Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

13
Set 17

“Indigenous and environmental rights under attack in Brazil, UN rights experts warn”

(08.06.2017/un.org)

 

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 Manifestação do povo indígena brasileiro

Contra a violação sistemática dos seus direitos

(Brasília/Gregg Newton/Reuters)

 

Depois do processo aberto contra o ex-Presidente LULA e da perseguição eficaz levada a cabo contra o último Presidente eleito (em Eleições) DILMA, o Brasil agora nas mãos do ex-vice-de Dilma (após a declaração de impeachment) TEMER, encontra-se neste momento verdadeiramente entregue aos Bichos: com a selva da Amazónia a ser de novo uma das maiores vítimas deste abandono (deliberado e criminoso) da concretização do objetivo de preservação desta grande Reserva Ecológica e Pulmão do Mundo (devendo ser considerado Património da Humanidade), com os políticos a oferecerem-na com contrapartidas aos Bichos (pega lá/dá cá) e com estes como consequência a darem cabo da madeira (como o faz o caruncho, o gorgulho e a broca), a desflorestarem a Amazónia (fazendo desaparecer de uma forma completa e definitiva a floresta) e a substituírem a anterior Selva por terrenos agrícolas (exploração intensiva e com recurso a pesticidas) ou de prospeção mineira (ainda pior dados os produtos químicos perigosos e extremamente tóxicos envolvidos como o mercúrio).

 

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 Tribo de índios de uma remota região da Amazónia

Descoberta há anos e preferindo manter-se isolada

(Gleison Miranda/Funai/EPA)

 

Um processo fazendo-nos de novo recuar ao tempo antigo das ditaduras militares instaladas no Brasil (como em toda a América Latina) em que tudo era possível (para o poder) ‒ até fazer desaparecer pessoas incluindo as residindo fora das cidades, como era o caso de certos aglomerados populacionais como os das tribos da Amazónia ‒ com grandes extensões de terrenos a serem controlados por fazendeiros (os tais coronéis) reduzindo os trabalhadores agrícolas ao estatuto de escravos, ou então face à riqueza mineral do subsolo desta região do Brasil (por exemplo em ouro e estendendo-se por países limítrofes e tendo a selva em comum como o Perú) com garimpeiros e outros exploradores (acompanhados por mercenários bem armados) a lançarem-se pela selva Amazónia dentro e a destruírem (abatendo as árvores), a matarem (abatendo os residentes e indígenas) e a poluírem (todo o ecossistema suporte de vida local, regional mas também Global).

 

“The Brazilian agency charged with protecting nearly a million indigenous people and their extensive reserves is barely functioning after a debilitating assault from a powerful group of conservative politicians and a cost-cutting government.”

(10.07.2017/theguardian.com)

 

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 Possíveis sinais de mais um ataque de garimpeiros contra os indígenas

Com casas destruídas e queimadas

(Funai)

 

Um sintoma significando o aprofundamento da doença que toda a sociedade brasileira atualmente atravessa, num país desgovernado (e sem Presidente eleito), com a Justiça sem poder (real) para alterar o processo (dada a generalização e banalização da corrupção bem estampada no topo da pirâmide do poder brasileiro), com um mercado sempre perto da bancarrota apesar de toda a sua formidável riqueza (até em petróleo), com os preços a subirem, o desemprego a aumentar e com muitas infraestruturas básicas (saúde, educação, transportes) cada vez mais próximas do colapso (financeiro) ‒ e com todo este conjunto a formar um determinado padrão convidando cada vez mais à prepotência e ao crime (como arma).

 

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 Vale Javari onde terá ocorrido o massacre (de pelo menos 10 índios)

‒ Dos mais de 50 já mortos já registados na primeira metade de 2017

(AFP)

 

Segundo notícias recentes com os crimes a voltarem de novo e em força à região da selva Amazónica (neste caso envolvendo tribos habitando perto de regiões fronteiriças localizadas entre o Brasil e o Perú) com prospetores de ouro no seu caminho através da floresta (na procura do tão precioso metal) a depararem-se com tribos de indígenas opondo-se a esta invasão e ocupação dos seus territórios e simplesmente a matarem (como animais) e a prosseguirem no seu objetivo. Com as vítimas a serem provavelmente elementos integrando uma tribo local (aparentemente incontactável) observada por uma das primeiras vezes em 2014 por um grupo de investigadores: apenas graças à Fundação Nacional do Índio do Brasil conseguindo pôr este caso (do assassinato de membros de uma tribo do Brasil por prospetores de ouro em ação ilegal e clandestina na Amazónia) na agenda dos promotores da Justiça brasileira, dado o desinteresse das autoridades governamentais por tudo o que se passa nessa região (deixando o tempo correr, as vítimas aumentar e a floresta desaparecer). Uma tribo de índios, descoberto há poucos anos por uma equipa de investigadores/estudiosos, preferindo o isolamento, vivendo na região da Amazónia entre o Brasil e o Perú (Vale Javari) e muito provavelmente em conjunto com outros elementos/tribos (fala-se em mais de uma dúzia de tribos) dos dois lados da fronteira (até com possíveis ligações de sangue) sendo atualmente e no seu próprio território (muito dele ainda virgem) invadido, atacado e finalmente assassinado. Com todo o Mundo em silêncio.

 

(imagens: as indicadas em legenda)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 20:37

24
Jul 14

“O que será necessário para classificar um genocídio deliberado sobre uma população completamente desprotegida e desprezada – tal e qual como aconteceu com o povo judeu no tempo da II Guerra Mundial – como Crime de Guerra”?

 

Faixa de Gaza – 23.07.2014

 

Esta imagem obtida a partir da estação espacial ISS pelo astronauta alemão Alexander Gerst, dá-nos uma pequena e luminosa amostra dos céus nocturnos cobrindo a Faixa de Gaza (e territórios israelitas envolventes), aquando de mais um violento e mortal ataque das forças armadas do estado de Israel: "My saddest photo yet. From the International Space Station we can actually see explosions and rockets flying over Gaza and Israel".

 

Desde o início desta última operação israelita no interior da Faixa de Gaza já se registaram mais de 700 mortos, alguns milhares de feridos e muitos outros milhares de refugiados: com o bombardeamento indiscriminado de cidades e civis até mesmo uma escola servindo de abrigo a refugiados palestinianos e sob a protecção da UN foi atacada. Será que a UN também se serve dos desgraçados e desprezados palestinianos exclusivamente como escudos humanos de salvaguarda e de protecção?

 

(imagem – Alexander Gerst)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 23:16
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12
Mar 14

“I think that – when is protection status is over – he must be sent to Justice”

 (or we will be definitely eaten by is vicious monster creation, The Hydra)

 

Great Chief Horse Face – Shame on you

 

If we kill people with your own hands for your benefit – and for your family, friends and party – you are a criminal leader. And if you saw the crime in front of you and you do nothing for your benefit – and your family, friends and party – what are you? Be ashamed and tell us, or you will be nothing but a gangster: you may kill us first but then that will be your future as a traitor!

 

I am not afraid to say what I feel. Many people say he's a clown!

 

[first of all sorry for my writing – an emigrant in his own country, sold by traitors to strangers, living in another country]

 

(text: Nobody Dan – image: Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:33

12
Fev 14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Outros Mundos – T versus ET)

 

(Saldo Actual: 10)

“Desde que fomos globalizados deixamos de ser e existir, apenas porque oferecemos a nossa liberdade em troca duma pretensa e graciosa segurança. Só que não percebemos tratar-se da liberdade dos outros. E se no que toca à segurança ainda a poderemos dispensar sujeitando-nos nem que seja à lei da selva e do mais forte, sem liberdade não vamos a lado nenhum: e parados e sem movimento só os animais doentes ou mortos”.

 

 

(Em Espera)

Estava eu ligado à rede a actualizar alguns dos meus dados contabilísticos e a verificar algumas notas de encomendas ainda em processamento – aguardava a chegada duma encomenda importante – quando no monitor apareceu um aviso de chegada de uma nova mensagem. Não vinha com identificação visível nem com título atribuído. Mas ao abri-la descobri logo a sua origem: só poderia significar que fora dada a autorização e que lhe comunicavam agora o menu pormenorizado da operação. Sem perder tempo foi buscar o descodificador, enquanto aproveitava para confirmar que a Maria continuava a dormir profundamente: convencera-a a tomar uns analgésicos para ver se melhorava das dores que ultimamente lhe afectavam as costas e até a ajudara um pouco mais, introduzindo-lhe uns calmantes no tratamento para ver se descansava mais um dia e se esquecia de vez a cabeleireira. Dormia profundamente. Com o aparelho traduziu a mensagem: o crime seria praticado num prazo limite de noventa minutos, numa habitação situada na periferia da cidade e estando o alvo devidamente identificado e localizado. O encontro com o executor – que acompanharia nesta missão – far-se-ia no local habitual, partindo ambos e de imediato para a concretização da mesma, finda a qual o executor se desligaria do processo: que como eu sabia terminava muitas das vezes no seu desaparecimento.

 

Vou para os lados do parque de campismo levar uma pessoa. Volto já”.

Tinha registado a cena na câmara do meu telemóvel, até para a Maria poder confirmar que era verdade: desde ontem que estava à espera de uma oportunidade para ir ao cabeleireiro.

 

Cheguei e o tipo já entrou. Deve faltar pouco. Fica mesmo ao lado do parque”.

Enquanto esperava filmei a paisagem, apanhando ainda o indivíduo a sair e a dirigir-se para mim: pelo visor pude ver que vinha apressado e com muitas partes da sua roupa manchadas de vermelho. Na mão trazia um revólver e uma catana. Pousei a câmara e aguardei.

 

Desculpa mas tenho que fazer um pequeno desvio. São só mais uns minutos. Ele esqueceu-se duma coisa”.

Um pouco nervoso o indivíduo pediu desculpa pelo seu aspecto, referindo-se ter virado com a pressa a bacia onde se encontrava o sangue para a cabidela, acabando por ser atingido: a catana e a pistola também tinham sido atingidas pelo sangue da cabidela e quem não ia ficar contente dentro de momentos, era o dono a quem as ia entregar. Olhou para mim e encolheu os ombros. Arrancamos então para o interior.

 

O tipo disse agora que eram só cinco minutos. Isto tudo é um bocado esquisito. Mas como já vi tanta coisa, o que quero mesmo é ir-me embora. Um pouco mais de paciência”.

Estava agora em pleno campo, junto duma moradia térrea e já com alguns largos anos de idade, plantada numa das extremidades dum terreno com cerca de dois hectares, aparentemente abandonado mas limpo e bem arranjado. De um dos lados da casa destacava-se uma pequena construção que talvez fosse uma garagem. Nesse momento o indivíduo saiu de casa fez-me sinal e dirigiu-se para a garagem. Entrou e fechou a porta atrás de si.

 

 

Não sei bem onde estou. Não se vê ninguém e o tipo nunca mais sai da garagem. Já passou um quarto de hora e nada. Só ouvi uns pequenos estrondos e umas aves a levantar voo. Devem ser caçadores que adormeceram...E daqui a pouco quem adormece sou eu. O tipo é mesmo estranho”.

O indivíduo saiu de lá como um homem novo. De início nem o reconheci só o fazendo quando ele se aproximou do carro e se me dirigiu: pediu-me para guardar na viatura um saco de viagem que trazia consigo, enquanto ia no instante até casa buscar algo regressando de imediato. Sorriu-se então para mim, enquanto mostrava como agora já se encontrava muito mais apresentável. Virou-se e enquanto ele seguia em passo acelerado para a porta de entrada, vi o estranho objecto suspenso e preso à sua cintura: tinha uma forma alongada estreitando-se numa das suas extremidades, apresentando-se com um aspecto que sugeria um material carregado doutros materiais de menores dimensões incrustados ao longo de toda a superfície, o que o transformava num objecto extremamente belo e estilizado e simultaneamente não deixando de sugerir um artefacto dum qualquer filme de ficção científica. Devia estar a ficar apanhado da cabeça: toda aquela situação o apanhara desprevenido e se pensasse mais claramente, poderia ter muitas interpretações. E se verdadeiramente estivesse num filme, o enredo poderia ser outro, que não o seu. Interrompeu os seus pensamentos, quando a porta da casa se abriu.

 

Acho que é agora que estou de regresso. O tipo já fechou tudo e só está a verificar os quadros de entrada. Até já”.

O indivíduo entrou no carro, sentou-se e fechou a porta do seu lado e enquanto reiniciávamos a viagem, olhou para mim e falou. Ainda hesitou uns segundos, mas logo verbalizou as suas actuais inquietações:

“Era um simples mensageiro com algumas funções operativas – atribuídas temporariamente em casos de extrema necessidade – e estava ali no cumprimento duma simples formalidade processual, mas técnica e inadiável”. Aí fiquei um pouco baralhado e comecei a pensar se o indivíduo seria mentalmente equilibrado. “A sociedade para a qual trabalhava não dispunha de qualquer tipo de identificação institucional, nem aqui nem noutro lugar do mundo: tratava-se duma sociedade secreta estabelecida entre entidades internas e externas e o seu objectivo final era a salvaguarda da estabilidade mundial, ambiental, social e económica. A sua história mergulhava profundamente no passado e nas lendas envolvendo Deuses, Alienígenas e outras Entidades Revolucionárias”. Entrei de novo na estrada principal, estava o indivíduo na parte da conversa em que se referia aos extraterrestres: mas o que haveria eu de fazer com um tipo como este e como é que me tinham arranjado esta encomenda? A minha vontade era arrancar logo para casa e deixar o tipo onde quisesse o mais rapidamente possível. Ainda se arriscava mais uma vez a faltar a promessa feita à Maria. Um pouco à frente o indivíduo retomou a conversa. “Esperava que eu compreende-se a sua situação e poderia estar sossegado porque não fizera nada de errado. Dizia-me isso porque me sentia um pouco nervoso, visível no meu rosto suado e nalguma irritação corporal que entretanto ia demonstrando: poderia ter a certeza que não era nenhum demónio ou outro monstro malévolo do outro mundo, disse-me ele sorrindo enquanto me tocava no ombro. A sua mão estava extremamente quente e enquanto o olhava tentando acalmar-me, vi de novo o artefacto preso à sua cintura, mas agora brilhando intensamente em determinadas incrustações. Aí – e sem saber porquê nem tendo consciência disso – o meu corpo começou a tremer, com uns arrepios crescentes a atravessarem-me toda a coluna vertebral e a saírem sob a forma de tremores por todas as extremidades do meu corpo: o que o indivíduo sentiu e pareceu-o deixar alerta. Pediu para parar num café ao lado da estrada e dirigiu-se ao seu interior.

 

 

Já nem sei no que me meti. Pede ao José para ir ter comigo ao cruzamento da bomba de gasolina do tio dele. Passo por lá e fico à espera. Não sei se vou estar aí a tempo de te levar. O tipo já aí vem. Estou feito”.

Vinha acompanhado por mais dois indivíduos bem vestidos e com uma excelente apresentação, sendo o duo constituído por um homem e uma mulher, ele visivelmente mais velho do que ela. Enquanto o meu passageiro se dirigia para o local onde eu me encontrava, o casal desviou-se um pouco mais para a sua direita e encaminhou-se para um grande monovolume de vidros fumados para onde entraram pela porta lateral. Deixaram-na entreaberta. E enquanto via o meu passageiro a aproximar-se da porta direita do carro, ouvi um som vindo da porta da esquerda situada atrás de mim e a partir daí perdi os sentidos: pelo menos não me lembro de nada, dos momentos antes de despertar. Estava agora sentado sozinho no interior da minha viatura com o José já ao meu lado e a abanar-me fortemente tentando acordar-me. Não havia sinal do meu passageiro, nem do monovolume e do casal que nele entrara. Poderia estar a viver um sonho.

