Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

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Jun 16

Por vezes chegava-se a comer sardinhas ainda antes do início da época e quase até ao fim de Dezembro: com a pele a sair, com a gordura no pão e com sensações de espantar, debaixo de um vinho fresquinho e com vapores de encantar.

 

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Sardinha Boa

 

Já lá vão bem distantes os dias em que começando a vir o calor, o bom tempo e a praia, a pequena e saborosa sardinha nos ia acompanhando nas melhores degustações gastronómicas da região Algarvia: com esse ícone agora perdido e pertencente aos supremos sabores do Algarve, a ter o seu apogeu nos finais do século passado na sua Catedral ribeirinha da cidade de Portimão. Num museu histórico e ao vivo da indústria e da pesca Algarvia, onde ainda podíamos conviver com os últimos ascendentes e descendentes deste agora decadente sector da economia – neste caso as Pescas (como o poderia ser – e também por incúria e abandono estratégico – o outro sector de destaque nesta mesma região algarvia, a Agricultura).

 

Agora a sardinha anda mal sem gordura e sem sabor, desaparecida do mar já mais frio e com pouco para comer. Enxuta e estendida ao comprido como um esticador, carregadinha de sal e sem um único sabor.

 

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Razão da Sardinha

(a zona do Atlântico Norte em causa)

 

Com a sardinha algarvia – com os seus rituais de chegada e de partida – a desaparecer das suas águas (menor quantidade de capturas e de qualidade do peixe) e a ser substituída pelos seus familiares e vizinhos: não tão boa e pequenina como a sardinha algarvia mas maior e resistente como a sardinha do norte (de Peniche ou Matosinhos ou até mesmo falando espanhol). E com todo este grande drama biológico (com a sardinha em possível processo de extinção) e gastronómico (acarretando mais um grande golpe no nosso leque de sabores/prazeres um dos pretextos básicos para viver) a ser explicado com as variações de temperaturas registadas no oceano Atlântico nos últimos anos, as quais têm vindo a diminuir e a afetar todo o clima no Hemisfério Norte – num ciclo que segundo os cientistas se repete todos os 60/80 anos, afetando a temperatura à superfície do oceano que também banha Portugal.

 

“North Atlantic cooling suggests climate is about to change over much of the northern hemisphere.” (thewatchers.adorraeli.com)

 

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Sardinha Má

 

"Since this new climatic phase could be half a degree cooler, it may well offer a brief reprise from the rise of global temperatures, as well as result in fewer hurricanes hitting the United States. The study proves that ocean circulation is the link between weather and decadal scale climatic change. It is based on observational evidence of the link between ocean circulation and the decadal variability of sea surface temperatures in the Atlantic Ocean." (University of Southampton and National Oceanography Centre/thewatchers.adorraeli.com)

 

Pelo que o futuro que nos espera na gastronomia algarvia, será o Museu da Sardinha na cidade de Portimão – com a fuga do atum e da saborosa conquilha, lançando-nos a correr para peixes menores (sendo estes do mar ou então de viveiro). Sugestão sarrajão grelhado e marisco caracol (com vinho branco ou cerveja e um medronho a acompanhar).

 

(imagens: WEB)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 23:38

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