Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

21
Set 13

Ficheiros Secretos Pós-a/341

(a/Apocalípticos)


Instalações Subterrâneas

 

Dia 26 – 08h 00mn

As instalações a que chegáramos há poucos minutos atrás tinham começado a ser abandonadas há já muitos anos, por falta de fundos financeiros para a manutenção satisfatória do seu funcionamento e concretização dos seus objectivos, face às novas orientações mediáticas em torno do sonho americano e da conquista da Lua que, no topo da explosão e ingenuidade investidora capitalista invadiu o Mundo e a América, elevando as esperanças da humanidade ao seu pico máximo num ciclo provavelmente irrepetível. A ampla sala dava acesso a um elevador com diversos níveis bloqueados, permitindo unicamente a entrada numa pequena sala envidraçada situada no piso superior, que ia dar através dum túnel aéreo a uma outra ampla sala carregada de equipamentos, computadores e outros elementos electrónicos e informáticos. Sabendo o que fazia o quarto elemento dirigiu-se ao quadro eléctrico ali instalado ligando-o à rede eléctrica e fazendo com que todo o sistema arrancasse e toda a área se iluminasse: encontrávamo-nos no interior duma gruta parcialmente natural onde toda a área disponível tinha sido aproveitada e alargada em profundidade por vários pisos inferiores. A planta desta estação demonstrava que ela estivera anteriormente ligada por canais subterrâneos a diversas cavidades interiores existentes na zona e que estes canais contornavam a Serra de Monchique em diversos locais – alguns deles terminando numa parede de material de origem vulcânica – acabando muitos deles por ir dar ao mar e finalizando em belas grutas marinhas que deliciavam os turistas nos seus cruzeiros pela costa. Mas o tempo escasseava para se perder tempo com memórias e recordações. Enquanto o Daniel e o David arrancavam com os seus equipamentos e se preparavam para as suas comunicações, consultas e ultimas actualizações, eu e o João ficamos de verificar por uma questão de segurança o resto da estação e os geradores de emergência; de seguida voltaríamos para acompanharmos as tarefas por eles realizadas e dar-lhes todo o apoio que achassem necessário. As últimas informações chegavam directamente do CTC e mais uma vez incidiam sobre o registo de importantes movimentações geológicos no interior da crosta terrestre e nas proximidades da Península Ibérica, provocadas indirectamente pela erupção de Cumbre Vieja e pelo tsunami que se lhe seguiu: ninguém tinha notado há horas atrás que os sismógrafos tinham detectado um grande sismo com epicentro no mar bem a sudoeste da ponta de Sagres, facto esse que – como veríamos mais tarde – em muito tinha contribuído para evitar uma maior catástrofe no sul de Portugal, contrabalanço o poder destruidor da onda que avançara em direcção à costa algarvia com uma contra-força submarina provocada pela maciça deslocação de tonelada de areia, rochas e outro material. Segundo dados obtidos pelo David numa consulta rápida efectuada aos arquivos abertos de associadas da NASA, surpreendentemente disponíveis online – toda a rede Web norte-americana caíra por breves minutos e muitas agências falavam dum golpe de estado nas telecomunicações, enquanto que o Presidente continuava desaparecido – o fenómeno vulcânico registado nas Canárias associado ao forte sismo detectado nas imediações da região – e que se estendera pelo Mediterrâneo – tinha agora por um lado a companhia dalguns vulcões de novo activos situados no norte de África, mas sobretudo o aumento significativo e extremamente preocupante dos níveis dos registos sismológicos vindos da fractura tectónica situada ao largo da costa sudoeste de Portugal e de Espanha: isso poderia significar no futuro a união de dois continentes – a Europa e a América – e o desaparecimento do oceano Atlântico e num presente não muito distante e que poderia já estar a acontecer, num incremento significativo da actividade tectónica na zona, originando uma crescente instabilidade sísmica e propiciando grandes sismos e fenómenos de origem vulcânica. O terramoto de 1755 tinha sido apenas um dos primeiros sinais do que aí vinha e até a sua magnitude – 8/9 na escala de Richter – tinha sido um prenúncio desse futuro previsível e agora concretizado: os cálculos recebidos há segundos indicavam, ainda que por confirmar e a partir de dados sísmicos recolhidos por satélite pela Agência Espacial Europeia (ESA), que uma violenta deslocação de placas tectónicas estaria a iniciar-se abrangendo toda a região do Mediterrâneo, de tal forma intensa que poderia num caso de extrema gravidade alterar parcialmente a face deste mar e das suas duas margens. Nem queríamos acreditar que depois de tanta coisa má, ainda viesse outra a caminho. No entanto o Daniel lembrou em boa altura as ligações profundas entre a ESA, a NASA e outras instituições privadas norte-americanas, o que poderia significar mais uma das peças soltas da Grande Fraude Mundial montada em torno deste cataclismo desejado e anunciado. Ainda activo e online o IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) continuava a fornecer leituras dentro dos parâmetros normais e quanto às movimentações na periferia da nova fractura descoberta ao largo da Península Ibérica, não conseguira descobrir absolutamente nada que confirmasse as afirmações anteriores.


