Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

01
Jun 15

Novos Ficheiros Secretos – Albufeira XXI
(tomo A/31.5)

 

Dia 6
6.ª Etapa da Viagem
(Um Salto até Lagos a Caminho de Sagres)

 

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No final os dois corpos uniram-se, fundiram-se num único ponto e transformaram-se em algo de novo explodindo como uma partícula. Dando origem à vida e continuando a anterior. E debaixo desta catadupa pesada e ininterrupta de informação não aguentamos e caímos logo ali desamparados e inconscientes. Mas continuando a sonhar até nos perdermos neste Mundo.

 

Acordamos já era de dia: quando os primeiros raios de Sol já aqueciam o nosso corpo e a vida em torno de nós já tinha iniciado mais um dia de trabalho e de partilha. Ainda pensáramos por segundos se não teria sido um sonho, algum efeito do medronho ou de outro tóxico qualquer, mas tudo era real e estava connosco (no interior) ou diante de nós (no exterior). A noite anterior fora demais e os nossos corpos continuavam a dar sinais evidentes disso: que nos lembrássemos caíramos a dormir já depois das cinco da madrugada e as outras cinco horas de sono que tivéramos não se tinham revelado suficientes. Mas se queríamos cumprir o plano que nos tinha sido proposto na noite passada, o mais cedo que fosse possível deveríamos dirigir-nos a Lagos e ao farol da Ponta da Piedade. Aí estaria alguém à nossa espera. O único problema é que estávamos em pleno fim-de-semana (era sábado), o movimento na cidade seria intensa e nós teríamos que atravessar aquilo tudo e toda aquela gente (curiosa e muito faladora).

 

Custou-nos bastante fazer o trajecto a pé até Lagos, com o dia de calor que já se fazia sentir e com o cansaço e o suor completamente agarrados aos nossos corpos (sentíamos os próprios poros como que se estivessem entupidos): atravessamos campos e cerros até chegarmos à entrada da cidade, ultrapassamos a respectiva ponte de acesso e por volta das 16:00 da tarde estávamos no início da avenida que ia dar ao nosso farol. Fizemos toda a avenida com as nossas mochilas às costas, parecendo um grupo de maltrapilhos meio amalucados, seguindo em fila para não perderem o tino. Passámos rapidamente diante do antigo Mercado de Escravos e ainda com as pessoas a apontarem para nós seguimos directamente e em passo ainda mais acelerado até ao Forte da Ponta da Bandeira. Num canto mais protegido da muralha procuramos então um local para repousar por uns momentos, acondicionamo-nos o melhor que nos foi possível e enquanto apagávamos a sede fechamos os olhos por uns breves instantes: sentíamo-nos sujos, com a sujidade colada ao nosso corpo (com a ajuda das vagas sucessivas de suor) e com as nossas roupas a começarem a cheirar (mal) e a incomodarem os nossos órgãos do olfacto. Ficamos por ali até por volta das sete da tarde só abandonando o local com a chegada das autoridades. Perguntaram-nos o que estávamos ali a fazer (um local em princípio autorizado ou talvez não) e como não déssemos uma resposta válida (para eles totalmente satisfatória) pediram-nos para que logo que fosse possível abandonássemos o local, sob o pretexto de que o espaço já fechara e seria sujeito de seguida às normais operações diárias de manutenção. Pelo meio ainda nos pediram a identificação. Ficaram admirados por verem três cidadãos como nós, bem estabelecidos numa cidade próxima de Lagos, pudessem andar ali como verdadeiros maltrapilhos e a arrastarem-se sem nenhuma razão aparente. Apesar de tudo e como seria natural deram-nos as boas tardes e continuaram o seu serviço. E lá arrancamos em direcção ao farol para um percurso de pouco mais de dois quilómetros e cerca de meia hora a pé. Às oito estávamos lado a lado com o nosso objectivo.

 

Descansamos mais um pouco e de seguida fomos à procura da descida que nos conduziria à gruta junto ao mar, onde conforme estabelecido estaria um barco à nossa espera. Rapidamente a encontramos (bastava ver por onde as pessoas andavam) e olhamos lá para baixo: uma escada velha e bastante íngreme descia uma boa dezena de metros falésia abaixo, com o mar bem visível lá no fundo, a ondular suavemente entre os rochedos. Já não se via ninguém a circular por ali, agora que se chegava ao fim do dia e se aproximava a hora de jantar. Mas era ainda muito cedo: o encontro estava marcado para a meia-noite e ainda tínhamos mais de três horas de espera (e de impaciência e suspense). Um de nós foi então até uma roulotte que se encontrava estacionada nas proximidades, comprar alguma coisa de quente e de sólido que nos fizesse ultrapassar este péssimo estado geral (principalmente físico) em que nos encontrávamos: umas bifanas acabadinhas de fazer, acompanhadas por batatas fritas, uma pequena salada e até uma sopa (quentinha) de legumes, acabaram por de novo nos recompor, pondo-nos a ver com melhor olhos as horas que se avizinhavam. Resolvemos fazer uma sesta (com um de nós sempre atento à passagem das horas) e aí ficamos até perto das 11:30 da noite. Levantamo-nos, arrumamos tudo, ainda nos entretivemos com um cão que por ali passava (o cheiro do resto do embrulho das bifanas, deve tê-lo atraído) e iniciamos a descida. E cinco minutos antes da hora e com os três sozinhos junto da gruta aguardamos. À meia-noite em ponto um velho barco a remos agora com um motor adaptado parou junto de nós: entramos e o condutor conduziu-nos junto à costa em direcção a ocidente. Nem cinco minutos depois uma luz aproximou-se vinda do mar e acompanhou-nos por segundos até o barco parar. Com o motor parado um grande silêncio se instalou sobre o mar até que uma porta se abriu e do estranho veículo agora estacionado sobre a água mesmo ao nosso lado, saiu uma ponte pela qual passamos entrando no seu interior. Nem sabendo muito bem como tínhamos viajado em tão poucos segundos e saindo do veículo mal tínhamos entrado, encontramo-nos repentinamente na fortaleza de Sagres às portas de uma pousada. Sem perguntar dirigimo-nos para o local e aconselhados por um indivíduo que lá nos esperava (fardado, de óculos, de capacete e nunca mostrando todo o rosto) fomos logo descansar. Acordar-nos-ia por volta das oito.

 

Dia 7
7.ª Etapa da Viagem
(À Aventura)

 

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Por volta das sete da manhã e com os primeiros raios de Sol a começarem a entrar pela janela, levantei-me e fui ligar a televisão: era Domingo, a meteorologia previa a continuação do bom tempo e estávamos no último dia (por nós anteriormente definido) para a conclusão (e nunca fim) desta nossa grande aventura. Era inacreditável tudo por que tínhamos passado, ainda por cima agora, que estávamos tão bem instalados num belo aposento de uma confortável pousada. Mas nem tudo estava ainda acabado. Fui acordar os outros dois e aproveitei para tomar um duche rápido. Às oito a campainha do quarto tocou. Aparentemente o mesmo indivíduo que nos transportara na noite passada entregava-nos agora um pequeno subscrito. Fardado, ainda com a cabeça e o rosto encoberto e após entregar a mensagem fechada, despedindo-se e desaparecendo de imediato ao dobrar a esquina do corredor. Enquanto os outros se aproximavam abri o envelope, tirei de lá uma folha dobrada e tentei ver o que dizia. Como já estávamos todos sentados, pedi-lhes a atenção e li: “Ponto de encontro exactamente ao meio-dia junto do acesso às escadas que levam à parte superior da torre-cisterna, localizada na extremidade esquerda (para quem entra na fortaleza) dos edifícios visíveis, logo à entrada. Aguardar no local”. Daqui a pouco mais de três horas. E ainda mais um passeio a pé da pousada até à Fortaleza (talvez uma meia hora). Lá fora o tempo adivinhava-se perfeito com o mar calmo e sem ondas.

 

A caminhada até à fortaleza foi feita de uma forma tranquila, dando-nos tempo suficiente para aproveitar o bom tempo que se fazia sentir na região (muito gente já se encontrava na praia) e ainda dar uma espreitadela pelas ruas da vila de Sagres. Para entrar na fortaleza ainda tivemos que comprar bilhete, o que até poderia ter sido um factor impeditivo para aquilo que pretendíamos fazer (a continuação da nossa viagem) já que o pouco dinheiro que trouxéramos estava mesmo a acabar. Mas lá conseguimos o dinheiro suficiente e com os respectivos bilhetes foi-nos permitido entrar. Foi fácil encontrar a torre-cisterna, situada do lado do promontório a partir do qual poderíamos ver a pousada onde antes pernoitáramos. E aí nos deixamos ficar até ao meio-dia, vendo-se pouco ou nenhum movimento à medida que o calor aumentava e se ia aproximando a hora do almoço. E à hora uma abertura se abriu na parede lateral da cisterna mesmo junto ao acesso às escadas (não nos tínhamos apercebido antes da sua existência) e no seu interior vimos aquilo que seria a caixa de um elevador pronta para nos receber: entramos e logo a porta se fechou. Começamos a descer muito rapidamente.

 

Já bem instalados nos nossos lugares recebemos a informação de que estaríamos muito próximos da largada. Ouvimos o sinal de aviso soar e ao contrário das forças que esperávamos começarem a actuar fortemente sobre o nosso corpo (devido ao forte arranque e à actuação contrária da força da gravidade), o início e a continuação do movimento da nave que nos transportava praticamente nem se sentiu, ao mesmo tempo que pela janela víamos o exterior submarino a passar por nós a grande velocidade, até ao momento em que emergimos e disparamos em velocidade estonteante pela atmosfera terrestre. A costa algarvia afastou-se rapidamente, o continente foi ficando cada vez mais pequeno, a própria Terra começou a encaixar-se na sua totalidade dentro da nossa janela e já mais afastados desta ainda vimos a pequena ISS. Então disparamos e no segundo seguinte o Espaço que antes nos rodeava já não era o mesmo. Estávamos num Universo distinto.

