Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

02
Mai 17

Quatro imagens (efetivamente 4+1 sendo esta última orbital) recolhidas pelas 2 primeiras sondas norte-americanas a orbitarem e a aterrarem em Marte – VIKING 1 e VIKING 2 – neste caso recolhidas pelos seus módulos de aterragem quando já instalados na superfície marciana.

 

Limitamo-nos hoje à análise dos dados enviados por uma máquina localizada a milhões e milhões de Km de distância (bem no interior profundo e escuro do Espaço), posteriormente traduzindo-os através de tabelas de sinónimos reais (podendo ser projetado no espaço e datado no tempo) e mais tarde apresentando-a com contornos facilmente aceitáveis e de acordo com os modelos preconcebidos – e isso não relevando ainda as virtudes da edição e o primor do Photoshop.

 

O que deveríamos era lá estar como o sonha Elon Musk. E nós ainda sonhamos?

 

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Imagem 1

Marte – Planitia Chryse – Big Joe

(Sonda Viking 1 – Lander – Câmara 1 – 4 Out 76 e 24 Jan 77)

 

Na contínua procura de um modelo de cenário que nos possa proporcionar de alguma forma credível alguma esperança na descoberta de um tipo de Vida no mínimo com alguns pontos de percurso comuns e potencialmente semelhantes aos percorridos pela Vida na Terra, uma das poucas fontes de consulta agora que o Homem parece ter subalternizado o Espaço e a sua necessária e obrigatória Conquista (isto se a nossa espécie não quiser ficar extinta, deixando-se morrer dentro de casa) é sem dúvida o PHOTOJOURNAL da NASA, que pensando-se no que por cá há (em Portugal) e associando-se a uma função semelhante (na área de comunicação) poderíamos sem dúvida equiparar à nossa RTP MEMÓRIA.

 

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Imagem 2

Marte – A primeira imagem a cores – Por volta do meio-dia

(Sonda Viking 1 – Lander – Câmara 2 – 21 JUL 76)

 

“This color picture of Mars was taken the day following Viking l's successful landing on the planet (approximately noon). Orange-red surface materials cover most of the surface, apparently forming a thin veneer over darker bedrock exposed in patches. The reddish surface materials may be limonite (hydrated ferric oxide). Such weathering products form on Earth in the presence of water and an oxidizing atmosphere. The sky has a reddish cast, probably due to scattering and reflection from reddish sediment suspended in the lower atmosphere.” (nasa.gov)

 

Não deixando de ser irónico que passado quase meio século sobre a data em que o primeiro Homem (logo seguido de mais dois) pôs o seu pé pela primeira vez sobre um outro corpo celeste à distância com um aspeto muito parecido ao nosso – a Lua localizada a mais de 480.000Km da Terra – no presente nos limitemos a enviar astronautas para uma estação em órbita da Terra a uma distância de aproximadamente 400Km (a ISS) e para viagens mais extensas e prolongadas no tempo (limitados como estamos em relação à velocidade máxima das naves e à previsibilidade do tempo médio de vida da nossa espécie) nos apetrechemos convenientemente com as últimas novidades no campo da eletrónica, da informática e dos veículos aéreos teleguiados (o que têm feito norte-americanos, russos, chineses e por aí fora) e tirando-os do usufruto das crianças (inicialmente o alvo preferencial) relançando-os no mundo dos adultos e promovendo estas máquinas enviando-as em missões pelo Espaço.

 

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Imagem 3

Marte – Utopia Planitia – Presença de gelo à superfície

(Sonda Viking 2 – Lander – Câmara 1 – 18 MAI 79)

 

“This photo was taken at Utopia Planitia landing site. It shows a thin coating of water ice on the rocks and soil. Scientists believe dust particles in the atmosphere pick up bits of solid water. Carbon dioxide, which makes up 95 percent of the Martian atmosphere, freezes and adheres to the particles and they become heavy enough to sink. Warmed by the Sun, the surface evaporates the carbon dioxide and returns it to the atmosphere, leaving behind the water and dust.” (nasa.gov)

 

Na Terra conhecidos como DRONES (e muito utilizados para matar a nossa espécie) e no Espaço como Sondas (com o objetivo de encontrar outras espécies). Tudo tendo sido criado com o único objetivo de lançar o Homem para lá das fronteiras do nosso planeta na procura de outros lugares onde como espécie organizada e inteligente um dia poderia ter hipótese de aí se instalar e prevalecer – até por necessidade ou por simples aventura, curiosidade, experimentação e logo expansão (o que mantem o nosso dinamismo e a nossa Evolução) – mas pouco depois com o mesmo a ser imediatamente subalternizado (o Homem) e desde logo a ser substituído (pelas Máquinas): com o pretexto financeiro e da salvaguarda dos astronautas. Enterrando-se o discurso de Kennedy, eliminando-se o protagonista do enredo (do Cenário da Conquista do Cosmos e que seria o Homem), apagando-se de vista a Lua (afinal de contas a poucas horas de viagem) e limitando-se a Aventura a um grupo de especialistas comandando Drones da Terra e enviando-os para onde devíamos ser nós a lá estar (desde esse Grande Passo da Humanidade concretizada na Lua nunca mais saindo de casa).

