clara no exterior sem cor e transparente.

 

As entidades alienígenas responsáveis pela realização desta simulação e pela sua completa execução, optaram pela preservação destes primeiros exemplares – não os arquivando de imediato por defeito de simulação – resolvendo integrá-los posteriormente na rede biológica a ser implantada na Terra.

 

Passados já milhares e milhares de anos de evolução os dois irmãos gémeos continuam felizes e inseparáveis, o que prova que até os erros cometidos pelas Entidades Superiores serão sempre úteis por natureza, desde que os simulados funcionem bem e saibam sempre como simular.

 

(imagem – spaceweather.com)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 15:06

True and False Captains

Quinta-feira, 17.01.13

Captain Jean Luc Picard: Engage!

 

Whoosh! The Enterprise engages its warp drive!

 

There they go! There they go! There they go! There they go! There they go!

 

Captain Peter Steps Rabbit: Engage!

  

Fuck! Portugal doesn’t engage its virtual drive!

 

And here we stay! And here we stay! And here we stay! And here we stay!

 

(Image: discovery.com)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 17:57

Mundos Paralelos

Segunda-feira, 14.01.13

Ficheiros Secretos – Albufeira

Territórios Esquecidos por Trilhos Não Mais Percorridos

 

Albufeira – O Castelo do Oceano, como a denominaram os árabes – foi construída sobre um intrincado conjunto de túneis subterrâneos que faziam as ligações entre o litoral e o interior, terminando alguns deles sobre cúpulas aí edificadas para protecção dos locais

 

A história da cidade de Albufeira – ocupada pelo Homem há mais de 4.000 anos – está intrinsecamente ligada ao início da ocupação alienígena da Península Ibérica, num período já muito remoto da sua Primeira Fundação e muitos e muitos anos antes dos acontecimentos que levaram mais tarde ao nascimento de Portugal. No entanto os vestígios da sua presença neste território – ao longo destes milhares de anos – ainda chegam espaçadamente até aos nossos dias, desde o conhecimento que já temos das suas movimentações actuais, até um passado recente de contactos irrefutáveis com entidades alienígenas – como foi o caso das aparições de Fátima no ano de 1917 – nunca esquecendo o verdadeiro motivo que levou as tribos do norte de África a invadir o sul da Europa, atravessando o mar Mediterrâneo – a partir de 711: o sonho de aí encontrar o paraíso proporcionado pelos Deuses criadores do Homem e com eles poder partilhar o seu poder e sabedoria. Alhambra é ainda um símbolo vivo dessa saudável loucura árabe que um dia no passado invadiu o sul da península, acabando por contribuir decisivamente para o ressurgimento do mito do Ente Superior, zelando cuidadosamente pela evolução saudável da sua criação e pela manutenção técnica do Paraíso. Por seu lado se recuarmos mais de cem anos na nossa história, Albufeira representa um dos marcos importantes da intervenção mais recente dos alienígenas nesta zona – por coincidência já ocupada pelos povos árabes no período em que ocorreram as invasões – com uma refundação das premissas fundamentais que justificaram a sua intervenção inicial (veja-se o caso dos incidentes de 1833 em Albufeira, com a resistência de toda a sua população contra os impiedosos e brutais guerrilheiros do Remexido e que levou à morte de quase duzentos membros da sua população, entre novos e velhos, ricos e pobres e até em camadas apoiantes de residentes estrangeiros). Daí a interacção dos alienígenas no desenvolvimento desta terra de pobres, de alguns agricultores e de uns tantos pescadores, que apesar de esquecida por muitos nas malhas confusas do tempo, contribuiu decisivamente para a saída progressiva e acelerada deste povo de uma noite interminável de sofrimento.

