Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

18
Set 13

Ficheiros Secretos Pós-a/341

(a/Apocalípticos)


         

ISON (à direita c/maior detalhe) e escala de TORINO

 

Dia 25 – 20h 00mn

O dia aproximava-se cada vez mais rapidamente do seu fim, com o céu a leste a registar a descida no plano do horizonte do nosso astro-rei e as pequenas luzinhas das habitações rurais do barrocal, a começarem a espalhar-se como pirilampos por toda a serra do Caldeirão algarvio. Já passava das oito da noite e continuávamos em viagem no interior da Serra do Caldeirão, tentando cortar caminho pelo interior da serra de modo a evitar o mais possível a aproximação ao litoral: o objectivo era tentar chegar o mais rápido que se conseguisse à zona de São Marcos da Serra, utilizando para o efeito algumas pistas que passassem nas proximidades de São Barnabé e de Perna Seca e a partir daí dirigir-me a Monchique e à Foia atravessando a Serra da Carapinha. No seu portátil e enquanto eu conduzia cuidadosamente o meu automóvel pelo meio das curvas poeirentas e perigosas das estradas de terra da serra algarvia, o David ia consultando constantemente as informações que ia recebendo via Web, mostrando-se cada vez mais nervoso com as novas informações e dados que ia recebendo e trocando frequentes mensagens com o local onde o Daniel nos esperava. Tivemos que parar momentaneamente pouco depois de Perna Seca, já com o espectáculo da serra de Monchique destacando-se lá ao fundo e contrastando a nível de relevo com a imensidade do céu, cada vez mais escuro e cada vez mais azul. E foi então que o David expos mais claramente as suas maiores preocupações que o atormentavam no momento, já que no plano mais geral e global do que ele pensava estar a suceder no mundo, o melhor era para já nem sequer se atrever a pensar nisso. A Terra estava a ser sujeita a alguma força ou energia desconhecida provavelmente de origem externa, que estaria a actuar profundamente sobre a sua estrutura e comportamento normalmente conhecido e adquirido, afectando os seus movimentos interiores e exteriores, que estariam a causar fortes perturbações na estabilidade do seu campo magnético protector, na densidade inexplicável e com consequências nefastas de certos componentes atmosféricos presentes em determinadas zonas do globo, na alteração constante e crescente do nível e periodicidade das marés e finalmente na velocidade de deslocação das diversas placas tectónicas e dos materiais em movimento no interior e centro do planeta. David achava que algum corpo celeste ou outro tipo de objecto desconhecido situado nas proximidades do nosso Sistema Solar ou mesmo já situado mais perto de nós seria o principal responsável pela recente sucessão de acontecimentos e que o cometa ISON poderia estar por trás disto tudo. Pelo menos numa grande parte, já que nunca se poderia esquecer que o Sol atravessava actualmente e no seu ciclo periódico um pico máximo de actividade, estando também cada vez mais próximo de mais uma mudança nos seus pólos magnéticos. Mas o que temia mais no instante poderia vir do Atlântico. Arrancamos de novo em direcção a Monchique enquanto ele se debruçava sobre um site ainda activo da NASA, que se referia à observação de objectos circulando nas imediações do nosso planeta e que poderiam vir a ser perigosos para a integridade e para a sustentabilidade da vida no nosso planeta: lembrei-me logo de como consultava amiúdes vezes o site da spaceweather.com e de como um dia ficara verdadeiramente aterrorizado ao verificar a capacidade destruidora de muitos destes calhaus. Um deles conhecido como APOPHIS já tinha por volta do final do ano de 2004 posto a comunidade científica mundial em estado de alerta máximo, face ao perigo deste asteróide poder colidir com a Terra em 2029, atingindo nessa altura - apesar de temporáriamente - o nível 4 da escala de TORINO. Tal possibilidade no entanto e aparentemente não se confirmou , descendo a possibilidade de impacto até ao nível 0. Mas se este evento se comfirmasse, a energia libertada poderia ficar muito próximadas mil mega toneladas de TNT, o que seria trágico para a estabilidade e sobrevivência de todo o planeta.