 

Vimos então a nave a reentrar no nosso espaço de origem, com o planeta Terra diante de nós a aproximar-se a grande velocidade e com os seus continentes a começarem a definir cada vez com maior detalhe os seus verdadeiros contornos: começávamos a reconhecer os limites da Europa e a sua parte mais ocidental (onde se localizava o Algarve). E no momento seguinte como que houve um interregno temporal e inesperadamente (sem aviso ou outro tipo de informação) encontrávamo-nos de novo no elevador que utilizáramos na fortaleza. Sentimos que nos deslocávamos para cima e segundos depois este parou: a porta abriu-se, saímos da cabine e vimo-nos para nosso grande espanto no que deveria ser o Promontório de Sagres mas ainda sem a sua fortaleza. A paisagem à nossa volta era bem diferente daquela que conhecíamos, com toda a estrutura rochosa na qual nos encontrávamos e o mar situado nas suas proximidades, apresentando parâmetros e condições totalmente desfasadas da nossa realidade. Nesta realidade que aqui nos era proposta a linha de costa situava-se um pouco mais a sul e o local onde nos encontrávamos era apenas uma das grandes elevações por ali dispersas. Os terrenos em volta em vez de serem desprovidos de fauna e de flora (como consequência da urbanização imposta pelos humanos), eram pelo contrário bastante densos e selvagens. O ar parecia ter mais cheiro e um pouco mais de humidade, apresentando no entanto um perfume bastante agradável e fazendo-nos lembrar os odores puros da Natureza. Víamos algumas aves que ainda não identificáramos (éramos uns ignorantes nessa área) e fortes vestígios da presença de animais. Ao fundo a vegetação agitou-se e por momentos ficamos bastante receosos: por entre os arbustos surgiram então dois grandes javalis, que vendo que não constituíamos para ambos qualquer tipo de perigo pelo menos imediato, atravessaram a correr o caminho e tornaram a desaparecer. Um de nós ainda avançou (corajosamente) em direcção ao caminho por onde os animais tinham passado e chamado à atenção por algo que vira entre os arbustos deslocou-se uns metros para um dos lados: e aí enquanto olhava melhor para o que tinha acabado de descobrir caído no solo, olhou-nos com espanto e chamou-nos. Segundo ele e pelos objectos que acabara de descobrir (utensílios, ferramentas e conhecimento da sua utilização), estaríamos muito provavelmente na Pré-História do Algarve: o instrumento de pedra descoberto e recentemente utilizado para cozinhar (e que se encontrava ao lado dele), ferramentas como uma parte de um machado (quebrado) e alguns seixos utilizados para corte ou até para caça (nas suas mãos tinha algumas pontas de setas), indicavam que estariam num outro mundo (passado) muito diferente do deles (talvez a uns 5.000 anos de distância) e que à sua volta também existiriam outros homens – de outra era, com outras armas e com outros argumentos, que necessariamente não seriam os deles. E isso preocupava-os agora que estavam para ali perdidos numa terra que sendo deles também o era estranha. Felizmente que a nossa aventura fora pensada por nós, mas planeada por outros. Subitamente sentimos (interiormente) que algo de estranho estaria a suceder à nossa volta, só que ainda não identificáramos o quê: o local até que poderia ter sido uma sequência cronológica de Sagres, mas a cada minuto que passava, o ambiente que nos envolvia parecia um pouco mais retocado, um pouco mais artificial. O problema talvez não estivesse na composição e misturas de cores, provavelmente mais uma questão de iluminação. Olhei então para o Céu. A minha surpresa compartilhada com os restantes, foi de incredibilidade e imediata: noutra posição bem distinta do horizonte o que poderia muito bem ser um outro Sol, começava a fazer notar a sua crescente claridade.

 

Instantaneamente a execução foi interrompida. Toda a acção foi rebobinada e no exacto ponto de restauro (onde se verificara o problema), foi então introduzido um novo ficheiro prioritário (de actualização e regresso).

 

Devemos ter ficado inconscientes. Só me recordava do segundo Sol a nascer e das cores indescritíveis que nos iam começando a chegar vindos da sua direcção (a partir do instante em que subitamente o astro se começara a abrir) e de como a sua primeira vaga de raios solares nos atingira directamente e de uma forma que pelos vistos fora fulminante. Como se repentinamente apanhados pelo Sol ficássemos cegos e desorientados. Depois disso nada. Agora não sabia na realidade onde estávamos, não nos sabendo situar no tempo, no espaço ou noutro tipo de parâmetro de uma outra realidade qualquer. Estava escuro e não ouvia ninguém. Nem sabia se sentia. No entanto tinha a certeza que continuava vivo (segundo a minha definição), pois pelo menos continuava a sentir-me interiormente. Era como se estivesse suspenso no vazio e no centro do que seria esse nada estivesse a ver o Universo; e a tentar compreender a minha situação no interior dele. Quando me virasse talvez encontrasse a resposta. Era apenas uma questão de escolha – e de quem talvez e por mim a fizesse (em meu nome, da sua autoria, por todos subscrito e por mim representado). Despertamos ao som de uma campainha (apesar de nunca a termos encontrado).

 

Apesar do ar que respirávamos ser bem agradável para as nossas vias respiratórias, estávamos completamente às escuras e com as costas bastante doridas por termos estado deitados no chão. Tínhamos que encontrar uma solução. Levantamo-nos, tentamo-nos ligar uns aos outros com partes do nosso vestuário e colocando-nos em fila começamos a andar uns ao lado dos outros tacteando. Estaríamos num corredor: sensivelmente com largura sempre muito semelhante, mais alto do que nós (mesmo saltando) e parecendo subir ligeiramente na direcção em que nos dirigíamos. Mas não havia maneira de se fazer luz. Tínhamos perdido as mochilas e com elas quase todo o equipamento. Pouco ou nada; nem uma única lanterna, fósforos ou qualquer outra luz. E já andávamos nisto há pelo menos meia hora.

 

A ordem emitida obrigou à apresentação imediata do certificado autorizando a introdução de um novo operador no terminal (da aplicação em execução) e face à sua não existência foi declarada a suspensão do mesmo operador e anulada a ligação do respectivo periférico. E para não problematizar ainda mais a execução do plano original o cenário foi alterado por aperfeiçoamento, tornando-se mais a imagem do objecto visado e menos a visão do interveniente exterior (fosse em que sentido mais ou menos agressiva ela se manifestasse). Uma aventura pode ser uma viagem, desde que não desnecessária e abusivamente manipulada e tratando o objecto visado como se fosse (mesmo) algo sem alma, inútil e vazio. Como assim se dermos alguma liberdade a um prisioneiro, mesmo sentindo-se injustiçado, ele agradece. Tão simples como isso.

 

A terra tremeu bem, mas felizmente apenas por uns curtos segundos. À nossa frente algo se desmoronou e por momentos pensamos que ficaríamos ali enterrados vivos e para sempre. Mas como o homem muitas vezes se engana neste caso a regra confirmou-se: ao fundo víamos o primeiro raio de luz. Saímos para o exterior num local não muito afastado de uma das entradas nas minas de sal-gema de Loulé. Até parecia mentira: à nossa frente o som e o movimento de um Domingo normal, ainda chegava até aos nossos ouvidos e olhos bem abertos, neste momento para nós único e significando o reencontro.

 

Se na realidade pensarmos que a nossa vida é um filme, basta rebobiná-lo e pô-lo de novo a correr: para aí verificarmos que nem tudo fica sempre na mesma, nem mesmo aquilo que é e mesmo quando assim nos parece.

 

E como sempre as férias acabaram e segunda-feira começámos de novo a trabalhar (a vida não dá mesmo descanso – só mesmo a dormir e a sonhar).

 

Fim da parte 4/4

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:04

05
Abr 15

 

Extraterrestres: Seres que tem a sua origem fora do planeta Terra.

 

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Sistema Solar
(NASA – ilustração)

 

Vivemos num mundo de múltiplos aviários dispersos em diferentes coordenadas (mas por aproximação e interacção confluentes no mesmo objectivo), onde os animais são criados e alimentados de modo a atingirem um determinado fim, a partir do qual e a qualquer momento poderão ser certificados e dispensados (libertados, mortos, seleccionados, transformados, etc): na linguagem intrusivamente inserida nessas cobaias e pelas mesmas interpretado como libertados, mas na verdade apenas dispensadas por quantidade excessiva e falta de qualidade.

 

Se em extensão o número de cobaias actualmente catalogadas se torna de manutenção impraticável (mesmo em tempo de guerra, 7 biliões é demais), em compreensão o acontecimento torna-se muito mais dramático (para esses biliões imperfeitos, não para os teóricos da perfeição).

 

A quantidade é o oposto da qualidade e a qualidade que hoje em dia o sistema transmite já não é a adequada nem sequer mesmo a aceitável: nos dias de hoje e daqui para o futuro o mundo assentará em meros mecanismos de mercado (no Objecto) e subverterá com o seu poder financeiro, manipulativo e abstracto transportado pelo dinheiro/moeda (ou seja restringindo o nosso acesso ao poder) o indivíduo (o Sujeito), despromovendo-o não só relativamente às Coisas mas colocando-o atrás (e bem lá atrás como hoje já se verifica com os instrumentos primitivas) da própria máquina – muito melhor do que o Homem pelo seus reduzidos custos de manutenção, por ser de fácil actualização e substituição e por nunca contestar directivas propostas mas apenas se limitando a aplicá-las.

