Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

09
Mai 17

[A partir de notícia Paranormal Crucible/Ufo Sightings Daily]

 

Perdidos no interior do nosso próprio planeta (Vivo e em constante Evolução) procuramos noutros mundos mesmo que esgotados (como o árido, desértico e inóspito planeta Marte) uma Natureza Morta que possa vir ser um novo testemunho de Vida: noutro Espaço (planeta) e noutro Tempo (há biliões de anos).

 

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Marte ‒ Curiosity Rover ‒ SOL 1647

(à esquerda com a Árvore Petrificada)

 

Na sequência interminável de Encontros de Grau Zero em plena superfície do distante e atual 4º Planeta do Sistema Solar ‒ Marte localizado a mais de 200 milhões de Km do Sol e com um diâmetro cerca de metade do da Terra ‒ aqueles que desesperam pelo aparecimento de algum sinal de Vida num Mundo tão inóspito como este (na sua ânsia delirante da descoberta de algo que ainda nos surpreenda neste cenário de Natureza Morta), continuam a cada remessa de imagens que lhes vão chegando às mãos, a tentar ver algo mais do que (na realidade) as mesmas representam:

 

E extrapolando a situação e inserindo-a num Mundo semelhante (pelo menos no que se refere a Marte e à Terra, pertencendo como iguais a um mesmo Sistema), projetando em certos objetos aqueles que partilhamos na Terra e assim equiparando-os no Espaço como testemunhos de outro Tempo (com Marte a poder ser um irmão mais novo/velho da Terra e em muitos aspetos sendo ambos réplicas de um mesmo molde).

 

Como se diante de um Espelho um fosse o objeto e o outro a imagem (a decomposição do objeto e a sua reconstrução noutro ponto) ‒ pelo menos na cabeça de alguns.

 

Depois de tantas imagens recolhidas ao longo de vários anos e oriundas das câmaras das sondas norte-americanas Opportunity e Curiosity (sendo posteriormente editadas pela NASA e lançadas nos seus Sites na sua forma original/real ou tratada/manipulada) e já com diversos artefactos estranhos a serem detetados à superfície do planeta Marte (alguns por deslocados como os do Post Encontrei a Peça do meu Aspirador/30.11.2014) ‒ como seres humanoides, animais, máquinas, construções, fósseis, etc. ‒ eis que agora e numa imagem recentemente enviada pelas câmaras do Rover Curiosity, se sugere estarmos na presença surpreendente do tronco de uma árvore petrificada, com a sua presença resistindo espetacularmente ao correr do tempo (talvez biliões de anos) e com a sua base ainda fixa e inserida no árido solo marciano.

 

Árvore Petrificada ou Pedra Moldada?

 

E realçando num Elogio dos que Vêm: “Se não fosse a nossa Imaginação (apesar da pala institucional) já não suportaríamos mais (nem no Tempo nem no Espaço) a Realidade que todos os dias nos impõem (como condição necessária para a nossa sobrevivência).”

 

(imagem: nasa.gov)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 16:50

25
Ago 16

No seu 1433º dia de permanência em Marte o veículo motorizado da sonda Curiosidade (circulando sobre a superfície deste planeta) descobriu a silhueta de um marciano movimentando-se numa das suas regiões áridas e desérticas. E até com um objeto voador (ponto preto ao cimo) bem visível na imagem.

 

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Insuspeita silhueta marciana vagueando entre duas referências bem distintas

(SOL 1433)

 

Enquanto na Terra – e particularmente na Europa – as nossas Elites parecem cada vez mais psicóticas e delirantes – com os formandos alemães cada vez mais obedientes e servis, relativamente às diretivas dos seus formadores e orientadores norte-americanos – no Espaço exterior que nos rodeia e apesar de todas as Restrições mentais que nos são sugeridas – para não dizer impostas algo de mais agressivo e suspeito – ainda podemos pensar e dar azo à nossa Imaginação: sem que uma arma (diferença entre a Vida e a Morte) ou uma interpretação (dirigida e deliberada) nos tire da Realidade.