 

Os propalados vestígios da existência noutros tempos de um vulcão activo na zona da serra de Monchique – há mais de 70 milhões de anos – fazem parte integrante da mitologia popular algarvia transmitida através de sucessivas gerações pelos nossos antepassados (alguns deles já apresentando características híbridas e pejorativamente denominados de mouros)

 

Numa viagem realizada há cerca de trinta anos à remota zona do Algarve com o objectivo de melhorar o seu conhecimento e integração na sociedade indígena aí residente – no sentido de potenciar uma mais vasta partilha e encontro de soluções mutuamente interessantes e profícuas – o cientista e líder do Movimento Ideologicamente Anormal (MIA) dirigiu-se em primeiro lugar para a zona envolvendo a serra de Monchique, de modo a observar o local mágico de implantação do extinto vulcão do sul de Portugal nesta zona tão cheia de mistérios e de misticismos do barrocal algarvio. Os documentos e mapas antigos que o acompanhavam falavam claramente de um vulcão activo nesta região, com diversas chaminés vulcânicas de escoamento de material, uma delas situada na conhecida Praia da Luz em Lagos. O vulcão principal situar-se-ia nas proximidades da vila de Monchique – na Fóia (902m de altitude) – com ligação subterrânea a um possível vulcão gémeo, mas de menores dimensões, situado num local de menor altitude a Picota (774 metros de altitude). Após longas caminhadas a pé e de um exaustivo estudo de todas as características geológicas da região, o cientista constatou que na origem de todo este processo de transformação à superfície – com o aparecimento do vulcão, a sua extinção e seu possível retorno à actividade – teria estado um fenómeno conhecido como de subducção, que no caso específico da costa sul de Portugal se reflectiria no mergulho da placa oceânica sob a placa continental. No passado já muito remoto esse vulcão teria na realidade existido, mas apenas os contos populares e a nossa necessidade de contar histórias e de reinventar os nossos sonhos, o tinham empurrado até ao presente. E aí até ajudava à criação deste mundo hipnótico de encantamento a beleza dos desfiladeiros existentes entre os picos da serra, a descida quase que em escada ondulante até ao mar aqui tão perto e essas águas quentes, interiores e misteriosas vindos da profundidade da terra, nas famosas termas milagrosas e curativas das Caldas de Monchique: de Albufeira até Monchique era como se nos teleportassemos instantaneamente de um deserto calcinante de areia para um oásis ainda virgem e com calçada a sienito.

 

Uma porta representa sempre a entrada para uma nova realidade – o problema é que nem sempre as vemos como devíamos, esmagados pela sobreposição de portas que não levam a lado nenhum e que apenas aí são colocadas para nos confundirem e nos levarem a optar pelo suicídio oficial não assistido como opção de vida válida e alternativa

 

A nossa jornada iniciou-se por volta das seis horas da manhã de um dia frio de Dezembro do ano passado, com uma concentração marcada para o Mercado dos Caliços em Albufeira, rigorosamente equipados da respectiva bicicleta e de uma mochila de apoio. O plano era aproveitar as primeiras horas do dia para se iniciar tranquilamente a viagem de bicicleta em direcção à cidade de Silves, onde se deveria chegar por volta do meio da manhã, depois de uma pequena paragem intermédia na Quinta dos Avós situada nos arredores do Algoz, para degustar um delicioso D. Rodrigo e engolir de rompante um bom copo de medronho. Chegados a Silves dirigimo-nos imediatamente ao museu arqueológico situado junto à Câmara Municipal da cidade, onde nos iríamos encontrar com um elemento pertencente a um grupo ligado à espeleologia algarvia, que nos iria fornecer um mapa considerado apócrifo – mas com muitíssimas excepções contraditórias – abrangendo em profundidade todo o subsolo de uma vasta área geográfica, englobando os concelhos de Silves, de Portimão e de Lagos. Foi um indivíduo de cara meio oval e olhos grandes de felino com o seu corpo magro e longilínio oculto sob uma capa escura e pesada, que apressadamente nos entregou um pequeno envelope azul perdendo-se de seguida nas ruelas que subiam vertiginosamente em direcção ao castelo. Descemos então em direcção á margens do rio que atravessava a cidade, reflectindo sobre o estranho episódio connosco há poucos minutos ocorrido e com as informações que o envelope poderia conter e revelar. O documento comportava um mapa geológico detalhado e tridimensional da região, referindo-se pormenorizadamente à constituição do seu subsolo a diferentes níveis de profundidades e identificando rigorosamente uma intrincada rede de túneis subterrâneos intercomunicando-se em determinados pontos de referência e espalhados por todo o subsolo da região. E ainda um texto traduzido com informações suplementares sobre o mapa que acompanhava em anexo, onde era fácil de perceber a localização de certos pontos aí bem assinalados e que pareciam representar portas de acesso para essa fantástica e impensável rede subterrânea de túneis. Montados nas nossas bicicletas partimos em direcção a uma das portas assinaladas no mapa, atravessando grandes e coloridas extensões de laranjais com uma casa ali e outra acolá, até começarmos finalmente a divisar lá ao fundo Portimão – e uns vislumbres do rio Arade – o que significava que a zona das grutas de Ibne-Ammar estava próxima. O conjunto das duas grutas aí existentes faria parte de um outro conjunto mais vasto de saídas de emergência, enquanto o que o mapa assinalava era um ponto referenciado como uma entrada: descoberta concretizada ao fim de algum tempo de árduo trabalho, já que a mesma se encontrava encoberta por um denso aglomerado de arbustos e desperdícios. O símbolo ainda lá estava, negro e circular e parecendo querer engolir-nos.

