Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

17
Dez 14

Pergunta Fundamental (e Material):

 

"Quem é que em Portugal não confiava no Dr. Ricardo Salgado?"
(José Manuel Espírito Santo Silva – Terceira Geração)

 

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Resposta Crucial (e Espiritual):

 

“O Espírito Santo?”

 

(imagem – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 02:39

Sempre que tomo conhecimento de um acto tão profundamente cruel como este e praticado tão perto de mim, é que me apercebo de como o mundo em que todos vivemos é tão pequenino e de como o que o que se passa lá longe só cá não acontece, porque não o queremos ver: unicamente por receio (proibição) de aceitarmos a realidade.

 

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Bruna Nunes

 

A jovem estudante de 17 anos terá sido encontrada já morta num terreno da localidade de Aldeia Velha situada no concelho de Aljezur (Algarve), onde terá sido abandonada após ser assassinada (por asfixia). Mas aqui não interessa salientar a cadeia de responsabilidades desde o predador até à vítima (talvez mais um caso triangular mãe/filha/padrasto).

 

Do que aqui interessa falar é do abandono progressivo a que tem sido submetida a esmagadora maioria da sociedade civil, entregue a si própria na sua luta diária pela sobrevivência e da comunidade onde está inserida, depois de ter sido espoliada de tudo o que tinha conseguido com imenso trabalho e sacrifício, nestes seus últimos 40 anos de vida.

 

Enquanto assistimos sem nada podermos fazer ao deplorável e revelador espectáculo proporcionado pela nossa elite económica convivendo em tempos de crise – com prisões, exposições, declarações, exibições e outro tipo de protagonismo (comunicativo) banalizador e aceitável – o novo paradigma agora transmitido, subliminarmente e por sugestão, aponta para a desvalorização do indivíduo (a fonte de conflito) por sobreposição da mercadoria (a fonte de lucro).

 

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Aldeia Velha

 

Por isso se abandona o interior, se fecham infra-estruturas básicas como escolas e tribunais, se deixa morrer a indústria e a agricultura, se despreza a nossa cultura e a memória dos nossos antepassados, se privatiza sem o mínimo de vergonha a nossa soberania (educação, saúde, justiça), se ignora a existência de milhares de desempregados, velhos esquecidos e jovens novamente perdidos.

 

Tendo ainda os nossos governantes – como principais responsáveis por todos estes crimes e traições contra a nossa pátria (que pelos vistos estes jamais permitirão serem levados à justiça) – o descaramento de connosco partilharem as culpas desta catástrofe (anunciada), pedindo-nos para sofrermos e aguentarmos um pouco mais para no fim e graciosamente, nos solicitarem a aceitação do inevitável já que de facto tínhamos abusado das circunstâncias e vivido acima das nossas possibilidades.

 

Os Políticos deveriam obedecer a um Código Deontológico próprio e responder perante um Tribunal Popular: o povo imporia as leis e o código e os políticos seriam poder (como ministros no Governo) e oposição (como juízes no Tribunal Popular). Teriam que actuar, teriam que se contradizer, teriam que evoluir – ou seriam demitidos.

 

Uma jovem que mesmo passando ao lado do mundo (tão grande e que tão pouquinho a tantos oferece) não foi autorizada a viver.

 

(imagem – CM)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:07
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16
Dez 14

Problemas com o abastecimento de água, produção e distribuição de alimentos, fornecimento de electricidade e até produção, consumo e tráfico de drogas (além de todos os outros circuitos paralelos incluindo armas e prostituição) esmagam hoje em dia MYANMAR, transformando num verdadeiro desafio a recuperação da soberania deste país e a salvação do seu povo da sua inevitável extinção económica e cultural.

 

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Um país perdido no meio do imenso Continente Asiático (antiga Birmânia), destruído nas suas infra-estruturas básicas pelas políticas anti-democráticas de um regime militar ditatorial (assente no poder exercido por uma minoria étnica) e no entanto contemplado com uma actuação complacente por parte da comunidade internacional (não basta a ONU protestar), deixando como resultado da sua intervenção (que deveria ser humanitária) os seus mais de meia centena de milhões de cidadãos, abandonados à sua sorte sob um regime (mais ou menos retocado) de opressão, de miséria e com perspectivas de futuro (esperança) nulas.

 

Não será assim que a Civilização Ocidental sobreviverá (a Europa) aliando-se estrategicamente a um dos lados (EUA) para destruir o outro (China): não será a partir dos cacos dos vizinhos (que ajudamos a escaqueirar) que chegaremos a algum lado. Primeiro teremos que respeitar os outros e só depois discutir a mercadoria. Nem todos gostam de ser tratados como meros objectos (por mais bem pagos e cegos que sejam)!

 

(imagem – Christopher Michel/The Watchers)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 16:40

15
Dez 14

Vast methane 'plumes' seen in Arctic Ocean as sea ice retreats
(THE INDEPENDENT – SATURDAY – 13 DECEMBER 2014 – STEVE CONNOR – SCIENCE)

 

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Dramatic and unprecedented plumes of methane - a greenhouse gas 20 times more potent than carbon dioxide - have been seen bubbling to the surface of the Arctic Ocean by scientists undertaking an extensive survey of the region.

 

The scale and volume of the methane release has astonished the head of the Russian research team who has been surveying the seabed of the East Siberian Arctic Shelf off northern Russia for nearly 20 years.

 

In an exclusive interview with The Independent, Igor Semiletov of the International Arctic Research Centre at the University of Alaska Fairbanks, who led the 8th joint US-Russia cruise of the East Siberian Arctic seas, said that he has never before witnessed the scale and force of the methane being released from beneath the Arctic seabed.

 

"Earlier we found torch-like structures like this but they were only tens of metres in diameter. This is the first time that we've found continuous, powerful and impressive seeping structures more than 1,000 metres in diameter. It's amazing," Dr Semiletov said.

 

"I was most impressed by the sheer scale and the high density of the plumes. Over a relatively small area we found more than 100, but over a wider area there should be thousands of them," he said.

 

Scientists estimate that there are hundreds of millions of tons of methane gas locked away beneath the Arctic permafrost, which extends from the mainland into the seabed of the relatively shallow sea of the East Siberian Arctic Shelf.

 

One of the greatest fears is that with the disappearance of the Arctic sea ice in summer, and rapidly rising temperatures across the entire Arctic region, which are already melting the Siberian permafrost, the trapped methane could be suddenly released into the atmosphere leading to rapid and severe climate change.

 

Dr Semiletov's team published a study in 2010 estimating that the methane emissions from this region were in the region of 8 million tons a year but the latest expedition suggests this is a significant underestimate of the true scale of the phenomenon.

 

In late summer, the Russian research vessel Academician Lavrentiev conducted an extensive survey of about 10,000 square miles of sea off the East Siberian coast, in cooperating with the University of Georgia Athens. Scientists deployed four highly sensitive instruments, both seismic and acoustic, to monitor the "fountains" or plumes of methane bubbles rising to the sea surface from beneath the seabed.

 

"In a very small area, less than 10,000 square miles, we have counted more than 100 fountains, or torch-like structures, bubbling through the water column and injected directly into the atmosphere from the seabed," Dr Semiletov said.

 

"We carried out checks at about 115 stationary points and discovered methane fields of a fantastic scale - I think on a scale not seen before. Some of the plumes were a kilometre or more wide and the emissions went directly into the atmosphere - the concentration was a hundred times higher than normal," he said.

 

Dr Semiletov released his findings for the first time last week at the American Geophysical Union meeting in San Francisco. He is now preparing the study for publication in a scientific journal.

 

The total amount of methane stored beneath the Arctic is calculated to be greater than the overall quantity of carbon locked up in global coal reserves so there is intense interest in the stability of these deposits as the polar region warms at a faster rate than other places on earth.

 

Natalia Shakhova, a colleague at the International Arctic Research Centre at the University of Alaska Fairbanks, said that the Arctic is becoming a major source of atmospheric methane and the concentrations of the powerful greenhouse gas have risen dramatically since pre-industrial times, largely due to agriculture.

 

However, with the melting of Arctic sea ice and permafrost, the huge stores of methane that have been locked away underground for many thousands of years might be released over a relatively short period of time, Dr Shakhova said.

 

"I am concerned about this process, I am really concerned. But no-one can tell the timescale of catastrophic releases. There is a probability of future massive releases might occur within the decadal scale, but to be more accurate about how high that probability is, we just don't know," Dr Shakova said.

 

"Methane released from the Arctic shelf deposits contributes to global increase and the best evidence for that is the higher concentration of atmospheric methane above the Arctic Ocean," she said.

 

"The concentration of atmospheric methane increased unto three times in the past two centuries from 0.7 parts per million to 1.7ppm, and in the Arctic to 1.9ppm. That's a huge increase, between two and three times, and this has never happened in the history of the planet," she added.

 

Each methane molecule is about 70 times more potent in terms of trapping heat than a molecule of carbon dioxide. However, because methane it broken down more rapidly in the atmosphere than carbon dioxide, scientist calculate that methane is about 20 times more potent than carbon dioxide over a hundred-year cycle.

 

(independent.co.uk)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:30

14
Dez 14

E este é o animal irracional (e fiel amigo) CHICA
Que destronou os nossos semelhantes racionais (ricos e poderosos) RONALDO & CIA

 

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A Vedeta

 

No início do passado fim-de-semana tive que ir verificar se tudo se encontrava em ordem na minha casa (situada em pleno campo), antes de aí chegarem os vidraceiros: a habitação tinha sido assaltada e vandalizada por um grupo de jovens tendo como profissão de risco o roubo e a venda do produto a receptadores (por vezes os próprios, mas num local afastado) deixando tudo destruído, vidros partidos, caixilhos e portas arrancadas, o termoacumulador esventrado, a pesada salamandra completamente desaparecida (nem os tubos e chaminé se safaram) e até mobília espalhada por recantos escondidos do terreno para mais calmamente fazerem a sua escolha.

