Um espelho que reflecte a vida, que passa por nós num segundo (espelho)

22
Set 13

Ficheiros Secretos Pós-a/341

(a/Apocalípticos)


Projecto Planeta Azul – Formas de Vida Alienígena

 

Dia 26 – 11h 00mn

A noção e a importância que o João atribuía à variável tempo, por vezes criava um pouco de confusão na datação dos acontecimentos a que ele se ia referindo eloquentemente e com manifesto prazer durante as suas recentes e elaboradas conversas, já que em tempos passados exercera um importante cargo no seu sistema de origem, orientando e seleccionando biocandidatos vindos da sociedade civil e oriundos especialmente de faixas etárias jovens e irrequietas, com desejos que individualmente se recusavam a ignorar como entre outros, conhecer outras fronteiras para o desenvolvimento das suas actividades pessoais que os pudessem transportar um pouco mais além na sua demanda e no seu nomadismo intrínseco de procura de novas aventuras e de novos desafios, fenómeno tão característico nos jovens ainda em nas etapas iniciais de experimentação e aprendizagem: seria uma espécie de orientador e tutor temporário mas sem necessidade de recorrer a testes psicotécnicos de condicionamento subliminar, já que obrigatoriamente todos os passos seriam sempre dados pelo candidato e nunca sugeridos pelo seu mestre e acompanhante. E foi a pretexto da influência exercida pelo meio exterior sobre a formação dos indivíduos e a constituição dos respectivos grupos sociais, que voltamos de novo a falar sobre a história já com muitos e muitos anos da intervenção de forças estrangeiras no nosso sistema e no que nos dizia particularmente respeito no nosso planeta Terra:

- O nosso planeta teria ao longo das últimas centenas de ano estado sob vigilância apertada por parte de alguns observadores colocados nos limites da nossa galáxia, com o intuito de verificar mais atentamente e com maior proximidade a evolução que a espécie dominante nesse planeta estava a passar, sem nunca revelarem a sua presença e muito menos intervirem. No entanto um acontecimento negativo por não previsto acabou por afectar o cumprimento previamente estabelecido para esse objectivo, por interposição doutra personagem que ali não deveria estar pertencente ao corpo militar de controlo e segurança ligado à estrutura da Máquina Preservativa (MP): vinham daí e especialmente referidas ao século passado, uma avalanche de notícias referindo-se a pretensas intervenções extraterrestres que iam desde avistamentos e abduções, até ao estabelecimento de ligações privilegiadas entre estes extraterrestres e representantes do poder no planeta. Roswell tinha sido apenas mais um lamentável acidente (por ser o mais visível e difícil de fazer desaparecer) ocorrido com uma nave transgressora e não declarada no sistema de orientação e navegação, operando sobre as ordens ilegais de oficiais rebeldes que entretanto já controlavam completamente a MP e que procuravam restabelecer um compromisso/contracto com as autoridades terrestres norte-americanas, com a finalidade da suspensão imediata de certas actividades inúteis e extremamente perigosas que incluíam a utilização da energia nuclear, oferecendo como moeda de troca tecnologia alienígena extremamente avançada e que lhes poderia dar aquilo que faltava aos EUA para o domínio total do planeta Terra e mesmo dos espaços celestes a ela adjacentes. Esta proposta irrecusável contribuiu definitivamente para a alteração total dos pressupostos assumidos pela elite no poder e que tinham no século anterior conduzido à criação dos EUA, levando-os definitivamente a ignorar e a abandonar a generalidade das populações cada vez mais excedentárias e em estado degenerativo irreversível e a assumirem em alternativa o poder total numa mão reduzida de pessoas, tendo sob o seu controlo as Grandes Corporações Mundiais e alguns grupos de topo da sociedade global, que formariam com outros contingentes de mão-de-obra especializada o Novo Mundo: a previsão apontava para uma redução ideal da população existente em cerca de 80%. E fora esta atitude insana que levara – contra as suas próprias ideias e directivas – certas Entidades alienígenas a intervirem no nosso Sistema, tentando evitar o ressurgimento de novos percalços que pudessem perturbar o equilíbrio local e a sobrevivência da nossa espécie. E esse era um dos papeis a desempenhar pelo robot humanóide João, em acção conjunta com outros colegas seus “espalhados por aí” e operando em conjunto com certas forças já estabelecidas no planeta e colaborando com os amigos estrangeiros tanto no interior das organizações governamentais e das próprias Corporações, como através da militância exterior e voluntária de certos corpos não governamentais operando na clandestinidade.


