Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

08
Abr 16

“Talvez porque ainda não foram autorizados a executarem lobotomias.”

 

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Mais uma vez contando com a presença de Vladimir Putin

 

Como artista principal em mais uma batalha do Mundo Ocidental (dos excecionais) contra o Mundo Corrupto (dos outros os inimigos) – numa informação apenas revelada mais de um ano depois de ser conhecida e quando o âmbito da mesma não seria propriamente um único sujeito (individual ou coletivo) mas muitos mais – e sem que o seu nome apareça na lista (ao contrário do sucedido com o Rei da Arábia Saudita, com o Presidente da Ucrânia e até com o pai já falecido do 1.ºMinistro Britânico). Numa ação da ICIJ que só vem prejudicar ainda mais a opinião que o público tem em geral da comunicação social, neste caso particular da verdadeira função que deveria ser exercida por aqueles que se dizem jornalistas e que em vez de relatarem fatos ocorridos se atrevem em nosso nome (e segundo eles para nosso bem) a fazerem interpretações pessoais, sejamos claros em troca de benefícios pessoais (nem que seja o da sua sobrevivência – se não o fazem não recebem).

 

ICIJ

The Panama Papers

 

All Putin’s Men: Secret Records Reveal Money Network Tied to Russian Leader

Complex offshore financial deals channel money and power towards a network of people and companies linked to President Vladimir Putin

 

Quando o caso WIKILEAKS se espalhou por todos os órgãos de comunicação social a nível global (especialmente a partir do ano de 2010, com a divulgação de documentos confidenciais associados ao Governo dos EUA), todo o mundo assistiu aparentemente estupefato ao verdadeiro papel desempenhado pela maior potência mundial da atualidade, especialmente quando a mesma se reclama diariamente da sua Excecionalidade e de ser o exemplo económico e social a seguir. E mais uma vez as autoridades norte-americanas em vez de investigarem mais profundamente todas as suspeições levantadas nesses documentos então abertos (temos de assumir sempre que um potencial culpado enquanto não for julgado e condenado é presumivelmente inocente – desde que tenha dinheiro para utilizar esse esquema de contestação e negação), resolveram virar-se para o atrevido e desprotegido Mensageiro, incriminando-o pelo delito de informar e perseguindo-o implacavelmente (mesmo contra as indicações dos representantes da maioria dos países fazendo parte das Nações Unidas). Contando naturalmente com a colaboração dos seus aliados Europeus (e dos países apoiando o Bloco Ocidental como é o caso da Austrália) que pondo de lado a independência e a soberania dos povos que dizem representar e defender (e as suas leis e jurisdição), não se limitaram a ignorar os casos em que eram mencionados como tendo sido espiados e ofendidos, como também perseguiram os seus cidadãos por serem meros transmissores de informação (caso da Austrália na perseguição ao seu cidadão Julian Assange), mantendo-os ilegalmente presos e calados numa verdadeira prisão domiciliária (caso da Suécia e da Grã-Bretanha que em colaboração estratégica e em concordância com as pretensões dos EUA, mantem o dirigente da Wikileaks cercado na embaixada do Equador em Londres, há quase quatro anos). E se alguém ainda tinha dúvidas sobre tudo o que isto poderia significar para o futuro e sobre as consequências que tais divulgações de informações poderiam vir a ter para a estratégica geopolítica global por parte dos EUA, basta verificar como foi tratado o Mensageiro e de como os norte-americanos tem vindo a lidar com dois dos estados que desde logo apoiaram a ação de Julian Assange: o Brasil e a Federação Russa. Nunca esquecendo Edward Snowden, a NSA e os seus “Cinco Olhos”: os quatro países que com os EUA montaram um sistema de espionagem eletrónica mundial, pensando com isso obterem mais contrapartidas e partilha de poder (Canadá, Austrália, Grã-Bretanha e Nova Zelândia). Da parte dos EUA? Inocentes.

