Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

26
Mar 19

[Enquanto não decidirmos partir (algo que nos persegue desde o nosso nascimento e nos acompanhará até à morte) arranjaremos sempre entraves como desculpa (para o não fazermos).]

 

"The Great Silence"

Why aliens haven't contacted us

Exploring one possibility known as the

"zoo hypothesis."

(tema de um debate levado a cabo por um grupo de investigadores e organizado pelo METI/organização dedicada à criação e envio de mensagens interestelares tendo com destinatário seres inteligentes extraterrestres, ou seja, ET’s)

 

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Numa história já por várias vezes repetida (e em diversas versões escutada) introduzindo as únicas características (parecendo inatas e geracionais) que nos têm permitido até hoje distinguir o Bem do Mal (pelo menos invocando Deuses/Religiões/Ideologias) −  introduzindo o pecado (como um dos limites e punição) e a virtude social (como o outro dos limites e glorificação) e definindo o nosso raio de ação e fronteiras – constatamos mais uma vez que parecendo um pouco limitado no desenvolvimento e evolução (características das espécies organizadas e inteligentes) das suas capacidades e perspetivas futuras (não se deixando levar pelo contraponto da Realidade/exterior a nossa Imaginação/interior), o Homem recorre de novo (como se não houvesse outro caminho ou alternativa, ou tivesse sido repentinamente atacado por uma crise extrema de cegueira/nenhuma das hipóteses muito credível) à tática da Replicação (tentando preservar a Matriz Sagrada): esperando em mais esta projeção condições de palco ideais e sobretudo propícias à perpetuação do holograma pré-definido, acreditando na ainda completa funcionalidade do Molde (dito original) e simultaneamente na necessidade da sua reutilização (pondo-se de joelhos e em posição de submissão/reverência face ao potencial Criador),  e com tudo isto reafirmando a nossa necessidade de reorientação (ou de formação/especialização como no presente fazemos para entretermos e ganharmos algo com os inferiores) tornando ainda mais premente o aparecimento urgente de um Protagonista para colorir o Espetáculo pelos vistos da Criação.

 

“It's possible that extraterrestrials are actively isolating us from contact for our own good, because interacting with aliens would be "culturally disruptive" for Earth.”

(Jen-Pierre Rospars/INRA)

 

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E desse modo insistindo na versão (mais nossa do que de outros) de sermos animais num zoo (tal como fazemos com os outros ditos animais irracionais) observado por extraterrestres (os profissionais do zoológico) e controlando-nos (para sua e nossa segurança e como de grades se tratassem) à distância. Confirmando-se tal versão (de estarmos cativos num zoo controlado por extraterrestres), retificando-se a afirmação (e a resposta prévia à questão) agora tornada cenário por vários investigadores (e já agora imagem tratar-se de um Aviário): “Are Aliens Ignoring Us? Maybe We're Already Their Captives in a 'Galactic Zoo'” (Mindy Weisberger/livescience.com/25.03.2019.

 

"When we try to better understand the universe, the question of whether we are alone is unavoidable."

(Florence Raulin-Cerceau/Paris-Match)

 

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E sem resposta a dar pela esmagadora maioria (dos mais de 7,5 biliões de indivíduos habitando este espaço) – os tais do zoo/aviário − esperando-se para breve algo de extremamente intrusivo e já agora para compor, verdadeiramente espetacular: não vindo do Lado de Lá mas oriundo das Cobaias (talvez uma nova guerra ou então outra doença e sendo induzida pelos próprios) e na pratica experimental (esperada) retratando a nossa fase (ainda muito inicial ou então decadente) – esperando-se que em princípio ainda muito Primitiva, mas já com total capacidade de se auto extinguir, E querendo-se sobreviver então, só socorrendo-se de (potenciais, os ET) observadores, podendo-se ao olhar o espelho (retratando o objeto) “aí vermos os frangos (de aviário) dirigindo-se para a Guia (e seus múltiplos grelhadores)”.

 

(imagens: KTSDESIGN / SCIENCE PHOTO LIBRARY / KTS / SCIENCE PHOTO LIBRARY / AFP – Linda Bucklin/Shutterstock −© Arecibo Observatory/NSF)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:40

13
Jan 18

Se és aquele tipo de pessoa que com toda a convicção afirma

“I WANT TO BELIEVE”

Mesmo que outras pessoas solidárias nos apoiem (na nossa luta)

Mas não nas nossas (mais profundas) convicções

 

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Última hipótese de contactar Extraterrestres

Sábado dia 13 de Janeiro

 

Esta semana de quarta-feira a sábado (de 10 a 13 de Janeiro) poderás usufruir conjuntamente com a FOX (numa iniciativa da agência Jack The Maker) de uma hipótese única de eventualmente comunicares com EXTRATERRESTRES enviando-lhe uma mensagem e nela incluído um convite: e assim incluído no pacote de promoção da nova temporada dos X-FILES (contando com a participação do crente FOX MULDER e da cética DANA SCULLY) ‒ divulgando a nível mundial a campanha “HI ALIENS!” ‒ com a ação em Portugal a ser levada a cabo em Lisboa na Avenida da República a partir das 18:00. Com muitos portugueses sendo ainda capazes de pensar e por vezes de imaginar (nem que seja a sonhar, uma parte da realidade) ‒ apesar de todo o desespero e sofrimento sem se encontrar soluções (uma forma de verdade e um modo de acreditar) ‒ a aproveitarem o momento para voltarem à infância (com as palas por aplicar) de modo a contactar PETER PAN ou então um outro ET. Entre os dias 10/13 podendo (1) contactar os ET mesmo estando na rua, ou então (2) tentar fazê-lo confortavelmente instalado do interior de sua casa (a nossa Nave Espacial):

 

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Última hipótese de contactar Extraterrestres

Avenida da República/Lisboa ‒ 18:00

 

Estando presente no local (1) utilizando um laser escrevendo uma mensagem na parede de um edifício, estando em casa (2) enviando-a (para o centro operacional do projeto) e sendo certificada (não vá chatear os ET) projetando-a e imediatamente dirigindo-a para Outros Mundos. Nesta iniciativa da RAPOSA (caçadora e gostando das presas vivas) prioritariamente destinada aos fãs (e restantes consumidores) esperando que um ET passe por cima de nós em Lisboa (colocando Portugal nas notícias) e procurando o aeroporto para poder aterrar veja os lasers projetados nos edifícios da capital: lendo as nossas mensagens e (convencendo-o) aceitando o nosso convite (Milagre) e assim depois do Papa sendo a segunda Entidade (Exterior/Superior) a visitar Portugal ‒ ainda restando para tal dia 13 (sábado de sorte ou de azar) a partir do fim da tarde. Mas ficando (de novo) à espera desta Nova Temporada, para ver para que lado cai definitivamente esta série (X-Files): terrestre (contando histórias de cá e muitas conspirações) ou extraterrestre (histórias trazidas de Lá e transportadas para Cá). Mas pela tela gigante da Avenida ou pelo endereço do Site podendo-se ter a certeza que muitos Acreditarão ‒ como muitos acreditam na nossa revolucionária GERINGONÇA (neste caso um OVI transportando espécies diferentes).

 

(imagens: imdb.com e meiosepublicidade.pt)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 02:20

12
Out 16

Com um português como líder da UN

 

Se nos limitarmos a replicar tudo aquilo que nos dizem (já filtrado e editado), nunca mais compreenderemos (por ausência de memória e de cultura) o que existe para além da nossa própria realidade (regularmente exposta nos sonhos e até no imaginário).

 

"If intelligent life has evolved (on Gliese 832c), we should be able to hear it," says Hawking of the planet, which is at least five times the mass of Earth. "One day we might receive a signal from a planet like this, but we should be wary of answering back. Meeting an advanced civilization could be like Native Americans encountering Columbus. That didn't turn out so well." (ibtimes-com)

 

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Com grandes expetativas de que ainda este ano os Extraterrestres se decidam finalmente a revelar a sua presença no interior do Sistema ao qual pertence o nosso planeta (tendo como estrela de referência o Sol), temos forçosamente que acreditar que logo após a eleição do Presidente da autodenominada maior potência global (existente à superfície da Terra) e sendo colocados perante duas alternativas únicas, violentas e suicidárias (aplicadas de duas formas aparentemente diferentes mas na sua essência ideológica sendo iguais) nada ficara como dantes, com as notícias dos nossos voos interplanetários em direção ao Espaço Exterior (sondas automáticas não tripuladas) a começarem a ser substituídos por outras informações mas em sentido contrário, com o relato crescente de avistamentos de objetos estranhos circulando em redor do nosso planeta ou entrando mesmo na nossa atmosfera: numa órbita caótica ou ordenada.

 

"I imagine they might exist in massive ships, having used up all the resources from their home planet,” said Hawking. “Such advanced aliens would perhaps become nomads, looking to conquer and colonize whatever planets they can reach. If so, it makes sense for them to exploit each new planet for material to build more spaceships so they could move on. Who knows what the limits would be?" (ibtimes.com)

 

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Podendo estar marcado para o próximo ano de 2017 a concretização do Evento por muitos há já bastante tempo previsto (seja com bombas atómicas, impacto de asteroides ou até com uma invasão alienígena), sendo o ponto cronológico da sua aplicação e início de execução o marco histórico referente à data da eleição do 45º Presidente dos EUA: marcado para o dia 8 de Novembro de 2016, num cenário interno e externo de grave crise económica e de inexistência crescente de valores éticos e morais e tendo como únicos protagonistas (os restantes foram apagados dos media) dois dos maiores expoentes deste sistema já ultrapassado e em avançado estado de decomposição (sintoma do fim de mais um Império) – completando-se e anulando-se numa derradeira tentativa de sobrevivência. Pelo que o mais natural de suceder neste período de pré-genocídio anunciado (tanto pelas ações praticadas pelo Homem como pelos sinais de resposta dados pela Natureza) será o da divulgação da notícia do afundamento da nau em apuros com todos os seus passageiros a bordo e sem um único sobrevivente.