 

Há milhões de anos atrás a zona costeira a que hoje chamamos Algarve poderia estar situada numa zona de transição geológica entre o mar – terrenos cobertos de água – e a terra – terrenos sem água à sua superfície, zona essa que poderá ter sido completamente alterada – com afundamentos e elevações de terrenos – devido a movimentações e choques violentos ocorridos entre placas tectónicas

 

A superfície do nosso planeta está há milhões e milhões de anos em constante transformação geológica e evolução ambiental, desde os momentos iniciais da sua formação como corpo estruturado, até ao momento em que o homem um dia apareceu, se adaptou e nele se desenvolveu. No caso da Península Ibérica e mais especificamente tratando-se de toda a sua zona sul, a contiguidade com toda a zona do mar Mediterrâneo e a presença de falhas geológicas activas e muito próximas, poderá ter originado no passado distante a ocorrência de catástrofes naturais de uma grande dimensão e violência, proporcionando grandes migrações populacionais e alterações dramáticas na constituição e topografia terrestre e marinha. Vastas zonas afundando-se sobre as placas tectónicas e outras erguendo-se repentinamente pela existência de fortes pressões exercidas entre elas e actuando em sentidos contrários. Os colaboradores alienígenas já tinham conhecimento destas modificações geológicas ocorridas ao longo da História da Terra, porque já por cá andavam há muito tempo, chegando mesmo a contribuir indirectamente para o recomeço de muitas civilizações antigas colocadas por vezes muito perto da sua extinção, pelo surgimento de acontecimentos imprevisíveis, incontroláveis e de consequências devastadoras para todas as espécies existentes à sua superfície. Foi assim com muito espanto e admiração que os seus aliados terrestres do Algarve receberam a informação de que toda a zona do Mediterrâneo teria sido no passado uma grande planície muito rica e fértil, habitada e com paisagens magníficas, que se terá afundado progressivamente ao ser devastada pela erupção de vulcões e terramotos devastadores e que terá desaparecido definitivamente debaixo do mar quando a barreira natural que separava a zona do oceano Atlântico se desmoronou, provocando a inundação das zonas restantes que ainda se encontravam à superfície. As enormes minas de sal-gema de Loulé seriam uma prova de que anteriormente estas terras teriam estado cobertas pelo mar, enquanto os túneis subterrâneos espalhados por todo o Algarve concentrar-se-iam mais em antigas zonas onde teriam existido anteriormente vulcões activos, como o que terá existido na região de Monchique actualmente adormecido. Mais tarde o Homem terá aproveitado estas grutas, cavernas e túneis como local de refúgio, armazenamento e caminho seguro, para aceder a outras zonas próximas e privilegiadas, contando muitas das vezes com a colaboração de tecnologia alienígena de trabalho em profundidade, para a criação e aproveitamento desta rede social e desta nova realidade. Agora esquecida.

 

O que é a realidade? Mais um sonho em que nós somos intervenientes mas que pode terminar de um momento para o outro e até voltar a recomeçar? Ou não será a realidade apenas mais uma abstracção cronometrada entre o momento do nosso nascimento e o momento da nossa morte, apenas para não nos apercebermos que existem outros mundos? As portas existem nós é que não as vemos!

