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From Ape to God (1)

Terça-feira, 29.04.14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

[O Terrorismo Artificial Induzido (entre as vítimas) e a criação Natural do Super-Homem (entre os Escolhidos)]

 

“A nossa capacidade de compreendermos e aceitarmos o que nos é proposto para a recriação e fundação dum Novo Mundo, depende de como o interiorizamos, de como cumprimos as regras, do seu resultado imediato e da aceitação final e sem qualquer tipo de dúvidas de tudo o que dizem de nós – sujeitando-nos ao Superior infinito e assim incorporando-nos em Deus”.

 

Hoje levantei-me da minha cama cedinho e lá fui cumprir o dever no Zoológico de Lisboa. Ainda tive tempo para comer uns quantos pastéis de Belém e comprar um cacho de bananas, para assim cumprir com êxito o objecto da minha missão. No resto do trajecto cumprimentei educadamente todos os que vi, à chegada à bilheteira dei os bons dias ao funcionário e educadamente pedi uma entrada para criança: o tipo olhou para mim, riu-se na minha cara e perguntou-me no gozo se não queria antes um para a terceira-idade. Paguei a quantia por ele pedida, recolhi o meu bilhete e sem piedade nem remorso dei-lhe logo um tiro nos cornos. Limpei a arma cuidadosamente, coloquei-a nas mãos ainda a tremer do funcionário e antes que este caísse definitivamente no chão no meio do seu estertor e lançando o último suspiro, cuspi-lhe na cara e fiz-lhe um grande manguito: “An Ape Will Be God, But Not You”! Transposta finalmente a porta entreguei-me à bicharada e fui em busca de Deus.

 

Human Evolution or Human Transformation: Not the Same?

(As Sete Maravilhas do Mundo)

 

Fui directamente para a área de diversões e desde logo vi os golfinhos, comprei um gelado no fim e ainda fui dar uma volta de comboio e outra de teleférico. A parte mais gira na volta de teleférico foi registada aquando da passagem sobre a zona dos leões, na altura meio adormecidos e a apanhar os raios quentes do Sol: como não via mais ninguém à minha volta a não ser o meu colega de viagem – acompanhava um velhote com algumas dificuldades de locomoção – resolvi melhorar o cenário demasiado pacífico para mim, transformando-o num instante num thriller, arrepiante e sanguinário. Balancei com uma grande amplitude o habitáculo onde nos encontrávamos, abri ao mesmo tempo a sua porta e com um pontapé violento atirei-o lá para baixo: caiu em cheio em cima do macho mais velho que surpreendido ainda o olhou por segundos, soltando então um rugido medonho e degolando-o de seguida com uma única dentada. Os membros ainda estrebucharam um pouco, o que chamou ali os restantes leões.

 

Uma parte das pessoas que àquela hora se encontravam no interior do zoológico, pareciam dirigir-se apressadas em direcção à avenida das barracas de refrigerantes e farturas que ia desembocar na entrada: inclinando-me um pouco para a direita e espreitando entre dois ramos verticais dum denso arbusto visivelmente ainda por podar, podia facilmente vislumbrar uma multidão constituída predominantemente por jovens e mulheres, rodeando numa algazarra tremenda um grupo de educadores, de funcionários e de polícias, enquanto as luzes e as sirenes das viaturas de socorro não paravam de funcionar, confundindo-os e finalmente enlouquecendo-os. Ainda não me doíam as costas devido à inclinação corporal entretanto assumida e já a batalha campal se instalava no meu campo de visão, com as educadoras aos gritos tentando impor a ordem entre os seus alunos, os funcionários em gestos ameaçadores e munidos de cordas atrás destas e dos mais pequenos e como sempre acontecia nestas situações mais problemáticas, calhando aos polícias a responsabilidade da manutenção da ordem pública custasse o que custasse: à entrada e desembainhados os respectivos cassetetes, a polícia de choque só aguardava ordens superiores para entrar em acção. Protegido pela sombra duma árvore já morta e de raízes ressequidas, saquei da arma e dei um tiro para o ar: o suficiente para assistir aos primeiros segundos da carga policial e aos gritos das crianças enquanto fugiam aterrorizadas da violência dos X-Man.

 

Dirigi-me então para o local onde habitualmente o elefante tocava o sino. Sentei-me num banco situado nas proximidades e certifiquei-me de que ninguém estava a olhar para mim: com a confusão que se instalara do outro lado do parque eram poucas as pessoas que assistiam ao espectáculo, vislumbrando-se apenas três adultos e quatro crianças interessadas no que os dois tratadores e o elefante iam fazendo. Mais afastado um outro elefante parecendo mais velho, parecia observar a cena sem a compreender muito bem – aquele barulho que vinha lá do fundo incomodava-o cada vez mais e só lhe recordava o barulho maldito produzido pelo badalo. Peguei então no meu eficiente canudo portátil e com a colaboração da minha pressão de ar ejectei o meu projéctil. Assustado com o inesperado impacto sobre o seu corpo o elefante saltou em frente esmagando com as suas patas dianteiras o primeiro tratador, colocando-se em fuga e fazendo tocar o sino por contacto e colisão à sua passagem desorientada; no segundo seguinte o elefante mais velho – que parecia adormecido – como que acordou repentinamente de um pesadelo, nomeando logo ali o segundo tratador como seu alvo preferido e destino de todos os seus traumas acumulados durante anos sucessivos de cativeiro. No entretanto a reduzida assistência observava os acontecimentos completamente paralisada e de boca totalmente aberta, só despertando e pondo-se numa fuga louca e sem direcção determinada, quando os elefantes acabaram de desfazer de vez os seus carrascos e insatisfeitos se viraram para eles – com as suas enormes orelhas a abanar e a tromba em riste para os apanhar – assinalando-os em tom ameaçador. Acontecimento de que resultaram mais três mortos entre os presentes: os pais e o filho de quatro anos que transportavam num carrinho, dilacerados pelas presas dos elefantes que no meio de toda esta violência despropositada mas sempre possível, os confundiram com o carrinho dos seus ex-tratadores.

 