 

E se a Realidade que nos querem impor (aqui na Terra) não passa de um mero pretexto para simplesmente atingir um fim – utilizando para o efeito um cenário distorcido, um guião inadequado e personagens condicionadas e replicadas – temos mesmo que concluir que não vivendo num Mundo Real e muito menos Imaginário (um e outro são complementares e indivisíveis) o que resta nada nos diz nem requer a nossa presença: talvez a de uma Máquina na execução da sua função e projetando-se na tela mas como Realidade Virtual. Construindo qualidade e desprezando quantidade (num Mundo onde uma minoria brutal de Iluminados se imporia em nome da sobrevivência da espécie – como assim e até hoje aceitamos todas as explicações – exterminando uns e criando arquivos de outros) e desse modo perpetuando os melhores.

 

Vislumbremos então a Ilusão, encaremos o Imaginário, libertemo-nos dos limites da Terra e deixemo-nos levar pelo olhar: será a partir do conjunto de perceções e sensações por nós recebidas e interiorizadas que construiremos a nossa realidade, a dos outros e o da totalidade – uma realidade imaginada pelos nossos órgãos dos sentidos, limitada pelos parâmetros a que os mesmos se sujeitam e que no entanto, apesar de todos os possíveis erros aparentemente cometidos limitando a nossa visão do Universo, acabando por ser a nossa Realidade nela expondo o Futuro e a sobrevivência da espécie (se ainda queremos falar do Tempo – a maior arma de quem nos controla, dando dimensão a algo por nós criado).

 

(imagem: nasa.gov)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:46

10
Abr 14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Universalidade Alienígena e Rituais Terrestres – O Direito da Criança à Aventura)

 

De acordo com um estudo secreto levado a cabo por uma organização de pais e educadores não governamentais e posteriormente divulgado por uma Associação de Pais não alinhada e em ruptura total com os poderes oficiais instituídos, um em cada três estudantes inseridos no sistema educativo acredita que o seu professor é um alienígena ou então está controlado por eles”.

 

Os vizinhos

 

Como já era hábito por aqueles lados desde há alguns anos atrás, a família de agricultores que vivia perto deles e que conheciam desde novos, aproveitava todos os sábados de todos os fim-de-semana para dar um salto a casa deles e aí comerem em conjunto uns deliciosos petiscos, enquanto iam falando das novidades da terra e recordando alguns factos passados. O casal vinha sempre acompanhado por toda a família constituída no total por nem menos nem mais do que 14 elementos: o casal, os seus seis filhos, os dois avôs viúvos e ainda quatro amigos que se lhes tinham juntado neste convívio alguns anos mais tarde. De tal forma que vinham sempre na carrinha de caixa aberta, confraternizando desde logo alegremente e como se estivessem numa excursão através do campo e da bicharada. Nesse dia e como sempre chegaram à hora certa. Mas bem lá cima no espaço sideral, confortavelmente instalados nos seus sofás relaxadores e indutores das fortes sensações vindas do exterior – para sua melhor compreensão e catalogação detalhada, de modo a possibilitar um possível e melhorado usufruto educacional futuro – e bebendo a última bebida alucinógenica lançada no mercado antes da sua partida, os dois seres estranhos não poderiam ignorar a presença de novos figurantes agora colocados inadvertidamente em cena sem os integrar também no guião, aumentando assim as suas opções de desenvolvimento activas e criando uma situação ainda mais confusa e sem conclusão determinada, que adicionada a todas as regras e leis absurdas e castradoras pelos quais os terrestres se regiam, iria tornar tudo muito mais incerto e sobretudo divertido. E enquanto no interior da casa a confusão era ainda tremenda não só pela transformação recente sofrida pelos seus ocupantes como pelo receio e pânico que sentiam ao verem os seus amigos a chegar (o que fariam, o que diriam, como reagiriam?), no exterior o que sucedeu não só apanhou os vizinhos de surpresa como deixou mais uma vez perplexos e paralisados todos os que se encontravam no interior: um pequeno artefacto aparecera na retaguarda dos seus vizinhos sem que estes se apercebessem da sua aproximação e presença, parecendo aparentemente rodeado de três pontos minúsculos que se deslocavam em conjunto formando um trilátero perfeito. O que aconteceu foi instantâneo e se o mesmo ou algo de semelhante não tivesse acontecido com eles provavelmente estariam a esta hora todos a rir-se: num segundo o grupo constituído pelos seus catorze vizinhos foi como que cercado e engolido por uma nuvem densa e brilhante que iluminou momentaneamente todo o campo em seu redor deixando-os no interior da casa como que cegos e sem compreenderem o que se estava realmente a passar. E ao abrirem os olhos e para espanto de todos no interior da casa, o cenário que agora lhes era apresentado e proposto como sendo real era praticamente idêntico ao que poderiam estar a assistir numa projecção efectuada numa sala de cinema, como se estivessem a ver um filme de banda desenhada a três ou mais dimensões, contando com a participação dalguns dos seus mais conhecidos e famosos cartoons. Talvez fosse fantástico talvez fosse terrível! Lá fora os vizinhos agora transformados em cartoons olhavam uns para os outros e não acreditavam no que viam: segundo os critérios limites de credibilidade e socialização que tinham eficazmente digerido ao longo dos seus períodos educativos e formativos de aprendizagem e integração social, tal era impossível (e inaceitável) de estar a acontecer – deviam ter sido inadvertidamente drogados ou então sujeitos a uma pura ilusão projectada por impostores que apenas pretendiam destruir o seu mundo e sociedade.

