Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

07
Jan 13

Ficheiros Secretos – Albufeira

 

Fátima – O Milagre do Sol: o maior avistamento de alienígenas, registado no século XX

 

Algarve – O Povo em Alerta

 

Intrusos – A Sonda tripulada por PKD1928

 

Alienígenas Anónimos – Interferências e Comunicações:

A Queda (a chegada), A Estadia (o contato) e O Regresso (a partida)

 

Paralelos – A evolução do planeta Terra e a supervisão contínua por entidades exteriores

 

O grupo de marginais seguia organizado e em fila indiana, subindo tranquilamente em direção ao cume da serra de Monchique. O tempo estava húmido, a noite já caíra há muito tempo e nas encostas da serra algarvia, o vento frio entranhava-se pela roupa e gelava o corpo até aos ossos, manietando os movimentos dos homens na sua longa e dura caminhada até à Foia. Lá em cima os radares continuavam a funcionar e na estação de telecomunicações a atividade era cada vez mais intensa. O céu estava limpo e pejado de estrelas, a vista da serra para o litoral era fantástica e transparente, com todas as luzinhas das urbes costeiras serpenteando pela planície e com as ondas do mar refletindo os estonteantes raios da Lua Cheia. Já perto da Foia o grupo de marginais introduziu-se num refúgio secreto situado perto do principal trilho de acesso à estação de radares, estrategicamente situado nas proximidades do edifício principal e encoberto por um aglomerado de pedras tão características da região. O objetivo era vigiar o movimento no heliporto e nas suas redondezas e verificar se ocorria algo de estranho e fora de contexto. O grupo era constituído por um conjunto de dissidentes que se tinham demarcado dos movimentos independentes de oposição algarvia pró-alienígena, após a ocorrência inesperada da primeira anomalia – com o código PKD1928 – que pôs em causa nesse momento algumas das afirmações feitas pela organização dos Alienígenas Anónimos (AA). A probabilidade de que algo acontecesse era muito alta e convinha estarem todos muito bem preparados para as eventualidades que pudessem surgir, de modo a reagirem imediatamente e demonstrarem claramente a sua força e poder.

 

O Veículo detetara uma anomalia estranha numa determinada zona do espaço projetada para a sua passagem, com os programas de voo e orientação a fazerem soar sinais de alarme, para pontos de referência anteriormente cartografados e agora apresentando disfunções incompatíveis com o local. O seu tripulante percorria a nossa galáxia oriundo inicialmente de um mundo paralelo e seguindo sequencialmente um trajeto predefinido que o iria fazer passar pela galáxia de Andrómeda, rumando de seguida na nossa direção e redefinindo posteriormente a sua rota após contornar o Sol.

 

C01: Problemas.

R01: Reportar condições.

 

C02: Queda eminente.

R02: Coordenadas.

                     

C03: Latitude = + 37,24°; longitude = - 8,04°; altitude = + 253m.

R03: Recebido.

 

C04: Zona Portugal-Faro-Salir.

R04: A verificar.

 

C05: Simulador de ondas e acesso a portal recusados. Avaria no sistema integrado de transporte.

R05: Aterrar e aguardar. Verificação de sistemas em curso. Portal ativo.

 

C06: OK.

R06: Em estado de espera. Comunicar logo que possível. Mantemos rastreio.

 

C07: Processo concluído. Nave danificada e inativa. Tripulantes ilesos.

R07: Aguardar indicações superiores.

 

C08: Zona de queda sem contatos. Nave irrecuperável. Em exploração.

R08: Colocar detetor GPS ativo. Manter contato. Comunicar se necessário.

 

C09: Povoação próxima. Pouca atividade visível. Aguardo instruções.

R09: Registos encontrados – Salir – área de 185Km² – 2800 habitantes.

 

C10: Em progressão no terreno. Estrutura artificial nas proximidades.

R10: Assegurar segurança e confidencialidade.

 

O Universo onde vivemos pode não passar de uma simulação efetuada num computador

 

A sua curiosidade levou-o a introduzir no seu simulador de realidades – associado ao computador principal e controlando-o por comando do seu utilizador – todos os dados registados na sua observação, podendo assim analisar por comparação dados anteriores recolhidos com dados recentes verificados e a partir daí descobrir certas anomalias que pudessem provocar acontecimentos não previsíveis, em simulações com dados de base não alterados.