Por essa altura já tinha dado sequência a quatro acontecimentos. Como previamente combinado dirigi-me então ao gabinete do responsável pelo zoológico, onde o fui encontrar tranquilamente sentado na sua cadeira giratória a olhar para além do vidro da janela, que o separava do seu mundo exterior. Acompanhando visualmente todos os pontos abrangidos pelo seu campo de visão, podia-se ver que no exterior do edifício o ambiente acalmara na zona de entrada do parque, verificando-se a tentativa por parte dos elementos de socorro e de segurança aí presentes em estabilizar o cenário e dar-se início à sua limpeza, redefinição e normal reabertura: estavam apenas condicionados pela próxima chegada da brigada anti-terrorista e pelo que a sua mais que previsível intervenção pudesse provocar no normal desenvolvimento desta situação, solução pela qual todos ansiavam e pela qual trabalhavam esforçadamente, sem colocarem questões e em conjunto. O director parecia indiferente ao que se ia passando no exterior, continuando estático na sua cadeira, sem emitir um único som e quase como se ignorasse a minha presença junto de si. Foi então que como se controlado por um comando remoto e sem demonstrar qualquer tipo de emoção ou outro tipo qualquer de percepção ou sensação, se virou na minha direcção e com o seu indicador esquerdo me apontou um documentos que se encontravam sob a sua secretária: como um sonâmbulo levantou-se, olhou-me com uma expressão desestruturada por vazia, entregou-me com as suas mãos secas e rígidas o documento que se encontrava sobre a mesa e entrou na sala contígua, pedindo-me para aguardar um pouco e fechando com estrondo a porta atrás de si. O documento referia-se à estabilização do número de animais habitando aquele espaço restrito e cada vez mais reduzido, provocado pela pressão exercida pela urbe exponencialmente crescente que o rodeava e pelos interesses impossíveis de controlar vindos da parte das forças vivas da terra, apenas interessadas na sua valorização pessoal e no preço dos terrenos por metro quadrado: o que era mais interessante numa primeira e superficial análise do documento – que ele já conhecia nas suas bases pois contribuirá para a sua elaboração – não era o processo de eliminação adoptado para o número agora considerado excessivo de animais em exposição (justificado com o problema da consanguinidade crescente entre as diversas espécies e com todos os perigos que daí poderiam advir por reprodução e hereditariedade) mas o seu alargamento ao ramo racional que aí também permanecia, mesmo que nalguns casos temporariamente. O tempo e o espaço eram apenas referências mas o número excessivo e problemático residia nos seres vivos racionais ou não: um novo método de controlo populacional mesmo que não aceite por moralmente violento e desrespeitador, seria sempre bem-vindo num mundo perto do caos apocalíptico e sem outra alternativa de salvamento e protecção, contra a sua própria e inexorável extinção. Os nacionais-socialistas na Alemanha tinham sido um dos seus mais conhecidos e importantes precursores e os EUA na calha destes (e aproveitamento os seus ensinamentos e os seus próprios cientistas, reconvertendo-os) os seus maiores e poderosos discípulos e profetas – até na sua ideologia de imposição, intolerância e desrespeito. E quando ouvi o tiro vindo da sala contígua já sabia o que se tinha passado: com o crânio completamente desfeito o corpo do director apresentava-se caído no centro da sala, enquanto no registo do pessoal associado ao zoológico a contabilidade electrónica indicava agora menos um. Cada animal tinha o seu respectivo chip e desde o início do dia a descida tinha sido anormalmente abrupta, pulverizando todos os anteriores recordes – de racionais (R) de não racionais (NR). Por essa altura estava eu a abandonar o edifício central quando reparei no avanço pelo interior do parque das forças especiais de intervenção: finalmente todo o cenário se compunha e me aproximava do final desde há muito projectado para este evento. Faltava apenas mais um acontecimento (o anterior fora o quinto) para eu chegar às portas do Paraíso, no interior do qual mil virgens intocadas desde sempre me esperavam: à entrada do portão celestial realizaria o teste definitivo e final, o acto de contrição, de fé e de consagração. Deus esperava-me para compartilhar! É claro que não me esqueci do Envelope enviado em anexo ao referido documento, chegado mesmo em cima do acontecimento e em correio expresso registado e oriundo dum remetente desconhecido provavelmente localizado num país do Médio Oriente.

 

The Butterfly Effect

(A Teoria do Caos e o Efeito Borboleta)

 

“In chaos theory, the butterfly effect is the sensitive dependency on initial conditions in which a small change at one place in a deterministic nonlinear system can result in large differences in a later state” (Wikipedia).

Um helicóptero da Unidade Estratégica da PSP sobrevoava agora o complexo do Zoológico de Lisboa, tendo como missão a coordenação das subunidades de vigilância aérea em acção directa no terreno, aqui e no momento levada a cabo por uma nova geração de drones recentemente adquiridas a empresas de armamento norte-americanas, por coincidência também subsidiárias de outras empresas instaladas no mercado e associadas a projectos de construção e de implantação local. Daí a minha opção lógica e facilmente compreensível pelo desenvolvimento e conclusão o mais rapidamente que me fosse possível de todo este procedimento associado à intervenção, isto se quisesse que o efeito provocado fosse evidente e efectivo e se reproduzisse indefinidamente e sem limites, em cascata e por todo o lado: eu sabia que mesmo que estivesse morto a minha acção e influência se repercutiria até ao infinito, reproduzindo sucessivas reacções e interacções entre mundos paralelos ou concorrenciais por simples e mesmo que desprezível interacção. “Na verdade o Universo não era um, mas um conjunto de muitos uns”.

 

Afastei-me rapidamente do local onde me encontrava e dirigi-me até uma zona mais afastada do zoológico, situada muito perto das Palancas. Era um ponto situado perto da periferia do parque, numa referência um pouco mais elevada e dispondo de razoável visibilidade, mas sobretudo oferecendo tranquilidade e uma certa reserva e protecção pelo menos temporária, para o muito que ainda tinha que desenvolver – além de ser o sitio ideal para a propagação programada. Libertei então o meu duplo. Do lugar onde me encontrava pude vê-lo a dirigir-se para o parque de merendas onde acabou por se sentar mesmo ao lado da zona de restauração: rodeando o espaço reservado aos mais novos, um grupo de dois agentes verificava cuidadosamente o interior das suas instalações, enquanto outros dois perscrutavam intensamente toda a zona envolvente, dirigindo-se um terceiro grupo mais para oeste precisamente na sua direcção. Do lado das Girafas também se notava alguma movimentação, destacando-se mesmo a presença de alguns homens armados e acompanhados por cães, que avançavam muito lentamente e a intervalos de tempo certos, investigando cada canto ou buraco que encontravam e estando extremamente atentos aos menores movimentos que lhes parecessem suspeitos. Mas o que mais despertou a atenção do meu duplo foi a utilização que os agentes já estavam a dar ao teleférico existente no zoológico – tentando a partir daí descortinar melhor o que se passava e descobrir onde poderia estar o principal causador ou causadores deste problema – e o movimento do próprio comboio do zoo que com o seu habitual motorista e percorrendo o circuito de todos os dias, ia distribuindo outros agentes enquanto percorria o trajecto: o ser humano era na realidade muito imitativo e repetitivo nas suas aventuras aparentemente experimentais, parecendo nas suas escolhas uma criança ingénua e irresponsável – e extremamente previsível nas suas atitudes e opções – como tal e em consequência facílimo de controlar e limitar. Agora era só recuperar a localização dos pontos, activá-los sequencialmente de acordo com a evolução prevista para o guião e divertir-se um pouco mais com a confrangedora fragilidade humana.

 

No entanto era necessário manter um nível mínimo de segurança na utilização temporária do duplo, já que certos raios luminosos sujeitos a determinadas condições atmosféricas poderiam revelar ao incidirem directamente sobre ele, a sua movimentação e posição: a maior dificuldade para manter a sua invisibilidade estava basicamente associada aos dias sujeitos a maior actividade electromagnética atmosférica, muitas dessas vezes intensificada por fortes e sucessivas tempestades solares. Ao libertar-se o nosso duplo para um mundo que já ocupamos, é lógico que este teria que ter a sua própria componente física e psíquica independente e um espaço material onde se pudesse colocar e daí actuar. Se no caso da componente psíquica o processo era de fácil execução por simples bipartição do nosso Eu – com a nossa Alma abstracta, sempre intacta e não parametrizada, espalhada por todas as nossas células, centralizada no cérebro e comunicando pelos neurónios – quando se tratava da parte física o processo de libertação do duplo apesar de ter um nível de acessibilidade muito idêntico ao anterior, era mais cuidadoso e pormenorizado por essencialmente técnico e multi-opções. Numa sequência programada e projectada para um já referenciado (apesar de indeterminado) número de Universos, coexistentes e paralelos, era definido o ponto de concentração a partir  do qual se faria a extracção do volume solicitado, neste caso um objectivo vivo equivalente à sua imagem e a ser utilizado temporariamente e em substituição condicionada: os modelos gerais mais solicitados distribuíam-se maioritariamente por sonâmbulos, indivíduos em estados de semi-consciência – como nos sonhos – e até em estado de coma. Ao libertar-se do seu abrigo o duplo usufruía do duplo do corpo por ele agora utilizado e partilhado, transportando consigo e por motivos de segurança o duplo desse Eu subdividido, apenas para estar presente para qualquer necessidade de regressão imediata mas sempre num estado completamente inconsciente, submisso e comatoso.