 

O interlocutor privilegiado

 

No entanto todo o Universo está interligado entre si – nem que seja por mera proximidade ou contacto – e nenhuma acção por mais pequena e pretensamente não influente que seja é independente do resto do conjunto ao qual pertence. Não existindo propriamente uma cadeia de comando hierarquicamente instituída e aplicada ao sistema, que este naturalmente rejeitaria como vazia e sem sentido, dada a sua infinidade replicada por diversos outros sistemas estes também sem origem nem destino, apenas suscitando como operadores da vida e com o seu movimento casual e necessário – para a sua transformação, evolução e expansão – a reorganização do seu sentido incorporando-a na matéria através da alteração do seu nível energético: se por qualquer motivo um electrão saltasse da sua órbita e procura-se um outro nível de existência dentro do sistema, isso verificar-se-ia por alteração do seu estado de neutralidade conjuntural e não apenas por “vontade” sua. Integrado num sistema congregando elementos que associados se completavam formando um corpo vivo, esse electrão dependeria no seu movimento do conjunto de matéria a que estivesse associado e às trocas de energia que com ele efectuasse. Poderia assim procurar um outro mundo ou conjunto exterior mas nunca independentemente do primeiro nem do subsequente, mas pelo contrário levando e incorporando consigo sempre o seu sinal genético particular e compartilhando-o com o conjunto adjacente, influenciando e sendo influenciado e assim se sujeitando não a uma limitação agora exercida por dois conjuntos mas na sua individualidade transformando-o num novo sistema dual, modificando ambos por comunicação e manutenção do equilíbrio geral. Desse modo tudo era potencialmente susceptível de transformação mas num sentido evolutivo do nosso estado de vida e não de subordinação à matéria: toda a acção era filosoficamente susceptível de reacção, mas num Universo a vida não era susceptível era o motor do Universo. Logo seria natural que os dois seres estranhos não tivessem as mãos completamente livres – também pertenciam a um todo. Não foi pois de espantar que no meio da sua brincadeira infantil, desregrada e inconsciente alguém viesse ter com eles e lhes pedisse ou sugerisse uma explicação. E assim sucedeu. Ainda os terrestres se olhavam entre si emaranhados e sem reacção visível na sua nova e nunca imaginada transformação – talvez só concretizada em instantes ilusórios, reconstruídos como realidades nos sonhos de criança – e já os dois seres estranhos saltavam dos seus sofás com algum nervosismo e inquietude, face à chegada inesperada mas no fundo talvez previsível do novo interlocutor, agora ali postado diante deles como um mero observador, mas simultaneamente exigindo gestualmente silêncio e prudência, ao mesmo tempo que com a sua postura e atitude impositiva claramente revelava para o que ali estava. Dentro do caos organizativo que rodeava muitas das acções levadas a cabo pelos seres vivos, convinha sempre relembrar-lhes que se nada nunca se criava ou perdia, as transformações teriam que ter sempre em conta o máximo respeito por todo o processo evolutivo e por todos os seus componentes materiais e energéticos, em conjunto devendo ser sempre compreendidos e aceites – se dele quisermos usufruir de algo nunca totalmente parametrizado – como um Universo Vivo. Como um tutor chegado para pôr de novo tudo em ordem o observador estava ali para lhes puxar as orelhas e chamá-los à responsabilidade: uma intrusão indevida poderia provocar ondas de choque, acabando até por poder afectar os seus inconscientes operadores pelos danos ao ambiente pelos próprios provocados. Teriam que acabar de imediato e da melhor maneira possível com a sua brincadeira: o aviso estava dado e retirando-se, o observador deixava nas mãos destes dois seres a correcção do cenário por eles criado e ao mesmo tempo do seu próprio destino. Nem um palhaço faria melhor. E já agora que o problema criado teria que ter solução porque não agitar tudo um pouco mais e tornar a resolução deste um pouco mais complicado? Talvez servisse de lição e acelera-se todo o processo de aprendizagem: e então um clarão sobrepôs-se à iluminação natural atingindo a localidade mais próxima.

