Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

03
Dez 12

VESTA e MAKEMAKE

Albufeira – Ficheiros Secretos

EP 4 – A Viagem do Vicente

 

O Vicente Original

 

O melro-preto Vicente

 

Vicente era um melro-preto (caraterístico dos machos) nascido no Algarve e habitando uma oficina nas redondezas da Guia, sendo aí conhecido como um defensor para toda a vida do seu território – neste caso a oficina que guardava com muita vontade e empenho. Apesar de por outro lado não ser uma ave gregária e gostar muito de andar a gozar e a brincar – como ave brincalhona e com personalidade vincada – com os instrumentos de trabalho e outros acessórios usados pelos seus trabalhadores (um dos seus divertimentos preferidos era fazer desaparecer os parafusos quando apanhava os mecânicos distraídos). Acabou por desaparecer um dia, não se sabendo bem porquê – mas pelos vistos ia a caminho, como num sonho, dos limites do Sistema Solar.

 

O Vicente Alternativo

 

Asteroide VESTA – à esquerda a cratera CANULEIA

 

O Vicente foi desde a sua juventude um miúdo muito interessado em tudo o que envolvia viagens em naves espaciais e observações noturnas do céu, principalmente durante a altura do Verão, em que o céu estava limpinho e se podia observar o céu com toda a facilidade e nitidez – mesmo a olho nu. Era um fã dos filmes de ficção-científica envolvendo naves imensas e fantásticas voando por todo o Universo e combatendo pela salvação de outros mundos, nunca perdendo – sempre que podia – a estreia de mais uma nova longa-metragem passada no espaço e ficando a partir daí a sonhar com novos cenários e aventuras, em que ele estaria também heroicamente presente e conscientemente envolvido.  

 

Quando atingiu a maioridade, a família – querendo-o recompensar pelos bons resultados nos estudos e pela ajuda sempre presente que ele lhes dava no trabalho do campo – resolveu premia-lo com um presente particular e muito bem pensado, que eles tinham a certeza que o iria pôr nas nuvens e cheio de alegria: uma luneta astronómica. E foi mesmo num caos de sentimentos e felicidade incontida, que Vicente abriu a surpresa que os pais lhe ofereciam, correndo para eles com um misto de espanto e reconhecido agradecimento e enfiando-se de seguida no seu quarto, olhando estupefato e num estado desconhecido de puro prazer o artefacto sempre desejado. Já poderia subir ao terraço de sua casa e observar o céu cheio de pontos luminosos, uns tremendo outros não e compreender olhando para eles, a posição destes misteriosos corpos celestes no Universo e aquilo que nós fazemos no meio disto tudo.

 

E assim mal chegou o Verão era vê-lo constantemente no terraço de casa com a sua luneta, a observar tudo o que o céu noturno lhe oferecia, desde as estrelas de todas as cores – azuis, vermelhas, verdes e muitas mais cores – passando por planetas como Saturno e os seus visíveis anéis e pelo misterioso e vermelho planeta Marte – com os seus enigmáticos canais – e claro está, nunca esquecendo a magnifica Lua situada tão perto de nós, enorme e tão fácil de alguém se perder nela só de olhar, tão extraordinários os detalhes possíveis de observar e de tentar traduzir e compreender. Numa dessas noites de observação solitária do céu noturno do Algarve, deparou-se inesperadamente com algo que lá não costumava estar e que ele nunca vira antes – tinha a certeza disso, pois registava sempre todos os pormenores que achava importantes ou que na altura não entendia – e que ele não conseguiu, por mais que tentasse e dê-se cabo à cabeça (e aos livros), descobrir o que seria.

 

O objeto voador que levou inicialmente Vicente até ao asteroide VESTA

Esta imagem foi divulgada por um agricultor da Guia dias depois do desaparecimento do melro da oficina onde habitava

                                            

Eram duas horas da manhã de um sábado do mês de Agosto – com o nosso satélite natural caminhando rapidamente para a fase de Lua Nova – e estava uma temperatura agradável típica de Verão, não vislumbrando Vicente nenhum mosquito pronto para chatear, nem mesmo sentindo qualquer brisa mais forte, que lhe pudesse dar cabo do seu período de observação, deslocando a luneta de posição ou humidificando as suas lentes. No céu só vira até aí duas ou três estrelas cadentes e entretera-se até essa altura, a ver as cores das várias estrelas cintilantes que o céu apresentava. E foi quando deslocava o seu ângulo de visão mais para sul que visionou o corpo que não devia lá estar. O que tornava estranho e curioso esta observação era que o objeto desconhecido parecia deslocar-se no céu, aumentando de tamanho e de luminosidade. E dada a distância a que se encontrava de si e da sua luneta, nunca poderia ser um avião, nem mesmo um satélite artificial orbitando a Terra. Deixou-se inconscientemente ficar a olhar este inopinado objeto voador desconhecido – tal a maneira como ficou hipnotizado com o que estava a presenciar – que nem se apercebeu da velocidade de deslocação do objeto e do modo como este se aproximava rapidamente da sua área de observação. O resto aconteceu rapidamente e mesmo hoje não tem grande noção do que terá na realidade acontecido: só se recorda de uma forma um pouco confusa e nebulosa, de um grande relâmpago – não se lembra de nenhum ruído particular a acompanhar o fenómeno – de se sentir a pairar momentaneamente no ar e de imediatamente perder a noção de tudo o que o rodeava e cair sem sentidos.