 

Fim da 1.ª parte de 2

 

(imagens – Web)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 17:06

Geração Zombie (2)

Quinta-feira, 27.03.14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Multiversos – Um Futuro Projectado da Terra)

 

“Contando com a colaboração da Academia de Ciências Norte-Americana e da empresa da área de semicondutores Texas Instruments, os Zombies desse país decidiram ajudar em certas disciplinas científicas os alunos com maior dificuldade de aprendizagem”.

 

Morte de um zombie

                                                                         

Aí o ZV disse:

- “Sou um zombie como vocês. A diferença fundamental para com os restantes zombies e a partir da qual deles me diferencio – dos Z e dos ZM – é a consciência consolidada dos momentos de transição: os ZV são os únicos modelos capazes de experienciar e recordar os momentos intermédios de inactividade e de morte, entre passagens de vidas. Nessa transição apercebemo-nos de que a morte nada significava no seu todo global, por não ter expressão no espaço disponibilizado nem sentido como referência importante na evolução do homem: a morte é apenas a porta de entrada noutro mundo para o qual tínhamos sido preparados ao incorporarmos um corpo (físico) e nele inserirmos uma alma (psíquico). No fundo a morte simplesmente não existe. Sendo um dos pioneiros da futura e profética geração zombie, a minha integração e a de todos os outros elementos voluntários (ou não) seleccionados para esta aventura evolutiva (e de transposição) era extraordinária, excedendo os limites deste mundo e o das nossas capacidades mentais disponibilizadas. O cérebro seria apenas um órgão adicional de transformação e ultrapassagem de cenário, servindo essencialmente como depósito de instrumentos que o ultrapassavam na sua limitação temporal, pondo no entanto à disposição do ser vivo uma plataforma sequencial capaz de o introduzir noutro mundo de destino, como contraponto ao mundo anterior físico exclusivamente de passagem e de origem: a nossa vida física iniciada no momento da fecundação e continuada até à nossa morte, não passava duma fase transitória de construção do nosso pensamento e da nossa identidade para posterior agregação ao nosso eu, elaborando e estruturando dessa forma e duma maneira consistente a referência central da nossa existência, a alma.”

 

E na sua oratória calma e fluente acrescentou um pouco mais, numa narrativa que faria inveja a qualquer tipo de humano singular:

- “Muitas vezes o que é apenas normal não nos desperta muito interesse. Mas existe sempre quem vê mais além e compreende os simples factos correntes: da mesma forma que Newton viu cair diante de si a maçã por acção da força da gravidade, também nós constatamos a inevitabilidade e as consequências da morte – só que infelizmente não a compreendendo como uma porta escancarada de transição e pelo contrário assimilando-a como um todo não vivido e como tal estático e fechado. Mas é a morte que nos liberta”;

- “Fazemos parte de um todo em constante movimento originado por alterações sucessivas no estado da matéria e nos seus respectivos níveis energéticos. Interagindo entre si a matéria tende a mudar as suas características básicas e fundamentais, expandindo-se ou contraindo-se conforme o valor das forças em presença. E é essa projecção resultante da confluência e da coexistência de Matéria e de Energia que origina no final a Vida, provocando a difusão incessante de milhões de cenários e a escolha aleatória no meio do caos e da organização das inúmeras opções prevalecentes. Com o Mundo apresentando-se como uma simples Caixa de TV posta à nossa disposição e colocada sob escrutínio interessado e permanente, apresentando imagens de muitos acontecimentos, expectativas e vivências, apesar de nem compreendermos o seu funcionamento nem as origens dessas mesmas imagens: essa a razão porque muitas vezes não vemos o que está à nossa frente e pelo contrário nos perdemos a olhar para o nada, ignorando o óbvio e sobrevalorizando o inexistente. E tal como acontece quase sempre nestas ocasiões, sob pressões subliminares constantes acompanhadas duma progressiva lobotomia cerebral e educacional, esquecemos que para além do nosso mundo muitos outros mais existem, mesmo que nunca os tenhamos visto ou sequer imaginado”.

 

A morte dum zombie representa apenas o fim da etapa de transição entre o ser humano visto como um mero invólucro e a libertação sem limites físicos ou de sobrevivência moral da sua essência básica e universal, a alma: neste mundo apenas incorporamos a alma (para depois nos oferecermos), enquanto no outro para o qual existimos, somos todos e apenas um. Uma esfera perfeita!

 

NZM

 

Abandonaram o piso L33 do Edifício M-12 onde se encontravam há pouco mais de uma hora, seguindo ordeiramente e em silêncio absoluto na peugada do ZV, o qual se dirigia agora num passo firme e cadenciado em direcção a um dos elevadores, localizados no pátio central da zona identificada pela letra L: tratava-se dum amplo transportador vertical adaptado a cargas de peso intermédio, indicando no respectivo monitor informativo ter uma amplitude de cobertura que poderia atingir os cem níveis inferiores com um tempo médio de viagem – dependendo da carga transportada – do nível zero até ao último nível de aproximadamente três minutos. O seu destino era precisamente o derradeiro piso inferior do Edifício M-12, localizado a uns extraordinários mil metros de profundidade e que segundo a planta condensada que tinham acabado de receber, lhes daria acesso a uma rede de túneis subterrâneos e a uma escapatória até a um determinado local situado à superfície, a partir do qual partiriam para um ponto para eles ainda completamente desconhecido e sem objectivo e alvo concreto designado: a explicação iria ser feita inicialmente duma forma progressiva e à medida que a missão fosse evoluindo de modo a reforçar todos os procedimentos de segurança, com uma prelecção a ser ministrada a todo o grupo antes da partida por uma Entidade para eles desconhecida e até aí nunca mencionada.

 

Quando atingiram o 100.º piso e a porta do elevador se abriu já eram aguardados por alguns técnicos e militares: foram conduzidos até uma pequena plataforma onde lhes foi pedido que aguardassem, sendo no entanto e complementarmente avisados para estarem sempre alerta e preparados para partirem a qualquer momento. Aguardavam apenas a presença do seu superior hierárquico e comandante, o qual iria acompanhar até ao local – onde se encontravam – uma importante individualidade ligada ao Projecto Fundação: o representante Supremo de toda a geração zombie e um dos mais proeminentes elementos do desenvolvimento e evolução – através da abertura mental e consciencialização individual – de todo o processo de ligação entre este mundo de criação e de perda (onde ainda nos encontramos enquanto “vivos”) e o verdadeiro mundo (o seguinte) de transformação (para onde iremos quando estivermos “mortos”). Esta vida seria o momento em que o nosso ser se materializaria através da sua presença inicial meramente física, adquirindo posteriormente e ao longo do tempo o conhecimento e discernimento necessário para compreender o seu eu e começar assim a perspectivar e consolidar a sua alma; terminado este processo do casulo – limitado no tempo pelo nascimento e pela morte física – seguir-se-ia a verdadeira viagem de toda uma vida, o sonho desejado de qualquer um ameaçado pela morte e pela incerteza, o verdadeiro paraíso também sonhado por Deus e que ele no entanto já conhecia. “Um Universo onde a nossa Alma se sentia, sentindo-se esta como ele” – um Espaço onde seriamos matéria, energia e movimento. E sem que se fizesse notar e como se tivesse surgido repentinamente do nada surgiu então o NZM. Só passados alguns segundos repararam na chegada do comandante.

