Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

23
Out 18

From yesterday's IceBridge flight:

 

A tabular iceberg can be seen on the right,

Floating among sea ice just off of the Larsen C ice shelf.

The iceberg's sharp angles and flat surface

Indicate that it probably recently calved from the ice shelf.

(NASA ICE/@NASA_ICE/twitter.com)

 

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Um caso de Icebergs Tabulares

 

Mostrando-nos como no Mundo (no nosso PLANETA) ainda existem muitas coisas que nos possam surpreender (seja na ÁGUA, seja em TERRA, seja no AR), veja-se o caso do sólido perfeito (pelo menos conforme a parte aqui visível) registado pelas câmaras fotográficas equipando um avião da NASA, em ação na ANTÁRTIDA e integrando a OPERATION ICEBRIDGE: na imagem anterior apresentando-se com a forma de um paralelepípedo retângulo.

 

E para além do que se passa diariamente na Antártida – desde os Efeitos do Aquecimento Global/Degelo nos Polos até aos mais Misteriosos Segredos que os dois Continentes (Antártico e Ártico) ainda encerram (para já não falar da crescente luta política pelo controlo futuro dos recursos naturais de ambos) – face à PERFEIÇÃO deste SÓLIDO entrando pelos nossos olhos dentro, não se deixando de ficar como que SUSPENSO e PERPLEXO: suscitando o IMAGINÁRIO sendo ou não ARTIFICIAL.

 

(imagem: icebridge.gsfc.nasa.gov)

 

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 18:44

12
Mar 15

“Talvez um dia encontremos o lugar onde os nossos sonhos e a realidade colidam”
(Deviant Art)

 

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Ultimamente sujeitos a mais horas de trabalho extraordinário, todos os FAZEDORES/REDUTORES de cabeças usufruindo das suas capacidades intrínsecas e privilegiadas em acederem de uma forma brilhante às notícias da LUSA (oferecendo-nos graciosa e desinteressadamente a sua respectiva INTERPRETAÇÃO/TRADUÇÃO doutrinária), descobriram mais qualquer coisinha que associada à grande discussão em que o país mergulhou recentemente, nos poderá esclarecer melhor do que na realidade é (ou aparenta ser) PERFEITO ou IMPERFEITO.

 

Apesar do OUTRO (candidato) já ter arquivado o assunto (talvez por também acreditar na dicotomia Perfeito/Imperfeito e temer ser alienado por/para um dos lados – já agora qual?) e ao contrário do que muitos também pretendiam e até já visualizavam, o tema feliz e/ou infelizmente ainda não morreu: a culpa é da LUSA e também dos CIENTISTAS (ainda por cima com um estudo oriundo de uma universidade ALEMÃ).

 

“Há um sítio em Portugal onde os raios UV são quase perfeitos” – tal e qual!
“A luz solar em Santiago do Cacém tem um nível quase perfeito de raios ultravioleta (UV), que estimulam a produção de vitamina D pelo corpo humano, o que ajuda a manter o organismo equilibrado e a combater diversas doenças, revelaram esta quarta-feira investigadores de uma universidade alemã” – o que poderá provocar uma grande hemorragia na capital, com uma migração humana maciça em direcção às zonas de UV Perfeitos.

 

O que poderá vir a ter consequências MUITO GRAVES para o nosso país, na sequência do STRIPTEASE público do nosso PRIMEIRO-MINISTRO (a quanto o poder obriga!) – e que exibiu as suas partes, deixando o resto em banho-maria (já que ao contrário do que afirmam, os mirones nunca se cansam). Podendo até nada se passar pois o Outro (candidato) vem a caminho. E que certamente não quererá repetir este acontecimento embaraçoso.

 

(imagem – deviantart.com)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:49

“Quando criança, uma vez comprei uma maçã para comer na escola, para só depois reparar que estava bichada. Minha mãe logo me consolou dizendo que esses insectos sabem escolher as maçãs mais doces, portanto, se cortamos aquela parte bichada, o resto da fruta tem uma probabilidade maior de ser melhor. Não sei se isso é verdade, pode ser só conversa fiada de mãe.” (Eduardo Pinheiro – papodehomem.com.br)

 

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Tal como os fazedores de cabeças tantas vezes o afirmam (mesmo aqueles que o negam enquanto primem G-O-O-G-L-E no teclado do seu computador) porque não tentam os portugueses (tal como o fazem esses redutores de cabeças) experimentar esse enorme arquivo histórico que é a WEB (que tal como todas as fontes podem ser verdadeiras ou falsas, sendo nossa e única função tentar distingui-las) para tirarem dúvidas e finalmente chegar a conclusões?