 

Seres imaginários criados no interior da realidade

 

Enquanto tudo isto se desenrolava lá em cima, no terreno a situação mantinha-se num impasse completo: os vizinhos tinham-se deixado ficar no mesmo local diante da casa, como se o tempo para eles tivesse deixado de existir. Quanto aos elementos que ainda se encontravam no interior da sua habitação, se a sua situação já era confusa antes da ocorrência deste novo episódio – a vertigem provocada pelo salto ainda era tremenda e compreensivelmente de muito difícil aceitação – não ajudou mesmo nada a desanuviar um pouco que fosse este denso nevoeiro cognitivo, o que viram de novo acontecer diante dos seus olhos emprestados: se a situação deles já era profundamente anormal e de consequências imprevisíveis – as causas eram para eles incompreensíveis – a quem é que poderiam eles agora recorrer em busca de auxílio imediato se verificavam que mesmo ali o fenómeno se repetia num processo em tudo idêntico mas num espaço-tempo diferenciado? É que analisando muito racionalmente todos os factos e vendo o que os rodeava no exterior da habitação, a normalidade nas áreas envolventes também poderia ser esta. O mais estranho ainda fora o facto de todos aqueles que se encontravam no exterior se terem transformado em seres imaginários da banda desenhada, com muitos deles representando animais familiares e com um único indivíduo à vista: tudo seria mais difícil. Mesmo assim resolveram abrir a porta e sair e foi aí que viram as pequenas luzes atravessando o céu, parecendo dirigir-se rapidamente na sua direcção. O grupo formado pelos vizinhos virou-se então subitamente para oeste respondendo como que por instinto a um rumor desconhecido que crescia vindo daqueles lados, podendo todos a partir da posição onde se encontravam observar a aproximação dum largo número de indivíduos provavelmente vindos da vila mais próxima. Alguém os comandava na sua caminhada e à medida que se iam aproximando mais eles confirmavam o que já tinham imaginado: como um grupo desordenado e desenquadrado de diversos tipos de seres imaginários mas já anteriormente concretizados na nossa mente (a imagem faz parte do objecto) e como tal reais, estes elementos nunca teriam uma contribuição directa para a resolução do problema com que todos se debatiam, aumentando com a sua presença a dificuldade de encontrar uma rápida e eficaz solução pelo forte impacto do seu volume. Reuniram-se todos num enorme grupo muito ruidoso mas sem objectivo definido. Olharam para o céu e viram as luzes agora muito próximas a desacelerar, acabando poucos segundos depois por parar até ficarem suspensas sobre eles. Juntaram-se e formaram um único ponto. Talvez tivessem sofrido um erro colectivo de paralaxe e o objecto tivesse sido sempre só um, distorcido como no deserto por deslocações de massa de ar entre diferentes camadas da atmosfera e provocando alucinações e originando miragens. À superfície e vindo do fundo do terreno vizinho surgiu então um artefacto por eles nunca visto e completamente desconhecido, do interior do qual surgiu uma plataforma brilhante nos seus vértices e apresentando a forma dum trilátero. Todos olhavam para o ponto luminoso que pairava cintilando sobre eles, enquanto calmamente pareciam aguardar que algo de extraordinário se passasse – que alguém surgisse da luz e com toda a sua sabedoria e poder entrevisse sobre os seus crentes, os absolvesse e os salvasse deste inferno, repondo de novo a sua modesta e pura vida anterior:

- “Por volta do meio-dia, depois de rezarem o terço, as crianças teriam visto uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo depois, outro clarão teria iluminado o espaço. Nessa altura, teriam visto, em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma "Senhora mais brilhante que o sol".

- “O sol, assemelhando-se a um disco de prata fosca, podia fitar-se sem dificuldade e girava sobre si mesmo como uma roda de fogo, parecendo precipitar-se na terra”. (Wikipedia)

 

Bruxas, Diabos e Companhia

 

Naquele fim-de-semana festejava-se na vila O Dia das Bruxas e do Diabo, uma tradição ainda muito recente na memória cultural desta terra algarvia mas apoiada sem reticências desde a sua primeira realização pelo padre da freguesia, apesar das fortes características pagãs do evento e de algumas criticas veladas das entidades oficiais religiosas e até políticas: mas era o povo que exigia a concretização anual deste bizarro acontecimento, aproveitando a data para a realização dum convívio sem limites e aberto incondicionalmente a todas as gerações aí nascidas ou que a tinham escolhido para viver (morando na própria terra ou obrigados a emigrar), para aí porem em dia as suas vidas e as dos outros e em complemento e como prova de amizade e solidariedade geral, se ajudarem uns aos outros e fortalecerem assim a sua identidade e os seus laços sem preço – por inesgotáveis e impossíveis de troca – com a maravilhosa e profunda tradição local. E o auge era atingido com o tradicional e imperdível Dia dos Saltos, onde a lenda era mais uma vez transformada em realidade e a troca de corpos era o seu mote: dizia-se que há alguns anos atrás uns seres estranhos tinham chegado às vizinhanças da vila e transformado todos os seus habitantes num outro que não ele, colocando a terra em polvorosa e fazendo toda aquela massa popular dirigir-se num grande e denso grupo à procura dos seus causadores. Como o povo dizia “os estranhos tinham-se assustado com os seus gritos e força exterior e face a este povo que não se calava, tinham dado o passo necessário e obrigatório em frente, retomando a normalidade e recolocando os corpos nas suas referências originais”. Ainda hoje a tenda da Bruxa Ermelinda era a mais solicitada pelas crianças, dada a capacidade da mesma em cativar os jovens com as suas histórias de sonhar e de encantar, em que uma das situações recorrentes do seu guião era a da introdução do troco de corpos entre pessoas e até de animais, construindo cenários de mundos puros e infantis onde tudo era possível de visualizar e acontecer. Como a prova final deste Festival onde uma corrida de sacos era o símbolo desse salto físico mas também e sobretudo mental: uma contribuição segura e eficaz para a abertura da nossa mente a todas as possibilidades propostas pelo mundo, mesmo tratando-se daquelas consideradas até aí impossíveis (os melhores casos para resolver, não só pela fome como pelo apetite).

