Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

07
Fev 14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Mundo Sequencial – Transmissão Indiferenciada por Pulsação e Contacto)

 

“Acordei às oito no cumprimento do dever: duas horas depois abdiquei definitivamente dos meus direitos”. Simplesmente por Intervenção Exterior: Divina, Alienígena ou Humana.

 

Duas horas depois abdiquei finalmente dos meus direitos

 

 

Duas horas depois o meu despertador tocou o alarme: eram agora seis horas da manhã. Mas o quadro que me rodeava deitado na cama no meio da penumbra do quarto parecia-me algo estranho e deslocado: pensava que era um pouco mais tarde do que a hora que o relógio indicava e tinha a sensação de que já o ouvira a tocar antes. Mas na verdade o despertador só estava programado para as seis ou para as oito. Acendi a luz do candeeiro e pus-me a olhar para a janela: lá fora ainda era de noite e não se via ninguém a circular. Levantei-me e dirigi-me até à cozinha. Ao passar perto do hall de entrada a campainha exterior soou e alguém bateu ao de leve do lado de lá da porta, chamando-me com um sussurro pelo meu primeiro nome. Ainda um pouco confuso com a situação e dada a insistência na minha presença, ignorei um pouco a minha segurança e lentamente abri a porta: três elementos parecendo fardados esperavam-no à sua porta, apresentando-se como pertencendo a uma organização governamental de segurança ambiental e solicitando para que eu os ouvisse. Espantado com esta situação que agora vivia e presenciava, nem me lembrei sequer de me opor à sua entrada: sentaram-se os três no amplo sofá da sala – um dos elementos era do sexo feminino – abriram os fortes sobretudos que os protegiam talvez de frio – e aí eu reparei nas armas que transportavam consigo – e logo foram ao assunto que ali os tinha trazido – eu. Segundo a sua apresentação inicial a terra donde os três vinham não seria a minha, não deixando no entanto as duas de pertencerem à mesma Terra. Logo aí fiquei ainda mais confuso e comecei de imediato a perguntar-me no meio de quem me teria enfiado: já antes tinha deixado em pleno bar alguns amigos bem despachados e não era agora que tinha vontade de os ouvir. No entanto eles continuaram com uma conversa que não consegui acompanhar na sua totalidade, em que falavam dum acidente que iria cronologicamente ocorrer dentro de muito pouco tempo e que poderia ter consequências terríveis para uma das linhas reprodutivas e evolutivas fundamentais do que seria a base da humanidade futura: e eu faria parte dum desses links fundamentais a preservar antes da concretização temporal desse acidente, razão pela qual justificavam a sua presença no local e a necessidade urgente de darem início à sua intervenção preventiva. Apresentaram-se então a Máxima – muito parecida com uma miúda com a qual trocara alguns olhares no interior da Universidade – e explicaram-me de seguida o que tínhamos que fazer. Resumidamente e para não causar muita confusão, o que me diziam e pediam que fizesse era apenas isto:

- Os três elementos ter-se-iam deslocado do seu futuro para o meu presente – que pelos vistos pertenceriam ao mesmo mundo e sequência – com o único objectivo de manter intacto no seu futuro uma ligação aparentemente imprescindível para o funcionamento das suas estruturas e que por diversas ligações e cruzamentos iam dar a um ponto do passado em que ele era o foco assinalado na sequência genética a defender. A Máquina Preservadora havia detectado uma possibilidade de incidente numa das curvas passadas do tempo, como consequência da tentativa de intrusão agressiva no sistema de segurança da base de dados centrais, que se suspeitava ter sido bem sucedida e poder estar relacionada com uma tentativa de eliminação dum ramo inteiro dum grupo de orientadores importantes, tentando criar o caos social e uma janela de oportunidade para a concretização das suas ambições no futuro de onde vinham. Mas sendo ele o ponto vermelho assinalado como o mais que provável foco deste incidente passado, os técnicos vindos deste futuro em perigo e sequencial e desconhecendo a data dessa intervenção intrusiva (que deveria estar mesmo muito próxima), só viam a aplicação dum método preventivo directo e contando com a presença dos dois principais interlocutores, como a única solução viável. Então desisti de vez de compreender o que se estava na realidade a passar e enquanto dois dos elementos abandonavam o apartamento dirigi-me pela mão de Máxima para a cama do quarto. O espaço-tempo de sexo foi de mais e acho que foi a partir daí que cheguei à conclusão que tinha mesmo de conhecer a miúda com a qual trocara olhares na Universidade.

 

Abdiquei provavelmente de muitos momentos de felicidade, mas aquele não sabendo bem porquê, parecera que sempre fizera parte de mim: só que não percebia muito bem se tinha sido pelo momento passado, se por outra coisa qualquer que me sugerisse algo no futuro, que não conhecendo ainda parecia querer dizer algo. O corpo dela ainda se enrolava quente e ávido em torno do meu, tentando puxar-me de novo para a luxúria e para a volúpia contorcionista dos nossos corpo ávidos de contactos e de novas e poderosas sensações, quando repentinamente me desequilibrei, cai da cama e acordei: eram oito horas da manhã.