 

Vou arrancar. O José já se foi embora e acha que eu estou louco e que deveria ir mas é dormir. Nem sabes o que me aconteceu. Depois conto-te. Até já – mesmo”.

Na sua última etapa da viagem de regresso a casa uma das primeiras coisas que viu a passar ao seu lado na estrada, dirigindo-se em sentido contrário ao que agora seguia, foi uma carrinha de apoio da GNR. Mais à frente e no outro sentido do trânsito, uma patrulha da mesma força fazia o que parecia ser uma operação de controlo de viaturas e das suas respectivas cargas. Já perto da rotunda a circulação de trânsito encontrava-se parcialmente bloqueada, com várias carrinhas das forças policiais, dos bombeiros e do INEM, aglomerados numa das suas saídas – logo por coincidência aquela que percorrera momentos antes perto do parque de campismo na companhia do indivíduo misterioso. No pára e arranca vivido pelos condutores nestas ocasiões, acabou por saber por intermédio dum popular que ali permanecia desde o início, que as autoridades tinham encontrado numa casa situada bem no fundo do caminho, o corpo já cadáver de um indivíduo de meia-idade, atingido com dois tiros no coração e decapitado. Nessa altura estremeci e paralisei, bloqueando-me mentalmente com um violento ataque conjunto, de medo e de suores frios; e devo ter ficado branco que nem a cor da cal, pois logo o homem me tentou acalmar afirmando que a polícia já estaria na pista dos culpados e oferecendo-me até uma garrafa de água. Tinha que enviar já uma mensagem à Maria, pois certamente que este caso acabaria por chegar à sua origem e no seu caminho ele seria um dos principais atingidos. Parou na berma e enquanto olhava o cenário próprio dum thriller policial, enviou a mensagem.

 

Estou perto da rotunda parado. Houve um crime por estes lados e isto está cheio de polícias. Acho que estou metido numa grande alhada e o melhor é ir ter com eles. O tipo que transportei se calhar está implicado e vê lá tu, fui eu que o trouxe. Chegou um guarda: vou aproveitar. Ligo já”.

Ao princípio o guarda ainda ficou a olhar para mim, ocupado como estava a tentar desobstruir a via de trânsito: olhou para mim, voltou a olhar para o trânsito e ainda um pouco desconfiado lá me levou até ao comandante. Custou um pouco a chegar junto dele, mas feitas as apresentações e indicado o motivo da minha presença, não mais me largou: olhando atentamente para o meu carro confirmara em poucos segundos o modelo de automóvel e o formato dos seus pneus, muito semelhantes àqueles que uma viatura similar faria num caminho de terra como aquele onde se encontravam e que ia dar à casa da vítima – e que neste caso eram nalguns sectores ainda bem visíveis e de fácil comparação. Levou-me até ao carro de apoio da GNR – que ali estava instalado como um gabinete de crise – e no seu interior dei o meu testemunho, o qual ele ouviu atentamente e sem nunca me interromper. Sensivelmente a meio do meu relato fomos interrompidos por um oficial que pedindo desculpa se dirigiu ao seu superior e lhe segredou algo ao ouvido. Muito interessado com o que lhe era relatado o comandante virou-se para mim e pediu uns minutos de escusa, aos quais eu acedi aproveitando para ligar à Maria. Como não atendeu não tive remédio senão enviar-lhe nova mensagem e esperar que ela desse sinais de vida: não via como é que tão cedo me iria safar disto, nem como iria identificar os seus verdadeiros suspeitos, já que nunca os vira antes, nem os seus nomes sabia. Que desastre! E ao meter a sua mão no casaco encontrou uma bolsa.

 

 

Espero que acreditem em mim. Estive a pensar nisto tudo e no fundo até tenho as mensagens que te enviei e as imagens que registei, que poderão em último caso servir para a minha defesa. Mas o que tenho eu a ver com isto? Estava no café descansado a apanhar Sol e logo me tinha que aparecer este tipo. E os tipos do café ainda me convenceram: que burro! Acho que o melhor é esperares em casa. Não sei quando termina. A vida tem cada coisa que até parece bruxedo”.