 

Com os mais velhos a lembrarem-se de muitas situações ocorridas com eles ou então com outros seus vizinhos e conhecidos da terra – como eram belas as histórias então contadas pelos avós – e que ao relatarem entusiasmados e duma forma pedagógica e cativante estes fragmentos fantásticos de muitas das nossas vidas (para o usufruto, entretenimento e aprendizagem de toda esta comunidade unida e colectiva) faziam a delícia de todas as crianças aí presentes dos 7 aos 77. Como o eram as história para crianças contadas na barraquinha da catequista – com o nome curioso de Porquinhos Que eram Três – aqui e agora transformada numa Bruxa Má querida e especial, que no interior iluminado da sua tenda central e com um único candeeiro de petróleo como ponto luminoso, ia desfiando sem fim aventuras contadas e recontadas entre sucessivas gerações, terminando sempre as mesmas com a sua frase emblemática e consequência da sua função social e religiosa, “A conta que Deus fez” enquanto se benzia em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E com todas as crianças aí presentes – agarradas como um viciado a todo este enredo e cenário criado em torno dos seus mais belos e profundos Sonhos e dos seus tempos ainda disponíveis para a Imaginação – a acompanharem-na talvez inconscientemente mas como verdadeiros fieis e seguidores no seu caminho previamente idealizado, não fosse perderem-se e o Diabo tecê-las. Nunca esquecendo as tradicionais e concorridas barracas de comida muito bem guarnecidas de febras, sardinhas assadas, caldo verde e vinho tinto, os diversos carrosséis e carrinhos de choque que sempre acompanhavam os mais novos nestas festas populares, um lugar especial e este ano inovador para um pequeno bungee jumping e ainda como complemento e de forma a melhor decorar de mistério e suspense a paisagem aqui posta à disposição de todos, o ponto talvez mais relevante e estranho do evento – um grande atrelado que fora ali instalado antes do início da festa e que só abriria as suas portas na tarde do último dia. Era grande, muito colorido, com algumas antenas na sua parte superior, sem janelas visíveis e de noite emanando à sua volta uma luminosidade forte mas estranha, parecendo não ter uma origem específica mas sendo no entanto envolvente e cativante, como se estivesse a acompanhar e a proteger as pessoas ali presentes. Lateralmente um símbolo em forma de triângulo decorava o atrelado, apresentando no seu centro um ser estranho que parecia olhá-los e fixá-los – parecia mesmo os olhos da Mona Lisa – como se nos quisesse transmitir algo: mas só mesmo no fim saberiam o que era. Tinha sido ali colocado este ano – e sem informações adicionais prestadas pela comissão organizadora do festival – a pedido da entidade anónima que desde o início o patrocinara e financiara. Entretanto as bruxas continuavam por lá, os Diabos faziam o seu papel e a restante companhia gozava ao máximo deste momento: a vertigem lúdica era tal que até alguns indivíduos já viam extraterrestres a saírem do atrelado, que por acaso não dispunha nem de portas nem de janelas.

 

Presentes na sala de comando e de análise como simples e modestos operadores

 

Num ponto perdido do espaço e no entanto situado num local tão próximo da Terra – a nave alienígena circulava livremente numa órbita bem chegada ao planeta e à vista desarmada dos ocupantes da ISS – os dois estranhos seres extraterrestres esperavam ansiosos e um pouco preocupados pela chegada dos responsáveis pelo acompanhamento do seu processo: estavam à espera não só do Instrutor como também contavam com a presença obrigatória do Avaliador. Conjuntamente com um terceiro elemento representativo do seu grupo biológico, o qual iria analisar todos os factos e medidas tomadas no decorrer de todo o processo de investigação e de resolução (e não de punição moral e substitutiva, sem consequências úteis e correlacionadas com a ocorrência) de modo a expressar aos elementos da sua espécie aqui postos em causam, a independência da mesma e a pedagogia colectiva e partilhada que tal procedimento implicava. Jamais seria um julgamento de um pelo outro mas o aproveitamento dos responsáveis pelo acontecimento em causa para conjuntamente com os estranhos seres e aceitando as suas novas participações, sugestões e até mesmo algumas concretizações voluntárias e assumidas (a que não tinham sido obrigados ou mesmo dado conhecimento prévio) resolverem o cenário imprevisto com que se tinham deparado nessa altura, transformando-o de novo e reintroduzindo-o no seu normal ciclo evolutivo e desse modo tão simples e eficaz, equilibrando-o na globalidade do conjunto onde sempre tinham estado (como tudo e como todos) inseridos.

