Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

19
Fev 16

Os pais de uma criança resolveram ir dar uma rapidinha ao Casino de Lisboa (mais uma montra objetiva do poder do dinheiro) confiando nas condições de segurança do prédio de renome onde atualmente moravam (um produto em todos os aspetos de excelente qualidade) – deixando-a sozinha em casa. Só que a criança ainda não devidamente esclarecida sobre todas as virtudes e defeitos do sistema onde estava inserida (afinal de contas só tinha cinco anos, ainda não tinha ido à escola e os pais esqueceram-se desse ponto fulcral para a sua formação) não respeitou os preceitos de segurança – e sem se saber bem como, nem porquê, caiu do 21º andar e morreu.

 

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Lisboa – Parque das Nações

 

O Problema da Humanidade não reside no que o Homem é no presente, mas no limitado e inaplicável sistema Económico-Financeiro em que foi criado e nos conceitos contraditórios em que foi cuidadosa e deliberadamente elaborado: privilegiando o objeto (visto como o maior e mais eficaz produtor de mais-valia) e desvalorizando o sujeito (visto como um produto de curta duração e de desgaste rápido – e só permitido no comércio de certos objetos) – enquanto nos vai prometendo indefinidamente um futuro de esperança num ambiente prometedor (para tal efeito servindo-se dos média), ao mesmo tempo que nos vai mantendo estrategicamente num mundo de ilusão e num estado de indiferença profundo (como se tivéssemos sido colocados em coma à espera do respetivo milagre).

 

Ou não será verdade que se pegarmos num nosso semelhante animal interagindo em liberdade (vivendo no nosso planeta, demonstrando algumas das nossas capacidades cognitivas, capaz de se organizar e de com os seus atos quotidianos assinalar a sua presença, no fundo interagindo com o resto da Natureza que o rodeia e de que faz parte) e o remetermos para um outro ambiente mesmo que pretensamente mais seguro mas para sua proteção sendo fechado (nenhuma jaula é aceitável sob o pretexto da nossa irresponsabilidade), o seu comportamento será inevitavelmente alterado transformando-os em meras réplicas (bonecos sem vontade própria e telecomandados) e destruindo os moldes originais (sempre com algum defeito inicial de fabrico necessário de correção)?

 

E para completar o ramalhete de acusações dirigidas ao Homem Imperfeito (a ele remetidas pelo Homem que Procurou e Encontrou a Perfeição, apenas pretendendo graciosamente com a sua emanação brilhante, mostrar o seu poder exclusivamente fornecido pelo poderoso objeto), só faltava mesmo demonstrar como este produto em declínio e necessitando de evidentes melhorias (de funcionamento), ao ser posto diante de melhores condições de vida como nunca tinha visto ou pensado alguma vez vir a usufruir, não as reconhece e valoriza (como um doente) acabando por se exceder (como um toxicodependente). Mas se alguém compra droga quem será que a vende (e sobretudo quem a fabrica e sob ordens de quem)? Se a culpa é dos drogados que se acabe com eles, se a culpa é da família que se acabe com ela, se a culpa é do Estado entreguem-no às Corporações. Mas conservem-se as escolas, as fábricas e os Velhos Senhores (neste último caso parentes do Homem Perfeito).

 

Entretanto encontrada a criança pelos pais no regresso do Casino (por volta das três da manhã), ouvida a Polícia Judiciária, constituídos os pais como arguidos e posteriormente detidos (para já), vejamos o que acontece e qual é o papel (pedagógico) do Estado.

 

(imagem: LUSA)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:25

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