 

E até a cadela e o seu filho (que aí se encontravam) acabaram por levar por tabela com esta selvajaria irracional, morrendo pouco tempo depois: chegando estes ao ponto de roubarem duas placas de metal que cobriam a sepultura de dois outros animais queridos que tinham morrido anos antes (e sido enterrados num sítio próximo de casa), ao mesmo tempo que tudo partiam e espalhavam num caos tremendo, mas nunca esquecendo de consigo levarem pedras (para serem utilizadas como armas) para sua protecção particular face a qualquer tipo de imprevisto.

 

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Chica o Cão-Aranha

 

Como da vez em que quase os apanhei em flagrante e que hoje recordo como um momento de sorte, já que ali não me encontrava no momento, no dia e hora do assalto final: se aí estivesse ou chegasse sozinho certamente que teria sido atingido por um grande calhau, que os ladrões levavam sempre consigo quando entravam para levar mais qualquer coisa e como garante da sua protecção pessoal.

 

Se por um lado lamento a morte da pobre cadela e do seu filho acabado de nascer (ainda o tentamos salvar mas este tinha acabado de nascer e a mãe já falecera), tenho imensa pena que a falsa realidade que este mundo unicamente de consumo nos oferece, não me tenha permitido ter uma CHICA que com a sua força interior e o seu aspecto exterior, os tivesse posto em fuga, mordido os calcanhares, feito borrar as cuecas de medo e para bem de todos os animais (racionais e irracionais), eliminado da face da Terra (pelo menos desta).

 

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Em plena acção

 

Nunca esquecendo os verdadeiros e únicos responsáveis por esta situação. Veja-se o caso de um grande país e potência mundial como os Estados Unidos da América – aquele lugar da Terra onde residia o Sonho (Americano) – onde até um cidadão por não ser branco e como tal ser suspeito de ser preto, pode ter (em avanço e sem o saber) os dias contados: “se não obedeceres e virares as costas arriscas-te a levar um tiro”!

 

E como nos EUA todos têm uma arma e por isso se matam uns aos outros (numa mistura multi-racial explosiva de vítimas e de predadores), talvez o fiel amigo (mais uma vez) ainda venha a ser a nossa salvação. Nesse sentido proponho a quem me quiser ouvir (é grátis) e imitar (como primata), que seja solidário com a equipa de segurança em que Chica é a protagonista, substituindo na árvore de Natal as peúgas vazias (que já cheiram mal) por pernas felpudas de aranhas (que até dá para aquecer): daremos mais conforto ao cão (agora que faz muito frio) e teremos uma arma de protecção.

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:46
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Os E.U.A. acabam de fazer uma (pré) declaração de guerra à Rússia

 

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Text of Strongly condemning the actions of the Russian Federation, under President Vladimir Putin, which has carried out a policy of aggression against neighboring countries aimed at political and economic domination.

 

H. RES. 758
In the House of Representatives, U. S., December 4, 2014

RESOLUTION
(partial)

 

(3)
Condemns the continuing political, economic, and military aggression by the Russian Federation against Ukraine, Georgia, and Moldova and the continuing violation of their sovereignty, independence, and territorial integrity;

 

(10)
Calls on the President to provide the Government of Ukraine with lethal and non-lethal defense articles, services, and training required to effectively defend its territory and sovereignty;

 

(13)
Reaffirms the commitment of the United States to its obligations under the North Atlantic Treaty, especially Article 5, and calls on all Alliance member states to provide their full share of the resources needed to ensure their collective defense;

 

(17)
Urges the President to work with Asian, European, and other allies to develop a comprehensive strategy to ensure the Russian Federation is not able to gain any benefit by its development of military systems that violate the INF Treaty;

 

(21)
Calls on the United States Department of State to identify positions at key diplomatic posts in Europe to evaluate the political, economic, and cultural influence of Russia and Russian state-sponsored media and to coordinate with host governments on appropriate responses;

 

(imagem – osnetdaily.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:40

Foi batido neste ano de 2014 mais um recorde mundial (considerado como um evento extraordinário, mas que no entanto passou completamente desapercebido), o qual pela primeira vez (desde que nos conhecemos) e na sua disciplina, atingiu uma distância nunca antes alcançada (pelo menos que se saiba). Os recordistas pertencem a uma universidade suíça, a um instituto norte-americano e à nossa conhecida NASA.

 

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Cristais responsáveis pela captura e armazenamento de informação quântica
(no final do teletransporte)

 

Tentando explicar o extraordinário evento de uma forma extremamente simplificada, o que na realidade sucedeu foi que instantaneamente uma partícula constituinte da matéria (sob a forma de energia) se deslocou entre a sua origem e o seu destino, percorrendo uma distância (recorde) de 25 quilómetros (ainda há cinco anos atrás com a distância a ficar-se por metros). O que certamente nos poderá trazer computadores superiores e internet de melhor qualidade. O meio utilizado para a concretização desta fantástica experiência de transporte de dados foi a fibra óptica.

 

E pela utilização de sistemas lógicos intervindo conjuntamente com a associação de ideias comuns a sistemas interligados, será de admitir que se o teletransporte de matéria se verificar de difícil concretização ou mesmo aparentemente inexequível, isso apenas significará que a opção até hoje utilizada está errada e que nos deveremos virar (em alternativa à Matéria) para a exploração da Energia. Para isso teremos apenas que estudar os mecanismos de transformação e de comunicação da energia e através dela reposicionarmos a matéria: não poderá a energia absorver a matéria (no fundo ambas são o mesmo mas sob formas diferentes) e instantaneamente projecta-la noutro lugar?

 

(imagem e legenda – Universidade de Genebra)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:34

Novos Ficheiros Secretos – Albufeira XXI
(Histórias do Outro Lado)

 

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O Homem como uma espécie auto-replicada mas ainda auto-condicionada

(e necessitando de supervisão)

 

No que diz respeito ao planeta Terra o aprofundamento dos contactos das diferentes civilizações alienígenas com a vida indígena terrestre, tinha-se intensificado a partir dos meados de século XIX. Apesar das primeiras visitas se terem verificado há mais de 2.000.000 de anos (ainda a espécie humana não fora introduzida no ambiente do planeta), civilizações muitíssimo mais antigas vindas de galáxias desconhecidas situadas a distâncias brutais no limite deste Universo (testemunhos preferenciais dos tempos iniciais da sua formação) já por cá tinham passado, observando minuciosamente a evolução que se registava neste mundo em formação e tentando compreender a possibilidade deste ecossistema poder suportar vida e adquirir suportes físicos e químicos que pudessem propiciar o seu desenvolvimento e o aparecimento duma espécie superior. E foi uma dessas raças originais símbolo identificador deste Universo e protótipo de todas as outras raças que preencheriam este módulo do Multiverso, que lançaria o programa que daria origem ao aparecimento do Homem à sua imagem e à criação de mais uma réplica adaptada às condições ambientais e de transformação que a esperavam. E se anteriores simulações tinham por vezes dado origem à criação de erros de implementação e de adaptação (nos tempos de adolescência e com o Universo ainda em grande convulsão), neste caso a projecção levada a cabo tinha superado em todas as previsões o sucesso das anteriormente executadas, em situações de utilização de hologramas semelhantes. A única diferença introduzida relativamente a anteriores aplicações de criação sustentada de vida num conjunto inicialmente fechado (neste caso funcionando como um condomínio) tinha sido a divisão do processo em duas fases deliberadamente distintas e a extracção destas dum episódio científico de criação definitiva. Uma primeira fase de sustentação e de protecção de todos os seres vivos já aí presentes (relativamente aos perigos que pudessem vir do espaço exterior) de modo a defendê-los eficazmente de todos os factores que pudessem levar a grandes perturbações na sua evolução, protegendo-o mesmo da possibilidade de extinção. E uma segunda fase em que tendo cumprido na integra todos os aspectos fundamentais e obrigatórios da primeira, se procederia a uma primeira experimentação e análise do impacto da implementação desta simulação num cenário real, dando às espécies colocadas no terreno toda a liberdade de movimentos e de exercício do seu poder evolutivo (mesmo na procura de outra espécie superior e alternativa surgida por eficiência aleatória), enquanto verificavam todas as falhas possíveis de surgir no programa e introduziam outros aplicativos periféricos responsáveis por outros subprogramas redundantes de procura, aperfeiçoamento e resolução. Uma simulação correria de início livremente e o seu estudo daria origem (num momento pré-determinado) a um momento de conclusão (e de criação definitiva): e foi isso o que aconteceu neste conjunto fechado de criação (barriga de aluguer) com a evolução dos organismos representativos da vida na Terra dando origem ao desenvolvimento de uma raça precursora dominante, a qual mais tarde seria substituída por uma outra mais ágil, adaptável e dispondo de mais recursos mentais, como a capacidade de ver, experimentar, apreender, organizar e construir estruturas mentais e físicas mais elaboradas – ficando os Dinossauros (e como cobaias num segundo patamar de protagonismo fundador) como aqueles que seriam para sempre recordados por abrirem pela primeira vez as portas da Terra, à chegada do novo ser vivo alienígena o Homem. E a esperança (certeza) dessa raça talvez divina talvez humana, era que dessa barriga de aluguer um dia o Homem se libertasse e tal como os seus criadores se espalhasse pelo Espaço Infinito.

