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Pormenor numa duna de Marte

Segunda-feira, 01.02.16

Eu sei que sem sexo não há audiências. Mas será que já pensaram que uma formiga (certamente) ou até mesmo um calhau (em vias de resolução) têm pénis e vagina? Se têm dúvidas usem a mão (o maior instrumento do Homem a seguir ao outro membro – e ambos dando prazer) e mantenham a vossa ilusão.

 

Uma Formiga em Marte
(ou algo que se lhe pareça)

 

Imagem capturada pelo rover da sonda Curiosity na passada sexta-feira dia 29 de Janeiro: utilizando para o efeito uma das suas câmaras no caso a Navcam Right B. Nesse registo o veículo motorizado da NASA mostra-nos um cenário parcial das dunas marcianas, presentes no terreno onde o mesmo se movimenta atualmente – nas proximidades das dunas de Namib. Dunas essas distribuídas e integradas (por zonas) num território bastante mais vasto e partilhando esse mesmo espaço árido e desértico com outras estruturas geológicas bem diferenciadas das suas.

 

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Uma duna aparentemente de aspeto normal fotografada pela sonda Curiosity no seu 1237º dia de permanência na superfície de Marte (com o dia marciano a ser ligeiramente maior que o terrestre). E apenas nos despertando a atenção após uma simples observação (recorrendo unicamente a um dos nossos órgãos dos sentidos a visão) devido à presença inesperada do lado direito da imagem de uma pequena sombra ou imperfeição. À primeira vista (interpretação) parecendo um código de barras. Mas que ao ser ampliado e devido à nossa visão (a nossa forma de ver o mundo) já parecia outra coisa.

 

NRB_507313271EDR_S0521162NCAM00269M_b.JPG  NRB_507313271EDR_S0521162NCAM00269M_.JPG

 

Imaginando uma realidade distante (e por mais inverosímil que fosse), vendo diante dos meus olhos (de terrestre) e num mundo a mim estranho (alienígena), num ambiente infernal e sem sinal de movimento, um ser do lado de cá (meu conhecido) e irmão do dia-a-dia (quotidiano), circulando calmamente sobre uma duna do distante planeta Marte: a mais de 60 milhões de quilómetros e sendo uma formiga marciana.

 

E se por um lado o visionamento (ou projeção) de um objeto conhecido, num cenário impróprio por estranho (por não respeitar as condições que consideramos mínimas para garantir a sua existência), pode ser interpretado e justificado com a existência de uma ou mais deficiências na transmissão de informação estabelecida entre o remetente e o destinatário – com as armadilhas dos pormenores das imagens e a interpretação do seu tradutor visual a serem questionadas e postas todas em causa (seja por erros de visão ou interpretações condicionada à nossa imagem) – porque não acreditar nas exceções (como assim tudo, nada e o seu complemento fazem o nosso Universo) muitas vezes inovadoras, em muitos casos excecionais e sempre criadoras. Porque não uma formiga?

 

E se não, porque não acreditar que outra forma de vida qualquer, orgânica, mineral ou mesmo mista, racional ou irracional, inteligente ou não (só para nos reconfortarmos com a existência dessas possíveis e mais que certas exceções) possa existir algures (ter existido ou vir a sê-lo, mas em diferentes espaços) e um dia se expor?

 

Talvez um conjunto de pedrinhas dunares inteligentes e privilegiadas, caminhando em fila indiana sobre a sua geologia nativa e marciana. Demonstrando assim a todos (mesmo aos terrestres) que até os calhaus podem pensar. E inovar.

 

E se esta formiga não o for então será uma espécie (e talvez mesmo com sexo).

 

(imagens: NASA)

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publicado por Produções Anormais - Albufeira às 11:36


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