Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

30
Nov 14

“O pior cego é o que não quer ver”
(ditado popular)

 

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O antigo líder Maia Pakal
(aqui como astronauta e pilotando a sua nave espacial)

 

Estava eu muito entretido a fazer as minhas pesquisas habituais de fim-de-semana na Internet, quando mais uma vez a minha mulher me veio chatear, agora com um problema qualquer que descobrira no aspirador: pelos vistos ainda não descobrira o terminal do tubo de aspiração do electrodoméstico e assim nunca poderia fazer a necessária limpeza de pó à casa. E como já era quase meio-dia de Domingo e pela uma e meia da tarde teríamos que estar em casa dos seus pais para almoçar, a conjugação do seu desespero e o aproximar rápido da hora estipulada para a refeição, lá me levou mais uma vez a abandonar a minha cadeira diante do monitor e a dedicar-me pessoalmente à busca do elemento desaparecido. Deixei então o PC com as páginas da Web que estava a consultar abertas e lá fui cumprir a minha missão. Como também já era habitual logo a minha mulher aproveitou o momento de pausa para limpeza para ir fazer a sua visita à Web, pesquisando assuntos de interesse seu. No fundo éramos um casal normal, o homem mais infantil e mais interessado em política, futebol e tecnologia e a mulher mais responsável, preocupada sobretudo com a sua imagem, família e a profissão.

 

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NASA – MARTE – CURIOSITY
(SOL 821 – 27.11.2014)

 

Ainda mal tinha começado a minha pesquisa e investigação profunda por todos os cantos da casa (com os cinco gatos a perseguirem-me por todo o lado pensando que lhes ia dar de comer), quando a minha mulher me chamou com gritos que pareciam demonstrar uma emoção um pouco descontrolada, enquanto ia tentando dizer duma forma muito pouco convincente (porque ela própria não acreditava completamente no que via) se não seria aquilo de que andariam à procura: e apontava para a página que eu acabara de abrir antes de deixar o meu anterior posto de trabalho (tempo de lazer também o é). Inicialmente só via mais uma paisagem árida e desértica tão característica da superfície do planeta vermelho (pelo menos nas imagens tratadas que a NASA sempre nos oferecera). Mas ela voltou de novo a apontar o seu dedo, mais especificamente utilizando o seu indicador da mão direita, projectando no monitor uma sombra que logo rodeou o que lhe chamava a atenção: nem queria acreditar no que via!

 

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MARTE – CURIOSITY – SOL 821
(imagem ampliada)

 

No primeiro segundo de observação pessoalmente não descortinei nada de relevante na imagem obtida pelo rover Curiosity. Mas face ao dedo erecto da minha companheira apontando em direcção ao centro do monitor, não pude deixar de verificar a existência de uma pequena anomalia no cenário que a NASA nos proporcionava: e usufruindo dos meus conhecimentos de leigo minimamente informado, verifiquei que algo ali presente não se encaixava no que aparentemente ali deveríamos encontrar, apresentando uma forma, aspecto e textura (artificial) completamente desenquadrada e que na nossa percepção imediata (e pela perfeição de manufacturação e semelhança com outros produtos familiares) se afigurava poder ser (mesmo) terrestre. Peguei então no rato e com a ajuda dos meus programas de software incorporados no processador do meu PC recortei a imagem (da NASA), ampliando a zona onde o artefacto se fazia salientar e expondo aí claramente a sua proveniência: estava perante um terminal de um tubo de aspiração de um electrodoméstico incrivelmente idêntico, ao utilizado em nossa casa! O artefacto encontrado sobre a superfície do distante planeta Marte era em tudo idêntico àquele que procurávamos e que ainda não tínhamos encontrado (talvez tendo perdido um pouco a sua cor original), só que pelo que sabíamos não existia vida em Marte nem os terrestres (em pessoa) por lá tinham passado. Ficamos os dois paralisados e estupefactos face ao que aquelas imagens poderiam significar para nós (tínhamos finalmente encontrado “a ou uma” peça) e para o mundo (afinal os terrestres já por ali poderiam ter passado, deixando inadvertidamente vestígios dessa sua presença).

 

No entanto não contactamos ninguém para lhes relatar o sucedido e por uma questão de prevenção e segurança (nossa) desfizemo-nos de imediato do nosso aspirador, aproveitando desde logo uma promoção temporária da Worten e substituindo-o por outro completamente diferente: “é que estarmos na posse de um forte indício, pode transformar-nos em loucos e criminosos”.

 

(imagem – Web e NASA/JPL)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 17:15

ÚLTIMA HORA
Advogado sobre SÓCRATES
(c/ artista como auto-convidado)

 

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Campus da Justiça

 

Q: Quem veio aqui representar?
A: Quem eu represento ou não represento é um assunto de que não posso falar.
S: É um homem digno e nem sequer foi julgado. (ouve-se ao fundo)


Q: Mas então pode-nos dizer o que lá foi fazer dentro?
A: Não posso esclarecer coisa nenhuma do que se passa lá dentro. Isso é arte, é a regra da arte.
S: Afinal o que é que ele fez? (ouve-se ao fundo)

 

Q: Mas se não nos diz o que se passou como poderemos nós informar?
A: Cheguei ao balcão, pousei a minha pasta e vim-me embora. Ainda não consultei o processo.
S: Tem sofrido muito e tem tido uma coragem extraordinária. (ouve-se ao fundo)


Q: Mas qual é afinal a razão por não nos falar do processo?
A: Há coisas que eu digo e há coisas que eu não digo. Há milhares de razões que me levam a dizer: eu não falo.
S: Isto é tudo uma infâmia. (ouve-se ao fundo)

 

Q: E agora o que vai fazer a seguir?
A: Vou-me embora e isso significa apenas isso, que me vou embora.
S: Põem-no a viver como se fosse um cão, aqui, ali, acolá. (ouve-se ao fundo)


Q: Pode explicitar a resposta?
A: Agora vou para sopas e descanso.
S: Isto é uma malandragem. (ouve-se ao fundo)

 

Q: E se for necessária a sua presença urgente?
A: Se o tribunal precisar de mim, telefona-me e eu venho.
S: Toda a gente acredita na inocência. (ouve-se ao fundo)

 

(Q/questão, A/Araújo e S/Soares – imagem: Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:11
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