Marrocos – Grutas de Hércules

 

Foi nessa altura que me lembrei da história que um dia ouvira da boca de uma simpática velhota com mais de noventa anos de idade, vivendo na província espanhola da Andaluzia nas vizinhanças de Busquístar – bem no interior da região montanhosa da Alpujarra – sobre o tempo há muitos e muitos anos atrás, em que a Espanha estivera ligada à terra dos mouros através de vastas planícies e vales férteis e verdejantes, onde a felicidade imperava e não havia direito à guerra:

- Há muitos e muitos anos atrás o local onde hoje se encontra o mar Mediterrâneo não existia. No seu lugar existia sim um território habitado por um povo evoluído e organizado, que se dedicava à exploração das terras férteis e verdejantes que a Natureza lhes tinha proporcionado, aproveitando ainda todo o conhecimento científico que ia adquirindo ao longo da sua vida de trabalho e de pesquisa e aplicando-o em técnicas inovadoras e produtivas, importantes para a evolução tranquila e sustentável de toda a população habitando este paraíso agora extinto. Todo o Mediterrâneo era habitado por este povo inteligente, saudável e solidário, organizado numa sociedade que tinha como lema básico e fundamental “o aprofundamento e partilha total da vida realizada maioritariamente em conjunto – nunca esquecendo os espaços individuais de reflexão e de estudo, desde que integrasse o respeito pelos outros seres vivos e até pelas coisas – e a procura incessante de novos caminhos alternativos que os pudessem levar a outros estados superiores de conhecimento e vivência e daí partirem para a conquista da perfeição”, a qual se atingiria quando o Homem fosse um todo e não apenas uma parte. No entanto e como em muitos outros exemplos históricos passados noutros tempos e locais, este período teve o seu início e infelizmente o seu fim: uma grande alteração geológica iria afectar profundamente toda esta região situada no hemisfério norte, verificando-se grandes movimentações nas fracturas tectónicas activas por essa altura, que originariam posteriormente o aparecimento de sucessivos fenómenos sísmicos e o renascer ou reactivar de fenómenos locais de vulcanismo – na altura o Atlântico estava isolado desta zona fértil e habitada, já que o relevo superior da zona compreendida entre o rochedo de Gibraltar e território árabe do norte o impedia. O que sucedeu a seguir é fácil de explicar e de entender: toda aquela região começou progressivamente a afundar-se sobre si própria, fracturando-se em diversas zonas devido à forte actividade sísmica que se sentia, obrigando ainda toda a população local a fugir e a tentar refugiar-se em sectores próximos mas mais elevados; mas todo aquele processo já em curso de transformação da crosta terrestre era irreversível, acabando finalmente por afectar a estabilidade de toda a zona que servia de tampão com o oceano Atlântico, que terminou no seu afundamento e desmoronamento e na invasão das águas vindas do Atlântico, alagando toda esta zona e obrigando toda a sua população a fugir em pânico para as suas margens protectoras, fossem elas a norte ou a sul. E era aí que a velhota recomeçava de novo a sonhar e a contar mais pormenores fantásticos e credíveis de mais esta aventura do Homem, afirmando que ali se teria situado a lendária Atlântida agora submersa pela acção violenta do Fogo e da Água, apresentando mesmo provas das suas afirmações não pensasse eu que ela era maluquinha e só estaria a inventar ou a delirar: que fossem ver as ruínas romanas de Volubilis no norte de Marrocos (arredores de Moulay Idriss) que mostravam nos seus azulejos decorativos expressivos desenhos de animais e de vegetação agora extintos e ainda existentes nos tempos da ocupação romana (mesmo que parcialmente e apenas na memória destes), que visitassem a maravilha que era todo o conjunto de Alhambra (nos arredores de Granada) situada no sul de Espanha com todos os seus segredos e mistérios e muito mais coisas escondidas debaixo de alicerces e construções soterradas ao longo de épocas sucessivas de invasões, conquistas e reconquistas e que se perdiam ao longo do tempo e já agora que fossem ver ao vivo as grutas onde Hércules terá procurado refúgio e às vezes pernoitado, nas suas grandes aventuras tantas vezes contadas pelos nossos antepassados durante a nossa infância – Grutas de Hércules situadas na costa Atlântica a sul do Cabo Spartel.


