Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

17
Jan 14

(Contra-Ficheiros Secretos mas com Contornos Alienígenas) – 2/2

 

Esta história envolve velhinhas, porcos e seres não identificados, talvez anjos ou talvez demónios. Retrata a confusão que existe e persiste entre sonho e realidade e entre caos e ordem. Mas como os pares se complementam, estes fazem parte da mesma coisa e mesmo na maior confusão, se pode dar o início a algo ordenado.

 

A Letra Extra do Alfabeto

 

Se pensarmos num Universo percorrido por uma infinidade de correntes correlacionando o espaço e o movimento (nunca integrando aqui e directamente o tempo abstracto) e pensarmos na curvatura do mesmo, poderemos imaginar facilmente duas curvas formadas a partir da fractura do círculo perfeito inicial provocadas pela acção das forças criadas a partir do Big Bang e da esfera perfeita original – onde as forças equilibrando-se no seu estado neutro formavam a esfera perfeita – que abrindo-se ou fechando-se conforme as acções/reacções sofridas, possam a vir a fazer coincidir os seus ramos e criar assim um novo fluxo agora em circuito parcialmente fechado: essa nova junção de correntes poderia levar-nos à possibilidade de se poderem estabelecer no presente, contactos entre o passado e o futuro.

 

A porca Matilde corria como uma louca no interior do cercado, perseguindo sofregamente o gato preto do velho curandeiro – que subindo as árvores e saltando pelos muros a parecia querer desafiar – demonstrando desde logo e duma forma clara e exuberante, que já recuperara a sua boa condição física anterior: ultrapassada a emergência que trouxera a porca prenhe e doente ao curandeiro, restava-lhes despedirem-se e regressar a casa. A Tia Vitória já as aguardava há alguns minutos à entrada do portão – tendo já acondicionado no carrinho a porca e alguns alimentos e sementes que entretanto adquirira na mercearia da terra – quando a mula lá se resolveu começar a mexer, dando as primeiras indicações que estava pronta a arrancar e a começar a viagem de regresso.

 

Mas a história envolvendo o nobre da freguesia com pacto celebrado com o Diabo e registo de violação de menores – além da sua ligação com os bastardos pretensamente gerados pelas três senhoritas – não se podia ficar por esta bizarra explicação, envolvendo seres estranhos e misteriosos acompanhando eventos inexplicáveis, mas que não podiam pela sua incredibilidade e falta de demonstração justificar tudo e ilibar todos.

 

Elas tinham procurado alguma coisa de surpreendente que as fizesse distinguir da normalidade e apatia adoptada tranquilamente pelos seus semelhantes e no entanto fora um mero acaso da vida que lhes proporcionara um novo caminho a percorrer, oferecendo-lhes de mãos abertas o alargamento a novos limites do seu horizonte de vida e proporcionando-lhes o alcançar de percepções e sensações sempre presentes mas consideradas inalcançáveis: a vida baseia-se na crença em si próprio e na partilha das coisas, nunca na opinião que se tem de algo ou de qualquer coisa relacionada.

 

Em casa da Tia Vitória tudo voltara à normalidade: a porca acabara por parir e os bácoros não paravam de grunhir. Por outro lado a gravidez das três jovens ainda era mantida em segredo e até para as próprias chegava mesmo a ser tabu. Como poderiam estar prenhes se ainda eram virgens? E nessa noite ainda a raposa andara a rodear o lugar do galinheiro, pondo as galinhas em alvoroço e despertando a mais nova das senhoritas. Os futuros leitões também não paravam de gritar.

 

Ao fundo viam-se três luzes com tons coloridos e intermitentes deslocando-se de oeste para este a grande velocidade e que ao atingirem os pinhais do Aquilino pararam repentinamente, ficando por segundos a pairarem no ar sem se mexerem um centímetro. Subitamente as luzes apagaram-se e sob o manto escuro da noite, só se via a Lua e algumas estrelas. E estavam as três jovens a espreitar do interior da habitação com os animais ainda alvoroçados e aglomerados atrás delas, quando um raio atravessou e iluminou o céu parado e escuro, indo estourar violentamente bem em frente delas no meio do pátio do quintal: assente a poeira e restabelecido o equilíbrio visual provocado pelo violentíssimo choque (escuro/claro/escuro), as três jovens puderam divisar no meio da penumbra um veículo semelhante ao que tinham visitado tempos antes e com três seres a deslocarem-se para o seu exterior e dirigindo-se imediatamente para elas.