 

Z – A última ceia

 

Entenda-se previamente que existira desde sempre um tronco comum evolucionário entre todos os tipos e raças de zombies, irmãos de sangue e de aventura na abertura da mente humana ao Mundo Interior. Tinham sido eles quem abrira as Portas do Conhecimento e do Universo à raça existente naquele pequeno e pontual planeta Terra, destruindo-lhes todos os medos e limites que sempre a tinham condicionado durante milhares e milhares de anos de sofrimento e escuridão, ao clarificarem duma forma irrefutável o sentido da morte: ela era transponível e para além dela outro mundo nos esperava – aquele de que os Deuses nos tinham falado. No entanto a sua evolução seguira caminhos comuns mas e no entanto paralelos: daí os Z, os ZM e os ZV (para já não falar dos NZM). Todos tinham passado por experiências de morte. Mas a recordação desse momento de transição e o total esclarecimento do que para lá disso pudesse existir, nunca tinha sido indubitavelmente registado, nem sequer minimamente sonhado ou sugerido: nem pelos Z, nem mesmo inicialmente pelos ZM. No entanto com a enorme evolução registada no campo da biologia e com a ajuda de importantes descobertas a nível da constituição da matéria e da sua relação com forças baseadas em parâmetros abstractos mas com consequências numéricas reais, fora possível introduzir pequenas modificações no ADN original dos humanos, retransformando a sua sequência natural – deixando-a em livre arbitrio de organização voluntária – e possibilitando deste modo um alargamento brutal dos limites da mente, descompartimentando todos os processos cerebrais e apresentando-lhe a sua essencial funcional e organizacional, toda idealizada e elaborada em torno do mistério da fé, a alma. Com o passar do tempo a percepção desse momento fora aumentando, terminando com as primeiras transições bem sucedidas ainda com os iniciais VM. E com o decorrer do tempo a experiência estendera-se a todos os VM, atingindo níveis extraordinários de introdução e memória com a nova geração ZV: já era possível ultrapassando sem se sentir a experiência de morte, ir e regressar, registando todo o processo e daí tirando todos os ensinamentos. Só que a experiência apenas era possível em condições e períodos limitados e com a reorganização e recalibração de todos os dados recolhidos e de novo reavaliados e reintroduzidos, mas capazes de no fim, objectivamente e sem limitações inesperadas ou inopinadas, de circularem entre mundos – processo que ao fim de muitos anos de fracassos, sofrimentos e de pesquisas sem fim dera origem aos extremamente funcionais e perfeitos NZM.

 

Comandados pelo ZV os VM foram direccionados para diferentes pontos do globo terrestre. O objectivo era o de incrementar certos conflitos localizados e desse modo acelerar o processo e o seu nível de violência, agravando as condições ambientais e aumentando o número de vítimas. Tudo teria que se passar dentro dos parâmetros normais associados a este tipo de acontecimento, com o resultado final a ter que ser forçosamente alcançado: indivíduos como Hitler – com a sua guerra prolongada – ou até mesmo como Roosevelt – com a sua intervenção rápida – tinham ajudado inadvertidamente à concretização antecipada do projecto, apesar da sua violência patológica por intervenção brutal e desnecessária. E à medida que os conflitos alastravam, também o mundo zombie os acompanhava. A teoria era naturalmente credível por simples e baseava-se na experimentação pratica tida anteriormente, alicerçada na sua base de construção ideológica por uma eternidade de conhecimentos consolidados e partilhados sem limites ou constrangimentos: à medida que o Universo se expandia no espaço e que outros Universos a ele sobrepostos se iam sucedendo e interagindo entre si proporcionando a exposição de muitos outros Universos ainda nem sequer imaginados, a necessidade de preenchimento das lacunas negras que iam surgindo constantemente iam tornando-se cada vez mais necessárias e urgentes. Daí a necessidade do aumento de almas para o preenchimento destes intervalos escuros e descontínuos: os faróis poderiam significar no futuro o acesso aos arquivos da nossa memória e cultura original, tal e qual como um banco de órgãos existia apenas para salvar vidas humanas. Caso contrário – e pelo menos para nós – os Universos desabarão uns sobre os outros e será o nosso fim.

 

No Céu a última ceia zombie decorria tumultuosamente, com o ambiente pesado aí há muito instalado: o Profeta acompanhado pelos seus doze apóstolos era definitivamente posto em causa e até a contaminação viral associada à DDT (doença definitiva de transição) já os tinha atingido profundamente. Sem glória se interrompia um reinado que pareceria ir durar para sempre, atingindo mortalmente a barreira que separava o humano do paraíso, alcançada que fora a sua maioridade: Deus era ele não necessitando de ícones para se defender.

 

Humano

Nível

Tipo

H

0

Humano

Zombie

Nível

Tipo

Z

1

Zombie (original)

ZM

2

Zombie Melhorado

ZV

3

Zombie Vampiro

NZM

4

Novo Zombie Multiverso

Tabela de Categorias H e Z

 

Fim da 2.ª parte de 2

 

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 10:29

The Walking Dead – em letra e forma

Sexta-feira, 21.03.14

“O modo mais eficaz de utilizar e manipular um ser vivo – educado a temer o que o outro pensa dele – é transformá-lo num morto-vivo.”

 

O que Eles gostariam de dizer

(Finalmente e para conforto dos familiares desaparecidos num voo comum, podemos confirmar categoricamente que os passageiros e tripulantes do voo MH 370 estão todos mortos e como consequência podendo-se desde já iniciar as respectivas cerimónias fúnebres – mesmo sem confirmação do objecto e sem sujeitos para apresentar)

 

A encenação em torno do voo MH 370 continua a correr sem se vislumbrar para já o seu fim definitivo, em virtude de todos os guiões alternativos até agora apresentados ao realizador deste filme e que desde o início confundiram um pouco os executores responsáveis pela implantação deste enredo – os seus produtores e investidores. É claro que quem se lixa nesta produção cinematográfica são as vítimas e os seus familiares, já que os actores até agora convidados para o elenco ou nada têm a ver com o guião original ou não passam de meros duplos dos actores principais. Neste preciso momento – 17h 30mn do dia 20 de Novembro de 2014 em Portugal – os pilotos transformaram-se pelo menos provisoriamente em heróis, já que a nova versão actualizada refere-se à queda do avião a sul da Austrália e em pleno oceano Índico, apesar de todas as tentativas (provavelmente) efectuadas pelos pilotos e restante tripulação para que tal não acontecesse. De qualquer forma nada está ainda confirmado – um verdadeiro thriller envolvido em mistério e suspense – até porque os vestígios podem não ser nada nem nada significarem, voltando tudo ao instante anterior e obrigando os responsáveis pela montagem da película cinematográfica a rebobinarem as cenas já produzidas e sequenciadas mais uma vez, efectuando novamente alguns cortes e outras adaptações ao texto agora modificado. No entanto é curioso que com tantas autoridades civis e militares envolvidas todo o mundo continue a esconder que por ali existe uma das maiores bases norte-americanas da Ásia e do oceano Índico – a base de Diego Garcia que nada viu ou ouviu e como tal nada fez. Será?