O Mundo Perdido

 

Dia 26 – 09h 00mn

Surpreendentemente o site governamental norte-americano FEMA – cuja presença online nas últimas horas se tinha mostrado irregular, na sua intermitência presencial – estava de novo activo, mas ainda com escassas informações ou actualizações. O único caso curioso aparecia logo na página de entrada do site – já que todos os restantes links continuavam inacessíveis, excepto alguns ficheiros de arquivo – com a apresentação de um estranho cronómetro (de novo!) em contagem decrescente, associado a um qualquer tipo de Evento não especificado mas provavelmente de grandes dimensões e que pelo nível de alerta difundido poderia ser global – e ao qual os técnicos atribuíam o nome de código identificativo ELE/2013/X: marcava neste preciso momento 05h 41mn 38s. Ao centro da página eram mencionadas algumas declarações de Governadores norte-americanos declarando o Estado de Emergência no seu estado, solicitando a intervenção imediata dos especialistas e técnicos no terreno da FEMA, para a tomada de todas as acções que achassem necessárias para evitar ao máximo as perdas em vidas e materiais causadas pela catástrofe prevista e cada vez mais próxima de ocorrer, sem se notar no entanto em qualquer uma dessas declarações a autorização e assinatura necessária e imprescindível do Presidente dos EUA de modo a dar seguimento legal a todo o processo. Era mais uma suspeita de que algo de muito profundo e significativo se passava na estrutura de comando civil e militar norte-americano, fazendo lembrar um pouco o ambiente vivido em torno dos acontecimentos relacionados com os atentados de 09/11 nos EUA, em que até o Presidente na altura em exercício foi “raptado” pelos militares e levado para um local “seguro”. Sentados numa confortável cadeira giratória, cada um de nós em frente do seu terminal informático ligado à rede da internet, decidimos dar então uma pequena volta pelo mundo da Web ainda “vivo” e tentarmos verificar o que se passava à nossa volta o mais realisticamente que pudéssemos. O caos estava instalado em maior ou menor grau um pouco por todo o lado e se no continente americano a generalidade dos países tivesse ficado paralisado face às notícias aterradoras vindas dos EUA anunciando praticamente o fim do mundo, no continente asiático a situação criada por este deliberado massacre comunicativo ajudado ainda por alguns fenómenos para já muito localizados era muito mais explosiva, colocando em alerta toda a imensa região face às ameaças transmitidas pela Coreia do Norte e pelo Paquistão aos seus vizinhos e inimigos: a própria China ameaçava os EUA de retaliação na altura própria e com instrumentos próprios, se a campanha lançada pelos norte-americanos continuasse daquela maneira ignóbil e provocadora de genocídio, equiparando todas as acções e intenções tóxicas aplicadas a toda a rede de comunicação mundial, como um acto de guerra. No mesmo momento a Nova Zelândia respirava novamente de alívio, enquanto as notícias que vinham de África eram muito reduzidas referindo-se maioritariamente ao regresso à actividade dalguns vulcões no norte e no centro do continente. Quanto à Europa continuava duma forma empenhada (como sempre!) a avaliar a situação que ela e o mundo viviam no momento, incapaz de se pronunciar (mais uma vez!) sobre a atitude provocatória assumida pelos EUA, até pelas questões perigosas e de consequências dramáticas que essa atitude anormal poderia levantar: nem a revolta da China e logicamente a situação na sua vizinha Coreia do Norte, nem a posição da Rússia – indignada com as novidades que vinham do Sistema da Reserva Federal Norte-Americana e que relatavam a tomada de controlo de todas as reservas dos bancos privados associados (com depósitos em esmagadora maioria vindas de outros países como a China, Arábia Saudita e até com a Rússia incluída), sob o falso pretexto de reforço da segurança – eram capazes de a demover da sua atitude de esquizofrenia suicida e de assim pactuar por ausência estratégica, com a institucionalização do genocídio. É claro que ficamos todos muito abatidos com o panorama geral que nos era apresentado e com a ineficiência da generalidade das estruturas de intervenção europeias que conhecíamos, que deviam existir prioritariamente para intervirem decisivamente nestes casos urgentes e dramáticos – e que agora se faziam sentir numa das suas zonas, neste caso o sul de Portugal. Então o João começou a ter algumas convulsões que logo nos assustaram e puseram de alerta para a possível necessidade de o termos de socorrer: mas o caso é que essas convulsões ou tremuras terminaram mal tinham começado, acabando todos por ficar espantados e de boca aberta a olhar para o João, enquanto o seu corpo parecia estar agora rodeado duma leve auréola luminosa e os seus olhos como que cobertos por lentes de contacto, coloridas e cintilantes.