 

Mas fora sobretudo há cinco mil anos (com o início da Idade dos Metais) que os seres extraterrestres tinham resolvido tornar-se um pouco mais intrusivos, sucedendo-se a partir dessa altura e em grande quantidade relatos de observações feitos pelo homem, além da ocorrência de múltiplos contactos. Das pinturas reveladoras, dos relatos pormenorizados, dos contactos e avistamentos reportados e até dos milagres ocorridos, tudo nos transportava agora até ao começo do século XX e à última fase da intervenção estrangeira vinda do exterior. E com o decorrer das duas Guerras Mundiais ainda mais se acentuaram estes avistamentos e supostos contactos. O Milagre do Sol ocorrido em Fátima tinha sido um desses expoentes máximos de aparente ilusão (o regime também necessitava de algo que absorvesse a atenção do seu povo, fazendo-o esquecer a sua situação de abandono e miséria) contando com a presença de milhares de pessoas rodeadas por um clima de guerra e de miséria, que asfixiadas por manipulação mental subliminar e religiosa, ainda mais acreditavam em tudo o que o poder lhes sugeria: poder esse exercido ditatorialmente pelo Estado, aproveitado pelas reduzidas e incultas elites locais e finalmente utilizado pela Igreja como moeda de troca (e sobrevivência) face ao cada vez mais poderoso poder autoritário da Nova Nobreza. Assim se salvava o clero e se entronizava o Estado e sua hierarquia funcional: uns nobres como comuns funcionários e um rei eleito pelos seus pares, com a Igreja e todo o seu séquito a retirarem-se estrategicamente do palco principal e a abençoá-los repetidamente como moeda de troca. A que todos chamavam neutralidade. Três jovens – Lúcia, Jacinta e Francisco – tinham sido escolhidos como personagens principais deste encontro Mágico e Religioso, sendo contactados e interpelados por Entidades de Outro Mundo que lhes tinham comunicado e confirmado com a sua presença no local da existência de Outros Mundos (que o povo interpretou como o Céu, o Inferno e o mundo intermédio – o Purgatório) e de Outros Seres (que o mesmo povo traduziu em Anjos, Diabos e elementos intermédios – os mensageiros ou neutros). E a Fé profunda deles no Poder Sagrado vindo do Exterior tinha levado ainda milhares de indivíduos a acompanhá-los e a serem os protagonistas do maior e mais extraordinário acontecimento europeu, com uma multidão a assistir à chegada dos Deuses ou seus representantes, com os seus veículos celestiais evoluindo no ar e emitindo luzes coloridas e cintilantes (como se fossem estrelas do Céu) e com dois dos seus mais proeminentes elementos a falarem privadamente com os jovens e contando-lhes sobre Eles e sobre o futuro destes. Mas estes tinham sido contactos que se tinham mostrado pouco produtivos e eficazes, pois as guerras e conflitos continuavam indiscriminada e irracionalmente a espalhar-se exponencialmente por todo o mundo e nunca seria o povo esmagadoramente maioritário mas sem armas a impor-se à elite (poderosamente armada). E era essa a razão da mudança da estratégia de intervenção dos extraterrestres no nosso planeta, optando agora pelo estabelecimento privilegiado de contactos com as elites com acesso ao poder e desse modo tentando inverter o caminho suicida seguido pelos humanos: cedendo-lhes tecnologia e conhecimentos que até aí lhe tinham sido vedados talvez um dia os terrestres pudessem abandonar o planeta e partir à descoberta de outros mundos. Se não o fizessem estariam condenados: nenhum ser vivo assim se manteria se optasse por não se movimentar, não usufruindo do Espaço disponibilizado de transformação. Em Julho de 1947 ocorreu o primeiro sinal dessa opção vinda do exterior com a Força Aérea dos Estados Unidos da América a anunciar a captura dos destroços de um objecto voador não identificado (OVNI), negando logo de seguida o acontecimento pelos próprios relatados: iniciava-se aí verdadeiramente a relação estreita entre terrestres e extraterrestres, contando com a presença não só dos EUA como também de outras potências da altura.

 

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Tempo, Matéria ou Energia?

 

A matéria é o objecto, o movimento um instrumento e a energia o sujeito (e nós não passamos de uma simples ferramenta tornada autónoma e consciente).

 

E Sara Montieli era uma grande conhecedora destes últimos episódios da História do planeta Terra, não só por ter sido o seu mundo de origem como por ter estado sempre ligada (desde o início e como elemento de ligação) ao projecto Pegasus. O que ela nos contara acabava por ser natural e de certo modo compreensível. E ainda pude recordar algumas das coisas mais interessantes que ela dissera: sobre a cooperação contínua estabelecida ao longo dos últimos anos entre os mais diversos interesses exteriores em causa e os seus respectivos representantes terrestres em jogo (se uma espécie extraterrestre se introduzia num determinada espaço de livre circulação sabia de antemão que o seu envolvimento não passava da entrega provisória de uma mera concessão, a qualquer momento podendo ser alterada nas suas premissas iniciais ou até mesmo dissolvida (daí a necessidade de ter diferentes aliados no terreno); assim como sobre a necessidade do aprofundamento desta relação sem intrusão significativa mas cooperante ao nível de ajuda científica e tecnológica, de modo a que este mundo com centro neste pequeno corpo celeste chamado Terra pudesse ter ainda esperança em futuras replicações expansionistas e disseminadoras das suas ideias e concepções. A Terra seria sempre um ponto para nós (terrestres) significativo da confluência matéria/energia, baseando o seu funcionamento e transformação nas relações entre a electricidade e o magnetismo e respectivos fenómenos associados (ainda mal compreendidos, desenvolvidos e aplicados pelos humanos), fenómenos esses já por nós registados e observados na nossa vida quotidiana sob a forma de frequência e vibração, mas ainda sem termos a capacidade de inverter a nossa sequência de concretização mental (construindo uma estrutura capaz de se deslocar no Mundo da Energia e apenas utilizando a Matéria como referência e não como estado imutável e neutro de processamento temporal) mantendo a Matéria sempre em primeiro plano e nunca compreendendo que a capacidade de movimento estará sempre ligada à Energia e à nossa capacidade de nela nos identificarmos matricialmente e assim nos deslocarmos. Tudo porque a Terra tal como ela é nunca o será para sempre, mas tudo o que ela transformar poderá movimentar-se e espalhar-se como uma semente pelo Universo. E face à História da Terra, à sua demografia e conflitos territoriais, o destino teria que ser sempre o Espaço.

 

E se em relação à cooperação vinda do exterior a mesma era executada a níveis diferenciados (e com a colaboração das diferentes potências da área) por diferentes espécies exteriores (esmagadoramente humanóides) de modo a manter-se um certo equilíbrio e normalidade de execução, o estado de compreensão e concretização experimental científico-tecnológico ainda muito pouco desenvolvido nos humanos, levara os agentes exteriores a uma actualização mais rápida de todo o processo de edificação de todo este conjunto, tentando dar-lhe espontaneidade e expansão de horizontes, fornecendo-lhe pistas progressivas e de possível crescimento exponencial. Com estes estímulos exteriores (pistas, sinais, artefactos) poderiam salvaguardar a sobrevivência desta espécie e ao mesmo tempo Iluminá-los com o poder da Energia. Roswell fora apenas um acontecimento pontual, mas talvez marcante pela época em que se dera e por tudo o que a partir daí estrategicamente se escondera: ao mesmo tempo que aparentemente revelava mais uma vez ao mundo (depois das duas bombas atómicas lançadas sobre o Japão) o poder absoluto e extraordinário dos EUA (nem os Extraterrestres se safavam à mão dos norte-americanos) – com esse facto oferecendo segurança absoluta aos seus cidadãos – o poder instalado ia distraindo-os com outros assuntos mais importantes (como a sobrevivência económica destes) aproveitando todo o tempo e recursos para desenvolver contactos e trocas. Os casos concretos e crescentes de aparecimento de bufos do sistema informando-nos da existência de segredos envolvendo duas partes e interesses distintos, assim como os constantes e sucessivos conflitos que vem atravessando o mundo corrompendo-o e tornando esta evolução provavelmente irreversível, são confirmados com exemplos muito recentes mas ainda considerados pouco credíveis e susceptíveis como cenários válidos e de possível concretização: fossem as afirmações sobre a presença do Homem na Lua, em Marte e noutras coordenadas do espaço profundo partilhando esse espaço com outras espécies de origem extraterrestre, fosse a recente e quase passando despercebida pré-declaração de guerra entre duas das maiores instituições e edificações terrestres. E se este pré-anúncio de guerra era um sinal de que teríamos mesmo que avançar, apesar de todos os seus defeitos e limitações o programa Pegasus poderia ser mais um dos grandes passos para a expansão da humanidade: como poderíamos nós recusar as viagens espaço/tempo (como a teleportação), a possibilidade de nos lançarmos para outros mundos e perspectivas (através de viagens intergalácticas) e a oportunidade de contacto com outras realidades, que não aquelas que sempre nos apresentaram? Talvez aí desbloqueássemos definitivamente (sem necessidade de solicitarmos a palavra passe) os módulos cerebrais a que ainda não temos acesso, dispensando todos os códigos até agora impostos e tornando todos os acessos livres.