 

Se eles o fazem invadindo a WEB com as suas opiniões (WEB BOA), porque não pelo menos tentarmos fazer como eles (WEB MÁ), partilhando as nossas visões do mundo e as nossas esperanças na construção de uma sociedade solidária e partilhada?

 

Nunca se esqueçam que para muitos desses fazedores/redutores de cabeça, BOA ou MÁ é apenas uma referência temporária atribuída a um determinado produto (por eles curiosamente também co-certificado), mas que a todo o momento pode ser revista, alterada e até glorificada: tal como o fizeram com GALILEU (que se atreveu a afirmar que era o SOL que andava à volta da Terra, candidatando-se a ser queimado vivo mas posteriormente recuperado e transformado em génio) ou até mais recentemente com SNOWDEN acusado da prática de crime de traição ao seu país, apenas por ter decidido pensar naquilo que estava a fazer: "Eu sou apenas mais um indivíduo que fica lá no dia a dia no escritório, observa o que está acontecendo e diz: Isso é algo que não é para ser decidido por nós; o público precisa decidir se esses programas e políticas estão certos ou errados."

 

Deste modo proponho a cada um de nós a realização de um simples, rápido e pedagógico exercício mental: descobrir as diferenças existentes entre os dois indivíduos acima apresentados, tentando imaginar aquele que num mundo imaginado e desejado por todos seria o mais PERFEITO.

 

Mas se acharem que tal não existe (dicotomia PERFEITO/IMPERFEITO) então descubram qual deles (com êxito ou com fracasso) mais se esforçou por atingir os seus objectivos previamente fixados, sem nunca se deixar ALIENAR.

 

(imagens – Expresso)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 13:42

09
Mar 15

História de um contribuinte que se queixa da Segurança Social

 

E que tem o apoio da maior figura do Estado!
(ignorando o facto de estar agora em queda livre)

 

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O Estadista que acha que falar de quem deve e não paga ao Estado não passa de mera campanha eleitoral

 

Num buraco do tempo com pouco mais do que alguns meses de existência, encontramo-nos inesperadamente com o nosso conhecido e peculiar cidadão Pedro – um dos membros mais destacados e influentes da família dos Leporídeos. E reproduzindo de novo a cassete instantaneamente recuperamos a memória, recordando estas palavras avassaladoras e claramente dirigidas: “Há muitos que deviam pagar os seus impostos e não pagam. Porquê? Porque não declaram as suas actividades. Ora nós temos obrigação de corrigir estas injustiças.”

 

Meses mais tarde fomo-lo encontrar notoriamente abatido e cabisbaixo, lamentando-se repetidamente da perseguição de que desde há alguns dias era vítima preferencial por parte da Segurança Social, a qual sob a orientação errada dos seus trabalhadores aparentemente lhe exigia pagamentos indevidos. No entanto e apesar de tudo a máquina administrativa não tinha mais parado, criando à sua volta um ambiente próprio e parecendo deliberado no sentido de o condenar antecipadamente ao anátema negativo e exemplar, de ser um perigoso e potencial transmissor da “praga de coelhos distraídos e devedores”.

 

Além de ter o apoio em 2011 de 1 em cada 5 portugueses!
(ignorando o facto de estar agora em queda livre)

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Num Estado que acha que nem todos precisam de pagar as suas dívidas ao Estado

 

Escondido estrategicamente na sua toca e esperando pacientemente o momento decisivo para contra-atacar, Pedro Leporídeo não se coibiu de escrever algo de importante sobre o tema em questão e que se coadunasse com as frases por nós previamente sugeridas. Aqui vão:

 

• Apanhado de surpresa: “Pensei que era opcional.”
• Recuperando do impacto: "Houve anos em que entreguei declarações e pagamentos fora de prazo com coima e juros, umas vezes por distracção, outras por falta de dinheiro."
• Desculpa mais elaborada: "Ninguém com certeza esperará que eu seja um cidadão perfeito."
• Cerimónia de encerramento: “Nunca deixei de pagar o que o Fisco me convidou a pagar.”

