Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

25
Dez 10

Bicharoco

 

Hoje fui ao campo, dar de comer aos bichinhos. Passei pelo Solar para almoçar, mas já não havia pezinhos – lá nos contentamos com uma vitela estufada e cozido à portuguesa. De seguida passei pelo super e trouxe mais umas coisinhas, umas para mim, outras para a bicharada. O dia estava frio mas não chovia, o campo estava verde e molhado e o caminho lá estava, entre buracos de água, que por aqui e ali, serpenteava entre casas, muradas e paradas. O tempo cinzento rodeia este mundo com a chuva sempre à espreita. No início do asfalto virei à esquerda e ao fundo, lá apareceu o Noddy a correr: abri o portão com o cão sempre à perna, tentando-me dar as boas tardes com as patas no ar, chafurdadas de lama, prestes a saltar. Parei a Ford e lá fui na minha rotina inicial de chegada – sacos, casa do cão, chaves, abrir a porta, entrar, liga o aquecedor na sala, ligar a TV, ir à cozinha preparar de tudo um pouco e pôr a comida a fazer, isto tudo sempre a andar e com pouco tempo a perder. É que o cão pequeno ao sentir a chegada, nunca mais para de berrar e é vê-lo a atirar-se à vedação, abanando-a freneticamente, com todas as unhas e dentes. Ao abrir a porta sai tudo em debandada e num abrir e fechar de olhos, deixa-se de se avistar os cães. Os ratos tiveram sorte e lá resolvemos limpar as gaiolas – todas arrumadinhas, que até ao voltarem, até estranharam. Enquanto a comida se faz a menina vai fazendo companhia aos bichinhos, tropelias seguidas umas às outras, saídas e entradas a correr, brincadeiras de dar cabo de tudo, rosnadelas barulhentas e até, por vezes, para educar o mais novo, umas mordidelas, mas só de raspão, passando muitas vezes ao lado. Esperamos todos pela papa, cheira bem, mas não me deixam comer. À vez, cada um come a sua parte da panela, enquanto se renova a água e os biscoitos de cão. O dia cai depressa, a escuridão espalha-se pelo campo, a humidade e o frio começam a instalar-se e a luz agora é a dos candeeiros exteriores. Por vezes a Lua Cheia dispensa a iluminação e o campo torna-se diferente e irreal, exteriorizando a sua beleza naquela escuridão iluminada. O Inverno começara há poucos dias, o Natal era amanhã e era preciso ir fazer o bacalhau. Fechei tudo, desliguei a água e parti do Algoz para Albufeira. No caminho não choveu e à chegada, lá estava a festa no acampamento cigano de Natal. Depois veio o frio e começou a chover mas a festa continuou.

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 02:00
tags:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.


Dezembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23

26
28
29
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO