Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

17
Fev 15

Esta é a historiazinha de um simpático cavalo-marinho que um dia quando se passeava tranquilamente pelo leito do seu familiar leito oceânico, repentinamente e sem qualquer tipo de aviso se viu confrontado com uma maciça invasão alienígena de caranguejos.

 

O que os cavalos-marinhos querem é andar a divertir-se em águas quentinhas e disfarçados de peixes, enquanto vão gozando os compadres que passam, mudando de cor e trocando-lhe os olhos. Apesar de frágeis e pequeninos, são mesmo muito espertinhos.

 

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O cavalo-marinho australiano foi apanhado completamente de surpresa com a chegada deste verdadeiro exército invasor, no preciso momento em que se encontrava em sua casa localizada na costa de Melbourne: ainda hoje não compreende muito bem como se safou desta.

 

Verdadeiramente o que ele andava por ali a fazer era à procura de comida. E preguiçoso como era, guloso como era conhecido, deixava-se sonolentamente à espera que a próxima presa por ali passasse: de preferência moluscos, crustáceos e até plâncton.

 

Do que ele ainda se lembra é que no meio de toda aquela confusão que a partir daí se gerou com a chegada daquela enorme multidão de caranguejos (chegando mesmo a poder pôr em causa a sua vida), do meio das águas surgiu uma imagem que o chamou e protegeu.

 

Aparentemente o cavalo-marinho estaria a prepara-se afincadamente para a nova época de reprodução que rapidamente se aproximava, iniciando desde já a procura da fêmea cujos ovos fertilizaria (e guardaria temporariamente na bolsa).

 

Junto dela encontrou protecção, no movimento do seu corpo orientação e contornando o braço um refúgio: como se tivesse subido a um coral e encontrando um ventre maternal. Temos que entender que em todo este processo o que na realidade se passou não foi uma invasão mas apenas mais uma ressurreição.

 

E não se deixem levar pelas lamentações românticas de um ser magnífico mas frágil de apenas 15cm de comprimento e 100gr de peso, quando o mesmo é capaz de fertilizar e criar 400 novos indivíduos. Solitário mas sempre pronto a entrar em acção. Nesse sentido malditos caranguejos.

 

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O cavalo-marinho acabou por compreender que aquele inusitado e brutal movimento de caranguejos se devida a uma necessidade biológica de transformação e renovação do invólucro externo dos mesmos, que num determinado intervalo de tempo dessa mesma evolução os tornava extremamente vulneráveis, obrigando-os a aglutinarem-se para sua própria protecção em grandes e compactos agrupamentos.

 

Em defesa do caranguejo vilão, friamente colocado frente a frente ao falso cenário insidiosamente montado, propondo o cavalo-marinho como vítima frágil, pura e indefesa, relembro em abono da verdade que os caranguejos se alimentam apenas de peixes e outros animais mortos.

 

E se o cavalo-marinho já sabia das virtudes da solidão, a partir daí passou a apreciar os prazeres da companhia. (Secretamente não queria deixar ir a Sereia).

 

O que se por um lado ajudou a aumentar a sua popularidade como excelente parceiro sexual e exemplar pai de família, por outro lado quase que o levou à extinção, ao transformar-se numa cura para a impotência (nos homens) e um substituto do Botox (nas mulheres).

 

(ambiente recriado em torno duma história real: PT Hirschfield/ pinktankscuba.com/huffingtonpost.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 22:40

04
Nov 11

“A nossa vida está ligada ao movimento e à deslocação no espaço, para a ocupação e integração de novos territórios, que favoreçam a nossa necessidade de expansão.”

 

Suspenso, mas não como nós!

 

Honduras: Cavalo-Marinho

 

A bela natureza está em todo o lado.

 

Como neste pequeno território, de aquática soberba.

 

De cor verde, responsabilidade do Sol.

 

Onde um ser vivo parece suspenso, com a vida infiltrando-se num espaço sem tempo.

 

O mundo preenche-se com vários mundos e não é a individualidade de um deles, que os torna solitários.

 

Por isso o mistério que envolve este belo e intrigante animal, que pela sua postura no meio que o envolve, parece uma estrela que não se mexe, mas que fazendo parte do todo, tanta falta lhe faz.

 

(imagem – NGM)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 15:34

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