Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

05
Jun 13

Ontem compravas um LP e ias para casa ouvir até à exaustão o que ele nos oferecia, deixando-te transportar mentalmente para outros mundos e com eles reconhecendo e reaprendendo o nosso território e até melhorando o dos outros. Era como se lesses um livro e nele te integrasses como personagem capaz de o reinterpretar ou refazer – ou seja pensar. Hoje basta ter uma boa memória fotográfica e dizer sim a tudo o que de bom nos oferecem – mesmo que à custa de todos os outros – para sermos considerados felizes, consagrados e realizados. Tudo o resto são pormenores ou danos colaterais.

 

Em Nome dos Amantes da Cultura e da Memória

 

“Em 1969, HAVENS abriu o Festival de WOODSTOCK; ele foi aclamado pela multidão e foi tocando até ficar sem músicas, decidindo improvisar uma versão de "MOTHERLESS CHILD", a qual ele acrescentou um verso com a palavra "FREEDOM" repetida várias vezes. Esta versão transformar-se-ia em um sucesso internacional com o lançamento do documentário Woodstock em 1970”. (Wikipedia)


           

Woodstock – 1969

 

O Festival de Woodstock faz parte integrante da minha memória futura, apenas porque o vivi no passado e sempre o acompanhei no presente, desde o Portugal Salazarista em que se procurava sofregamente a cultura – importando-a do exterior e vivendo-a numa aventura “com uma censura sem limites, mas sem limites de censura” – passando pelo Portugal de Abril com os seus sôfregos estudiosos da cultura, do conhecimento e da música, como foi o caso do musicólogo e professor da FLUP Jorge Lima Barreto, até à época do aparecimento e consolidação progressiva dos mercenários da pós-modernidade portuguesa, alicerçados e reforçados no seu refundado poder oligárquico, em três pilares fundamentais: no analfabetismo persistente e deliberado, na recusa imoral e lobotomizadora da utilização da memória individual e colectiva e no recurso a manuais resumidos e constantemente actualizados e corrigidos. Com o único objectivo divino – e com garantia de sucesso – o da obtenção do bilhete dourado para acesso garantido a um emprego – não a um trabalho ou ofício – e a outras mordomias sequenciais. 

 

(imagens – retiradas da Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:23

04
Jun 13

Ao fazermos a travessia do deserto revivemos com as miragens algo de real e de maravilhoso.

Sempre rodeado duma estranha e mágica beleza ainda e para nós em modo incompreensível.

Muito semelhante no entanto ao espaço de sonho vivido no curto período da nossa juventude.


Chorar faz parte integrante do nosso ciclo de vida

 

Nasci na Terra do Faz de Conta e nunca mais me esqueci dela. Muitos desses primeiros anos aí vividos passei-os inconscientemente e sem grandes pontos de referência – que me orientassem no mapa da terra onde nascera – talvez por nunca me preocupar com nada e por todos me abrirem por essa altura todas as portas que esse mundo me oferecia. E talvez por nunca ter autorizado a sua partida definitiva não tenha grandes recordações pessoais da Terra do Faz de Conta, não só por me ter preocupado apenas tal como todas as outras crianças ingénuas e inconscientes em viver unicamente o momento – o mais intensamente possível e sem paragem para intervalos – mas também porque as brincadeiras e os jogos com que aprendemos e posteriormente imitamos são a fonte eterna da nossa juventude. Que só um pouco antes de morrermos e sem que os outros possam saber disso, revivemos a espaços.

 

(imagem – Noblemania)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:31

03
Jun 13

“No século passado muitos dos nossos sonhos, instantaneamente e como que se por magia, transformaram-se em realidade”


O Homem na Lua

 

Quem nasceu no passado século XX teve o privilégio de viver numa das épocas mais pujantes e prometedoras da história conhecida da humanidade, desde o aparecimento do Homem à superfície do planeta Terra. Começando desde logo com o desenvolvimento tecnológico dirigido aos meios de comunicação, transformando a rádio e a televisão em verdadeiras estradas de ligação entre todas as localidades e o mundo, invadindo territórios até aí inalcançáveis e fazendo aí chegar mensagens de todos os tipos como as políticas, as científicas e até maioritariamente as de mais puro entretenimento. Que posteriormente e como consequência natural da evolução e da expansão de todo este processo, deu origem ao desenvolvimento do telefone e ao aparecimento do surpreendente computador, que então associados numa comunhão espectacular, nos ofereceram essa maravilha fantástica chamada internet. Nunca esquecendo os avanços registados nos campos da física, como é o caso da teoria da relatividade e da mecânica quântica, que se por um lado levaram à descoberta da energia nuclear e negativamente das armas nucleares como a bomba atómica, por outro lado ajudaram a abrir definitivamente as portas para acedermos finalmente ao espaço desconhecido que rodeava o nosso planeta Terra. Como no caso do início dos voos espaciais em plena guerra-fria entre as duas grandes potências e rivais USA e URRS e o lançamento da missão Apolo em direcção ao único satélite conhecido da Terra a enigmática Lua: quem não esteve em Portugal durante toda a madrugada e diante de um televisor (a preto-e-branco) a ver fascinado os astronautas norte-americanos a passearem sobre a superfície deste mundo alienígena, sem ter aquela sensação de aventura e curiosidade na procura de algo mais ou seja, dum futuro promissor. E recordando ainda – vindo dos recantos mais protegidos da nossa memória – Christiaan Barnard e o seu primeiro transplante ao coração realizado na África do Sul do apartheid, a explosão do rock n´roll e do jazz nos Estados Unidos da América, sempre acompanhados no seu percurso pela beleza primordial dos blues, o aparecimento e rápido desaparecimento de Che Guevara líder da revolução cubana e guerrilheiro internacionalista, o eterno conflito palestiniano sempre com os mesmos convidados e intervenientes, suportados por mediadores apenas interessados em lhes fornecer armas e manter assim o equilíbrio nessa zona e o acesso ao lucrativo mercado petrolífero, ou mesmo os acontecimentos do Maio de 68 em França, o início da queda do império soviético – com a consequente queda do muro de Berlim – e o grande momento que foi o acontecimento registado do dia 25 de Abril de 1974, levado a cabo pelo Movimento das Forças Armadas (MFA).