 

Na sala de comando e de análise o procedimento adoptado era o habitual para casos isolados e de nível de intrusão mínima como este. Feita a constatação de que o evento passado não tinha acarretado qualquer tipo de consequências negativas que pudessem afectar a normal evolução do sistema, externa e artificialmente afectado, o assunto fora definitivamente encerrado. E apesar de tudo a estratégia escolhida pelos dois seres extraterrestres para repararem o que de mal poderiam ter feito, tinha sido positiva, eficiente e até mesmo divertida: desde o estabelecimento do Dia das Bruxas e do Diabo até à ideia do atrelado – uma pequena prenda deixada por eles em nome de todos os desconhecidos reais, imaginários ou nem isso, como prova e confirmação que para além de tudo o que vemos, pensamos ou imaginamos, outros mundos nos esperam aguardando apenas a nossa chegada, para assim se completarem e explodirem de novo (em chamas), replicando-se por atracção, repulsão e simples contacto. É que o Universo só existe enquanto a Vida existir e o municiar com movimento, energia e matéria: o caldo vem do caos organizado em torno da nossa Alma e com vista para a Eternidade.

 

A Projecção parou e esta História acabou. A Ilusão seguinte seria melhorada.

 

Fim da 2.ª parte de 2

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 20:59

20
Mai 11

“Espaço e cor envolvem movimento. O tempo é algo de abstracto.”

 

Galáxia NGC 4214 – situada a cerca de 10 milhões de anos-luz da Terra

 

“A explicação da ocupação dos espaços é simples: a noção de vida – ao contrário da de morte – confirma-se na capacidade de se ser capaz ou não, de se deslocar de um ponto para o outro, em termos relativos e absolutos. ”

 

Falhas na superfície do planeta vermelho – profundas fracturas cortam a superfície de Marte

 

“Toda a nossa visão do mundo é relativa. Não só é limitada pela incapacidade de compreendermos um mundo sem fim e sem necessidade de origens/causas, nem fins/efeitos, como também é coagida pela lobotomia não cirúrgica aplicada a um mundo ainda mal explorado e correctamente traduzido – o nosso cérebro. Só do caos surge o mundo e os seus parâmetros evolutivos, são o acaso e a necessidade.”

 

Região activa no Sol – plasma lançado no espaço sob a acção do seu campo magnético

 

“A Imaginação é inspirada na realidade que nos proporcionam os nossos órgãos dos sentidos, seja ela verdade, seja ela mentira. E em que se baseiam os valores decretados pelos humanos, como os da ética e da moral? A Forma deforma o conteúdo da comunicação!”

 

Ventos de gás atravessam uma galáxia a 1000Km/s – resultam da formação de novas estrelas

 

“Na mais simples das imagens, se vêm muitas imagens. O conteúdo daquilo que se vê depende do objectivo de quem o está a fazer. Deste modo, uns vêm água e os outros vêm terra, tudo no mesmo espaço, mas visto de ângulos diferentes: o complemento desta actividade reside em compreender que ambos fazem parte de um todo, em que também nós estamos integrados. E que esse todo se torna insignificante, se analisarmos mesmo tudo, de esse todo sem fim!”

 

Delta tibetano – sedimentos coloridos flutuam nas águas turcas do Lago Ayakum

 

(Fotos Natinal Geographic)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 16:28

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