 

"We don't know much about aliens, but we know about humans,” said Hawking. “If you look at history, contact between humans and less intelligent organisms have often been disastrous from their point of view, and encounters between civilizations with advanced versus primitive technologies have gone badly for the less advanced. A civilization reading one of our messages could be billions of years ahead of us. If so, they will be vastly more powerful, and may not see us as any more valuable than we see bacteria." (ibtimes.com)

 

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Algo que certamente levará aqueles que interessadamente nos estudam e que há muito tempo nos observam, a tomar uma atitude firme e solidária (talvez mesmo de espécie) intervindo decisivamente no processo – reajustando parâmetros básicos e como que fazendo um Reset (parcial) de Software defeituoso. Numa tentativa desesperada de salvar uma espécie dramaticamente em vias de extinção, não causada pela falta de adaptação do Homem ao desenvolvimento e transformação natural do ecossistema que o rodeia e lhe permite ter condições para viver e se reproduzir, mas provocada pela extrema violência e brutal capacidade destrutiva (ainda-por-cima a curto-prazo) da nossa espécie, atuando sem olhar a meios, recursos ou mesmo pessoas. Pelo que seja qual for o louco a ser eleito nas presidenciais norte-americanas (Clinton ou Trump) de uma coisa poderemos estar certos: no decorrer do ano de 2017 e com um destes candidatos já eleito e a começar a ditar as suas Regras do Mundo (não percebendo que já nem tudo é dele) o conflito aquecerá e algo de novo sucederá (mesmo que replicado) – ou o mundo se mantém estático sujeitando-se à sua implosão (Evento ao Nível da Extinção) ou outro mundo intervém (dinâmico e exterior) salvando-nos (como seus alunos) ou colonizando-os (como nossos professores).

 

(texto/inglês: Susmita Baral – imagens: geek.com/wakeupkiwi.com/voiceofchakwal.blogspot.pt)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 22:20

05
Jan 16

Presidênciais Norte-Americanas 2016

 

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Hillary Clinton says aliens may have visited Earth

 

Numa recente afirmação da candidata Democrata às eleições presidenciais norte-americanas Hillary Clinton e respondendo a uma questão colocada por um jornalista de New Hampshire (refletindo sobre uma declaração de Bill Clinton efetuada em 2014 e em que o mesmo mencionava que não ficaria nada surpreendido se os extraterrestres já nos tivessem visitado) esta disse:

 

“I think we may have been. We don't know for sur.”

 

Agora que vai começar em Portugal mais uma época da série norte-americana Ficheiros Secretos torna-se bastante interessante ver o candidato neste momento mais bem colocado a tornar-se no próximo presidente dos EUA a afirmar em plena campanha eleitoral que acredita em extraterrestres e que estes já nos tenham visitado. Fantástico ou receio pela presença na campanha de outro e poderoso alienígena?

 

Trump?

 

(texto/itálico e imagem: RT)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 10:40

01
Jun 15

Novos Ficheiros Secretos – Albufeira XXI
(tomo A/31.5)

 

Dia 5
5.ª Etapa da Viagem
(Na serra de Monchique)

 

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O veículo parou. Acabáramos de chegar ao fim do nosso trajecto e encontrávamo-nos inseridos num terminal individual: como se tivéssemos chegado à nossa plataforma privada e individual de transporte mesmo junta à nossa propriedade privada. E na realidade foi só percorrer a passagem que nos separava do exterior e entrarmos directamente num novo módulo adjacente: diante de nós um elevador de transporte horizontal e um outro de transporte vertical apontavam-nos as possíveis saídas. Nesse momento estávamos completamente às escuras, não fazendo a mínima ideia da zona de Monchique onde poderíamos estar – isto se fosse mesmo este o local e não um outro qualquer. Tentamos compreender o painel de comando dos elevadores, mas para além de podermos (quase de certeza) ter identificado o botão de arranque, os símbolos do menu exposto no visor eram para nós incompreensíveis: uma mistura de letras com algumas delas muito parecidas às do nosso alfabeto, combinada com uns desenhos estranhos fazendo-nos lembrar por aproximação os hieróglifos egípcios. Enquanto reflectíamos sobre o que iríamos fazer a seguir, aproveitamos para fazer uma leve refeição e descansar por algum tempo: como assim já andavam nisto há mais de sete horas consecutivas. Teríamos que nos decidir entre os dois elevadores (horizontal ou vertical) e entre a oferta de destinos propostos por cada um deles escolher aquele que deveria ser o nosso. O horizontal seria a mais provável opção, a dúvida estava em qual das opções: um menu dispondo de três categorias (verde, amarela e vermelha), cada uma delas com três níveis (superior, médio e inferior) e que nos conduzia para uma possibilidade de êxito total na nossa escolha, nuns reduzidos e preocupantes 11%. Muito pouco para as nossas ambições de concretização da nossa aventura. Mas a Vida seria sempre um risco a correr, se dela quiséssemos tirar o máximo possível (ou seja Tudo).

 

Eliminamos desde logo a categoria vermelha (uma intuição muito forte transportada por esta cor quente, que apesar de indicar protecção também poderia significar outros perigos, como hierarquização e protecção contra intrusões); ficavam ainda duas. E ao lembrar-nos dos semáforos e talvez infantilmente influenciados pelo significado dessa cor, eliminamos de seguida o amarelo e o aviso de perigo a ele associado (simbólico mas muitas vezes real) evitando assim sermos apanhados sem protecção e defesa (e de uma forma inesperada) por algo insuperável e particularmente perigoso. Restava a categoria Verde e a opção por um dos três níveis. 1/3 Sempre era melhor que 1/9.

 

Entramos no elevador de acesso ao nível superior. Talvez por ser aquele que em princípio nos colocaria nalgum ponto mais próximo da superfície. Os meus companheiros achavam que um dos símbolos poderia referir-se ao local onde estaria localizada as Termas de Monchique, já que o desenho lhe fazia lembrar uma fonte. Eu achava que era uma interpretação demasiado simplista do que víamos (ou desejávamos). Mas como não tinha escolha deixei-me levar pelos dois. Uns segundos depois o elevador parava, a porta abria-se e introduzíamos no que parecia ser uma sala intermédia de acesso. Uma das duas portas existentes dava para o que seria um compartimento de apoio técnico, enquanto a outra aparentemente seria um possível acesso para o exterior: era pelo menos o que o símbolo impresso na mesma parecia querer significar, ao vermos uma paisagem estilizada com o mar no horizonte. Fez-nos logo pensar na espectacular vista que todos já apreciáramos a partir de um dos mirantes situados já no interior da serra do Monchique, com uma vasta extensão da costa algarvia a poder ser observada e profundamente apreciada em dias claros, bonitos e sem nuvens. E passados alguns minutos já estávamos a por as nossas cabeças finalmente fora do buraco. E pelas 10:00 da manhã já olhávamos para a costa de Portimão, ainda meio escondidos entre as árvores, da proximidade de algumas pessoas que por ali circulavam. Reparamos então que estávamos um pouco acima da cidade de Monchique, mais precisamente em plena estrada de montanha (que ia dar à Foia) e muito próximo de uma das fontes onde os locais iam recolher habitualmente água para seu consumo. Até se viam dali algumas filas de garrafões de plástico. O nosso plano seria neste momento pensar no que fazer a seguir: para isso teríamos de ter alguma forte intuição ou esperar que algo ou alguém nos desse um significativo sinal. Voltamos então ao interior do buraco de onde saíramos e aí fomos à procura de algum tipo de ajuda.

 

Encontramos apenas um pequeno mapa em evidente mau estado (e que parecia ter sido para ali atirado apressadamente e sem cuidado), juntamente com uma (mais bem conservada) caneta e o que parecia ser um conjunto de agrafos. E com estes três artefactos teríamos que decidir os passos seguintes. Abrimos com muito cuidado o já muito deteriorado mapa, estendemo-lo sobre a única mesa existente e tentamos fixa-lo nas suas extremidades: as nossas três lanternas e a bússola que possuíamos serviram muito bem para o efeito pretendido. O que observávamos era uma carta da zona do barlavento algarvio: tinha como fronteira uma linha vertical que passava muito perto de Albufeira, estendendo-se até ao promontório de Sagres. Nessa carta representava-se a topografia de toda esta região do Algarve, além da representação de algumas estruturas subterrâneas que provavelmente seriam túneis. Que pelo traçado e profundidade tanto poderiam ser de origem natural (antigos canais vulcânicos) como até de origem artificial (como já tínhamos constatado na nossa aventura). Com a ajuda da caneta ainda tentamos registar alguns dos pontos da carta que julgávamos mais interessantes para guardar, mas a mesma não escrevia. O que era um pouco estranho para nós, pois até que a caneta parecia mesmo nova. E já agora para que raio serviriam os agrafos? Acabamos por tentar fixar mentalmente alguns dos locais situados mais próximos de nós e que julgávamos importantes para podermos continuar pelo menos provisoriamente com a nossa viagem e voltamos a sair para o exterior. Por desconfiança na compreensão do verdadeiro papel a desempenhar por estes dois objectos, no contexto não completamente normal onde actualmente nos encontrávamos, decidimos levar connosco a caneta e os agrafos. O que como veríamos seria uma decisão por nós assumida talvez que acidentalmente (apesar do acaso poder estar intimamente ligado à necessidade), mas que se revelaria extremamente importante poucos minutos depois.

 

Sem sabermos muito bem que decisão tomar, optamos inicialmente por atravessar a encosta onde nos encontrávamos, em direcção a zonas mais a ocidente. Se entretanto lhes surgisse algum contratempo, logo decidiriam como o contornar. Quando caminhávamos pela encosta tentando cortar caminho entre árvores e alguma vegetação rasteira um pouco mais densa, uma criança viu-nos e com um grito bem audível chamou a atenção dos seus familiares aí presentes. Assustados com o grito emitido pela jovem apareceram logo dois elementos adultos, que face aos gestos da criança logo se puseram a olhar um pouco alarmados na nossa direcção. Mas quando nos viram e nos identificaram como elementos inofensivos, lá acalmaram a criança e ainda se riram e gesticularam para nós. A criança é que não ficou lá muito convencida e já com os familiares mais descansados e afastados começou a fazer-nos caretas e como nós respondemos então evoluiu e até nos atirou umas pedras. Peguei no que estava no bolso e em tons de ameaça simulei que iria responder ao ataque e atirar também umas coisas: aí a jovem assustou-se de verdade e aos gritos fugiu e foi ter com o seu grupo. Ainda nos rimos ao ouvirmos como que transportado pelo vento a resposta de alguém: “Bem feito, é para aprenderes”! Divertido e vencedor apertei as minhas armas entre os dedos e senti uma estranha (mas incomodativa) impressão: larguei logo o que tinha entre dedos. A caneta era uma agenda digital com um pequeno projector capaz de disponibilizar hologramas informativos; só entrava em funcionamento quando o circuito de alimentação era ligado; e para tal eram utilizados os diferentes agrafos, os quais fechariam um determinado circuito conforme a aplicação solicitada. E agora estava activa. Só faltava tirar dela o que necessitávamos. O que até foi fácil percebido o seu método de funcionamento: a caneta adaptava-se ao seu operador e era este através da sua capacidade cerebral de funcionamento que projectava virtualmente num ponto não existente do espaço (mas materializado como se fosse uma tela) as informações desejadas. Pensei no trajecto que deveria tomar de seguida e logo toda a descrição me apareceu instantaneamente, apontando agora para um novo local no interior da região do barlavento algarvio cercando a cidade de Lagos. Socorrendo-me da bússola tentei pelas coordenadas identificar visualmente o local e feito isso chamei os meus companheiros e partimos.

 

Dia 6
6.ª Etapa da Viagem
(Um Salto até Lagos a Caminho de Sagres)

 

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Era meia-noite, estávamos muito cansados e até tínhamos algumas bolhas nos pés. Ao abandonarmos a serra de Monchique, sabíamos de antemão que teríamos à nossa frente pelo menos uns bons 40km (ou mais) de caminhada dura e por vezes bastante suada, até atingirmos o nosso próximo destino no concelho de centro em Lagos. O que poderia significar nesta nova etapa da nossa aventura e tendo em atenção todo o cansaço por nós acumulado nestes últimos cinco dias, umas doze horas de viagem. Não foi por isso grande a nossa admiração quando ao fim de quase doze horas de caminhada, pouco mais tivéssemos percorrido do que metade dos quilómetros previstos: tínhamos chegado a uma das extremidades da albufeira da barragem de Odiáxere situada muito perto de Guena (na margem oposta). Estaríamos a uns seis quilómetros da barragem da Bravura e aí resolvemos pernoitar. Acendemos uma pequena fogueira e fizemos um chá de um limão que encontráramos pelo caminho. Enquanto esperávamos deleitamo-nos com uns quantos frutos de medronho apanhados na descida de Monchique, entrecortados por figos secos que trouxéramos nas nossas provisões. E um gole de medronho (que um de nós transportava num pequeno cantil pendurado no pescoço) apenas para recarregar.

 

A noite estava uma verdadeira maravilha. O céu estava límpido e cintilante, a Lua a crescer iluminava suavemente a escuridão nocturna do momento e os contornos da albufeira de Odiáxere, eram aos nossos olhos delineadas por uma linha virtual, contrastando fortemente com o brilho calmo daquelas águas. Verdadeiramente era um tipo de paraíso nocturno: naturalmente silencioso, com pontos de luz sobre a terra e outros a iluminarem o céu. Apenas na distante serra (de Monchique) com um pequeno grupo de nuvens. Enquanto observávamos a albufeira fomos contando as luzinhas: em redor das águas calmas e amenas da albufeira e aproveitando esta perfeita noite de Verão, alguns grupos de pessoas teriam vindo aproveitar esta oportunidade retemperadora (e a chegada do fim-de-semana) para conviverem e usufruírem da noite. Só dentro do nosso campo visual contamos perto de uma dezena. No céu só a Lua, um ou outro planeta e muitas estrelas. Um de nós vira uma estrela cadente. E também se ouvia o ruído (da vida) da noite, algumas ondinhas a bater e o som de uma ou outra ave. Nada mais. E então vimos uma luz vinda de sul a atravessar a albufeira longitudinalmente e em menos de cinco segundos desaparecendo. Mas tudo tinha sempre uma simples explicação. Um pequeno clarão deu-se então atrás de nós. Viramo-nos de novo na direcção da serra (de onde viéramos) e apanhamos bem de frente a pequena onda de choque provocado pelo trovão: já quase em cima de nós um grupo de nuvens escuras com aparência bastante ameaçadora mostrava desde já a frente da muralha de água que dentro de segundos e com grande intensidade nos atingiria, levando-nos de imediato a fugir e a procurar abrigo junto do velho moinho de vento, já há muito tempo abandonado e onde pensáramos (se tal fosse necessário) dormir. De repente chovendo intensamente e sem qualquer momento de interrupção (durante quase dez minutos), deixando grandes parcelas de terrenos todos alagados e fazendo no final com que todas as luzes em torno da albufeira se apagassem. Provocando até uma descarga num posto de transformação e colocando tudo às escuras. Agora é que era de noite. Três horas da madrugada.

 

“Uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz, mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio d’água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. Parámos surpreendidos pela aparição. Estávamos tão perto, que ficávamos dentro da luz que A cercava ou que Ela espargia, talvez a metro e meio de distância, mais ou menos.”

 

“Abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos.”

 

“Em seguida, começou-Se a elevar serenamente, subindo em direcção ao nascente, até desaparecer na imensidade da distância. A luz que A circundava ia como que abrindo um caminho no cerrado dos astros, motivo por que alguma vez dissemos que vimos abrir-se o Céu.”

 

“Os relâmpagos também não eram propriamente relâmpagos, mas sim o reflexo duma luz que se aproximava. Por vermos esta luz, é que dizíamos, às vezes, que víamos vir Nossa Senhora; mas, propriamente, Nossa Senhora só A distinguiamos nessa luz, quando já estava sobre a azinheira.”

 

(extractos: fatima.pt)

 

O espectáculo num âmbito aparentemente pirotécnico começou logo a seguir. Aquecêramos o chã e resolvêramos ficar mais um bocadinho a apreciar o cenário que envolvia a albufeira. A electricidade tinha sido reposta (como o demonstrava a iluminação da barragem da Bravura) e lá ao longe (uns pontinhos ali e outros acolá) a iluminação estava de regresso. À volta da albufeira é que já não havia sinais da presença e actividade de outras pessoas. A passagem das nuvens e a intensa precipitação tinha-as afugentado da zona, trazendo-as de regresso às suas terras e à protecção dos seus lares. Em torno da barragem deveríamos ser os únicos que por ali permaneciam, aproveitando ao máximo todas as sensações que esta linda noite nos propunha (apesar da anterior chuvada) e preparando-nos debaixo deste maravilhoso cenário para umas horinhas bem dormidas: já era muito tarde e se queríamos atingir o mais cedo possível a cidade de Lagos, não nos poderíamos esquecer que ainda teríamos pela frente (no mínimo) uma boa dúzia de quilómetros. E foi aí que diante dos nossos olhos o céu se começou a alterar.

 

Inicialmente assemelhava-se a um avião. Vinha de norte e movimentava-se lentamente. Repentinamente pareceu aumentar de velocidade, desceu nitidamente de altitude e pareceu apontar o seu rumo na nossa direcção. Ficamos um pouco assustados. Teria o avião algum problema? Estaríamos nós sugestionados por algo e imaginando casos onde nada se passava? Na verdade não ouvíamos qualquer ruído e até poderia ser outra coisa qualquer (um meteorito?). Mas a luz não se foi embora e rapidamente atingiu um ponto situado no lado oposto da albufeira. E surpreendentemente parou e aí pareceu ficar como que suspensa no ar e a aguardar (durante cinco minutos não vimos um único movimento nem sequer alterações sonoras ou luminosas). Nunca na vida tínhamos estado presentes num acontecimento deste tipo, enfrentando provavelmente um objecto voador desconhecido tripulado por seres vivos e inteligentes, de quem talvez ninguém conhecesse a sua existência. Fossem eles terrestres ou extraterrestres. Apesar de tudo o que víramos nestes últimos dias e do que tal testemunho poderia significar para todos (existência de outros seres vivos inteligentes e mais avançados tecnologicamente), ainda sentimos um arrepio percorrer a espinha, postos frente a frente com algo de desconhecido e inexplicável. O objecto mexeu-se um pouco mais emitindo então durante alguns segundos um jogo complexo de luzes: pelos vistos estariam a emitir sinais (entre eles) já que pouco tempo depois quase que uma dezena de outros pontos luminosos surgiram no céu dirigindo-se na nossa direcção. Assustados refugiamo-nos de novo no interior do moinho e do piso superior (ainda intacto apesar do tempo) ficamos a assistir. Oito objectos aparentando ter a mesma forma e dimensão estavam agora perfeitamente agrupados em volta do objecto que chegara em primeiro lugar: e sem mais começaram a alterar a sua cor numa sequência que parecia planeada e propositada.

