Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

17
Set 13

Ficheiros Secretos Pós-a/341

(a/Apocalípticos)

 

“O Homem não passa de mais um ponto de transição entre um passado e um futuro, não sendo necessário para a existência do mundo, mas necessitando dele para ser e sobreviver, pois só enquanto for nele e dele tiver noção, se manterá vivo e consciente. Quanto aos Sonhos, estes darão sempre ao Homem o seu contributo para que a nossa passagem pelo mundo seja mais suportável, demonstrando que a vida apresenta muitos caminhos alternativos e que a sobreposição do poder e do conhecimento (inconsciente) é a nossa única hipótese de termos um futuro: no dia em que negarmos os sonhos é porque já não existimos”!


Erupção do vulcão do Monte Santa Helena

 

Dia 25 – 15h 00mn

Estávamos já perto do final do mês de Dezembro de 2013 ainda aproveitando uns resquícios do bom tempo que se tinha registado na época das férias do Verão passado e com o mundo a girar normalmente na sua órbita em torno do Sol – e ultrapassado já o solstício de Inverno verificado na tarde do dia 21 de Dezembro – quando subitamente uma notícia de última hora apareceu na televisão dum café localizado na cidade de Albufeira, despertando a minha atenção e a dos poucos indivíduos aí presentes entretidos a jogar o dominó e a beber umas minis, enquanto o tempo não refrescava um pouco mais de modo a irem cumprir as suas actividades diárias ainda por concluir – afinal hoje era dia de Natal. Um vulcão localizado a mais de cem quilómetros de Seattle no estado norte-americano de Washington nos EUA, teria entrado em erupção explodindo violentamente e sem grandes avisos que o antecedessem – e que desse modo pudessem ter colocado em alerta os sismólogos e outros especialistas em fenómenos de vulcanismo – provocando de imediato e devido à sua extrema violência o pânico geral em todas as regiões adjacentes e a fuga descontrolada de todos os seus habitantes completamente desorientados: pelas imagens um pouco confusas e distorcidas divulgadas por uma cadeia de televisão local o vulcão teria mesmo explodido inesperadamente atirando verticalmente para a atmosfera material piroclástico atingindo alturas que os repórteres afirmavam ultrapassar os 10.000 metros, sendo ainda acompanhada por uma barreira devastadora que se deslocava horizontalmente em todas as direcções que rodeavam o vulcão esmagando e desintegrando tudo à sua passagem. Há já mais de trinta anos que uma erupção no mesmo vulcão provocara o abatimento duma das suas encostas, baixando em poucos segundos cerca de 400m da altitude do seu cume inicial e originando o desaparecimento de mais de duas centenas de habitações, a morte de quase 60 pessoas e a destruição de tudo em seu redor num raio de vários quilómetros.


Diagrama da órbita do cometa ISON

 

Dia 25 – 16h 00mn

Com uma certa curiosidade e alguma preocupação com o episódio que se estava a passar na costa leste norte-americana – e já que no café todos queriam ver o jogo de futebol, pouco se importando com o que se passava nos países dos outros – decidi ir até casa e ver o que diziam as notícias emitidas pelas estações de televisão internacionais e as últimas informações transmitidas (e constantemente actualizadas) oriundas via internet. Tinha já ligado o meu portátil quando o telemóvel que tinha colocado sobre o canto da secretária começou a vibrar, quase que caindo com a deslocação provocada pela sua oscilação suicida: apanhei-o logo no início do desequilíbrio, conseguindo de imediato e com sucesso total estabelecer a ligação com o meu amigo Daniel, um jovem cientista de origem luso-americana e actualmente a residir na região do Algarve, estudioso multidisciplinar das ciências da Terra mas com algumas ideias controversas. Pedia-me para me deslocar até ao local onde se encontrava no momento, pois tinha uma coisa muito interessante para me mostrar, já que sabia do meu interesse em fenómenos ligados à sismologia e ao vulcanismo que poderiam ter algo a ver com o assunto a tratar. Só me pedia para vir de imediato até Monchique ao alto da Fóia, onde estaria à minha espera junto há base de telecomunicações e radares aí instalada: e já agora que desse uma vista de olhos rápida pelo canal de notícias da TV oficial espanhola e sobre o que ele estava agora a divulgar acerca do que estava a suceder na área de influência das ilhas Canárias. Do cometa ISON falou-me depois, já eu me dirigia em direcção ao seu encontro no cimo da serra algarvia, ainda digerindo as preocupantes novidades sobre a alteração de actividade sísmica que se estava a verificar na região em redor do vulcão Cumbre Vieja: a metade ocidental do cume do vulcão aparentava estar a suportar uma enorme pressão interna talvez exercida por acção do magma actuando em profundidade, parecendo apresentar ligeiras deformações e pequenas fissuras à sua superfície, que no entanto com o recrudescer recente da actividade sísmica poderiam degenerar em cada vez mais longas e profundas fracturas e até na queda maciça de toda a metade ocidental do vulcão no oceânico Atlântico, o que poderia originar um tsunami de grandeza imprevisível mas pela massa brutal de terra deslocada de consequências certamente trágicas. Quanto ao cometa ISON parecia estar-se apenas a verificar uma simples coincidência, já que a 26 de Dezembro este atingiria o seu ponto da trajectória mais próximo do nosso planeta e hoje era dia 25.


