Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

01
Nov 14

Na passagem da noite de Halloween (de sexta para sábado) estava eu sentado muito tranquilamente na minha cadeira em frente do monitor do PC, quando me vi de repente frente a frente com um cartoon publicado num diário de Israel. Como informação adicional o site que estava a visitar não sendo o originário da publicação do cartoon (o diário Haaretz), também era de nacionalidade israelita (se não me engano o Times de Israel). E o que se passou a seguir foi muito interessante: sempre que tentava aceder ao referido cartoon ampliando-o ou ligando-o a outro link associado à notícia, logo o meu antivírus começava a dar sinal de alarme bloqueando o invasor; e como se não bastasse todas as ligações ao referido jornal onde Amos Biderman usualmente publicava os seus cartoons, estavam em baixo ou seja Mortos. Hoje já parece ter ressuscitado!

 

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O cartoon da polémica
(com Netanyahu aos comandos)

 

Este texto começa com a leitura de uma notícia relacionada e originada nos meios de comunicação social israelita, mencionando o aparecimento num diário de Israel dum cartoon polémico da autoria de Amos Biderman. Ainda por cima sem nenhuma explicação sobre o conteúdo que supostamente pretenderia transmitir (o que como todos sabemos expõe o mensageiro a todos os perigos, contidos e associados a essa mensagem).

 

No seu cartoon diário publicado no jornal hebreu Haaretz, Amos Biderman apresenta-nos uma imagem do actual Primeiro-Ministro israelita Benjamin Netanyahu pilotando um avião (com a bandeira de Israel) e dirigindo-se em rota de colisão em direcção às torres do World Trade Center (exibindo uma bandeira dos EUA). Que como todos nós ainda recordamos foram atacadas no dia 11 de Setembro de 2001 pelos terroristas da al-Qaeda, acabando por se desmoronar e provocando mais de 5.000 mortos.

 

Naturalmente que a publicação deste cartoon em Israel não poderia passar impune (e sem consequências) pelas mãos das autoridades e responsáveis do país, não só pela controvérsia que imediatamente provocou na sociedade israelita (fortemente condicionada na formação da sua opinião pela forte presença dos militares na estrutura e organização da sociedade civil, considerada como aparentemente normal num país assumidamente em guerra), como também pela mensagem verdadeiramente inadmissível que parecia desejar transmitir para generalidade da opinião pública.

 

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Outro cartoon de Amos Biderman
(ainda com a presença de Netanyahu)

 

Para uma melhor compreensão do objectivo que o cartoon de Amos Biderman pretendia alcançar, convém não esquecer que a gestão da política internacional levada a cabo pelo actual Primeiro-Ministro israelita Benjamin Netanyahu, tem vindo a ser fortemente atacada tanto fora como no interior do seu país: essencialmente pela continuação da sua estratégia de destruição criminosa dum estado ainda jovem e em formação como o da Palestina, através de intervenções militares violentas e brutais por desproporcionadas (vai tudo à frente incluindo mulheres, crianças e idosos, todos considerados potenciais terroristas) e ao mesmo tempo e provocatoriamente pela continuação da expansão dos colonatos (exercício ilegal segundo dezenas de declarações da ONU e sistematicamente ignoradas ao longo dos anos pelo estado de Israel). Netanyahu é acusado pela comunidade internacional (e alguma nacional) de arrogante e prepotente, continuando com a sua política de colonatos como uma acção vingativa e de retaliação – contra os terroristas palestinianos e diplomacia a eles associada.

 

Podendo levar a interpretações diferentes e até mesmo de sentidos opostos (mas qual é o mal disso, quando muitas das vezes são as hipóteses de explicação mais improváveis e consideradas ridículas, aquelas que representam na realidade a verdade) Biderman foi no entanto bastante claro ao afirmar (posteriormente) que apenas pretendia com o seu cartoon transmitir a ideia de que o Primeiro-Ministro de Israel estava a levar a cabo uma política desastrosa nas suas relações com os EUA – só comparável na sua escala de catástrofes (que poderiam ter sido evitadas) ao Evento de 9/11.

 

Mas como sempre faz quem detém o Poder, as actuais autoridades israelitas rapidamente ripostaram: e assim utilizando o twitter, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel afirmou tratar-se de um mero e insignificante caso de “imprensa sensacionalista”.

 

(imagens – Diário Haaretz/Amos Biderman)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:00

Durante a Noite de Halloween só podem ser mesmo Fantasmas:
Gostosuras ou Travessuras?

 

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O Monstro alcançou rapidamente a praia, escondendo-se entre as ruínas do paredão. Observou atentamente o cenário que se encontrava à sua esquerda e de imediato virou-se para a direita: desse lado a concentração de criaturas era maior e a sua movimentação indicava estar perto de um ponto central. Era demasiado forte o odor a carne fresca e o cheiro adicional a flora silvestre, só aumentava mais a sua fome. Concentrou-se no objectivo que o tinha trazido até aqui, relaxou o seu corpo um pouco tenso preparando-o para a investida e quando finalmente se sentiu na plena posse das suas capacidades psíquico-motoras, saltou.

 

Com o seu corpo atlético mas no entanto esguio e elegante, o Monstro invadiu a praia e o respectivo areal, dirigindo-se de imediato para as escadarias e subindo até à esplanada vizinha. Viu-se perante mais de uma centena de criaturas distribuídas de uma forma relativamente uniforme, que o olhavam completamente estáticos e parecendo meio imbecilizados, enquanto suavam como porcos e tremiam como as mulheres: em menos de cinco segundos completou a rotação em espiral (em torno do seu corpo de quase três metros), deixando logo ali estendidas e com as cabeças ao lado perfeitamente decapitadas, todas as criaturas presentes.

