Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

17
Abr 15

Kayakweru foi envenenada
Resultado da toxicologia já é conhecido
Está aberto um inquérito-crime na procuradoria de Beja
(expresso.sapo.pt)

 

Segundo notícia veiculada pelo jornal Expresso a fêmea de lince ibérico encontrada morta no passado dia 12 de Março foi envenenada. O que não é de admirar para quem sabe o que se passa nos campos deste país, onde a falta de segurança aliada à crise social que atravessamos, tem vindo a provocar um aumento generalizado da criminalidade. Desde o roubo de bens materiais acompanhados por actos de puro vandalismo, passando pelo roubo crescente de diferentes animais domésticos e/ou de criação e terminando nalguns desses crimes com casos de agressões e até com a morte de animais. Ainda hoje uma vizinha morando no campo contava que ao chegar a casa já não tinha galinhas nem coelhos; ainda ontem uns turistas choravam a morte dos seus dois cães por envenenamento, ao passearem inocentemente com ambos pelo campo; e ainda agora algo de grave e de semelhante poderá estar a acontecer nalgum lugar pertencente a este nosso mundo dito rural e no entanto sabemos que tudo continuará imutável.

 

kayakwero1-9ca7.jpg

O lince fêmea Kayakweru

 

A fêmea de lince ibérico KAYAKWERU foi libertada a 7 de Fevereiro. A 12 de Março foi encontrada morta nas proximidades de Mértola. Devido ao desconhecimento da região e à pouca experiência do animal no terreno, rapidamente a fome o levou na sua movimentação (à procura de comida) em direcção a algo que provavelmente lhe chamou a atenção: um isco envenenado e colocado estrategicamente no terreno acabou por a matar.

 

O que eu questiono mais uma vez é se em todo este programa de integração do lince ibérico nesta região, foram integrados no seu planeamento todos os parâmetros fundamentais para uma integração bem sucedida deste animal. Passando por cima de muitos desses parâmetros (sou apenas um leigo interessado), não entendo como nas circunstâncias actuais um animal deste tipo (não sendo habitual na zona) pode ser libertado num ambiente com um nível de perigosidade extremamente elevado, com fácil acesso a indivíduos e às suas acções predadoras. Quantos cães já não foram mortos um pouco por todo o lado? Muitos deles abatidos a tiro ou envenenados por falsos caçadores.

 

Não é pois de espantar (segundo a notícia do jornal Expresso) que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas tenha afirmado não ter ainda conhecimento oficial das causas da morte do lince, quando a GNR já sabia e o jornal Expresso noticiou. O que só faz desconfiar das qualidades do ICNF.

 

(imagem: ICNF/Expresso)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:16

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