Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

02
Jun 15

Demonstrando mais uma vez para que servem maioritariamente certas plataformas digitais como o INSTAGRAM, eis que a WEB nos presenteia com mais uma inutilidade social: a publicação das fotos em trajes minimalistas das apelidadas Rainhas do Instagram e de mais algumas das suas colegas e amigas.

 

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Na Festa do Pijama

 

Originalmente tendo como objectivo da sua constituição a troca de informações entre as mais diversas entidades e instituições científicas (universidades, centros de investigação), o alargamento desta rede de comunicações privilegiada e ao tempo revolucionária, transportou-a noutras direcções (não desejadas na origem mas no decorrer do processo esmagadoramente maioritárias), acabando por diluir estas informações prioritárias, asfixiando-as neste caos informativo.

 

Actualmente as auto-estradas da informação começam a ficar cada vez mais congestionadas, tal a quantidade de lixo que nela circula e ainda por cima registando um crescimento provavelmente exponencial: desde a inundação provocada pelo imenso lixo burocrático administrativo e institucional, passando pelo dilúvio publicitário de tudo aquilo que possa ser transaccionado ou representar dinheiro, até às notícias e mensagens de maior ou menor impacto social (quase 100% sendo lixo mas mesmo assim sendo extremamente rentável), tudo pode circular sem grandes preocupações e na mais completa liberdade nesta auto-estrada Web.

 

Actualmente se eu procurar uma marca de enchidos, um encontro íntimo com um outro parceiro, quantos filhos tem o Primeiro-Ministro ou se o meu clube foi campeão, a informação surge logo em catadupa, com milhões de outros ficheiros associados e outros tantos milhões de elementos indesejados. Como se já não bastasse a caixa do correio tradicional carregada de facturas e explodindo de folhetos publicitários.

 

Assim, cumprindo mais uma vez a função a ele associado e subalternizando a função para a qual tinha sido originalmente criado, eis que nos chega mais um produto digital, supérfluo mas fundamental. Nestes tempos modernos em que hoje vivemos, perdido o desejo pela Natureza, desvalorizado o valor do original e banalizada a própria reciclagem, o que sobra é a mais-valia e os produtos que a fazem crescer. E deste modo se equipara o sujeito a um mero objecto (vivo) transformando-o num ícone publicitário.

 

E se for considerado (ainda) um subproduto (ou seja de nível inferior) da nossa hierarquia civilizacional, para o sucesso do negócio ainda será melhor: por exemplo uma mulher, aparentemente equiparada em direitos e deveres ao elemento do sexo masculino, mas ainda posta de lado e diminuída (humilhada) no acesso à esmagadora maioria dos cargos legislativos e de chefia. Só se safando a excepção, um tipo de criatura híbrida (em princípio feminina) situada entre o homem e a mulher (os homens usam um estratagema idêntico, mas em sentido contrário e com objectivos de usufruto bem definidos e eficazes).

 

No entanto temos que reconhecer que o produto que aqui é exposto gratuitamente é de (pelo que dizem) de excelente qualidade. Pelo menos para quem ainda domina o Homem e todas as suas mulheres: o indivíduo do sexo masculino. E que melhor sorte do que ver uma mulher em trajes íntimos atirando-nos olhares provocantes como se ameaçasse despir-se (e revelar o seu corpo na íntegra), já que nunca na vida lhes iremos tocar. Com corpos, mamas e rabos (e outros orifícios) e muitos homens a ver (a comprar e a vender). Até que poderia ser pior.

 

(imagem – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:01

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