 

Enquanto isso e aproveitando a desgraça alheia (tão típico dos portugueses invejosos, como no Estado Novo era a sua inveja dos ricos) outros aproveitam a oportunidade para provocar o caos e a confusão: “Muitos contribuintes com dívidas à Segurança Social queixam-se que a instituição não perdoa e parte para a penhora sem notificação prévia.” (Expresso)

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 11:43

01
Mar 14

 

Churchill, Roosevelt e Estaline

 

E de novo eles tentam voltar a Ialta – EUA, Rússia e Grã-Bretanha – com o objectivo de passados 69 anos, ressuscitarem os objectivos da Conferência anterior (de 1945): dividir o mundo em zonas exclusivas de influência. Talvez no mês de Março porque “no Carnaval ninguém leva a mal”.

 

E a China? Sem problema: o mundo já lhe pertence.

 

Já agora que papel nos reservaram (por procuração da Alemanha)?

Talvez a direcção do BCE – o que já acontece – dada a sua experiência.

 

Perfeito: estamos feitos!

 

(imagem – Wikipedia)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 01:04

12
Fev 14

Ficheiros Secretos – Albufeira XXI

(Outros Mundos – T versus ET)

 

(Saldo Actual: 10)

“Desde que fomos globalizados deixamos de ser e existir, apenas porque oferecemos a nossa liberdade em troca duma pretensa e graciosa segurança. Só que não percebemos tratar-se da liberdade dos outros. E se no que toca à segurança ainda a poderemos dispensar sujeitando-nos nem que seja à lei da selva e do mais forte, sem liberdade não vamos a lado nenhum: e parados e sem movimento só os animais doentes ou mortos”.

 

 

(Em Espera)

Estava eu ligado à rede a actualizar alguns dos meus dados contabilísticos e a verificar algumas notas de encomendas ainda em processamento – aguardava a chegada duma encomenda importante – quando no monitor apareceu um aviso de chegada de uma nova mensagem. Não vinha com identificação visível nem com título atribuído. Mas ao abri-la descobri logo a sua origem: só poderia significar que fora dada a autorização e que lhe comunicavam agora o menu pormenorizado da operação. Sem perder tempo foi buscar o descodificador, enquanto aproveitava para confirmar que a Maria continuava a dormir profundamente: convencera-a a tomar uns analgésicos para ver se melhorava das dores que ultimamente lhe afectavam as costas e até a ajudara um pouco mais, introduzindo-lhe uns calmantes no tratamento para ver se descansava mais um dia e se esquecia de vez a cabeleireira. Dormia profundamente. Com o aparelho traduziu a mensagem: o crime seria praticado num prazo limite de noventa minutos, numa habitação situada na periferia da cidade e estando o alvo devidamente identificado e localizado. O encontro com o executor – que acompanharia nesta missão – far-se-ia no local habitual, partindo ambos e de imediato para a concretização da mesma, finda a qual o executor se desligaria do processo: que como eu sabia terminava muitas das vezes no seu desaparecimento.

 

Vou para os lados do parque de campismo levar uma pessoa. Volto já”.

Tinha registado a cena na câmara do meu telemóvel, até para a Maria poder confirmar que era verdade: desde ontem que estava à espera de uma oportunidade para ir ao cabeleireiro.

 

Cheguei e o tipo já entrou. Deve faltar pouco. Fica mesmo ao lado do parque”.

Enquanto esperava filmei a paisagem, apanhando ainda o indivíduo a sair e a dirigir-se para mim: pelo visor pude ver que vinha apressado e com muitas partes da sua roupa manchadas de vermelho. Na mão trazia um revólver e uma catana. Pousei a câmara e aguardei.

 

Desculpa mas tenho que fazer um pequeno desvio. São só mais uns minutos. Ele esqueceu-se duma coisa”.

Um pouco nervoso o indivíduo pediu desculpa pelo seu aspecto, referindo-se ter virado com a pressa a bacia onde se encontrava o sangue para a cabidela, acabando por ser atingido: a catana e a pistola também tinham sido atingidas pelo sangue da cabidela e quem não ia ficar contente dentro de momentos, era o dono a quem as ia entregar. Olhou para mim e encolheu os ombros. Arrancamos então para o interior.