 

O Símbolo Transcendental

 

Enquanto dois dos elementos ali presentes foram desde logo reconhecidos – com o jovem e esbelto homem, a ser o objecto responsável pela identificação imediata – tornara-se por outro lado demasiado evidente com a dissipação da poeira levantada pela chegada dos visitantes e com sua rápida aproximação, que o terceiro elemento que seguia entre o casal não era um ser humano nem algo que se assemelhasse: tinha a forma dum corpo humano, era constituído por componentes semelhantes – similares à cabeça, tronco e membros – e comportava-se em atitudes e movimentos como se fosse mais um deles, imitando-os, seguindo-os e enquadrando-se quase duma forma natural no cenário que os envolvia. Só que o seu conjunto brilhava sob os efeitos da luz artificial e a sua cabeça não era de certeza humana: com os dois hemisférios cranianos completamente simétricos e apresentando uma perfeição de detalhe absoluta, o aspecto global de distribuição facial externa dos seus órgãos dos sentidos, era incompatível com todas as formas e estruturas até hoje atribuídas aos seres humanos. E o mais curioso era que sobre a parte intermédia do seu corpo – onde no homem se situaria o tórax – apresentava um símbolo bem saliente e visível: a letra “π”.

 

Esta letra extra deste alfabeto estrangeiro para elas simplesmente estranha e desconhecida, tinha sido popularizada na Terra no século XVIII pelo matemático suíço Leonhard Euler. Adoptada inicialmente a partir da palavra grega associada ao termo perímetro, esta letra acabou por descobrir a sua exacta correspondência numérica, associando-se a um número também ele único e estranho e representado matematicamente através de uma dízima infinita não periódica – um caso muito particular de número irracional. Belo mesmo numa expressão limitada:

 

3,14159 26535 89793 23846 26433 83279 50288 41971 69399 37510 58209 74944 59230 78164 06286 20899 86280 34825 34211 70679 82148 08651 32823 06647 09384 46095 50582 23172 53594 08128 48111 74502 84102 70193 85211 05559 64462 29489 54930 38196 44288 10975 .......

 

No entanto se este símbolo era aqui transformado numa mera expressão numérica, no nosso caso esse símbolo não se limitava à sua particular irracionalidade, estendendo a sua influência universal a um nível de compreensão superior e a um estado de transcendência espiritual: se era impossível resolver o problema da quadratura do círculo – já que nunca se poderia obter um quadrado com área igual à de um círculo – no caso destes estrangeiros π tinha um significado muito mais extenso, podendo no infinito significar apenas a união do tempo e o aparecimento de mundos paralelos. Bastava pensar um pouco em pares infinitos de linhas curvas regulares (LCR) – criadas pela ruptura dos círculos sob a acção de forças externas gravitacionais, abrindo-se posteriormente no espaço devido à contínua expansão do Universo – e pensar que cada um desses ramos representaria num caso o passado e no outro caso o futuro: se fossemos capazes de unir estas LCR fazendo os seus ramos corresponderem exactamente em pontos perfeitos e curvos de ligação, talvez pudéssemos criar uma corrente entre estes dois ramos, constituindo agora um circuito fechado e assim visitar pontos determinados no tempo passado ou futuro; outras interacções entre outros dois pares de LCR poderiam mesmo transportar-nos para outros mundos paralelos, reais ou virtuais e provavelmente todos simulados – com excepção do mundo existente à contagem Zero.

 

Objecto Voador Não Identificado

 

Subiram as três para o veículo estacionado no interior do terreno da Tia Vitória, acomodando-se confortavelmente nos lugares situados mais próximos duma das janela de observação, a qual lhes permitiria usufruir dum amplo campo de visão e apreciar o que estava do lado de fora do veículo. Elevaram-se rapidamente nos céus e arrancaram em direcção a sudoeste: a proposta era fazerem um pequeno passeio em direcção à costa para lhes mostrarem o oceano que até hoje nunca tinham visto mas apenas ouvido falar, aproveitando a ocasião para lhes falarem dum pequeno mas importante pormenor, findo o qual e se elas ainda estivessem de acordo lhes prometiam uma surpresa que certamente não iriam recusar. Estariam de regresso a casa ainda antes da hora do almoço e certamente se arranjaria alguma desculpa credível e que a Tia delas não teria razões para não aceitar.