 

O que os Outros gostam de dizer

(Nós somos aqueles que fazem com que o Mundo se transforme e evolua, os filhos daqueles que sempre nos deram esperança dum mundo melhor sem diferenças e injustiças, as crianças que ainda vêm a Natureza como a maior oferta do planeta que os acolheu e que ainda acreditam na grandeza do Homem e no significado que a vida e a felicidade têm para ele – e que como crianças exigimos o respeito por todos os seres vivos vivendo à face da Terra, promovendo a cultura e a memória e como tal nunca deixando esquecer aqueles que connosco partilham esta vida que poderia ser tão bela)

 

E do outro lado estão os povos de todo o mundo, que confiando nos seus representantes e entregando nas mãos destes uma procuração pela defesa intransigente da sua vida, dos seus direitos e das suas esperanças num futuro melhor – com mais garantias de respeito e liberdade de todos os seres humanos habitando este mundo, sem restrições de raças, ideias ou capacidade financeira – nunca esperariam que o sagrado contrato de confiança estabelecido entre as partes fosse ignorado, rompido e finalmente destruído – ignorando a lei e as constituições que juraram defender – a partir dos seus eleitos: até porque se assim não fosse estar-se-ia a institucionalizar e a recuperar essa mancha negra que ainda prolifera infelizmente pelo mundo, a escravatura. Senão veja-se o que é ainda hoje em dia o continente africano, uma verdadeira colónia onde os povos são desrespeitados, explorados e mesmo fisicamente eliminados – sem que ninguém se incomode. Neste filme (e respectivo guião) onde apenas os artistas principais são mencionados e glorificados como se fossem ídolos do cinema – enquanto todos os outros não passam de figurantes – é confrangedora a posição assumida pelos decisores ditos especialistas e responsáveis, ignorando sempre a realidade e a comunidade global onde vivem, mesmo quando a vida dos seus são postas em causa por interesses “superiores” mas que ninguém compreende. Nem os próprios decisores, incapazes de solucionar o mais simples dos problemas apenas porque não são pagos (autorizados) para isso: veja-se o caso recente do voo MH 370 em que completamente desnorteados por incapacidade e inexistência (propositada) de comando, estes decisores e especialistas resumem a sua actuação a um espectáculo deprimente e sem fim à vista, parecendo aqueles artistas secundários que antecipadamente sabem que irão desaparecer rapidamente de cena por contingências do texto e neste caso particular por mudança constante de cenário. Talvez a nossa esperança resida nos nossos filhos e nas novas gerações que aí vêm e na sua capacidade de se revoltarem contra a sua morte anunciada.

 

“Com a primeira fase já em velocidade de cruzeiro – comprovada a cada vez mais acelerada e irrecuperável degenerescência cerebral (não da mente ou alma, contínua no mundo seguinte) – abre-se desde já a porta para o início da segunda fase do processo, o do apoderamento total do nosso corpo físico: diminuída a utilização da nossa capacidade cerebral (já condicionada anteriormente e duma forma dramática, pelos operadores que controlam a aplicação do referido processo) o nosso corpo pode como consequência diminuir a sua actividade e gasto energético, reduzindo-o a níveis mínimos de sobrevivência – em que a única necessidade do novo indivíduo será o de se alimentar de modo a manter apenas a energia necessária para se movimentar. Esta segunda fase poderá já ter sido activada com os primeiros relatos de seres vivos de base humana, mas vítimas (propositadas) duma alteração profunda do seu metabolismo: os mortos-vivos (The Walking Dead).”

 

(imagens – Web)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 19:56

Dunas (2)

Terça-feira, 11.03.14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Os Desertos Não Existem, Fomos Nós Que Os Criamos)

 

“Uma investigação internacional liderada pelo instituto norte-americano SETI concluiu que as dunas da cratera de Gale, no planeta Marte, "movem-se" e que "estão activas", anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC)”. (DN Ciência)

 

A nave alienígena Extra Solar

                                                               

Enquanto as individualidades terrestres se iam concentrando no módulo central, no exterior o movimento que aí se registava parou por uns instantes: da parte superior das seis sondas Virgin Colony começavam agora a ser emitidos feixes de raios em frequências particulares, que se foram agrupando posteriormente entre si formando uma rede de ligações como se tratasse de uma densa teia de aranha e que progressivamente foram preenchendo todos os intervalos vazios ainda existentes, transformando-se finalmente numa superfície homogénea e compacta como se de uma película se tratasse. Era apenas a última oferta dos Extra Solares, uma cúpula extraordinária que simulava no seu interior a atmosfera terrestre e que lhes permitia usufruir do local como se estivessem na Terra. Observando de longe o espectáculo os jovens não conseguiram evitar a reacção instintiva e abriram a boca de espanto: ninguém lhes dissera que estariam perante uma espécie provavelmente tão ou mais avançada do que as deles. E ainda aí vinha mais.

 

Os guias contactavam agora a sua base aguardando novas instruções. Cada um dos grupos continuava instalado na mesma posição, denotando algum cansaço e nervosismo pela sua atitude estática e não interventiva que persistiam em assumir. Mas por mais que os seus corpos pedissem, as ordens não sofriam alteração: deveriam manter de momento o estatuto de meros observadores, sendo-lhes solicitado no entanto que se preparassem para uma nova evolução da situação, a qual poderia envolver um novo episódio de contacto. Só em último caso deveriam recuar até aos VD e regressar à base. Os guias sabiam que seria difícil acalmar todos aqueles jovens impetuosos mas ainda inexperientes em encontros deste tipo e numa reunião conjunta realizada através dos seus canais restritos de comunicação, decidiram estabelecer uma estratégia que ocupasse esses mesmos jovens tornando-os ao mesmo tempo úteis e responsáveis: tendo o privilégio de poderem assumir o comando independente em situações inesperadas como esta, envolvendo grupo de indivíduos apanhados em episódios não previstos e incompatíveis com a finalidade inicial da sua presença – podendo mesmo condicionar a integridade física dos participantes – os guias tinham decidido pôr os jovens em movimento, subdividindo-os em pequenas células que se tentariam aproximar dos limites da cúpula pelo lado mais livre e menos vigiado e que se situava do outro lado da mesma, onde apenas algumas máquinas iam trabalhando o terreno. Isso mantê-los-ia ocupados durante uns tempos no cumprimento das suas tarefas, colocando-os mais próximos e indetectáveis junto do acontecimento e podendo desse modo dar-lhes algum tipo de vantagem.  Pelas vinte e duas horas a maior parte das células já se encontravam no local para elas definido, começando os seus elementos a instalar-se no seu novo posto e aproveitando o pequeno intervalo para comunicarem com os guias e descansarem e se alimentarem um pouco: há já quinze horas que se encontravam em missão, não parecendo que fossem cumprir a hora prevista de regresso a casa estipulada para as 24 horas. No céu apareceu então uma luz pequenina que foi aumentando há medida que os minutos decorriam: pelas vinte e três horas e trinta minutos uma nave enorme de origem desconhecida começou a pairar sobre eles mesmo ao lado da cúpula iluminada. Parou suspensa do ar e durante alguns minutos nada aconteceu. E sem que nada o anunciasse da nave surgiram outros objectos voadores, estranhos, parecendo rudimentares e deslocados e fazendo lembrar alguns artefactos voadores terrestres, entretanto ultrapassados e esquecidos: parecia que os últimos convidados tinham acabado de chegar também eles devidamente equipados para a grande festa, que se iria realizar naquela grande e extraordinária cúpula, como se esta fosse a tenda de um grande circo instalado para usufruto do povo habitando uma grande cidade.

