Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

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Abr 14

George Bush foi como todos sabem o presidente republicano que antecedeu o democrata Barack Obama como presidente dos Estados Unidos da América.

Enquanto ocupou o seu lugar de presidente como representante máximo da maior potência (militar) mundial, pode-se dizer que ele espelhou mais uma vez o papel meramente simbólico e sem retorno deste cargo – mais honorífico do que real – face ao poder global e sem possibilidade de controlo, exercido pelas grandes corporações e conglomerados mundiais.

O mundo é hoje em dia dominado publicamente não por ideologias – como ainda nos pretendem fazer crer para deste modo mantermos a nossa luta contra o Diabo que se encontra sempre do outro lado – mas em privado e exclusivamente pelo mercado financeiro.

 

O artista e pintor George Bush

 

Mas George Bush já não é presidente e como tal a sua vida mudou. Não deixando no entanto de aproveitar a sua passagem por tão alto cargo de tão grande país, para com os seus conhecimentos e intermediários – o normal nestes casos – se manter à tona de água e preferencialmente à vista de todos.

Não quero dizer nem sugerir com isto que esse seja o seu pensamento, interesse ou prioridade, mas ninguém poderá impedir os outros de verem o que estamos a fazer se nós deixarmos e eles estiverem interessados: trata-se apenas da partilha duma experiência de vida ou seja o exercício directo e total da liberdade – e então os outros que se danem.

E a arte é uma outra forma de expressão, podendo mesmo ser concretizada e colocada facilmente ao acesso de todos, desde que sejam seres pensantes, conhecedores das estruturas de comunicação, com um certo grau de sensibilidade face às percepções exteriores e no fim, capazes de se exprimirem mesmo em abstracto mas preferencialmente fisicamente.

E George Bush optou pela pintura: uma arte duradoura e de grande visibilidade e um bom impulso para o seu curriculum e para o seu crédito cultural.

Só podemos apoiar.

 

          

Hamid karsay – Presidente do Afeganistão

Vladimir Putin – Presidente da Rússia

 

Se já conhecíamos a sua faceta artística na pintura de animais – como é o caso dos cães na imagem inicial – George Bush resolveu agora pegar nas suas inúmeras fotos de viagem e a partir destas fazer retratos de diversos interlocutores com quem teve contacto directo durante os seus dias de mandato como presidente dos EUA: como é o caso dos seus colegas e presidentes Hamid Karsay e Vladimir Putin. Não vamos aqui avaliar a qualidade técnica e artística do pintor George Bush nem sequer a sua obra, mas temos que concordar que tanto a imagem do presidente afegão, como a do presidente russo, nos fazem lembrar os traços fisionómicos dos bonecos originais – tal e qual como a minha tia pintora e autodidacta Clarisse fazia e tão bem (ou melhor) reproduzia. Não sabemos é se os aí representados gostaram. Mas é sempre boa publicidade.

 

George Bush na banheira

(auto-retrato)

 

Aproveitemos agora uns momentos da nossa habitual cronologia diária – a dos pobres e remediados – para relaxar um pouco mais e façamos o que George Bush nos sugere com suficiente abundância, no seu auto-retrato na banheira: um banho inconscientemente prolongado e no meu caso estrategicamente aditivado por um cálice bem fresco de espumante da Murganheira, acompanhado por um charuto genuinamente cubano.

 

É bom para esquecermos muita coisa pesada e assim evitarmos o ressurgimento de problemas bastante profundos enterrados na nossa consciência. Flutuando na água sentimo-nos intrusos intocáveis e tal percepção induz-nos numa maior indiferença face aos outros e àquilo que nos rodeia: não precisamos de mais nada de adicional para sermos felizes, com o meio envolvente transformando-se assim no nosso maior inimigo e potencial perturbador da nossa paz e sossego.

 

Tal como George Bush se vê a si próprio no espelho do seu outro auto-retrato pintado em pleno duche, a tranquilidade e a exposição são dois dos seus conceitos básicos de comunicação, utilizados e realçados. Estes dois factores aliados à propositada ingenuidade infantil induzida com os seus desenhos, acabam por transmitir um quadro geral de harmonia e aceitação, que mais tarde no tempo ainda lhe poderão ser úteis no seu retorno possível, à vida pública e política.

 

Mas não deixemos de ver: a comunicação também é arte!

 

(imagens: huffingtonpost.com – nytimes.com – thesmokinggun.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 19:15

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