Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

02
Abr 21

Eric Arthur Blair

 

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“Homenagem à Catalunha”

(lançado em 1938)

 

“Eric Arthur Blair, um inglês (com defeitos como qualquer um de nós, mas com alguns outros laivos que o diferenciavam) nascido no início do século XX na Ásia (Índia), no primeiro ano de idade migrando para a Europa (Reino Unido) e aí se estabelecendo até por volta dos 22 anos, para de seguida regressar ao seu ponto de partida (Ásia), mas numa região situada um pouco mais a oriente, a Birmânia ─ como polícia. Regressando à Europa em 1926 (23 anos de idade) passando por Paris e Londres, sendo professor e entre outras coisas mais escrevendo ─ para além da sua participação ao lado dos republicanos na Guerra Civil de Espanha lutando contra os nacionalistas de Franco (apoiados pelos Nazis) iniciada em dezembro de 1936 (retratada na sua obra de 1938). Regressando no ano seguinte. Assistindo ainda à II Guerra Mundial (1939/1945) e finalmente oferecendo-nos a sua experiência e vida através da sua obra: em 1945 e 1949, deixando-nos no ano seguinte (tinha apenas 46 anos). Hoje e com os seus livros tendo influenciado pais e filhos mas não tanto os netos, a serem ainda necessários e fundamentais para compreender esta realidade que ainda nos cerca “Cem Anos Depois”: apesar do abandono progressivo do “Livro” e da inversão de valores registado no sistema dito educativo, abandonando a via cultural (formação de Homens) ─ o reforço constante do conhecimento ─ e optando pela via contabilística (formação de Máquinas) ─ uma formação unicamente dirigida (em especializações sucessivas, sem continuidade) para o emprego (e uma sua maior eficácia). Uma doença mais visível em países como o nosso (mais pobre e no entanto, com mais reis e rainhas) atualizado ontem/desatualizado hoje e sempre em constante rotação ─ infelizmente em ponto morto. Mas com George Orwell ainda sempre presente.”

 

George Orwell

 

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“O Triunfo dos Porcos”

(lançado em 1945)

 

Relembrando George Orwell (1903/1950) e o lançamento do seu romance “1984” (no ano de 1949) ─ refletindo o que já se passava, perspetivando o que aconteceria de seguida e até apresentando em 1ª mão o Mundo onde vivemos hoje ─ não podendo esquecer de como me inseri entre os seus leitores, iniciando-me com a sua obra “Homenagem à Catalunha”: ainda jovem e ingénuo (sobre a vida, sobre o Mundo, num regime político isolado e fechado) e colocado perante um Evento único como o 25 de abril (de 1974), com a necessidade de aventura e de conhecimento e de “qualquer forma ou feitio” podendo ser alcançado (vantagens da juventude) ─ e não tendo entretanto (e ainda) mudado de armário (por ex. sendo a idade indicada para “deixar de brincar e namorar”) ─ através de viagens entre elas as proporcionadas pelos livros (as melhores, podendo nós reinventá-las, recriá-las, exercitando a nossa Imaginação), procurando soluções que só eu poderia (talvez) algum dia ver (ou vislumbrar) e de que alguns ou muitos poderiam proximamente aproveitar (usufruir), incluindo eu. Desse modo olhando para o outro lado da fronteira e presenciando através dos testemunhos (presenciais) escritos por George Orwell (com prazer, com compulsão, com necessidade de compreender onde me encontrava no espaço e no tempo), os princípios da II Guerra Mundial (1939/1945) com o eclodir da Guerra Civil de Espanha (1936/1939) e nela a Guerra da Catalunha.

 

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“1984”

(lançado em 1949)

 

Por essa altura, face ao crescente poderio e intervenção das tropas Nazis (preparando-se para a guerra e ensaiando em Espanha) e perante a passividade do Resto do Mundo (mesmo da Negacionista Europa), com muitos europeus e não só (de outras origens e continentes) lutando ao lado dos antifascistas espanhóis contra o apoio de Hitler às tropas de Franco, num cenário bem retratado pelo escritor inglês nascido na Índia (Bengala). A partir daí procurando mais e surgindo-me logo (entre outros que não me recordo) “O Triunfo dos Porcos” (publicado em 1945) e o agora (infelizmente pelo tema, não pela obra, mas pelos mesmos protagonistas) sempre atual “1984” (publicado em 1949): em tempos de Pandemia e com “a vigilância, controlo e punição” a serem praticadas “em nome de todos nós”, com a autoridade a poder ser aplicada (para nossa “segurança) sem regras e sem limites. Estando-se perante um “Grande-Grande-Irmão” podendo possuir-nos por fora e agora até por dentro, acompanhados um pouco por todo o Mundo por um número variável (por indefinido) de tentáculos (do Sistema e tal como os vírus ─ adaptando-se, mudando e voltando com novas estirpes ─ de composição variável). Num cenário virtual projetado e por necessidade (intrusiva, artificial), dispondo apesar de não ser a “selva” (deslocado e sendo racional, o Homem), de presas e de predadores (na selva com irracionais, aí vencendo o mais forte, não um qualquer deficiente).

 

Comemorações

 

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George Orwell

(1903/1950)

 

[Falando de comemorações e como pretexto, festejando os Cem Anos sobre o seu encontro com o autor (também inglês) da igualmente fascinante obra “Admirável Mundo Novo” Aldous Huxley em 1921/ou por aí (por momentos e enquanto mestre ─ face a um aluno de 18/19 anos ─ seu professor de francês) ─ também uma das minhas leituras marcantes (entre outras lidas de Huxley) ─ na altura passando despercebido (para ambos) mas sendo recordado anos depois: na data da publicação de “1984” com Huxley a elogiá-lo (pelo seu livro) referindo-o e às suas ideias, como um marco histórico (literário e não só, pelas ideias contrárias transmitidas) de referência.]

 

(imagens: yahoo.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 16:58

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