 

C11: Utilizando portátil de comunicação. Novo código e endereço. Deteção exterior nula.

R11: Novas indicações de procedimento. Aguardar. Em processamento.

 

C12: Qual a possibilidade de recuperação. Sistemas alternativos de retorno acessíveis?

R12: Recuperação não autorizada. Aguardar.

 

C13: Nas proximidades da estrutura. Paragem.

R13: Novos procedimentos – prioridade para contato com organização local. Envio em anexo de coordenadas codificadas. Consultar simbologia secreta de tradução.

  

C14: A traduzir.

R14: Canal sempre aberto. Comunicar outras situações relevantes.

  

C15: Mensagem recebida. Início de procedimento autorizado.

R15: Comunicar evolução.

  

C16: Estabelecido contato. Organização reconhecida. Alienígenas Anónimos.

R16: OK. Mudança de canal exclusivo de comunicação. Opção por rede protegida RTA.

  

C17: Base subterrânea alcançada. Em segurança. Reunião imediata com apoiantes locais.

R17: Correto. Pedir informações e notificar os locais de novas atualizações – evolução, recentes ações e avaliação intermédia.

  

C18: Condições climatéricas instáveis na região. Provável causa – elevada influência eletromagnética e degenerativa exercida diretamente sobre a atmosfera e o solo local, provocada pela deterioração dos sistemas e isolamentos complementares da nave.

R18: Justificação por análise de consequências provocadas.

  

C19: Evento incomum para esta região – violento tornado com danos materiais e registo de feridos. Zona Carvoeiro-Lagoa-Silves.

R19: Evento registado e em análise.

  

C20: Em modo de espera.

R20: Canal ativo. Nova transmissão a realizar brevemente. Prevenção e repouso.

 

 

Os portais – utilizados como locais de passagem entre mundos distantes no tempo e no espaço

 

A anomalia parecia estar localizada nas proximidades duma pequena estrela pertencente à Via Látea e poderia significar em função dos dados disponibilizados, a abertura de um novo portal de comunicação entre mundos ou então a presença no local de tecnologia ultra avançada utilizada nas deslocações espácio-temporais, o que não deixava de ser estranho dado ser até agora apenas conhecida a existência de vida e de uma civilização ativa – mas ainda no início do seu desenvolvimento tecnológico acelerado – no minúsculo planeta Terra.

 

C21: A comunicar. Saída em exploração e colocação de emissor paralelo de segurança. Seleção de frequências compatíveis.

R21: Aguardar por autorização.

  

C22: Necessário desbloquear portas de comunicações.

R22: Confirmar autorização. Indicar código de missão/posto.

  

C23: Dados digitalizados e reenviados.

R23: Ordem para saída deferida. Manter contato seguindo normas e cenários recorrentes.

  

C24: Saída a pé. Um colaborador local. Instrumentos de precisão e localização a funcionar. Tempo instável.

R24: Registado.

 

C25: Movimento detetado. Colaborador a verificar.

R25: Necessidade de manter presença indetetável. Aguardo.

 

C26: Movimento clarificado. Deslocação de animais em grupo. Tudo OK.

R26: Necessidade de verificar espaço periférico. Possibilidade de intrusão.

 

C27: Explicação. Intruso interno ou externo?

R27: Intruso à Confederação. Ação de rotina necessária. Verificar existência de portais.

 

C28: Indicar origem de intruso – mundo paralelo ou sequencial.

R28: Registo de atividade recente com acesso detetado em pórtico de universo paralelo.

 

C29: Objetivo do intruso. Esclarecimento de implicações na missão.

R29: Sem alteração. Situação em análise. Ordem para colocação preventiva de detetores eletromagnéticos. Utilização de distorção de sinal.  

 

C30: OK. Sequência em marcha. Reinício da exploração.

R30: Cálculo do ponto de colocação de emissor paralelo de segurança. A recolher dados do espectrómetro de ressonância paramagnética eletrónica para envio de coordenadas GPS.