O Planeta Azul – e cada vez mais cinzento

 

Mas o que agora estava verdadeiramente em causa era mais esta derradeira tentativa de estabilizar o planeta, libertando-o dos meandros diabólicos por onde alguns o tinham introduzido e tentando restabelecer de novo a ordem natural das coisas e o poder colectivo do Homem – e de todos os outros seres vivos que com ele viajavam nesta extraordinária e irrepetível aventura – sobre esse outro ser vivo que sempre o acompanhara e protegera no seu berço original – o planeta Terra.

A perturbação temporária por todos nós anteriormente observada e que tinha atravessado todo o corpo do João, acabando por revelar a sua verdadeira identidade e como consequência a razão da sua presença, tinha uma justificação que os três acabamos por compreender e aceitar: o robot humanóide acabara de receber nesse momento particular uma mensagem directa e urgente – através duma rede interna protegida e dedicada – informando-o das derradeiras previsões de desenvolvimento fornecidas em Simulador incidindo sobre os eventos terrestres que se iam sucedendo, existindo fortíssimas probabilidades ainda não totalmente confirmadas – o simulador ainda corria algumas subrotinas para verificar o funcionamento de todas as aplicações em execução – dum agravamento da situação em todo o planeta, o que poderia condicioná-lo fortemente na sua actuação local e obrigá-lo a retirar-se para uma zona mais afastada da superfície do planeta. A previsão era pôr em execução nos próximos minutos os planos de evacuação da base onde se encontrava, iniciando desde já os procedimentos de desactivação da base e de suspensão de toda a actividade periférica associada, o que simplificadamente queria dizer apenas fechar o local. A guardava apenas uma senha de confirmação (ou suspensão) para iniciar o cumprimento da ordem, tendo ainda que decidir o mais rapidamente possível o que fazer connosco: mas já parecia convencido da decisão que iria tomar, aquela que certamente os três bem lá no fundo desejávamos. No fim de contas estávamos a viver um momento único das nossas vidas e apesar da nossa brutal insignificância face ao Infinito e da poderosa pressão que o Tempo exercia sobre nós invectivando-nos com o medo e o terror, superiormente apoiados pela Morte, não podíamos agora desperdiçar este Fabuloso Espaço de Observação e Contemplação que até poderia contribuir decisivamente para a salvação de todos nós.


Sonda espacial Voyager 1

 

Dia 26 – 12h 00mn

Concluído todo o processo de suspensão de actividades para efeitos do encerramento da base, o João conduziu-nos para o seu exterior onde fomos dar de novo com o local onde ainda se encontrava estacionado o nosso veículo, que ainda há tão pouco tempo nos levara até ali. Entramos todos e com o nosso novo guia humanóide agora a conduzir, embrenhamo-nos monte acima utilizando um caminho cada vez mais estreito e sinuoso e que terminava numa pequena e bem dissimulada clareira situada na encosta norte muito perto do seu ponto mais elevado. Abandonando de seguida o veículo e deslocando-nos um pouco para o nosso lado direito, ali mesmo nos juntamos à volta do nosso guia, que manipulava e programava já o pequeno artefacto que ele tratava como o Interceptor, de modo a obter as actuais e exactas coordenadas da sonda que nos esperava e assim dar imediata execução ao nosso transporte, que segundo ele seria instantâneo. Despedimo-nos da Terra e sem perceber como, já nos encontrávamos no interior de um novo habitáculo: estávamos no interior de uma pequena nave colocada numa órbita geoestacionária muito próxima da Terra e não perceptível a partir da superfície do planeta, já que para além de ter sido colocada numa zona de sombra de acção de outros satélites artificiais, também estava apetrechada de uma extraordinária tecnologia que lhe permitia tornar-se invisível não só aos radares mais avançados, como também na verdadeira acepção da palavra, não ser visível por qualquer tipo de instrumento ou de equipamento óptico, natural ou artificial, apenas porque não reflectia em absoluto nenhum raio luminoso já que dispunha de um dispositivo electromagnético que se limitava a deflectir esses mesmos raios, criando no seu lugar um espaço livre para outro cenário opcional de simulação.