 

 

Finalmente chegara o dia em que eu previra antecipadamente que caíra no chão proveniente desta cama traiçoeira: os lençóis tinham a tendência para caírem sempre para o mesmo lado – talvez por ser por este lado que na maior parte das vezes entrava na cama – enquanto o colchão se deslocava em sentido contrário, criando uma ligeira depressão susceptível de causar acidentes. E eu tinha caído num deles e batido mesmo que levemente com a cabeça no chão: estendido no soalho sob a acção dos primeiros raios do Sol que atravessavam a janela e que pareciam já querer começar a trabalhar em módulo extra, aquecendo o meu corpo e despertando-me a alma, comecei progressivamente a recordar-me do sonho vivido na noite passada, lembrando-me do tempo passado com a gostosa e simpática “miúda da universidade” e dos seus dois acompanhantes, ausentes da cena principal mas pertencendo ao grupo dela. Parecia tudo tão real neste sonho persistente e incoerente, que a própria realidade ambiental que me envolvia ainda mais me confundia – sentimento causado por uma mistura sem critérios de todos os parâmetros de tempo e de espaço envolvidos, mas nem todos descortinados e compreendidos – dado esta ser para além do mais sempre a mesma, mas com algumas alterações pontuais (de imagens) projectadas. Dirigi-me à casa de banho e fui molhar abundantemente a cabeça para ver se arejava a mente e organizava um pouco mais as ideias: as pessoas começavam já a aparecer nas ruas e a vida regressava de novo à cidade. Pensei em arranjar-me e ir dar um salto até à Universidade. Certamente que os meus amigos me iriam contar o que tinham feito no resto da noite após os deixar, tal como eu estava ansioso por lhes falar desta minha experiência. Foi aí que notei no quarto dois pequenos detalhes que me despertaram a atenção: a cama estava fora do sítio e mais desarrumada do que seria normal e junto a ela, já encoberta pela placa que quase ao nível do chão suportava o colchão, encontrava-se uma pequena bolsa que não era minha contendo pequenos objectos e uma identificação com retrato – a imagem da miúda que agora não me largava.

 

Dos meus direitos pelos vistos ninguém queria saber. Telefonei para alguns dos meus amigos e ninguém me atendeu. Tentei ligar o computador mas a rede apresentava-se sempre “não acessível”. Se antes o cenário ilusório dos sonhos me proporcionara momentos agradáveis e repetíveis, a realidade pura e dura que eu agora percepcionava pouco se importava comigo, muito menos com os meus inoportunos e inconfessáveis desejos: tinha que me desenrascar sozinho e esperar que o guião se melhorasse. Liguei então a TV e apanhei-me a olhar fixamente para uma notícia transmitida por um canal informativo local, que se referia ao avistamento nos últimos segundos de um pequeno meteorito atravessando os céus em direcção ao centro da cidade. Desloquei-me até à janela e pus-me a olhar para os céus: o Sol já iluminava a cidade e em todo o seu redor o céu apresentava-se claro e azul, prenúncio de mais um dia de bom tempo e duma vida agradável. Do lado oposto surgiu um pequeno rasto luminoso, acompanhado dum ruído em crescendo, muito semelhante ao dum avião. Em menos de dez segundos o objecto que atravessava os céus explodiu, lançando dezenas de fragmentos em todas as direcções e provocando múltiplos impactos sobre a superfície que agora atravessava. A sua grande maioria não trouxe consequências significativas para a cidade, mas três fragmentos de maiores dimensões ainda atingiram zonas industriais e habitacionais: dois deles com locais de impacto situados muito próximos um do outro e atingindo uma fábrica abandonada e um bloco de habitações em construção e o terceiro mais grave além de bem visível e que teria provocado algumas vítimas num prédio habitacional no centro da cidade.

 

Fim da 2.ª parte de 3

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:19

27
Nov 11

Património da Humanidade

 

O Fado é um estilo musical português. Geralmente é cantado por uma só pessoa, o fadista e acompanhado por guitarra clássica, nos meios fadistas denominada viola e guitarra portuguesa.

 

Á noite, em qualquer parte do mundo e com uma luz a assinalar ao fundo, o Fado está agora sempre presente, a assinalar o nosso destino

 

Os fadistas do nosso destino

 

Pelos vistos o nosso Fado foi finalmente exportado com pompa e circunstância, com a chancela governamental e mundial por parte da UNESCO (mas sem dólares) para todo o planeta, podendo agora o nosso destino espalhar-se mais facilmente por todo o mundo, como um vírus mortal, violento e sem retorno. Para se erguer até aos céus teve o contributo de todos, desde os que sempre o defenderam e que já não existem ou não têm voz, até aos que sempre o atacaram e denegriram e que agora vêm nele um filão a explorar, não como música, mas sim como negócio – e em tempos de crise, torna-se uma maravilhosa oportunidade para os descendentes reconhecidos, legítimos e até bastardos, já que esta “cultura de pescoço”, dá para todos mamarem na mesma teta, nem que seja a da guitarra portuguesa.

 

Painel do Fado – José Malhoa

 

Fado do marinheiro

 

Perdido lá no mar alto
Um pobre navio andava;
Já sem bolacha e sem rumo
A fome a todos matava.

 

Deitaram a todos as sortes
A ver qual d'eles havia
Ser pelos outros matado
P´ró jantar daquele dia.

 

Caiu a sorte maldita
No melhor moço que havia;
Ai como o triste chorava
Rezando à Virgem Maria.

 

Mas de repente o gageiro,
Vendo terra pela prôa,
Grita alegre pela gávea:
Terras, terras de Lisboa.

 

Cancioneiro Popular

 

 

Bairro Alto – Casa de Fados – Painel de azulejos – Blogue O Jumento

 

(parcelas de apoio ao texto/imagem – wikipédia)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 21:34

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