 

Foi logo no início desta viagem turística e aproveitando o prazer e a calma com que as três jovens usufruíam desta oportunidade única e impensável – de poderem ver em toda a sua amplitude e beleza a paisagem que lhes era oferecida sob os seus pés – que os três seres se lhes dirigiram delicadamente, solicitando-lhes por momentos um pouco da sua atenção: queriam arrumar logo o caso envolvendo o “pormenor” de que lhes tinham falado antes do início do passeio, mas descansando-as desde já sobre as causas e consequências deste dito pormenor, que segundo o que afirmavam não deixaria nenhum vestígio nelas, tal e qual como se nunca tivesse acontecido. Aliás nem mesmo elas se tinham apercebido disso não fossem eles lhes terem comunicado previamente o acontecido, situação de que se arrependiam solenemente mas que em circunstâncias idênticas para eles era um procedimento normal. A sua impregnação não era irreversível, tendo-se apenas que sujeitar cada uma delas a um tratamento directo e na hora de recolha e neutralização: duas aplicações e tudo voltaria ao normal. Recolhida a amostra e revertido o processo de impregnação, o plano inicial dos visitantes seria integralmente cumprido e quanto às três jovens arranjariam maneira de no fim deste episódio transitório lhes retocarem um pouco as recordações deste episódio – certamente significativo nas suas vidas – de modo a na sua memória se misturarem factos reais com percepções fictícias e desse modo estas não serem capazes de recriar cenários compatíveis de aceitação pela comunidade, seguindo os modelos básicos morais e sociais adoptados pelos humanos. Ainda um pouco confusas as três jovens ainda se riram da situação provavelmente por eles inventada – o que até era bom não ser verdade, não fosse o Diabo e as beatas tecê-la – e acharam que tinham estado sempre a brincar com elas: mais uma brincadeira agora com médicos e doentes até que as divertia ainda mais e tornava aquele passeio maravilhoso.

 

Ao passarem junto da mata do Buçaco o veículo aproximou-se momentaneamente do solo e aí as três jovens ficaram maravilhadas com a presença no meio das árvores e do verde da vegetação local de grandes e bonitas moradias edificadas sobre as elevações do terreno que até pareciam palácios e que no seu conjunto pareciam criar uma terra como a dos duendes ou como aquelas que apareciam nos conto de fadas. E então quando viram o verdadeiro Palácio do Buçaco com os seus esplendorosos jardins e lagos cheios de animais emplumados ficaram extasiadas com o espectáculo, deixando-se levar pelo mesmo, mesmo não acreditando no que viam. Ficaram sobressaltadas quando o veículo deu aquilo que parecia ser um pequeno salto (ou queda) e no exterior tudo o que viam se alterou repentinamente: o aspecto geral da paisagem parecia assemelhar-se pelo menos na sua topografia e geologia ao que tinham estado a observar anteriormente, só que agora aquilo que o compunha e preenchia não era o mesmo. O que viam agora ao longe era uma paisagem já mais despida e polvilhada de casas, com uns carrinhos estranhos e sem animal de carga que os puxasse a circularem – movimentando-se ordenadamente em caminhos de cor escura – e com um conjunto de árvores já bastante envelhecidas espalhadas por certas parcelas de terreno, mas muito mais concentradas perto delas e junto à mata. E então viram o pobre do leitão perdido junto do que provavelmente seria o corpo da sua mãe, que não se mexia parecendo estar morta. Ao longe um grupo de pessoas armadas caminhavam na direcção destes dois porcos, o que deixou as jovens em alvoroço pelo perigo que o leitão estaria agora a correr, gritando que os salvassem pois de certeza seriam caçadores que o iriam matar. Vendo-as em sofrimento pelo animal os três seres só tiveram mesmo que o recolher.

