Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

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Nov 11

Lince do Alasca num fim de tarde durante o Verão, com as orelhas em movimento sinalizando atitudes

 

Estou violentamente chateado.

Chegou o fim-de-semana, não há nada para comer e a Maria ainda não apareceu por aí: deve estar à caça de comida, para alimentar as criancinhas.

As minhas orelhas reflectem a insanidade mental que me vai destruindo por dentro – a fome é grande e ninguém consegue aguentar!

E a moleza com que a orelha direita analisa o mundo, descaindo em sonolência descontrolada e escorrendo sem vergonha o seu odor pelo meu pelo caído, é ainda uma consequência da sujidade que me impregna e da acção malvada da força de gravidade.

Mas ainda me sobra a orelha esquerda, com uma réstia de esperança levantada em forma de antena e sustentando com alegria e coragem, o resto do meu corpo superior.

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:08

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