 

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Se desejamos alcançar um nível energético superior (a Alma) é fundamental compreendermo-nos

 

Encontrei o meu antigo amigo de infância Nicolau Testa (um autodidacta meio alentejano meio algarvio, natural de uma aldeia da zona de fronteira e que um dia por acaso conhecera numa barraca de comidas na feira de Algoz) a observar a equipa de salto que mais tarde nos colocaria nas nossas próximas coordenadas individuais: verificava todos os procedimentos de reenquadramento adoptados (provavelmente a serem aplicados também no nosso caso) nunca ignorando a readaptação à cronologia normalizadora imposta pela hierarquia das espécies (neste caso dos humanos). Verificando simultaneamente as variações de frequência e de vibrações provocadas (na pré-simulação) e as suas imediatas repercussões nas transformações electromagnéticas executadas: segundo ele os Segredos do Universo não residiam na Matéria (susceptível de transformação e objecto construtor do nosso cenário abstracto centrado no Tempo) mas efectivamente na Energia que a sugeria e no movimento que a sustentava (como sujeito capaz de alterar o seu estado energético saltando entre diferentes lacunas atómicas provocadas por fenómenos de magnetismo) – sugerindo que a nossa mente poderia ser limitada mas estando sempre receptível a novas (e radicais) concepções. Não tinha sido por mero acaso (talvez uma opção a tomar) que esta espécie evoluíra. Então Nicolau Testa chamou-me de lado, sacou de um pequeno saco que transportava pendurado ao pescoço e sorrindo, ofereceu-me um bom naco de presunto com pão cozido a carvão, acompanhado espectacularmente por um medronho de Monchique como antes nunca tinha provado. A viagem ao exterior da superfície de Marte seria agora e de uma forma mais expressiva e espiritual, profunda, livre e irresponsável – ou seja nunca aceitando limites impostos por outros.

 

Como tinha projectado na transição do dia 31 de Outubro para o dia 1 de Novembro, às zero exactas horas Esteves Macuin pôs a correr o programa. Imediatamente surgiu no monitor uma mensagem informando o operador de que o programa já tinha corrido integralmente (conforme anteriormente solicitado) e sido entretanto concluído. Perguntando adicionalmente se desejava que o mesmo fosse de novo executado e a confirmação das coordenadas a introduzir. Não entendendo o que se passava Esteves Macuin decidiu então verificar todos os passos executados anteriormente pela aplicação e o que descobriu deixou-o momentaneamente baralhado: uma descrição pormenorizada das últimas vinte e quatro horas vividas por um indivíduo em tudo idêntico à sua matriz física exterior – e demonstrando uma personalidade e conhecimentos que para ele só poderiam ter sido implantadas a partir de um perfil rigorosamente replicado e muito próximo da perfeição – aparecia de uma forma directa e indesmentivelmente presente naquele monitor, com o interlocutor original e aí observador a dirigir a sua atenção para uma imagem de si próprio, mas agora como um observado alternativo fazendo o percurso pensado pelo observador original. Incapaz de corrigir o erro de lançamento da aplicação ainda tentou procurar um ponto de recuperação e arrancar de novo com o computador num ponto anterior de funcionamento. Mas o computador recusou aceitar a ordem, declarou que o jogo já tinha terminado, encaminhando-o finalmente para uma ligação externa de segurança onde poderia esclarecer as suas dúvidas. Nunca tal coisa lhe tinha acontecido em todos aqueles anos que por ali permanecera, o que o levou a questionar-se se algo de anormal se estaria a passar consigo ou até com a rede informática. O que o levou a desconfiar que algo fora de comum acontecera (ou poderia estar a acontecer), clicando de imediato a tecla de ligação de segurança e cumprindo todos os protocolos de prevenção e de protecção obrigatórios nestes casos (por mínimos indícios que se verificassem de início e mesmo tratando-se de software aparentemente inofensivo e não apresentando portas escondidas de acesso). Ainda não tinha estabelecido completamente a ligação e já o sinal de alarme da câmara de transição intermédia avisava de um novo salto: segundos depois a porta abria-se e uma multidão entrava na sala (mais de uma dúzia de pessoas e até um cão). E em conjunto – Esteves Macuin, João Uaine, Laurinda Bacalhau, Gregoriana, Jaime Dine, Catarina EP Burne, Antero, Sara Montieli, Nicolau Testa, eu, o cão Peque, outros acompanhantes e até Josefa Macarti – analisaram padrões, fizeram confluir diversas concepções, analisaram a posição de todos eles no mundo e finalmente, reconhecendo a importância da transformação da matéria para a Criação, valorizaram o invisível (a alma) e compreenderam que o Movimento associado ao conhecimento da constituição da Matéria, poderia ser o primeiro passo para a preparação da nossa entrada no mundo da Energia e no nosso Espírito Eléctrico. Que conjugado com o poder agregador do magnetismo (por atracção ou por repulsão) colocando em jogo milhões de células de um Organismo Vivo, nos permitirá contribuir para a edificação de um Espírito Crítico do Universo, dando profundidade e liberdade ao não visível e desse modo criando uma nova auréola de esperança, sentida apesar de não percepcionada e como tal volátil mas sem se perder: a Alma. E em conjunto revivemos espaços e energias e demo-nos como crianças a praticar actos inconfessáveis.

 

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A Cidade de Deus flutuando no Espaço

 

“A 26 Dezembro de 1994 o maior telescópio espacial da NASA (o Hubble) registou uma enorme cidade branca flutuando no espaço”. (Web)

 

Na Universidade Generalista de ENTER localizada num ponto indistinto da galáxia BX 442 (num sistema planetário em espiral, inserido numa zona fronteira do nosso Universo – numa das suas mais antigas regiões), um vasto grupo de jovens técnicos informáticos de nível energético e inter-dimensional do tipo K-80 (sector interior de nível 80/100), candidatava-se a uma bolsa expansiva de programação activa não intrusiva, utilizando unicamente as ferramentas até ao momento postas à sua disposição. Esmagadoramente constituído por elementos de formação central associada a conhecimentos teóricos e profundos nas áreas da ciência e da tecnologia, o grupo integrava um grande número de técnicos com pouca experiência real e directa, mas dispondo por outro lado de excelente retaguarda de apoio proporcionada pela qualidade dos seus progenitores – pertencentes à hierarquia técnico militar responsável pelo estudo de estratégias de programação em cenários simulados, neste caso específico com o objectivo de adicionar cenários por reciclagem de outros (dispensáveis por raramente utilizados) de modo a tentar salvaguardar um artefacto fundamental no jogo (a Terra) da sua eliminação inevitável (por extinção da vida que como missão do jogo transformava). Mas cerca de 10% tinham outras origens (metade vindos das zonas vazias entre Universos e a outra metade de outras dimensões sobrepostas) e 5% apesar de apresentarem curriculum equivalente eram auto-propostos.

 

A candidatura tinha como objectivo a construção dum cenário adicional de salvaguarda (para o planeta Terra e para os seus habitantes) a ser integrado numa simulação já a decorrer (e com um programa evolutivo previamente estabelecido), garantindo a quando da sua introdução o não aparecimento de efeitos colaterais (invocando qualquer tipo de causa ou resposta) nem alterações visíveis podendo ser relacionadas com intervenções exteriores (intrusivas): com os mesmos meios até agora utilizados pelos actuais operadores de controlo, o candidato teria que comprovar através da projecção de um holograma disponibilizado pelo centro de simulação instalado na universidade, que a introdução do seu periférico e das suas novas directivas, criaria novas portas de saída mental e ambiental para o elenco, novas alternativas mais flexíveis de argumento e a abertura da espécie a novas áreas e tipos diferenciados de conhecimentos. Talvez motivando-os subliminarmente para a aceitação daquilo que se lhes é posto à frente dos seus olhos e que por condicionamento não consegue ver. No entanto o problema era persistente na sua resolução ignorando as sucessivas tentativas de intervenção e negando constantemente o acesso. A sua configuração virava-se invariavelmente para uma interpretação física, dura e rígida da sequência de realidade simulada, o que provocava (uma impossibilidade para os limites de crédito deste jogo) para que se atingisse uma execução eficaz do pretendido, um aumento de efectivos mobilizados e o disparar de material requisitado. Apesar de ser uma das mais utilizadas simulações com matrizes de aplicação nas mais variadas áreas de jogos e simulações, este jogo ARCADE tinha limites na sua expansão.

 