Simulação dum tsunami em Cumbre Vieja

 

Dia 25 – 17h 00mn

No trajecto entre Albufeira e Silves – na estrada interior que ligava a Monchique – tive forçosamente de passar pela zona das Baiãns (freguesia do Algoz), onde fui recolher algum material necessário para a realização da minha visita e ver como estava a minha casa e os animais que a guardavam: infelizmente o macho continuava desaparecido – talvez morto ou envenenado por caçadores irracionais e vingativos que achavam que o terreno envolvendo a habitação era seu território de caça – enquanto que para minha satisfação e alegria, a mãe me aguardava ao portão com uma demonstração inequívoca de plena felicidade pela minha presença, confirmando-me pessoalmente que eu não me esquecera dela. Entrei na habitação pelo lado do quintal e ainda perdi cerca de meia hora nas arrumações e preparativos, findo os quais comecei a acomodar algum material na mala do carro e decidi quase que a pedido – a Tita não parava de se lamentar – levar a cadela comigo. Sentado no banco de pedra que ladeava um dos lados do depósito de água da minha casa, acabei por receber antes da minha partida um e-mail enviado pelo Daniel onde este mostrava uma grande preocupação com algo de mais vasto que se estaria a passar, insistindo veementemente para que eu me apressasse para o encontro previamente marcado, já que para ele e misteriosamente o tempo escasseava. Infelizmente – tinha eu acabado de deixar a habitação – recebi uma mensagem já em plena estrada para o Algoz vinda da parte do Daniel, implorando-me para ver se ainda seria possível apanhar um amigo seu residente na zona do Malhão, pelos vistos muito importante senão mesmo essencial para as investigações que ultimamente levava a cabo. Acrescentava no entanto mais uma vez e um pouco misteriosamente na sua mensagem escrita, que o tempo escasseava vertiginosamente e que a recolha teria que ser realizada o mais rapidamente possível, de modo a chegarem ao ponto de encontro inicialmente combinado antes das sete da noite. O amigo iria coloca-lo logo ao corrente de tudo e já estaria avisado para a sua chegada. Mas dava a entender num curto parágrafo final que as novidades estariam em parte ligadas às notícias vindas das Canárias e dos rumores ainda não confirmados da colocação do arquipélago em estado de alerta máximo e da preparação muito adiantada de planos de evacuação: “seria a previsão dum grande tsunami?”, pensei logo de imediato.


Vista do litoral a partir da Serra do Malhão

 

Dia 25 – 18h 00mn

O desvio pelo Malhão ainda levaria um pouco de tempo a ser integralmente cumprido, apesar dalguns atalhos pontuais que poderia utilizar como era o caso da Via do Infante: nunca menos de hora e meia de viagem, isto se não surgissem contratempos imprevisíveis. Não podia esquecer que era dia de Natal e esse facto poderia trazer outros inconvenientes, tanto no que dizia respeito à viagem como no que se referia à necessidade de adquirir algo, o que se tornaria impossível com todo o comércio fechado. Atestei logo o depósito do automóvel e passado Loulé dirigi-me para a zona do Malhão, enquanto ligava o rádio e ouvia as mais recentes notícias: logo no início do programa um locutor duma rádio nacional referia-se a um fax de última hora enviado a partir da agência de notícias oficiais portuguesas a todos os órgãos de comunicação social, informando todos os interessados e através deles toda a população do continente e das ilhas para um acontecimento inesperado mas que se vinha confirmando ao longo das últimas horas e que se referia a um recrudescimento da actividade vulcânica um pouco por todo o mundo – como já se verificara no Monte de Santa Helena e agora com a s notícias preocupantes vindas da caldeira do super vulcão de Yellowstone – associada a sismos de diferentes intensidades. A maior preocupação que caracterizava esta intervenção era dirigida para um local não muito distante do sul de Portugal já aqui anteriormente referido – as Canárias e o seu vulcão Cumbre Vieja – que segundo os especialistas em geologia estaria desde já numa contagem decrescente e final para entrar em erupção e que segundo os dados até agora recolhidos pelos mesmos seria extremamente violenta, podendo levar à completa destruição do vulcão e dar origem a um violento tsunami com trágicas consequências, que poderia afectar toda a costa à sua volta desde o norte de África, passando pela Europa e chegando até às costas dos EUA. E essa contagem poderia estar a poucas horas (ou mesmo minutos) de chegar ao tempo zero, daí se compreendendo a azáfama que se registava nos portos marítimos e aéreos das Canárias. Tinha que me apressar. Chegado ao cimo do Malhão encontrei o meu passageiro perto do café (fechado) situado nas proximidades do Mosteiro Tibetano ali instalado, cumprimentamo-nos e sem demora arrancamos em direcção a Monchique: tínhamos ainda uns largos quilómetros e minutos de viagem e segundo o que David dizia – o amigo de Daniel – algo de anormal se passava com todo o planeta Terra e não apenas com Portugal e as perspectivas de virmos a ser atingidos por um tsunami atingia já um nível elevadíssimo praticamente irreversível. Para já não falar de outras coisas muito estranhas e deveras inesperadas que também se dizia estarem a acontecer por toda a Terra e que já estava a levar muita gente para a elaboração das mais disparatadas e distorcidas explicações conspirativas para o pretenso entendimento destes acontecimentos, mas que apenas contribuiriam para aumentar ainda mais o pânico e a histeria colectiva que já se verificava nalguns locais.