 

Pelo menos para já!

 

Marte

 

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Marte ao meio-dia e ao fim do dia
(NASA – Mars Pathfinder)

 

Todos somos originários da mesma semente. O Sistema Solar é um organismo vivo. No início a célula formou-se, com o seu núcleo a ser envolvido por uma membrana de protecção. Defendia-se assim o centro e todo o Espaço envolvente. O conjunto desenvolveu-se, movimentou-se em múltiplos parâmetros, conjugou matéria e energia e no seu ponto intermédio deu origem à distribuição. Formou-se aí um grupo equilibrado por fechado ao mundo exterior. No equilíbrio do conjunto que constituía o primitivo Sistema Solar, o Sol era o centro umbilical duma limitada rede planetária, de ambientes semelhantes e proporcionadores da existência de vida. O Sol fornecia e a membrana proporcionava a partilha.

 

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Monte Sharp – Garden City
(NASA – Curiosity Rover)

 

Até que um dia a membrana se dissolveu, o organismo atingiu a maturidade e finalmente acabou por se expor. Junto ao Sol ficaram os mais novos, fugidos para mais longe os filhos mais velhos. E a abertura do conjunto à exposição do Universo por dissolução das suas fronteiras virtuais (por apenas se limitarem ao tempo), contribuiu para uma nova evolução desse mesmo conjunto e para a descaracterização do aparente modelo inicial (por estático). Com a interacção agora existente entre o Sol e a restante galáxia onde o mesmo estava instalado (a Via Láctea), todo o estado do sistema se alterou tornando-se agora extremamente dinâmico e claramente sequencial: com as etapas a decorrerem do seu exterior para o seu interior.

 

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Cratera Fram – Blueberries
(NASA – Opportunity Rover)

 

Os planetas exteriores por serem mais velhos e estarem colocados mais próximos das fronteiras do nosso Sistema foram os mais sacrificados. Hoje transformados em mundos quase esquecidos e gelados, com alguns deles a mostrarem uma grandeza aparentemente ofuscante mas apesar de tudo nada condizente com a sua história passada e contando ainda com uns quantos corpos celestes de pequenas dimensões, onde a água se terá refugiado e alguma forma de vida com ela sobrevivido. Sobraram na grande etapa os planetas interiores: Mercúrio, Vénus, Terra e Marte. O quinto antes de Júpiter fora destruído pelo grande cataclismo, dando origem a uns quantos corpos menores e à Cintura de Asteróides. Rodeados pela guardiã (Cinturão de Kuiper) e pela última fronteira (Nuvem de Oort).

 

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Thigh Bone on Mars or Just Another Rock
(NASA – Curiosity Rover)

 

O último ciclo iniciou-se em Marte. Mas o seu tempo estava desde logo contado: com o grande cataclismo que destruiu o quinto planeta (original), todo o espaço em seu redor seria violentamente afectado, tendo Marte como seu vizinho mais próximo sido de longe o mais brutalmente atingido (a todos os níveis fossem físicos ou químicos) e radicalmente modificado – com as acções vindas do exterior a reflectirem-se imediatamente nas condições geológicas e ambientais do planeta, encaminhando-o inexoravelmente para o seu fim. Perdeu a sua atmosfera original, perdeu as suas vastas extensões líquidas e no fim apenas ficou o deserto. Árido, sem vida aparente e viajando sem objectivos em torno do Sol. E aí a vida surgiu na Terra. Como se de uma sequência de sobrevivência se tratasse, com os planetas interiores a seguirem-se ordenadamente na criação de um ambiente sustentável e propiciador de vida e num trajecto bem claro de aproximação ao Sol. Como que afirmando que um dia, mais cedo ou mais tarde e se quiséssemos sobreviver, nos teríamos que encaminhar definitivamente para as estrelas e tal como os antigos aventureiros o desejaram e fizeram, descobrir outros mundos e aí se instalar.

 

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Vista panorâmica da região de Twin Peaks
(NASA – Mars Pathfinder)

 

Marte era o nosso passado e Vénus o nosso futuro. O que não excluía o planeta Marte de qualquer tipo de recuperação, nem que fosse estritamente de investigação e de aquisição de conhecimentos. Até porque em Marte todos os vestígios aí encontrados seriam os trilhos da nossa anterior passagem. E os trilhos reportam sempre à memória, à cultura e à nossa compreensão – do que somos e dos instrumentos de transformação. Como um pequeno organismo vivo pertencemos ao Sistema Solar e estamos integrados num conjunto mais vasto composto por muitos outros elementos que se reproduzem, evoluem, interagem e finalmente se completam (dando origem a outros). Essa interacção estende-se indefinidamente entre o mais pequeno e o maior organismo existente. O que implica que o próprio mega agrupamento onde estamos integrados (Via Láctea) mais cedo ou mais tarde terá que interagir fortemente com algum dos seus vizinhos, até para manter o seu movimento, as trocas de energia e matéria e a própria vida (seja ela o que for). Por acção e reacção dar-se-á um novo Evento (talvez com a galáxia de Andrómeda) e tudo se alterará: e como seres inteligentes deveremos ter a capacidade de assistir e subsistir.

 

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Planalto de Hebes Chasma
(ESA – Mars Express)

 

E tudo isto levando-nos ao que verdadeiramente nos trouxe aqui: a admiração de alguns pelo suceder de momentos inesperados e para já inexplicáveis do tipo déjà-vu: hoje deixamos de sugerir a possibilidade da existência de vida noutros corpos celestes, mas em sua substituição até já confirmamos a existência de largas extensões de água espalhadas pelo Sistema, de vida ainda que primitiva no solo ou em oceanos e até indícios ainda não claramente assumidas de vestígios arqueológicos. O Sistema Solar estende-se por 100000AU (100 mil vezes a distância entre o Sol e a Terra). Isso considerando os extremos localizados na Nuvem de Oort como a nossa última fronteira. Com o Cinturão de Kuiper muito mais próximo (50AU) e Júpiter quase que colado à Terra (5AU).

 

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Solo rochoso em Pahrump Hills
(NASA – Curiosity Rover)

 

“As massas nunca se revoltarão espontaneamente, e nunca se revoltarão apenas por serem oprimidas. Com efeito, se não se lhes permitir ter padrões de comparação nem ao menos se darão conta de que são oprimidas.” (George Orwell – kdfrases.com)

 

O Déjà-vu!

Primeiro a Terra era o centro do Universo. Vieram uns tipos do contra e lá teve a Igreja de intervir. O poder estava inquieto, a Religião estava em causa. Prometeram queimar Galileu, mas deixando-o morrer na penumbra, lá aceitaram o conhecimento. O Sol era o centro e o grande planeta que o orbitava era a Terra. O Universo éramos agora nós, o reino de Deus era a Terra, o Sol o anjo protector e o Universo tudo o que nos rodeava. Apenas se mudava o foco (a Terra) conservando-se o conteúdo (o Homem). Mas hoje já tudo mudou, mantendo o Homem o caminho previsto para a sua inevitável obliteração (perdão substituição).

Agora todo o Sistema Solar parece encharcado em Água. Marte pode ter tido oceanos, organismos vivos e sabe-se lá até civilizações. O Homem poderá ser o maior do seu Sistema, mas talvez nem mesmo um dos mais notados da sua galáxia. Talvez nem vivamos numa realidade verdadeiramente percepcionada, mas apenas rodeados por múltiplas projecções: o nosso órgão da visão não capta todo o Universo de sinais que nos atingem, pelo que mesmo ao nosso lado poderá estar um, ou então outro e eu. Deste mundo ou de outro qualquer.

Todas as nossas memórias têm sido constantemente reconstruídas. E acompanhada essa reconstrução pela utilização sistemática da nossa falsa cultura dita cada vez mais especializada (a nova forma de analfabetismo, pondo-nos exclusivamente a olhar para um ponto e ignorando todo o resto), a sensação de déjà-vu começa a tornar-se cada vez mais asfixiante e mesmo assim, em vez de tentarmos encontrar uma explicação compreensível e racional, recorremos mais uma vez à nossa conhecida garrafa de oxigénio (que até podia ser de vinho) festejando a nossa morte.

Viva la Muerte!

 

(imagens: NASA/ESA)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:42

24
Out 14

O planeta Terra pertence a um sistema planetário rodeando uma estrela central (o Sol) – por sua vez integrando um grupo mais vasto doutros corpos celestes e a partir daí constituindo uma galáxia: a Via Láctea. Esta galáxia (onde habitamos um minúsculo planeta) encontra-se neste momento numa rota de colisão com outra galáxia, com a aproximação entre ambas a fazer-se a uma velocidade superior a 200.000km/h: a galáxia é a de Andromeda (localizada a 2,5 milhões de anos-luz) e o encontro dar-se-á dentro de 4 biliões de anos.

 

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 Representação do Ovo Solar
(envolvido pelas suas diversas membranas protectoras)

 

Todos nós sabemos que viajar no Espaço é uma actividade de elevadíssimo risco para a vida do Homem. Não só porque este se vai inserir num ambiente desconhecido, alienígena e mortal, como simultaneamente vai ser introduzido numa bolha pretensamente protectora e segura (a nave espacial), mas que como tudo neste mundo pode sempre apresentar falhas (neste caso com consequências muitas vezes irreversíveis). Se no segundo caso a tecnologia tem evoluído muito rapidamente ao longo dos tempos proporcionando voos cada vez mais seguros, por outro lado teremos sempre que considerar a influência exercida sobre o Homem pela qualidade ambiental do espaço exterior à Terra: espaço esse atravessado ininterruptamente por raios provenientes tanto da nossa estrela o Sol, como pelos raios cósmicos provenientes do Universo (que nos rodeia e ao qual pertencemos).