 

Primeiro os objectos luminosos iniciaram um bailado sem objectivo visível e completamente caótico, que na mistura incrível de cores e projecções laterais que nos ia proporcionando, acabava por nos oferecer um espectáculo verdadeiramente fantástico, nunca visto e do outro mundo e que nos fazia sentir como se estivéssemos a assistir a um processo transformativo ainda indefinido e oscilando entre esse belo caos e um determinado tipo de fluidez organizativa (e dinâmica pela acção e movimento). Organizaram-se depois segundo um determinado esquema ainda incompreensível para nós e subitamente sentimo-nos como se estivéssemos a olhar para o interior de um caleidoscópio, como uma verdadeira criança não formatada e nunca tendo ocupado um determinado armário certificado e dito evolutivo: provavelmente a orientação destes objectos era um tema livre e aberto. E este bailado durou ainda uns largos minutos (ou horas?) deixando-nos como que hipnotizados e susceptíveis a teorias e práticas que nos esmagavam agora com esta realidade, como se fossemos vítimas presentes de uma avalanche (sentindo os seus efeitos no corpo) que antes consideraríamos idealística, irresponsável e infantil e sobretudo uma característica de utópicos ultrapassados e sem futuro. Quase que nos deixáramos levar mas não era esse o objectivo deles. Então espalharam-se de novo sobre a barragem e a partir de um foco central montaram uma projecção a múltiplas dimensões: visuais mas também com efeitos sonoros ainda mais impactantes, apesar de por nós não audíveis mas profundamente intrusivos e actuantes. E sobre uma tela fictícia mas real vimos a mensagem reconstruída e transportada pelas sondas Pioneer: no início dos anos setenta as sondas Pioneer 10 e 11 levavam consigo (impressa numa das suas placas) uma mensagem com figuras e símbolos utilizados pelos terrestres e destinada aos nossos possíveis colegas extraterrestres. Que pelos vistos de uma forma ou de outra a tinham recebido.

 

Fim da parte 3/4

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:49

28
Mai 15

“Os Extraterrestres gostam muito do sabor da Água da Terra e por isso já andam a Roubá-la”

 

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Como nós todos sabemos, o Homem quando bem situado na Vida, tem um prazer especial em emitir opiniões. Particularmente auto-elogiando-se e encontrando culpados. E no segundo caso se necessário até recorrendo ao fantástico: ou não fosse ele um tipo imaginativo e ainda por cima visionário.

 

Assim se compreende a última afirmação vinda via canais da Web directamente dos Estados Unidos da América, sugerindo que a violenta seca que há já vários anos assola o estado norte-americano da Califórnia, poderá ter como um dos seus principais responsáveis seres extraterrestres.

 

A teoria é baseada no relato de uma testemunha que se encontrava a bordo de um avião de uma companhia aérea norte-americana (o piloto, fotografo amador), que declarara ter observado (e registado em câmara) na sua rota de aproximação a um aeroporto do estado vizinho do Nevada, um objecto pairando sobre um lago próximo, aparentemente como se estivesse a sugar água dessa grande extensão líquida.

 

O piloto (anónimo) afirma ainda ter contactado o objecto não tendo obtido resposta.

 

Entretanto confesso que nunca tinha ouvido uma explicação como esta (para a seca na Califórnia). Acredito mais nas consequências de uma qualquer alteração climática (como o famoso aquecimento global), talvez conjugada com uma evolução geológica dos terrenos em profundidade, ainda não muito entendida e muito menos explicada (fenómenos de sismologia e de vulcanologia).

 

A partir de agora os californianos e todos aqueles espalhados por todo o mundo vivendo na mesma situação (excepto os alentejanos que no Alqueva fizeram aparecer água), terão mais um motivo para olharem para o céu mas agora para se defenderem e não para rezarem. Mas nós já há muito mais tempo que sabemos que um dia virá, em que numa noite de muito nevoeiro e surgindo do seu interior, sairá (um) Salvador.

 

(dados e imagem: locklip.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 23:23

05
Abr 15

 

Extraterrestres: Seres que tem a sua origem fora do planeta Terra.

 

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Sistema Solar
(NASA – ilustração)

 

Vivemos num mundo de múltiplos aviários dispersos em diferentes coordenadas (mas por aproximação e interacção confluentes no mesmo objectivo), onde os animais são criados e alimentados de modo a atingirem um determinado fim, a partir do qual e a qualquer momento poderão ser certificados e dispensados (libertados, mortos, seleccionados, transformados, etc): na linguagem intrusivamente inserida nessas cobaias e pelas mesmas interpretado como libertados, mas na verdade apenas dispensadas por quantidade excessiva e falta de qualidade.

 

Se em extensão o número de cobaias actualmente catalogadas se torna de manutenção impraticável (mesmo em tempo de guerra, 7 biliões é demais), em compreensão o acontecimento torna-se muito mais dramático (para esses biliões imperfeitos, não para os teóricos da perfeição).

 

A quantidade é o oposto da qualidade e a qualidade que hoje em dia o sistema transmite já não é a adequada nem sequer mesmo a aceitável: nos dias de hoje e daqui para o futuro o mundo assentará em meros mecanismos de mercado (no Objecto) e subverterá com o seu poder financeiro, manipulativo e abstracto transportado pelo dinheiro/moeda (ou seja restringindo o nosso acesso ao poder) o indivíduo (o Sujeito), despromovendo-o não só relativamente às Coisas mas colocando-o atrás (e bem lá atrás como hoje já se verifica com os instrumentos primitivas) da própria máquina – muito melhor do que o Homem pelo seus reduzidos custos de manutenção, por ser de fácil actualização e substituição e por nunca contestar directivas propostas mas apenas se limitando a aplicá-las.

 

Pelo menos para já!

 

Marte

 

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Marte ao meio-dia e ao fim do dia
(NASA – Mars Pathfinder)

 

Todos somos originários da mesma semente. O Sistema Solar é um organismo vivo. No início a célula formou-se, com o seu núcleo a ser envolvido por uma membrana de protecção. Defendia-se assim o centro e todo o Espaço envolvente. O conjunto desenvolveu-se, movimentou-se em múltiplos parâmetros, conjugou matéria e energia e no seu ponto intermédio deu origem à distribuição. Formou-se aí um grupo equilibrado por fechado ao mundo exterior. No equilíbrio do conjunto que constituía o primitivo Sistema Solar, o Sol era o centro umbilical duma limitada rede planetária, de ambientes semelhantes e proporcionadores da existência de vida. O Sol fornecia e a membrana proporcionava a partilha.

 

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Monte Sharp – Garden City
(NASA – Curiosity Rover)

 

Até que um dia a membrana se dissolveu, o organismo atingiu a maturidade e finalmente acabou por se expor. Junto ao Sol ficaram os mais novos, fugidos para mais longe os filhos mais velhos. E a abertura do conjunto à exposição do Universo por dissolução das suas fronteiras virtuais (por apenas se limitarem ao tempo), contribuiu para uma nova evolução desse mesmo conjunto e para a descaracterização do aparente modelo inicial (por estático). Com a interacção agora existente entre o Sol e a restante galáxia onde o mesmo estava instalado (a Via Láctea), todo o estado do sistema se alterou tornando-se agora extremamente dinâmico e claramente sequencial: com as etapas a decorrerem do seu exterior para o seu interior.

 

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Cratera Fram – Blueberries
(NASA – Opportunity Rover)

 

Os planetas exteriores por serem mais velhos e estarem colocados mais próximos das fronteiras do nosso Sistema foram os mais sacrificados. Hoje transformados em mundos quase esquecidos e gelados, com alguns deles a mostrarem uma grandeza aparentemente ofuscante mas apesar de tudo nada condizente com a sua história passada e contando ainda com uns quantos corpos celestes de pequenas dimensões, onde a água se terá refugiado e alguma forma de vida com ela sobrevivido. Sobraram na grande etapa os planetas interiores: Mercúrio, Vénus, Terra e Marte. O quinto antes de Júpiter fora destruído pelo grande cataclismo, dando origem a uns quantos corpos menores e à Cintura de Asteróides. Rodeados pela guardiã (Cinturão de Kuiper) e pela última fronteira (Nuvem de Oort).

 

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Thigh Bone on Mars or Just Another Rock
(NASA – Curiosity Rover)

 

O último ciclo iniciou-se em Marte. Mas o seu tempo estava desde logo contado: com o grande cataclismo que destruiu o quinto planeta (original), todo o espaço em seu redor seria violentamente afectado, tendo Marte como seu vizinho mais próximo sido de longe o mais brutalmente atingido (a todos os níveis fossem físicos ou químicos) e radicalmente modificado – com as acções vindas do exterior a reflectirem-se imediatamente nas condições geológicas e ambientais do planeta, encaminhando-o inexoravelmente para o seu fim. Perdeu a sua atmosfera original, perdeu as suas vastas extensões líquidas e no fim apenas ficou o deserto. Árido, sem vida aparente e viajando sem objectivos em torno do Sol. E aí a vida surgiu na Terra. Como se de uma sequência de sobrevivência se tratasse, com os planetas interiores a seguirem-se ordenadamente na criação de um ambiente sustentável e propiciador de vida e num trajecto bem claro de aproximação ao Sol. Como que afirmando que um dia, mais cedo ou mais tarde e se quiséssemos sobreviver, nos teríamos que encaminhar definitivamente para as estrelas e tal como os antigos aventureiros o desejaram e fizeram, descobrir outros mundos e aí se instalar.

 

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Vista panorâmica da região de Twin Peaks
(NASA – Mars Pathfinder)

 

Marte era o nosso passado e Vénus o nosso futuro. O que não excluía o planeta Marte de qualquer tipo de recuperação, nem que fosse estritamente de investigação e de aquisição de conhecimentos. Até porque em Marte todos os vestígios aí encontrados seriam os trilhos da nossa anterior passagem. E os trilhos reportam sempre à memória, à cultura e à nossa compreensão – do que somos e dos instrumentos de transformação. Como um pequeno organismo vivo pertencemos ao Sistema Solar e estamos integrados num conjunto mais vasto composto por muitos outros elementos que se reproduzem, evoluem, interagem e finalmente se completam (dando origem a outros). Essa interacção estende-se indefinidamente entre o mais pequeno e o maior organismo existente. O que implica que o próprio mega agrupamento onde estamos integrados (Via Láctea) mais cedo ou mais tarde terá que interagir fortemente com algum dos seus vizinhos, até para manter o seu movimento, as trocas de energia e matéria e a própria vida (seja ela o que for). Por acção e reacção dar-se-á um novo Evento (talvez com a galáxia de Andrómeda) e tudo se alterará: e como seres inteligentes deveremos ter a capacidade de assistir e subsistir.

 

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Planalto de Hebes Chasma
(ESA – Mars Express)

 

E tudo isto levando-nos ao que verdadeiramente nos trouxe aqui: a admiração de alguns pelo suceder de momentos inesperados e para já inexplicáveis do tipo déjà-vu: hoje deixamos de sugerir a possibilidade da existência de vida noutros corpos celestes, mas em sua substituição até já confirmamos a existência de largas extensões de água espalhadas pelo Sistema, de vida ainda que primitiva no solo ou em oceanos e até indícios ainda não claramente assumidas de vestígios arqueológicos. O Sistema Solar estende-se por 100000AU (100 mil vezes a distância entre o Sol e a Terra). Isso considerando os extremos localizados na Nuvem de Oort como a nossa última fronteira. Com o Cinturão de Kuiper muito mais próximo (50AU) e Júpiter quase que colado à Terra (5AU).

 

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Solo rochoso em Pahrump Hills
(NASA – Curiosity Rover)

 

“As massas nunca se revoltarão espontaneamente, e nunca se revoltarão apenas por serem oprimidas. Com efeito, se não se lhes permitir ter padrões de comparação nem ao menos se darão conta de que são oprimidas.” (George Orwell – kdfrases.com)

 

O Déjà-vu!

Primeiro a Terra era o centro do Universo. Vieram uns tipos do contra e lá teve a Igreja de intervir. O poder estava inquieto, a Religião estava em causa. Prometeram queimar Galileu, mas deixando-o morrer na penumbra, lá aceitaram o conhecimento. O Sol era o centro e o grande planeta que o orbitava era a Terra. O Universo éramos agora nós, o reino de Deus era a Terra, o Sol o anjo protector e o Universo tudo o que nos rodeava. Apenas se mudava o foco (a Terra) conservando-se o conteúdo (o Homem). Mas hoje já tudo mudou, mantendo o Homem o caminho previsto para a sua inevitável obliteração (perdão substituição).

Agora todo o Sistema Solar parece encharcado em Água. Marte pode ter tido oceanos, organismos vivos e sabe-se lá até civilizações. O Homem poderá ser o maior do seu Sistema, mas talvez nem mesmo um dos mais notados da sua galáxia. Talvez nem vivamos numa realidade verdadeiramente percepcionada, mas apenas rodeados por múltiplas projecções: o nosso órgão da visão não capta todo o Universo de sinais que nos atingem, pelo que mesmo ao nosso lado poderá estar um, ou então outro e eu. Deste mundo ou de outro qualquer.

Todas as nossas memórias têm sido constantemente reconstruídas. E acompanhada essa reconstrução pela utilização sistemática da nossa falsa cultura dita cada vez mais especializada (a nova forma de analfabetismo, pondo-nos exclusivamente a olhar para um ponto e ignorando todo o resto), a sensação de déjà-vu começa a tornar-se cada vez mais asfixiante e mesmo assim, em vez de tentarmos encontrar uma explicação compreensível e racional, recorremos mais uma vez à nossa conhecida garrafa de oxigénio (que até podia ser de vinho) festejando a nossa morte.

Viva la Muerte!

 

(imagens: NASA/ESA)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:42

18
Ago 14

Notícias provenientes do gelado e desértico território siberiano, afirmam que seres extraterrestres aterraram nas proximidades de Irkutsk.

 

Aí estão eles!

 

Os extraterrestres viajavam num característico disco voador, que acabou por aterrar na superfície gelada desta remota região da Rússia. As informações referem-se a cinco extraterrestres esverdeados (quatro deles visíveis sob a nave e um quinto localizado mais à direita) com alturas compreendidas entre 1,0/1,5 metros.

 

(dados e imagem – dailymail.co.uk)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 18:04

01
Mai 14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

[O Terrorismo Artificial Induzido (entre as vítimas) e a criação Natural do Super-Homem (entre os Escolhidos)]

 

“A nossa capacidade de compreendermos e aceitarmos o que nos é proposto para a recriação e fundação dum Novo Mundo, depende de como o interiorizamos, de como cumprimos as regras, do seu resultado imediato e da aceitação final e sem qualquer tipo de dúvidas de tudo o que dizem de nós – sujeitando-nos ao Superior infinito e assim incorporando-nos em Deus”.

 

Os seis pontos EIA (Estações de Intervenção Ambiental) colocados previamente no percurso respeitavam integralmente as indicações que tinha seguido com o seu manual de instruções e estavam de acordo com o plano de percurso que transportava consigo, produzido anteriormente pelos simuladores e agora bem visível no seu monitor. No exterior a carga luminosa estava dentro dos limites de segurança, não existindo em princípio perigo de ser visto e localizado. O objectivo secundário desta missão era verificar a reacção de seres vivos organizados, estruturados e num processo acelerado de desenvolvimento, face a registos inesperados e anormais de violência não esclarecida e fundamentada e sua possível invasão por radicalização e necessidade de retaliação sequencial, doutros níveis exteriores originalmente neutros e aparentemente desligados, mas agora inexoravelmente chamados a este espaço alterado e definitivamente contaminado. Uma tese de doutoramento deste nível ao ser apresentado no Conselho Local da Federação, certamente que teria um grande e profundo impacto, nesta pequena galáxia deste tão vasto universo. À volta do duplo tinha-se instalado um silêncio estranho e comprometedor: de certo que não demoraria muito a entrar-se no sexto acontecimento previsto.

 

No Limbo – Além de Tortura é Negar a Experiência de Passagem

(Um Simples Envelope como Elemento Libertador)

 

A triangulação fora definida por três pontos: um situado no santuário do Cristo Rei e os outros dois no Zoológico de Lisboa – um na minha posição a outra na do meu duplo. No santuário de Almada o espectáculo da luz imóvel e cintilante estacionada sobre a cabeça da estátua do filho de Deus juntara já a sua volta mais duma centena de curiosos, que dialogando entre eles sobre o estranho fenómeno – enquanto iam olhando a bola de luz e verificando se algo se modificava – iam congeminando nas suas cabeças cenários explicativos para o inesperado acontecimento, uns mais fantásticos do que outros. Entretanto chegara à base da estátua um jipe da GNR acompanhado por outro veículo da protecção civil. Juntaram-se assim ao já largo número de pessoas que aí se encontravam a observar, mais três elementos militares devidamente armados e dois outros elementos vestidos à civil – por acaso a mulher do presidente da junta e o seu filho acabado de se licenciar. Conferenciaram com os guardas ainda por uns momentos, dirigiram-se para a base do monumento do Cristo Rei e solicitaram ao funcionário que se encontrava ao serviço para lhes dar acesso ao interior e à zona do elevador: olhando uma última vez para o exterior ainda viram o povo em histeria a apontar freneticamente para o Céu. A bola de luz brilhou então mais intensamente, surpreendendo todos os presentes e cegando-os instantaneamente; de seguida contraiu-se violentamente e como que desapareceu; e sem que tivessem tempo para digerirem o momento nem compreenderem minimamente o que lhes estava a acontecer, um flash definitivo com origem no topo da estátua e no ponto brilhante explodiu em redor, varrendo toda a zona adjacente ao santuário e desintegrando tudo em redor. O espaço em redor estava agora completamente deserto, enquanto que do outro do Tejo uma luminosidade estranha cobria a zona onde estava instalado o zoológico, ouvindo-se ao longe e vindo do local sons repetidos e familiares, que pareciam ser de tiros e de fortes explosões: suportada nos seus três vértices a aplicação estava finalmente pronta a ser accionada.

 

A imperceptível cúpula electromagnética que cobria a zona de intervenção envolvendo o jardim zoológica estava agora activa, criando com a sua presença uma barreira de protecção contra acções agressivas que pudessem surgir do exterior e ao mesmo tempo disponibilizando aos agentes no terreno o acesso total aos seus sistemas de comunicação e aos seus instrumentos e ferramentas técnicas de introdução territorial e controlo mental.