 

O tipo disse agora que eram só cinco minutos. Isto tudo é um bocado esquisito. Mas como já vi tanta coisa, o que quero mesmo é ir-me embora. Um pouco mais de paciência”.

Estava agora em pleno campo, junto duma moradia térrea e já com alguns largos anos de idade, plantada numa das extremidades dum terreno com cerca de dois hectares, aparentemente abandonado mas limpo e bem arranjado. De um dos lados da casa destacava-se uma pequena construção que talvez fosse uma garagem. Nesse momento o indivíduo saiu de casa fez-me sinal e dirigiu-se para a garagem. Entrou e fechou a porta atrás de si.

 

 

Não sei bem onde estou. Não se vê ninguém e o tipo nunca mais sai da garagem. Já passou um quarto de hora e nada. Só ouvi uns pequenos estrondos e umas aves a levantar voo. Devem ser caçadores que adormeceram...E daqui a pouco quem adormece sou eu. O tipo é mesmo estranho”.

O indivíduo saiu de lá como um homem novo. De início nem o reconheci só o fazendo quando ele se aproximou do carro e se me dirigiu: pediu-me para guardar na viatura um saco de viagem que trazia consigo, enquanto ia no instante até casa buscar algo regressando de imediato. Sorriu-se então para mim, enquanto mostrava como agora já se encontrava muito mais apresentável. Virou-se e enquanto ele seguia em passo acelerado para a porta de entrada, vi o estranho objecto suspenso e preso à sua cintura: tinha uma forma alongada estreitando-se numa das suas extremidades, apresentando-se com um aspecto que sugeria um material carregado doutros materiais de menores dimensões incrustados ao longo de toda a superfície, o que o transformava num objecto extremamente belo e estilizado e simultaneamente não deixando de sugerir um artefacto dum qualquer filme de ficção científica. Devia estar a ficar apanhado da cabeça: toda aquela situação o apanhara desprevenido e se pensasse mais claramente, poderia ter muitas interpretações. E se verdadeiramente estivesse num filme, o enredo poderia ser outro, que não o seu. Interrompeu os seus pensamentos, quando a porta da casa se abriu.

 

Acho que é agora que estou de regresso. O tipo já fechou tudo e só está a verificar os quadros de entrada. Até já”.

O indivíduo entrou no carro, sentou-se e fechou a porta do seu lado e enquanto reiniciávamos a viagem, olhou para mim e falou. Ainda hesitou uns segundos, mas logo verbalizou as suas actuais inquietações:

“Era um simples mensageiro com algumas funções operativas – atribuídas temporariamente em casos de extrema necessidade – e estava ali no cumprimento duma simples formalidade processual, mas técnica e inadiável”. Aí fiquei um pouco baralhado e comecei a pensar se o indivíduo seria mentalmente equilibrado. “A sociedade para a qual trabalhava não dispunha de qualquer tipo de identificação institucional, nem aqui nem noutro lugar do mundo: tratava-se duma sociedade secreta estabelecida entre entidades internas e externas e o seu objectivo final era a salvaguarda da estabilidade mundial, ambiental, social e económica. A sua história mergulhava profundamente no passado e nas lendas envolvendo Deuses, Alienígenas e outras Entidades Revolucionárias”. Entrei de novo na estrada principal, estava o indivíduo na parte da conversa em que se referia aos extraterrestres: mas o que haveria eu de fazer com um tipo como este e como é que me tinham arranjado esta encomenda? A minha vontade era arrancar logo para casa e deixar o tipo onde quisesse o mais rapidamente possível. Ainda se arriscava mais uma vez a faltar a promessa feita à Maria. Um pouco à frente o indivíduo retomou a conversa. “Esperava que eu compreende-se a sua situação e poderia estar sossegado porque não fizera nada de errado. Dizia-me isso porque me sentia um pouco nervoso, visível no meu rosto suado e nalguma irritação corporal que entretanto ia demonstrando: poderia ter a certeza que não era nenhum demónio ou outro monstro malévolo do outro mundo, disse-me ele sorrindo enquanto me tocava no ombro. A sua mão estava extremamente quente e enquanto o olhava tentando acalmar-me, vi de novo o artefacto preso à sua cintura, mas agora brilhando intensamente em determinadas incrustações. Aí – e sem saber porquê nem tendo consciência disso – o meu corpo começou a tremer, com uns arrepios crescentes a atravessarem-me toda a coluna vertebral e a saírem sob a forma de tremores por todas as extremidades do meu corpo: o que o indivíduo sentiu e pareceu-o deixar alerta. Pediu para parar num café ao lado da estrada e dirigiu-se ao seu interior.

