Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

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Nov 11

“É estranho como conhecemos tão bem o mundo exterior e nos recusamos a olhar e a entender o mundo interior do vizinho do lado, só porque ocupa um espaço onde nunca estivemos e sempre nos recusamos a conhecer, apesar de ser em tudo, idêntico ao nosso. O principal factor para que tal aconteça, é que o nosso mundo depende da economia, da exploração da mão-de-obra e das matérias-primas existentes, sendo um local onde tudo pode ser comprado ou vendido – no mundo exterior ainda não foram montadas as novas sucursais das multinacionais e dos seus bancos exclusivos de esperma de alta qualidade financeira”

 

As imagens que nos acompanham durante o nosso quotidiano diário são um reflexo da educação condicionada e repetitiva que as instituições nos impõem, como moeda de troca para uma fácil integração na sociedade que nos rodeia, com todos os seus deveres e consequentes direitos – sem deveres não há direitos, como o provam as restantes espécies existentes no nosso mundo partilhado, que não sendo racionais e organizadas como a nossa, nem têm o direito sequer a ser reconhecidas ou defendidas: ou os comemos ou são peças meramente decorativas.

 

      

Mesquita Zayed – Abu Dhabi – Emiratos Árabes Unidos / Hadjj – Mecca – Arábia Saudita

 

A Religião como plataforma utilizada pela nossa sociedade para esquecer a morte, através da mobilização do tempo como quarta dimensão – tentando-o equiparar-se ao espaço, para melhor o transaccionar – já hoje acompanha lado a lado o percurso da política e dos seus líderes, que não se importam nada em expor sadicamente todo um povo e o seu planeta, à ditadura do dinheiro e do poder e se for necessário, recrutando o clamor fervoroso, patriótico e bem pago de todos os seus renovados profetas, familiares e toxicodependentes associados, exigir-lhes sacrifícios que o poderão levar a uma morte antecipada – como os pobres e futurísticos zombies que comem como brutos e são estrelas de cinema.

 

      

Petra – Jordânia / Sul de Kirkuk – Iraque

 

O poder do Homem e da Natureza – trabalhando em conjunto, interligados e num espaço alargado e propício à sua evolução e preservação – só poderá ter êxito, se for partilhado ignorando regras que nada tem a ver com as relações naturais entre seres que habitam o mesmo espaço, regras essas pregadas por uma ética e moral, interessadas apenas com a concretização das relações comerciais e monetárias, em que o Homem nada vale por si como ser pensante e com opinião; só se for vendido e aproveitado todo por adição de partes, como um porco pronto a ser abatido e transformado e engolido posteriormente por outras entranhas de nível superior.

 

      

Centro do Irão / Mosteiro Noravank – Arménia

 

A viagem é uma fonte de inspiração para quem ainda não se deixou levar pelo chamamento da sociedade organizada, recolhida e sedentariamente pobre de espírito e sem saúde para se movimentar. O desenvolvimento da ciência e a da tecnologia que antigamente era o sonho do nosso futuro radiante e cibernético, em que uma máquina nos iria substituir e deixar-nos mais tempo de vida para explorar a quarta dimensão que então nos ofereciam como o paraíso – o tempo – afinal transformou-se numa fraude: agora querem que continuemos a trabalhar até morrermos, para assim deixarmos algumas máquinas para eles – as de guerra ficam para nós nos entretermos e assim aumentarmos a taxa de mortalidade, sempre que necessário.

 

      

Al-Ula – Arábia Saudita / Mural – Curdistão – Iraque

 

O espaço, a geometria, a profusão de cores e as crianças. Estas últimas e como sempre, a única esperança conhecida e viável de vida, pelo menos enquanto não crescerem e forem responsabilizadas pelos actos que cometeram irresponsavelmente, por imitação coerciva dos seus pais e dos seus mestres. Por outro lado, as primeiras poderão dar ainda um contributo para o redesenhar de um novo modelo de vida, que esteja de acordo com as ânsias dos mais jovens e tenha o contributo desinteressado e solidário dos mais velhos – com respeito mútuo e amor incondicional, pela natureza que nos transformou.

 

(Imagem NGM) 

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:03

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