Enquanto esperava tranquilamente o resultado da sua apresentação e a chegada da lista ordenada dos candidatos seleccionados para a 2.ª fase, Luís Pastor olhou deliciado e mais uma vez surpreendido para o belo relógio de metal precioso que lhe tinham entregue, poucas horas atrás (antes de sair de casa e se dirigir para a universidade): um sistema sofisticado (apesar de artesanal) de engrenagens interligadas construindo (constituindo) um instrumento de medição extremamente rigoroso, fazia deslocar no mesmo sentido de rotação dois ponteiros centrados no centro de um círculo e movimentando-se a velocidades diferentes. Encontravam-se por vinte e quatros vezes nos seus movimentos circulares em volta do mesmo foco e as consequências desse fenómeno traduziam-se na vida dos humanos: num aspecto de extrema importância para as suas vidas e que estes simplesmente aceitavam e delimitavam (neste Universo Infinito) por duas muralhas indefinidas mas brutais (por não se conhecer o que existirá para além dessas fronteiras) – o nascimento e a morte. Como era possível um simples instrumento mecânico (uma ferramenta) sobrepor-se a um ser vivo inteligente (mesmo sendo apenas uma máquina biológica), simplesmente deformando o seu pensamento por compressão abstracta (entalados como estamos entre os ponteiros decapitadores dos minutos e dos segundos) e apoiando-se numa lobotomia das nossas capacidades cerebrais (por encerramento da maioria dos nossos módulos cerebrais). Quando ainda por cima o tempo nunca tinha sido considerado por definição um parâmetro, não passando de uma simples constante utilizada em determinados cálculos matemáticos ou seja o resultado de uma simples operação. Ainda o relógio não indicava as 12:00 e ao fundo do hall lá ia finalmente surgindo a silhueta de Esteves Macuin: ainda bastante confuso e não sabendo o que ali fazia nem como ali chegara, alguém veio então ter com ele, acompanhou-o até à presença de Luís Pastor e de imediato lhe transmitiu a informação. O que o seu assistente transmitia indicava que a sua proposta tinha sido seleccionada e considerada sem oposição a candidatura escolhida, dispensando a apresentação e a presença do seu testemunho e autorizando-o a dar início desde já à sua intervenção. Apenas porque tinha desviado alguns recursos aplicados sem grande êxito na matriz da simulação até aí introduzida e que mantinha a projecção activa nos seus objectivos iniciais (mais dirigida ao desenvolvimento mesmo que forçado do homem, fornecendo-lhe pistas evidentes e obrigatórias de acção para a sua sobrevivência), alterando a noção de recurso de investimento para aproveitamento: em vez de modificar as regras e as estratégias do jogo endurecendo a participação exterior e solicitando mesmo a presença do seu operador principal (como no caso de Catarina EP Burne), a única coisa de extraordinária e de inovadora que Luís Pastor tinha sugerido, fora adicionar à situação já em execução e evolução uma solução natural e sem efeitos secundários, isenta de despesas e sem necessidade de outros recursos e pelo contrário redutora de fenómenos intrusivos – a questão ambiental. A ideia genial tinha-lhe ocorrido ao ver um documentário sobre o distante e misterioso planeta Terra e sobre a nova fase climática e problemática que este actualmente atravessava, com os fenómenos crescentes de aquecimento global a darem os primeiros sinais de falta de integridade ambiental no nosso planeta, com o efeito de estufa a disparar para números nunca esperados, agora que o dióxido de carbono tinha um novo aliado e cinquenta vezes mais potente do que ele, o metano: ajudando o processo químico de libertação do metano e acelerando o aproximar do momento limite de não retorno, talvez finalmente e por sua iniciativa o Homem chegasse finalmente à brilhante conclusão que se tinha que libertar-se da Terra ou que então seria a Terra a livrar-se dele.

 

Era meia-noite quando o João desligou o computador e se foi deitar. Amanhã tinha que devolver a licença de jogo e talvez fosse escolher um outro diferente, para este fim-de-semana: decidiu-se pelo PACMAN.

 

Fim da 5.ª parte de 5

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 02:55

12
Dez 14

Novos Ficheiros Secretos – Albufeira XXI
(Histórias do Outro Lado)

 

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Marte poderá ter assistido ao lançamento da vida na Terra

 

Ficamos como que hipnotizados com os deslumbrantes cenários subterrâneos que Marte nos apresentava e levados pelo encantamento das telas de realidade que se sobrepunham sucessivamente sobre o nosso olhar (constituindo no seu conjunto uma paisagem magnifica), deixamo-nos ficar fisicamente em relaxamento e reflexão celular, enquanto o nosso espírito agregado ao nosso sistema sensorial de resposta, ia vagueando por um nunca sugerido planeta Marte, agora percepcionado numa projecção talvez simulada mas já anteriormente adquirida num dos nossos diferentes níveis de consciência (o que serão os sonhos, senão uma imagem reprimida da realidade). Por momentos Esteves Macuin voltou de novo às suas últimas coordenadas terrestres e olhando pensativamente os seus dois companheiros de viagem, recordou-se sorrindo do que roubara no cofre: juntamente com muito dinheiro, acções, jóias, obras de arte e até artefactos por qualquer motivo valiosos financeira ou sentimentalmente, encontrara uma pequena caixa de madeira talhada e incrustada e exibindo na sua face superior um símbolo um pouco estranho (mas por outro lado tendo algo de familiar), que desde logo lhe despertara a atenção e que como que o obrigara a apropriar-se dele. Sentiu-o ainda no seu bolso e instintivamente pegou nele e tentou-o abrir.

 

De início não conseguiu descortinar maneira de abrir aquela caixa. Era notória a presença da linha que separava as duas partes da mesma (superior e inferior), mas não se conseguia ver nem o local da fechadura nem qualquer tipo de dobradiça. Já um pouco nervoso e agitado com a impossibilidade de a abrir, os seus movimentos sucessivos e a despropósito acabaram por afectar a concentração reflexiva e visual em que os seus dois companheiros ainda se encontravam, desligando-os da realidade que nesse momento estavam a partilhar e fazendo-os regressar ao mundo dos outros. Foi nesse preciso momento que eu e João Uaine o vimos a gesticular e a praguejar em direcção a um objecto que tinha na sua mão, enquanto Catarina EP Burne se aproximava na sua direcção na companhia de outra bela mulher. A sua chegada pareceu acalmá-lo. Falou um pouco com ele, tirou-lhe delicadamente a caixa da mão abrindo-a num segundo (e devolvendo-a de novo), enquanto apressadamente apresentava a sua companhia, ausentando-se de imediato e deixando-o na sua companhia. Esteves Macuin ficou então a olhar para a mulher que dava pelo nome de Sara Montiele e que Catarina EP Burne lhe apresentara como a donzela espanhola da história (que lhe contara anteriormente), ao mesmo tempo que interrompia por vezes a sua observação com um pequeno relance para o pequeno manuscrito dobrado que encontrara no interior da caixa. Vinha assinado e era-lhe dirigido.

 

Sara Montieli conhecera os familiares de Antero. A árvore genealógica deste cruzava-se com a sua e ia dar à de Esteves Macuin. Num outro Espaço já transformado e mergulhado nos intervalos de reutilização e distribuição existentes entre Universos, os diferentes momentos de diferentes conjuntos tinham-se cruzado e provocado algumas alterações significativas no processamento dos programas de criação, projectando ao mesmo nível diversas projecções e provocando o aparecimento de hologramas coincidentes no espaço mas apresentando diferentes estados de evolução. E o desenvolvimento deste processo acabara por provocar algumas lacunas e o aparecimento de pontos de ligação naturais entre momentos diferenciados. Daí a confusão genealógica e cronológica criada e contando com a presença de três diferentes gerações (da mesma família), neste caso tendo estas entrado inadvertidamente em contacto com originais ou réplicas por portas paralelas não projectadas (nem simuladas) e sem a necessária e obrigatória orientação. Certamente um erro devido a uma deficiente aplicação de software de transição entre memórias. Quem diria que o Antero era um familiar de Esteves Macuin, talvez um descendente de um irmão de seu pai ou avô e ainda por cima com ligações familiares indirectas a Espanha e à família de Sara Montiel. Ele e a mulher abraçaram-se fortemente, estreitando intimamente entre os seus corpos quentes e quase que colados um espaço intervalado por dezenas e dezenas de anos, mas que nunca pela distância ou pelo atrito provocado os tinha verdadeiramente separado – mesmo não sabendo eles da existência do outro. E já eram 11.00 e todo o plano fora ao ar. Abriu a folha dobrada do manuscrito e olhou para assinatura: alguém tinha escrito o manuscrito há já quase um século, assinando-o sob os nomes de Lúcia, Francisco e Jacinta. E logo no cabeçalho vinha o detalhe.

 

A 23 de Dezembro de 1918 Francisco e Jacinta adoeceram ao mesmo tempo. Indo visitá-los Lúcia encontrou Jacinta no auge da alegria. E aí Lúcia conta:

"Um dia mandou-me chamar: que fosse junto dela depressa. Lá fui correndo. – Nossa Senhora veio-nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito breve para o Céu.” (Wikipedia)

 

E enquanto neste espaço o caos começava a fazer sentido, apesar de toda a nossa confusão temporal (por vício de abstracção e sua confusão com uma realidade virtual limitada – pelo tempo, uma constante e não uma variável), no Algarve a organizada e disciplinada Josefa Macarti voltava a aparecer. Só que Gregoriana, Jaime Dine e o cão Pecas não se encontravam felizmente em casa por essa nessa altura: tinham ido os dois acompanhados pelo cão jantar a casa dum velho amigo do pai de Gregoriana que já não viam havia muito tempo e que como sempre vinha com uma história extraordinária passada consigo, envolvendo um aspirador e uma viagem ao planeta Marte. Agora é que não poderiam perder a história e já agora aproveitarem e contarem a sua. Furiosa Josefa Macarti ainda deu uns fortes pontapés na porta e desapareceu de seguida.

 

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Uma paisagem marciana sugerindo algumas paisagens terrestres

 

Deslocaram-se os três em direcção a uma das portas existentes na sala, comunicando directamente com um dos vários portos ligando todos os diferentes níveis da base. Pela planta apresentada no monitor iriam fazer uma pequena deslocação até um ponto situado a sul da base, inicialmente em deslocação horizontal e subterrânea até uma estação intermédia, a partir da qual o veículo de transporte os levaria à superfície de Marte. Pelas indicações fornecidas por Sara Montieli seria um ponto onde estaria situado um dos vários complexos com contacto directo com a superfície, dedicado fundamentalmente a saídas esporádicas de controlo e vigilância a realizar ao ambiente marciano e agora dirigido também a algumas acções científicas e de estudo da evolução recente da atmosfera marciana. E pela maneira como ela nos transmitiu a informação assim como pelo sorriso de contentamento com que nos presenteou, provavelmente estaria na posse de alguma novidade para nós completamente desconhecida e que provavelmente nos iria surpreender. Fomos levados até um compartimente bastante amplo, a toda a sua volta rodeado por uma estrutura transparente semelhante a vidro mas extremamente resistente e que nos oferecia uma visão espectacular de toda a paisagem marciana que a rodeava: encontrávamo-nos numa pequena plataforma exterior suspensa sobre um dos lados de uma enorme cratera de Marte, observando à nossa frente a existência de movimentos incluindo seres vivos e máquinas ali colocadas e o que mais nos surpreendeu, verificando que alguns desses seres pareciam circular sem qualquer tipo de protecção no exterior marciano ou assim parecendo. Estávamos numa cratera situada a uma grande latitude de Marte e pelo movimento verificado, estruturas utilizadas e ainda pelas informações que nos chegavam, o local seria um posto de transição para a distribuição subterrânea de água as bases e seus módulos instalados no planeta. E ainda mais surpreendidos ficamos quando vimos estruturas muito semelhantes a estufas a serem deslocadas para o exterior da cratera para outros locais para nós desconhecidos do planeta, umas transportadas inicialmente por pequenas naves de carga e outras socorrendo-se ainda de túneis subterrâneos exclusivamente utilizados para transferências de material e bens essenciais. Parecia mesmo que estávamos efectivamente a viver um sonho apesar de tudo o que já tínhamos vivido. A colocação da minha questão seria imediata: poderíamos andar por ali como se estivéssemos no planeta Terra? E muito calmamente Sara Montiel disse que sim, mas que para já tal usufruto ainda não seria para nós: Marte tivera uma atmosfera respirável num passado já muito distante e perdera-a subitamente de uma forma violenta e esmagadora, mas o sentido de preservação do próprio planeta no seu enquadramento planetário, criara refúgios mínimos e capazes de sobrevivência, de modo a que pudessem num futuro próximo levar Marte a acelerar o seu novo processo de transformação e de evolução (de novo em direcção à sustentabilidade equilibrada do planeta. Permitindo a existência natural de vida indígena ou alienígena à sua superfície. O que no fundo já se passava em muitos espaços controlados como era o caso desta cratera, onde alguns terrestres e extraterrestres já se deslocavam por períodos ainda limitados, enquanto outros já o faziam sem limites. E então chegou Catarina EP Burne e graciosamente fomos convidados a dar um passeio por Marte.

 

O Manuscrito tinha sido redigido há pouco mais de vinte e quatro horas e ficado guardado sob responsabilidade do banco durante quase cem anos: intocável, selado e fechado no interior de uma caixa inviolável. Só possível de ser aberto no acto da devolução, seguindo o trajecto inverso de destinatário (Esteves Macuin) a remetente (Catarina EP Burne). Era-lhe dirigido e datado, apresentava-se de uma forma extremamente apressada na sua redacção e distribuía-se por três pequenos parágrafos directos e irreversíveis:

 

(1) Sob ordens de execução obrigatória oriundas de hierarquias superiores (com indicação de aplicação imediata) e contendo orientações extremamente precisas de coordenadas, tipo e forma de extracção, o ainda jovem Esteves Macuin fora raptado no ano de 1917 por extraterrestres (aproveitando a projecção no momento de um Evento de contacto e sugestão), sendo recolhido e salvaguardado como elemento último de substituição, num possível caso de extrema necessidade de restauro do sistema (regressando assim à situação anterior e evitando o indesejável reset como solução para o crash fatal). Com ele tinham vindo mais dois jovens (duas raparigas vindas do mesmo local e não como ele pensava de origens aleatórias), cumprindo expressamente o mesmo desígnio, mas por opção condicionados a serem recolocados em pontos do espaço diferenciados: assim o conflito espaço-tempo não se faria sentir, por adaptação do elemento extraído ao seu novo ponto de referência. Francisco morreria brevemente sendo necessário precaver desde já o futuro das outras duas crianças: de Jacinta e da futura intermediária Lúcia.

 

(2) Este momento que ele agora vivia fora uma sugestão de criação e oferta da autoria de um grande amigo comum e eminente pensador, filósofo e profeta, conhecido como um dos pioneiros do conhecimento e divulgação do papel fundamental da Energia na nossa vida e de todo o Universo e seu funcionamento num todo individual mas sucessivamente replicado, no caos ou de uma forma organizada. Esse amigo era Nicolau Testa e era louco por vibrações, frequências, energia e magnetismo. O truque das trocas cronológicas fora o que mais o divertira: a introdução do tempo na elaboração dos cálculos matemáticos pode levar a conclusões de impossibilidade de ocupação do mesmo espaço simultaneamente, apenas porque o interpretamos (o tempo) como um parâmetro real quando ele no fundo não passa de uma constante específica (unicamente relacionada e dirigida a uma razão entre duas ou mais massas em conflito). Quando se ocupa um determinado ponto do espaço, compartilhamo-lo com todas as nossas identidades sobrepostas – e que até poderão não coincidir com o mesmo Universo e depender das suas Cordas e Viobrações. O programa aplicado a Esteves Macuin era extraído de um jogo muito antigo e popular inspirado em remotas histórias de outras Terras semelhantes, em que todo o enredo andava à volta de um guerreiro solitário lutando contra as suas memórias passadas e ainda não totalmente resolvidas, como consequência dos devaneios humanos tendo como elemento filosófico e decisivo o tempo maldito, corruptor e provocador de lobotomia progressiva, mas sobretudo de indecisão espacial e de movimentos: a cura consistia em misturar o tempo e servi-lo a frio. O prazo de 24 horas era apenas uma precisão exclusivamente reflectida na pontuação: mas neste jogo o tempo (medido para todos os lados) só dava bónus.

 

(3) Esteves Macuin regressaria à sua base localizada na Lua dentro do prazo estipulado pelo jogo. Não sofreria qualquer tipo de penalização por erro do jogador, nem lhe seria debitado nenhum valor motivado por parâmetros abstractos. Precisamente à meia-noite do dia seguinte, vinte e quatro horas passadas sobre a sua partida, ele encontrar-se-ia de novo nas suas coordenadas habituais: mas agora contando com a presença daquelas duas miúdas que há quase cem anos, vislumbrara por momentos num voo da Terra para o Céu. Ali decidiriam em conjunto o seu caminho a percorrer, optando por aquele espaço que um dia tinham escolhido mas que ainda não sabiam qual. A vida era apenas um diferente nível energético e nós éramos aqueles simples electrões, saltando entre lacunas cada vez mais distantes mas potencialmente transformadoras: como quando saímos de casa e somente com a nossa presença, logo criamos um mundo novo.

 

E o restante relato não descrito por mim terminava deste modo e mesmo assim:

 

- Esteves Macuin deixou-se ficar, enquanto que as duas moças se deslocaram a Fátima em visita e peregrinação (com passagem prevista por Albufeira), com retorno irreversível e sem hesitação ao seu mundo incomparável do Céu e das Estrelas: é que ninguém pode negar a vida depois de a estar a viver. Mas antes foram celebrar aquele espaço por eles partilhado esquecendo o tempo mais uma vez e dando prioridade ao movimento e à evolução. Dos sentimentos e das percepções. Era quase meia-noite do dia 31 de Outubro, ainda ele não partira e já os três se entretinham entre degustações e prazeres.

 

Fim da 4.ª parte de 5

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 10:37

11
Dez 14

Novos Ficheiros Secretos – Albufeira XXI
(Histórias do Outro Lado)

 

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Marte – Complexo de Cydonia

 

A Terra existia há pouco mais de 4,54C enquanto Marte datava de 4,65C. Nas suas transformações a implicação da constante K era insignificante. O que equivalia a dizer que num conjunto tão novo e concentrado como este, era natural que os cenários apresentados fossem bastante homogéneos e tendencialmente indiferenciados: e num sistema como aquele que rodeava o Sol, esta estrutura não poderia ser vista como algo que já pudesse em si interferir com outros conjuntos adjacentes, mas sim como uma célula ainda no seu período de desenvolvimento e adaptação ao meio envolvente – em transformação (e crescimento) e antes de se dar a sua eclosão. Assim o Sistema Solar deveria ser visto como uma célula fazendo parte de um grande Universo Vivo (organismo), lutando no espaço resultante da desconcentração inicial com outros Universos, integrando uma amplitude infinita de diferentes níveis paralelos e concorrenciais. A Terra e Marte viviam num sistema planetário mínimo, rodeando um pequeno foco de energia que os mantinha unidos e protegidos – como se fizessem parte de um condomínio fechado – e não era a sua diferença de idades, o seu nível diferente de desenvolvimento ou até a diferença da sua distância ao Sol, que lhes proporcionaria destinos e objectivos sem contactos, ainda por cima compartilhando matéria, energia e movimento e concretizando-se no mesmo espaço. A melhor explicação seria dada pela imagem dos espermatozóides lançados pelo desconhecido à procura da outra parte: na sua viagem alucinada pelo mundo os espermatozóides não deixam de o ser apenas porque só um deles concretiza o roteiro programado da viagem. Toda a grande construção irá dar origem a uma transformação que tudo (e todos) englobará, partindo-se posteriormente a membrana e aí entrando o resto do mundo – Os Outros, a Memória e o Conhecimento. E o que se passava na Terra já se passara em Marte. E noutros locais o mesmo ocorreria ou estaria mesmo a ocorrer: teria sempre que haver um factor comum de habitabilidade entre pontos pertencentes a uma mesma família (ou grupo). Porque teria que ser a Terra o único planeta possível de existência de vida e nesse mesmo Universo ao qual pertencia o Homem, este ser apenas uma das espécies dominantes e entre estas logo a mais atrasada? Se fazemos o Mundo à nossa imagem é porque nós somos o Mundo. Catarina EP Burne parou então o Simulador. Ainda tinha algum espaço para jogar (o marcador indicava 17/24 por sinal uma dízima infinita periódica).