A vista da Terra a partir do espaço continuava a ser um quadro fantástico de se ver, conhecendo-se a miríade de seres vivos que a acompanhavam na sua viagem inter-galáctica através do imenso Universo. Cá de cima o cenário que visualizávamos para além das janelas da nave parecia apresentar um quadro geral de relativa normalidade, apesar de estarmos a observar apenas uma parte do globo. Mas os novos dados recolhidos durante o curto espaço de tempo de que desfrutáramos nas consultas online já realizadas no interior da nave, confirmavam três coisas importantíssimas e vitais:

- A Terra estaria a atravessar um momento de grande actividade sísmica e vulcânica em determinadas regiões próximas de importantes fracturas existentes nas zonas de junção de determinadas placas tectónicas, que por sua vez estariam a afectar sectores mais velhos e desgastados adjacentes a essas fracturas, que ameaçavam como sequência lógica e natural de todo este processo geológico poder causar o aparecimento de novas fracturas na crosta terrestre, como reacção às fortes pressões originadas no interior do planeta e que estavam a afectar as camadas intermédias de magma. No entanto o pico máximo já teria sido ultrapassado, estando o nosso planeta numa curva descendente de actividade, talvez relacionado com a evolução do ciclo solar e com o ajustamento progressivo da Terra ao eixo dinâmico Sol/Terra;

 - Politicamente o caso apresentava-se neste preciso momento rodeado de indícios muito mais preocupantes que os apontados anteriormente, indícios esses que levariam certamente ao rebentar muito em breve dum conflito de amplitude regional, mas que poderia ser mais alargado com a possível concretização dum cenário limite, estendendo perigosamente esses efeitos – por acção/reacção – a territórios muito próximos ou mesmo vizinhos de grandes potências; fontes não identificadas inseridas na estrutura militar norte-coreana acreditavam que o líder máximo do país estaria pronto a lançar um ataque contra um país situado nas suas vizinhanças, mesmo com as constantes e cada vez mais agressivas ameaças lançadas pelos representantes oficiais do governo chinês, actualmente o seu maior e mais forte aliado. E através de ligações indirectas com agentes colocados em Teerão em contacto permanente com organizações clandestinas paquistanesas ligadas a tribos aliadas dos Talibãs, chegava também a pior notícia que se esperava e que poderia – no que dizia respeito ao conflito Indo-Paquistanês – significar “apenas” a declaração do estado de guerra total entre os dois países, com a utilização de bombas nucleares: algumas fontes militares normalmente credíveis indicavam que a ordem já teria sido emitida;

- Finalmente e quanto à questão dos perigos vindos do exterior, um único problema poderia na verdade ainda vir a afectar, mas num grau muito mais reduzido do que o afirmado (ou pretendido) o planeta Terra, afastando-se desse modo e definitivamente as perspectivas catastróficas difundidas a partir dos EUA, inicialmente falando da pretensa colisão dum cometa ou asteróide com o planeta e posteriormente através doutras fontes consideradas fidedignas e ligadas a sectores prestigiados da comunidade científica, considerando a hipótese da presença dum planetóide nas proximidades e que estaria a provocar através da sua passagem estes efeitos catastróficos no planeta. Segundo os últimos dados disponíveis existiria a possibilidade dum pequeno asteróide vindo da zona de sombra do Sol e com uma trajectória extremamente fechada na sua passagem em torno do mesmo – o que tornava os telescópios cegos relativamente à sua chegada – passar num voo rasante perto da Terra (55%) ou poder mesmo colidir com ela (45%): todos os cálculos estavam a ser actualizados ao segundo, mas tomando em consideração o seu reduzido tamanho (estimado) e a sua constituição, mesmo que se desse um embate com o planeta as consequências seriam sempre limitadas e a nível local.


