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Feitiçarias da Fada Morgana

Terça-feira, 17.03.20

Mais uma vez evidenciando como os nossos órgãos dos sentidos nos podem induzir em erro, uma imagem (1) do que poderia muito bem ser (para Mika Zinkova) a do Cristo-Rei do Rio de Janeiro (Brasil) – uma estátua de 1931 na sua famosa posição de braços abertos: tal como poderia ser em Portugal numa réplica de 1959, a do Santuário Nacional do Cristo-Rei (localizado na margem sul do rio Tejo no concelho de Almada).

 

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1

Farol  das Ilhas Farallon

10.03.2020

(costa de São Francisco na Califórnia)

 

E com o seu observador ao capturar esta imagem a estranhar o que os seus olhos lhe proporcionavam − usufruindo de um registo fotográfico estranho, belo e não tanto raro como isso (até como o mesmo, apresenta no seu canal do YouTube) – até porque o Cristo-Rei (do Rio de Janeiro) se localizava (não a ocidente, ao largo da costa da Califórnia, no oceano Pacífico) a oriente, no litoral brasileiro virado para o oceano Atlântico e a mais de 11.000Km de distância (do local onde se encontrava aquando do registo).

 

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2

Fenómeno Fada Morgana

Um barco flutuando como que suspenso no ar

(2012/Queensland na Austrália)

 

De facto e como seria obvio não se tratando de uma imagem do Cristo-Rei do Rio (nem de outra qualquer réplica sua) mas da imagem (4) de um farol das ilhas Farallon (costa de São Francisco/Califórnia/EUA) apresentando visualmente e à distância (dos nossos olhos) esta cor e forma como resultado de um efeito ótico – uma miragem denominada Fada Morgana: “uma feiticeira (Fada Morgana) meia-irmã do Rei Artur que, segundo a lenda, era uma fada que conseguia mudar de aparência.” (wikipedia.org)

 

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3

Fenómeno Fata Morgana

Criando a ilusão do aparecimento de uma vaga no horizonte

(2008/costa norte-americana do Pacífico)

 

Para lá da miragem e da ficção com este fenómeno (nada estranho apesar de mais habitual noutras regiões, apenas meteorológico) a ter uma explicação científica: devido a uma inversão térmica (intensa) verificada perto da superfície terrestre (entre camadas de ar quente e de ar frio), podendo-se obter uma imagem invertida de um determinado objeto (como se usássemos uma lente, alterando a velocidade de uma onda atravessando dois meios e até alterando-lhe o aspeto e a cor em seu redor), imagem essa distorcida e como que parecendo flutuar.

 

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4

Farol das Ilhas Farallon

1957

(Coast Guard Museum Northwest)

 

Um fenómeno visível da parte da manhã e em dias depois de uma noite fria com amanhecer frio, mais comum de se observar em vales (e entre montanhas elevadas), no Ártico e na Antártida. Mas por vezes surgindo noutros locais, com uma das mais célebres (segundo a Wikipédia) a ser a que aparece a sul de Itália (estreito de Messina). E com outros efeitos produzidos (pela nossa Feiticeira, a Fada Morgana):

 

Light passing through this layer can be distorted and stretched in fantastical ways, causing ghost ships to float in midair (3), turning the full Moon into a rectangular block, and raising false walls of water (2).” (spaceweather.com)

 

(imagens: Mika Zinkova/youtube.com – Timpaananen/wikipedia.org

− Mika Zinkova/nasa.gov − Coast Guard Museum Northwest/wikipedia.org)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 18:31