Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

21
Mar 14

Acaba de ser lançado mais um candidato à Presidência do Protectorado.

 

Preocupados com o avançar dos ponteiros do Relógio Governamental cujo término para as primeiras candidaturas está marcado para daqui a dois meses, Potências Estrangeiras preocupadas com a situação destes cidadãos decidiram não perder mais tempo com estudos e com pormenores, enviando desde já em direcção ao planeta Terra e a partir do Espaço Exterior o seu candidato Salvador.

 

Simbolicamente o Salvador foi lançado a partir das camadas superiores da atmosfera sem qualquer tipo de protecção ou mecanismo propulsor auxiliar, de modo a na sua descida a partir dos Céus até aos lugares mais profundos e escuros do Inferno poder proporcionar aos habitantes do Protectorado algumas visões do Purgatório – explicando-lhes duma forma simples e facilmente compreensível a sua missão de entrega e de sacrifício e a sua sujeição a uma exposição frontal e corajosa aos elementos exteriores agressivos e violentamente erosivos (sem qualquer tipo de protecção preservativa) – não como uma etapa necessária de culpa e de arrependimento, mas como um passo decisivo e frontal exclusivamente direccionado para o Paraíso.

 

O Salvador do Protectorado

 

Mal o facto ocorrido no pequeno Protectorado foi conhecido pelos principais órgãos de comunicação social dependentes (do poder), foram às centenas as estações de televisão nacionais e outras ligadas aos PALOP que compareceram no local, pretendendo imagens exclusivas do acontecimento e do novo e potencial herói cinematográfico.

 

Pela mesma altura era registada na capital do Protectorado e num dos mais prestigiados escritórios de advogados ligado ao poder e à elite agora ali instalada, uma nova empresa de recrutamento e condicionamento de indivíduos previamente articulados e obedientes, com o objectivo extraordinário e brilhante da criação dum novo sector revolucionário e futurista, agora com grandes perspectivas de desenvolvimento e de expansão no mercado financeiro, a Salvador e Associados.

 

Os candidatos articulados e controlados mentalmente como fantoches contaram-se aos milhares, sendo expressamente seleccionados entre os bastardos da elite – pois tratavam-se aqui de candidatos de desgaste rápido e necessários de ser descartados a qualquer momento – e imediatamente enviados para a frente de combate.

 

O problema surgido de seguida tornou no entanto tudo muito mais difícil e de impossível resolução: o Salvador esmagara-se ao atingir o solo e dele só restavam umas quantas peças espalhadas sobre a superfície e sem nenhuma utilidade visível.

 

O crânio era um buraco oco e a sua estrutura fazia lembrar um boneco.

 

E a proposta era um insulto: feita a demonstração, criada a empresa, seleccionados os escravos, só faltava mesmo aos candidatos vindos do poder e da sua elite, imitarem o boneco e assim escolherem a verdadeira imagem do traidor – que seria o sobrevivente e o Candidato Ideal.

 

“Que se foda” – disseram eles, apontando a Deus o dedo do meio.

 

(imagem – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 10:55

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