Controlo mental e processo educativo: acreditar no que não se vê!

 

Enquanto isso a vida no sul do país ia lentamente voltando à normalidade – se assim se podia falar – com o regresso progressivo ao litoral da maioria da sua população anteriormente em fuga: apesar de toda a destruição provocada pelas ondas originadas no tsunami a reconstrução era possível, fossem os poderes capazes de se reorganizar e de trabalhar em conjunto, de novo e duma forma renovada e exclusivamente para servir o seu povo. E fora da região algarvia o mundo tentava readaptar-se de novo, com a Europa a tentar recuperar as suas estruturas básicas de sustentabilidade e a reforçar outras instituições fundamentais, que em função do seu fim solidário e não lucrativo estavam anteriormente em processo irrevogável de abandono; e recompondo-se dos graves prejuízos causados á sua Economia pelo inesperado (e felizmente momentâneo) colapso de praticamente toda a rede eléctrica europeia. Somente e vindo mais uma vez do outro lado do Atlântico, as últimas notícias continuavam a ser confusas e por vezes delirantes: teriam surgidos relatos de movimentações de tropas em determinados estados norte-americanos, falando-se entre círculos políticos não governamentais dum possível golpe de estado (de novo a insistência na mesma estratégia comunicativa e justificativa do terror) – à semelhança do que muitos grupos conspiracionistas tinham afirmado, sobre os acontecimentos rodeando o 09/11 – que teria como base e pretexto para a intervenção imediata, diversos atentados realizados nas últimas horas a diversas instituições governamentais e estatais norte-americanas, incluindo importantes empresas do sector privado. Tudo soava a falso, parecendo sim para os seus perpetradores, uma porta de escape para determinados sectores muito poderosos actuando no interior dos EUA e que não aceitavam mais este interregno – implicando prejuízos de muitos biliões de dólares – na aplicação dos seus planos, já há muito tempo atrás pelos mesmos definidos para a construção do futuro do Novo Mundo. No entanto estes sectores não estavam sozinhos, tal como já o tinha confirmado em conversas tidas anteriormente connosco, o nosso companheiro humanóide: estes grupos ligados à extrema-direita e a poderosos sectores ligados a Corporações do sector privado e a uma forte corrente da Estrutura Militar norte-americana, estariam associados desde há dezenas de anos (os primeiros contactos reconhecidos remontariam ao início do século passado) com entidades extraterrestres que teriam chegado ao nosso Sistema sem a autorização e conhecimento prévio e obrigatório das suas Hierarquias – habitando nos seus planetas de origem em pontos longínquos do Universo e sem interesse directo e prioritário de intervenção em determinadas regiões do espaço – e que por esse facto estariam a agir ilegalmente e fora do contexto das suas obrigações e exercício do poder (como marginais e fugitivos) servindo-se no entanto de todo o Aparelho e Estrutura fixa ou móvel que o acompanhava, para intervirem sem hesitação e por iniciativa e ambição pessoal num mundo numa fase muito mais atrasado de desenvolvimento, mas com fortíssimas possibilidades de arranque para uma nova fase acelerada de crescimento e expansão (mesmo para além das fronteiras da sua galáxia) se equipados com tecnologia mais avançada fornecida do exterior – como era o caso dos oficiais oriundos da Máquina Preservativa. Poderiam estar ali a criar uma elite fiel de seguidores, que mais tarde os acompanhassem numa inovadora reformatação de todo o Universo.

 

Fim da 6.ª parte de 8

 

(imagens – retiradas da Web)

publicado por Produções Anormais - Albufeira às 00:52

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