Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

02
Mai 17

Na sua recente visita aos EUA o Presidente chinês Xi Jinping ficou a saber através do seu homólogo norte-americano Donald Trump, que o modo mais civilizado de informar o seu adversário de que o estamos a atacar (mesmo de uma forma indireta, atacando um aliado ‒ a Síria - do seu maior aliado ‒ a Rússia), será o de no fim de uma boa refeição e para o caso do ambiente azedar (existindo sempre nestes casos o problema da azia), oferecer uma boa fatia de bolo de chocolate para neutralizar os efeitos (ao contrário seria certamente um grave incidente diplomático).

 

“Just as dessert was being served, the president explained to Mr. Xi he had something he wanted to tell him, which was the launching of 59 missiles into Syria.

It was in lieu of after-dinner entertainment.

The thing was it didn’t cost the president anything to have that entertainment.”

(Wilbur Ross - Secretário de Estado do Comércio dos US)

 

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Presidentes Xi Jinping (China) e Donald Trump (EUA)

Na recente cimeira realizada na Florida

(6 Abril 2017)

 

Os Estados Unidos da América têm desde 20 de Janeiro de 2017 um novo Presidente instalado na Casa Branca, caracterizado por ser a Ovelha Negra do partido (Republicano), por ser um candidato considerado antissistema (apenas por querer substituir os intermediários da política por outros) e sobretudo por ser um Milionário que se atreveu a pisar terrenos que não os seus e que até para sua segurança lhe deviam estar vedados:

 

Ou não fosse a classe política norte-americana instalada desde o Estado mais pequeno até ao centro do poder que é Washington (aqueles que mantêm com os seus esquemas administrativos o Sistema Vivo e em funcionamento);

 

O instrumento fundamental de defesa e de sobrevivência de alguns (os poderosos e os milionários) contra a obsessão igualitária e impossível de se reproduzir de todos os outros ‒ não sendo como tal aceitável que os Nobres se queiram agora apropriar dos cargos distribuídos pelos seus Servos e pela restante e subserviente Plebe (obrigados a obedecer para poderem sobreviver), retirando a estes o seu espaço devido (direitos adquiridos);

 

O seu lugar designado na hierarquia social (e que permite que os subalternos mantenham respeito e obediência por toda a estrutura);

 

Mas sobretudo o seu local de exercício de poder e de atuação e o respetivo pagamento justo e de retribuição (num sistema de trocas e de contrapartidas não só monetárias) pelo seu trabalho imprescindível e insubstituível desempenhado.

 

Não sendo pois aceitável que o Patrão que não percebe nada do assunto e que deveria ser apenas uma figura estilo logotipo (ficar entre as suas riquezas deixando os seus funcionários em paz), queira agora só porque não sabe mais o que fazer ou por estar a atravessar uma crise identitária do tipo existencial;

 

Ocupar as funções de outros;

 

Esvaziar as justificações para os seus cargos;

 

E ainda-por-cima sem mais nada exigir (pondo em causa os seus empregos e diretamente os seus proventos) lançando meros palpites baseados na mais pura ignorância tão típica de todos os ricos (pelos vistos retratados politicamente como uns parasitas pela Nova Classe em Ascensão).

 

Quando desde a chegada ao poder dos filhos de muitos (burocratas ignorantes, inexperientes, mas certificados pelos seus pais ou tutores) os acionistas tomaram o controlo (financeiro da empresa) e os patrões aceitaram o Jogo (da Administração Estatal e Política).

 

Pelo que todos os apanhados pelos ricos (capatazes, chefes e como diria Alberto Pimenta os restantes FDP) e pelo Sonho Americano (ou Pesadelo) ‒ que faziam tudo o que eles queriam por um bom punhado de moedas (até lhes entregando os filhos/as e até as outras fêmeas /machos da sua árvore) ‒ têm mesmo que se habituar às mordomias dos ricos (e às suas maneiras de ser, de falar e até de comer/conviver):

 

“I was (Trump) sitting at the table. We (Jinping) had finished dinner. We are now having dessert. And we had the most beautiful piece of chocolate cake that you have ever seen. And President Xi was enjoying it.”

 

“Mr President (Trump falando para Jinping), let me explain something to you … we’ve just launched 59 missiles, heading to Iraq … heading toward Syria and I want you to know that.”

 

“I (Trump) didn’t want him to go home … and then they say (os chineses): You know the guy you just had dinner with (Trump) just attacked [Syria].”

 

(imagem: AFP)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 17:02

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