 

Sentado na relva Esteves Macuin encontrava-se silencioso há pelo menos cinco minutos. Consultava uns dados do seu simulador, enquanto de uma forma preocupada ia olhando para a sua esquerda. Parecia agora um pouco mais nervoso o que nos começava também a incomodar: tentei chamar-lhe a atenção mas estava demasiado absorvido com as suas tarefas. Aí João Uaine levantou-se, dirigindo-se-lhe e tocando-o ligeiramente no ombro. Deu um salto, quase que gritou, reassumindo no entanto e muito rapidamente a sua estabilidade emocional. Pediu de imediato desculpa e para nos acalmar, ainda se riu connosco um bom bocado. À esquerda ainda se ouviu um alarido mas que durou poucos segundos. Nada se via. Na verdade não foi o que pensou Esteves Macuin. Este tinha (quase) a certeza de que uma das suas ligações centrais de comunicação tinha sido violada num determinado ponto anterior (e por essa razão achava estar já a ser perseguido, mas por um agente menor), mas agora o alerta vinha de sucessivos registos (claramente identificados) de intrusões ao sistema, vindas de níveis superiores e com acesso privilegiado (diga-se total). E nesse caso a Intervenção seria Directa. Teria forçosamente que se dirigir às suas origens e aí procurar protecção junto dos seus antepassados: só assim sobreviveria às regras impostas pelo Jogo. Ou não seria Deus a Entidade Central, o Operador?

 

Catarina EP Burne telefonou para o seu programador, solicitando-lhe para a colocar com a maior urgência em contacto com os periféricos sob a sua intervenção. Foi de imediato informada da intervenção local iniciada pela senadora Josefa Macarti, sua localização e canais de comunicação. Esta estaria na perseguição a Esteves Macuin supostamente por “acesso indevido e sem autorização previa por parte deste a áreas protegidas e podendo com as suas acções provocar danos colaterais e irreversíveis”. Desprezando (sem o sentido da ofensa mas no sentido prático) o arrazoado da sua colega em hierarquia (do mesmo nível em extensão, mas paralela em compreensão), solicitou uma ligação dedicada e em exclusivo à mesma, enquanto fazia a sua acção executiva que a colocaria antes de todos no seu Ponto de Encontro (no mapa do Tesouro marcado com um X). A conversa foi rápida e esclarecedora: apanhara de tal forma desprevenida e sem hipótese de reacção a sua colega Josefa Macarti, que ela nem tivera tempo de dizer não. Pegou nos seus acompanhantes, reorientou cronologicamente os acontecimentos aí registados de modo a manter o programa para aí estabelecido e como combinado deslocou-se para as novas coordenadas.

 

Em miúdo Esteves Macuin tinha ouvido muitas vezes nas tabernas minha da terra os mais velhos contarem entusiasmados e já com uns bons copos enfiados no corpo a lenda do tesouro do Castelo de Outono. Também as mulheres falavam dele, mas como diziam que o tesouro enterrado seria o de uma bela mulher que esperava que algum homem o encontrasse para assim casar com ele, falavam uma vez (se forçadas) para nunca mais. Era um castelo pequeno mas com muralhas esguias, prolongadas e que ainda nos encantavam e que passados centenas e centenas de anos, ainda nos falavam da vida e de todos aqueles que por lá tinha passado. Um mistério rodeado pela áurea de um tesouro. Morando nas suas redondezas esse lugar mágico fora o centro de muitas brincadeiras, aventuras e algumas lutas. Nelas muitas das vezes envolvendo o nunca encontrado tesouro, os que estavam contra e a favor. Mas nunca tendo encontrado nada, pelo menos até ao seu desaparecimento. Mas ele sempre tivera o pressentimento de que o Castelo de Outono seria na verdade o guardião desse tesouro, ele próprio um tesouro, só que não se sabendo onde, nem se sabendo como.

 

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O desenho do senhor Antero – representando o objecto desconhecido

 

O senhor Antero viajava a caminho da sua casa na localidade de Rio Seco – depois de uma tarde de grande comezaina bem regado por um belíssimo vinho tinto da região – pensando nas boas horas passadas e nos petiscos aí degustados. A meio da sua viagem e perto de um cruzamento que ia dar ao que pareciam ser umas ruínas – com a sua idade já não via muito bem – teve que parar e ir fazer uma necessidade fisiológica. Tinha bebido muito e com a trepidação provocada pela viagem a bexiga estava mais sensível, urinando com mais frequência. A noite apesar da época do ano estava bastante agradável, com o céu descoberto e bastante estrelado. Só uma brisa mais fresquinha que por vezes soprava de Espanha é que por momentos estragava tudo. O silêncio era quase total, ouvindo-se aqui ou ali um ramo a abanar ou um bicho a falar. Acabou por se sentar um pouco sobre uma pedra ao lado da estrada e enquanto ia fumando um cigarro pôs-se a olhar para cima. Ao fundo surgiu o que parecia ser objecto luminoso. Num instante estava lá, como de seguida se encontrava sobre o monte de ruínas. Parou repentinamente, emitiu umas luzes estranhas e desapareceu logo por trás do monte. Antero pode avistar ainda que por instantes duas silhuetas na parte superior do objecto, parecendo ter caras humanas apesar de um nada orelhudas. Via-se uma ligeira claridade no ponto onde o objecto teria aterrado, tendo sido a mesma durante alguns segundos acompanhada por um zumbido (como se de uma máquina eléctrica se tratasse) que poucos segundos depois se extinguiu. Temporariamente voltou tudo ao silêncio. Olhou para o relógio que indicava estar quase nas oito da noite. Noutra altura qualquer teria ido espreitar mas agora não estava para aí virado. Resolveu esperar mais um bocado (até para ver o que acontecia) e enquanto comia a sanduíche de presunto que lhe tinham oferecido (para a viagem), bebeu mais um trago de aguardente (da termo) e acendeu mais um cigarro.

 

A pouco mais de vinte quilómetros do seu destino, os três pararam num pequeno café situado ao lado da estrada: e com João Uaine ao meu lado acompanhei-o ao interior do estabelecimento e aí comemos e bebemos, descansando um pouco o nosso corpo assim como os nossos pensamentos (enquanto Esteves Macuin consultava o mapa e os dados recolhidos). E antes de partirmos para esta terceira e última fase da sua estadia na Terra ainda combinamos as coisas e recordamos o passado. Nesse espaço de desmontagem Esteves Macuin não mais se conteve, acabando por abrir o seu mundo de sentimentos ao nosso mundo de percepção, agora que o ponto de transição se aproximava e que ele tinha definitivamente de se decidir: ou se sujeitava (ao seu passado) ou se propunha (a um novo futuro). Em conversa conjunta de amigos decidiram alterar o seu destino e procurar uma nova Porta para as suas Inquietudes (que agora eram de todos). Dirigiram-se então para Almeida.

 

Por volta das 21h00mn estavam à entrada de uma das portas de entrada da Praça-Forte de Almeida, deparando-se os três com uma solitária silhueta feminina mesmo à sua entrada. Esteves Macuin não parou deslocando-se na sua direcção. Ao chegar junto dela saudou-a, teve com ela alguns gestos de cortesia (e outros que não conseguimos interpretar), deixando-se os dois de seguida ficar numa prolongada e acesa conversa que se prolongou por cerca de quinze minutos. Então Esteves Macuin pediu-nos para o acompanharmos, entrando todo o grupo no interior da fortaleza. Reuniram-se então no interior de uma ampla casamata, onde dois outros indivíduos os esperavam. Sentaram-se todos em redor de uma rude mesa de madeira bem apresentada e guarnecida e enquanto se começavam a servir, Catarina EP Burne levantou-se da sua cadeira e com a ajuda de um monitor iniciou a sua oratória. Enquanto isso e a uns miseráveis quilómetros de distância Josefa Macarti abandonava o seu local de intervenção junto ao Castelo de Outono, abalada emocionalmente pela sua inesperada (e certamente com consequências) ultrapassagem lateral e acabando (sem intenções) por descarregar os efeitos provocados pela emissão abrupta dos seus sentimentos sobre o pobre Antero, que já sobre os fortes efeitos do álcool e num trajecto aos ziguezagues, subia lentamente a encosta do monte com a sua mota bem luminosa e cada vez mais fumegante: um raio certeiro atingiu-lhe o veículo, atirando-o pelo ar para o cimo de umas silvas. Aterrara direito mas levara um grande coice.