 

Vivemos um momento de embrutecimento degenerativo e colectivo, em que aqueles que ainda e sempre tiveram dinheiro e poder, não se podem dar ao luxo de ajudar quem não o tem, dado estes últimos e por definição não terem capacidade para dar nada em troca ou seja negociar.

 

Deste modo não poderemos esperar nada do estado, senão a nossa crescente degradação e obliteração e a concentração progressiva das elites em campos de concentração de luxo, antes da partida para o seu prometido Paraíso do Extermínio no dia do Juízo Final.

 

Apenas nos restam os estrangeiros, venham eles de onde vierem, sejam de leste, africanos ou asiáticos, ou mesmo outros alienígenas vindos de outras paragens desconhecidas: pensar é ainda uma responsabilidade inerente à nossa sobrevivência, como animais racionais e conscientes que ainda julgamos ser!

 

Encontrei o velho alienígena por mero acaso quando regressava já de noite ao meu veículo que deixara estacionado num parque público de Quarteira junto à zona do Mercado e ao lado de uma já velha auto-caravana de matrícula estrangeira. Ao dirigir-me para o meu veículo o alienígena abriu subitamente a porta da sua auto-caravana e surpreendido com a minha inesperada presença, primeiro assustou-se e encolheu-se mas de imediato me reconheceu e tranquilamente me convidou a entrar. Com ele bebi um retemperador chá de ervas colhidas no barrocal algarvio, enquanto o ouvia dizer com a profundidade de todo o seu conhecimento bebido a partir de fontes populares da região que “no nosso mundo existem muitos outros mundos que se completam, abandonados por nós em territórios esquecidos, devido à não utilização dos antigos caminhos do conhecimento ”.

 

(imagens: espeleomalaga.com – O Mundo Subterrâneo/Athanasius Kircher)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 02:46

Ficção de Felino

Domingo, 13.01.13

Chegaram neste último fim-de-semana ao novo aeroporto de Alcochete os dois filhos de Lourenço das Arábias – imigrante português que enriqueceu com negócios pouco claros estabelecidos em diversos países árabes – actualmente detentores maioritários de acções da SAD do Felino, por compra directa efectuada recentemente em diversos balcões do banco VÉS. “Tomarão posse de propriedade e do respectivo controlo de posição no momento considerado pelos próprios o mais adequado” – declarou o porta-voz da defesa dos interesses do imigrante português e dos seus filhos, o cândido e leve banqueiro de nome Espírito Santo (o melhor que se pôde arranjar na altura, face à ausência do nome do pai e do nome do filho).

 

Nova Comissão Directiva da SAD do Felino à chegada ao aeroporto de Alcochete – com os mais crentes entusiasmados nas bancadas

 

Os filhos vêm acompanhados por um grupo de especialistas na análise dos recursos humanos postos à sua disposição pela nova SAD do Felino, estando para já programado um primeiro teste psicotécnico destinado especificamente aos seus actuais dirigentes, de modo a conferir definitivamente o seu coeficiente de inteligência e verificar aí a real situação económica da SAD do Felino. Aproveitando o interregno até à sua tomada de posse oficial, os filhos de Lourenço das Arábias deslocaram-se de TGV até à cidade de Madrid, onde foram fazer compras ao Corte Inglês local, aproveitando a ocasião para fumar um cigarro e comer umas tapas. Pode ser que entretanto, o outro faça um milagre!

 

(imagem – google.com)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:55

Viagem Fantástica

Sexta-feira, 11.01.13

Ficheiros Secretos – Albufeira

Informações sobre a Missão Messier31

 

Superfície do planeta Vicente – nome aqui atribuído em memória do Beato Vicente – situado nas imediações do super maciço buraco-negro localizado bem no centro da galáxia M-31 e planeta de origem dos aliados alienígenas

 

Foi lançada de uma base secreta subterrânea situada na zona de fronteira entre o Algarve e o Alentejo, uma nave espacial tripulada conjuntamente por experientes pilotos algarvios formados em instituições conceituadas do nosso país e por aliados alienígenas provenientes da galáxia M31 – situada a 2,5 milhões de anos-luz da Terra – aqui residentes e movimentando-se na clandestinidade. A viagem tem como objectivo a continuação da investigação da evolução das duas galáxias vizinhas – M31 e Via Láctea – previstas para colidirem daqui a cerca de 4 biliões de anos e o aprofundamento do estudo das implicações que este evento terá, para a evolução desta zona do Universo.

