Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

03
Jun 13

“No século passado muitos dos nossos sonhos, instantaneamente e como que se por magia, transformaram-se em realidade”


O Homem na Lua

 

Quem nasceu no passado século XX teve o privilégio de viver numa das épocas mais pujantes e prometedoras da história conhecida da humanidade, desde o aparecimento do Homem à superfície do planeta Terra. Começando desde logo com o desenvolvimento tecnológico dirigido aos meios de comunicação, transformando a rádio e a televisão em verdadeiras estradas de ligação entre todas as localidades e o mundo, invadindo territórios até aí inalcançáveis e fazendo aí chegar mensagens de todos os tipos como as políticas, as científicas e até maioritariamente as de mais puro entretenimento. Que posteriormente e como consequência natural da evolução e da expansão de todo este processo, deu origem ao desenvolvimento do telefone e ao aparecimento do surpreendente computador, que então associados numa comunhão espectacular, nos ofereceram essa maravilha fantástica chamada internet. Nunca esquecendo os avanços registados nos campos da física, como é o caso da teoria da relatividade e da mecânica quântica, que se por um lado levaram à descoberta da energia nuclear e negativamente das armas nucleares como a bomba atómica, por outro lado ajudaram a abrir definitivamente as portas para acedermos finalmente ao espaço desconhecido que rodeava o nosso planeta Terra. Como no caso do início dos voos espaciais em plena guerra-fria entre as duas grandes potências e rivais USA e URRS e o lançamento da missão Apolo em direcção ao único satélite conhecido da Terra a enigmática Lua: quem não esteve em Portugal durante toda a madrugada e diante de um televisor (a preto-e-branco) a ver fascinado os astronautas norte-americanos a passearem sobre a superfície deste mundo alienígena, sem ter aquela sensação de aventura e curiosidade na procura de algo mais ou seja, dum futuro promissor. E recordando ainda – vindo dos recantos mais protegidos da nossa memória – Christiaan Barnard e o seu primeiro transplante ao coração realizado na África do Sul do apartheid, a explosão do rock n´roll e do jazz nos Estados Unidos da América, sempre acompanhados no seu percurso pela beleza primordial dos blues, o aparecimento e rápido desaparecimento de Che Guevara líder da revolução cubana e guerrilheiro internacionalista, o eterno conflito palestiniano sempre com os mesmos convidados e intervenientes, suportados por mediadores apenas interessados em lhes fornecer armas e manter assim o equilíbrio nessa zona e o acesso ao lucrativo mercado petrolífero, ou mesmo os acontecimentos do Maio de 68 em França, o início da queda do império soviético – com a consequente queda do muro de Berlim – e o grande momento que foi o acontecimento registado do dia 25 de Abril de 1974, levado a cabo pelo Movimento das Forças Armadas (MFA).


O Homem na Terra

 

“Neste século muitos desses sonhos reais esfumaram-se, como se nunca tivessem existido, ficando nós com muitos dos nossos pesadelos, agora tornados reais”

 

Hoje o tempo dos sonhos acabou. Os mesmos que incentivaram nos últimos tempos à política restritiva e protectora do “rebanho”, com o seu pastor oficial e especializado a orientar a sua força bipolar – ovelhas, carneiros e cabras como mão-de-obra preferencial e como matéria-prima descartável – constatam hoje em dia e como evidencia que já todo o mundo reconheceu desde os tempos áureos do nazismo e da execução de excedentários – judeus, ciganos, pretos, pobres e outras raças inferiores – que a junção de mão-de-obra e matéria-prima resulta num produto inviável e contraproducente: não se pode vender um produto a um outro produto, sem estabelecer relações de escala entre níveis e entidades diferentes, que inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, não termine na destruição de ambos por incompatibilidade de ocupação simultânea do espaço único de mercado. Veja-se o último caso verificado na nova grande potência asiática e verdadeira detentora do poder absoluto imposto pelo dólar – a China – no que diz respeito às relações pessoais e sobretudo ao mercado reprodutor de modas e imagens subliminares, que proporcionou nas notícias mais recentes que chegaram até nós, um novo registo desta barbárie neo-liberal (que a Europa tanto quer imitar), em que num mesmo espaço vivo e reprodutivo de mais-valia, num incidente provocado pelo extremar das solicitações estritamente económicos levados ao seu limite máximo de exploração e por partilha indevida de espaço entre objectos e sujeitos, um incêndio num aviário levou à morte de animais e pessoas que conjuntamente e antes da sua morte, eram convidadas e obrigadas a partilhar a mesma zona desta fantástica por exemplar linha de montagem.

 

Nesta parte inicial do século XXI, precisamente quando iniciamos o terceiro milénio após o aparecimento do marginal Jesus Cristo – filho de uma virgem provavelmente extraterrestre e de um ilustre desconhecido pretensamente carpinteiro (nunca esquecendo a sua companheira de juventude, Madalena a prostituta) – já nem nos nossos pais e avós acreditamos, postos de lado pelo seu excesso de idade e pelo seu inconsequente e irresponsável regresso à infância e pelo impacto contraproducente provocado pelo seu rápido desgaste e menor reprodução de mais-valia. Se ontem deixávamos os nossos velhos a morrer abandonados à sua sorte na montanha, hoje só os queremos ver pelas costas vivos ou mortos – seja como for, seja onde for, seja quando for – mas sempre não identificados e de preferência desqualificados, de modo a mais eficazmente os roubarmos e humilharmos e assim os esquecermos para sempre, como se nunca tivessem existido.

 

Deste modo nem à galinha poderemos recorrer para defendermos a nossa identidade, não conseguindo reconhecer sequer o ovo de Colombo.

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 17:13

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