O Homem na Terra

 

“Neste século muitos desses sonhos reais esfumaram-se, como se nunca tivessem existido, ficando nós com muitos dos nossos pesadelos, agora tornados reais”

 

Hoje o tempo dos sonhos acabou. Os mesmos que incentivaram nos últimos tempos à política restritiva e protectora do “rebanho”, com o seu pastor oficial e especializado a orientar a sua força bipolar – ovelhas, carneiros e cabras como mão-de-obra preferencial e como matéria-prima descartável – constatam hoje em dia e como evidencia que já todo o mundo reconheceu desde os tempos áureos do nazismo e da execução de excedentários – judeus, ciganos, pretos, pobres e outras raças inferiores – que a junção de mão-de-obra e matéria-prima resulta num produto inviável e contraproducente: não se pode vender um produto a um outro produto, sem estabelecer relações de escala entre níveis e entidades diferentes, que inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, não termine na destruição de ambos por incompatibilidade de ocupação simultânea do espaço único de mercado. Veja-se o último caso verificado na nova grande potência asiática e verdadeira detentora do poder absoluto imposto pelo dólar – a China – no que diz respeito às relações pessoais e sobretudo ao mercado reprodutor de modas e imagens subliminares, que proporcionou nas notícias mais recentes que chegaram até nós, um novo registo desta barbárie neo-liberal (que a Europa tanto quer imitar), em que num mesmo espaço vivo e reprodutivo de mais-valia, num incidente provocado pelo extremar das solicitações estritamente económicos levados ao seu limite máximo de exploração e por partilha indevida de espaço entre objectos e sujeitos, um incêndio num aviário levou à morte de animais e pessoas que conjuntamente e antes da sua morte, eram convidadas e obrigadas a partilhar a mesma zona desta fantástica por exemplar linha de montagem.

 

Nesta parte inicial do século XXI, precisamente quando iniciamos o terceiro milénio após o aparecimento do marginal Jesus Cristo – filho de uma virgem provavelmente extraterrestre e de um ilustre desconhecido pretensamente carpinteiro (nunca esquecendo a sua companheira de juventude, Madalena a prostituta) – já nem nos nossos pais e avós acreditamos, postos de lado pelo seu excesso de idade e pelo seu inconsequente e irresponsável regresso à infância e pelo impacto contraproducente provocado pelo seu rápido desgaste e menor reprodução de mais-valia. Se ontem deixávamos os nossos velhos a morrer abandonados à sua sorte na montanha, hoje só os queremos ver pelas costas vivos ou mortos – seja como for, seja onde for, seja quando for – mas sempre não identificados e de preferência desqualificados, de modo a mais eficazmente os roubarmos e humilharmos e assim os esquecermos para sempre, como se nunca tivessem existido.

 

Deste modo nem à galinha poderemos recorrer para defendermos a nossa identidade, não conseguindo reconhecer sequer o ovo de Colombo.

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 17:13

02
Jun 13

Desde que se tornaram visíveis e poderosos, os tecnocratas do Apocalipse Moderno – vindos das profundezas da escuridão mental de milhões e milhões de cérebros manipulados e vítimas da lobotomia – sempre tiveram a ideia que seriam os agentes funerários da humanidade: e de tal modo se convenceram que o concretizaram.


Visão Tecnocrática do Futuro

(O Príncipe)

 

A Princesa estava em casa a apreciar a paisagem pós-apocalíptica da cidade onde sempre vivera.

Nunca pensara (no passado) estar a olhar tanto tempo (no presente) à varanda, sem ter nada que fazer, mas o que interessava agora é que ninguém se via nas proximidades onde ela se encontrava ou em qualquer outro local na vizinhança do espaço que a sua visão alcançava: só se via terra seca, morta e queimada sob um céu cor de fogo e de tipo indubitavelmente mortal, que cobria a paisagem sem remorsos e sem indícios mínimos de inversão, até ao limite na realidade imperceptível do horizonte.

Mas num dia do passado ainda muito presente e muito pouco esquecido o seu Príncipe prometido tivera uma ideia revolucionária e nunca antes tentada, que inconscientemente e por aplicação oficialmente contextualizada, lançara o mundo em direcção a um paradigma sem retorno, perspicazmente identificado e caracterizado pelas baratas pelo excelente curto e exacto termo extinção.

Arrependido mas não convencido o Príncipe partira na sua Máquina de Fogo em direcção às desconhecidas e distantes terras verdes, prometendo unicamente à sua amada que tudo faria para regressar e a salvar das novas forças da Natureza, oferecendo-lhe então e de novo um mundo transfigurado e alternativo.

Até lá a Princesa só teria mesmo que esperar pacientemente e auto-convencer-se que a esperança é a última coisa a morrer, pelo menos para aquelas pessoas que já estando mortas, ainda não se aperceberam disso, negando a morte ou então servindo-se dela.


Macaco de tópico

(O Topas)

 

Topam: a vida e a morte verdadeiramente não existem num colectivo infinito, só existindo um processo evolutivo e natural de transformação perpétua da matéria e de todo o seu processo caótico e organizado de construção do Universo, pelo menos enquanto existir energia e movimento e em planos complementares, sequenciais e paralelos.

 

(imagens – SPACE/NG)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 23:38

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