Louisiana: coluna militar em trânsito sobre o rio Mississipi

 

Dia 25 – 19h 00mn

Nos EUA os preparativos já se desenrolavam desde há várias semanas atrás. Assim como no resto do mundo, onde os Governos das mais poderosas nações do mundo conjuntamente com os líderes das grandes Corporações Internacionais desenvolviam os derradeiros preparativos para uma possível evacuação para locais previamente seleccionados em função da sua importância, força e poder e das zonas que sairiam provavelmente menos afectadas pelo Evento já em curso. Apesar das hipóteses de sobrevivência serem nalguns casos muito difíceis de se verificarem dado o desconhecimento total da fotografia apresentada pela sucessão dramática dos acontecimentos, os protegidos de todo o mundo ensaiavam conscientemente (praticando-o) o seu papel na sua salvação, sabendo no entanto de antemão que se os piores cenários se verificassem pouco ou nada restaria para se ver. Há já várias semanas que as leituras atmosféricas e geológicas vindas do interior do Parque Nacional de Yellowston, não deixavam nenhuma margem de dúvidas para os especialistas norte-americanos do que poderia vir a acontecer com o recente recrudescimento de actividade registada na crosta terrestre, de tal forma o fenómeno se replicava em cadeia e aparentemente sem nenhuma ligação plausível por toda a crosta terrestre. Fora sentido mais um forte sismo numa das províncias litorais da R. P. China que abalara também violentamente e com consequências ainda desconhecidos o seu vizinho Japão, mas o caso mais difícil vivia-se na Nova Zelândia, onde um forte abalo com epicentro no mar além de afectar diversas estruturas em terra, vinha acompanhado dum forte aviso de tsunami com ondas de altura imprevisíveis – devido à sua intensidade e duração – mas certamente com uma altura acima do normal e altamente destruidoras: as populações estavam já a ser avisadas para abandonarem rapidamente a zona do litoral e a procurarem protecção no interior em terrenos o mais elevados possível. Mas a confusão e inquietação provocada pela rápida e tumultuosa sucessão de acontecimentos e pela conhecida inexistência ou falta de coordenação de verdadeiros sistemas de previsão, prevenção e protecção de pessoas face a calamidades extremas, só podia mesmo pôr o país numa situação critica (perto do seu grau zero) de efectividade na acção, deixando-o irreparavelmente em muitos sectores fundamentais e estruturais da sua base de sustentabilidade económica, num vazio de acção e de resposta imediata e obrigatória ao Evento, por omissão progressiva da hierarquia do estado (por desmobilização ou por fuga) dos lugares chaves de comando e de confiança institucional: era já bem notória a descoordenação nas ordens emitidas pelas diferentes cadeias de comando militares e civis, com colunas militares paradas na sua marcha ao longo de dezenas de quilómetros de auto-estradas, aí aguardando ordens e respectivas confirmações para retomarem a sua marcha e objectivos; e com os civis movimentando-se caoticamente num pandemónio total sem saberem verdadeiramente o que fazer ou para que locais se dirigirem, tempo e local onde o cumprimento da lei começava já a não ser regra sagrada a cumprir e a respeitar, sendo substituído sem apelo nem recuos pelo instinto muitas vezes violento da pura e dura sobrevivência.

 

Fim da 1.ª parte de 8

 

(imagens – retiradas da Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 11:53

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