 

Se já eram conhecidos os efeitos provocados pelos raios emitidos pelo Sol durante as erupções registadas à sua superfície (originadas nas manchas solares e nas radiações que são projectadas pela estrela para o seu exterior e afectando por essa razão todos os aparelhos electrónicos como radares, GPS e satélites – e podendo afectar em casos extremos toda a grelha eléctrica de um país), no caso do Homem a situação torna-se um pouco mais problemática. Antes já se sabia que o Homem poderia em princípio aguentar em média um ano no Espaço sem consequências notórias para a sua saúde – o que até possibilitaria uma viagem de ida e volta a Marte (desde que a sua viagem se realiza-se num ciclo solar com baixos níveis de radiação). Agora surge um outro problema que poderá contribuir ainda mais para o encurtamento forçado desse prazo: os raios cósmicos oriundos das regiões exteriores ao Sistema Solar.

 

Sun may delay plans for sending humans to Mars

 

“Less solar activity indicates a weaker magnetic field on the sun. A weak field lets cosmic rays into the solar system, posing a radiation hazard for astronauts.”
(earthsky.org)

 

O Sistema Solar tem que ser visto como uma macro célula pertencendo a um determinado organismo e integrando um Universo Vivo. Toda esta célula cósmica (decomposta em planos paralelos/concorrentes e espalhada aleatoriamente pelo espaço) evolui constantemente entre o caos e a organização, constituindo invariavelmente a base estrutural de toda a matéria: isto considerando não só a sua forma (física) mas também o seu conteúdo (electromagnético) – com este último factor a ser indicado como um dos responsáveis pelo seu fascinante movimento. É o movimento que (mesmo que imperceptível) dá vida à matéria. E às trocas de Energia.

 

E = M x C²

 

Pensando assim e sabendo de antemão que nenhum grupo (mesmo que aparentemente fechado) é independente da acção exercida por outros grupos mais ou menos afastados (efeito acção/reacção), é fácil de aceitar as conclusões tiradas pelos cientistas:

 

- Se por um lado a diminuição da actividade solar é em princípio benéfico para nós (aqueles que vivem na Terra) – já que os efeitos nocivos das radiações que nos atingirão serão menores – por outro lado o enfraquecimento das forças associadas ao campo magnético no Sol, permitirá a chegada de muitos outros raios cósmicos exteriores ao nosso Sistema. O que acarretará perigos adicionais, em especial ao falar-se de astronautas.

 

- Reflectindo nas viagens interplanetárias que futuramente se poderão projectar no nosso Sistema na senda gloriosa da Conquista do Espaço pela Humanidade, este factor (agora previsto) poderá tornar-se mesmo impeditivo da sua completa concretização: ninguém se candidatará para uma missão em que a morte por antecipação (e por radiação) marca a data.

 

No entanto se nos mantivermos invariavelmente estáticos face às contínuas transformações ocorridas num Universo Efectivamente Dinâmico, um dia a membrana (celular) que nos protege e a todo o Sistema Solar colapsará e com a sua queda, seremos definitivamente invadidos (colonizados e extintos).

 

(imagem – NASA)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 10:52

10
Jul 14

Quando olhei pela primeira vez para a imagem (abaixo) pensei que se poderia referir a um cérebro humano. Mas não: era um modelo computadorizado da explosão de uma estrela super-maciça.

 

Não deixei no entanto de pensar se não haveria uma correlação entre estes dois artefactos presentes no nosso Universo e se ambos não seriam réplicas (adaptadas às circunstâncias) do mesmo modelo original: é que no fundo o nosso Universo poderá ser apenas mais um entre uma infinidade de outros Universos, replicando-se desde o infinitamente pequeno até ao infinitamente grande (seja lá o que isso for, num Universo Infinito) entre reuniões e intersecções de mundos concorrenciais e/ou paralelos.

 

Psychadelic Star

(Ke-Jung Chen/Minnesota Institute for Astrophysics/University of Minnesota/Twin Cities)

 

This mesmerizing image is actually a visualization of the guts of an exploding supermassive star. The computer model represents a slice through the interior of a star that is 55,500 times as massive as the sun.

 

Some astrophysicists have suggested that supermassive black holes form when hefty stars — those that are more than 10,000 times as massive as the sun — collapse into black holes. Understanding this process could help scientists determine how structures, such as supermassive black holes, formed in the early universe.

 

(texto/inglês e imagem – livescience.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 19:37

08
Mai 14

“If this species is to survive indefinitely, we need to become a multi-planet species”

(Charles Bolden)

 

Charles Bolden – Vaivém Columbia – 1986

(viagem que antecedeu em quinze dias a tragédia do Vaivém Challenger)

 

O Administrador da NASA Charles Bolden parece estar cada vez mais preocupado com o futuro do seu planeta e com a preservação da espécie humana: sem rodeios afirma que o nosso futuro está na colonização do espaço, tendo o planeta Marte como um dos primeiros alvos. Face à evolução futura do Sistema Solar e ao período de vida da sua estrela o Sol, este planeta poderá desempenhar um papel importante na expansão dos habitantes do planeta Terra pelo espaço exterior, colonizando outros astros e proporcionando a abertura de novas aventuras e descobertas no interior do Universo profundo. E assim salvando a espécie humana dum espaço temporário – e como consequência da sua inevitável destruição – saltando espaços entre níveis energéticos, em dimensões e parâmetros específicos.

 

Concordo que é necessário aproveitar a experiência e o conhecimento obtido com as investigações levadas a cabo na ISS e alterando radicalmente a formulação dos objectivos das missões Apollo e a tecnologia e combustíveis até agora utilizados, lançarmo-nos definitivamente para outros descobrimentos e para outros mundos e sonhos: como capturar um asteróide e colocá-lo em órbita da Lua (talvez aterrando no mesmo mais tarde), como fazer crescer plantas e outros seres vivos no espaço e finalmente como (depois de muitas mais coisas nunca antes imaginadas) aterrar em Marte, instalar-se comodamente e dar o início à exploração e à colonização do planeta.

 

No entanto e dado o posto ocupado por Charles Bolden na estrutura de chefia da Agência Espacial Norte-Americana, é natural que ele saiba de muitas mais coisas do que qualquer um de nós, seja sobre o que se passa no Universo situado à nossa volta e sobre as suas fases evolutivas – talvez para muitos a decorrer como previsto e com um fim já conhecido – seja sobre todos os aspectos secretos ou confidenciais e talvez com pelo menos meio século de avanço ainda não integrados, se nos referirmos aos avanços científicos e tecnológicos que utilizamos hoje em dia e àqueles mais avançados que já poderiam estar disponíveis, mas que foram deliberadamente desviados e atrasados na sua implementação na civilização terrestre. Pelo menos uma das suas obsessões anda sempre à volta duma catástrofe global que possa levar à extinção generalizada de todas as espécies vivendo na Terra e na necessidade de procurarmos novos abrigos para a espécie humana continuar o seu crescimento e desenvolvimento, podendo ser Marte uma das plataformas fundamentais talvez pela sua proximidade, talvez pela sua habitabilidade (natural ou artificial ou ambas): a Terra pode vir a ser atingida por um asteróide, ser futuramente engolida e cozinhada pelas radiações solares, ser ela mesma atacada por forças vindas do exterior ou auto-destruir-se, podendo assim um astro como Marte vir a transformar-se na rampa de lançamento para outros mundos, universos, aventuras e descobertas, dos novos pioneiros biológicos nascidos no planeta Terra.

 

Vaivém da NASA

(agora mortos e abandonados e expostos em museus)

 

Não nos podemos esquecer que a vida multicelular já por cá anda na Terra há cerca de 1.000 milhões de anos; o homem e o chimpanzé há cerca de 6 milhões de anos; e a civilização humana há cerca de 12.000 anos. Quanto ao Sol ainda andará por cá a acompanhar-nos e a manter-nos vivos (melhor ou pior) pelo menos durante 2 a 5 biliões de anos, antes de destruir com a sua expansão progressiva e com os seus raios mortais toda a vida ainda existente (e resistente) na Terra. Mas que por outro lado Charles Bolden – mais consciente do que nós da sua posição no Cosmos e ignorando a sua e a nossa natureza humana e biológica – não se compadecendo minimamente com a nossa salvação e dando prioridade à sua própria sobrevivência de grupo, invoca a superior presença de seres biomecânicos robotizados como seres supremos da electrónica virtual e fundadores do novo mundo real: ou não fossem os seres humanos potenciais portadores de doenças, limitando-se as projecções replicadas a simples vírus susceptíveis de quarentena ou de eliminação definitiva.

 

Qualquer coisa pode acontecer em qualquer altura e por esse motivo devemos estar sempre prevenidos para o que possa vir a acontecer, pois se o esperamos e dele já temos suspeitas, ele será mais cedo ou mais tarde visível e como em tudo inevitável. O que nós não conhecemos é aquilo que eles já sabem e essa vantagem de que eles dispõem, só eles sabem que será decisiva: ontem, hoje ou amanhã. A morte não existe – nem temos noção do que isso é, tal e qual como com o nascimento (o que se passou antes, o que se passará depois) – sendo este tempo abstracto de transição apenas uma redimensionação do universo para um outro com outras dimensões.

 

(dados: The Watchers – imagens: Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 17:41

10
Abr 14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Universalidade Alienígena e Rituais Terrestres – O Direito da Criança à Aventura)

 

De acordo com um estudo secreto levado a cabo por uma organização de pais e educadores não governamentais e posteriormente divulgado por uma Associação de Pais não alinhada e em ruptura total com os poderes oficiais instituídos, um em cada três estudantes inseridos no sistema educativo acredita que o seu professor é um alienígena ou então está controlado por eles”.

