Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

26
Mar 14

“Está tudo Bem está tudo Mal, mas viverei eu em Portugal”?

 

Sem conteúdo e telecomandado à distância por invasores merkelianos

(e com remela a sair-lhe do orifício)

 

1

Existem muitas estratégias para nos iludirmos e nos convencermos (por mais que nos odiemos), que o caminho que seguimos é o único e inevitável. Só que lá por sermos uns covardes rodeados de outros ainda mais covardes do que nós e que nem sequer têm coragem de olhar para um espelho e afirmarem o que são, o que fizeram e quem iludiram, não temos o direito de usar os outros a nosso belo prazer, como se fossem nossos ou como se nada fossem.

 

2

Tornou-se viral na internet a imagem do agente estrangeiro infiltrado no nosso território e conhecido pelo código alfabético PMPPC, desde que o mesmo foi apanhado pelas câmaras duma estação de televisão em flagrante e sem o seu conhecimento, a falar em duas direcções diferentes e com discursos diametralmente opostos. Durante a filmagem pôde-se observar com bastante nitidez e definição o referido indivíduo a subdividir-se, bipolarizando por momentos a atenção de todos os jornalista nessa altura aí presentes e paralisando-os por contradição e confusão cerebral generalizada. Mas o facto mais espantoso e aterrador testemunhado por todos aqueles que o viam ou ouviam, sucedeu no preciso momento em que no seu rosto se começou a materializar um determinado objecto parecendo animado de movimento e que ia pulsando como se estivesse vivo enquanto este falava – parecendo fixo sobre a epiderme da face e com uma das suas extremidades inserida no orifício de saída do canal lacrimal.

 

3

Sem saberem a quem recorrer e após proposta realizada pelos seus filhos de procura e visionamento da gravação do acontecimento dramático e sinistro – e já inserido no You Tube – o povo ficou desde logo emocionalmente horrorizado entrando de imediato num estado de pânico e de correria tresloucada. E foi a um técnico da ASAE que por ali passava no seu dia de folga e a caminho de casa – mas com a sua identificação ao peito – que no meio dos ânimos alterados os populares recorreram, cercando-o em segundos e pedindo-lhe justiça e acção imediata: aquela coisa que eles tinham visto a mexer no monitor de TV não era certamente de origem humana e o povo sabia com todas as experiências e aprendizagens assimiladas ao longo da sua vida – a sabedoria popular – que daquele lado vinha perigo e que o artefacto humanóide ali presente poderia ser a sua perdição e o fim do seu território ancestral.

 

4

A operação fora marcada para as nove horas da manhã do dia seguinte e realizar-se-ia no único bloco operatório ainda activo (parcialmente) da Maternidade Alfredo da Costa. Sendo oficialmente acusado de ser um agente duplo infiltrado aparentemente ao serviço exclusivo do estado mas colaborando estreitamente e apenas por dinheiro com poderosos interesses privados e simultaneamente comuns, o agente estrangeiro PMPPC invocara em sua defesa e na defesa do cargo que ocupava na administração do território um atestado médico psiquiátrico passado pelo seu médico de família, em que este confirmava a existência de períodos curtos e transitórios de tempo em que o seu cliente se alterava significativamente nas suas atitudes e comportamentos mais comuns, assumindo uma postura confusa e mesmo contraditória própria dum doente em plena crise aguda bipolar – não impedindo no entanto o exercício do seu cargo. No entanto o seu recurso de defesa e de indeferimento deste processo fulgurantemente posto em andamento não fora aceite, com o doente a ser imediatamente conduzido e sem direito a caução para a sala de operações.

 

5

Foi necessária a presença de alguns auxiliares de limpeza e de alguns seguranças em serviço no hospital, para conseguirem imobilizar o agente PMPPC e administrarem-lhe a anestesia geral pré-operatória: a sua dupla personalidade extravasara mais uma vez os limites naturais do seu corpo físico e como que vibrando no ar o agente ia conseguindo desnortear e confundir aqueles que o tentavam agarrar, deslocando as suas duas personalidades em direcções contrárias, unindo e separando consecutivamente os dois seres siameses interiores. Nem dez minutos depois já sobre a mesa de operações e com a potencial vítima imobilizada – a mortalidade nestes casos ainda era relativamente elevada – o cirurgião ia terminando a sua tarefa habitual de cuidadosamente escolher e preparar as suas ferramentas de trabalho, neste caso de abertura, separação e reconstrução. Existia sempre o risco do corpo rejeitar a separação.