O comandante regressou pensativo e com uma cara um pouco esquisita – parecia intrigado com qualquer coisa, provavelmente muito pouco habitual para ele: mas mal me viu pareceu abstrair-se desse facto, pedindo-me educadamente para continuar. Assim fiz e interrompido aqui e ali por um ou outro curto comentário, vinte minutos depois tinha acabado. Permanecemos uns segundos em silêncio, com ele ainda a digerir a última parte do meu relato em que perdia sem saber como ou porquê os sentidos, afirmando o comandante entre duas risadas dirigidas mas cordiais, que se fosse o caso tal não seria um grande álibi. Para mim claro. Mas a partir daí falou ele pedindo ao restante pessoal que o acompanhava na missão para ficar comigo sozinho no interior do veículo de apoio. O que ele disse deixou-me surpreso, assustado e receoso. Pedi-lhe para ir beber um copo de água, liguei sem o fazer notar o gravador do telemóvel e voltei a sentar-me. Estava pronto para o que aí vinha e que poderia ditar o meu futuro: a gravação tinha-se iniciado, acompanhada em simultâneo pela mensagem prévia de aviso (para o destinatário).

 

Gravação automática: aviso de início/procedimentos habituais/nível5

Tinha ocorrido um acidente extremamente grave na Via Rápida que atravessava longitudinalmente toda a região onde se encontravam, tendo-se verificado a queda em plena via de um dos pórticos nela instalada perto dum nó rodoviário muito importante e movimentado, o qual provocara um violento choque de viaturas em cadeia, causando vários feridos e pelo menos três mortos já confirmados: precisamente os ocupantes de um monovolume, em tudo idêntico ao descrito no meu relato. O registo de passagem confirmava a entrada da viatura num nó situado nas proximidades do local onde eu afirmava ter perdido os sentidos, com o próprio GPS da viatura a confirmá-lo e aos registos quilométricos e temporais. Não tinham encontrado até agora nenhum indício da presença de armas junto dos três indivíduos calcinados – dois homens e uma mulher mas dadas as altas temperaturas atingidas durante a explosão e no decorrer do incêndio que se seguiu, certamente pouco mais poderiam aí encontrar. Sorridente e aparentemente satisfeito, ainda teve tempo para acrescentar que alguns populares presentes no local aquando do acidente, teriam afirmado que tudo teria sido provocado por um raio que teria subitamente atravessado o céu de uma ponta à outra do horizonte, o qual por sua vez teria provocado várias descargas sobre a zona onde estariam a passar, indo uma delas atingir a Via Rápida e levando à queda do dito pórtico. Acrescentavam ainda – mas duma forma receosa e incrédula, face à sua impossibilidade física – que não reconheciam um dos automóveis que se encontrava no meio dos destroços junto do monovolume, dado nunca o terem avistado no início do choque em cadeia, nem em qualquer momento subsequente. Se lá estivesse, com ele iriam todos ao teste do balão! Mandou-me então embora e que estivesse descansado: só teria que comparecer o mais breve possível no posto da guarda, para assinar o relatório da ocorrência e me livrar de tudo isto. Segundo ele eu tinha tido uma sorte tremenda em ainda ali estar, já que ainda me encontrava vivo e bem de saúde: na maioria destes casos os primeiros elementos nunca se safavam. Não sabendo porquê engoli em seco e fui-me então despedir dele. Cumprimentamo-nos, desejamos o melhor dos melhores para cada um e separamo-nos com mais um aperto de mão. Já com a porta de saída entreaberta, chamou-me e acrescentou: já agora pedia-lhe por amizade e solidariedade que deixasse ficar comigo o seu telemóvel e encarasse tudo isto e para si como se nunca tivesse existido...pela minha parte não tenho memória do que não me interessa e pretendo apenas manter os equilíbrios...como as armas utilizadas em crimes, que posteriormente têm que ser destruídas. Fiquei parado até digerir completamente a sua mensagem: então ele virou-me as costas e foi-se sentar. Eu saí e finalmente fui para casa.