 

Mapa parcial do trajecto da sonda no interior do buraco de minhoca a ser utilizado na deslocação ao planeta Vicente, com a identificação de diversas ramificações e estações intermédias de transferência

 

A sonda espácio-temporal será inicialmente direccionada para uma zona pré-determinada do espaço exterior nas proximidades do planeta Terra, utilizando um novo tipo de combustível propulsor de alta eficiência de modo a vencer rápida e eficazmente a força da gravidade terrestre, reservando ainda suplementarmente recursos alternativos para outras situações de emergência que possam ocorrer. Ao concluir a sua primeira fase da viagem – e que colocará a nave no local de acesso à entrada espácio-temporal que a levará em direcção à galáxia M-31 – a sonda porá então em funcionamento o módulo alienígena nela instalado, o que possibilitará aos seus tripulantes a utilização de um buraco de minhoca conhecido e utilizado diversas vezes pelos alienígenas, para a realização de viagens entre pontos muito distantes situados entre galáxias.

 

Situado na galáxia M-31 o planeta Vicente é um pequeno corpo celeste orbitando uma das muitas estrelas azuis aí localizadas, com um núcleo central ainda jovem e activo e que lhe proporciona a existência de um movimento de rotação semelhante ao do planeta Terra, sendo coberto por camadas em constante transformação – líquidas e gasosas – e permitindo a existência de viva assistida

 

A chegada ao planeta Vicente foi espectacular: ainda mal tinham deixado o planeta Terra e já se abria diante de si uma imagem de um outro mundo, um espaço desconhecido e fantástico pejado de estrelas, com um buraco negro no seu centro e com outras galáxias próximas – como a M-32 e a M-110 – interagindo ininterruptamente desde o passado. Poucos segundos depois – o tempo passado a visionar maravilhas é sempre tão diminuto para o infinito que nos é oferecido – estávamos já na periferia de Vicente, olhando hipnoticamente a superfície bizarra deste pequeno e perdido planeta, que à primeira vista de um ser humano tendo vivido sempre na Terra, fazia lembrar um mundo de vagas ondulantes sobrepondo-se protectoramente sobre o planeta, alimentando-o de vida e do movimento transformativo necessário ao estabelecimento de comunicações orgânicas, necessárias à sua preservação como entidade prevalente num instante de um ponto desse Universo. A sonda atravessou toda a atmosfera do planeta (estado gasoso), mergulhando então nas camadas subsequentes que constituiriam a parte central e habitada do planeta e que poderiam ser mar (estado líquido) ou terra (estado sólido). O contraste das texturas presentes era formidável e a profusão de cores no céu que cobria este surpreendente corpo celeste, só era mesmo ultrapassado pelo visionamento brutal e esmagador do enorme buraco negro que parecia querer sorver toda a luz à sua volta. Mas para là dele, surgiria de certo outro Universo.

 

Urbe visitada de Azophi: cidade assim nomeada em honra do astrónomo persa com o mesmo nome, que primeiro detectou essa pequena nuvem visível no espaço universal – mais tarde conhecida como galáxia M-31 – e onde se encontra o planeta Vicente

 

A cidade estava coberta por uma camada reflectora que a escondia do exterior – parecendo à primeira vista ondas em expansão. Ultrapassada essa fronteira a vista era surpreendente: a urbe estava organizada concentricamente em torno do porto aéreo (aqui representado a azul) – zona onde se encontrava toda a estrutura de apoio económico e social – e de onde partiam todas as estradas de comunicação (aqui representado a branco) em direcção ao círculo que a rodeava e que a separava do mar local.  Toda esta estrutura celular se encontrava rodeada por um sistema de muralhas de protecção contra agentes agressivos vindos do exterior – como muitos dos raios perniciosos emitidos e atravessando constantemente toda a galáxia – que se fecharia hermeticamente em caso de ocorrência de qualquer tipo de evento de consequências mais graves, que pudessem por imediatamente em causa a continuação da vida existente sobre a superfície deste planeta. Para os terrestres parecia uma ilha fortificada à procura do seu futuro, como o sucedido com a Grã-Bretanha na sua luta pela existência, ocorrida durante a última guerra mundial terrestre.