 

Os vizinhos

 

Como já era hábito por aqueles lados desde há alguns anos atrás, a família de agricultores que vivia perto deles e que conheciam desde novos, aproveitava todos os sábados de todos os fim-de-semana para dar um salto a casa deles e aí comerem em conjunto uns deliciosos petiscos, enquanto iam falando das novidades da terra e recordando alguns factos passados. O casal vinha sempre acompanhado por toda a família constituída no total por nem menos nem mais do que 14 elementos: o casal, os seus seis filhos, os dois avôs viúvos e ainda quatro amigos que se lhes tinham juntado neste convívio alguns anos mais tarde. De tal forma que vinham sempre na carrinha de caixa aberta, confraternizando desde logo alegremente e como se estivessem numa excursão através do campo e da bicharada. Nesse dia e como sempre chegaram à hora certa. Mas bem lá cima no espaço sideral, confortavelmente instalados nos seus sofás relaxadores e indutores das fortes sensações vindas do exterior – para sua melhor compreensão e catalogação detalhada, de modo a possibilitar um possível e melhorado usufruto educacional futuro – e bebendo a última bebida alucinógenica lançada no mercado antes da sua partida, os dois seres estranhos não poderiam ignorar a presença de novos figurantes agora colocados inadvertidamente em cena sem os integrar também no guião, aumentando assim as suas opções de desenvolvimento activas e criando uma situação ainda mais confusa e sem conclusão determinada, que adicionada a todas as regras e leis absurdas e castradoras pelos quais os terrestres se regiam, iria tornar tudo muito mais incerto e sobretudo divertido. E enquanto no interior da casa a confusão era ainda tremenda não só pela transformação recente sofrida pelos seus ocupantes como pelo receio e pânico que sentiam ao verem os seus amigos a chegar (o que fariam, o que diriam, como reagiriam?), no exterior o que sucedeu não só apanhou os vizinhos de surpresa como deixou mais uma vez perplexos e paralisados todos os que se encontravam no interior: um pequeno artefacto aparecera na retaguarda dos seus vizinhos sem que estes se apercebessem da sua aproximação e presença, parecendo aparentemente rodeado de três pontos minúsculos que se deslocavam em conjunto formando um trilátero perfeito. O que aconteceu foi instantâneo e se o mesmo ou algo de semelhante não tivesse acontecido com eles provavelmente estariam a esta hora todos a rir-se: num segundo o grupo constituído pelos seus catorze vizinhos foi como que cercado e engolido por uma nuvem densa e brilhante que iluminou momentaneamente todo o campo em seu redor deixando-os no interior da casa como que cegos e sem compreenderem o que se estava realmente a passar. E ao abrirem os olhos e para espanto de todos no interior da casa, o cenário que agora lhes era apresentado e proposto como sendo real era praticamente idêntico ao que poderiam estar a assistir numa projecção efectuada numa sala de cinema, como se estivessem a ver um filme de banda desenhada a três ou mais dimensões, contando com a participação dalguns dos seus mais conhecidos e famosos cartoons. Talvez fosse fantástico talvez fosse terrível! Lá fora os vizinhos agora transformados em cartoons olhavam uns para os outros e não acreditavam no que viam: segundo os critérios limites de credibilidade e socialização que tinham eficazmente digerido ao longo dos seus períodos educativos e formativos de aprendizagem e integração social, tal era impossível (e inaceitável) de estar a acontecer – deviam ter sido inadvertidamente drogados ou então sujeitos a uma pura ilusão projectada por impostores que apenas pretendiam destruir o seu mundo e sociedade.

 

O interlocutor privilegiado

 

No entanto todo o Universo está interligado entre si – nem que seja por mera proximidade ou contacto – e nenhuma acção por mais pequena e pretensamente não influente que seja é independente do resto do conjunto ao qual pertence. Não existindo propriamente uma cadeia de comando hierarquicamente instituída e aplicada ao sistema, que este naturalmente rejeitaria como vazia e sem sentido, dada a sua infinidade replicada por diversos outros sistemas estes também sem origem nem destino, apenas suscitando como operadores da vida e com o seu movimento casual e necessário – para a sua transformação, evolução e expansão – a reorganização do seu sentido incorporando-a na matéria através da alteração do seu nível energético: se por qualquer motivo um electrão saltasse da sua órbita e procura-se um outro nível de existência dentro do sistema, isso verificar-se-ia por alteração do seu estado de neutralidade conjuntural e não apenas por “vontade” sua. Integrado num sistema congregando elementos que associados se completavam formando um corpo vivo, esse electrão dependeria no seu movimento do conjunto de matéria a que estivesse associado e às trocas de energia que com ele efectuasse. Poderia assim procurar um outro mundo ou conjunto exterior mas nunca independentemente do primeiro nem do subsequente, mas pelo contrário levando e incorporando consigo sempre o seu sinal genético particular e compartilhando-o com o conjunto adjacente, influenciando e sendo influenciado e assim se sujeitando não a uma limitação agora exercida por dois conjuntos mas na sua individualidade transformando-o num novo sistema dual, modificando ambos por comunicação e manutenção do equilíbrio geral. Desse modo tudo era potencialmente susceptível de transformação mas num sentido evolutivo do nosso estado de vida e não de subordinação à matéria: toda a acção era filosoficamente susceptível de reacção, mas num Universo a vida não era susceptível era o motor do Universo. Logo seria natural que os dois seres estranhos não tivessem as mãos completamente livres – também pertenciam a um todo. Não foi pois de espantar que no meio da sua brincadeira infantil, desregrada e inconsciente alguém viesse ter com eles e lhes pedisse ou sugerisse uma explicação. E assim sucedeu. Ainda os terrestres se olhavam entre si emaranhados e sem reacção visível na sua nova e nunca imaginada transformação – talvez só concretizada em instantes ilusórios, reconstruídos como realidades nos sonhos de criança – e já os dois seres estranhos saltavam dos seus sofás com algum nervosismo e inquietude, face à chegada inesperada mas no fundo talvez previsível do novo interlocutor, agora ali postado diante deles como um mero observador, mas simultaneamente exigindo gestualmente silêncio e prudência, ao mesmo tempo que com a sua postura e atitude impositiva claramente revelava para o que ali estava. Dentro do caos organizativo que rodeava muitas das acções levadas a cabo pelos seres vivos, convinha sempre relembrar-lhes que se nada nunca se criava ou perdia, as transformações teriam que ter sempre em conta o máximo respeito por todo o processo evolutivo e por todos os seus componentes materiais e energéticos, em conjunto devendo ser sempre compreendidos e aceites – se dele quisermos usufruir de algo nunca totalmente parametrizado – como um Universo Vivo. Como um tutor chegado para pôr de novo tudo em ordem o observador estava ali para lhes puxar as orelhas e chamá-los à responsabilidade: uma intrusão indevida poderia provocar ondas de choque, acabando até por poder afectar os seus inconscientes operadores pelos danos ao ambiente pelos próprios provocados. Teriam que acabar de imediato e da melhor maneira possível com a sua brincadeira: o aviso estava dado e retirando-se, o observador deixava nas mãos destes dois seres a correcção do cenário por eles criado e ao mesmo tempo do seu próprio destino. Nem um palhaço faria melhor. E já agora que o problema criado teria que ter solução porque não agitar tudo um pouco mais e tornar a resolução deste um pouco mais complicado? Talvez servisse de lição e acelera-se todo o processo de aprendizagem: e então um clarão sobrepôs-se à iluminação natural atingindo a localidade mais próxima.

 

Seres imaginários criados no interior da realidade

 

Enquanto tudo isto se desenrolava lá em cima, no terreno a situação mantinha-se num impasse completo: os vizinhos tinham-se deixado ficar no mesmo local diante da casa, como se o tempo para eles tivesse deixado de existir. Quanto aos elementos que ainda se encontravam no interior da sua habitação, se a sua situação já era confusa antes da ocorrência deste novo episódio – a vertigem provocada pelo salto ainda era tremenda e compreensivelmente de muito difícil aceitação – não ajudou mesmo nada a desanuviar um pouco que fosse este denso nevoeiro cognitivo, o que viram de novo acontecer diante dos seus olhos emprestados: se a situação deles já era profundamente anormal e de consequências imprevisíveis – as causas eram para eles incompreensíveis – a quem é que poderiam eles agora recorrer em busca de auxílio imediato se verificavam que mesmo ali o fenómeno se repetia num processo em tudo idêntico mas num espaço-tempo diferenciado? É que analisando muito racionalmente todos os factos e vendo o que os rodeava no exterior da habitação, a normalidade nas áreas envolventes também poderia ser esta. O mais estranho ainda fora o facto de todos aqueles que se encontravam no exterior se terem transformado em seres imaginários da banda desenhada, com muitos deles representando animais familiares e com um único indivíduo à vista: tudo seria mais difícil. Mesmo assim resolveram abrir a porta e sair e foi aí que viram as pequenas luzes atravessando o céu, parecendo dirigir-se rapidamente na sua direcção. O grupo formado pelos vizinhos virou-se então subitamente para oeste respondendo como que por instinto a um rumor desconhecido que crescia vindo daqueles lados, podendo todos a partir da posição onde se encontravam observar a aproximação dum largo número de indivíduos provavelmente vindos da vila mais próxima. Alguém os comandava na sua caminhada e à medida que se iam aproximando mais eles confirmavam o que já tinham imaginado: como um grupo desordenado e desenquadrado de diversos tipos de seres imaginários mas já anteriormente concretizados na nossa mente (a imagem faz parte do objecto) e como tal reais, estes elementos nunca teriam uma contribuição directa para a resolução do problema com que todos se debatiam, aumentando com a sua presença a dificuldade de encontrar uma rápida e eficaz solução pelo forte impacto do seu volume. Reuniram-se todos num enorme grupo muito ruidoso mas sem objectivo definido. Olharam para o céu e viram as luzes agora muito próximas a desacelerar, acabando poucos segundos depois por parar até ficarem suspensas sobre eles. Juntaram-se e formaram um único ponto. Talvez tivessem sofrido um erro colectivo de paralaxe e o objecto tivesse sido sempre só um, distorcido como no deserto por deslocações de massa de ar entre diferentes camadas da atmosfera e provocando alucinações e originando miragens. À superfície e vindo do fundo do terreno vizinho surgiu então um artefacto por eles nunca visto e completamente desconhecido, do interior do qual surgiu uma plataforma brilhante nos seus vértices e apresentando a forma dum trilátero. Todos olhavam para o ponto luminoso que pairava cintilando sobre eles, enquanto calmamente pareciam aguardar que algo de extraordinário se passasse – que alguém surgisse da luz e com toda a sua sabedoria e poder entrevisse sobre os seus crentes, os absolvesse e os salvasse deste inferno, repondo de novo a sua modesta e pura vida anterior:

- “Por volta do meio-dia, depois de rezarem o terço, as crianças teriam visto uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo depois, outro clarão teria iluminado o espaço. Nessa altura, teriam visto, em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma "Senhora mais brilhante que o sol".