    

Antecipação – Pinturas representativas do Dia do Fim e do Dia do Grande Recomeço

(Aeroporto Internacional de Denver)

 

Dia 25 – 21h 00mn

A construção do aeroporto de Denver ficou concluída no ano de 1985 com um custo global de quase 5 biliões de dólares – quando o orçamento previsto não chegava aos 2 biliões. Apesar da existência dum outro aeroporto servindo a mesma cidade norte-americana – o aeroporto de Stapleton – nada impediu a construção deste novo aeroporto (resultante da aplicação de avultados investimentos privados) em nome de representantes totalmente desconhecidos, integrando uma intitulada Comissão do Aeroporto do Novo Mundo. Este pequeno detalhe criou sempre na opinião pública um sentimento persistente de dúvida e de curiosidade sobre o verdadeiro papel a desempenhar por esta estrutura de apoio aeronáutico, até porque sempre se soubera da existência de plataformas subterrâneas associadas à construção do aeroporto, que posteriormente teriam sido fechadas: um enorme bunker teria sido construído sob a sua estrutura, como um dos primeiros postos da frente de combate contra um hipotético acontecimento natural (ou artificial) de proporções trágicas para os EUA e para o mundo, de modo a proteger prioritariamente as elites políticas e científicas do país e toda a estrutura de recursos humanos fundamentais para a sua sobrevivência e da própria estrutura de emergência. E tudo se acabou por confirmar. Na realidade e como se verificaria mais tarde o bunker seria constituído por um conjunto de cinco edifícios construídos e totalmente equipados na fase inicial da construção do aeroporto, que teriam sido edificados em profundidade e posteriormente enterrados e cobertos com a edificação da nova estrutura aeroportuária: inicialmente utilizados para armazenamento de todo o tipo de materiais desde bens alimentares a tecnologia e actualmente praticamente desertos e abandonados, dispondo apenas de dispositivos mínimos que não comprometessem a monitorização dos acontecimentos em curso e se possível do período posterior ao momento do Tempo Zero. E era num desses edifícios que se encontrava entregue a si próprio – enclausurado numa cápsula independente de protecção e sobrevivência intermédia de média duração – um dos operadores responsáveis pelo acompanhamento dos movimentos de objectos estranhos movimentando-se nas proximidades da Terra, controlando a evolução ao segundo do cometa que se aproximava perigosamente e verificando as consequências que este já ia provocando um pouco por todo o planeta. No entretanto a contagem decrescente decorria sem ter havido até agora qualquer tipo de alteração nas informações ainda disponíveis no site da NASA, mantendo-se inalteráveis os níveis máximos de segurança na cápsula que ocupava e totalmente disponível e desobstruído o túnel secundário e provisório de acesso, ao túnel primário interligado de emergência – pelo menos para já.


Caldeira dum vulcão activo

 

Dia 25 – 22h 00mn

Os primeiros indícios duma tomada de decisão definitiva por parte dos Novos Poderes Mundiais vieram já do século passado, sendo o momento fulcral da decisão o momento da explosão do vulcão do Monte de Santa Helena em 1980 e a tomada de consciência das consequências directas sobre a população e sobre o ambiente em redor, provocado por este acontecimento extremamente violento, imprevisível e trágico: se tal fenómeno se repetisse em Yellowstone o impacto sobre os EUA seria brutal, podendo este super vulcão explodir com uma potência pelo menos cem vezes superior ao de Santa Helena. E era o que já estava a acontecer agora: num dos cenários com maior probabilidade de concretização – neste momento já próximo dos 75% – a explosão da caldeira de Yellowstone iria provocar nas próximas horas uma onda de choque de tal forma violenta não só verticalmente e em altitude, como também horizontalmente e em toda a área envolvente, que iria abranger e afectar tudo num raio mínimo de 2.000 km – ou seja directa ou indirectamente quase todo os EUA. Por outro lado algo se vinha preparando em segredo há já mais de cem anos, como resposta a estas e outras preocupações dos poderes e das elites mundiais, postas face a face com um problema que as poderia também pôr em causa, deixando-as desprotegidas e sem alternativas de salvação possível. Ora tal nunca poderia acontecer com a elite duma espécie proclamada como eterna por repetição de espaços num tempo por ela simulado e aplicado – tal e qual como os Deuses – posta perante o perigo de extinção sem poder exercer o seu direito superior e divino. E daí vieram alguns casos que não foram em devido tempo possíveis de esconder ou de camuflar e que só puseram em evidência uma ligação secreta entre estruturas paralelas de poder e entidades exteriores ao nosso planeta, que por qualquer causa ou motivo um dia vieram até cá: falando só dos períodos mais recentes da nossa história e incluindo o século passado, o famoso caso de Roswell, a explosão verificada em Tunguska e até mais perto de nós a explosão do meteorito sobre a cidade russa de Chelyabinsk, para muitos destruído por um míssil de origem desconhecida mas extraterrestre. No interior da sua cápsula as informações sucediam-se de tal forma em catadupa, que certamente o momento do início do Evento estaria muito próximo: recapitulou todos os procedimentos de segurança a adoptar de modo a estar desde já preparado para o que desse e viesse, verificou que todas as funcionalidades estavam activas e em execução, confirmou a estanqueidade do seu habitáculo e a sua ligação umbilical à saída de emergência e sem mais ter a fazer virou-se para o monitor e pôs-se a olhar para a evolução do cometa – na realidade atrás do primeiro objecto que definia o pretenso cometa divisavam-se cada vez mais claramente mais dois outros objectos que o acompanhavam, desenhando no seu conjunto uma polígono fazendo lembrar um triângulo perfeito. A constatação que no entanto ficava era que um desses objectos estaria muito provavelmente em rota de colisão com a Terra, como o indicavam os últimos dados recolhidos sobre a sua trajectória. Só era pena os satélites estarem indisponíveis já há alguns dias, desde que o Sol entrara numa fase mais intensa da sua actividade, enviando sucessivas CME em direcção ao nosso planeta.