 

 

Já nem sei no que me meti. Pede ao José para ir ter comigo ao cruzamento da bomba de gasolina do tio dele. Passo por lá e fico à espera. Não sei se vou estar aí a tempo de te levar. O tipo já aí vem. Estou feito”.

Vinha acompanhado por mais dois indivíduos bem vestidos e com uma excelente apresentação, sendo o duo constituído por um homem e uma mulher, ele visivelmente mais velho do que ela. Enquanto o meu passageiro se dirigia para o local onde eu me encontrava, o casal desviou-se um pouco mais para a sua direita e encaminhou-se para um grande monovolume de vidros fumados para onde entraram pela porta lateral. Deixaram-na entreaberta. E enquanto via o meu passageiro a aproximar-se da porta direita do carro, ouvi um som vindo da porta da esquerda situada atrás de mim e a partir daí perdi os sentidos: pelo menos não me lembro de nada, dos momentos antes de despertar. Estava agora sentado sozinho no interior da minha viatura com o José já ao meu lado e a abanar-me fortemente tentando acordar-me. Não havia sinal do meu passageiro, nem do monovolume e do casal que nele entrara. Poderia estar a viver um sonho.

 

Vou arrancar. O José já se foi embora e acha que eu estou louco e que deveria ir mas é dormir. Nem sabes o que me aconteceu. Depois conto-te. Até já – mesmo”.

Na sua última etapa da viagem de regresso a casa uma das primeiras coisas que viu a passar ao seu lado na estrada, dirigindo-se em sentido contrário ao que agora seguia, foi uma carrinha de apoio da GNR. Mais à frente e no outro sentido do trânsito, uma patrulha da mesma força fazia o que parecia ser uma operação de controlo de viaturas e das suas respectivas cargas. Já perto da rotunda a circulação de trânsito encontrava-se parcialmente bloqueada, com várias carrinhas das forças policiais, dos bombeiros e do INEM, aglomerados numa das suas saídas – logo por coincidência aquela que percorrera momentos antes perto do parque de campismo na companhia do indivíduo misterioso. No pára e arranca vivido pelos condutores nestas ocasiões, acabou por saber por intermédio dum popular que ali permanecia desde o início, que as autoridades tinham encontrado numa casa situada bem no fundo do caminho, o corpo já cadáver de um indivíduo de meia-idade, atingido com dois tiros no coração e decapitado. Nessa altura estremeci e paralisei, bloqueando-me mentalmente com um violento ataque conjunto, de medo e de suores frios; e devo ter ficado branco que nem a cor da cal, pois logo o homem me tentou acalmar afirmando que a polícia já estaria na pista dos culpados e oferecendo-me até uma garrafa de água. Tinha que enviar já uma mensagem à Maria, pois certamente que este caso acabaria por chegar à sua origem e no seu caminho ele seria um dos principais atingidos. Parou na berma e enquanto olhava o cenário próprio dum thriller policial, enviou a mensagem.

 

Estou perto da rotunda parado. Houve um crime por estes lados e isto está cheio de polícias. Acho que estou metido numa grande alhada e o melhor é ir ter com eles. O tipo que transportei se calhar está implicado e vê lá tu, fui eu que o trouxe. Chegou um guarda: vou aproveitar. Ligo já”.