 

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EP Burne – Encontro real ou simulação por programação

 

No monitor de Catarina EP Burne podiam-se ver algumas sequências de um conflito militar talvez passado nos séculos XVIII-XIX, envolvendo forças portuguesas e francesas. Nos episódios finais as forças inimigas e invasoras comandadas provavelmente por um dos generais franceses sob o comando de Napoleão Bonaparte colocam sob forte fogo de artilharia a Fortaleza Fortificada de Almeida, acabando o ataque por provocar uma forte explosão, destruindo completamente o castelo e deixando no mesmo estado grande parte da vila. Os franceses tomam então posse de Almeida, sendo poucos meses depois expulsos pelos nossos aliados ingleses. Mas neste caso esta apresentação não pretendia referir-se ao acontecimento histórico em si mesmo (à sua interpretação e conhecimento das suas causas e consequências), dirigindo-se apenas a um pormenor presente nas imagens: a violenta explosão registada. Ela teria na realidade ocorrido não por intervenção (deliberada) exterior – provocada pelo impacto de um projéctil da artilharia francesa que teria atingido um dos paióis da fortaleza portuguesa fazendo-o explodir – mas por intervenção (acidental) interna. Na verdade estaria em causa a sobrevivência de um elemento da sua espécie (como ela do sexo feminino) em fuga há já vários dias a autoridades políticas e religiosas de Espanha pró-bonapartistas (pretensamente por práticas de bruxaria) e recolhida acidentalmente perto da fronteira espanhola por batedores locais, previamente alertados do rápido avanço das tropas napoleónicas. A bela estrangeira aparentava estar extremamente fraca e prestes a desfalecer, sendo apenas acompanhada por um jovem ajudante, completamente perdido e praticamente incapaz. O capitão decidira de imediato ajudar a jovem, transportando-a com o seu ajudante até à protecção das muralhas de Almeida. Ali estaria protegida do frio da noite e dos seus inimigos e poderia recuperar as suas forças. Mas a pressão provocada pelo avanço sem qualquer tipo de oposição por parte das forças franceses e o início em força e em violência da actividade dos seus artilheiros, forçara a uma intervenção imprevista e de emergência dos observadores alienígenas, no sentido de salvaguardar a vida da sua colega de espécie retirando-a do terreno. Só que sucedera um incidente e cerca de trinta segundos depois do abandono da casamata por parte da donzela e dos seus acompanhantes (e já com todos do lado de lá e em segurança) a porta de saída desintegrara-se destruindo com a onda de choque tudo à sua volta. Por qualquer motivo a matéria em oposição acabara por se tocar, explodindo com elevadíssimos níveis energéticos.

 

E agora era Catarina EP Burne que ali estava, precisamente na mesma casamata e mais de 200 anos depois do aí sucedido: precisamente pelas 22:00 do primeiro sábado do mês de Novembro (dia 1) do ano de 2014. “O mundo era o resultado de interacções ocorridas num determinado espaço do Universo, no seu processo natural de transformação e evolução para outros níveis energéticos. Essa evolução concretizada a partir de um estado neutro da Matéria (neutro por invisível e indetectável e não por comprovada inexistência) era equacionada sobre duas variáveis: sendo uma o movimento (relacionando espaço e tempo) e a outra a sua massa (relacionando força gravitacional e aceleração). No entanto uma das variáveis introduzidas no sistema (integrado na realidade do programa que suportava o nosso Universo) na verdade não o era, não passando de uma mera Constante (abstracta) transformada indevidamente em parâmetro real: o Tempo. O tempo não passa de uma constante relacionando o Espaço Total com o nosso Espaço Particular: e quando os espaços se equivalerem o Universo terá evoluído para uma nova fase do seu crescimento (interno para externo), entrando em contacto com outros Universos e formando uma nova plataforma de contacto e reprodução. É que os Multiversos existem e requalificam-se por contacto (Eléctrico) e não através de intrusões mecânicas e ineficazes: tal como o Bem e o Mal são conceitos confusos e apesar disso conciliáveis (por inexplicáveis face aos mecanismos da Natureza e do Universo, logo inexistentes), o tempo só é aceite por ser uma boa maneira de nos produzir e eliminar e assim manter a Máquina Objectiva Viva (afinal o único objecto que nasce e que morre e tem direito a esse tempo de transição é o Homem – por ser produto de desgaste rápido e instantaneamente substituível por reprodução; e os outros não tinham alma e eram sempre recicláveis).” E assim se deixou levar (no início da sua oratória) a nossa Catarina EP Burne.

 

Então pegou numa folha e dela fez uma esfera. Num ponto da superfície da esfera enfiou uma caneta, fazendo a sua ponta sair num outro ponto da superfície da mesma. Pintou de seguida o ponto inicial com um corante vermelho e o outro com um corante verde. Fazendo pressão sobre o ponto inicial (e fornecendo-lhe energia e movimento) fê-lo coincidir com o ponto final, que após restabelecimento de todos os equilíbrios se integraram e deram origem a uma porta: que comunicando entre espaços não deixava de fazer parte dele. E então o ponto ficou amarelo. “Se não nos conseguimos desligar de todas as directivas e normas não naturais que orientam e condicionam desde sempre a nossa mente (uma espécie de lobotomia pré-natal e que todos parece atacar e possuir), a única alternativa viável será descaracterizar definitivamente o tempo retirando-lhe todas as suas prorrogativas, como os tempos limites e as suas etapas intermédias: e estando em dois tempos diferentes ao mesmo tempo, esta era uma forma de nos olharmos finalmente de vez e de frente, sem termos de recorrer a mais outro espelho deformado e comandado por um outro relógio. O espelho só nos dá uma imagem (distorcida por subliminarmente já manipulada – existem diferentes tipos de espelhos, utilizados conforme “as necessidades”) e o relógio ainda por cima a amputa”. E sem que nos apercebêssemos como, num momento estávamos na casamata de Almeida e no momento seguinte no Outro Lado da Lua, nas instalações base de Esteves Macuin. Talvez reorientando simplesmente os olhares se resolvessem muitas situações.

 

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Um salto ao planeta Marte

 

Estava de novo de regresso à base. Tudo se encontrava como tinha deixado há pouco menos de vinte e quatro horas, com as tarefas quotidianas a serem integralmente cumpridas como previsto e com as duas biomáquinas a realizarem as tarefas a ele normalmente atribuídas, neste caso substituindo-o (por sua ordem) e cumprindo a sua agenda. E então vindo de uma porta lateral que nos ligava à sala de transição da base, dois humanóides provavelmente oriundos do Entreposto SS1 situado numa das colónias de Marte, dirigiram-se a Catarina EP Burne, saudaram-na respeitosamente e após uma curta troca de palavras puseram-se à sua total disposição: a intenção desta seria levá-los (Esteves Macuin, João Uaine e eu) a um outro ponto de espaço relativamente próximo e semelhante, onde poderiam esquecer e superar as suas recordações relacionadas com aquele espaço complexo senão mesmo doentio onde sempre tinham vivido, tentando deste modo contribuir para a abertura dos limites muito fechados dos seus órgãos dos sentidos, catapultando e direccionando os nossos processos mentais, para a infinidade das coisas e para a relativização de um único espaço (mesmo sendo aquele onde sempre evoluímos), perdido e integrando o todo e o nada, o caos e a organização. Novo salto e estávamos em Marte. E no espaço percorrido entre a Lua e Marte ainda tivemos um relance episódico dum momento da história do planeta Vermelho, onde vislumbramos (como se estivéssemos a espreitar a partir do interior de um buraco cilíndrico, rodopiando a uma velocidade vertiginosa e fazendo sobrepor-se acontecimentos independentes – paralelos e/ou concorrenciais) uma superfície marciana luxuriante, preenchida aqui e ali por lagos, rios ou outras grandes extensões líquidas, onde seres vivos usufruíam do ambiente que os acolhia (como uma mãe com o seu filho na barriga) e viviam as suas vidas que este belo mundo lhes proporcionava; e repentinamente a vida entrou em regressão, a atmosfera foi-se esvaziando e as águas marcianas desapareceram (quase por completo) da sua superfície. Algo vindo do exterior atingira violentamente o planeta Marte (como se pode ver pelos vestígios arqueológicos bem visíveis em muitas regiões do planeta, algumas delas parcialmente calcinadas e parecendo resultar de alguma brutal e super-energética explosão) liquidando completamente a civilização e todas as estruturas até aí existentes e tornando-o num mundo seco, árido e desértico. Ou seria algo que, em vez de ter acontecido, ainda iria acontecer (como se colocasse em pausa e pusesse a andar para trás)? E tudo isto passado num espaço sem tempo em que mesmo estando ali, tal não era impeditivo de uma outra réplica nossa poder estar acolá ou mesmo ali também. E Catarina EP Brune sabia bem disso como ninguém, considerada como era uma grande jogadora e uma formidável simuladora: era detentora da maior colecção de Originais.

 

Estávamos na região marciana de Nova Cydonia. Pela sua topografia remarcável e se aí imaginássemos a presença de água, esta poderia ter sido num qualquer espaço ou dimensão escolhida, uma grande urbe costeira deste misterioso planeta vermelho. Tínhamos sido todos transportados para uma sala completamente isolada do exterior, apresentando apenas uma porta de comunicação e um espelho frontal transparente, atrás do qual era perceptível a presença de um indivíduo debruçado sobre um painel de instrumentos, que parecia ir manipulando as teclas de um qualquer aparelho, enquanto ia espreitando quase que mecanicamente cada 5 segundos. Ao ver-nos chegar acenou imediatamente e logo apontou a porta de saída. Saímos assim da Sala de Salto TM-3 e de uma forma surpreendente, logo ao primeiro passo e sem que tivéssemos sequer tempo para hesitar, o que nos esperava não era apenas mais um habitáculo artificial de mais uma colónia perdida no Universo, mas de facto a apresentação do planeta a estes novos visitantes e convidados, através da oferta para usufruto de um cartão de visita natural: pisávamos directamente o solo do planeta em subterrâneos atravessando túneis e galerias existentes no seu interior, possuindo uma atmosfera compatível com as necessidades do nosso organismo e terminando em certos locais mais elevados em fantásticas clarabóias naturais e panorâmicas, que nos permitiam observar tudo o que lá fora nos rodeava. As cores eram verdadeiramente acolhedoras e hipnotizantes e a iluminação própria que o material emitia, só lhes dava um aspecto ainda mais intrusivo e penetrante, como se as misturas de cores que presenciávamos fossem uma das assinaturas ainda reconhecidas e válidas deste nosso conhecido planeta.

 

(imagens – Web)

 

Fim da 3.ª parte de 5

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:22

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