 

6

Antes de introduzir o bisturi para iniciar o corte e a separação o agente estrangeiro ainda teve um inesperado reflexo certamente inato e instintivo, tentando inconscientemente e por necessidade extrema de sobrevivência reunificar-se e fechar-se em torno dum único corpo psíquico-físico, construindo à sua volta uma muralha real e intransponível para desse modo resistir à intrusão e sua destruição – mas não o conseguindo: bem segura na mão do cirurgião a lâmina enfiou-se profundamente na carne do agente e com a ajuda e dedicação profissional de toda a equipa presente rapidamente as costas do operado estavam abertas com todo o seu interior pulsante, quente e coberto de sangue, todo exposto e à vista de todos. Mas foi ao aspirar preventivamente e do interior da zona operada as primeiras despesas e prejuízos já provocadas pela operação, que o cirurgião reparou na particularidade ali extraordinariamente presente, chamando de imediato a atenção dos seus colegas de equipa: uma mulher anã comandava a partir da cavidade associada ao tórax e abdómen do agente PMPPC todo o corpo exterior que o cobria e lhe dava o seu aspecto geral exterior, dispondo dum comando lateral extra capaz de fazer oscilar as costas do seu operado, abrindo-as e fechando-as como se fosse um acordeão. No crânio não teria nenhum órgão necessário de destacar – comprovava-se assim estarmos perante um ser acéfalo mas pelos vistos bipolar (?!) – não passando este duma mera caixa de ressonância também operada por controlo remoto. Estávamos perante um humanóide com registo, história e passado e no entanto fazendo-se passar por um de nós com memória e antepassados, mas não passando apesar de todas as suas falsas ilusões dum mero instrumento biomecânico e artificial, especialista em manipular mentes condicionando-as e tornando-as obedientes mesmo no dia do seu suicídio. A solução não seria certamente – até para preservarmos a nossa saúde – operá-lo.

 

7

Mesmo com o corpo imobilizado sobre a mesa de operações a mulher anã continuava a gesticular verdadeiramente furiosa e com extrema veemência, chegando em certa altura a parecer estar a insultar duma forma anormal e descontrolada toda a equipa ligada à operação, fosse mostrando-lhes bem esticado e bem firme o dedo médio da mão, fosse em alternativa enfiando os dedos na teste em forma de cornos e como aviso. Carregava em diversos botões mas nada funcionava. Com uma descarga eléctrica eficazmente dirigida à cabeça e com um directo bem enfiado em pleno tórax da mulher anã, o enfermeiro encerrou logo ali o assunto, ouvindo ainda um pequeno murmúrio vindo da inútil moribunda que mais parecia um impropério em tipo falado alemão. Na mesa de operações o agente PMPPC continuava estático, sem respirar uma só vez e não mexendo um único músculo. A situação parecia grave: inutilizado o Cavalo de Tróia não havia mais lugar para esconder a mulher. Em passo acelerado os serviços secretos agregados ao governo tomaram então (e a partir daí) conta da situação, recolheram o corpo do agente PMPPC ainda imóvel sobre a mesa de operações e acondicionaram com muito cuidado a mulher anã que até aí o possuíra, partindo rapidamente e escoltados por várias motas da polícia em direcção a destino desconhecido. Reparado e reconstruído novamente e (como medida de poupança) utilizando materiais diversas vezes reciclados, o modelo de agente PMPPC retomou ao serviço sem que nada tivesse sido deixado para trás ou ao acaso. Era agora controlado pelo grande mestre merkeliano responsável pela pasta das finanças da casa da mulher anã, que com a ponta da sua bengala o telecomandava através de raios emitidos do exterior e introduzidos interiormente num orifício inferior do seu corpo até obter resposta adequada.

 

8

Enquanto isso o líder da oposição afirmou ter nas suas mãos a solução do mais importante problema de todos os portugueses. Sabe-se que filas compactas de indivíduos do sexo masculino e sem nenhum tipo de actividade sexual com qualquer tipo de parceiro há já bastante tempo, esperam ansiosamente pela sua vez. Mulheres também.

 

(imagem – SAPO/SIC)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 11:49

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