 

 

Safei-me. Nem acredito – na verdadeira acepção da palavra. Só tenho que festejar. Estou já aí”.

O tempo tem estado melhor nos últimos dias após o temporal que atravessou a região na semana anterior: já podemos sair de casa e ir dar uma volta até ao café. Assim é bom estar, aproveitar e viver.

 

(Em Espera)

Partindo do princípio de que era humanamente impossível estar do lado de outras espécies alienígenas (por estrangeiras) ainda por cima vindas de outros planetas (muito distantes), acho que a minha posição definitiva sobre “que lado tomar”, tinha sido a mais lógica e compreensível decisão: nunca poderia trair a minha espécie, mas por outro lado poderia utilizar o argumento dos outros, em meu exclusivo benefício. E foi o que fiz:

Precisava dum elemento de que me pudesse descartar rapidamente após a conclusão do trabalho a que me tinha proposto, mas que ao mesmo tempo conseguisse criar o ambiente e as condições necessárias para a construção dum cenário realista e acima de tudo credível, que facilitasse a sua eliminação e subsequente acusação. E lá encontrara Ivan e os seus dois primos, mercenários de qualquer tipo de guerra por qualquer quantia de dinheiro e agora caídos em desgraça e transformados em traidores fugidos das suas próprias terras em guerra, por eles mesmos promovida e transformada em negócio, aqui desempregados, abandonados e no momento sem grandes fundos: foi fácil comprá-los com um pequeno adiantamento e a promessa dum grande golpe a realizar muito em breve. E a ocasião surgiu três dias depois, dando-me o tempo suficiente para já ter tudo preparado e arrancar de imediato e em paralelo com o meu plano. Com o telemóvel na mão dirigi-me para o café;

Quanto à missão correu tudo como previamente planeado com a colaboração daquele que poderia vir a ser o meu grande álibi o telemóvel, da graciosa sonolência da testemunha adormecida em minha casa a Maria e até dos três estrangeiros que comigo colaboraram, assumindo em seu nome toda a culpa do odioso crime ocorrido e morrendo juntamente com o seu próprio testemunho. O alvo fora abatido conforme o superiormente solicitado e simultaneamente fizera talvez o golpe da minha vida: há tempos que as riquezas do indivíduo eram comentadas por todo o lado em voz baixa mas interessada, mas nunca ninguém as tinha visto ou encontrado, até ao dia em que por mero acidente e numa pesquisa que depois me levaria a esta acção, o vi com um conjunto de artefactos extremamente brilhantes e contrastantes e que o deixava visivelmente deliciado com a sua extrema beleza e forte impacto mental, como se estivesse perante outras realidades ou outros mundos. Tinha que possuir aquilo. E consegui-o na execução dum plano perfeito. Só mesmo a interpelação tardia do comandante policial me perturbara: naquele momento e por qualquer razão ele não actuara e pactuara, o que significava que eu estaria a partir de agora muito mais atento aos seus movimentos, pois nestes assuntos seriamos sempre cobradores se não quiséssemos passar por mortos. Então o telemóvel tocou: na mensagem a Maria pedia-me para ir já ter com ela ao cabeleireiro, pois já estava despachada.

 

Já estou no carro: é só ligar e arrancar e estou aí enquanto o diabo esfrega o olho”.

Do outro lado da cidade ouviu-se uma violenta explosão, levando o Comandante a olhar sorridente para a sua bem apresentada e penteada acompanhante, que lhe retribuiu alegre e superiormente a atenção com um enorme beijo sobre a face direita. Apontou em direcção à coluna de fumo que se erguia ao fundo da avenida, deixou-a à porta de casa e ainda teve tempo para se justificar: “afinal de contas tenho que ir tomar conta da ocorrência e desde já aceita os meus pêsames”.

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:03

01
Jan 14

Para que servem as leis na nossa sociedade?

Na prática e para a generalidade da população para nada, senão para libertar os culpados deixando confusos os inocentes.

 

 

Tribunal anula condenação de pedófilo, porque criança estava apaixonada"!

