Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

28
Out 16

“Alguns estudiosos estimaram o ano de 28 DC como sendo, a grosso modo, o 32º aniversário de Jesus e, portanto, que ele teria nascido entre 6 e 4 AC.”

(wikipedia.org)

 

Adoration_of_the_Shepherds-Caravaggio_(1609).jpg

Adoração dos Pastores

Caravaggio

1609

 

Dois mil anos após a passagem de Jesus Cristo pelo planeta Terra (numa altura em que a índia e da China representavam 1/3 e 1/4 da população mundial, num total de 58%) e com dezenas de Eventos a marcarem a sua (por vezes extraordinária) cronologia, a civilização terrestre (especificamente após a queda do Muro de Berlim/Fim da URSS, rigorosamente após os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 nos EUA) parece encontrar-se de momento a atravessar um período de evidente decadência (recorrendo-se cada vez menos às capacidades do Homem) e de falta de ambição (ignorando-se os caminhos da experimentação e com isso o desenvolvimento das nossas capacidades – como todos nós sabemos deliberada e insuficientemente exploradas). Curiosamente com estes dois grandes países do continente asiático (índia e China) a dominarem já nessa altura quase 60% da economia mundial de então (século I).

 

Um fenómeno socioeconómico que se manteve durante quase 90% deste registo da cronologia humana (1800 anos), completamente alterado nas suas bases doutrinárias e ideológicas aquando do início do período da Revolução Industrial. Por essa altura substituindo-se o paradigma económico de quantas mais mortes melhor (menos gente melhor distribuição) e quantos mais nascimentos pior (mais gente pior distribuição) rigorosamente pelo seu oposto, numa manifestação clara e inequívoca da hipocrisia e do desprezo pelo coletivo, pela sociedade e por todas as suas manifestações humanas e civilizacionais: ignorando todas as nossas balizas (limites) de sobrevivência (controlando o acesso à cultura e limitando-nos o acesso à memória), abandonando-nos à doença e à marginalidade (falta de cuidados de saúde e ausência persistente de trabalho) e sobretudo (porque tudo tem limites) impondo cada vez menos mortes (pretensamente na defesa do indivíduo num motivo imposto pelo clero) e consentindo mais nascimentos (pretensamente na defesa do coletivo num motivo imposto pela nobreza), transformando um mundo ainda com hipóteses numa hipótese sem mundo conhecido – sobrelotando o mundo, levando-o à sua rapina e à nossa próxima extinção.

 

Com o início e desenvolvimento da Revolução Industrial com os EUA a tornarem-se o grande protagonista Global (5% da população global e 20% de GDP), logo sendo acompanhados pelo novo mercado então já emergente (o continente asiático com 60% população mundial e 30% de GDP) e que levaria mais tarde a China a substituir no ranking intercontinental os EUA e a tornar-se (já hoje) na maior potência económica global. No decurso de 2000 anos de História da Humanidade em que assistimos entre outros acontecimentos à Ascensão do Islamismo (um fenómeno natural nas trevas da Idade Média ainda por cima quando os árabes dominavam o comércio e as ciências), à descoberta do Novo Mundo (em que os portugueses tiveram um dos papéis principais com a sua aventura na Epopeia Universal dos Descobrimento) e à mítica Revolução Francesa (com os sonhos populares associados à implantação da Republica posteriormente diluídos e esquecidos), até chegarmos ao século XIX e ao definitivo início da inversão de valores: com a força do Homem (mestre) a começar a ser substituída pela força da Máquina (aprendiz), inicialmente com os Homens em maior número relativamente às Máquinas, mas futuramente e com a aquisição (e mais rápido processamento) por parte destas de todas as capacidades dos seus anteriores mestres, podendo substitui-los integralmente mesmo a níveis superiores. Tornando-se o Homem numa mera peça decorativa sujeito a tempos e modas (já que o espaço é cada vez menor).

 

Levando ao aparecimento da classe média europeia (com a Revolução Industrial) e sendo a verdadeira chave do sucesso não só da Europa e do Ocidente como também dos EUA: num período em que a Europa dominou o Mundo mas que, como parece acontecer sempre que alguma nação de uma forma injustificada e prepotente se sobrepõe ao interesse coletivo de todas as outras, o que aconteceu foram duas grandes guerras de consequências verdadeiramente apocalípticas (para este continente como para os outros) – a primeira e a segunda Guerra Mundial (com um intervalo de apenas vinte anos). Impulsionando o mundo para o que ele é hoje com um único país (EUA) dominando e impondo unilateralmente a sua supremacia global (essencialmente militar) e tentando por outro lado e já numa fase de desagregação ideológica e de decadência, manter-se no pódio nem que seja através de ameaças e de pagamentos. Deixando-nos aqui num canto a questionar para que terão servido estes últimos duzentos anos da nossa história (talvez mesmo perplexos), quando por cá passaram indivíduos como Pasteur e Einstein, quando estudamos a Terra e exploramos o Cosmos, quando prolongamos a vida e diminuímos as mortes, quando privilegiamos a amizade sobre o trabalho, quando tantos se sacrificaram por nós (sem se identificarem) … no preciso momento em que nos sugerem bem juntinho à orelha e com uma tranca na mão (para o que der e vier) que no Mundo tudo parou à espera do veredicto final: menino (Trump) ou menina (Hillary)!

 

Num planeta onde os seus mais de 7 biliões de habitantes se entretém entre os seus afazeres quotidianos de miséria e de sobrevivência, entremeados por momentos de incondicional obediência às suas chefias (representantes remunerados pela Elite) sistematicamente preenchidos por guerras, doenças e morte (os nossos principais temas de índole existencial). Destruindo este Milagre até hoje irrepetível, neste Universo sentido e por nós percecionado – e logo com existência de vida, inteligente e organizada.

(Mas o que pensaria de tudo isto um observador externo?)

 

(imagem: Museu Regional de Messina/wikipedia.org)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 09:22

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