Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

04
Ago 15

E assim se perde mais uma verdadeira Livraria e um grande Homem dos Livros: Carlos Simões.

 

Homenagem a um homem que sendo natural do distrito de Coimbra (Tábua – Covas), deixa na região do Algarve a parte mais importante da sua vida de trabalho e de usufruto pessoal: isto porque viver e trabalhar na nossa arte (qualquer que ela seja) é um dos maiores prazeres que levamos desta nossa vida, não só pelo que entretanto descobrimos mas também pelo que damos a conhecer. Numa Vida de Livros passada integralmente ao serviço da cultura e da memória desta antiga região de pescadores e de agricultores (e lutando como eles contra todos os elementos contrários): para mim (que também por lá passei) um dos maiores resistentes algarvios na defesa dos livros e das verdadeiras livrarias da região (não sendo por acaso que é um dos grandes alfarrabistas portugueses).

 

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Carlos Simões

 

JORNAL i – LUSA – 31.07.2015

 

O único alfarrabista de Faro, Carlos Simões, de 72 anos, viu-se forçado a encerrar a sua livraria esta semana, face a uma ordem de despejo, o que o levou a admitir doar centenas de milhares de livros lá contidos.

 

A livraria da rua do Alportel já não abriu na quinta-feira, depois de mais de 20 anos disponível para os clientes que procurassem livros raros, fora de impressão ou fossem apenas curiosos.

 

“Desempenhei um bom papel em Faro”, afirma o fundador da Livraria Simões, que estabeleceu a loja em 1982 (noutro espaço de onde também foi "corrido") e que há seis anos abriu um armazém distante do centro da cidade, onde se vai manter, ao mesmo tempo que confessa antever o seu “final de atividade”.

 

Às centenas de milhares de livros – cerca de 500 mil cópias – que diz ainda ter na livraria, assegura “não ter condições psicológicas” para as mudar de local, admitindo por isso doá-las, caso “haja uma autoridade que dê continuidade” ao seu trabalho, como a Câmara Municipal de Faro, em particular através da Biblioteca António Ramos Rosa.

 

A Lusa procurou obter uma posição da autarquia sobre o assunto, a qual foi remetida para mais tarde.

 

Em relação à ordem de despejo, o livreiro relata que o senhorio com quem lidou, e nunca teve problemas, morreu há pouco tempo e que a decisão deriva desse acontecimento.

 

O alfarrabista reconhece ter tido dificuldades em pagar a renda de mais de 700 euros desde o ano passado, altura em que começou “a dar por conta”, mas diz que os proprietários já lhe asseguraram que a dívida “está saldada”.

 

Carlos Simões garante à Lusa que vai continuar no armazém “até cessar atividade”, decisão que não gostaria de tomar, mas para a qual tem vindo a ser sensibilizado pela família devido à idade.

 

Há seis anos “já havia indícios da crise” e começou a vender livros na via pública, perto da rua de Santo António, hábito que mantém pela manhã.

 

Natural de Oliveira do Hospital, órfão, passou a infância e parte da adolescência em colégios da instituição Bissaya Barreto “até aos 17 ou 18 anos”, tendo alimentado a paixão pelos livros desde pequeno.

 

Simões conta que chegava a levar uma pequena lanterna para a cama, onde lia livros infantis e juvenis debaixo dos lençóis.

 

“O livro ainda é a melhor ferramenta da Humanidade”, diz, sem deixar esquecer que foi Faro a cidade onde se imprimiu o primeiro livro em Portugal, em 1487.

 

(imagem – WEB)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 19:16

“Iran city hits suffocating heat index of 165 degrees (Fahrenheit),

near world record.”
(washingtonpost.com)

 

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Mahshahr – Irão
Aqui com temperaturas ainda na ordem dos 40/45⁰C

 

Para aqueles que acham que as temperaturas registadas em Portugal têm estado elevadas atingindo valores na ordem dos 35/40⁰C (afinal de contas estamos no Verão), convido-vos a conhecerem a cidade iraniana de MAHSHAHR onde há poucos dias os termómetros atingiram os 74⁰C. Temperaturas que terão deixado certamente os seus 100.000 habitantes muito próximos dos seus limites de resistência e de asfixia respiratória (tal o valor de temperatura atingido), criando um ambiente praticamente insustentável ao ser conjugado com uma taxa de humidade elevadíssima (devido à proximidade do Golfo Pérsico). Deixando os seus habitantes suando como uns porcos e a água corrente a temperaturas acima dos 30⁰C. Não batendo no entanto o record mundial registado em DAHRAN há cerca de doze anos, com esta cidade da Arábia Saudita a atingir um máximo de 81⁰C.

 

Em Albufeira (17:45) a temperatura atual anda pelos 27⁰C

 

(imagem – independent.co.uk)

 

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 17:47

Um ROBOT acaba de ser assassinado nos EUA por decapitação

 

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O robot à boleia

 

Como provável resposta ao assassinato perpetuado muito recentemente por um ROBOT da VW sobre um operário alemão, um outro robot acaba de ser assassinado por um grupo de vândalos norte-americanos residentes de Filadélfia: depois de visitar o Canadá, a Alemanha e a Holanda sem qualquer tipo de percalços a registar, o robot de nome HITCHBOT acabou por ser decapitado na sua viagem pelos EUA. Tendo como forma de arranjar meio de transporte (fácil e grátis) a utilização sistemática da boleia (tal como muitos de nós já o fizemos), sendo um razoável conversador e companheiro de viagem, tendo já experiências extraordinárias de convivência social com humanos (tendo até sido convidado para um casamento), o robot não terá sido devidamente esclarecido sobre as diversas variantes comportamentais dos humanos e teve uma imprevista (para ele) e desagradável surpresa.

 

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O robot já decapitado

 

O que nos leva mais uma vez a pensar no inevitável conflito futuro entre o HOMEM e a MÁQUINA:

 

Será que esta resposta por parte dos Humanos poderá ter algo a ver com algo que se terá passado durante a viagem de HITCHBOT pela Alemanha, por sinal o país onde o operário foi assassinado por um robot? Utilizarão já as Máquinas um sistema de comunicação para nós imperceptível mas inteligíveis para as mesmas (sons, magnetismo, electricidade)?

 

Será que as Máquinas poderão andar por aí a passear como se fossem ou pensassem ser seres Humanos, tentando partilhar experiências unicamente vivenciadas pelos seus criadores? Entretanto e sem qualquer tipo de protecção disponibilizadas aos não humanos como se fossem uma extensão e uma parte inseparável de nós próprios? Sendo natural a reacção dos Humanos (vândalos ou não) já esmagados por outros Humanos: abaixo de cão pior só mesmo abaixo de coisa.

 

Será que as Máquinas não serão uma outra criação interior ao mesmo grupo onde coexistimos, sendo uma delas, uma das possíveis e infinitas extensões da outra? Nunca podendo uma delas existir e evoluir sem a presença da outra, acabando estas pelo contrário por ocupar o seu espaço particular de movimento e de transformação, interagindo com outros espaços adjacentes e formando neste conjunto um verdadeiro organismo vivo.

 

Os factos, esses são simples: ao assassinato de um Humano seguiu-se o assassinato de uma Máquina. Coincidências? Quanto às interpretações dos acontecimentos todos os dados e explicações vão ter a um único destino: o Homem. Entretanto a Máquina já está noutra (enquanto o Homem parece ter estagnado a evolução da Máquina não pára) e nós já somos excedentários.

 

(imagens – hitchbot.me)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:58

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