(Itália)

 

“Para legalizar o crime ilegal em nome de todos nós – distribuindo por nós a culpa já que o aceitamos, enquanto eles nem o queriam – mas com restrições face à quantidade (povo) e com receitas só para quem tem qualidade (elite)”

 

Para fazer compreender à maioria da sua população que não deve ultrapassar determinados limites de convivência social obrigatórios – a partir dos quais será diabolizada e marginalizada – que possam pôr em causa o exercício do poder de quem apenas pretendendo defender a força do seu grupo e o seu predomínio sobre outros grupos rivais, com o único e nobre objectivo de nos educar e proteger.

 

É claro que uma lei só é exequível se tiver excepções extraordinariamente inseridas na sua necessária aplicação: os seus mentores e executores não podem ser por ela abrangidos, já que o seu nível de intervenção e execução tem que ser visto sobre um ponto de vista experimental e o seu estatuto o impede de agir de outra forma que não seja o de manipulador institucional.

 

As consequências de um crime dependem assim de quem o pratica e das circunstâncias em que é praticado e nunca das queixas da sua vítima, ainda por cima se ela nada disser e posta diante do seu predador se calar.

 

O crime é assim legal para todo o tipo de animal racional ou irracional, que seja declarado e publicado como ser inferior e excedentário:

- “Cinco cavalos abatidos a tiro em Beja”!

 

Nesse sentido – e olhando para a Natureza e para a vida da sua Fauna e da sua Flora – prefiro um mundo sem regras nem leis:

- “Cadela salva de lixeira adopta cão resgatado”!

 

(imagem – CM)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 15:31

17
Nov 13

Mais uma tirada dum mero adjunto do Cara de Cavalo:

 

O Pensionista e o Adjunto

 

“A maior parte dos pensionistas não são pobres, fingem”!

(Abominável Homem das Neves)

 

A Hipocrisia devia ser – para aqueles que se arrogam o direito em falar em nosso nome – considerada um Crime: desse modo os futuros e minoritários pensionistas (ricos) como o Abominável Homem das Neves, não se atreveriam a falar dos outros maioritários pensionistas (pobres).

 

(imagem – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 15:06

18
Fev 12

“Este Governo não vai pedir mais dinheiro nem mais tempo, vai cumprir o que está acordado”

Passos Coelho -1.ºMinistro de Portugal

(Jornal i)

 

Lá Vamos Cantando e Rindo

 

Devia também acrescentar:                                      

 

“E se tal não acontecer, por não cumprirmos o acordado anteriormente e pelos danos causados a milhões de portugueses com as nossas opções políticas, como responsável principal por este crime há muito anunciado, demito-me.”

 

Em Portugal a mentira declarada e oficializada já é algo de banal e formador da nossa classe política, em que o único objetivo a atingir é a do poder a qualquer custo. Depois é só falar da pátria e de como devemos marchar contra os canhões que os próprios políticos compraram, numa feira de velharias alemãs da segunda guerra mundial.

 

“Suspeito de triplo homicídio enforcou-se na cela. PGR vai abrir inquérito”

Sobre o homicídio de Beja

(Jornal i)

 

Justiça legal e popular

 

Comentário:

 

“Esta é a história de um homem com problemas psicológicos profundos, provocados por uma sucessão de acontecimentos económicos e financeiros que o engoliram vivo – com ou sem o seu parcial consentimento – e que a sociedade abandonou e ignorou, apesar da análise realizada por um psicólogo por altura do seu julgamento, por desfalque bancário e que já apontava nessa altura para evidentes e contínuos estados depressivos, que poderiam levar a atos violentos e trágicos como este. Mas quem será o verdadeiro culpado deste triplo homicídio: o próprio por inconsciência social e incapacidade psíquica, ou o estado por consciente omissão e prevenção do valor de todas as vidas humanas, provocadas pela destruição progressiva de todas as instituições de solidariedade social?”

 

Nas escolas públicas e devido a contenção financeira, já começaram a dispensar os psicólogos. Mau sinal – mais uma razão para tomarem conta dos vossos filhos e não pensarem que são os outros que as vão educar, informar e formar para a vida.

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 17:02

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