 

Buracos de minhoca: estrutura semelhante a um túnel, permitindo a realização de viagens a milhões de anos-luz, em poucos segundos

 

Rumando ao local o seu tripulante teve o cuidado de antes de se colocar em órbita e iniciar a descida através da atmosfera deste planeta – e apenas como último recurso para situações extremas de emergência que pudessem por em causa a sua integridade dado o completo secretismo que pretendia manter nesta sua missão privada e não declarada – colocar em funcionamento uma sonda portátil de apoio e sinalização. E foi esse o primeiro instante em que o detetor sinalizou e confirmou a presença no planeta Terra de seres a ele exterior, dando origem inadvertidamente a um eco recebido em terra pelos alienígenas aí colocados e que de início criaram interferências nas suas comunicações, pondo imediatamente em alerta todo o seu sistema de radares e comunicações e as organizações humanas a eles associadas.

 

C31: Erro. (Mensagem automática: verificação de “buraco de minhoca” e reforço de segurança).

R31: Suspensão. Aguardar instruções.

 

C32: Tempo restante para retoma de missão. Comunicar.

R32: Canal alternativo ativo e seguro. Desaceleração numa das extremidades do buraco. Em investigação. Relação com intrusão em análise. Espera e reinício de programa.

 

C33: OK. Terminal reiniciado. Prossecução. Reforço de sistemas gerais de apoio.

R33: Codificação. Comunicar coordenadas de destino atualizadas. Longitude = +37,24; latitude = – 8,05; altitude: +200m.

 

C34: Visualização e confirmação de local. Implantação de emissor paralelo de proteção. Executado.

R34: Confirmadas múltiplas direções e portas de comunicação. Circuitos ativos.

 

C35: OK. Continuação descrição de viagem e pesquisa.

R35: De acordo.

 

C36: Regresso. Zona abandonada. Pequenas estruturas habitacionais. Grupos de animais. Pequena alteração na camada superior atmosfera. Sudoeste. A analisar.

R36: A verificar dados.

 

C37: Possibilidade de alteração atmosférica provocada por choques de transporte paralelo ou sequencial? Confirma?

R37: Em estudo urgente. Possível intruso nave PKD1928. Flutuação dimensional. Verificar estabilização.

 

C38: Objetivo provável da nave PKD1928?

R38: Possibilidade de criação de mundos alternativos replicados. Perigo: iludir a realidade e possibilitar acesso a mundos inexistentes mesmo que sentidos/percecionados.

 

C39: Origem dessas ideias. Utopia? Esquizofrenia?

R39: Grupo de seres associado a uma mente racional transcendental originários de Valis. Contactados, partilhados e complementados como um todo. Através da manifestação de um Deus que eles próprios julgam ser e pertencer. Sejam locais, objetos ou sujeitos deste Universo.

 

C40: Verificação da normalização. Espaço temporal atmosférica. Sem indícios adicionais de transporte. Chegada e missão concluída.

R40: Ficar a aguardar instruções. Objetivo bem-sucedido. Manter alerta. Em análise nave PKD1928. Possibilidade de implicações com acontecimentos terrestres anteriores.

 

 

Algo vindo do exterior – talvez a última hipótese de salvação de um povo abandonado à sua sorte, condenado a emigrar e convidado a desaparecer

 

A visita foi rápida não só pelo desconhecimento da situação e evolução pormenorizada nesta zona do espaço, como pelo perigo que daí poderia resultar, dada a presença de outros alienígenas dos quais não conhecia as intenções e até pela confusão pelo qual passava essa região específica – do sul de Portugal – atravessada há poucas horas por uma violenta tempestade, com precipitação, ventos fortíssimos e grande nível de destruição. O que até poderia ter sido provocada pela entrada violenta de um corpo vindo do exterior, que poderia ter contribuído inadvertidamente para esta brusca – e momentânea – alteração meteorológica.

 

C41: Abandono da base. Apoio da rede.

R41: Dirigir sinal para radares da Foia.                                  

 

C42: Em marcha para objetivo. Passagem por complexo das Baiãns. Verificação.

R42: Urgente. Prioridade para ensaio de deteção de descontinuidades. Incidente anterior em investigação contínua.

 

C43: A escurecer. Manutenção de transporte. Veículo dissimulado.

R43: Tempo de chegada fixo. Necessidade de manter procedimentos.

 

C44: Chegada ao complexo. Contacto estabelecido. Aguardando instruções complementares.