 

Inicialmente foi só diversão. Recorrendo a uma religião matriarcal assente na Bruxaria e baseada na crença em entidades mágicas e sobrenaturais e nas suas relações profundas e poderosas com a Natureza, o duplo pôs imediatamente em prática a crença pagã nos quatro elementos, introduzindo no próximo episódio zoológico o símbolo do Pentagrama e dos seus quatro elementos físicos Ar, Fogo, Água e Terra – acrescidos dum quinto elemento de ligação o Éter, Espírito ou Alma. Com cada um desses cinco elementos colocados numa das seis Estações de Intervenção Ambiental (EIA) e uma outra aplicada como retorno – e simbolicamente representada por uma árvore (composta pelos quatro elementos físicos e solidificada pelo espírito). Mas sem nenhuma associação lógica (visível) com aquilo (sensações) que proporcionariam.

 

A primeira EIA a ser activada iniciou o seu procedimento automático mal os agentes do corpo de intervenção se introduziram no seu perímetro reservado: mal os seis elementos do corpo de intervenção violaram a zona de segurança a estação de intervenção explodiu, lançando no ar uma infinidade de pequenos círculos (brilhantes) circulando a grande velocidade e criando com o impacto da luz transportados pelos raios solares um arco-íris nunca antes visto, de cores intensas e contrastantes, parecendo frio e duro e de limites excepcionalmente cortantes. Os círculos pareciam ter uma estrutura fina e metálica, seccionando o espaço a grande velocidade: em poucos segundos os seis elementos tinham desaparecido no ar, restando no solo alguns pingos de sangue e um ou outro minúsculo resto de tecido orgânico – que as curiosas e laboriosas formigas do parque tratavam já por fazer desaparecer. No ar os conjuntos circulares incorporaram-se num só, a estrutura implodiu, desaparecendo no seu interior. Então e face ao avanço da restante força policial, o segundo e o terceiro EIA iniciaram os seus procedimentos intrusivos: enquanto o duplo não conseguia suster uma pequena gargalhada sem nenhum tipo de intenção senão o da libertação de ansiedades e de tensões espectáveis e naturais em seres humanos – precisamente o meio onde se encontrava – ao fundo a água da piscina onde os golfinhos actuavam transbordava, avançando duma forma organizada e como se tivesse vida própria, em direcção à restante força aí presente. Do interior da terra saiu então um relâmpago de luz e de fogo que atingiu violentamente os dois primeiros elementos que seguiam à frente da coluna, criando em seu torno uma enorme nuvem de fumo que tudo rapidamente encobriu. Qual não foi o espanto da restante coluna ao ver sair dessa densa e escura nuvem um ser que parecia o Diabo acompanhado por um outro que poderia ser um dragão: logo a seguir e controlando-os com uma dupla trela vinha o profeta Moisés. O espectáculo foi lindo e brutal. Enquanto o dragão ia queimando vivos todos os elementos que encontrava do seu lado, deixando uma amálgama de corpos queimados e retorcidos a escorrerem em fusão pela superfície sólida do parque, do outro lado o Diabo atacava os restantes, perfurando os seus corpos com os seus dardos malignos e enviando-os directamente para o Inferno. No meio – onde estava a Virtude – Moisés chamava a si os arrependidos e utilizando sabiamente a sua feitiçaria e as suas poderosas artes mágicas, separava as águas invasoras e abria o caminho para a salvação: e aproveitando a oportunidade os poucos sobreviventes não pensaram duas vezes e escaparam-se correndo como loucos entre as duas muralhas de água. Como assim, Deus tinha reservado um lugar no Céu para os pobres de espírito. Quanto à quarta EIA ela foi definitiva, logo seguida pela activação da quinta, como elemento fundamental e de ligação espiritual. Uma tempestade de areia instala-se agora sobre toda a zona envolvendo o Zoológico de Lisboa, criando um espectáculo isolado e fantástico que contrastava com o movimento acelerado e ininterrupto da capital: àquela hora do dia o movimento nas ruas era intenso, registando-se alguns engarrafamentos no acesso à ponte e à zona de Sete Rios. Visto do céu toda a zona do zoológico estava soterrada sob uma densa nuvem de areia, cobrindo-o como se de uma manta protectora se tratasse e parecendo ali estar como segurança para algo ou para alguém não identificado, ou então como solução para a prática de qualquer coisa de estranha, indefinida e provavelmente perigosa: se a areia do deserto encobria ainda hoje muitos dos segredos da História do Mundo, aquela que ali se encontrava não era natural, não só porque era exterior ao meio ambiente e ao espaço que agora indevidamente ocupava, como também por se revelar (apenas) uma sombra do original – “Vejam, estou fazendo uma coisa nova! Ela já está surgindo! Vocês não a reconhecem? Até no deserto vou abrir um caminho e riachos no ermo”. (Isaías 43-19)

 

O Gravador de Bobines

(Um belo exemplo duma espécie em extinção mas de Alta-Fidelidade)

 

E quando finalmente a nuvem se dissipou (tal como veio se foi) no Zoológico nada se mexia: entre alguns amontoados dispersos de areia e como se o local não tivesse sido conveniente limpo e aspirado, parecia estar-se agora perante um outro cenário surreal mas estranhamente reconhecível, fazendo lembrar apesar de numa escala limitada e talvez redutora, o exército de terracota do imperador chinês Shiuang. Não se tratava aqui de milhares de cavalos ou de guerreiros ocos e de areia, mas de umas dezenas de figuras estáticas, mortas e sem significado, que um pouco por todo o lado polvilhavam o Zoológico de Lisboa, anunciando definitivamente (apesar de administrativamente temporária) a sua morte e descodificando para quem ainda queria ver, o verdadeiro sentido da vida: tudo o que era transitório era definitivo e a transformação do mundo nunca estaria sujeita ou condicionada à cronologia e oportunidade dos humanos.

 

Depois era só abrir o Envelope.

 

Sem que nada o fizesse prever o velho gravador de bobines que se encontrava encostado numa das estantes da sala de estar começou inesperadamente a trabalhar. Tratava-se dum velho aparelho da TEAC de gravação e leitura de alta-fidelidade, utilizando os antigos carretos de fita magnética que mais tarde dariam origem às famosas e na altura revolucionárias cassetes.

 

Fiquei a olhar para ele atentamente tentando compreender o que ali se estava a passar: é certo que provavelmente o aparelho estaria ligado à electricidade mas há anos que não lhe tocava, não entendendo por esse motivo como é que este começara a funcionar. E ainda por cima nenhum som perceptível vinha do aparelho. A campainha da porta tocou e fui atender: o meu irmão mais velho entrou a correr na sala e foi logo ligar a televisão. Pelas suas palavras meio atabalhoadas e incompreensíveis algo de inesperado se teria passado lá fora e as estações estariam a dar em directo. “Lá fora está um caos do caraças com polícias armados por todo o lado. As pessoas como eu já fugiram. Parece mesmo um filme de guerra como se estivesse no deserto: não se via nada lá para dentro mas acabamos por fugir mesmo no fim com a tempestade a mover-se de novo, sabia lá o que podia acontecer. Dentro do Zoológico nem vi nada a mexer. Ainda pensei que fosse publicidade mas com aquele aspecto só se fosse com magia, bruxos ou extraterrestres” – não parando de falar duma forma excitada e nervosa até conseguir sintonizar um canal de notícias. Já nem me lembrava do gravador de bobines que lá continuava a rodar sem que nada se ouvisse.

 

A violência á um sistema de vida que se baseia num simples facto: é proveitosa desde que o sujeito tenha jeito e vocação para idealizar e concretizar esse objectivo. No fundo não pode ter ideologia nem remorsos que o limitem, nem religião ou pecados que o impeçam. E os Observadores Externos sabiam disso tantos anos se tinham dedicado à evolução da espécie humana e de todo o ambiente que o enquadrava. Os humanos eram susceptíveis às mais pequenas alterações registadas no exterior do seu corpo, por vezes não compreendendo o que era adaptação e querendo de imediato passar ao registo seguinte de aplicação, sem repararem que nem sequer haveria necessidade para tal e que o improviso era muitas das vezes de consequências aleatórias e contraditórias: como instrumento a violência também era uma arte e para muitos grupos a forma mais realista e preparatória para inevitável transição que aí vinha. O que interessava não era o que se passava nesta fase de integração da espécie humana no Universo – fazendo-a apenas compreender a sua forma inicial visível, projectada e apresentada como Matéria limitada apesar de infinita (pelo seu espaço multidimensional de transformação que nós limitamos ao nascimento e à morte) – mas sim generalizar o conhecimento dos extremos neste estado evolutivo e de preparação do nosso trajecto mutacional (físico para espiritual) para melhor se aproveitar o desenvolvimento da Alma em todos os outros mundos destes Universos. A violência seria sempre uma opção por temporária e não repercutível do outro lado da fronteira, além de ser eficaz na nossa autodeterminação: por isso ser tão interessante de utilização em todas as experimentações e outras simulações reais. Aliás não teria nenhum interesse repetir momentos em cenários inexistentes: para os Observadores Externos um caso meramente ocasional mesmo que deliberadamente propositado – tinha que se analisar todas as hipóteses – podia ser uma boa ocasião de estudo e uma janela de oportunidades para outras sugestões, simulações e até simplificações.