João o robot humanóide

 

Dia 26 – 10h 00mn

O João era um robot humanóide. Acabadas as inesperadas convulsões que tinham percorrido todo o seu corpo da cabeça aos pés, o nosso companheiro erguera-se da cadeira giratória onde estivera todo este tempo sentado e durante uns quantos segundos pareceu imobilizar-se e redireccionar-se, como se estivesse a concentrar-se num novo pensamento e respectiva reflexão que infelizmente desconhecíamos. Em memos de um minuto estava a virar a sua cara para nós, sorrindo abertamente na nossa direcção com uma expressão denotando um misto de amizade e de ingenuidade, mas que nos tranquilizou de imediato como que por artes dalgum mágico ou feiticeiro: segundo as suas afirmações ele seria um humanóide de classe superior ali colocado há cerca de um ano para fazer o acompanhamento directo da última translação da Terra em volta do Sol, de modo a verificar e confirmar ao vivo a ocorrência do cenário tyi879, que segundo alguns operadores altamente colocados e credíveis responsáveis por este sector do Universo, poderia ter as suas fontes contaminadas pela presença indevida e não autorizada de oficiais oriundos da Máquina Preservativa. Segundo ele há alguns anos atrás um vírus poderoso fora introduzido irregularmente na Rede UCP com o objectivo de perturbar as comunicações directas com certas estações espaciais situadas em pontos extremos e muito distantes do Universo. Essas estações seriam dirigidas por um conjunto de máquinas especializadas e controladas superiormente por um colégio restrito de ex-oficiais replicados pela Cybernetics e especializados especificamente em código máquina e em ambientes de pleno automatismo e controlo. No entanto as réplicas tinham acabado por revelar um gravíssimo defeito associado e escondido na diminuta placa de junção do bioprocessador h/m7.1, que possibilitara o aparecimento de uma abertura não protegida a outras zonas relevantes do cérebro e que como consequência poderiam provocar alterações não previstas e sem autonomia lógica e racional, nos oficiais ao comando da Máquina Preservativa. E com a infecção em curso alguns oficiais decidiram autónoma e unilateralmente tomar em mãos próprias a execução da sua função, extravasando desde logo a sua autoridade e desrespeitando as ordens dos seus superiores, ao abandonarem como criminosos o seu posto de comando, indo exercer actividades para que não tinham sido designados nem tinham qualquer tipo de qualificação – e ainda por cima intervindo directamente com a sua presença, no desenrolar dos acontecimentos para os quais deveria ser neutro. Era inqualificável o que acontecera, mas também o eram aqueles que com a sua acção pretendiam interferir no processo. O vírus sobre o qual o João (ou o nosso companheiro humanóide) não se quisera alongar muito, pudera ter tido origem num ponto muito distante situado nas vizinhanças dos limites conhecidos do nosso Universo, que chegara até nós através dum percalço numa utilização irregular de um buraco de verme. Mas o que acontecera a seguir é que levara ao despoletar de todo este grande drama e confusão, proporcionando aos piores indivíduos e sociedades nascidas neste planeta o poder das suas ambições: o poder de violar, roubar e destruir a seu belo prazer e sem limites, a sua própria mãe.

 

Fim da 5.ª parte de 8

 

(imagens – retiradas da Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:58

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