R44: Início imediato de operação de recolha. Encontro programado: Monchique. Coordenadas. Latitude = +37,32 longitude = – 08,55 altitude = +900m.

 

C45: Recebido. Em execução. Confirmação de coordenadas. Informação adicional para análise de risco de procedimentos de viagem. Outros fatores.

R45: Prioridade – recolha e investigação.

 

C46: Detalhes suplementares necessários.

R46: Necessidade de concentração de esforços locais e verificação de incidentes exteriores, que possam afetar instalação, fixação e suporte a zonas aliadas. Crise local com possibilidade de revolta e de surgimento de milícias incontroladas. Análise em curso do caso intruso/PKD1928 e consequências de possível contacto.

 

C47: Coluna em marcha. Boa visibilidade do local de recolha Monchique-Foia. Preocupação com notícia de contactos com outra fonte estrangeira. Em alerta amarelo.

R47: Iniciados ensaios para procedimentos de recolha. Aparelho pronto para teletransporte e coordenadas fixadas. Opção sequencial e paralela em análise. Necessidade de informações sobre cronógrafo local e possibilidades técnicas de calibragem. Buraco de minhoca ativo.

 

C48: Entendido. Algumas interferências de comunicação. Manutenção do programa estabelecido. Suspensão por segurança de contactos.

R48: OK. Em espera. Preparativos concluídos. Recolha imediata.

 

C49: Início de procedimentos de segurança.

R49: Dado conhecimento à Rede de Telecomunicações Aéreo-Espaciais (RTA) e aos Alienígenas Anónimos (AA). Autorização de transporte confirmada. Proteção assegurada a instalações. Radares da Foia em execução. Simulação confirmada com êxito.

 

C50: Máquina de transporte espácio-temporal e cronógrafo já acessíveis. Todo o software e hardware funcionando corretamente. Fim de comunicações.

R50: OK. A aguardar. Portas de envio e recolha ativas e abertas. Normas de segurança em execução.

 

 

Intruso PKD1928: “Eu vi coisas em que ninguém acreditaria”

 

A passagem da sonda comandada pelo tripulante com o código PKD1928 decorreu por um período muito curto de tempo, apenas o necessário para a recolha de uma mão cheia de dados sobre o local e para a confirmação da presença de alienígenas neste planeta utilizando a sua tecnologia mais avançada, o que poderia ser perigoso para o equilíbrio e neutralidade da zona. Mas como não era esse o seu objetivo de viagem e de pesquisa, PKD1928 decidiu continuar a sua missão como programado, deixando para trás – para registo e envio de informação – a sonda portátil num local de visibilidade nula. O problema poderia surgir posteriormente com a possível investigação destes alienígenas à sua passagem, facto que de certeza os incomodara e que jamais pensariam em largar.

 

As gentes do barrocal algarvio estavam a ser asfixiadas pelo abandono total a que os seus governantes os estavam a votar. A fome e a miséria começavam a grassar por todos os lados e até da zona do litoral mais gente vinha fugindo para o interior, procurando ajuda e alguma forma de subsistência, que os mantivesse vivos durante mais algum tempo. A quem recorrer numa sociedade em desagregação acelerada, em que os responsáveis se vão cada vez mais alheando dos problemas do mundo, numa estratégia deliberada de esquecimento e de desvalorização de valores ancestrais? Com este contexto de demência opressiva e de brutal regressão social, o grupo de marginais não teve necessidade de se fazer conhecer: eram as gentes que apareciam nos caminhos que serpenteavam pela serra e pelas planícies adjacentes do barrocal, organizando-se voluntariamente e contatando outros revoltados aderentes da causa do direito à vida e ao usufruto de momentos de felicidade. Com estrangeiros ou nacionais vindos deste mundo ou de outros mundos, a terra de onde viéramos jamais nos poderia ser retirada. E era com este pano de fundo que esta brigada de marginais se tinha encaminhado para o ponto mais alto do Algarve, procurando descobrir na partilha deste espaço, opções alternativas mesmo que sobrepostas, ao mundo onde viviam.

 

A possibilidade da existência de mundos paralelos só nos aumenta o desejo de neles vivermos antecipadamente e de nos transcendermos, ultrapassando assim os limites autorizados à nossa mente

 

(imagens – Google)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:29

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