 

Acordamos caídos no chão da sala. Se tivéssemos estado inconscientes não tínhamos noção como tal tinha acontecido. A televisão estava ligada e o gravador de bobines tinha parado. Lá fora ainda era de dia e o céu estava claro. E as notícias fixavam-se no Zoológico e no acidente ainda por esclarecer ocorrido em torno da estátua do Cristo Rei.

As imagens que chegavam vinham carregadas de interferências estáticas mas para lá do que podia ver parecia estarmos em presença dum filme a preto e branco: as formas eram perceptíveis mas irradiavam uma cor cinzenta e sinistra. Só se viam edifícios, vultos imobilizados e um ou outro ruído distante que parecia vir da zona onde se encontravam a maioria dos primatas. Entretanto o duplo regressara e em conjunto com o original e para desse modo finalizarem com sucesso a sua missão, abriram o envelope e soltaram o seu conteúdo no ar: milhões de nano partículas luminosas dirigiram-se então para as jaulas dos macacos e fizeram o trabalho para que tinham sido fabricadas. As azuis aceleraram logo os primatas e as vermelhas diluíram as grades das respectivas jaulas, colocando-os finalmente em completa liberdade e convidando-os à aventura e à Evangelização mútua. Em grupos ordenados desceram em grande algazarra até à porta de entrada do Zoológico, onde do lado de fora também se concentrara já uma grande multidão entre civis e militares, que os observava em aproximação perplexos mas também aterrados. E quando as centenas de primatas se imobilizaram no terreno e um dos gorilas se dirigiu para o portão balbuciando uns sons que inacreditavelmente pareciam palavras de uma frase só possível de ser construída por um ser humano, a Violência tão característica como resposta humana apareceu, instalando-se como previsto da forma mais brutal e sanguinária. Mas os primatas do zoológico ripostaram e demonstraram que tal como o macaco tinha evoluído para o homem também este não era um seu exclusivo e que deste modo Deus até podia ser um outro macaco doutro ramo evolutivo, podendo este Deus alternativo e complementar identificar-se com eles e na sua transformação e integração, transformar-se de Deus em Macaco – From God To Ape. Com um simples varrimento o Grande Gorila líder dos Primatas introduziu-se com todos os da sua espécie no buraco que entretanto e mesmo ao lado deles se abrira, desaparecendo e deixando atrás de si o filme recebido e ainda em projecção e um verdadeiro Zoológico Sintético repleto de criaturas replicada na sua mais exigente perfeição. Aqui as cópias seriam melhores que o original. Ainda tentei por o gravador a funcionar mas por mais que o tivesse repetido nunca mais funcionou: só me lembro de ter sonhado com ele e de ter estado em contacto com alguém do outro lado da vida. Até a fita se enrolou e ficou irrecuperável.

 

Era estranho ver-se neste Universo Vivo e Infinito seres vivos racionais e inteligentes que sobrepondo-se duma forma prepotente e violenta sobre todas as outras as espécies vivas envolvidas – com ela compartilhando um espaço comum e aglutinado num cenário projectado para eles (e por eles) pela Natureza – ainda eram capaz de se retratar como possível vítima dum ambiente não considerado (mas real e da sua autoria), como se tal só pudesse acontecer se não fosse a sua intervenção. Talvez tivessem visto O Planeta dos Macacos.

 

Fim da 2.ª parte de 2

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 23:16

04
Mar 14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Invasões Estrangeiras e Movimentos Populares)

 

O aglomerado de naves alienígenas registadas no radar era deveras impressionante: mas afinal de contas o que motivara a resposta inopinada destes seres estrangeiros e intrometidos no nosso planeta? Ou não saberiam ainda – apesar do seu grande avanço tecnológico – que ”entre marido e mulher nunca se deve meter a colher”?

 

A Terra sob ataque Alienígena

 

A casa não se encontrava iluminada e das suas portas e janelas nenhuma luz escoava para o seu exterior. Estava silenciosa no silêncio da noite e nela não se registava qualquer tipo de movimento ou de actividade. Toda ela parecia fechada e vazia no interior. Mas o barbeiro achava que o telefonema existira e ali ou noutro sítio qualquer a idosa poderia estar em perigo: pegou numa pedra e atirou-a contra a janela. Ouviram então os vidros da janela a quebrarem-se, seguido de vários tiros de origem indefinida e cujo troar se prolongou na escuridão profunda da noite. Do meio das árvores ainda viram os seus companheiros a chegarem em seu socorro, com alguns seus conhecidos caçadores a passarem por eles em corrida, ajoelharem-se mais à frente e como numa guerra começarem a disparar. Antes que parassem de disparar já tinham rebentado com toda a fachada da casa. Mas alguns deles ainda conseguiram divisar por escassas décimas de segundo um ser de baixa estatura a esconder-se entre os arbustos das traseiras da casa desaparecendo de seguida. Então a parede da frente da casa como que explodiu, saindo do seu interior disparada como um míssil a botija de gás, anteriormente atingida por algumas das balas: o azar tivera-o o Felício, ao acender o cigarro provocando a explosão – uma parte do corpo e da face queimadas e no mínimo três costelas e o nariz partido. Descontrolados com o sucedido e com os ferimentos provocados no seu companheiro, muitos deles colocaram-se na perseguição do ser desconhecido que antes tinham visto de relance e que muitos deles consideravam como sendo um dos extraterrestres das notícias que estavam ali para os atacar e matar, provocando todos aqueles danos em torno da casa. A perseguição não foi interrompida enquanto não encurralaram o ser misterioso e face à sua resistência e constantes ataques, o abateram. Cautelosamente contornaram a moita onde julgavam que este estivesse e caído no chão coberto de sangue lá estava o enorme javali, ainda quente e com um estranho aparelho colocado à volta do seu pescoço: e com uma luz intermitente a acender e a apagar.

 

Não tendo encontrado mais ninguém vivo por aqueles lados o grupo deslocou-se então na direcção das minas de volfrâmio. Mas antes de aí chegarem sensivelmente a meio do caminho ainda foram surpreendidos por uma aparição que deixou muitos dos homens aterrorizados colocando-os em fuga – com os tipos dos motociclistas na vanguarda dos fugitivos – inicialmente parecendo apenas um ponto luminoso bem lá ao fundo na estrada, mas com o decorrer do tempo aumentando de volume e parecendo associado à imagem dum monstro corpulento e movimentando-se de uma forma ameaçadora – ainda por cima aparentando ter quatro pernas e vários braços ou tentáculos. Da carrinha de caixa aberta soaram dois tiros provavelmente dirigidos para o vulto. Mais três tiros vieram do lado esquerdo, obrigando o chefe de bombeiros a ordenar a todos os elementos ainda ali presentes que parassem de pronto com o tiroteio, já que nem sabiam contra o que estavam a disparar. E foi o que fizeram de melhor: poucos segundos depois passava por eles a desaparecida avó do mecânico, montada na sua velha burra que assustada com os tiros marchava duma forma um pouco descontrolada mas no entanto acelerada, enquanto em cima dela a sua dona esbracejava furiosa brandindo no ar o seu cajado, manifestando a sua revolta pela recepção prestada por aqueles malandros que em vez de trabalharem para o sustento das suas famílias, andavam por ali armados em caçadores e pistoleiros. Com um grito bem audível “malditos bandidos e cabrões, que os céus vos caiam em cima e que sejam todos encornados”, lá acabou a velha com a sua burra por passar por todos e desaparecer na escuridão da noite, deixando-os de novo sozinhos e amedrontados no meio daquela estrada perdida: bonito seria quando esta chegando a casa e visse o estado em que a tinham deixado. Ainda pararam um pouco para reflectir mas a resolução há muito que estava tomada: verificaram o estado de todos os presentes, recalcularam as suas forças – alguns tinham fugido definitivamente – e lançaram-se de novo ao caminho.

 

Na última etapa da viagem até às minas de volfrâmio os telemóveis não paravam de tocar.  As últimas novidades tinham chegado à aldeia com o regresso dos elementos em fuga e no café as mulheres preocupadas – acompanhadas por alguns dos seus filhos extremamente curiosos e entusiasmados com o mistério que envolvia a aldeia e os seus pais – lotavam já todo o espaço que rodeava o café e o mercado, provocando um sobressalto na restante população da aldeia que alarmada com a sua segurança e com a dos seus, não encontrava disposição e tranquilidade para ir para casa dormir: noutro dia qualquer depois das dez horas da noite já muita gente estaria há muito deitada. Na estrada a ordem foi para desligarem os telemóveis: dentro em breve estariam às portas da mina e não poderiam nunca deitar a perder a sua principal vantagem no terreno, o factor de surpresa.

 

Ainda não eram onze da noite quando chegaram aos portões exteriores, que protegiam o terreno onde a mina estava implantada. O céu estava quase todo estrelado, mas com algumas nuvens ameaçadoras vindas do lado do mar e que aos poucos o iam escurecendo, sugerindo uma possível chegada da chuva nas próximas horas durante a madrugada. Decidiram que apenas um pequeno grupo se dirigiria ao edifício central e se necessário ao interior da mina. Os restantes permaneceriam vigilantes junto dos portões sempre atentos às suas instruções e nunca actuando por iniciativa própria – só mesmo em caso de força maior e postos perante uma situação limite, em que vissem a sua vida e a do grupo mais avançado em perigo. O pequeno grupo de quatro elementos dirigiu-se então pelo caminho de acesso até à zona onde se encontrava o edifício. E foi aí quando se preparavam para entrar que o inesperado aconteceu: não que não o esperassem, mas porque na realidade não acreditavam naquilo que pensavam que pudesse acontecer. No fundo não tinham conhecimento de casos semelhantes anteriormente ocorridos e se mesmo assim se falasse às escondidas de casos similares, tal nunca passara de mera conversa, tal e qual como o das Bruxas de Queiriga.