- “O sol, assemelhando-se a um disco de prata fosca, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra”. (Wikipedia)

 

Bruxas, Diabos e Companhia

 

Naquele fim-de-semana festejava-se na vila O Dia das Bruxas e do Diabo, uma tradição ainda muito recente na memória cultural desta terra algarvia mas apoiada sem reticências desde a sua primeira realização pelo padre da freguesia, apesar das fortes características pagãs do evento e de algumas criticas veladas das entidades oficiais religiosas e até políticas: mas era o povo que exigia a concretização anual deste bizarro acontecimento, aproveitando a data para a realização dum convívio sem limites e aberto incondicionalmente a todas as gerações aí nascidas ou que a tinham escolhido para viver (morando na própria terra ou obrigados a emigrar), para aí porem em dia as suas vidas e as dos outros e em complemento e como prova de amizade e solidariedade geral, se ajudarem uns aos outros e fortalecerem assim a sua identidade e os seus laços sem preço – por inesgotáveis e impossíveis de troca – com a maravilhosa e profunda tradição local. E o auge era atingido com o tradicional e imperdível Dia dos Saltos, onde a lenda era mais uma vez transformada em realidade e a troca de corpos era o seu mote: dizia-se que há alguns anos atrás uns seres estranhos tinham chegado às vizinhanças da vila e transformado todos os seus habitantes num outro que não ele, colocando a terra em polvorosa e fazendo toda aquela massa popular dirigir-se num grande e denso grupo à procura dos seus causadores. Como o povo dizia “os estranhos tinham-se assustado com os seus gritos e força exterior e face a este povo que não se calava, tinham dado o passo necessário e obrigatório em frente, retomando a normalidade e recolocando os corpos nas suas referências originais”. Ainda hoje a tenda da Bruxa Ermelinda era a mais solicitada pelas crianças, dada a capacidade da mesma em cativar os jovens com as suas histórias de sonhar e de encantar, em que uma das situações recorrentes do seu guião era a da introdução do troco de corpos entre pessoas e até de animais, construindo cenários de mundos puros e infantis onde tudo era possível de visualizar e acontecer. Como a prova final deste Festival onde uma corrida de sacos era o símbolo desse salto físico mas também e sobretudo mental: uma contribuição segura e eficaz para a abertura da nossa mente a todas as possibilidades propostas pelo mundo, mesmo tratando-se daquelas consideradas até aí impossíveis (os melhores casos para resolver, não só pela fome como pelo apetite).

 

Com os mais velhos a lembrarem-se de muitas situações ocorridas com eles ou então com outros seus vizinhos e conhecidos da terra – como eram belas as histórias então contadas pelos avós – e que ao relatarem entusiasmados e duma forma pedagógica e cativante estes fragmentos fantásticos de muitas das nossas vidas (para o usufruto, entretenimento e aprendizagem de toda esta comunidade unida e colectiva) faziam a delícia de todas as crianças aí presentes dos 7 aos 77. Como o eram as história para crianças contadas na barraquinha da catequista – com o nome curioso de Porquinhos Que eram Três – aqui e agora transformada numa Bruxa Má querida e especial, que no interior iluminado da sua tenda central e com um único candeeiro de petróleo como ponto luminoso, ia desfiando sem fim aventuras contadas e recontadas entre sucessivas gerações, terminando sempre as mesmas com a sua frase emblemática e consequência da sua função social e religiosa, “A conta que Deus fez” enquanto se benzia em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E com todas as crianças aí presentes – agarradas como um viciado a todo este enredo e cenário criado em torno dos seus mais belos e profundos Sonhos e dos seus tempos ainda disponíveis para a Imaginação – a acompanharem-na talvez inconscientemente mas como verdadeiros fieis e seguidores no seu caminho previamente idealizado, não fosse perderem-se e o Diabo tecê-las. Nunca esquecendo as tradicionais e concorridas barracas de comida muito bem guarnecidas de febras, sardinhas assadas, caldo verde e vinho tinto, os diversos carrosséis e carrinhos de choque que sempre acompanhavam os mais novos nestas festas populares, um lugar especial e este ano inovador para um pequeno bungee jumping e ainda como complemento e de forma a melhor decorar de mistério e suspense a paisagem aqui posta à disposição de todos, o ponto talvez mais relevante e estranho do evento – um grande atrelado que fora ali instalado antes do início da festa e que só abriria as suas portas na tarde do último dia. Era grande, muito colorido, com algumas antenas na sua parte superior, sem janelas visíveis e de noite emanando à sua volta uma luminosidade forte mas estranha, parecendo não ter uma origem específica mas sendo no entanto envolvente e cativante, como se estivesse a acompanhar e a proteger as pessoas ali presentes. Lateralmente um símbolo em forma de triângulo decorava o atrelado, apresentando no seu centro um ser estranho que parecia olhá-los e fixá-los – parecia mesmo os olhos da Mona Lisa – como se nos quisesse transmitir algo: mas só mesmo no fim saberiam o que era. Tinha sido ali colocado este ano – e sem informações adicionais prestadas pela comissão organizadora do festival – a pedido da entidade anónima que desde o início o patrocinara e financiara. Entretanto as bruxas continuavam por lá, os Diabos faziam o seu papel e a restante companhia gozava ao máximo deste momento: a vertigem lúdica era tal que até alguns indivíduos já viam extraterrestres a saírem do atrelado, que por acaso não dispunha nem de portas nem de janelas.

 

Presentes na sala de comando e de análise como simples e modestos operadores

 

Num ponto perdido do espaço e no entanto situado num local tão próximo da Terra – a nave alienígena circulava livremente numa órbita bem chegada ao planeta e à vista desarmada dos ocupantes da ISS – os dois estranhos seres extraterrestres esperavam ansiosos e um pouco preocupados pela chegada dos responsáveis pelo acompanhamento do seu processo: estavam à espera não só do Instrutor como também contavam com a presença obrigatória do Avaliador. Conjuntamente com um terceiro elemento representativo do seu grupo biológico, o qual iria analisar todos os factos e medidas tomadas no decorrer de todo o processo de investigação e de resolução (e não de punição moral e substitutiva, sem consequências úteis e correlacionadas com a ocorrência) de modo a expressar aos elementos da sua espécie aqui postos em causam, a independência da mesma e a pedagogia colectiva e partilhada que tal procedimento implicava. Jamais seria um julgamento de um pelo outro mas o aproveitamento dos responsáveis pelo acontecimento em causa para conjuntamente com os estranhos seres e aceitando as suas novas participações, sugestões e até mesmo algumas concretizações voluntárias e assumidas (a que não tinham sido obrigados ou mesmo dado conhecimento prévio) resolverem o cenário imprevisto com que se tinham deparado nessa altura, transformando-o de novo e reintroduzindo-o no seu normal ciclo evolutivo e desse modo tão simples e eficaz, equilibrando-o na globalidade do conjunto onde sempre tinham estado (como tudo e como todos) inseridos.

 

Na sala de comando e de análise o procedimento adoptado era o habitual para casos isolados e de nível de intrusão mínima como este. Feita a constatação de que o evento passado não tinha acarretado qualquer tipo de consequências negativas que pudessem afectar a normal evolução do sistema, externa e artificialmente afectado, o assunto fora definitivamente encerrado. E apesar de tudo a estratégia escolhida pelos dois seres extraterrestres para repararem o que de mal poderiam ter feito, tinha sido positiva, eficiente e até mesmo divertida: desde o estabelecimento do Dia das Bruxas e do Diabo até à ideia do atrelado – uma pequena prenda deixada por eles em nome de todos os desconhecidos reais, imaginários ou nem isso, como prova e confirmação que para além de tudo o que vemos, pensamos ou imaginamos, outros mundos nos esperam aguardando apenas a nossa chegada, para assim se completarem e explodirem de novo (em chamas), replicando-se por atracção, repulsão e simples contacto. É que o Universo só existe enquanto a Vida existir e o municiar com movimento, energia e matéria: o caldo vem do caos organizado em torno da nossa Alma e com vista para a Eternidade.

 

A Projecção parou e esta História acabou. A Ilusão seguinte seria melhorada.