 

O interior da nave espacial DAWN 3V – num projeto inovador lançado pela DREAM TIME SPACE CORPORATION – apresentava uma conjugação de divisões e de cores aplicadas de uma beleza e simplicidade surpreendente 

 

Ainda um pouco atordoado acordou no interior de uma sala fechada e praticamente vazia, guarnecida de diversos painéis luminosos espalhados por todas as paredes e que pareciam dar acesso a outras divisões deste complexo ou simplesmente serem meros compartimentos de arrumos com capacidade de acesso privilegiado, a outras funções que ainda não tivera tempo para entender. Meio confuso com o que estava a suceder à sua volta, Vicente viu uma porta – que não notara antes – abrir-se e por ela entrar o que mais parecia um autómato vindo do filme da Guerra das Estrelas, que lhe entregou educadamente algo de comer e de beber, ao mesmo tempo que lhe explicava pormenorizadamente o modo de funcionamento do local onde o tinham confortavelmente instalado. Era tudo comandado pelo tato ou pela voz e centenas de opções e atividades técnicas eram propostos ao seu utilizador, fosse ela lúdica ou de trabalho, além da oferta sem limite de múltiplos canais de comunicação e mesmo podendo conceder acesso restrito – em casos de urgência – à utilização de transportes temporais. A viagem foi rápida e o destino escolhido – soube-o quando o autómato se retirou – era o asteroide VESTA. O transporte onde Vicente se deslocava era a nave espacial DAWN 3V, construída recentemente por técnicos alienígenas residentes em VESTA, em memória da primeira sonda terrestre enviada para observar e estudar este mundo. VESTA era um asteroide com cerca de 10 Km de diâmetro e Vicente ficaria instalado em instalações subterrâneas localizadas no interior da cratera CANULEIA, podendo-se comunicar com outras zonas deste corpo celeste, através de canais que atravessavam como raios a sua superfície.

 

A reunião teve lugar no dia seguinte ao da sua chegada e o assunto que levara os alienígenas a transportarem Vicente a VESTA, foi logo aí e sem nenhum tipo de preparação ou rodeios, apresentado e explicado: alguns habitantes do planeta MAKEMAKE situado para além da orbita do último planeta constituinte do Sistema Solar – o planeta Neptuno – estariam a preparar-se para partir da cintura de KUIPER – onde se situaria o planeta “FAZFAZ” – em direção ao planeta Terra, com o objetivo de tentar compreender presencialmente as razões técnicas e cientificas invocadas por muitos eminentes e conspirativos eruditos terrestres, de que o fim-do-mundo estaria aí à porta e marcado para o próximo dia 12-12-12. Achavam eles interessante que num Universo em que apenas o Espaço e o Movimento eram parâmetros relevantes, alguém recorresse a entidades que se baseavam exclusivamente em crenças e lendas de povos desaparecidos – como os Maias – para anunciarem repetidamente e de uma forma irracional e religiosa, a sua crença na ressurreição e numa vida eterna para além da matéria. O que até seria credível ou mesmo possível, mas num outro nível alternativo e viável de realidade, que os terrestres que se soubesse ainda não atingiam, nem demonstravam qualquer interesse em atingir – dado o nível de violência irracional demonstrado e ao próprio aplicado.

 

  

O planeta MAKEMAKE situado da cintura de KUIPER

 