 

O primeiro sinal veio do céu com um raio luminoso a atravessar a escuridão da noite e a concentrar o seu foco mesmo à frente deles: era de tal forma intenso que tiveram que virar-se de costas. Quando se voltaram de novo foram surpreendidos pela presença de três seres brilhantes parecendo flutuar sobre o solo e que de certeza que não eram humanos. Estando o jovem sacristão presente o Sr. Silva ainda o ouviu gritar, “nossa senhora santíssima parecem os três pastorinhos” antes de desmaiar de emoção e cair desamparado, enquanto os restantes elementos paralisados pelo medo viam quase sem respirar o avançar das três aparições. Pararam a um metro deles. Apresentaram-se como Lucy, Frank e Jacy – com a pequena Jacy a parecer a mais nova – intitulando-se como os verdadeiros e únicos representantes do Anjo de Portugal: estavam ali para trazerem a Paz e anunciar mais uma vez ao Mundo o poder do Amor e da Fé. Nessa altura um novo raio atravessou a grande velocidade o céu, indo incidir directamente no ponto de acesso aos espaços subterrâneos da mina: enquanto essa zona à superfície se iluminava, também no céu nocturno era agora bem visível a aproximação dum objecto voador desconhecido e que parecia vir na direcção deles. Uns segundos antes de aterrarem ainda ouviram um tiroteio intenso vindo do local onde tinham ficado os restantes elementos do grupo, mas que rapidamente terminou, nada mais se ouvindo senão o ruído provocado pela nave extraterrestre. O barbeiro sempre tinha razão e poderiam estar de caras perante a primeira vaga de invasores: a evocação de Fátima pelo sacristão só poderia ser mesmo um caso típico de manipulação da mente, aplicada através dum método de sugestão de cenários pretensamente reais, mas aqui apenas modelados e replicados. Tinham de ter cuidado com o trio e ver aquelas três entidades como meras projecções dependentes introduzidas no cenário e movimentando-se sempre à ordem de operadores (externos).

 

Os extraterrestres e os seus objectos voadores circulares e brilhantes

 

A nave tinha a forma dum chapéu de cor cinzenta. Não se viam nenhumas aberturas nem qualquer tipo de janelas: tal e qual como um disco voador. E no acesso à mina registava-se agora movimento. Uma máquina operada do exterior transportava um pequeno artefacto em direcção ao objecto voador que se encontrava na frente deles, enquanto as três aparições pareciam paralisadas num êxtase de pura observação, como se tivessem posto um gravador na posição de pausa, para mais facilmente se dedicarem à operação agora considerada prioritária. Chegada ao disco voador a máquina parou e abriu-se uma pequena porta na sua superfície lisa e cinzenta: vindo do interior um feixe de raios luminosos incidiu sobre o artefacto, fazendo com que este desaparecesse de imediato – tal como a porta do objecto voador. Por essa altura ouviram uns ruídos vindos do caminho pelo qual ali tinham chegado e olhando para o lado viram alguns dos seus companheiros escondidos no meio da paisagem que os rodeava, fazendo-lhes sinais contínuos e apontando para as suas armas, enquanto olhavam de boca aberta e assustados, para o cenário que os seus colegas (provavelmente em perigo de vida) também ocupavam. Num único segundo muito aconteceu:

- Da retaguarda vieram os primeiros tiros que fizeram com que o barbeiro e os restantes elementos avançados se atirassem instintivamente para o solo; logo de seguida e enquanto caíam sobre a terra, ainda puderam ver as aparições a desvanecerem-se e a evaporarem-se – como se nunca lá tivessem estado – no ar; instantaneamente o disco voador disparou e desapareceu na escuridão da noite, ficando apenas à entrada da mina o ser ou máquina que anteriormente operara o transporte do artefacto, entre a mesma e o aparelho. Um novo raio dirigido do céu acabou por finalizar o encontro, caindo todo o local numa profunda escuridão: o choque visual luz-escuridão quase que os cegara, deixando-os por momentos inoperacionais. E quando conseguiram ver de novo o espaço, estavam sozinhos na mina de volfrâmio.

 

Era exactamente meia-noite quando o chefe de bombeiros olhou para o relógio. Dos mais de trinta voluntários restavam pouco mais duma dezena: os restantes já tinham regressado há muito à aldeia. Depois duma rápida vistoria e de nada de assinalável ter sido encontrado, decidiram finalmente regressar a casa e enfrentarem as suas mulheres. Assim à uma hora do dia seguinte viraram as costas à mina e dirigiram-se no sentido contrário. Já na vizinhança da casa da avó do mecânico – que aparecia cabisbaixa e abatida à entrada destruída de sua casa, enquanto o burro já mais tranquila descansava debaixo do alpendre meio tombado – viram vindo de trás um grande clarão, que iluminou por momentos toda a paisagem em seu redor tal e qual como se fosse de dia e de imediato desapareceu, escurecendo tudo e deixando-nos de novo cegos. O que mais se queixou foi o Aurélio, na altura do clarão virado para trás, mas por sorte procurando ao nível do solo a chave do carro que deixara cair. Restabelecidos do choque e já sem forças nem paciência para mais coisas estranhas, extraordinárias, incompreensíveis e talvez mesmo irreais por imaginadas, instalaram convenientemente a avó, prometeram assistência imediata no dia seguinte (pedindo desculpas) e lá se foram. Chegaram à terra já todos se tinham ido deitar, reduzidos à carrinha de caixa aberta, dois motociclos e apenas dez homens dos iniciais: o outro – o Aurélio – ficara a prestar apoio à velhota, até para repousar do choque anteriormente sofrido. Na cama as mulheres já de sono ferrado pouco se mexeram. Pouco antes do amanhecer um relâmpago iluminou a aldeia: mas só os animais vadios e selvagens o viram. Quanto ao pastor com a espera da noite anterior bebera um pouco mais e deixara-se dormir.

 

Quando o Aurélio chegou ao café do mercado na companhia da nossa Avó, já a manhã ia a meio. O movimento era o de um dia normal de semana e até no café – ao contrário do que estava à espera – parecia estar um ambiente mesmo muito tranquilo, não extravasando para o seu exterior nenhum tipo de som ou de conversa perceptível. Nem sequer via ninguém conhecido. Por mais que fosse um recém-chegado àquela aldeia da Beira Alta, o jovem Aurélio como responsável contabilístico e financeiro da Cooperativa do Alto Paiva, já conhecia muito bem muita gente da aldeia e da região: não fora por acaso aceite na aventura da noite anterior – com acontecimentos aos quais nunca sonhara na vida assistir – e não ficara por acaso encarregue da velhota. Mas a realidade é que ninguém o esperava no café: e quando o Sr. Silva lhe deu os bons dias do interior da barbearia e lhe perguntou fazendo uma cara de espanto e de crítica o que fazia ali com a velhota – apresentavam os dois uma aparência cansada e desleixada – apenas pensou que “só o poderiam estar a gozar”.

 

E então foi a confusão total no mercado com o Aurélio aos gritos para o interior da barbearia com a velhota cansada e aparentemente mal tratada a seu lado, enquanto o povo se juntava à sua volta e alguém ia chamar as autoridades e pessoas mais importantes da aldeia. E já lá estavam todos quando o Aurélio se voltou para a multidão e vislumbrando no meio deste os seus colegas da noite anterior espantados e de olhos muito abertos a olhar para ele, abriu a boca dirigindo-lhes de modo a que todos os vissem as suas claras e duras palavras: “Mas de que é que estão à espera para nos ajudar seus cabrões ou acham que não têm nada a ver com o que se passou na noite anterior? Quase que matavam a velhota! E já se esqueceram dos extraterrestres ou têm medo das vossas mulheres? Não acreditam? Obriguem estes cobardes a regressarem à mina de volfrâmio”! Juntamente com o elemento da GNR e a colaboração de algumas pessoas presentes lá conseguiram imobilizar o pobre do Aurélio – desaparecido desde a noite anterior – e com a ajuda do enfermeiro residente aplicar-lhe um calmante pondo-o logo a dormir. À avó levaram-na para casa duma vizinha, tentando recuperar a velhota e descobrir o sucedido: de certeza que ela diria algo de esclarecedor apesar de momento só falar em tiros, demónios e luzes no céu. Coitados: “tinham ficado os dois apanhados da cabeça, como se fosse obra do demónio” – pensava a beata da vizinha.

 

Nunca existira nas proximidades da aldeia – num círculo de raio superior a 50 quilómetros – qualquer mina de volfrâmio ou de outro tipo de minério conhecido. Ninguém tinha abandonado naquela noite a aldeia, a não ser o Aurélio e para destino desconhecido. E o psiquiatra descrevera o paciente como “estando a viver num cenário fictício por ele projectado e baseado numa pretensa realidade por ele próprio simulada, mas duma forma distorcida”, aconselhando do cimo da sua erudição e superioridade mental, internamento e descanso profundo e imediato. E na sua cabeça o Aurélio lá ia contando os segundos que faltavam até que os alienígenas voltassem de novo, enquanto a Avó do mecânico ligava para a sua imobiliária em Viseu, informando-lhes dum excelente terreno que tinha na sua posse pronto a comercializar. E de Paris veio o comprador.

 

A Invasão tinha sido suspensa até novas ordens: os métodos a adoptar no futuro seriam outros, imprevistos e irreversíveis.

 

Fim da 2.ª parte de 2

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:33

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