 

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Imagem 4

Marte – Utopia Planitia – Nascer-do-Sol

(Sonda Viking 2 – Lander – Câmara 2 – 14 JUN 78)

 

“A Martian sunrise was captured in this Viking 2 Lander picture taken June 14, 1978, at the spacecraft's Utopia Planitia landing site. Pictures taken at dawn (or dusk) are quite dark except where the sky is brightened above the Sun's position. The glow in the sky results as light from the Sun is scattered and preferentially absorbed by tiny particles of dust and ice in the atmosphere.” (nasa.gov)

 

À falta de melhor e com as sondas com mais notoriedade pública (norte-americanas e europeias) a fornecerem-nos cada vez menos pormenores interessantes (e oriundos do Mundo Exterior), regressando temporariamente ao passado (não mais que 40 anos) para tentar entender o que terá ocorrido (entretanto e já agora em Marte) para nos deixarmos por aqui ficar (em terra e não no mar, na Terra e não no Espaço). E ficando tristes ao verificarmos como uma instituição de Vanguarda Científica, Tecnológica e representativa do expoente fantástico do Avançado Conhecimento do Mundo atingido por esse fantástico ser biológico que é o Homem (baseado na observação e experiência de sucessivas gerações querendo repetir noutros horizontes a proeza da Conquista dos Oceanos) como o era a NASA, se deslocou dos seus objetivos iniciais da Conquista do Espaço (a partir daí desenvolvendo toda a tecnologia, indústria, economia e vida social que certamente iria revolucionar o quotidiano de todos nós atirando a nossa sociedade, pensamento e organização para outra dimensão) para em vez disso e como Instituição de Concretização que deveria ser (prosseguindo o seu trajeto e o nosso destino), regredindo no espaço-tempo e transformando-se numa mera instituição de replicação (de conhecimento há muito adquirido e apenas retransmitido) se tornou numa mera Escola. Tal como nestas (escolas públicas) e por desinvestimento entrando em decadência e mais tarde fechando – e tal como nos EUA, na Rússia, na China e noutros sítios mais, com a iniciativa privada a ver o filão e a tomar a iniciativa.

 

E no que diz respeito às novas missões da NASA a Marte com as conclusões a serem apenas confirmações (das primeiras) – pelo menos enquanto os astronautas lá não chegarem. E pelos vistos com a SPACE-X (iniciativa privada) bem à frente nas pretensões (suas): ser a primeira a atingir e a colonizar o Planeta Vermelho. Na altura podendo visitar (talvez ainda vivas) a velhinha Opportunity e a menos velhinha Curiosity (este ano fazendo 13 e 6 anos respetivamente a partir do ano em que abandonaram a Terra).

 

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Imagem 5

Marte ‒ Valles Marineris ‒ 3000Km extensão/4Km profundidade

(Sonda Viking – Orbiter)

 

Viajando até ao passado e até ao momento em que as sondas ainda se acomodavam a Marte (imagem 5), transportando até ao presente algumas dessas imagens e recordando o que os cientistas da NASA então já afirmavam (e que muitos anos depois ainda repetem, mas naturalmente com o respetivo puzzle muito mais completo). Como nos confirmam as (4+1) imagens – e escutando agora ainda com muita mais atenção, o que estes verdadeiros pioneiros da exploração espacial (então com tão poucos recursos) alcançaram. E com entusiasmo e emoção (pela sua descoberta) logo nos comunicaram e fizeram sonhar:

 

Como as alterações verificadas em torno da rocha denominada como Big Joe (localizada na planície Chryse e demonstrando há já 40 anos a existência de elementos erosivos sobre a superfície de Marte), que através da ação de elementos presentes na atmosfera do planeta e provocando manifestações caraterísticas desse tipo de fenómenos (deslocando elementos superficiais devido à ação do vento e alterando as caraterísticas do terreno) nos informaram da existência destes agentes (dinâmicos) e do seu movimento relevante em Marte; tal como o dizem hoje falando dos Devil Dust (redemoinhos de vento já por diversas vezes observados em Marte); como se vê na imagem (1) com o abaixamento da superfície de areia situada sob a zona inferior direita da rocha Big Joe;

 

Ou então recordando-nos do momento em que usufruímos da primeira imagem a cores de Marte (imagem 2), mostrando-nos um mundo suportado por um cenário algo semelhante ao nosso, com uma superfície seca, desértica e aparentemente sem vida, refletindo para o exterior a sua cor característica avermelhada e na ausência pelo menos visível do líquido que na Terra significa a existência de moléculas orgânicas (a Água) sugerindo-nos, face aos parâmetros físicos e químicos aí apresentados, podermos estar perante o registo do leito de um antigo oceano que há biliões de anos atrás tenha como na Terra coberto uma parte da sua superfície; um líquido precioso não observável diretamente à sua superfície, mas na realidade ainda presente na mesma (Utopia Planitia) e em determinadas latitudes do planeta sob a forma de gelo (imagem 3) e podendo mesmo ainda existir a níveis inferiores (depósitos subterrâneos);

 

E até numa mistura de Realidade e de Imaginário (o conjunto que dá forma a esta projeção onde coexistimos) usufruindo da imagem do movimento do nosso Sol não tal como o vemos todos os dias na Terra, mas (imagem 4) como o veríamos se estivéssemos colocados num outro mundo um pouco mais afastado de nós (umas dezenas de milhões de quilómetros) um pouco mais longe do Sol (e no entanto calcinado por não ter uma atmosfera protetora): e olhando para o Sol erguendo-se, flutuando e pondo-se como aqui, ficando com a certeza interior de uma ligação profunda prevalecendo entre todos estes corpos (talvez numa ligação um pouco mais estreita entre a Terra e Marte) ‒ fazendo parte do Sistema.

 

(imagens: nasa.gov)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 08:45
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