 

A porca já estava morta. Mas o leitão parecia gozar de saúde e estar contente com as suas três novas companheiras: eram novinhas, brincalhonas, quentinhas e só o tratavam bem. No entanto era um porco e urinava e defecava onde lhe desse na cabeça e isso não podia acontecer e continuar. Um pouco contrariadas e após um novo salto que as recolocou no espaço e no tempo certo, largaram então o leitão numa ampla quinta localizada não muito longe do local onde o tinham recolhido, mais especificamente na Bairrada, com a certeza de que seria bem tratado pelos outros porcos e porcas que por ali andavam a comer e a passear: pelo menos as porcas pareciam não o largar, sempre agitadas e com o seu rabo mexendo-se sem parar como se estivesse a rodopiar de puro prazer e com o leitão não se fazendo rogado a meter-se no meio delas, saltando excitado como uma criança do lombo de uma para o lombo de outra. Para ele a Bairrada representava o seu futuro.

 

Buraco Negro

 

Dirigiram-se então numa viagem incrível e fascinante através do espaço e do Sistema Solar, em direcção ao centro da nossa galáxia a Via Láctea. Puderam olhar através da imensidão profunda e sem fim do Universo, percepcionando de perto e directamente todos os planetas exteriores à Terra, com os gigantes gasosos sobretudo o grandioso planeta Júpiter a imporem toda a sua beleza, no seu caso complementada pela maravilha visual que eram os seus numerosos e concêntricos anéis, que pareciam proteger, conter e mesmo esconder todo seu extremo poder; não deixando para trás a visão e a recordação do início desta viagem, com a cintura de asteróides a surgir diante delas como se fosse uma porta de entrada e protecção para o seu planeta. Saíram pouco tempo depois do Sistema Solar dirigindo-se para o Buraco Negro que os esperava no seu centro: a parte significativa da aventura começaria verdadeiramente aí e depois as três jovens só teriam que interiorizar e assimilar a sua experiência, já que as suas memórias mesmo que modificadas – mas mantidas de base – fariam o resto.

 

Ao chegarem à fronteira da região de segurança que envolvia o buraco negro, a movimentação em torno do painel de comandos da nave intensificou-se, com o terceiro elemento humanóide a solicitar a presença dos outros dois seres e iniciando com eles um diálogo que envolvia escolha de coordenadas de entrada e trajecto a seguir já no interior do túnel espácio-temporal: tornava-se fundamental determinar os diversos pontos de intersecção dos planos que tinham acompanhado a formação da curvatura que dera origem na geografia dos espaços àquele buraco negro e a partir da sua localização calcular os focos principais da nova curvatura que definia os limites desse corpo fora do comum – que estabeleceria uma ligação entre outros espaços associados a uma diversidade dos multiversos. Detectado um dos focos principais da curvatura deste corpo celeste, os tripulantes teriam apenas que introduzir as coordenadas exactas de penetração no espaço correspondente e escolher em conformidade com os túneis de comunicação disponíveis, o exacto momento e espaço pretendido. Se tal não fosse possível, teriam que o executar utilizando um sistema redundante de aproximação progressiva. Mas tal acção suplementar não foi necessária, dada a relativa proximidade do objecto de estudo cronológico: afinal de contas a Terra pertencia à mesma galáxia do buraco negro. E poucas ou nenhumas palavras do seu alfabeto indígena, serviram para as três jovens poderem descrever em toda a sua extensão e compreensão, o espectáculo indescritível – senão mesmo incompreensível – que aí presenciaram: inseridas num imenso caudal de dados que iam circulando inicialmente ao sabor da corrente e duma forma pretensamente caótica, elas transformaram-se por espaços em observadores extremamente privilegiados, sendo-lhes possibilitado o acesso ilimitado a determinados (e previamente referenciados) pontos do seu espaço-tempo, anteriormente distribuídos duma forma caótica mas agora geometricamente organizados (e suportados por realidades similares existentes em mundos paralelos de substituição, criados como backup e por simulação). E foi como se planassem virtuosamente a partir do Céu sob a forma dum espírito puro e aberto como o de Nossa Senhora, que as três jovens se sentiram como se tivessem sempre feito parte, daquele monstruoso e fascinante cenário: como se fizessem parte dum sonho real e partilhado, viram desenrolar diante delas uma trajectória aleatória mas provável de vida, onde num território imenso, profundo e em constante transformação, as suas simples mas necessárias vidas (para o conjunto geral) iriam decorrer: a visão do percurso de vida das três senhoritas, a regressão à sua juventude proporcionado por este Evento, os porcos, o leitão, o sardão e até o fenómeno religioso projectado para Fátima com a aparição aos três pastorinhos e com o Milagre do Sol, ficaram para todo o sempre nelas marcadas, senão no seu arquivo de memória pelo menos e muito mais profundamente nas suas almas protegidas e replicadas por toda a eternidade.