 

O outro lado do espectáculo

 

O número seis não saía da cabeça de Olympus. Filho dum casal de jovens expedicionários destacados para uma galáxia localizada nas profundezas do Universo e conhecida como Via Láctea, Olympus acabara por nascer já numa outra fase da vida dos seus pais, com estes já completamente instalados em Marte numa missão inicialmente limitada à observação e ao estudo do planeta e a outras acções não intrusivas; mas que como eles sabiam poderia em qualquer momento e com o desenvolvimento natural do projecto terminar numa colonização parcial adaptada. Que fora o que acontecera com a descoberta e exploração do mundo subterrâneo de Marte e com a observação de vestígios de antigas civilizações (ou mesmo com o facto de algumas espécies ainda hoje prevalecerem, como poderia ser o caso dos Percival) mas sobretudo após a constatação de que Marte ainda poderia ser retransformado e ressuscitado. Olympus era desde muito jovem um entusiástico das Matemáticas, tendo uma grande aptidão para os números e para todas as ciências a ela associadas e sendo considerado pelos seus colegas um verdadeiro especialista em certas áreas mais estranhas e abstractas da mesma ciência: e as coincidências sempre o tinham deixado intrigado dado as mesmas existirem e racionalmente serem obrigatórias de explicação e de entendimento. Como consequência teria que haver alguma explicação lógica para todos os jovens estarem distribuídos por seis grupos para um encontro hexagonal com alienígenas; e com estes a duplicarem a parada chamando mais estrangeiros. No cálculo matemático todo o algarismo por mais desprezível e insignificante que seja nunca poderá ser ignorado; caso contrário o erro será a solução.

 

De um dos lados da cúpula um dos grupos de jovens vira alguém a sair do seu interior e a começar a deslocar-se na sua direcção. Tinha aspecto de ser um dos alienígenas provenientes da Terra dado o típico fato protector que usavam em volta de todo o corpo. Atravessava agora a superfície seca juncada de pedras e estaria ali em poucos minutos. O guia pediu prudência e atenção aos jovens, exigiu que estivessem sempre atento aos seus gestos e inspirando profundamente levantou-se e dirigiu-se ao terrestre.

 

O convite era claro, frontal e sem evasivas, solicitando amavelmente a sua presença e de todos os restantes elementos que o acompanhavam no interior da enorme cúpula, mas nunca a impondo fosse qual fosse o motivo, pois afirmavam-se admiradores da liberdade e da cooperação como opção. Por essa altura as comunicações caíram. E face ao impasse registado na situação motivado pela impossibilidade de receberem novas instruções, adicionado à irrequietude e nervosismo crescente que os jovens iam exteriorizando, os seis guias reuniram de emergência acabando por sinalizar o terrestre da sua anuência.

 

A Cúpula de Marte

 

Debaixo da cúpula todo o espectáculo estava há muito montado, aguardando apenas a chegada das altas individualidades e de todos os seus convidados incluídos na comitiva que iria rectificar o acordo, no qual se incluíam alguns privilegiados terrestres, entre estrelas do social associados a áreas como a da música e a do cinema. Entretanto e ordenadamente os mais de cem jovens iam seguindo os seus respectivos guias, acabando todos por se acomodar do lado esquerdo em frente ao palco principal, local escolhido e reservado pelos responsáveis organizativos pelo espectáculo, para colocarem personalidades indígenas e previamente assinaladas e aceites que pudessem à última da hora comparecer ao acontecimento. Do lado oposto aquele em que se encontravam uma ampla área de cadeiras entre a assistência encontrava-se ainda completamente deserta: era a única zona entre o público presente desoladoramente deserta, contrastando fortemente com o restante público que praticamente já o lotava, com muitos olhando para a retaguarda e aguardando ansiosamente o aparecimento dos convidados principais. Provavelmente alguém de importante estaria ausente.

 

A comitiva encaminhava-se agora através do corredor central deixado livre entre as filas de cadeiras, colocadas ordenadamente e em forma de concha à sua volta e que a iam conduzir ao palco principal: à frente era bem visível a conhecida e poderosa figura de Richard Branson – o grande impulsionador deste acontecimento e líder do maior conglomerado terrestre – que aparecia ladeado por duas altas individualidades, uma representando os interesses dos terrestres e a outra o interesse dos extraterrestres. Cerca de uma dúzia de indivíduos os seguiam, entre representantes hierárquicos inferiores, alguns seguranças e um ou outro convidado VIP: entre eles David Bowie e Lenny Kravitz – o primeiro dos quais responsável pelo momento musical planeado para o acontecimento, no qual apresentaria temas do seu aclamado álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”. Na sua caminhada triunfante efectuada entre aplausos crescentes até finalmente atingirem o palco, Branson e as duas Entidades representativas do histórico acordo firmado entre duas raças diferentes, amigas e colaborantes, ainda pararam no início das escadas que davam acesso ao palco, olhando duma forma enigmática (talvez apreensiva) para a sua direita e ficando por segundos a olhar para a zona abandonada sem ninguém a ocupar as cadeiras, parecendo trocar algumas impressões e alguns sinais de aparente desilusão. Mas lá subiram as escadas até ao palco colocado sob a cúpula indo-se colocar no centro do estrado, enquanto eram soterrados por uma aclamação imensa vinda de todos os lados e se ouvia um dos mais célebres temas de Lenny Kravitz: “Fly Away”.

 

Tranquilamente os Percival diluíram-se entre as dunas de chocolate

 

Nos túneis subterrâneos de Marte, os superiores hierárquicos aí destacados como representantes máximos da Entidade Central, mostravam-se deveras preocupados com a evolução da situação que enfrentavam os 126 elementos que estando à sua responsabilidade, se tinham envolvido no decorrer da sua missão de simples observação – numa operação mais vasta e com alguns parâmetros perigosos de incerteza – num outro cenário incompatível com a fase de desenvolvimento dos jovens e em último caso com a sua própria segurança. Além disso os radares indicavam algumas perturbações na atmosfera do planeta na região rodeando o ponto ZIA.5 além de movimentações estranhas sobre a superfície. E com as comunicações directas com os guias temporariamente cortadas – tinham que restabelecer uma nova ligação utilizando os amplificadores alternativos dos VD até agora silenciosos – a sua inquietação não parava de aumentar, apesar da certeza absoluta que de momento todos estavam bem (por controlo indirecto e individual do estado de saúde de cada um deles). Mas a paz só chegou com o aparecimento de Minerva à entrada de um dos postos avançados da base subterrânea, vinda das profundezas das áridas e infindáveis superfícies marcianas, montada no seu estranho e pesado amigo Rhino – apesar da aparência um veloz e ágil animal, extremamente fiel mas sobretudo inteligente: trazia consigo uma mensagem da parte do seu grupo os Perceval, acompanhada de um código encriptado que lhes daria acesso imediato à confirmação da mesma mensagem. Até para salvaguarda de todos os envolvidos nesta situação utilizando para o efeito (e complementarmente) uma ligação prioritária e exclusiva ao regulador instalado no planeta Lowel, por sinal tutor de ambos: o Grande Mestre do Imaginário e Fundador do planeta Marte, Schiaparelli. A mensagem era curta mas esclarecedora: “Acordo dual de segurança em aplicação; monitorização e limpeza em curso no sector ZIA/ponto 5; grupo protegido e VD em segurança; regresso já a decorrer em corredor dunar LYOT/oeste/49°; tempo previsto 3,5h.”

