Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

21
Abr 15

“U.S. reiterates it won’t evacuate Americans from Yemen as UN slams Saudi attacks.” (mcclatchydc.com)
“Trapped in Yemen, Americans File Lawsuit Against US Government.”
(firstbook.org)

 

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Iémen – agora sob bombardeamento diário da Arábia Saudita

 

Agora que cidadãos norte-americanos estão a ser convidados por diversas organizações internacionais defensoras dos direitos humanos a processar o seu país por os ter covardemente abandonado num outro país em guerra e caos total (o Iémen) – situação essa provocada e agravada até ao limite pela invasão de um seu aliado (a Arábia Saudita fortemente armada, aconselhada e orientada pelos EUA) – a única resposta que os mesmos cidadãos têm obtido por parte de comunidade internacional é o (infelizmente e como sempre) desprezível Silêncio. O seu país ignora-os e nada faz (como se fossem norte-americanos de segunda), chegando mesmo a convidá-los a tomarem a iniciativa e a fugirem utilizando meios disponíveis no local (lançarem-se ao mar e fugirem a nado?), afirmando ao mesmo tempo que já os tinham avisado antes do perigo que o país representava para os mesmos, como se nós acreditássemos que a presença desses norte-americanos não fosse importante (e motivada pelos próprios EUA) para o conhecimento mais pormenorizado da região (vista do interior) e para a escolha da melhor estratégia de intervenção a adoptar (vinda do exterior). E se antes foram entre muitos outros (considerando aqui e apenas os casos mais mediáticos, mas com muitos outros não visíveis mas espalhando-se como um vírus por todo o mundo) ex-estados como o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e a Síria a serem obliterados e apagados definitivamente dos mapas pelas novas e redimensionadas forças de Salvação Ocidentais (os Novos Cruzados), chegou agora a vez do Iémen: já bastante devastado pelo conflito Arábia Saudita/Irão (pela conquista do domínio em toda a região) transportado para o interior das suas fronteiras e contando com a colaboração preciosa e incendiária dos EUA (apoiantes da Teoria do Caos para esta região), vemos agora e tal como se passou nos outros países já anteriormente expostos (e agora extintos) um país perto do abismo total e com a sua população cercada e sufocada por (pelo menos) três grupos armados (o governamental, o rebelde e a Al-Qaeda). E mais uma vez onde está a ONU e todas as consciências avançadas (e com acesso garantido ao poder) deste mundo? Talvez a fazerem contas (à sua vidinha e da organização que os sustenta) e a preverem balancetes futuros (pois a vida é do diabo e também têm famílias para sustentar)! É claro que os puros e os purificadores (para se defenderem) dirão que provavelmente estes norte-americanos teriam certamente alguma coisa a ver (directa ou indirectamente) com os Mouros (como o fizeram os nazis ao descobrirem o perigo que representavam os Judeus para o futuro da Alemanha e do Mundo).

 

"A tragedy is unfolding in the Mediterranean, and if the EU and the world continue to close their eyes, it will be judged in the harshest terms as it was judged in the past when it closed its eyes to genocides when the comfortable did nothing."
(Maltese Prime Minister Joseph Muscat)

 

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Mediterrâneo – o desespero dos pouquíssimos sobreviventes

 

Isto a propósito de tudo o que de semelhante se passa agora e com mais assiduidade cada vez mais perto de nós, seja em terra (na Ucrânia) seja no mar (no Mediterrâneo). Que como todos logo constatamos já são zonas integrando a Europa e dizendo-nos directamente respeito.

 

Em mais este dos muitos episódios mortais ocorridos diariamente no mar Mediterrâneo, morreram provavelmente 700 a 800 pessoas (entre homens, mulheres e crianças). Morreram porque tentaram em desespero fugir à guerra e destruição que assola os seus países arrasados e com as suas infra-estruturas completamente obliteradas, desde o dia em que os salvadores oriundos das civilizações democráticas e ocidentais aí chegaram e pretenderam (sem os consultar) mudar os interesses dos povos, de grandes regiões e até de nações inteiras – tudo em nome deste povo sem nada seu e globalmente considerado atrasado e de risco (para eles e para nós), mas invariavelmente tendo sempre como consequência a felicidade económico e financeira de um ou de dois intervenientes e salvadores intervindo no processo. O problema aqui torna-se muito mais grave, nojento e revelador de suprema hipocrisia, quando todo o mundo já conhece as razões por que tais episódios se sucedem nesta zona sem parar desde há muitos anos, especialmente desde que toda a África Central entrou num processo promovido exteriormente de auto-destruição, coroada pelo espectáculo deprimente das Primaveras Árabes e finalmente elevada a Evento Extraordinário com a Eutanásia da Líbia. Roubado todo o dinheiro pertencente ao povo Líbio oriundo maioritariamente do petróleo (God Save The Queen/Vive Le Roi), a Líbia deixou de existir e os seus cidadãos deixaram de ter direito a serem reconhecidos como tal.
Mas voltemos aos factos:

 

Up To 700 Feared Dead After Migrant Boat Sinks Off Libya
(Reuters)

 

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Sicília – um caso raro de salvamento de uma criança

 

PALERMO, Italy April 19:
As many as 700 people were feared dead after a fishing boat packed with migrants capsized off the Libyan coast overnight, in what may be one of the worst disasters of the Mediterranean migrant crisis, officials said on Sunday.
Twenty eight people were rescued in the incident, which happened just off Libyan waters, south of the southern Italian island of Lampedusa, Antonino Irato, a senior official from the Italian border police, told television station RaiNews24. He said 24 bodies had been recovered.
If confirmed, the death toll would bring the total number of dead since the beginning of the year to more than 1,500. (Reuters)

 

E face a factos cada vez mais difíceis de esconder ou de banalizar, já não existem argumentos por mais especializados que sejam que resistam a este espectáculo tão tenebroso e degradante para a nossa tão frágil e mal tratada condição humana. Só os argumentos científicos são credíveis: nunca os falsos argumentos das novas mentes iluminadas, em muitos dos casos apenas escondendo a sua incompetência atrás do seu estatuto político (o seu traseiro), atrás da sua ignorância e atrás da sua prepotência (as duas agora pomposamente denominadas como especializações) – e que lhes devíamos enfiar pelo ânus acima para verem como era bom. Nunca se esqueçam que o célebre e conhecido Sistema registou o seu Último Salto evolutivo e perpetuador de dominação (e de sobrevivência), quando há já muitos séculos atrás começou a substituir o poder das suas Armas pelo poder dos seus Canudos: as armas ficariam então para o necessário diálogo entre povos.

 

Italian Prime Minister Matteo Renzi said Europe was witnessing "systematic slaughter in the Mediterranean."
"How can we remain insensible when we're witnessing entire populations dying at a time when modern means of communications allow us to be aware of everything?"
The lawless state of Libya, following the toppling of former leader Muammar Gaddafi in 2011, has left criminal gangs of migrant smugglers a free hand to send a stream of boats carrying desperate migrants from Africa and the Middle East. (Reuters)

 

Mas então onde pára a ONU ou a nossa CONSCIÊNCIA DO MUNDO?

 

(imagens – dailymail.co.uk)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 14:48

13
Mar 14

A Beleza é apenas mais um reflexo da Natureza: se ela no entanto desaparecer será um sinal de doença.

Tal como com a Memória tal como com a Cultura.

 

Itália – Mediterrâneo – Mar da Ligúria – Pôr-do-Sol

 

Já passei por aquelas bandas há muitos anos atrás. Vindo da Suíça – mais precisamente de Genebra – e entrando de automóvel em Itália pela sua fronteira norte, cheguei a Aosta já com a noite a cair sobre esta cidade situada num zona baixa desta zona montanhosa – o Vale de Aosta: isto após uma travessia atribulada do Monte Branco, ultrapassando o seu cume gelado e com a estrada prestes a ser encerrada pela perigo que o piso escorregadio constituía e começando a fazer a descida a bordo de uma boleia que dois italianos me tinham proporcionado, completamente loucos, com o carro a querer derrapar em cada curva, enquanto agarrado ao banco do carro ia pedindo ajuda a quem me quisesse ouvir. Mas lá cheguei vivo e muito lhes agradeci por isso. Então iniciei aí a minha pequena Volta a Itália – ficando-me pelo norte já que o dinheiro não dava para tudo – passando e visitando localidades como Génova (com os seus enormes gatos expostos para venda), Pisa (com a sua torre a cair mas que não percorri pelas vertigens), Florença (com a arte exposta nas ruas e com as fabulosas pizzas a acompanhar) e Veneza (como uma antiga boneca de loiça afogando-se melancolicamente nas águas do Mediterrâneo). Mas ainda tive tempo nos meus momentos de pausa e de espera à entrada das vias rápidas italianas – algumas delas localizadas no litoral mediterrânico – enquanto pedia boleia para ver se alguém me ajudava a seguir um pouco mais nesta aventura, de apreciar a beleza de muitos recantos desta costa que tanto sugeria beleza como tranquilidade (senão mesmo desejo e sensualidade), encantando-nos com os seus belos cenários compartilhados por um mar suave, uma falésia povoada de casas e um céu próprio dum conto de fadas. Como também se encontra ainda, mas cada vez com mais raridade (e saudade), no nosso país – Portugal.

 

(imagem – earthsky.org)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 15:26

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