 

As três senhoritas tinham partido da recordação da história do irrequieto leitão, para de memória em memória recuperarem antigos episódios da sua irrepetível vida passada e que na sua essência e aplicação, aproximavam por semelhança as histórias umas das outras: é que todos os trajectos se intersectavam em pontos específicos, tendo as personagens envolvidas logicamente algo de comum. Lembrando-se das patifarias inocentes do pobre mas destemido leitão, não puderam as três senhoritas de deixar de sorrir das peripécias sexuais deste ser em pleno auge do seu desenvolvimento corporal, das suas experiências individuais, colectivas e até mesmo irresponsáveis, mas também e sobretudo sorrindo interiormente por poderem por mais uma vez reflectir em conjunto e sem pressão, sobre todas as desventuras que este processo que deveria ter sido tão comum e normal acabara por acarretar. A vida delas era tão semelhante e o leitão tão parecido...

 

Levantaram-se lentamente dos degraus da escada onde tinham estado sentadas, deram mais uma olhadela em redor perscrutando algum sinal que se pudesse destacar na paisagem e sem mais demoras, subiram até ao terraço, sacudiram as suas saias e entraram no interior da habitação: uma pequena aragem vinda de este começava já a incomodar. Já depois da conclusão do jantar e com todos os seus tarecos arrumados nos seus respectivos lugares, confortavelmente instaladas nos seus sofás enquanto bebiam um grogue de aguardente bem quentinho e açucarado, as três senhoritas pegaram no Livro, viraram-se para a lareira e mergulharam no outro lado: o Livro fora uma oferta dos seres do outro mundo.

 

Ascendentes/Descendentes

 

Todos nós de uma forma ou de outra temos ascendentes e/ou descendentes. Este caso integrava-se numa história que não se podendo afirmar não ser real, implicaria desde logo a confirmação da frase anterior. O mesmo de facto aconteceu com as três senhoritas que subjugadas pelo constante e brutal fluxo de informação neutral com que foram bombardeadas pelos seres alienígenas, acreditaram linearmente e assumindo totalmente a sua fé (mesmo que transitória) em tudo o que viram e ouviram, não se apercebendo que as contradições podem por vezes fazer parte da mesma realidade: impregnadas, não grávidas, mas efectivamente reproduzidas.

 

A escolha da localização da base subterrânea tinha recaído numa zona muito próxima da Torre, bem lá no cimo da Serra da Estrela: construída já no decorrer do século passado, continuava a desempenhar a sua função inicial de observação e de registo, pertencendo aos arquivos VL-T/eu.pi particularmente direccionados para esta península europeia e englobando a Espanha e Portugal. O grupo que a ocupava era constituído apenas por dois elementos do sexo feminino trabalhando em conjunto e com ligações directas entre si e com a vida indígena do próprio planeta. Além da elaboração do arquivo local e da sua partilha com outros postos do mesmo sector e nível – trabalho para o qual despendiam a grande totalidade do seu tempo de trabalho disponível – a outra função atribuída aos dois elementos era destinada à elaboração e simulação de situações reais, face à evolução dos cenários e às perspectivas futuras de desenvolvimento integrado dos parâmetros espaço (real) / tempo (virtual). Experiências de simulações em situações reais mesmo que delimitadas no espaço eram no entanto expressamente não autorizadas. Talvez só utilizando hologramas, o que poderia vir a confundir ainda mais as personagens, neste cenário cada vez mais precário e decadente.

 

Nos Estados Unidos da América estreava-se entretanto um novo filme de acção e de aventuras – a grande metragem “Implosão” já um caso de sucesso e com bilheteiras previamente esgotadas – distribuído pela poderosa rede de telecomunicações e de media SkyNet, assente numa sucessão de hologramas baseados em histórias verídicas transportadas e adaptadas a partir de factos passados na vida real, numa miscelânea caótica mas curiosamente ordenada de episódios dispersos mas interligados e no entanto representados por seres cibernéticos integralmente digitalizados.

 

(imagens – retiradas da Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:28

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