 

Sob a enorme cúpula marciana David Bowie e a sua banda já tinham iniciado o seu espectáculo musical: o acordo já fora assinado e confirmado entre as duas partes e tinha sido dado início a um período de convívio entre todas as personalidades ali presentes, convidadas expressamente para este extraordinário evento galáctico que marcaria definitivamente a Virgin de Richard Branson e a sua Aventura e Conquista do Espaço Pela Terra. A ACEPT Company marcaria com a sua fundação e o seu envolvimento dedicado no campo da exploração espacial uma revolução brutal na respectiva indústria terrestre, criando um novo espaço e mercado para a expansão humana e para a colonização de novos mundos. E a sua união e aliança com um poderoso elemento externo tecnologicamente mais avançado e colaborante, escancarava-lhes completamente todas as portas do Universo, abrindo-lhes todo o horizonte visual à sua exploração e expansão privada e dedicada, podendo proporcionar aos conglomerados terrestres a descoberta de novas Terras ou até a terraformação de outros corpos celestes compatíveis: talvez equiparando os seus líderes a novos Deuses tendo o Universo como seu altar.

 

O problema no entanto residia no facto de que o Universo não era um Mercado em Expansão posto à disposição dalguém que por ali passasse por acidente e que dele se apropriasse como o verdadeiro pioneiro (não percebendo a sua verdadeira posição neste espaço já partilhado, talvez por inconsciência, ignorância ou mesmo provocação infantil) e que os outros seres aí instalados jamais permitiriam ser incluídos num pacote comercial onde nem sequer tinham sido considerados, mas apenas vistos como meros observadores passivos e aceitantes, aí residentes mas dispensáveis de participação directa nas negociações: como era possível os outros seres alienígenas acabarem por se intrometer num negócio que não lhes dizia respeito ainda por cima desafiando uma raça poderosa como a dos Extra Solares? Só que a vida do Universo não se regia segundo as leis e as regras estabelecidas aleatoriamente e por momentos insignificantes pelos terrestres, nem os Extra Solares eram aquilo que Branson dizia, pensava ou então desejava. Não foi pois assim tão estranho e imprevisto o que aconteceu de imediato, tendo como artistas principais neste cenário de transição essa raça mítica e lendária desde sempre em terras de Marte e conhecida como os Percival: com o seu Grande Mestre Schiaparelli a apoia-los a partir do planeta Lowel.

 

Num Universo Vivo a Alma é o seu Tempo e o Infinito o seu Desígnio

 

A intervenção dos Percival no ponto da superfície marciana designada por ZIA.5, não tinha sido decidida como era muito comum entre os terrestres em círculos de interesse fechados e particulares – orientados unicamente e duma forma egocêntrica para a salvaguarda de um determinado grupo de indivíduos, espécies ou comunidades locais – mas tendo em conta todo o espaço envolvente do qual todos faziam parte e no qual as suas decisões e acções acabariam por ter impacto: o Universo não era nem nunca poderia ser um sistema fechado em si próprio, devendo ser visto na realidade – e como uma constatação da sua mesma evolução – como um corpo de oportunidades infinitas profundamente inserido num Sistema Vivo em constante movimento e transformação, por sua vez inserido num oceano constantemente replicado de outros universos adjacentes e comunicando-se ininterruptamente entre si, por vizinhança, contacto ou intersecção. Como se a Existência do Espaço fosse reflectida através de um enorme Caldo de Elementos – existência e realidade essa resultante da mistura dos mais diferenciados materiais e estados em presença e em constante movimento – que com uma única variação de parâmetros mesmo que residuais mas provocando alteração de estados energéticos – positivos e/ou negativos e como que numa panela de pressão – originasse uma convulsão reprodutiva interna, que duma forma directa ou indirecta excitasse todo o corpo ou objecto em causa (entre uma infinidade comportamental de outros espaços) colocando-o num novo cenário criativo e interactivo entre muitos outros proto Universos. Eles estão lá só que não os queremos ver: tal como a Terra não é o centro do Mundo, o Universo não se pode transformar numa referência estática, central e estéril (ou esterilizada), rodeado como está por um número infindáveis de outros Universos que o condicionam e são por ele condicionados. Só assim se compreendendo a noção de Infinito – um lugar sem origem, sem morte e sem tempo intermédio.

 

De modo à eficácia da sua aplicação ser total e perfeita, o Nolano foi introduzido no foco do sector ocupado pela cúpula artificial marciana, transformando de novo toda a zona intervencionada no território natural anteriormente aí existente, sem nenhum vestígio de passagem dos alienígenas pelo local, nem de outros parâmetros adicionais e temporariamente introduzidos que pudessem desviar por qualquer forma ou motivo, essa zona dos seus padrões originais e locais. O Nolano era uma simples caixa de ressonância electromagnética construída em torno dum solenoide vertical percorrido por uma infinidade de condutores interligados em espiral, que ao ser activado conseguia transformar um espaço determinado num espaço idêntico e inalterado nos seus parâmetros absolutos, mas com dimensões apesar de proporcionadas muito inferiores e susceptíveis de fácil transporte e reposição. Tinha também a virtude de guardar no interior do artefacto todo o conjunto em causa – por maior que ele fosse – conseguindo reduzir as medidas de qualquer espaço à sua mais pequena dimensão e sendo capaz de manter no interior do seu sistema conjuntos com um número elevadíssimo de elementos por um longo período de tempo – mantendo as condições ambientais encontradas antes da intervenção. Os alienígenas só se aperceberam da aproximação repentina daquilo que aparentemente seria uma grande tempestade em formação sobre o planeta Marte no preciso momento em que esta já os cercava completamente e sem retorno possível, e sem perceberem bem porquê – nem entenderem bem o instante do seu início o do seu fim – duma sensação momentânea de afundamento e de claustrofobia que quase lhes fez perder os sentidos – como se estivessem a ser engolidos por um buraco e posteriormente expelidos numa outra extremidade – enquanto à sua volta o mundo parecia desaparecer e num flash reaparecer: só que agora estavam na origem da sua viagem o seu planeta de origem neste caso a Terra. Para os observadores locais uma tempestade de areia engolira o local, retornando-o apenas e somente às suas origens naturais.

 

O Nolano fora uma das grandes armas tecnológicas e revolucionárias criadas pela civilização de Lowel para a sua utilização exclusiva em casos extremos e potencialmente perigosos e onde era necessário e essencial preservar a Paz entre raças por mais diferenciadas (e agressivas) que fossem e baptizada neste caso em homenagem a uma das maiores personalidades terrestres, como sempre e em sociedades primitivas ainda nos seus primórdios de desenvolvimento, ignoradas e castigadas até à morte apenas por desafiarem o poder absoluto e errado de alguns falsos profetas, aquando da sua passagem pelo Mundo: neste caso Giordano Bruno também conhecido por Nolano. Na sua época um grande Filósofo e um Homem fiel até à morte às suas ideias e ao bem-estar dos seus semelhantes (ao contrário do traidor e oportunista Galileu):

- "Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite."