NA sua estadia em VESTA, Vicente aproveitou para ler alguns livros sobre o asteroide e as cinturas de KUIPER e de OORT. Era muito curioso na sua investigação sobre corpos celestes pouco falados e até os seus nomes – e como as pessoas os pronunciavam – deixava ficar no ar algo de misterioso e difícil de desvendar. Ora era com estes aspetos que Vicente delirava, mais o entusiasmando nas suas profundas e detalhadas investigações juvenis. Informou-se logo sobre MAKEMAKE e outros planetas semelhantes a ele situados perto dos limites do Sistema Solar e deparou-se de imediato com o despromovido PLUTÃO e com HAUMEA, também localizados na cintura de KUIPER e para além da orbita de Neptuno. MAKEMAKE – denominado como os seus colegas um planeta “DWARF” – teria uma dimensão ligeiramente inferior a PLUTÃO e levaria mais de 300 anos terrestres para dar a volta completa ao Sol. Espantou-se ainda mais quando verificou que em MAKEMAKE existiriam fortes sinais da presença de nitrogénio congelado à sua superfície, assim como de outras substâncias como o etano e o metano e mesmo assim e nestas condições extremas existir vida molecular – e pelos vistos organizada mesmo a nível superior, com a existência de seres vivos indígenas – apenas pela ação da luz ultravioleta e da sua interação com essas substâncias, que lhe daria a cor avermelhada nas observações até agora efetuadas.

 

Chegou a MAKEMAKE numa nave cedida pelos seus amigos de VESTA. Sendo um dos maiores planetas anões do Sistema Solar, este corpo celeste oriundo da cintura de KUIPER era habitado por pequenos seres respirando uma atmosfera para nós tóxica e venenosa, mas que contribuía para que este povo alienígena tivesse uma estrutura mais resistente e adaptável ao clima do planeta-anão, tornando-o mais irrequieto, curioso e com necessidade constante e urgente de intervir sempre que necessário e de modo a contribuir positivamente para o desenrolar de todos os processos de transformação que os rodeavam e influenciavam. Afinal o Universo era um Ser Vivo em constante transformação!

 

O planeta-anão pertencia à família dos pequenos planetas como o era o recém-despromovido planeta Plutão. Os seus habitantes – os CUBEWANOS – era um povo muito cordial e atencioso, estando sempre dispostos a ajudar o próximo e mesmo a partilhar com ele todos os problemas do seu quotidiano diário. Apesar de estarem a uma distância apreciável do planeta Terra – entre 45/53 UA – e terem um período orbital de cerca de 310 anos, o desejo dos CUBEWANOS em comunicarem com outras civilizações – e aí se deslocarem – era crescente, quase que se transformando no seu Paradigma futuro. Além do mais não era conhecido nenhum satélite artificial de MAKEMAKE o que isolava ainda mais os seus habitantes de contactos exteriores prioritários.

 

O Universo existirá sempre para lá dos limites da nossa imaginação (visão do mundo do ser humano vivo)

E a sua Transformação dará ao Mundo constantes Criações, que irão perdurar no tempo até à nossa Perdição (visão do mundo do ser humano morto)

 

No entanto Vicente acabou por se concentrar no que mais lhe importava a si e a toda a população de MAKEKAKE: fazer amigos, partilhar espaços e trocar experiências. E se possível viajar entre todos estes Mundos dispersos pelo Espaço e criar em consenso com tudo e com todos, outras noções e vivências que pudessem catapultar conjuntamente todas as raças existentes no Universo, para outros níveis alternativos e superiores da realidade. Convidou assim os seus amigos de MAKEMAKE e de VESTA para uma visita a realizar dentro de pouco tempo ao seu planeta, para lhes mostrar presencialmente como era bela e fantástica a existência de vida e de cor por todo o lado, aquilo que no fundo poderia também vir futuramente a acontecer noutros planetas e corpos celestes – como os seus – com a imparável evolução do Universo Nómada, continuamente em constante movimento e transformação, apesar da presença de muitos oposicionistas sedentários apologistas da morte. Tudo dependeria agora da colaboração da China, da Índia e do Japão na concretização desta ânsia e desejo planetário, já que os EUA viviam agora uma crise tremenda e a Europa agonizava: as naves estavam quase concluídas e esperava-se a chegada em breve a esta zona do Sistema Solar de uma Mega Nave Espacial Asiática, carregada de pessoas procurando estabelecer intercâmbio tecnológico e cultural entre novos Mundos e Mercados, ao mesmo tempo que iam inundando os CUBEWANOS com artigos conhecidos das “Lojas dos 300”, que tanto os entusiasmavam – como era possível uma tal inutilidade, ser tão agradável de manipular!

 

O Mundo é tudo isto e tudo isto faz parte do Universo. O Universo é um Corpo Vivo, assim definido por uma constante movimentação de todas as suas estruturas – mesmo que erradamente pareçam estáticas – num processo consecutivamente transformativo. O Movimento é um elemento significativo (e talvez único) para a confirmação de existência da Vida e sem ele não existiria Nada, por mais criação ou perda que se invoque. Disso ficou Vicente completamente ciente, prometendo aos seus camaradas de viagem e em nome da honra de toda a sua família (e dos amigos mais chegados), oferecer a sua total disponibilidade para ensinar e jamais para educar.

 

(imagens – NASA e Google.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:30

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