 

O portal artificial foi criado recorrendo-se a tecnologia alienígena utilizando um simulador portátil de um quasar – corpo celeste com as maiores emissões de energia conhecidas, nascido a partir da colisão de galáxias passadas

 

No regresso às origens a sonda tripulada pelos terrestres e alienígenas pertencentes à missão Messier31, acedeu a um pequeno portal artificial e alternativo de transporte, criado por uma outra raça ainda desconhecida por muitos dos habitantes ordinários destas galáxias, o que tornou a viagem de retorno à Terra mais uma vez um acontecimento extraordinário e alucinante para os terrestres, dispostos de uma forma anormal num outro contexto do Universo, com muitos parâmetros e realidades até agora intocáveis, postos consecutivamente em causa e demolidos mental e definitivamente. As sensações obtidas nesta viagem ficariam para sempre marcadas no consciente/subconsciente destes tripulantes, provocando um aparecimento assertivo de percepções reais ou imaginárias, capazes de poderem ajudar a abrir no futuro da humanidade, zonas do cérebro ainda bloqueadas à noção de infinito e de caos e à incoerência irracional da necessidade de qualquer transformação, necessitar sempre de identificar o seu princípio e o seu fim para existir. Mas para quê, se todos nós somos filhos de um espaço sem tempo?

 

(imagens de seres microscópicos – NG)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:56

Construção de uma cidade em Marte

Sexta-feira, 11.01.13

Lê com atenção antes que seja tarde de mais:

 

Vegetariano

 

És vegetariano?

Gostas de explorar sensações extremas?

E de viajar para outros planetas?

 

Colónia

 

A companhia de transportes espaciais SPACE X pode concretizar o teu sonho!

Oferecemos-te um lugar na nossa colónia a construir em Marte.

Por apenas 500 dólares americanos.

 

Falcon

 

Colónia lançada sob a presidência de ELON MUSK e planeada para 80.000 pessoas.

Primeira carga a ser transportada brevemente em direcção ao planeta Marte.

Nave de carga equipada de um revolucionário foguetão da geração FALCON.

 

Descobrimentos

 

Não percas esta oportunidade para emigrar e transformar-te num verdadeiro ALIEN.

Informa-te junto do teu Governo. Adere às novas descobertas portuguesas.

Transforma-te num pioneiro desta nova era da indústria espacial.

 

Modo de Pagamento: PAYPAL

 

(baseado em notícia – disinfo.com/imagens – google.com)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:01

A Normalização da Pena de Morte

Sexta-feira, 11.01.13

Tens uma sensação estranha que te corrói as entranhas?

 

 

É porque és tu que estás aqui enjaulado!

 

(imagem – SAPO)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 02:15

ISON

Quinta-feira, 10.01.13

O cometa do século (pela sua visibilidade)

 

Imagem do cometa ISON capturada no observatório astronómico privado de John Chumack – localizado no Ohio – no dia oito deste mês.

 

O cometa que para já, não parece grande coisa

 

Later this year, Comet ISON could put on an unforgettable display as it plunges toward the sun for a fiery encounter likely to turn the "dirty snowball" into a naked-eye object in broad daylight. At the moment, however, it doesn't look like much.

 

"Comet ISON (C/2012 S1) is currently in the constellation Gemini, moving between the heads of the twins Castor and Pollux," says Chumack. "It is still pretty faint, near 16th magnitude, but don't be fooled by that. This could become one of the best comets in many years."

 

Comet ISON is a sungrazer. On Nov. 28, 2013, it will fly through the sun's outer atmosphere only 1.2 million km from the stellar surface below. If the comet survives the encounter, it could emerge glowing as brightly as the Moon, visible near the sun in the blue daylight sky. The comet's dusty tail stretching into the night would create a worldwide sensation.

 

Comet ISON looks so puny now because it is so far away, currently near the orbit of Jupiter. As it falls toward the sun in the months ahead it will warm up and reveal more about its true character. By the summer of 2013, researchers should know whether optimistic predictions about Comet ISON are justified.

 

(imagem e texto: spaceweather.com)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 22:32