 

Entretanto com Julian Assange em prisão domiciliária (embaixada do Equador) e com Edward Snowden exilado (na Federação Russa) e com a cabeça a prémio (nos EUA), eis que os mesmos que desde sempre criticaram os processos e métodos utilizados pela Wikileaks (de tal modo que logo os condenaram, perseguiram e apelidaram de traidores) e sob a capa de uma pretensa organização independente de jornalistas de combate à corrupção (o que não deixa de ser verdade mas vinda obrigatoriamente de todos os lados principalmente dos seus criadores e promotores – aqueles que dispõem de capital) – vêm agora pedir-nos a nossa atenção para um modelo semelhante de atuação: agora com os EUA servindo-se de uma corporação de jornalistas (ICIJ) patrocinada por poderosos e influentes investidores privados (como o insuspeito milionário e testa de ferro George Soros), para criar o seu Wikileaks e assim promover internacionalmente o seu poder e ideologia excecionais (infelizmente reais e baseadas no poder dólar e na eficiência das impressoras norte-americanas) – como é o caso do Papeis do Panamá. Ao contrário do sucedido com o caso Wikileaks (em que todos as informações foram fornecidas, atingissem elas direta ou indiretamente quem quer que fosse – predadores, vítimas ou intermediários das mais diversas proveniências políticas), no caso dos Papeis do Panamá com um objetivo bem claro a atingir e bem expresso logo na primeira página da ICIJ (panamapapers.icij.org/20160403-putin-russia-offshore-network.html): Vladimir Putin e a Federação Russa, não por participação direta do seu presidente mas pela suspeita levantada pela presença na lista (da ICIJ) de amigos e conhecidos seus. E que eu saiba se vamos por aí então ninguém se salva – nem mesmo eu, que na minha insignificância não estou a par de tudo o que fazem todos os meus amigos e conhecidos. E com a China e os seus dirigentes já na calha para novas revelações. Num esquema e numa montagem no mínimo estranha e como tal de difícil digestão (principalmente para aquela esmagadora maioria de cidadãos que vêm sucessivamente os seus rendimentos do trabalho decrescerem e a dos responsáveis pela crise não pararem de crescer), em que mais uma vez os sempre presentes Bancos parecem não ter desempenhado nenhum papel importante em todo este processo degenerativo, apesar de serem o centro fulcral de toda esta estrutura e os seus principais dinamizadores. Como é o caso dos norte-americanos do CITI e dos ingleses do HSBC e das suas estreitas relações com os offshore pelos mesmos considerados legais – estejam eles no exterior ou mesmo no interior dos EUA. Isto porque convém nunca esquecer que estando os Estados Unidos da América na vanguarda e no centro de toda a atividade financeira mundial (legal, ilegal, lucrativa ou especulativa e liderada pelo Banco Mundial) tudo o que se passa nesse Mundo terá sempre e obrigatoriamente a sua assinatura, a sua patente e naturalmente a sua orientação: não sendo pois de admirar (exceto para aqueles que ainda acreditam no Pai Natal) que offshore legal e lucrativo só mesmo nos EUA:

 

“The offshore industry says the U.S. is now becoming one of the world’s largest “offshore” financial destinations. Contrary to popular belief, notorious tax havens such as the Cayman Islands, Jersey and the Bahamas were far less permissive in offering the researchers shell companies than states such as Nevada, Delaware, Montana, South Dakota, Wyoming and New York. Compared with other developed countries, and even traditional offshore destinations such as Switzerland and the British Virgin Islands, the U.S. now appears to be among the most lenient and secure destinations for the fortunes of the global rich.” (Ana Swanson – washingtonpost.com)

 

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EUA – O Maior Paraíso Fiscal do Mundo

 

Num esquema interessante como o confirma a imagem anterior e utilizando uma obra de arte como exemplo (Daron Taylor – washingtonpost.com):

 

  • A valuable painting might be located in Switzerland;
  • But owned by a anonymous company registered in Delaware;
  • Which is in turn owned by a trust in the British Virgin Islands;
  • Whose trustees are actually in the U.K.

 

E claro está com uns tipos mais pequeninos a decorarem e a comporem o ramalhete (até incluindo cidadãos portugueses) e a darem outra graça e credibilidade a mais este grande Manifesto Ocidental – ultimamente e invariavelmente com origem do outro lado do Atlântico.

 

Sabendo todos nós de antemão a situação perigosa, periclitante e sem soluções à vista com que o Mundo hoje se debate, desde o recrudescimento do terrorismo global e do aumento do número de vítimas mortais pelo mesmo provocado (em diferentes cenários de guerra, no Oriente e na Europa e sempre com os mesmos movimentos terroristas como protagonistas – a AL-QAEDA e o Estado Islâmico ambos financiados pela Arábia Saudita), até à crise económica e financeira que todo o mundo atravessa (e obviamente social provocando novos e graves conflitos) ainda recentemente mais agravada pela crise deliberada nos preços do petróleo. E a que pelos vistos só os EUA são imunes, por essa razão auto intitulando-se Excecionais.

 

(imagens: icij.org)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 20:31

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