 

Fim da 2.ª parte de 2

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 20:59

02
Abr 14

Ficheiros Abertos – Da Vida Vem o Universo

(A Alma e O Pensamento)

 

“Creativity and non-conformity now listed as a mental illness by psychiatrists”

(American Psychiatric Association)

 

A paródia da certificação e da autentificação do Homem – por outros Homens Exclusivos – transformou o Mundo num Circo sem verdadeiros artistas e experimentalistas e por falsificação de cenários numa brutal e irreversível tragédia para a raça humana: antes matava-se com uma bala (associada a uma pistola), agora com um certificado (associado a um diploma) e amanhã com o esquecimento (associado ao excedentário desqualificado). Eles vendem tudo e nós só temos que consumir”.

 

Em Busca do Mundo Perdido

                                                                

Talvez no nosso Mundo existam aqueles que por usurpação coerciva do conhecimento dos outros se achem superiores a Deuses (transformando-se em ícones invisíveis mas por esse motivo posteriormente adulados) usufruindo duma forma prepotente dessa circunstância alheia e de formação experimental colectiva, para dum modo claramente improdutivo e finitamente egoísta (consequência da sua visão conservadora e geocentrista agora convertida e aplicada ao indivíduo) – e apoiada no servilismo de alguns ignorantes previamente certificados – se tornarem temporariamente em Entidades Divinas e Inimputáveis, mesmo sabendo e apesar de tudo que depois serão apenas iguais (em vida superiores, mas na morte iguais): ninguém gosta de sofrer sem necessidade ou vantagem, mas existem aqueles que para além disso gostam de fazer aos outros aquilo que nunca aceitariam que lhes fizessem a eles. Utilizando uma máxima da Revolução Cultural Chinesa – talvez mais focada do que desfocada e mais próxima da verdade – e que no fundo significaria a insignificância deste mundo de passagem face ao mundo de permanência: foi a Vida que criou o Universo e não o contrário. E sabendo disto Homens resolveram tornar-se Deuses actuando a seu belo prazer sobre o Casulo e dele dispondo como se os outros nada fossem – o que não deixa de ser verdade, mas não ratificando necessariamente o exercício grátis da violência. Mas o que é um facto é que nesta fase de pré-borboleta mentalmente deixamos muito a desejar, ansiando por lobotomia e que – como um morto-vivo – alguém trate de nós.

 

Porque será que em vez de termos uma visão global de tudo o que se passa à nossa volta – para compreendermos melhor o mundo onde vivemos – preferimos levar a nossa pobre vidinha organizada e certinha de acordo com todos os manuais de instrução oficiais, que nos são fornecidos ao longo de toda a nossa vida de formação e certificação contínua, englobando propositadamente uma catadupa de factores por vezes sem nenhuma ligação – senão mesmo inexistentes – mas susceptíveis de criar confusão, dúvidas e manipulação? É certo que na nossa sociedade se generalizou a noção da necessidade da especialização para assim se obter sucesso imediato num sector específico e particular – apesar desta estratégia limitar a nossa capacidade de raciocínio, integração e acção – mas neste caso nem disso se trata. O que no fundo nos é proposto – ou imposto voluntariamente – é uma visão do mundo extremamente limitada e perversa face à realidade com que nos deparamos já há centenas de anos – dum Universo Infinito – privilegiando a segurança e secundarizando a liberdade, dando protagonismo à organização – muitas vezes ilusória por artificial – e esquecendo o ponto de partida de qualquer sistema ou conjunto inicial (original): o caos. Posteriormente organizado por acaso e necessidade de todos os sistemas e conjuntos – mesmo que aparentemente vazios – interagindo entre si e em constante transformação – os Multiversos. A energia terá dado origem à matéria por acção do movimento – com o tempo e o espaço utilizados apenas como parâmetros adicionais de expansão ou de contracção.

 

O espaço e o tempo só poderão ser considerados como estruturas monolíticas e limitadas – introduzindo limites como o nascimento (criação) e a morte (perda) – por alguém que deseje encobrir e esconder para seu único benefício qual é o nosso verdadeiro papel e função neste mundo onde agora vivemos. Já pensaram no incomensurável poder e estatuto de Divino que possuiríamos se por exemplo:

- Soubéssemos que este percurso de criação de Vida que terá dado origem ao Universo – e não ao contrário como nos é ensinado – fosse apenas um pequeno primeiro passo necessário ao desenvolvimento dum processo mais vasto e nesta primeira fase meramente biológico e muito semelhante ao ocorrido no ventre da nossa mãe, terminando no nosso lançamento num outro mundo sem nenhum ponto de comum com aquele onde vivemos: estaríamos perante um acontecimento profundo que alteraria definitivamente as visões propostas para este mundo preparatório e virtual – de que os sonhos como “tubos de escape e consciencialização” são exemplos evidentes – aniquilando a morte e o seu estatuto e destruindo de vez aqueles que dela se servem. O que seria se soubéssemos que a morte não era o nosso fim e de tudo o que nos rodeia, mas uma transição (do plano físico limitado mas preparatório, para o plano psíquico ilimitado e sem grilhetas superiores e moralistas) para outro nível diferenciado e no fundo de acordo com as premissas em que ainda hoje (profundamente) acreditamos por naturais, universais e não impostas: num Universo por definição infinito, nele nunca nada se criará ou perderá, apenas se adaptando o mesmo ao conjunto onde está inserido e nele evoluindo em associação e partilha com outros Universos, tocando-se por aproximação, intersectando-se por evolução e até replicando-se por transformação.

 

 (imagem – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:54

27
Mar 14

O Mundo continua a olhar insistentemente para os seus pés – como um pobre de espírito hipnotizado e alcoolizado – em vez de olhar para o chão e compreender a base onde se apoiam e movimentam.

 

A Terra vista do espaço a partir dum satélite meteorológico russo

 

Talvez por ser o lugar onde nascemos e onde desde sempre moramos, a Terra seja dos oito planetas do Sistema Solar, de longe o mais querido e o mais bonito de todos. Além de parecer à distância uma esfera perfeita – o que não é – a mistura de cores que ela apresenta toca profundamente e como se fosse uma mãe, a alma de qualquer um.

 

Tempestade com relâmpagos no Kuwait observada a partir da ISS

 

Ao longe a Terra não é mais do que um ponto insignificante que passa completamente despercebido na imensidão do Universo – o que até é bom por um lado de modo a evitar a presença de intrusos – mas à medida que nos aproximamos dela é fácil de perceber o que ela nos reserva de significativo e de tão diferente em relação a muitos outros mundos conhecidos: a presença evidente de vida.

 

(imagens – livescience.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:52

07
Fev 14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Mundo Sequencial – Transmissão Indiferenciada por Pulsação e Contacto)

 

“Acordei às oito no cumprimento do dever: duas horas depois abdiquei definitivamente dos meus direitos”. Simplesmente por Intervenção Exterior: Divina, Alienígena ou Humana.

 

Todos os sistemas eram suportados por estruturas redundantes de simulações paralelas e coincidentes, criadas com o objectivo de proteger e defender os operadores do aparecimento de determinadas particularidades – maioritariamente acidentais e produtos do acaso – e assim evitar o aparecimento de derivações de controlo incerto e susceptíveis de suspensão. Os custos dessa suspensão eram extremamente elevados – a criação e eliminação de cenários poderia levar à desqualificação de actores e outros artefactos potencialmente válidos e extremamente efectivos – além de que todos os pontos introduzidos e mesmo que posteriormente eliminados da execução do programa, permaneciam indefinidamente no sistema. Detectada a particularidade arrancava de imediato o programa substitutivo de segurança, o qual só terminaria após a detecção da inconformidade no holograma e a conclusão (e impressão por sobreposição) do novo cenário (disponível por replicação). Utilizando um método de cálculo matemático baseado em sucessivas interpolações repetindo-se até ao ponto de referência pretendido – resultado de intersecções múltiplas de planos do espaço, mas com um ponto comum na estrutura – foi com relativa facilidade e num curto espaço de tempo que detectaram a origem do problema.

 

Acordei às oito no cumprimento do dever

 

 

Acordei por volta das cinco horas da madrugada, sobressaltado por um sonho pelo qual estava a passar no momento e que incluía uma adaptação bem realística, duma cena vivida na noite anterior: à saída do bar fora atingido por um balão vindo não se sabe bem de onde, que ao colidir com o meu corpo rebentara, espalhando de imediato sobre mim uma fina película meia plástica e viscosa, que por momentos pareceu aderir perfeitamente à pele mas logo de seguida desapareceu. Na altura ainda estranhei a situação – se fosse plástico e ao contrário do que sucedeu, o material deveria ter encolhido – mas levado pelo riso e pela diversão que tinha provocado na minha companhia, ignorei-a rapidamente e também mergulhei na brincadeira. No meu sonho a única diferença residia na identificação da origem do acontecimento, num caso real e no outro imaginário: se no primeiro caso a origem da intervenção teria que ser forçosamente humana – o balão era uma criação do Homem, ali colocado em consciência e com um determinado objectivo a cumprir – na concretização do sonho e dado estar inserido duma forma inconsciente noutra realidade, tudo indiciava a participação neste novo cenário de objectos transformados em imagens duma Entidade Diferenciada. A imagem duma paisagem caótica e ondulante, indiferente aos limites definidos para cada um dos seus elementos – o que levava a que certos espaços pudessem ser partilhados, utilizando a teoria da existência e do paralelismo dos mundos – proporcionara a ocorrência no decorrer e evoluir do sonho, duma mistura de cenários complementares à realidade que o provocara, mostrando no meu caso o meu corpo a ser envolvido num manto nebuloso, a desaparecer subitamente e a reaparecer noutro mundo do mesmo mundo. E até contando com a presença de mortos e de outras disparidades (como a Alma e outras espécies não identificadas) nesta produção dirigida. Tornei a adormecer.