- "O mundo é infinito porque Deus é infinito. Como acreditar que Deus, ser infinito, possa ter se limitado a si mesmo criando um mundo fechado e limitado?"

- "Não é fora de nós que devemos procurar a divindade, pois que ela está do nosso lado, ou melhor, em nosso foro interior, mais intimamente em nós do que estamos em nós mesmos."

(Giordano Bruno – retirado da Wikipedia)

 

Fim da 2.ª parte de 2

 

(imagens – NASA/Web)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 22:01

Implantação

Domingo, 16.02.14

“Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou”

(Bíblia – Êxodo 20)

 

Os pais nunca tinham dito nada de especial a Embrião sobre o Templo da Implantação, porque sabiam por experiência própria de vida e por observação directa de toda a Natureza que os rodeava e da qual faziam parte, que o mistério era uma das principais e mais belas transições temporais em todos os acontecimentos e fenómenos da História do Mundo – nunca os deixando insatisfeitos com as revelações obtidas, mas mesmo assim sugerindo-lhes imediatamente outras conquistas do conhecimento e outras aventuras fantásticas e de encantamento.

 

Entre a primeira e a segunda etapa a Fronteira – o Templo da Implantação – seria um marco do desenvolvimento do Embrião e da sua transformação posterior num fabuloso Ser Vivo: aí ele desenvolveria a sua estrutura básica de crescimento e de desenvolvimento, organizando-se e adquirindo no decorrer do processo – como um farol – a Alma que o dirigiria para sempre e de onde emanaria a Consciência.

 

Embrião: Roseta e As Fundações do Corpo

 

Tinha chegado a hora do Embrião sair de casa e partir para a sua grande viagem. Teria duas etapas a cumprir: uma antes de chegar ao Templo da Implantação e outra após a sua passagem. Na primeira etapa e nunca perdendo a sua identidade profunda, viajaria com o aspecto de Blastócito, o que lhe daria a aparência de pequenas projecções livres e dispersas, analiticamente procurando direcções; na segunda etapa e após a chegada a Útero, embrenhar-se-ia nele como Mãe e Destino. Mas o período mais sedutor da viagem seria sempre o passado durante o Templo de Implantação, até pelo Mistério que o envolvia: como era possível que num tão curto espaço de tempo – comparativamente com o tempo dispendido em toda a viagem – o Embrião sofresse das mais significativas alterações de crescimento e de desenvolvimento, organizando-se para se transformas e evoluir?

 

Chegado ao Templo da Implantação o Embrião adquiriu a sua essência e a concretização do seu destino: o Espírito da Vida. E com a complexidade da Alma a ele aí anexada, criou fantásticas estruturas básicas de construção e de reprodução infinitas – perdendo agora o Embrião o aspecto de Blastócito e transformando-se numa bela e organizada Roseta, festiva, perfeita e bem desenvolvida. Numa imagem nunca antes vista ou imaginada, pelo jovem e aprendiz Embrião. Um dia o Templo da Implantação receberia o Prémio da Regeneração.

 

(imagem – The Watchers/cam.ac.uk/cell.com/creativecommons.org)

 

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:14

A Alma

Quarta-feira, 29.01.14

Uma expressão que revela a todos nós que mesmo quando nos sentimos completamente perdidos e subjugados por um mundo que por vezes nada respeita e que como tal opta pelo recurso à violência, nunca deveremos desistir da nossa memória e do que ela transporta, pois caso contrário primeiro desistiremos de todos e logo de seguida de nós próprios. Uma expressão que mais uma vez revela o nosso espanto face à indiferença de uns e à prepotência de outros – e enquanto os restantes se limitam a olhar.

 

“Nenhum objecto por mais pesado que seja consegue destruir o sujeito: o objecto é apenas um corpo mas o sujeito tem uma Alma”.

 

Uma Visão da Alma por Transparência Interior

(uma imagem que toca e faz vibrar, todas as cordas do nosso corpo)

Filomena Teixeira

Mãe de Rui Pedro

Desaparecido em 1998 com 12 anos de idade

Hoje terá 28 anos

 

Disseminada por toda a extensão física do nosso corpo, a Alma é o único companheiro que nos acompanha fielmente durante toda a nossa vida, agregando nela todas as percepções, sensações e recordações por nós adquiridas e desse modo mantendo indefinidamente o nosso elo de ligação com o mundo colectivo e com as suas estruturas básicas de apoio, centradas e suportadas no indivíduo: estruturas erguidas pela acção de células com a mesma identidade objectiva e que usando o mesmo código familiar e genético replicam indefinidamente no tempo e no espaço o nosso sinal pessoal, tal e qual os faróis costeiros (preservam, defendem e projectam) que em tempo de tempestade e reconhecendo a sua principal utilidade, não se esquecem dum dos seus objectivos fundamentais: preservar a união celular, defender o organismo como um colectivo e projectar o corpo no espaço. Só assim o nosso corpo será imortal, preservando na morte a memória dos nossos ascendentes e defendendo até ao fim dos nossos dias, a vida e a cultura dos nossos descendentes – ou seja, sendo a nossa viagem por estes lados apenas uma fase transitória, preservando o nosso estado de Alma a verdadeira essência da vida.

 

(imagem – SAPO/Porto Canal)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:34

Ataque Extraterrestre

Sexta-feira, 10.06.11

Nave extraterrestre

 

Está marcado para o futuro (o ataque).

 

Tanto pode acontecer em Albufeira, no Alentejo ou noutro sítio qualquer.

 

Não há hipótese! Eles já nos visitam, vigiando a nossa evolução, desde há milhares de anos.

 

Locais de aterragem, é só escolher. Até poderemos enviar uma banda para os receber, basta mostrarem ao mundo, o seu local de aterragem.

 

Se for no campo, uma boa salada, caracóis, sardinhas e febras, uma grande melancia e vinho fresco a acompanhar. O português sabe receber.

 

E o extraterrestre, lá terá que entender. É que o Universo é um todo e desse todo universal, fazemos parte todos nós.

 

Extraterrestres em Washington – 1952

 

Ninguém fotografou até hoje um extraterrestre, bem vivo e em movimento.

 

Só nos falam deles. Nunca somos apresentados e ainda por cima, querem que acreditemos que andam por aí.

 

Só que, limitados como somos, nunca os vemos, por mais que nos acenem.

 

Pode ser, por excesso de raios ultravioletas.

 

E ainda por cima, surgem sempre dentro dos seus automóveis espaciais, nem se conseguindo sequer, olhar lá para dentro. Muitos até têm forma de omeleta.

 

Anjo da Guarda – O 3.º Elemento

 

O Anjo da Guarda já é um velhote que acompanha todo o mundo na sua luta pela sobrevivência diária e que já mal se consegue mexer.

 

As penas das suas asas estão cada vez mais quebradiças e o seu corpo já dificilmente se aguenta no ar.

 

No entanto não nos larga, não dispensa a sua protecção e pelo menos a temperatura do seu corpo, ainda nos mantém aqui vivos.

 

A presença poderá ser um estado de alma ou até mesmo a realidade.

 

E Judas: poderia ele ser, um dos Anjos da Guarda?

 

(Fotos National Geographic)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 19:05