 

Seleccionou apenas meia dúzia delas. As restantes criaturas seriam rapidamente transformadas através de um processo de ultra compressão (utilizando nano tecnologia e tecnologias de inversão) e arrumadas criteriosamente no seu micro armazém de vácuo, que sempre transportava à sua cintura. Renovado o stock de Nível Um (o mais baixo na escala nutricional), o Monstro dirigiu-se então para as seis criaturas escolhidas: socorrendo-se de um bisturi a laser fez-lhes um orifício bem no cimo das suas cabeças decapitadas (mesmo na moleirinha), introduzindo de seguida um tubo em cada um desses seis orifícios entretanto criados (muito parecidos a umas palhinhas de refrescos).

 

Durante cerca de quinze segundos o Monstro deixou-se ficar (pensativo e ansioso) a olhar para os seis excelentes cocktails que certamente o esperavam – e dos quais pretendia usufruir em toda a sua plenitude – já que como anteriormente o tinham informado, o cérebro destas criaturas era considerado dos melhores entre muitas galáxias: delicioso (no gosto), suave (no tacto), persistente (no olfacto), intrusivo (na visão) e harmonioso (na audição), esta era uma das melhores pastas que muitos jamais tinham provado. Aproximou-se das “palhinhas” para dar início à degustação, sendo no entanto interrompido.

 

Em estado de fúria caótica e ilimitada rodou instantaneamente 360º, varrendo com o seu mini sequenciador de napalm toda a zona em seu redor. De seguida e sem parar enfiou boca abaixo os seis cocktails ali presentes e aí o seu corpo quase que explodiu de prazer: a mistura de sabores daqueles seis cérebros era deveras fantástica, apresentando aqui e ali verdadeiros relances de Sagrado e sendo mesmo capaz de provocar no Monstro uma grande ejaculação. Sentou-se então nas cadeiras de pedra a olhar para o mar: a noite estava linda e amena, com o mar a comportar-se como um lago sem ondulação e com a Lua Cheia lá em cima a olhar-nos toda contente como uma presa antes de ser comida.

 

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O Monstro estava um pouco embriagado: tinha acabado por dispensar do seu menu pré-estabelecido o resto do corpo das seis criaturas (os corpos estavam suados, sujos e cobertos de fezes) e como consequência os efeitos alucinogénicos induzidos pela mistura dos cocktails ainda perduravam: era Bom mas muito perigoso. Essa foi a ocasião escolhida por um grupo ainda numeroso de criaturas para ensaiar um ataque de surpresa, tentando matá-lo e destrui-lo: lançaram o ataque em simultâneo pelos dois lados, enquanto um grupo fortemente armado cobria a ruela intermédia, deixando um caminho por onde o Monstro pudesse fugir se por acaso se sentisse encurralado.

 

Na baixa da cidade a situação era completamente caótica e quase que apocalíptica, com muitas criaturas aos gritos, em pânico e em corrida louca e desenfreada no meio de outras criaturas fortemente armadas e parecendo policiais, enquanto que noutros ajuntamentos e no meio de uma enorme confusão e de música em alto volume, muitas delas completamente embriagadas chocavam e caíam – enquanto vomitavam, se atropelavam e se esmagavam, no entanto sempre felizes e sorridentes. Enquanto isso na zona da esplanada junto à praia o ataque das criaturas em revolta iniciara-se e pelo desenrolar dos poucos segundos de desenvolvimento do mesmo, a batalha seria extremamente curta.

 

Na parte alta da cidade a terrível novidade ainda não tinha lá chegado. Nem nunca chegaria: por essa altura celebrava-se com grande estrondo e entusiasmo a noite de Halloween, pelo que qualquer tipo de notícia referindo-se a factos terríveis mas dignos e próprios para serem utilizados na comemoração desta data, não incomodavam ninguém, servindo apenas para embelezar um pouco mais todo o cenário montado para a ocasião. Assim ninguém à volta deu por nada e até que era impossível: no total o Evento iria durar dez minutos (se tanto). Na realidade a cidade estava dividida em três centros e o Monstro atacara a mais vulnerável: sempre assim procedera em nome da segurança.

 

Mal as criaturas passaram as barreiras electromagnéticas de segurança o alarme biológico e ambiental do Monstro disparou, induzindo no seu sistema nervoso uma reacção química automática que logo o activou e introduziu no cenário, processando-o de imediato em seu benefício: relativizando os movimentos das criaturas no espaço, o Monstro pode observá-las e estudá-las cuidadosa e profundamente durante as suas trajectórias pré-determinadas (em anteriores simulações), enquanto as ia vendo em câmara lenta e como se estivessem suspensas no ar, a deslocarem-se inconscientemente para as suas próprias mortes.

 

Os Monstros oriundos da Galáxia YAIH-666 tinham sido imensas vezes rejeitados por muitas das raças mais importantes e influentes do Universo, não pelas suas atitudes por vezes extremamente irracionais e violentas que sempre criavam atritos e conflitos extremamente difíceis de resolver, mas e de uma forma assertiva e comprovada, por uma particularidade orgânica ligado ao seu sistema biológico (mais precisamente ao seu aparelho digestivo) que resultava numa aparentemente simples e sem consequências nefastas excreção gasosa: que no entanto era extremamente tóxica e mortal e muito conhecida pelo nome ODIEP (cheirava a metano).

 

E foi com um grande estrondo digestivo que a parte da baixa se tornou numa cidade fantasma, como se tivesse sido atingida por uma bomba de neutrões.

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:11

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