O tsunami

 

Dia 25 – 23h 00mn

Já tinham passado mais de três horas desde que abandonáramos o Malhão e só agora estávamos perto de entrar em Monchique e iniciar a subida até à Foia. Em contacto ininterrupto com o seu amigo Daniel e enquanto contornávamos o jardim situado no centro da cidade de Monchique, David emitiu subitamente uma exclamação bem audível e notória, seguida inconscientemente dum impropério em calão bem popular e que minimamente dizia: “foda-se, já começou”! Nas Canárias um forte sismo com epicentro no mar abalara há poucos minutos todo o arquipélago espanhol, seguindo-se de imediato o registo duma violenta explosão localizada na base do vulcão de Cumbre Vieja que provocara o abatimento total dum dos flancos da encosta ainda intacto, lançado milhões de toneladas de material sobre o mar e originando um tsunami. As primeiras notícias decorrentes deste primeiro anúncio de última hora informavam da destruição total de todas as localidades costeiras situadas nas diversas ilha e da formação de várias ondas de características volumétricas ainda desconhecidas deslocando-se no oceano Atlântico na direcção do continente americano e em sentido contrário na direcção do continente africano e do sul da Europa: relativamente ao sul de Portugal a chegada das primeiras ondas estaria prevista para dentro de aproximadamente duas horas, com ondas que poderiam atingir segundo cálculos há pouco tempo efectuados – e ainda não confirmados – alturas compreendidas entre os 50 e os 100 metros. No entanto a conjunção de vários factores extremamente activos e confluentes ainda em investigação, poderiam tornar a situação potencialmente mais perigosa e devastadora, proporcionando situações que poderiam originar ondas gigantescas que devido à sua força e amplitude poderiam mesmo entrar terra dentro por dezenas e dezenas de quilómetros, o que seria catastrófico para as localidades costeiras totalmente desprotegidas e sem mecanismos de emergência à sua disposição, para a implementação dum processo de rápida e segura evacuação de todos os seus habitantes. Não perdemos mais tempo a ouvir mais nada e aceleramos sem pestanejar em direcção ao nosso destino, onde o Daniel nos recolheu um pouco nervoso à nossa chegada (finalmente) e nos introduziu no seu habitáculo secreto: à nossa frente as antenas e radares da Foia destacavam-se sob o céu estrelado que as envolvia, com o cometa já bem visível a olho nu no céu nocturno e com o mais que provável mega tsunami a menos de duas horas de distância: à medida que se fosse dando a aproximação das ondas à costa algarvia a sua velocidade de deslocação iria diminuindo, mas mesmo com velocidades reduzidas na ordem dos 20km/h, ao atingirem zonas de águas cada vez menos profundas a amplitude das mesmas aumentaria, dando origem a ondas gigantes que poderiam invadir a terra várias dezenas de quilómetros adentro. Dos seus 900 metros de altitude seria possível ver a chegada do tsunami à costa algarvia e talvez ali alguém se salvasse. Por volta da uma da madrugada.