Ao princípio o guarda ainda ficou a olhar para mim, ocupado como estava a tentar desobstruir a via de trânsito: olhou para mim, voltou a olhar para o trânsito e ainda um pouco desconfiado lá me levou até ao comandante. Custou um pouco a chegar junto dele, mas feitas as apresentações e indicado o motivo da minha presença, não mais me largou: olhando atentamente para o meu carro confirmara em poucos segundos o modelo de automóvel e o formato dos seus pneus, muito semelhantes àqueles que uma viatura similar faria num caminho de terra como aquele onde se encontravam e que ia dar à casa da vítima – e que neste caso eram nalguns sectores ainda bem visíveis e de fácil comparação. Levou-me até ao carro de apoio da GNR – que ali estava instalado como um gabinete de crise – e no seu interior dei o meu testemunho, o qual ele ouviu atentamente e sem nunca me interromper. Sensivelmente a meio do meu relato fomos interrompidos por um oficial que pedindo desculpa se dirigiu ao seu superior e lhe segredou algo ao ouvido. Muito interessado com o que lhe era relatado o comandante virou-se para mim e pediu uns minutos de escusa, aos quais eu acedi aproveitando para ligar à Maria. Como não atendeu não tive remédio senão enviar-lhe nova mensagem e esperar que ela desse sinais de vida: não via como é que tão cedo me iria safar disto, nem como iria identificar os seus verdadeiros suspeitos, já que nunca os vira antes, nem os seus nomes sabia. Que desastre! E ao meter a sua mão no casaco encontrou uma bolsa.

 

 

Espero que acreditem em mim. Estive a pensar nisto tudo e no fundo até tenho as mensagens que te enviei e as imagens que registei, que poderão em último caso servir para a minha defesa. Mas o que tenho eu a ver com isto? Estava no café descansado a apanhar Sol e logo me tinha que aparecer este tipo. E os tipos do café ainda me convenceram: que burro! Acho que o melhor é esperares em casa. Não sei quando termina. A vida tem cada coisa que até parece bruxedo”.

O comandante regressou pensativo e com uma cara um pouco esquisita – parecia intrigado com qualquer coisa, provavelmente muito pouco habitual para ele: mas mal me viu pareceu abstrair-se desse facto, pedindo-me educadamente para continuar. Assim fiz e interrompido aqui e ali por um ou outro curto comentário, vinte minutos depois tinha acabado. Permanecemos uns segundos em silêncio, com ele ainda a digerir a última parte do meu relato em que perdia sem saber como ou porquê os sentidos, afirmando o comandante entre duas risadas dirigidas mas cordiais, que se fosse o caso tal não seria um grande álibi. Para mim claro. Mas a partir daí falou ele pedindo ao restante pessoal que o acompanhava na missão para ficar comigo sozinho no interior do veículo de apoio. O que ele disse deixou-me surpreso, assustado e receoso. Pedi-lhe para ir beber um copo de água, liguei sem o fazer notar o gravador do telemóvel e voltei a sentar-me. Estava pronto para o que aí vinha e que poderia ditar o meu futuro: a gravação tinha-se iniciado, acompanhada em simultâneo pela mensagem prévia de aviso (para o destinatário).

 

Gravação automática: aviso de início/procedimentos habituais/nível5

Tinha ocorrido um acidente extremamente grave na Via Rápida que atravessava longitudinalmente toda a região onde se encontravam, tendo-se verificado a queda em plena via de um dos pórticos nela instalada perto dum nó rodoviário muito importante e movimentado, o qual provocara um violento choque de viaturas em cadeia, causando vários feridos e pelo menos três mortos já confirmados: precisamente os ocupantes de um monovolume, em tudo idêntico ao descrito no meu relato. O registo de passagem confirmava a entrada da viatura num nó situado nas proximidades do local onde eu afirmava ter perdido os sentidos, com o próprio GPS da viatura a confirmá-lo e aos registos quilométricos e temporais. Não tinham encontrado até agora nenhum indício da presença de armas junto dos três indivíduos calcinados – dois homens e uma mulher mas dadas as altas temperaturas atingidas durante a explosão e no decorrer do incêndio que se seguiu, certamente pouco mais poderiam aí encontrar. Sorridente e aparentemente satisfeito, ainda teve tempo para acrescentar que alguns populares presentes no local aquando do acidente, teriam afirmado que tudo teria sido provocado por um raio que teria subitamente atravessado o céu de uma ponta à outra do horizonte, o qual por sua vez teria provocado várias descargas sobre a zona onde estariam a passar, indo uma delas atingir a Via Rápida e levando à queda do dito pórtico. Acrescentavam ainda – mas duma forma receosa e incrédula, face à sua impossibilidade física – que não reconheciam um dos automóveis que se encontrava no meio dos destroços junto do monovolume, dado nunca o terem avistado no início do choque em cadeia, nem em qualquer momento subsequente. Se lá estivesse, com ele iriam todos ao teste do balão! Mandou-me então embora e que estivesse descansado: só teria que comparecer o mais breve possível no posto da guarda, para assinar o relatório da ocorrência e me livrar de tudo isto. Segundo ele eu tinha tido uma sorte tremenda em ainda ali estar, já que ainda me encontrava vivo e bem de saúde: na maioria destes casos os primeiros elementos nunca se safavam. Não sabendo porquê engoli em seco e fui-me então despedir dele. Cumprimentamo-nos, desejamos o melhor dos melhores para cada um e separamo-nos com mais um aperto de mão. Já com a porta de saída entreaberta, chamou-me e acrescentou: já agora pedia-lhe por amizade e solidariedade que deixasse ficar comigo o seu telemóvel e encarasse tudo isto e para si como se nunca tivesse existido...pela minha parte não tenho memória do que não me interessa e pretendo apenas manter os equilíbrios...como as armas utilizadas em crimes, que posteriormente têm que ser destruídas. Fiquei parado até digerir completamente a sua mensagem: então ele virou-me as costas e foi-se sentar. Eu saí e finalmente fui para casa.

