Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

17
Ago 13

Albufeira – Ficheiros Concreto

(em véspera de eleições autárquicas)

 

“Enquanto os assaltos ao comércio, às habitações e às pessoas se sucedem todos os dias, enquanto a droga é sinal de festas em círculos restritos e fechados em terra ou em iates em mar alto aberto, reservam-se quase todas as polícias para tomarem conta dos poderosos minoritários (Eles) e abandona-se definitivamente os miseráveis maioritários (todos os Outros). E até o padre – e os seus fiéis – têm que pagar o respectivo dízimo, nem que para tal lhes confisquem todas as caixas de esmolas (para as finanças apenas mais um saco azul)”.

 

O Povo e a Religião vigiados pelos militares da Polícia Marítima


Cais do porto de abrigo dos pescadores de Albufeira

(procissão)

 

Finalmente ao fim de mais de cinco séculos e sob forte pressão das autoridades políticas regionais e nacionais – em risco de extinção eminente por falência técnica e necessitando de facturação extraordinária local só possível sob a forma de recibos de multas – as autoridades albufeirenses tomaram a iniciativa pedagógica de comunicar ao povo quem é que verdadeira manda e a que regras devem obedecer – e que necessária e religiosamente tem que respeitar – se por acaso ainda quiserem continuar a ser considerados.

 

Se a lei já não existe por constante alteração e adulteração legislativa – chegando-se ao cúmulo da hipocrisia legislativa criminosa, quando se troca propositadamente um “de” por um “da” (ou vice-versa) só para se poder manter o tacho cheio – continuam a existir os seus intermediários assalariados de execução, já que os outros não são o povo, não são a autoridade, nem se dão ao trabalho de conhecerem os seus cobradores de serviço.

 

E neste caso relembre-se a luta de anos e anos dos Pescadores de Albufeira pela conquista do seu porto de abrigo, as derrotas, as decepções, as desistências por morte e doença dos mesmos ou dos seus familiares, até conseguirem finalmente e já perto do precipício final – como um passaporte dourado para a reforma – atingir aquilo que sempre desejaram, mereceram e que os responsáveis da sua terra sempre ignoraram – afinal eram locais sem dinheiro e não camones cheios dele.

 

Complacentes com as atitudes deste povo vivendo rodeado de memórias ultrapassadas e em ruínas e consequentemente desligado da realidade financeira actual, os cobradores de serviço usando vestimentas paramilitares – para imporem o seu poder militar, à fé e ao poder da religião – lá fecharam após a emotiva procissão de Nossa Senhora da Orada um dos olhos ao lançamento de foguetes não autorizado e ilegal, enquanto com o outro iam passando o recibo da multa à dita e Santa Senhora protectora dos Pescadores.

 

Segundo as autoridades locais e referindo-se às iniciativas rodeando as Festas de Nossa Senhora da Orada protectora dos (poucos) Pescadores ainda vivos (e logicamente o fogo de artifício que sempre a acompanha):

- “Trata-se de uma actividade muito controlada, com regras de segurança estritas e que requer policiamento e a emissão de um aviso à navegação”.

Daí o processo de contra-ordenação e a respectiva multa a ser aplicada.

 

(imagem – CM)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 19:05

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