Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

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Jun 13

No seu passeio iniciado recentemente sobre a superfície do ainda misterioso e desconhecido planeta Marte, o veículo norte-americano Curiosidade tem-nos oferecido imagens de paisagens espectaculares registadas durante o seu trajecto já cumprido em solo marciano. Aproveitando essas viagens exploratórias em território muito distante e ainda virgem para os seres humanos, uma das questões que todos levantamos de imediato e que entronca com o mistério associado ao nosso aparecimento e às nossas origens, é o da existência de vida neste planeta, no presente ou no passado. E sem água – sempre presente no interior e exterior dos nossos corpos – seres vivos como nós, não terão existido de certeza. No entanto e pondo de lado todos os disparates, a semelhança é tremenda!


A lógica evolutiva da ligação Marte-Terra

 

Quando éramos pequeninos e morávamos perto do mar era frequente na época do Verão especialmente quando fazia mais calor e a vontade muito apertava ir-mos até à praia mais próxima e molharmos os pés na água salgada do mar. Muitas vezes chegávamos à praia previamente escolhida e fazia um vento bastante desagradável além de o mar se apresentar com ondas perigosas e ser proibido nadar. Mas muitas e muitas mais vezes, de que jamais me hei-de esquecer, o dia apresentava-se lindo, o ar cheirava a maresia e até a água da maré-baixa que nos acariciava os pés, descobria debaixo de si um mundo secreto de dezenas e dezenas de seres vivos marinhos, habitando um território flutuando sobre pedras e areias. Um lugar que simbolizava a união de dois corpos numa dimensão reprodutiva.

 

O efeito da erosão provocada pela força do mar era bem visível para todo aquele viajante – mesmo que muito distraído e a usufruir em delírio da temperatura de um gelado – que se dirigisse em direcção ao areal, não só através do exercício do seu sentido da visão, como pelo usufruto pessoal do sentido do tacto e respectivo prazer resultante da sensação desse subproduto sedimentar, sob a epiderme colocada na parte inferior dos nossos pés, deixando-nos completamente alegres e desconformes como se nos estivessem a fazer cócegas sem parar. Com a mesma felicidade e saudade surpreendente, com que me recordo de parte da letra duma canção do tempo da minha avó: “O Mar enrola na areia, ninguém sabe o que ele diz, enrola na areia e desmaia, porque se sente feliz”.

 

(imagem – NASA)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:56

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