 

 

Safei-me. Nem acredito – na verdadeira acepção da palavra. Só tenho que festejar. Estou já aí”.

O tempo tem estado melhor nos últimos dias após o temporal que atravessou a região na semana anterior: já podemos sair de casa e ir dar uma volta até ao café. Assim é bom estar, aproveitar e viver.

 

(Em Espera)

Partindo do princípio de que era humanamente impossível estar do lado de outras espécies alienígenas (por estrangeiras) ainda por cima vindas de outros planetas (muito distantes), acho que a minha posição definitiva sobre “que lado tomar”, tinha sido a mais lógica e compreensível decisão: nunca poderia trair a minha espécie, mas por outro lado poderia utilizar o argumento dos outros, em meu exclusivo benefício. E foi o que fiz:

Precisava dum elemento de que me pudesse descartar rapidamente após a conclusão do trabalho a que me tinha proposto, mas que ao mesmo tempo conseguisse criar o ambiente e as condições necessárias para a construção dum cenário realista e acima de tudo credível, que facilitasse a sua eliminação e subsequente acusação. E lá encontrara Ivan e os seus dois primos, mercenários de qualquer tipo de guerra por qualquer quantia de dinheiro e agora caídos em desgraça e transformados em traidores fugidos das suas próprias terras em guerra, por eles mesmos promovida e transformada em negócio, aqui desempregados, abandonados e no momento sem grandes fundos: foi fácil comprá-los com um pequeno adiantamento e a promessa dum grande golpe a realizar muito em breve. E a ocasião surgiu três dias depois, dando-me o tempo suficiente para já ter tudo preparado e arrancar de imediato e em paralelo com o meu plano. Com o telemóvel na mão dirigi-me para o café;

Quanto à missão correu tudo como previamente planeado com a colaboração daquele que poderia vir a ser o meu grande álibi o telemóvel, da graciosa sonolência da testemunha adormecida em minha casa a Maria e até dos três estrangeiros que comigo colaboraram, assumindo em seu nome toda a culpa do odioso crime ocorrido e morrendo juntamente com o seu próprio testemunho. O alvo fora abatido conforme o superiormente solicitado e simultaneamente fizera talvez o golpe da minha vida: há tempos que as riquezas do indivíduo eram comentadas por todo o lado em voz baixa mas interessada, mas nunca ninguém as tinha visto ou encontrado, até ao dia em que por mero acidente e numa pesquisa que depois me levaria a esta acção, o vi com um conjunto de artefactos extremamente brilhantes e contrastantes e que o deixava visivelmente deliciado com a sua extrema beleza e forte impacto mental, como se estivesse perante outras realidades ou outros mundos. Tinha que possuir aquilo. E consegui-o na execução dum plano perfeito. Só mesmo a interpelação tardia do comandante policial me perturbara: naquele momento e por qualquer razão ele não actuara e pactuara, o que significava que eu estaria a partir de agora muito mais atento aos seus movimentos, pois nestes assuntos seriamos sempre cobradores se não quiséssemos passar por mortos. Então o telemóvel tocou: na mensagem a Maria pedia-me para ir já ter com ela ao cabeleireiro, pois já estava despachada.

 

Já estou no carro: é só ligar e arrancar e estou aí enquanto o diabo esfrega o olho”.