 

Às oito horas da manhã o despertador tocou o alarme: de certeza que me esquecera de o desligar, já que nem me lembrava sequer de o ter visto, quando me tinha ido deitar. Ainda mal a começar a abrir os olhos, inclinei o meu corpo para a esquerda e com as mãos procurei encontrar a mesinha ou então a beira da cama. Não havia maneira de as encontrar com segurança no meio daquela escuridão e se caísse da cama ainda se poderia magoar. Mas algo não batia certo nesta situação ou então era eu que ainda não tinha acordado completamente: por vezes o momento de ligação entre o sonho e a realidade deixavam-me um pouco confuso no tempo e perdido no espaço. Além de começar a apresentar uma estranha e crescente sensação de desequilíbrio – sentia-me como se estivesse a ser puxado para cima desafiando a lei da gravidade – fiquei admirado quando ao olhar pela janela do quarto verifiquei que a luz do Sol ainda não tinha chegado, vislumbrando apenas no exterior e espreitando através do vidro, um céu intermédio de claridade, de nascer ou pôr-do-sol. Pelo menos até ontem o Sol começava a aparecer por aqui vindo de leste depois das seis e às oito já era dia. Mais habituado à penumbra que me envolvia tentei de novo levantar-me, mas para meu espanto senti que o sangue e quase todas as minhas forças pareciam deslocar-se em direcção à cabeça, fragilizando os membros inferiores e dificultando-me o apoio nos mesmos. Era como se tivesse os pés no lugar da cabeça e estivesse enfiado num buraco negro! Olhei de novo para o relógio e confirmei as horas: tinha passado quase meia hora desde que acordara mas a luminosidade não se alterara. Ligou a rádio, a TV e o seu PC mas o resultado foi sempre o mesmo: os respectivos emissores apresentavam-se todos fora de serviço e até o telefone estava mudo. Mas tinha electricidade.

 

 

No cumprimento do processo evolutivo de replicação de partículas obtidas através da junção da matéria e das suas características activas de movimento e de energia, o mundo expandira-se em todas as direcções a partir dum ponto original, aqui referenciado iniciaticamente como o zero absoluto. Num episódio reportado a um dos universos já disponíveis e com o seu período de incubação integralmente cumprido e em módulo de espera, a partícula fundamental abandonou finalmente o seu estado de neutralidade activa, emitindo instantaneamente e duma forma consecutiva energia sem precedentes para o seu exterior e dando origem por colisão a processos idênticos de transferência e de transformação de energia, que levaram ao “Grande Estouro”: lançada pelo espaço agora disponibilizado para este novo conjunto, a matéria agora fragmentada começou a distribuir a sua massa em todas as direcções, expandindo-se a grande velocidade e criando com a sua energia pontos de concentração diferenciada, que foram de acordo com o seu desenvolvimento dando origem a novas diversidades, entre mundos e novas espécies. Em sentido contrário outros universos em etapas diferenciadas da sua evolução estariam agora no seu período de contracção e de fecho da sua curva, de início expansiva (deslocando-se de dentro para fora e libertando energia) e no seu final contractiva (deslocando-se de fora para dentro e absorvendo energia): a noção de infinidade era dada por este contínuo e eterno retorno (à origem), provocando inícios distintos por impossibilidade contrária, mas sempre utilizando no seu processo de transformação, curvaturas diferentes e espiraladas. O conjunto teria pontos dispersos de manutenção de equilíbrios, necessários para a resolução de certos problemas existentes na dispersão de matéria e de energia pelo espaço e que seriam provocadas por certas acumulações inesperadas de “espaços excessivamente preenchidos” e que poderiam dificultar o movimento geral do conjunto do (s) Universo (s): esses ponto seriam os conhecidos “buracos negros”, colocados estrategicamente antes do conjunto U ser activado e que teriam como função assegurar o escoamento de todos os excedentários produzidos durante a execução da tarefa atribuída à máquina e equilibrar os diferentes conjuntos interligados (por intersecção) e actuando entre si, como constituintes dum cenário mais amplo, com parâmetros flexíveis e de dimensões indeterminadas (infinitas). Permitindo deslocações entre determinados parâmetros do espaço, entre tempos e entre lugares”. (excerto do livro: O Construtor de Universos – Origens Filosóficas – Particularidades Pré-Instaladas – Os Redemoinhos Espácio-Temporais)

 

Do dever a única reflexão que retiro (desse termo) é que o mesmo deveria ser utilizado como um instrumento filosófico dedicado à conservação da vida e nunca para ser propiciador de situações preocupantes senão mesmo perigosas: os riscos que corremos com as constantes adaptações de termos como valores, princípios, respeito e ética (entre muitos outros, senão mesmo todos) têm que ser considerados definitivamente como tendencialmente suicidas, pelo menos enquanto continuarmos a entregar o nosso futuro a psicopatas com tendências auto-destrutivas, só porque estes nos seleccionaram preferencialmente como seus pioneiros, para a execução voluntária das suas práticas de oportunidade interessadas e pessoais. O que se passava comigo era algo semelhante: talvez por obediência à mudança de planos do seu próprio autor, alguém reconstruíra um cenário já consolidado e pré-existente, não se preocupando minimamente com os actores a que já tinha dado vida – alterando completamente a distribuição dos adereços que os rodeavam e nos quais se identificavam – nem sequer com o esforço de todos os restantes colaboradores que o tinham criado e mantido em funcionamento. O meu delírio colocava-me nessa altura num espaço estranho e alienado da realidade, mas que não pertencendo nem ao mundo dos sonhos nem ao mundo das ilusões, me inseria agora num intervalo virtual, como se fosse uma dádiva (extra) aí graciosamente inserida, descartável tipo apêndice; e que em qualquer momento dispondo dum argumento rodeado de incertezas se poderia alterar ou mesmo inverter na sua totalidade. No fundo não queria acreditar no que me estava a acontecer e o meu mais profundo desejo era voltar a adormecer e voltar a acordar de novo. Mas a situação com que me deparava não se alterava por mero desejo ou intenção e lá continuava eu no interior daquele quarto no qual entrara na noite anterior vindo dum exterior vivido e conhecido, agora exposto a um mundo que se abria lá fora e com o qual não sentia nenhuma afinidade – só estranheza e receio. Aí o telefone, tocou deixando-me estático e ainda mal convencido (do que me estava a acontecer) a olhar fixamente para ele. Olhei mais uma vez à minha volta, confirmei a paisagem que se divisava para além da janela e dando uns passos inseguros levantei o auscultador: como se fosse uma molécula de água entre muitos outros milhões existentes e fazendo parte dum organismo agregador mais vasto e poderoso, caí subitamente num precipício escuro e profundo, que me colocou numa trajectória circular e concêntrica em direcção ao outro lado, no qual desapareci e reapareci, com uma sensação estranha vinda do exterior como se um sistema de forças actuasse sobre o meu corpo e o impulsionasse para outro ponto deste ou doutro lugar. Senti-me como uma massa de água inerte depositada num lavatório duma qualquer casa comum, que depois de retirada a tampa que a sustinha (separando-a do túnel de comunicação que lhe sucedia), era levada por uma corrente violenta e espiralada em direcção a um buraco que não nos puxando, apenas deixava exercer sobre ele a força da nossa massa transportando-nos para outras realidades paralelas e complementares. O Universo era o mesmo e a realidade uma parte dele.

 

Fim da 1.ª parte de 3

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:05

24
Nov 13

O Viajante

 

E se por acaso este viajante (o cometa ISON) não for aquilo que todos esperam que ele seja?

Afinal de contas:

  • Muita gente na NET afirma que o cometa ISON é muito maior em diâmetro do que o afirmado por alguns dos especialistas na observação do espaço;
  • Por outro lado a possibilidade deste COMETA se desintegrar durante o seu encontro com o Sol também preocupa muita gente, já que ao contornar esta estrela na sua trajectória de retorno às origens, cada um destes possíveis fragmentos poderá tomar trajectórias inesperadas e diferenciadas tendo a TERRA no seu horizonte visual;
  • Ainda por cima com a NASA e outras entidades oficiais e governamentais mundiais a mostrarem-se aparentemente tão desinteressadas na divulgação do assunto e de imagens do referido cometa, logo agora que ele está tão perto e quando muitos até já o vêm a olho nu.

Cometa ISON

 

O conhecido Cometa do Século ISON caminha a grande velocidade para o seu ponto de inversão no seu sentido de trajectória relativamente ao SOL, contando para esse efeito com a poderosa força exercida sobre ele por essa mesma estrela e esperando após a conclusão da sua órbita nas proximidades do SOL, sobreviver sem se desintegrar à acção das suas elevadíssimas temperaturas, regressando então ainda vivo para as profundezas da nuvem de OORT e perdendo-se talvez para sempre na infinidade do UNIVERSO exterior.


Cometas ISON e ENCKE

 

No interior da área coberta pelos satélites artificiais de observação solar STEREO – e sob os olhos atentos dos seus telescópios – o cometa ISON aparece aqui prestes a cruzar a órbita do planeta MERCÚRIO, no seu caminho em direcção ao SOL e ao seu periélio (relativamente à nossa estrela) – momento a verificar-se na próxima quinta-feira 28 de Novembro.

Em segundo plano e no canto superior direito da imagem, podemos ainda observar a passagem à distância de um outro astro em viagem: trata-se neste caso do cometa ENCKE.


Mercúrio, Ison, Encke e a Terra

 

Cometa

Distância actual à Terra

Distância actual ao Sol

ISON

> 131.000.000 Km

> 39.000.000 Km

ENCKE

> 178.000.000 Km

> 51.000.000 Km

 

(imagens: educatinghumanity.com – spaceweather.com – secchi.nrl.mil)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 20:47

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