Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

23
Jul 15

Desde que na minha juventude li o livro de Jimmy Guieu “O Universo Vivo” (Livros do Brasil – Colecção Argonauta – N.º 5), que ficou bem registada na minha memória (e no meu processo formativo), a ideia de que o Universo em que sempre vivemos talvez pudesse ser mesmo retratado e de uma forma bastante fiel, como um verdadeiro Organismo Vivo.

 

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Modelo helicoidal do Sistema Solar

 

Enquanto que o SOL continua a viajar pelo ESPAÇO a uma velocidade aproximada de 230km/s (imaginem os biliões de quilómetros percorridos por ano), deixemo-nos levar pelo bailado realizado por todos os corpos celestes orbitando em seu redor: acompanhando a sua estrela na sua viagem misteriosa pela imensidão do Universo e deixando-se levar na sua rede cósmica de energia. Como se víssemos repercutida no Espaço a nossa sequência de ADN com todo o Sistema em movimento e em rotação helicoidal. Pensem no Sol como o Propulsor da Criação e todo o seu sistema agregado como o grande Espermatozóide: a nossa estrela de referência foi lançada há biliões e biliões de anos aquando do seu Evento Ejaculativo (BIG BANG), sendo acompanhada na sua trajectória Divina e Reprodutora por inúmeros organismos direccionados para a fecundação, evolutivos e susceptíveis de transformação. Incluindo a Criação.

 

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Superfície de Ceres

 

Agora imaginem que estão confortavelmente instalados num amplo e cómodo sofá colocado na superfície de um corpo celeste do nosso Sistema Solar (convidados por algum amigo até agora desconhecido mas desejando por qualquer motivo a nossa talvez inspiradora companhia) e que subitamente sentindo directamente na pele a presença de um ambiente exterior talvez virgem talvez selvagem, se decidem a usufruir do momento, enquanto observando o horizonte apreciam calmamente uma Caipirinha. O corpo celeste escolhido pode ser pequenino e localizado não muito perto de nós: como é o caso de CERES (d>900km), maior que a lua ENCELADUS (d>500km) mas menor que o anão PLUTÃO (d>2300km). Bem lá ao fundo no Céu a Terra nem se vê. Bebo um gole da bebida e o gelo como que fica preso na garganta: o horizonte revela-me um mundo alienígena, com pontos luminosos e por identificar sobressaindo da sua superfície e com um montanha bem distinta e de formas com excelentes contornos, destacando-se provocatoriamente sobre a escuridão do Espaço – como se fosse um Corpo exposto e pronto a revelar-se. Mas certamente que não será socorrendo-se de um DRONE.

 

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Superfície de Ceres

 

Viremos então o sofá para o outro lado do cenário e apreciemos uma nova paisagem deste misterioso planeta anão: situado bem longe da Terra (na Cintura de Asteróides) mas muito mais perto que Plutão (já a caminho da Cintura de KUIPER). Imagino-me a percorrer uma planície inóspita e aparentemente desértica de mais um mundo novo para mim, caminhando com uma mochila às costas (típico dum humano prevenido) e a compasso militar (apenas para manter a cadência); e tentando de um modo ou de outro ultrapassar mais uma inesperada e extensa elevação de terreno (interpondo-se no meu trilho, de comprimento sem fim), alcançando no final e como recompensa momentânea (bónus de viagem) o objectivo da concretização de mais esta ilusão (o alcançar da Luz). E se as luzes de Ceres nos intrigam, é porque já compreendemos o que as da Terra nos podem querer dizer.

 

Em Ceres as temperaturas registadas eram sempre negativas e extremas, variando na escala térmica em torno dos 100°C abaixo de zero. Comparada com a atmosfera terrestre, a do planeta anão era bastante reduzida. O que significava que de oxigénio certamente nada, apesar da probabilidade da existência de grandes superfícies de H₂O (devido ao frio extremo) congelada. No entanto e ao contrário do que muitos pensavam com sinais evidentes de actividade geológica (como a formação de cadeias montanhosas) confirmando a sua juventude e vivacidade interna. Lá fora estava frio e não se conseguia respirar.

 

E do meu posto de observação, o que via só o evidenciava – com o conjunto de luzes fixando-me ao fundo, a serem o Farol de todo este esquema (que iluminava o espelho como tela de projecção).

 

(imagens – NASA)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 22:17

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