Do outro lado da cidade ouviu-se uma violenta explosão, levando o Comandante a olhar sorridente para a sua bem apresentada e penteada acompanhante, que lhe retribuiu alegre e superiormente a atenção com um enorme beijo sobre a face direita. Apontou em direcção à coluna de fumo que se erguia ao fundo da avenida, deixou-a à porta de casa e ainda teve tempo para se justificar: “afinal de contas tenho que ir tomar conta da ocorrência e desde já aceita os meus pêsames”.

 

(imagens – Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:03

23
Dez 11

Como se deita fogo a uma bomba de gasolina – e se culpa a gasolina por ser um combustível perfeito.

 

Incendiadas retroescavadoras que removiam escombros do Bairro do Aleixo

 

 

Rio quer ver todas as torres demolidas até 2013

 

Demolição fez explodir ânimos entre moradores

 

“Uma operação tecnicamente perfeita”

 

Vídeo: a implosão da torre 5 do Aleixo

 

Manual do Político Honesto que quer ganhar eleições a qualquer preço, mesmo que não acredite nisso, nem mesmo nele próprio. E que mesmo assim ganhe, sem saber como e mesmo depois de ganhar, continue a não acreditar nisso.

(daí as nobres contradições)

 

1.º

 

Antes das eleições e com convicção, afirma-se o contrário ao eleitor/reflector – já que o eleito sem credibilidade, só luta pela sobrevivência – com a única intenção de obter, a sua passividade temporal.

2.º

 

Depois da publicação dos resultados oficiais e da confirmação dos números da maioria passiva temporal, numa primeira, significativa e simbólica demonstração de poder que o povo há muito suplicava – noutro sentido, entenda-se bem – aplica-se surpreendentemente o seu contrário, deixando-se o povo estupefacto e surpreendido com tal reviravolta, com um alcance que ele próprio não entende, provavelmente por ingenuidade e ignorância.

3.º

 

Mesmo sem um retorno mínimo de aceitação e consideração pelo seu trabalho realizado – pretensamente desenvolvido em favor de toda a comunidade envolvente e especialmente a favor da mais carenciada e desprotegida da população que jurou proteger – optar então sem hesitação e remorsos, por sectores privilegiados da população e com meios significativos de manipulação, de modo a perpetuarem a sua posição e progressiva evolução na hierarquia do poder. Aquilo que um homem honesto, jamais aceitaria. Porque mesmo dentro de toda a legalidade, quem nos representa deve saber, o que significa a palavra vergonha.

 

4.º

 

Se tudo isto der barraca (apesar da proliferação de doutores e engenheiros, anteriormente empenhados em serem analfabetos e agora promovidos por decreto e filiação comportamental, a doutores universitários) e como vai sendo natural acontecer neste país, em que se vendem barracas/contentores a preço de luxo (inflacionando cada metro quadrado de contentor situado ao lado), sair em silêncio pela porta das traseiras, não reconhecer nenhum dos nossos cúmplices e seguidores, deixar passar uns anos sobre a incompetência da nossa imagem de padrinho e na altura própria, por necessidade patriótica do surgimento de um novo salvador, invocá-lo e por motivo de ausência do nevoeiro de D. Sebastião, convidá-lo a apadrinhar mais um baptizado.

 

5.º

 

E como a estupidez não tem limites, pôr as vítimas a discutir qual a melhor forma de serem eliminadas, enquanto os seus filhos guardam o cadafalso dos pais e os intelectuais humanistas que os ensinam na escola, se entretêm com os aperitivos e cocktails postos à mesa, enquanto enfadados, aguardam que os cadáveres resolvam cair. Como fruta madura, de podre!

 

Ponto Final

 

Declaração de Rui Rio, pouco tempo depois da sua inesperada vitória autárquica, para a Câmara Municipal do Porto, em 2001: "Não farei aqui nada contra a vontade da população do bairro. Se a vontade da população é manter as torres, vamos tratar das torres".

 

E está claríssimo para toda a gente, que o único objectivo das entidades competentes, seria o de acabar com o tráfico de droga no bairro do Aleixo: se quiseres curar um doente e acabar com os seus queixumes, o melhor para ti e para ele, é matar o mal pela raiz e ocupar o seu lugar com algo, que torne um outro feliz e se possível, com uma espectacular vista para o Douro.

 

Valente(s) ou o seu contrário?

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 12:32

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