Mapa da Terra – vulcões, placas tectónicas

 

Dia 26 – 00h 00mn

A entrada do habitáculo ia dar a uma pequena cave sem grande iluminação, dispondo duma escada bastante estreita e inclinada construída em tábuas de madeira, que ia dar em poucos degraus a uma porta que se encontrava fechada e sem fechadura visível: foi o Daniel que a abriu com uma simples pressão exercida pelo seu indicador esquerdo, aplicando-a sobre um ponto que não identifiquei localizado no lado direito da referida porta. Entramos então numa espécie de residencial silenciosa e sem clientes, dirigindo-nos logo para o andar superior: do cimo do terraço avistava-se toda a costa e daqui tudo parecia decorrer normal e tranquilo, com a serra estendendo-se na penumbra em direcção ao mar, enquanto que os seus bichos nocturnos se afastavam dos seus abrigos para o seu quotidiano de luta diária. Como constatei mais tarde no decorrer da apresentação da sala de operações e telecomunicações onde imediatamente se instalaram, os dois amigos eram membros duma organização governamental de segurança criada secretamente pelo Pentágono, por reacção a interesses hostis e na altura incompreensíveis provenientes de acções protagonizadas por agentes associados à CIA e com ligações com sociedades secretas norte-americanas como os Illuminati, que sistematicamente tinham vindo nos últimos anos a dinamitar todas as investigações provenientes de agências como o Pentágono, sobre Alterações Climáticas, Perigos Externos e Ascensão de Sociedades Secretas – e contando com a passividade da NSA, do Departamento de Defesa dos EUA e de todo o poderoso sector empresarial privado norte-americano. Ali destacados com dois objectivos fundamentais a cumprir e a executar, sendo um deles o da monitorização e comunicação de todos os dados adquiridos no decorrer desta operação e da possível formulação de hipóteses e teorias, que de qualquer modo pudessem contribuir para a concretização duma opção alternativa com um mínimo de previsibilidade de sucesso (mesmo que parcial) garantido. Eu seria apenas o aliado interno e sem grandes ligações externas, destinado a acompanhá-los nas suas movimentações na região. E enquanto os observava a mexerem nos aparelhos, equipamentos e monitores que se amontoavam diante deles, ouvi-os a comunicar com conhecidos do David, que se referiam um pouco agitados a uma possível queda da rede eléctrica nacional, devido a rumores não confirmados oficialmente vindos de Espanha e do centro da Europa, afirmando que se estaria a preparar algo de fora de comum (provavelmente um golpe estratégico) que poderia levar ao colapso mesmo que temporário de toda a rede eléctrica europeia, abrangendo nesse imenso território todo o leste europeu e incluindo no grupo a própria Rússia e muitos dos seus vizinhos asiáticos. Tanto no Malhão como na Foia a primeira coisa a fazer por todos foi logo verificar as fontes de energia de emergência disponíveis e como garanti-las o maior espaço de tempo. E pela serra abaixo as luzes foram-se todas apagando. Por todo o mundo a agitação atingia já um dos muitos picos máximos que iria viver e reviver nas suas próximas horas, com diversos acontecimentos sismológicos a sucederem-se um pouco por todo o lado mas para já sem grandes consequências – não contando ainda com os efeitos que iria provocar o tsunami em curso com origem nas Canárias – mas com notícias alarmantes recebidas nos derradeiros instantes e oriundas do outro lado da Terra, referindo-se repetidamente ao abatimento de largas áreas costeiras ao longo do litoral da Nova Zelândia, assim como de outras zonas desérticas interiores sem nenhuma ligação ao mar e que estariam em conjunto e aparentemente a contribuir para o afundamento gradual da ilha, o que estava a colocar toda a população em pânico e sem saber para onde fugir; assim como da entrada surpreendente em actividade dos vulcões inactivos do norte de África, das convulsões agora maia alarmantes que se verificavam ao longo da caldeira do super vulcão adormecido de Yellowstone e que levara à completa evacuação do Parque Nacional e de toda uma área imensa em seu redor e ainda da divulgação muito em breve do possível local de impacto do cometa com a Terra – se o mesmo se confirmasse.

 

Fim da 2.ª parte de 8

 

(imagens – retiradas da Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:14

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